Agradecimento no retorno à blogosfera

Ao João Marchante, autor do excelente Eternas Saudades do Futuro. Pelas palavras, leituras, sugestões e fotografias.

No regresso ao mundo real

Aconselho vivamente a viagem de comboio entre Lagos e Tunes. É algo que destila experiência. Pelos muito anos que não experimentava os comboios do país real -o mesmo país do TGV e da IVG- e pela sensação tão física da destilação. Recuando ainda mais no tempo, um estrangeiro dizia-me que era excelente a ideia de criar um comboio lento e rústico a servir a linha do Algarve. Coitado. Não quis acreditar que não havia outro serviço a não ser aquele… e que fraco gosto paisagístico. Pensado um pouco: coitados de nós.

Simpsons: uma família liberal

A propósito da estreia do filme dos Simpsons, o semanário Expresso publica um artigo intitulado “Uma família às esquerdas”:

A posição dos Simpson face à religião foi o primeiro «senão» de uma longa série de polémicas, mas o sucesso planetário do programa criado por Matt Groening obrigou os mais rotundos conservadores e mesmo os indefectíveis religiosos (especialmente nos estados sulistas) a justificar a validade do produto. Onze anos depois da estreia, com uma Fox já a facturar milhões, a «National Review» dava o tom: «Os Simpsons personificam alguns dos melhores princípios conservadores, como o primado da família ou o cepticismo em relação à autoridade política. E em Springfield, os cidadãos vão à missa todos os domingos.» Homer Simpson não tardou em responder: «Não sou má pessoa. Trabalho no duro, amo os meus filhos… porque é que devo gastar metade do meu domingo a ouvir sermões sobre o modo como vou acabar no Inferno?»

Os Simpsons são uma espécie de antídoto num país onde Deus, Pátria e Autoridade são nomeados como exclusivo de uma só nação e os regulares e nada saudáveis ataques de moralismo insistem em levar a América ao terreno da ridicularia.

O autor tem uma perspectiva enviesada dos Simpsons ou nunca viu a série! Tendo em conta as inúmeras conversas com Deus, Homer não é ateísta. Ele não confia é na autoridade da instituição Igreja sobre o modo como deve viver. Isso não o faz ser de esquerda. Ou de direita…

Ao ridicularizar todas as instituições de autoridade (patrão, igreja, polícia e governo) Matt Groening apresenta-nos apenas um pilar de segurança: a família Simpson. Por mais que discutam, é a unidade desta família disfuncional que acaba por resolver a maioria dos problemas, muitas vezes iniciados por um dos seus membros.

No filme, a intervenção do Estado só piora a situação. Aconselha-se, por isso, ao jornalista do Expresso que (re)veja o filme comentado.

As contas da demagogia

Os 230 mil euros que o Governo regional terá de despender para fazer cumprir a nova lei do aborto representam 7,7 por cento dos três milhões de euros que a região vai poupar com a redução do número de deputados e um quarto do valor concedido ao clube organizador do Rali da Madeira – uma prova com direito a tolerância de ponto para os funcionários da administração regional.

Publico, via Causa Nossa.

Fica a dúvida: a quanto é que isso corresponderá em casting de criancinhas?

Relexões offline (IV)

Num artigo publicado no passado fim-de-semana Inês Pedrosa propunha, meio a bricar mas muito a sério, que os que perante tão extenso e valoroso grupo de candidatos optaram pela abstenção perdessem automaticamente o direito a subsídios estatais. Se adicionalmente incluísse o não pagamento de impostos fazia já um voto de abstenção para toda a vida.

Reflexões offline

[os próximos posts foram mentalmente registados nas últimas duas semanas em que estive de férias e sem acesso à net. Desta forma os comentários serão algo desfasados e corro o sério risco de repetir algo que já foi dito aqui]

Eleições intercalares em Lisboa.

Embora incontestável, a vitória da super-candidatura de António Costa foi curta. Pouco mais de 29% e 1/3 dos vereadores. Tivesse sido Helena Roseta a candidata do PS será que o resultado teria sido pior?

O resultado do PSD foi o pior possível. Não só ficou atrás de Carmona Rodrigues como “queimou” um candidato que teria excelentes hipóteses de conseguir uma vitória histórica em Setúbal. Ainda por cima, as culpas são unicamente imputáveis ao seu presidente. Será que o PSD com Carmona ganhava ao PS com António Costa?

16 contra 6… Não existe margem para dúvidas. Para os lisboetas o Carmona faz mais falta que o Zé.

A ameaça da extrema-direita saldou-se em 1501 votos. A extrema-esquerda conseguiu 35.000 votos, dois vereadores e, a acreditar nas notícias, foi sondada para acordos com o PS. O PNR conseguiu metade dos votos de um pequeno partido que coloca Marx, Engels, Lenine, Estaline e Mao no seu panteão (por pudor, os outros comunistas não o fazem em público). Não haja duvidas que a extrema-direita é bem mais perigosa que a extrema-esquerda.

O PCP perdeu 2% e o BE cerca de 1%. Foi uma semi-derrota ou o que interessa é a “vitória da esquerda”?

Se o resultado do PSD foi mau. O do CDS consegue ser pior.

O resultado do PND condena-o à extinção. Pelo menos na actual versão.

Luís Filipe Menezes (2)

O Problema de Menezes, por Bruno Alves, no Desesperada Esperança. Concordando com o Bruno julgo que, caso o PSD vença eleições com Luís Filipe Menezes, a vitória de pouco servirá aos sociais-democratas se estes se limitarem a copiar o PS de Sócrates ou, pior ainda, o desnorte dos governos de Durão Barroso e Santana Lopes. Por esse mesmo motivo, já aqui referi que a direita necessita, acima de tudo, de um programa partidário de índole não socialista. Por muito que não se goste de Sócrates, o PSD, se quiser voltar a inovar e a ser reformador, não deve ter pressa em regressar ao poder.