O PNR e o CDS-PP nas sondagens para as eleições intercalares em Lisboa

Em comentário ao post em que recomendo a análise de Pedro Magalhães sobre as sondagens relativas às eleições intercalares em Lisboa, Pedro Guedes expressa a sua estranheza pela falta de atenção dada aos resultados dos candidatos que ocupam os últimos lugares.

Compreendo os motivos que justificam essa estranheza mas creio que, neste caso, o PG não tem razão. Dada a dimensão das amostras das sondagens realizadas seria francamente difícil (para não dizer abusivo) estar a analisar variações de décimas em candidatos que se situam entre os 0,5% e os 1,5% de intenções de voto.

Isto dito, e porque presumo que seja essa a principal razão de ser do comentário do PG, algumas sondagens indiciam de facto que o PNR terá uma subida significativa em termos relativos face a resultados em eleições anteriores (ainda que mantendo uma votação globalmente muito pouco expressiva). Essa parece-me ser a única conclusão minimamente sustentada que é possível extrair das sondagens existentes no que diz respeito ao PNR. Tudo o que fosse além disto, implicaria analisar variações de décimas de ponto percentual com pouco significado estatístico e não me parece razoável. Quanto às razões da possível subida (ainda assim muito modesta em termos absolutos), parece-me que a principal terá sido a publicidade gerada no seguimento da campanha da extrema-esquerda contra o cartaz colocado no Marquês. Se o PNR superar 1% de votos, José Pinto Coelho deveria agradecer em primeiro lugar ao Bloco de Esquerda e à comunicação social afecta à extrema-esquerda folclórica.

Ainda sobre as sondagens, um outro aspecto interessante são os resultados do CDS-PP. Algumas sondagens apontam para um resultados francamente maus, mas ainda assim próximos dos 5%, enquanto outras atribuem (para mim surpreendentemente) ao CDS-PP resultados abaixo dos 2%, que acarretariam uma expressão eleitoral praticamente nula e colocariam em causa a própria razão de ser do partido. Apesar da recente sucessão de trapalhadas internas e das lamentáveis declarações de Teresa Caeiro, creio que serão os primeiros estudos a estar mais próximos da realidade (até porque há um historial de subestimação dos resultados do CDS-PP), mas em todo o caso é uma questão que só se poderá esclarecer no dia das eleições.

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0 thoughts on “O PNR e o CDS-PP nas sondagens para as eleições intercalares em Lisboa

  1. André,
    Concordo com muito boa parte do que diz e muito em especial com esta:

    “algumas sondagens indiciam de facto que o PNR terá uma subida significativa em termos relativos face a resultados em eleições anteriores (ainda que mantendo uma votação globalmente muito pouco expressiva). Essa parece-me ser a única conclusão minimamente sustentada que é possível extrair das sondagens existentes”

    Ora, essa conclusão pode tirar-se, como bem diz. E o grande problema de não se tirar essa conclusão é que estes partidos – todos eles, não apenas o PNR – são essencialmente penalizados pelo voto útil, pela tese do “não vale a pena votar nesses tipos porque não vão ter peso”. Agora pergunto: se a conclusão que o André retira fosse divulgada pelos “estudiosos”, quantas pessoas poderiam entender ser inteligente desprezar esse mesmo voto útil por uma só vez que fosse? É aí que toca o ponto.

    Outra questão – admito que minimamente pertinente na medida em que o próprio Pedro Magalhães (que me parece uma pessoa séria) a menciona ainda que só em parte – é a seguinte: se a sondagem do Público da passada sexta-feira atribuia ao José Pinto-Coelho uma percentagem de 1,1% e outras há que dão ao Telmo idêntico 1%, por alma de quem é que um aparece no quadro e o outro não? Perguntado de outra maneira: a explicação que Pedro Magalhães dá neste último postal que publicou sobre as contas de Garcia Pereira parece-me facilmente compreensível para qualquer mortal, mas vejo-me forçado a insistir: a “ridicularia” de gente (em termos numéricos) que dirá que vota na lista do CDS é distinta (em sentido estatístico) da “ridicularia” de almas que votam no MRPP? Eu acho que estas coisas condicionam bem mais os resultados do que aquilo que se possa pensar, mas enfim, pode ser mania minha.

    Disclaimer: não sou nem candidato nem militante do PNR, limito-me a votar no Pinto-Coelho. É só para registar antes que chegue aí um barnabé qualquer a dizer disparates.

  2. “E o grande problema de não se tirar essa conclusão é que estes partidos – todos eles, não apenas o PNR – são essencialmente penalizados pelo voto útil, pela tese do “não vale a pena votar nesses tipos porque não vão ter peso”. Agora pergunto: se a conclusão que o André retira fosse divulgada pelos “estudiosos”, quantas pessoas poderiam entender ser inteligente desprezar esse mesmo voto útil por uma só vez que fosse? É aí que toca o ponto.”

    É verdade que alguns desses partidos serão prejudicados pelo voto útil, mas também serão beneficiados pelo voto de protesto (género: “eles são todos uns bandidos, pelo que vou votar no Zé”).

    Quanto aos estudiosos, é verdade que as análises tendem a focar-se mais nos partidos e candidatos mais estabelecidos mas, até certo ponto, isso é inevitável porque o tempo e os recursos são limitados e é prioritário analisar candidatos que representam 90% das intenções de voto do que candidatos que representam 5%.

    Isto não quer dizer que não haja analistas facciosos (certamente que há) e apresentações manipulativas de dados mas não creio que o PNR com scores na casa do 1% merecesse (do ponto de vista de um analista não faccioso) mais do que o que eu escrevi no post. Se o PNR (ou o PND ou o MPT) estivesse com resultados na casa dos 4% ou 5%, seria diferente.

  3. Libertas

    Se fosse lisboeta desta vez não votaria CDS!

    Que utilidade tem votar numa lista com admiradoras de arraiais gays?

    Se fosse lisboeta votaria útil: escolheria uma lista com gente de Direita!

    Para quem não acredita…
    http://www.ilga-portugal.pt/noticias/agenda20070615.htm

    Teresa Caeiro (CDS-PP) referiu o artigo 13º da Constituição, dizendo que a discriminação deve ser combatida sem tréguas (política de tolerância zero), nomeadamente na política de habitação. Manifestou dúvidas quanto à necessidade
    de visibilidade LGBT. Afirmou o seu apoio a medidas de formação anti-discriminação bem como a aquisição de bibliografia de temática LGBT nas bibliotecas municipais.

    Relativamente ao Arraial Pride, manifestou o apoio à sua centralidade, desde que salvaguardados aspectos ambientais e de ruído. Referiu ainda ter sempre sido apoiado pelo CDS-PP o Festival de Cinema Gay e Lésbico de Lisboa.
    Defendeu também a formação de funcionári@s da CML contra a homofobia, bem como junto das escolas. No que diz respeito ao CCGLL, afirmou que a Câmara teria que ser “pessoa de bem” enquanto proprietária.

  4. Apesar desta campanha de contradição ideológica consigo mesmo, o PP vai conseguir atingir os 5% que representam o seu eleitorado mais fiel. Obviamente.

  5. Pingback: O Insurgente » Blog Archive » Os pequenos partidos nas sondagens para as eleições intercalares em Lisboa

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