O socratismo de powerpoint paga-se caro

Já não bastou termos o governo português a servir de empresa de catering e de veículo de publicidade da Microsoft e para possibilitar a alguns notáveis da nação a obtenção de um autógrafo do Bill Gates.

Eis que agora temos Sócrates, o distribuidor de portáteis e o messias da banda larga. E quem aplaude? Não é difícil de imaginar. Afinal, em alturas em que o mercado se vai demonstrando agreste, e em que os pobres ignorantes tardam em concluir dos méritos do Vista, nada como um anúncio do patrocínio do estado de computadores com o software certo para animar os números.

Afinal, os fretes e os espectáculos mediáticos pagam-se bem. Neste caso são 240000 licenças de sistema operativo e do Office que vão agarrar à plataforma os (pelo menos) 240000 utilizadores dos respectivos computadores. A boa literacia digital já está estabelecida, e a máquina posta em andamento.

Senão, veja-se o site Literacia Digital, que anuncia em parangonas:

É com grande satisfação que a Microsoft, no âmbito do Memorando de Entendimento assinado com o Governo Português, disponibiliza a todos os cidadãos o Curriculum Microsoft Literacia Digital.

Se pretender o apoio de formadores na realização do Curriculum dirija-se a um Centro Novas Oportunidades.

Quer seja o seu primeiro contacto com a informática ou tenha alguma experiência este Curriculum vai ajudá-lo a utilizar as Tecnologias da Comunicação e Informação com confiança. Basta clicar e começa logo a aprender!

Disponibiliza a todos os cidadãos… será?

Sugere-se aos utilizadores dos browsers e plataformas computacionais da concorrência que iniciem o curso sobre “Princípios Básicos sobre Computadores” para verificarem da abertura desejada.

Completamente recomendável é também o esclarecedor press-release da ANSOL, neste artigo apropriadamente e sugestivamente entitulado “Governo e Microsoft: mas que casamento é este e porque raio tenho de pagar o copo de água?!?!?!?“:

A parte do “Programa Novas Oportunidades” apresentada hoje pelo Governo simboliza problemas sérios o nível da transparência nas opções de investimento público, retira a oportunidade de participação da indústria de software nacional no mercado livre, retira oportunidade da comunidade pedagógica do secundário de ser mais que mera formação de produtos Microsoft, e atrofia as oportunidades de desenvolvimento de competências portuguesas essenciais à participação na Sociedade da Informação.

Onde está a democraticamente essencial transparência governamental na opção dos investimentos quando o Ministério das Obras Públicas, Transportes e Comunicações aloca sem qualquer concurso público os fundos que dispõe como resultado das obrigações a que vinculou as operadores portuguesas de telecomunicações UMTS a uma só empresa de software?

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27 pensamentos sobre “O socratismo de powerpoint paga-se caro

  1. Mais gritante é que para o que é (web + Writer ou Calc ?) existem SO’s mantidos por empresas portuguesas como o Caixa Mágica ou o alinex da Univ. de Évora que podiam muito bem substituir o Windows Vista e a nível de suite de produtividade eram muito bem servidos com o Open Office ( http://www.openoffice.org/ ).

    Sem falar noutras distros também viáveis e muito menos exigentes em termos de recursos (

  2. Existem alternativas? Sim, existem e presumo que estejam a falar em distribuição de Linux. Mas raramente são inovadoras, andam geralmente atrás do software proprietário, que não se limita à Microsoft, mas passa também pela grande oferta da Adobe, da Corel ou até de Cad’s (falando de grande empresas que desenvolvem software mais técnico), etc. É certo que existem alternativas, que o conseguem ir sendo, mas “copiando”, imitando, na medida do possível o software proprietário, pago e com suporte técnico. O open source é muito bonito mas depende da boa vontade de alguns e das suas limitações. E como na maior parte das vezes depende dessa boa vontade, às vezes ela não existe ou não existe gente com capacidade para imitar. E quando falo de suporte e apoio técnico, não é só ao comum utilizador. É impossível ignorar que a quantidade de drivers que existe para Windows, as ferramentas que proporciona (com por exemplo, para gráficos, com o directx10 – que vai aniquilar de vez o opengl porque, enfim, não há gente capaz de imitar tanto e tão bem) às empresas que desenvolvem software. Não era por 240.000 pessoas num país longínquo irem passar a usar linux que as ferramentas iriam existir ou que as empresas passassem a desenvolver software especifico. Existem casos absolutamente gritantes de faltas de alternativas para Linux, quer pela falta de software, quer na falha de reconhecimento de hardware, a nível de telemóveis ou leitores de mp3, para dar dois exemplos de hardware que são banais em Portugal.

