Sugestões para baixar o preço das casas em Lisboa

– Agilizar o processo de licenciamento de novas construções
– Rever o PDM de forma a permitir mais construção em altura
– Abolir o IMT
– Anexar concelhos vizinhos (certamente baixará o preço médio das casas)
– Transferir os serviços públicos para outras cidades

18 pensamentos sobre “Sugestões para baixar o preço das casas em Lisboa

  1. Agilizar o processo de licenciamento de novas construções: sim, mas é preciso também facilitar a conservação e modernização das velhas.

    Rever o PDM de forma a permitir mais construção em altura: nem pensar! Mais construção em altura significa maior densidade de ocupação do território, mais ocupação do território torna necessárias mais e melhores vias de comunicação e mais e melhores transportes, melhores transportes e vias de comunicação teriam que ser pagos, e quem teria de as pagar seriam os vendedores e os compradores das casas, que por esta via ficariam mais caras em vez de mais baratas.

    Abolir o IMT: de acordo.

    Anexar concelhos vizinhos: só se o preço médio das casas for assim tão importante.

    Transferir os serviços públicos para outras cidades: sim, no que respeita os serviços públicos que servem os habitantes dessas outras cidades. Não no que respeita os serviços públicos que servem os habitantes de Lisboa. Fazer isto seria um jogo de soma negativa, em que os lisboetas ficariam a perder em consequência de deslocações mais caras, mais demoradas e mais penosas, e em que os habitantes das outras cidades ficariam a perder por terem que acolher serviços que não utilizariam.

    Ah, e a medida do Sá Fernandes é mesmo uma boa ideia (apesar de vir na cartilha liberal, direi eu; porque vem na cartilha liberal, dirão outros). E é uma boa ideia por uma série de razões, entre as quais se contam algumas em que provavelmente nem o próprio Sá Fernandes pensou.

  2. JoaoMirand

    ««Ah, e a medida do Sá Fernandes é mesmo uma boa ideia (apesar de vir na cartilha liberal, direi eu; porque vem na cartilha liberal, dirão outros).»»

    Estou aqui a ler a cartilha liberal e não encontro isso.

  3. “- Revêr o PDM de forma a permitir mais construção em altura”
    Assim, de repente, estava capaz de sugerir (insurgir?) que se revisse o Infinitivo Pessoal do verbo rever, é no que dá construir em altura sem bases…

  4. “Estou aqui a ler a cartilha liberal e não encontro isso.”

    Pois, o José Luiz Sarmento também deixou um comentário nesse sentido no meu blogue, e eu ainda não compreendi as razões!

  5. Doe, J

    “Ah, e a medida do Sá Fernandes é mesmo uma boa ideia”

    Pois é! Se o conjunto dos PDMs nacionais prevêem alojamento para (de memória) cerca de 35 milhões de pessoas, já cá faziam falta, além do Zé, algumas medidas que abrandassem significativamente o ritmo de construção nova. 😉

  6. A abolição do IMT, tal como uma grande baixa nas taxas de juro, seria imediatamente aproveitada para uma correspondente subida nos preços. O lucro dos construtores e vendedores de casas tem horror ao vazio. Antes de tudo, é preciso compreender o mistério do sistema que põe no mercado muito mais casas do que as que são necessárias e que em boa parte preenche a irrelevância dos depósitos a prazo e dos certificados de aforro e a ausência da D. Branca.

  7. JP Ribeiro

    A única sugestão viável para baixar o preço das casas em Lisboa, e é a ÚNICA mesmo, repito a ÚNICA, é a de acabar com qualquer espécie de regulamentação e deixar o mercado actuar livremente.

    Infelizmente, e enquanto as pessoas tiverem um preconceito contra as leis do mercado quer seja por ignorância, por má fé, ou por preconceito religioso, sempre aparecerão políticos para se intrometer e ganhar dividendos e votos com promessas falsas.

    Acessóriamente pensar que o que é bom para os espanhóis pode ser bom para nós: Aznar decretou um prazo de dez anos para liberalizar o mercado, as pessoas tomaram cada uma a sua opção, e ao fim de dez anos o mercado foi liberalizado com os resultados que se conhecem.

  8. victor

    Um tribunal para LIsboa, para executar ddespejos, em 90 dias.
    Todas as casas devolutas de Lisboa, passariam a Ter um IMT, de acordo com a sua area, que se torna-se impossive não a alugar em 6 meses.
    Um fundo para ser utilizados, pelos proprietarios, bonificado.
    O conjunto das 3 medidas, obrigava a que as casas devolutas entrassem no mercado rapidamente!

