O regresso da normalidade (2)

Quando se menciona que, seis anos após o 11 de Setembro, regressámos finalmente à normalidade, vêm sempre à baila a guerra do Iraque, no Afeganistão e instabilidade do Médio Oriente. Sucede que, tudo isso é ‘normal’. A normalidade é a guerra, não a paz. O confronto e, de quando em vez, a compreensão. O que é habitual é a guerra no terreno, de preferência no terreno do inimigo, com carros de combate, tanques, aviões e soldados a pé. Não o embate de aviões em prédios de 110 andares. O normal é os estados se confrontarem, disputarem-se mas, ao mesmo tempo, manterem um contacto civilizado. Por meio dos embaixadores, de membros do governo ou, e porque não, de forma não oficial. O normal é os chefes de governo trocarem impressões pelo telefone. Nunca através de vídeos gravados numa qualquer gruta perdida no Paquistão.

É neste sentido que ‘problemas’ como a Rússia, a China, a melhor maneira de lidar com a Índia e fazer frente ao Irão e à Coreia são desafios normais. O Iraque é um desafio normal, demasiado normal para as velhas experiências do Ocidente. Se o século XXI vier a ser um século ‘normal’ devemos o facto à casmurrice de George W. Bush.

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Um pensamento sobre “O regresso da normalidade (2)

  1. João Luís Pinto

    Só dois comentários:

    – Concordo que, a nível global, a existência de guerra é uma faceta inevitável da normalidade. A questão é se o paradigma de guerra convencional clássica não estará, ele próprio, em mudança, e se esse paradigma enunciado de “guerra no terreno” não estará muribundo.

    “Se o século XXI vier a ser um século ‘normal’ devemos o facto à casmurrice de George W. Bush.”

    – Fazendo a defesa, como é feita, da guerra “normal”, não nos podemos também esquecer do que também são as causas normais de uma guerra, e que de longe estão estabelecidas num conjunto da Casus Belli também clássicos. Essa herança do GWB é sim a herança de uma guerra em moldes convencionais (do seu lado), mas motivada por uma completa pervenção da própria lógica justifica da guerra instalada, e que sempre fundamentou esse paradigma de normalidade.

    Além de que, para mim, a pior herança de GWB nem é a sua atitude unilateralista e belicista. Não tenho grandes problemas, em geral, quanto a isso. Para mim, o pior foi a perversão de todo o sistema constitucional americano, com a diminuição de liberdades e privacidade dos seus cidadãos, motivada por causas de ameaças externas e de manipulações geostratégicas (e que rapidamente foi abraçada pela generalidade dos países ocidentais, incluíndo o nosso e os que nos estão próximos). Ninguém se lembra, das situações de guerra clássica, de que alguma vez tenham sido os povos beligerantes a sofrer as consequências da acção dos seus próprios governos, e não as das acções dos adversários.

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