Elucidativo? (II)

Perante o exemplo apontado nos comentários do post anterior, o Pedro Delgado Alves teve de reconhecer que, de facto, não se podem retirar grandes conclusões do resultado da sondagem insurgente.

Contudo, e continuando no esforço inglório de nos tentar colar à extrema-direita resolve apresentar algumas citações. Quem sabe devido a incapacidade de interpretação não vejo, mais uma vez, provada a sua tese mas tiro algumas conclusões.

1. Qualquer aspecto positivo acerca do Estado Novo (ou Salazar) deve ser ocultado e negado. Se corresponde ou não à realidade não interessa. Quem quebrar esta regra é fascista.

2. Não obstante toda a evidência a Iª República deve ser louvada. Não importam as fraudes eleitorais ou o continuo redesenho dos círculos eleitorais para garantir a vitória do Partido Democrático. Não importa que durante a monarquia constitucional o universo de votantes fosse superior ao da Iª República. Não importam o continuo clima de instabilidade e as guerrilhas armadas partidárias. Esqueçam as perseguições religiosas (parece que há quem pretenda que este é um ponto positivo). Não interessa o desastre financeiro. Parece que apesar de tudo isto “o povo” estava contente e ninguém saudou a ditadura militar.

3. A extrema-direita é perigosa mas a extrema-esquerda não.

4. Qualquer ponto de contacto com o programa é prova irrefutável de fascismo. Ainda bem que, como eles, não somos proteccionistas, nacionalistas ou estatistas. Caso contrário sabe-se lá do que seríamos acusados.

0 pensamentos sobre “Elucidativo? (II)

  1. “Ainda bem que, como eles, não somos proteccionistas, nacionalistas ou estatistas. Caso contrário sabe-se lá do que seríamos acusados.”

    Nesse caso, seríamos candidatos a camaradas de esquerda, já que partilharíamos a maioria das causas…

  2. Adoro quando neste blog se diz que o Partido Comunista chama fascista a tudo, quando por aqui tudo o que seja à esquerda do partido monárquico é “extrema esquerda”.
    Mas eu continuo a adorar vir cá na mesma, não se preocupem, senão onde é que ia ver os delírios religiosos de pessoas que ainda se estão a espumar com o referendo?
    E lamento, mas o PNR é mesmo um partido que devia ser ilegalizado, que foi comprado (ou alguém desmente que o partido original nem sequer tinha estas ideias ao princípio?) e que proclama ideias xenófobas e imbecis. Dou-vos, claro, todo o direito de o emanciparem e abrilhantarem, porque senão tenho que ler 50000 comentários a chamarem-me estalinista (porque aqui, quem não acredita em deus e é de esquerda é estalinista. Aliás, aqui todas as pessoas de esquerda são estalinistas.). Agora, não se admirem pelo facto das pessoas sem problemas mentais ficarem chocadas com o vosso branqueamento de um partido de que inclui skins que já mataram pessoas por serem de cor diferente e que tem um líder que continua a adorar uma das pessoas que o matou.
    (aliás, o AAA até devia escrever “mataram um preto, mas são contra o aborto, logo são pela vida” com um smile fofinho à frente)
    Concluindo: como a lógica é uma ferramenta que aqui não se usa (basta ver que há uma senhora que acha que metade dos homossexuais morre antes dos 40 anos e há outro que acha que na Maternidade Alfredo da Costa há pessoas que tiram um prazer fantástico do aborto, sendo o mesmo comparável à caça), deixar-vos-ei no vosso mundo fantástico do liberal-conservadorismo-salazarista onde a direita se bate pelos altos valores da vida, da heterossexualidade e do combate ao Arrastão.

  3. “E lamento, mas o PNR é mesmo um partido que devia ser ilegalizado, que foi comprado (ou alguém desmente que o partido original nem sequer tinha estas ideias ao princípio?) e que proclama ideias xenófobas e imbecis.”

    Já agora relembro também que, segundo conta Raimundo Narciso no seu livro, o PRD foi criado com recurso a militantes do PCP. E porque não recordar essa curioso partido chamado PEV?
    Recordo igualmente que o PRD não foi tomado por via ilícita. Caso contrário poderia ser dissolvido.

    Quanto à defesa de ideias imbecis, se isso fosse motivo para ilegalizar um partido acho que ficavamos sem nenhum.