  9. uma razão, porque estou ocupado a escrever outras coisas: ao terem que justificar os preços praticados os empreiteiros passam a ter mais dificuldade em disfarçar fugas aos impostos e em utilizar a construção civil como actividade de fachada para o comércio de drogas, armas e pessoas.

  10. AS

    Os Zés fazem falta. E faz falta que todos os justicialistas deste nosso Portugal se cheguem à frente para ajudar os inquisidores do regime a apanhar os “bandidos”.
    É pôr a “banditagem” toda a justificar os preços que vão ver como isto tudo entra logo nos eixos*.
    Ao ler o comentário das 7.18 pm apetece desabafar: “Há coisas fantásticas, não há ?”.

    * [ Mas esperem, agora pensei: E a inspecção tributária, não actua ? E as polícias, não fazem nada ? E os “bandidos”, será que vão cair na esparrela do Zé (e de todos os Zés), em vez de irem praticar a “banditagem” para outras paragens, onde não existam “preços Zé” ? ]

  11. Doe, J

    “O «mistério» tem um nome: lavagem de dinheiro.”
    “empreiteiros passam a ter mais dificuldade em disfarçar fugas aos impostos e em utilizar a construção civil como actividade de fachada para o comércio de drogas, armas e pessoas.”

    ——–
    “Casas da EPUL Jovem chegam a ter moradores com 80 anos”
    http://www.rtp.pt/index.php?article=241831&visual=16
    “Para evitar a especulação na venda das casas, a empresa está a praticar descontos menores, na ordem dos cinco a sete por cento face ao preço de mercado, explicou o presidente.”

    Se a EPUL, que sendo estado terá certamente um estatuto santificado (de quase “Zé que faz falta”), faz uma diferença tão pequena dos “bandidos” será que se justifica tanto negócio complicado para ganhar mais 5 a 7%?

    E que tal um curso nas “novas oportunidades” para os “bandidos” se reciclarem em negócios mais lucrativos já a margem destes anda abaixo de um quiosque de jornais? 😉

  12. Caro AS:

    A inspecção tributária, pelos vistos, não actua. Os polícias, pelos vistos, não fazem nada. Nas tais outras paragens, além de não haver mercado suficiente para as drogas, para a prostituição e para os grandes negócios de armas, os territórios são ferozmente protegidos pela bandidagem local – que está intimamente ligada, tal como em Lisboa, à construção civil, ao futebol e às autarquias.

    Finalmente: era bom que não fosse assim, mas a experiência tem demonstrado que a melhor maneira de apanhar um bandido graúdo é ir-lhe ao bolso.

  13. AS

    «Nas tais outras paragens, além de não haver mercado suficiente para as drogas, para a prostituição e para os grandes negócios de armas, os territórios são ferozmente protegidos pela bandidagem local», José Luiz Sarmento , 07 de Agosto de 2007 às 1:08 am

    1) O “bandido” que foge do concelho com “preços Zé” e decide investir noutras paragens com “preços não-Zé”, pode perfeitamente aplicar os seus ganhos onde exista “mercado suficiente para as drogas, para a prostituição e para os grandes negócios de armas”. O dinheiro que o “bandido” ganha no concelho 1 pode ser aplicado nos concelhos 2 a N ou no estrangeiro. Os Zés ainda não se lembraram de obrigar os “bandidos” a fazer a consignação de territórios (“se ganhas dinheiro no concelho 1 só o podes aplicar no concelho 1”).
    2) Um “bandido” que deixe de actuar no concelho 1 não consegue entrar em mais nenhum concelho ? Existe uma lei de condicionamento industrial entre a “banditagem” ? Existem “bandidos” fixos por concelho ? A “banditagem” não se renova ? A indústria da “banditagem” está fragmentada por concelho ? Não existem “bandidos” de nível nacional ou multi-concelhio ?
    Assim deve ser mais fácil apanhá-los !

  14. Doe, J

    “Finalmente: era bom que não fosse assim, mas a experiência tem demonstrado que a melhor maneira de apanhar um bandido graúdo é ir-lhe ao bolso.”

    It takes a bandido to know a bandido? 🙂

  15. Existe uma lei de condicionamento industrial entre a banditagem? Existe, sim senhor. E muito mais rígida do que a do Salazar.

    De resto, os bandidos são famosos por serem conservadores no plano dos costumes, não por serem liberais no plano da economia. Não gostam mesmo nada da livre concorrência.

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