As Sete Maravilhas do Totalitarismo

Lenin MausoleumÀ atenção da extrema-esquerda (tanto a mais como a menos envergonhada):

The Seven Wonders of the Totalitarian World

Throughout history, it is the deep-pocketed madmen who tend to leave behind the biggest wonders. And while last month’s election of the New Seven Wonders of the World hints at this point — the emperors who fed Christians to the lions in the Roman Coliseum were neither mild-mannered nor impoverished — they’re basically positive tributes to mankind’s triumphant, enduring half. But what of the tyranny that drove men to produce such wonders? On some level, each of the New Seven is also a colossal monument to narcissism, either some ruler or some culture’s desire to go bigger and leave a mark that cannot be erased — a sentiment not unlike the one held by some of today’s most ruthless dictators. With that in mind, we created the following list, celebrating those modern monuments from the totalitarian world that may or may not make it through the next coup. Check them out while you still can.

(via A Arte da Fuga)

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12 thoughts on “As Sete Maravilhas do Totalitarismo

  1. Há uma mentira que de tão repetida começa a correr o risco de parecer verdade: é a que manda chamar TOTALITARISMO a tudo quanto seja libertar os SERVOS da opressão dos SENHORES.

    E o Insurgente é uma das caixas de ressonância desta mentira.

  2. Não são bem apoiantes do totalitarismo. São apoiantes da tirania, que é uma coisa ligeiramente diferente, mais tradicional. E mesmo de entre as tiranias tradicionais, não são apoiantes de todas: o fundamentalismo cristão evangélico (ou, como segunda escolha, católico) é uma tirania boa; mas o fundamentalismo islâmico é uma tirania má.

    Do mesmo modo, o CEO duma multinacional que mata milhões é um tirano bom, mas o presidente duma republiqueta que mata milhares é um tirano mau.

  3. Infidel

    Nem o Lenine nem o presunto do Lenine libertaram fosse quem fosse.
    E já agora, o CEO da 3ª internacional matou mais (milhares de vezes mais) que os seus compadres da ‘santa’ inquisição… E ambos também queriam libertar os desgraçados da ‘opressão’ e da ‘heresia’…

  4. Eu não sou grande entusiasta da teoria dos “autoritários” vs. “totalitários”, mas vocês parecem ser (pelo menos fiquei com essa impressão de algumas discussões).

    Ora, se aceitarmos esse distinção, não vejo como o Iraque de Saddam ou o Congo de Kabila podem ser contados como “totalitários” (a menos que “totalitário” passe a significar “ditadura de que não gosto”).

  5. Miguel Madeira:

    Um barão feudal era autoritário mas não era totalitário. Era autoritário, por vezes, até aos mais abomináveis extremos da tirania – mas não lhe passava pela cabeça intervir na personalidade nem na esfera íntima do servo. Desde que este obedecesse e não se revoltasse, o que pensasse ou sentisse era indiferente.

    O que podia ser (e era) muito mau, mas ao menos deixava ao servo a possibilidade de ser livre dentro de si mesmo.

    Os totalitarismos não consentem nem esta liberdade. Não lhes interessam só as nossas acções e as nossas omissões. interessam-lhe também os nossos pensamentos, as nossas emoções, o nosso próprio ser. O totalitarismo não nos deixa ser livres nem mesmo por dentro.

    É essa a diferença.

    Não é que eu seja partidário, como os insurgentes, do regresso a formas arcaicas de despotismo (não gostam das modernas, ou melhor, de algumas delas, por serem totalitárias)… mas se quiser isto um pouco mais desenvolvido vá ao meu blogue.

  6. André Militão

    O Infidel, bem vistas as coisas, nunca ninguém libertou ninguém a não ser Jesus Cristo que nos libertou a todos dos nossos futuros pecados (risos).

    O que é certo é que hoje temos liberdade e até temos direitos! E como não caíram do céu, suponho que alguém lutou por isso. E por luta quero dizer mataram uma data de gajos que detinham o poder político e económico, mais os filhos deles, os filhos dos filhos e as amas dos filhos que apesar de pertencerem ao mesmo estrato social dos revolucionários tinham-se afeiçoado demais aos inimigos.

  7. André Militão

    Caro José Luiz Sarmento, não me parece que essa distinção entra totalitários e autoritários tenha algum sentido. O poder político ou económico quando não está permanentemente sujeito ao escrutíneo popular, mesmo em democracia, procura sempre ser autoritário e manipular a informação disponível ao público com vista a não ser questionado, ou, na gíria popular: fazer o que lhe der na real gana.

    A diferença nos regimes totalitários está na força repressiva que utilizam para manter o poder, impedindo a liberdade de expressão usando medidas muito mais drástica.
    Repare que é perfeitamente irrelevante para um regime ditatorial que a maioria das pessoas estejam ou não felizes ou gostem ou não do governo (e muito menos se vivem bem ou não), o que interessa é que não protestem nem se rebeliem.