    E será que a defesa de ideias iliberais e anti-democráticos pelos partidos da extrema-esquerda também deverá ser tolerado?

  4. “Agora, não se admirem pelo facto das pessoas sem problemas mentais ficarem chocadas com o vosso branqueamento de um partido de que inclui skins que já mataram pessoas por serem de cor diferente e que tem um líder que continua a adorar uma das pessoas que o matou.”

    Onde é que defendemos a violência racial? Podia dar-nos uns exemplos. Também não conheço, por aqui, ninguém que seja membro ou simpatizante do PNR.

    E partidos que incluem nas suas listas terroristas condenados e que nunca se arrependeram dos seus actos?

  5. «Qualquer aspecto positivo acerca do Estado Novo (ou Salazar) deve ser ocultado e negado. Se corresponde ou não à realidade não interessa. Quem quebrar esta regra é fascista.»

    Os insurgentes são especialistas em desconversar. Diga-me então, se viu ALGUMA VEZ o AAA a apresentar um aspecto NEGATIVO acerca do Estado Novo (ou Salazar). Senão, tenho de concluir que, pelo menos a crer no que escreve, o AAA é apoiante, ou admirador, ou como o queira chamar, do Salazar.

    E não vale utilizar falácias como a acima indicada. Se são apresentadas inúmeras citações a elogiar o Salazar, elas devem ser refutadas com provas do contrário, e não a assobiar para o ar. Também não valem generalizações sobre “a liberdade”, porque a “liberdade” dos insurgentes nós sabemos muito bem o que é.

  6. “Já agora relembro também que, segundo conta Raimundo Narciso no seu livro, o PRD foi criado com recurso a militantes do PCP. E porque não recordar essa curioso partido chamado PEV?
    Recordo igualmente que o PRD não foi tomado por via ilícita. Caso contrário poderia ser dissolvido”
    Acha normal o PRD ter tido que recolher as assinaturas e o PNR não? Acha normal que se possa mudar completamente os ideias de um partido e ter inclusive ideias anti constitucionais? De um ponto ao outro vai um bocado.
    “Quanto à defesa de ideias imbecis, se isso fosse motivo para ilegalizar um partido acho que ficavamos sem nenhum.” – Imbecis funcionou como um pleonasmo para xenófobas. Acho que não me importava de ficar sem partidos xenófobos. E o senhor?

    “E será que a defesa de ideias iliberais e anti-democráticos pelos partidos da extrema-esquerda também deverá ser tolerado?”

    Mas algum partido de esquerda – suponho que “extrema esquerda” se refira ao PCP e BE – é contra eleições em Portugal? Isso está nos estatutos de algum? Quanto à “iliberalidade” – é neste blog que se manifestam ideias contra a despenalização do aborto, contra a igualdade de direitos dos LGTB e tudo o mais que possa ser pensamento liberal em termos de causas (ainda não percebi a ironia do AAA quando escreve “causas fracturantes”, quando o lado que se sente fracturado é o dele).
    Quanto aos partidos contra a “iliberalização” do mercado, lamento, mas por mim podem e devem existir. Ou só porque não concorda, ilegaliza-os?
    Isto demonstra a acefalia aqui reinante: o PCP e BE – partidos com uma votação substancial na população portuguesa – são colocados ao nível de um partido como o PNR, que coloca skins com chapéus a disfarçar nos seus tempos de antena. Para si isto é minimamente comparável? Ou não ouviu o orgulhoso “viva Hitler!” de um PNR enquanto era preso? Ou o Hitler também era liberal e portanto está tudo bem? Vai voltar ao argumento do estalinismo ou adianto-me e digo-lhe já que 99,999% da esquerda portuguesa não se identifica com Estaline?
    (neste blog também já se votou que PCP e BE deviam ser ilegalizados por serem mais perigosos que o PNR. Está tudo dito, não está?)

  7. “Acha normal o PRD ter tido que recolher as assinaturas e o PNR não? Acha normal que se possa mudar completamente os ideias de um partido e ter inclusive ideias anti constitucionais? De um ponto ao outro vai um bocado”

    O PNR resultou do PRD. Qual é a duvida? Foi ilegal? É ilegal um partido mudar os seus estatutos? Deveria ser?
    O que é que no programa do PNR é inconstitucional?