    Concordo com o Migas, que tem passado ao lado da discussão política, mas não é uma discussão que se deva ter em Portugal, mas sim no contexto europeu.

  3. João Luís Pinto

    Caro Jam,

    “Existem alternativas? Sim, existem e presumo que estejam a falar em distribuição de Linux.”

    Estou a escrever noutra: o Mac OS X.

    “Mas raramente são inovadoras, andam geralmente atrás do software proprietário”

    Recomendo que se inteire das últimas distribuições de Linux, nomeadamente o Ubuntu.

    Além disso, como casos paradigmáticos de quem anda atrás de quem, lembro-lhe o Mozilla Firefox, além das próprias cópias descaradas que existem entre softwares proprietários. A Microsoft é, aliás, um paradigma dessa atitude de “embracing”. Já o fez várias vezes no passado, e continua a fazê-lo no presente.

    “O open source é muito bonito mas depende da boa vontade de alguns e das suas limitações.”

    Isso já foram tempos. Hoje em dias os projectos de software livre de maior dimensão há muito que se profissionalizaram e têm o suporte técnico de grandes casas de software, de empresas, e de técnicos altamente qualificados, ao nível ou suplantando o que se faz ao nível do software proprietário. Por exemplo, tanto o Firefox como o Openoffice.org são desenvolvidos in-house de grandes organizações por um conjunto limitado de técnicos, e há muito que se afastaram do paradigma das contribuições do “hacker de cave”.

    “É impossível ignorar que a quantidade de drivers que existe para Windows”

    Seria curioso discutir o processo porque isso é (ou melhor foi, uma vez que a situação presente, mesmo recorrendo a drivers proprietários, já é bem diferente) assim…

    “(com por exemplo, para gráficos, com o directx10 – que vai aniquilar de vez o opengl porque, enfim, não há gente capaz de imitar tanto e tão bem)”

    Presumo que está a falar do Direct3D, uma vez que o DirectX é algo de mais abrangente. De qualquer modo, é bom ver as datas em que ambos foram criados para ver quem é que andou atrás de quem. E já agora, perceber as sinergias que diminuiram o protagonismo do OpenGL face ao Directe3D.

    “quer na falha de reconhecimento de hardware, a nível de telemóveis ou leitores de mp3”

    Isso é culpa de quem, do SO ou dos fabricantes desses equipamentos que não disponibilizam nem drivers nem especificações que permitam a terceiros implementar essas drivers?

    De qualquer modo, o problema dos leitores de mp3 já está em grande parte resolvido, mesmo que de forma limitado. E a utilização de Bluetooth nos telemóveis também tem vindo a facilitar essa integração.

  4. Pingback: blogue atlântico » Blog Archive » A Microsoft e o choque socrático

  5. O sistema operativo da Apple também é proprietário, por isso a nível de custos não o considerei, no meu comentário, como alternativa. A Microsoft ganhou a corrida à Apple na altura, mas se tivesse sido a Apple a ganhar… estaríamos igualmente a falar de monopólio, hoje em dia.

    Eu conheço o Ubuntu, assim como outras distribuições linux que no passado experimentei.

    «Isso é culpa de quem, do SO ou dos fabricantes desses equipamentos que não disponibilizam nem drivers nem especificações que permitam a terceiros implementar essas drivers?»

    Sim, é verdade. É culpa dos fabricantes, sobretudo. Não disponibilizam nem drivers nem hardware pela elevada impopularidade dos sistemas operativos. Para além de Windows, MacOS e distribuições linux, existem outros… que imagino que terão o mesmo problema. Mas o Windows tornou-se tão popular pela grande oferta de drivers que oferece à partida, mesmo algo genéricos. A tal funcionalidade plug’n’play… E você com um Mac, também terá algumas dificuldades em mudar de hardware, visto que a Apple vende computadores com os OS’s, que só funcionam aí. É um OS interessante, mas sinceramente não percebo muito bem porque seria mais vantajoso impingir-se Apple às pessoas, precisamente por essa limitação… Os componentes são tão baratos um pouco por esta liberdade um pouco anárquica da ‘linha branca’.

