Interessante em relação à anunciada participação de membros da FARC na Festa do Avante vai ser ver a respectiva resposta das forças de segurança e dos organismos governamentais de controle das nossas fronteiras. No ano passado foi o que se conhece: em termos de SEF, não se passou nada.
Este ano, vamos ver. O pré-aviso já está em cima da mesa, e que eu saiba, o terreno onde se faz a festa não é nenhuma embaixada nem goza de privilégios de imunidade perante a lei portuguesa, nem é inalcançável às forças de segurança. Afinal, espera-se que não seja somente a ASAE a única autoridade publica diligenciosa.
Não nos podemos esquecer que as FARC são uma organização referenciada como terrorista pela União Europeia. Acho que não ficaria muito bem perante os nossos parceiros europeus (ainda mais em tempos de presidência portuguesa) a informação de que, em dois anos consecutivos, uma organização terrorista se faz representar num evento aberto ao público em Portugal, com total complacência e ineficácia das forças de segurança em impedir que tal aconteça.
Afinal, se acontece com estes, como podemos esperar que seja diferente com outros? Como é que se pode esperar que assim seja em relação a uma organização extra-europeia, e se queira ter credibilidade a lidar com organizações terroristas europeias intra-fronteiras livres e abertas como a ETA?
E fica também um pensamento: em circunstâncias normais, a colaboração com uma organização terrorista (Quem é que pagou as viagens? Que garantias foram dadas da “segurança” aos seus enviados?) por parte do PCP mereceria uma investigação rigorosa e dura das respectivas entidades públicas. Quem sabe, até se candidatariam a medidas preventivas até se apurar o real grau de colaboração entre as organizações. Coisas tipo contas congeladas e responsabilização (e aplicação das respectivas medidas de coacção) dos seus responsáveis e dirigentes.
Vamos mostrar que somos um Estado de Direito, ou que as nossas instituições são ridicularizadas pela sistematica posição de desafio da organização de uma festa de um partido político?