  8. “Imbecis funcionou como um pleonasmo para xenófobas. Acho que não me importava de ficar sem partidos xenófobos. E o senhor?”

    Não é apenas a xenofobia que é imbecil. Também não me importava nada de ficar sem partidos xenofobos. Assim como socialistas ou comunistas.

  9. “Mas algum partido de esquerda – suponho que “extrema esquerda” se refira ao PCP e BE – é contra eleições em Portugal?”

    Mas o PNR é contra as eleições?

  10. Já agora, ainda referente ao ponto anterior, o PCP defende o “centralismo democrático” e não é adepto da democracia electiva.

  11. “Quanto à “iliberalidade” – é neste blog que se manifestam ideias contra a despenalização do aborto, contra a igualdade de direitos dos LGTB e tudo o mais que possa ser pensamento liberal em termos de causas ”

    Bem, em primeiro lugar, nem todos neste blog foram contrários à legalização do aborto. Eu fui porque considero comparável ao homicidio.
    Quanto ao resto, você parece confundir direitos negativos com direitos positivos.

  12. “Quanto aos partidos contra a “iliberalização” do mercado, lamento, mas por mim podem e devem existir. Ou só porque não concorda, ilegaliza-os?”

    Eu não defendo a ilegalização do BE, PCP ou do PNR. Por mais que os ache nocivos.

    “(neste blog também já se votou que PCP e BE deviam ser ilegalizados por serem mais perigosos que o PNR. Está tudo dito, não está?)”

    Não. A votação era sobre quem representava maior perigo para a democracia. O PCP e o BE ou o PNR. Não havia nada sobre uma possível ilegalização.

  13. Caro Miguel,

    Não penso que o esforço de colagem à extrema-direita tenha sido inglório. Assim como penso que as conclusões que vou retirando da leitura do vosso blog não disparatadas, também me permita demonstrar que aquelas que retira da leitura do que escrevi não me parecem acertadas. Vejamos:

    1. Quanto aos chamados aspectos positivos do Estado Novo ou de Salazar o primeiro reparo que aponto é quanto a uma clara hipervalorização desses aspectos – o modelo económico é o exemplo paradigmático deste fenómeno, sendo outro exemplo recorrente detectável ao nível da instrução pública. No primeiro caso louva-se o crescimento económico, quando o regime se assumia manifestamente proteccionista, avesso à abertura e colonialmente dependente. No segundo tende a louvar-se a rede de escolas públicas e o jargão do “antigamente é que se aprendia”, quando a realidade revela um resultado prático que passa, por exemplo, por não apostar na prossecução dos estudos ou em menorizar a formação das mulheres, o que conduziu aos dados assustadores de analfabetismo que o Estado Novo legou.

    No geral, esta linha de argumentação lembra-me, de alguma maneira, aqueles que por vezes apontam que Hitler defendia política anti-tabagistas ou que conseguiu reduzir o desemprego e a inflação como traços positivos da sua governação. Ora muitos parabéns, até parece que isso faz o resto valer a pena. E é precisamente por isso que invocar os tais efeitos positivos só pode ter uma leitura desculpabilizante, branqueadora do passado. Já agora, igualmente detestáveis e indefensáveis são as democracias populares e as ditaduras de tipo soviético, mas não costumo ver por estas bandas a vossa defesa dos seus efeitos positivos como traços desculpabilizantes.

    No conjunto global do legado autoritário, retrógrado, colonialista do regime, os tais eventuais aspectos positivos são insignificâncias relativizadoras. Por um lado, em nada têm a ver com a bondade ou viabilidade do regime: ainda estou para ver a demonstração de que só um regime autoritário conseguiria equilibrar as contas ou que só um regime autoritário conseguiria manter Portugal fora da Guerra. Já tenho mais certezas de que só um regime autoritário como o nosso seria capaz de reprimir as liberdades fundamentais, criar uma polícia política, manter um regime anti-parlamentar e reprimir a participação democrática, promover uma visão autárcica do desenvolvimento económico, virar as costas à Europa e alimentar uma guerra colonial inútil durante 13 anos, muito para lá do tempo histórico das descolonizações.

    2. Quanto à I República depreendo que a sua afirmação resulte da minha inclusão de um post da André Azevedo Alves em que este assinala o 28 de Maio de 2006. Se em Itália surgisse um post a assinalar a Marcha sobre Roma, destacando o que corria mal com o regime vigente no momento, quase ninguém teria dúvidas em classificá-lo. Entre nós parece que tem de se dar o desconto, porque aparentemente a I República foi um quase Gulag.