    «De qualquer modo, o problema dos leitores de mp3 já está em grande parte resolvido, mesmo que de forma limitado. E a utilização de Bluetooth nos telemóveis também tem vindo a facilitar essa integração.»

    Sim, alguns leitores, alguns telemóveis. Mas cada peça de hardware, cada marca é um caso. Encontrará facilmente forma de utilizar ipods em conjunto com linux e as outras marcas? Às vezes até encontra para outras marcas, mas só para alguns modelos. É complicado…

    «Presumo que está a falar do Direct3D, uma vez que o DirectX é algo de mais abrangente.»

    Sim, Direct3D e DirectDraw também (o DirectSound creio que deixa de fazer parte do DirectX 10 – senão também se incluíria aqui). Mas o problema com a versão 10, só disponível no Windows Vista, é que é a única plataforma que o sistema suporta realmente. Suporta outras, antigas, mas apenas por emulação. Por isso praticamente que se pode dizer que OpenGL foi à vida. Aliás, isso está relacionado com algumas das mais fortes críticas ao Windows Vista. Esta monopolização, para se usar as ferramentas da casa, que só funcionam na casa. O OpenGL funcionava (creio eu) em qualquer sistema operativo, pelo menos nos 3 mais comuns funcionava. Havia interoperabiliadade, facilidade de transportar o software construído à volta dessa ferramenta para os outros sistemas operativos. Com o DirectX, só por emulações, nem sempre possíveis e muitas vezes…fracotes.

    «Por exemplo, tanto o Firefox como o Openoffice.org são desenvolvidos in-house de grandes organizações por um conjunto limitado de técnicos, e há muito que se afastaram do paradigma das contribuições do “hacker de cave”.»

    É verdade sim senhor. Mas firefox (cada vez mais e mais comum) e Openoffice podem ser utilizados em Windows e outros sistemas operativos. Não se limitam a ser meras alternativas em outros sistemas operativos. Se bem que, pessoalmente, considero que o Openoffice tem algumas limitações. Limitações que se prendem sobretudo com a interoperabilidade entre “Offices”. Cada um tem a sua forma de gravar ficheiros e também emulam a dos outros. E essa emulação leva sempre a algumas disparidades se comparar atentamente, a nível de formatação – o que é muito chato, por vezes. Imagine que no emprego tem Microsoft Office e em casa usa Star Office ou Open Office ou até WordPerfect (Corel). Ou usa o mesmo nos dois sítios, ou vai notar alguns problemas. Digo-o com experiência própria e também por testemunhos de outras pessoas.

    Aliás, esta falta de interoperabilidade é de tal ordem que existem problemas em gravar em ‘filesystems’ alheios. Windows usa NTFS, em Linux há uma data deles à escolha do freguês… e depois os que até têm alguma interoperabilidade são antigos, desactualizados e inseguros. É quase sempre possível ler, mas ao gravar existe o risco de se sofrer problemas.

    Aliás, eu só não faço a conversão definitiva para Linux precisamente por causa desse tipo de problemas. E os problemas que ainda existem na tal compatibilidade de certo hardware – mp3, telemóveis (tenho um motorola, mesmo que encontrasse drivers, não há software minimamente comparável com o que a motorola oferece, por exemplo), placas de tv normalmente também são de fugir (até para windows existe uma inacreditável falta de actualização de drivers).

  6. Este tipo de influência governamental num mercado, distorcendo de forma gritante a livre concorrência, é um exemplo claro das razões pelas quais os estado não deve ter tal poder discricionário. Argumentos técnicos ou de preferência por esta ou aquela empresa são irrelevantes para a questão.

  7. “É certo que existem alternativas, que o conseguem ir sendo, mas “copiando”, imitando, na medida do possível o software proprietário, pago e com suporte técnico.”

    Ideia errada. Se estivesse dentro das inovações a nível de desktop não dizia isso. Já viu por exemplo o Beryl a funcionar? http://www.youtube.com/results?search_query=beryl&search=Search

    Garanto-lhe a nível de usabilidade está muito à frente do SO da MS.

    Quanto a leitores de mp3 reconhece-os bem, não conheço casos contrários (são mass storage grande parte…).

