Tremores socialistas

Na CNN (meu link e destaques):

Stock slumped Thursday, with the Dow suffering its second worst session of the year as worries about the global credit market sparked a broad selloff in equities, following a three-session rally.

(…)

Fears about the subprime mortgage market and the credit crisis resurfaced Thursday after BNP Paribas, France’s biggest bank, said it was halting withdrawals from three of its top funds because it can’t value their assets in the current market.

Additionally, AIG, one of the world’s largest insurance companies, warned Thursday morning that it is seeing mortgage delinquencies spreading from subprime to prime.

(…)

Seeking to calm credit worries, the European Central Bank (ECB) added cash to money markets. However, the move seemed to have the opposite effect, increasing investor concerns rather than easing them.

The ECB loaned at least $130 billion in overnight funds to banks at a 4 percent rate. The Federal Reserve added $24 billion to temporary U.S. reserves in its regular overnight operations, an amount that some traders said was larger than usual, but not comparable to an infusion of money along the lines of the ECB, Reuters said.

Esta situação foi, contudo, criada pelas políticas monetárias dos Bancos Centrais (principalmente a Reserva Federal Americana). Nos últimos anos, as reduzidas taxas de juro praticadas pela Reserva Federal Americana [RFA] estimularam investimentos imobiliários de elevado risco. Eventualmente este aumento de liquidez transbordou para os restantes mercados, criando pressões inflacionistas que as recentes políticas da RFA tem pretendido combater com o aumento das taxas de juro. Por outras palavras, a RFA está a tentar reverter um problema que criou.

Mas tais medidas reduzem a rentabilidade dos investimentos e, consequentemente, aumentam o volume de empréstimos incobráveis. Os bancos e investidores de fundos imobiliários começam, por isso, a sofrer as primeiras consequências. A injecção de avultadas somas por parte dos bancos centrais adia apenas o necessário reajustamento que, acredito, será um verdadeiro “terramoto financeiro”.

Leitura complementar: “Socialismo americano”.

3 pensamentos sobre “Tremores socialistas

  1. JQ

    ehehe…a culpa é sempre do Estado

    o sector financeiro privado nem descobriu novas formas de “fazer” dinheiro nem nada:

    Este site ( http://www.thinkfn.com/content/view/246/ – Português) tem vindo a acompanhar esta temática, meses antes de ela aparecer nos media:

    2007-02-14 23:48

    (…)

    A Bolha de crédito presente, porém, é especial.

    Normalmente existem vários travões para o Crédito:

    * A capacidade de quem o contrai, o pagar;
    * As reservas dos bancos que os impedem de dar Crédito infinito;
    * Quando os bancos procedem à venda dos Créditos, a quantidade de Crédito de boa qualidade que possuem para vender (porque os Institucionais só tendem a comprar Crédito de boa qualidade);
    * Quem esteja disposto a ficar com Crédito de má qualidade, já que os devedores de boa qualidade rapidamente se esgotam numa expansão descontrolada de Crédito.

    O que aconteceu nos últimos 10-12 anos, foi que existiu uma transformação brutal nestes travões, que levou a que se atingissem níveis de endividamento face ao rendimento historicamente recorde, mesmo ao nível do serviço da dívida e não obstante as baixas taxas de juro.

    As regras sobre quais as necessidades de reservas foram relaxadas, e o mercado de titularização de créditos desenvolveu-se de forma exponencial. Foram criadas (e expandiram-se brutalmente) novas formas de titularizar crédito que permitiram transformar Crédito de relativa baixa qualidade (A/BBB) em Crédito 90-95% AAA/AA e 5-10% A/BBB/BBB-. Essas formas foram os CDOs, Collateralized Debt Obligations.

    Como é que um CDO funciona? Basicamente coloca-se uma quantidade de créditos diversificados (em termos de qualidade, originação, etc) numa estrutura, e depois divide-se o risco dessa estrutura em fatias de forma a que as fatias de “baixa qualidade” e “alto retorno” assumem as primeiras perdas (equity, overcollaterization, etc), seguidas de fatias de ratings progressivamente mais elevados (BBB-, BBB, A) até se chegar às (maiores) fatias que como não estão expostas às primeiras perdas, recebem ratings elevados (AA, AAA).

    O que é que os CDOs vieram permitir? Vieram permitir que mesmo que os créditos que lhes deram origem fossem de baixa qualidade (A, BBB), a maior parte das tranches dos CDOs seriam classificadas com ratings elevados (AAA, AA), tornando assim possível vender a maior parte desse crédito a Instituições (incluindo Bancos Centrais).

    Por sua vez, a perfusão de hedge funds sedentos de yield permitiu aos originadores do crédito livrarem-se também das tranches de menor qualidade – sendo que estas apesar de tudo ainda apresentavam ratings minimamente aceitáveis (A, BBB, BBB-).

    Ou seja, com este género de produtos estruturados conseguiu-se arranjar forma de transformar crédito que seria difícil de alguém assumir, em crédito para o qual existiam investidores quase infinitos (incluindo Bancos Centrais) disponíveis para comprar !

    Isto teve outras consequências. Por um lado para os originadores de crédito tornou-se irrelevante a qualidade do crédito que estavam a gerar. Afinal, passados poucos dias ou semanas de o gerarem, já o tinham vendido junto com o risco que ele representava, e eram pagos à cabeça com uma margem !

    E mais, para quem comprou este crédito TAMBÉM se tornou irrelevante a qualidade do mesmo, pois fruto do “milagre” da estrutura do CDO, independentemente da qualidade do crédito original, o que estes investidores maioritariamente compram é crédito AAA/AA !!

    Obviamente isto esteve na origem de uma explosão mecânica de Crédito na qual todos ganham, e de uma descida brutal dos spreads de crédito para todas as qualidades. Além disso, deu-se outra consequência óbvia: como qualquer pessoa conseguia obter crédito, ninguém entrava em incumprimento (sempre que seja possível a um devedor refinanciar-se é impossível que ele entre em incumprimento). Portanto o incumprimento baixou para níveis mínimos. O que mais uma vez validava o “baixo risco” de todos estes devedores cujo risco já era, diga-se, irrelevante! Era possível este refinanciamento tanto porque a qualidade do crédito era irrelevante, como porque o activo para os qual ele se destinava – o imobiliário – era ele próprio inflaccionado pelo crédito concedido sem limites.

    (..)

    Já agora o vídeo do Jim Cramer na semana passado, histérico a pedir intervenção do FED (começou-se a passar aos 2 minutos 🙂

  2. José Manuel Sousa

    essa do FED ser socialista é de rir. Mas indo à vossa argumentação sobre as opções de política monetária da FED, esqueceram-se de uma coisa: é que a FED na altura reduziu os juros para evitar que os danos sobre a economia do rebentamento de outra bolha especulativa fossem bem mais graves do que vieram a ser.

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