A “festa da democracia” está a ficar menos alegre

A Semana Política
10/06/07-16/06/07

José Sócrates deslocou-se no final de uma semana atribulada a Abrantes, para inaugurar um açude insuflável, mas a acção de propaganda que o Primeiro-Ministro planeara rapidamente se tornou amarga, quando um conjunto de manifestantes se entreteve a iinsultar o chefe do Governo, chamando-o, entre outros nomes, de “mentiroso”. As boas consciências e os servis lacaios do “animal feroz” certamente tratarão de desvalorizar o acontecimento, lembrando que outros Primeiros-Ministros foram vaiados, dando o exemplo de Guterres no Pavilhão Atlântico ou Durão no Estádio da Luz.

Apenas demonstram a sua cegueira. Pois há uma diferença entre um conjunto de pessoas que vai ver a final de um torneio de ténis ou um jogo do Benfica e aproveitam para vaiar o Primeiro-Ministro, e um grupo de pessoas que se desloca com o propósito exclusivo de o inusltar. Aliás, o que se passou ontem não foi um incidente isolado. Já no passado 10 de Junho, o “bom povo” de Setúbal não hesitou, segundo relatos de autóctones, em dizer ao Primeiro-Ministro que o consideravam um “cab***” (este é um blog de boas famílias). Se juntarmos as piadas que todos os dias se ouvem sobre a forma como o Primeiro-Ministro conseguiu o seu “curso”, percebe-se como alastra o descrédito do Primeiro-Ministro aos olhos das pessoas que o elegeram.

A reacção do Primeiro-Ministro em Abrantes mostra, para além dua sua já habitual arrogância, como ele não percebe o problema que lhe está a começar a bater à porta. Ao dizer que “tudo faz parte” da “festa da democracia”, ridicularizando a insatisfação popular, Sócrates revela que não percebe como a confiança que muitos portugueses depositaram em si se está a desvanecer. E não tanto por discordarem da política governativa (embora haja boas razões para isso), mas porque a quebra de promessas eleitorais, a incessante propaganda, a cada vez mais evidente desonestidade e o eleitoralismo notório na artimanha de adiar a “inadiável” Ota para que António Costa pudesse voar livremente para a presidência da Câmara de Lisboa, minam a credibilidade do Primeiro-Ministro, e por conseguinte, o seu Governo.

Como escrevi aqui, depois de Durão e Santana, o país correu para os braços de Sócrates na esperança de que nada de semelhante se passasse. É por isso que Sócrates, quando os adolescentes que hoje penduram os posters com a sua fotografia nas paredes das redacções os jornais crescerem um bocadinho, será recordado como o Primeiro-Ministro que mais danos provocou na credibilidade do regime democrático. Nele foi depositada, por muita gente, uma espécie de “última esperança”. Ao governar com o descaramento progangadístico que tem caracterizado a sua acção, e com o total desrespeito que exibe pelo eleitorado, Sócrates não acabará apenas por se manchar a si próprio. Levará consigo todos os outros políticos, e uma saída para “este país” será cada vez mais difícil de encontrar. E a “festa da democracia” será cada vez menos alegre.

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