    Que a I República foi um regime politico cheio de defeitos ninguém o nega. Que em muitos casos foi verdadeiramente desastrosa, comprometendo por vários anos a plena democratização da sociedade portuguesa, devido às ambições pessoais dos actores políticos que muitas vezes as sobrepuseram a promoção dos valores de liberdade e igualdade, também ninguém contesta. Agora procurar pintar a I República como um regime ditatorial, uma espécie de ensaio geral do Estado Novo mas em sentido ideológico distinto é que me parece querer reescrever os factos e adaptá-los à tese que se procura demonstrar. A República permitiu a progressão para um regime político livre do privilégio de nascimento, livre da imposição de um culto oficial, empenhado na instrução e formação superior dos cidadãos, no reconhecimento embrionário da necessidade de políticas sociais e na afirmação da igualdade como valor estruturante da sociedade. Infelizmente, fê-lo de forma imperfeita e incompleta, sem ter almejado reintegrar no funcionamento do sistema os intervenientes do regime deposto, perdendo-se em quezílias internas e sendo incapaz de lidar com a crise do primeiro pós-guerra mundial. Agora colocá-la a par do regime que lhe sucedeu, desvalorizando por completo as diferenças quanto aos valores que corporizavam é novamente manipulador.

    A leitura selectiva dos factos surge, aliás, também em relação ao comparativo com a monarquia constitucional, procurando passar a ideia que todos os males que lhe aponta surgiram com a República. Os factos desmentem essa leitura. O universo de eleitores durante a monarquia constitucional variou por várias vezes, tendo, de facto, sido por vezes superior ao da República, mas não com a amplitude que pretende afirmar. A fraude eleitoral por via dos influentes locais ou da chapelada foi tão ou mais abundante na monarquia como na I República e, finalmente, quem manipulou amplamente os círculos eleitorais (a Ignóbil Porcaria sendo o exemplo mais flagrante do facto) foi a fase final do constitucionalismo monárquico, precisamente para evitar a eleição de republicanos. O sistema eleitoral da República, apesar de bastante imperfeito (continuou a recusar o sufrágio feminino e manteve o sufrágio masculino capacitário) e de construído à medida em Lisboa e Porto (representação proporcional) foi o mesmo desde a eleição de constituinte em 1911 até ao final do regime, vigorando o Código Eleitoral de 1913 em todos os actos eleitorais.

    3. O grau de perigosidade dos extremismos. Penso que mais uma vez o Miguel está a ler coisas que lá não estão. Não temos entre nós um fenómeno de extremismo de esquerda equivalente ao que o PNR representa. As tentativas detectadas em vários posts vossos de pintar o PNR como “apenas mais um partido extremista” levam a procurar compará-lo com o que não tem comparação. O BE e o PCP respeitam as regras da democracia, não promovem a exclusão de franjas inteiras do corpo social e não desenvolvem actividades ilegais ou armadas através de organizações satélite. Ainda assim, foram esses os vossos alvos escolhidos para contrapor ao PNR e para concluir pela maior perigosidade. De resto, a tentativa de desculpabilização e relativização abstracta conduz a um resultado concreto muito perigoso que é o da desvalorização da ameaça representada pelo discurso de intolerância do PNR e para o programa de profunda desigualdade que quer implementar com base em critérios identitários primários.

    Já agora, há jurisprudência útil do Tribunal Constitucional Federal alemão há vários anos sobre esta matéria, uma vez que já por algumas vezes houve necessidade de determinar qual o âmbito da actividade de fiscalização que as autoridades policiais devem adoptar em relação aos extremismos. Construindo uma doutrina válida para todo o espectro político, o Tribunal Constitucional distingue entre partidos que, apesar de se encontrarem nos extremos do espectro partidário e defenderem uma alteração das estruturas de funcionamento do Estado e da sociedade, o fazem com respeito pelas regras da democracia representativa e sem apologia de violência, e aqueles outros agrupamentos com programas radicais e acções radicais para a sua execução, em violação da legalidade democrática. Pois bem, entre nós, por enquanto, apenas existe um fenómeno que se aproxima deste segundo tipo e o seu nome é PNR.