    O exemplo que do senhor feudal é, na minha opinião bastante infeliz, já que também este se soubesse que o servo se queixava da forma como o tratavam, prontamente o mandaria castigar. Claro, se o servo disser que se sente infeliz por motivos não especificados, não lhe vai fazer nada. Analogamente, nenhum inspector da PIDE se ia meter na sua vida só por dizer que estava triste ou que gostava de ter mais dinheiro e mais posses, desde que não professasse nenhuma ideologia que pudesse por em causa o poder político.

    Se pensarmos bem, essa liberdade abstrata e, a meu ver, irrelevante, que cada ser humano tem “por dentro” não tem rigorasamente nada a ver com o poder político porque não o afecta. E era o que mais faltava obrigarem-nos a sorrir o tempo todo, aí não havia prisões que chegassem para toda a gente!

  8. “Ora, se aceitarmos esse distinção, não vejo como o Iraque de Saddam ou o Congo de Kabila podem ser contados como “totalitários” (a menos que “totalitário” passe a significar “ditadura de que não gosto”).”

    Fair enough. Mas o meu título é apenas uma tradução do da Esquire e não pretende ser uma tomada de posição sobre todos os regimes citados a esse respeito.

  9. «E era o que mais faltava obrigarem-nos a sorrir o tempo todo, aí não havia prisões que chegassem para toda a gente!»

    Na mouche, André Militão. Não sei se se deu conta, mas explicou em duas linhas a essência mais profunda do totalitarismo moderno.

    O senhor feudal mandaria castigar o servo se ele se queixasse da forma como era tratado; ora a queixa é um comportamento; o senhor feudal é autoritário sem ser necessariamente totalitário. A PIDE não se ia meter na minha vida por dizer que andava triste – mas a Mocidade Portuguesa metia-se na minha vida se não me mostrasse enérgico e alegre nas ocasiões adequadas – digamos que no autoritarismo salazarista já havia uns laivos, ainda que rudimentares, de totalitarismo moderno. Se eu dissesse em público que gostava de ter dinheiro ou mais posses, pode ter a certeza que me caiam em cima, se não necessariamente a PIDE, outras instituições da sociedade da época – que escândalo que atrevimento subversivo! Um português que não se conforma com o lugar (eles diziam «a condição») que lhe foi destinado!

    Um insatisfeito podia não ser ainda um comunista, mas era visto como estando a caminho de o ser. E esta atitude, como totalitarismo, já é um pouco menos rudimentar do que a que referi atrás.

    Hoje estamos quase a chegar à era da felicidade obrigatória. Hoje, para pôr em causa o regime globalizado, já não é preciso ser comunista. Basta acender um cigarro. Basta ser feliz (ou infeliz) na altura errada ou pelas razões erradas. A opressão moderna não se contenta com a obediência, nem sequer com a colaboração, dos oprimidos. Quer muito mais: quer cidadãos – não, «cidadãos» não é a palavra certa – quer clientes, consumidores, recursos humanos – que sejam ambiciosos, produtivos, crédulos, e sobretudo felizes. Felizes nos seus mcjobs, nas suas ilusões «new age» e nos seus consumos pueris.

    E está a consegui-lo. Quem tem a Fox News não precisa de chicotes.

  10. Porque é que quando nos referimos a regimes autoritários e totalitários há indivíduos cuja primeira reacção vai para a ideologia desses mesmos regimes e são levados talvez por cinismo a insinuações de que o(s) autore(s) protege(m) um certo tipo de autoritarismos?

    Peço desculpa por usar bom senso, mas para a vítima pouca diferença faz…ou existe alguma diferença entre ter apodrecido, por motivos políticos, numa prisão na Cuba de Fidel Castro ou no Paraguai de Strössner? Era capaz de jurar que existem povos que foram sendo “libertados” de um regime totalitário para caírem rapidamente noutro…como por exemplo, os russos, que depois de séculos de feudalismo e exploração czarista viram-se obrigados a cumprir as instruções (muitas vezes desastrosas) dos bolcheviques e consta que ainda hoje não é muito aconselhável desagradar a Vlad, o Grande.

  11. Fair enough. Mas o meu título é apenas uma tradução do da Esquire e não pretende ser uma tomada de posição sobre todos os regimes citados a esse respeito.

    Mais não se exigia, como é óbvio, é o que faltava fazer disclaimers cada vez que se chama a atenção para um qualquer artigo. Claro que isso também quer dizer que não estamos a satisfazer alguns leitores para quem a paralaxe entre “autoritarismo” e “totalitarismo” é muito grande…

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