    4. Ninguém os acusou de fascismo. O que temos vindo a apontar são simpatias muito pouco recomendáveis com aspectos relevantes do programa do PNR ou com traços do regime salazarista, incompatíveis, em meu entender, com o sistema de valores de um Estado de Direito democrático, assente em valores estruturantes como a liberdade, a igualdade e o respeito pelos direito fundamentais de todos. Seguramente discordarão do PNR. Estão é, na minha opinião, próximos demais, vezes demais.

  14. ” Ou não ouviu o orgulhoso “viva Hitler!” de um PNR enquanto era preso? ”

    E os que gritam “viva Estaline”, “Mao”, “Lenine” ou “Che Guevara?

    Não serão comparáveis?

  15. “E o mais curioso é não perceberem que a existência do AAA é uma benção para os adversários dos liberais.”

    Acho tocante a preocupação com o liberalismo por parte da extrema-esquerda.

  16. ” No primeiro caso louva-se o crescimento económico, quando o regime se assumia manifestamente proteccionista, avesso à abertura e colonialmente dependente.”

    O crescimento económico verificou-se quando o regime abandonou (ou pelo menos refreou) as práticas proteccionistas.
    Nunca aqui louvamos o proteccionismo, o corporativismo ou o condicionamento industrial.

    “No segundo tende a louvar-se a rede de escolas públicas e o jargão do “antigamente é que se aprendia”, quando a realidade revela um resultado prático que passa, por exemplo, por não apostar na prossecução dos estudos ou em menorizar a formação das mulheres, o que conduziu aos dados assustadores de analfabetismo que o Estado Novo legou. ”

    Penso que este exemplo está errado. Criticamos várias vezes os “novos métodos” de ensino. Os resultados falam por si. Mas este exemplo não existe apenas em Portugal.

    “No geral, esta linha de argumentação lembra-me, de alguma maneira, aqueles que por vezes apontam que Hitler defendia política anti-tabagistas ou que conseguiu reduzir o desemprego e a inflação como traços positivos da sua governação. Ora muitos parabéns, até parece que isso faz o resto valer a pena. E é precisamente por isso que invocar os tais efeitos positivos só pode ter uma leitura desculpabilizante, branqueadora do passado.”

    Repito. Os dados falam por si. No entanto, nunca pretendemos que tal política apenas pode ser seguida por uma ditadura. Iguais ou melhores resultados foram obtidos por outros países em Democracia.

    ” ainda estou para ver a demonstração de que só um regime autoritário conseguiria equilibrar as contas ou que só um regime autoritário conseguiria manter Portugal fora da Guerra”

    Algum de nós disse isso? O André disse que esses foram pontos positivos da governação de Salazar. Nunca deu a entender tal generalização.

  17. “Agora procurar pintar a I República como um regime ditatorial, uma espécie de ensaio geral do Estado Novo mas em sentido ideológico distinto é que me parece querer reescrever os factos e adaptá-los à tese que se procura demonstrar.”

    A tese não é apenas nossa. Historiadores bem mais respeitáveis que nós disseram-no.

  18. “O BE e o PCP respeitam as regras da democracia”

    Os objectivos do BE e do PCP são anti-democráticos.
    O BE e PCP tem (juntos) quase 14% dos votos. O PNR tem 0,qualquer coisita. Parece-me que os primeiros constituem um caso bem mais alarmante.

  19. “Historiadores bem mais respeitáveis que nós disseram-no.”

    Sem ofensa aos insurgentes historiadores, mas eu não conheço historiadores mais respeitáveis do que eu. Só economistas. 🙂

  20. lucklucky

    Mas algum partido de esquerda – suponho que “extrema esquerda” se refira ao PCP e BE – é contra eleições em Portugal?

    São.O PCP lutou contra a sua existência. Amigos do BE puseram bombas contra o regime.

    Isso está nos estatutos de algum?

    “O PCP tem como objectivos supremos a construção em Portugal do socialismo e do comunismo”

    Artº 6

    Suspeito que isto queira dizer eleições com 99% dos votos…na melhor das hipóteses.

  21. Eu votei no Sá Fernandes, para veres como sou teu amigo. À minha maneira, lá contribuo para um insurgente menos fássista 😉

    P.S. A trupe do Pinto Coelho gosta bué das ideias dos insurjas!

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