    Mas… esperem ai! mas estes portáteis não eram para “trabalhar”? Expliquem-me onde é que o Open office não consegue substituir o MS Office? Ou o Firefox/Opera/etc pelo Internet Explorer?

    “Aliás, esta falta de interoperabilidade é de tal ordem que existem problemas em gravar em ‘filesystems’ alheios. Windows usa NTFS, em Linux há uma data deles à escolha do freguês…”

    Mas quem é que diz que tem de usar todos? Normalmente usa-se o ext3 e pronto. E que eu saiba ninguem vai instalar o windows nesses portateis pois não? Então porque assume que teria-se de isntalar Linux? Linux até lê NTFS…

    “placas de tv normalmente também são de fugir”

    Depende do fabricante. Se tiver um nvidia não tem problemas. Eu com a minha 9200 já tive tv-out (entretanto foi descontinuado o suporte destas placas…).

    “Mas o problema com a versão 10, só disponível no Windows Vista, é que é a única plataforma que o sistema suporta realmente. Suporta outras, antigas, mas apenas por emulação.”

    Mas os portáteis de “baixo custo” serão para jogos por acaso? É que se estamos a falar de portáteis para entretenimento pessoal usem o que quiserem mas o DINHEIRO de parte dos portáteis vem do estado….

    “Eu conheço o Ubuntu, assim como outras distribuições linux que no passado experimentei.”

    Há quanto tempo? É que GNU/Linux tem existido uma grande subida do nível de qualidade no que toca a distros com tudo “out-the-box. Experimente por exemplo Ubuntu 7.04…

  8. MJK

    Caro Jam,
    As coisas não são bem como disse, mas mesmo que fossem como é que são desvantagens neste caso? Até podem ser consideradas vantagens. Não percebo mesmo o porquê de referir o DirectX 10. Não há de facto fora do Windows suporte para DirectX, mas qual é o problema se estamos a falar de portatéis/pcs destinados a “trabalho” ?

    Dito isto, admito que o Windows até pode ser a melhor escolha (pelo menos o XP…) mas para decidir tais coisas é para isso que se fazem concursos públicos.

    Na minha opinião muito ao contrário de transmitir uma imagem de modernidade, esta ideia transmite uma imagem de como Portugal ainda anda muito atrasado.

  9. João Luís Pinto

    “O sistema operativo da Apple também é proprietário, por isso a nível de custos não o considerei, no meu comentário, como alternativa.”

    Eu estava-me a referir a alternativas “tout court” acessíveis ao mercado. Mas, de qualquer modo, a questão é que o estado, como bem disse o Migas, não tem o direito de sustentar e patrocinar opções comerciais que, ainda mais, são proprietárias e fechadas.

    “Eu conheço o Ubuntu, assim como outras distribuições linux que no passado experimentei.”

    OK. Mas eu estava a referir-me às versões mais recentes. Têm sido dados passos muito significativos relativos ao suporte de hardware “out-of-the-box”, e a própria interface gráfica está a milhas de algo que possa ser considerado uma mera cópia do Windows.

    “E você com um Mac, também terá algumas dificuldades em mudar de hardware, visto que a Apple vende computadores com os OS’s, que só funcionam aí.”

    Eu também não defendo que a Microsoft fosse substituída pela Apple, ou que se alargasse o benefício às duas. Acho que tão somente se deveria favorecer a adopção de soluções livre e de baixo custo (e que facilitariam a interacção com terceiros), ou então pura e simplesmente dizer que os portáteis seriam vendidos sem SO e que depois cada pessoa escolheria.

    Quanto à critica à Apple, só para enriquecer a discussão, acho que a plataforma não está não sujeita ao “lock-in” (por mais estranho que se possa pensar) como a plataforma Windows. A questão é que, enquanto a generalidade das API da Microsoft são proprietárias, e a sua arquitectura interna pouco documentada, o facto do OS X se basear num kernel de estrutura bem conhecida e com APIs maduras em termos de universo UNIX, possibilitam que aplicações que sejam desenvolvidas para Mac sejam facilmente portadas para Linux e para Windows. Além disso, os benefícios são também inversos, sendo que a generalidade das aplicações desenvolvidas para Linux e para outros flavors de UNIX também migram com facilidade para Mac. Aliás, a minha transição de Linux para OS X foi grandemente simplificada exactamente por esse facto de continuar a utilizar as mesmas aplicações, a mesma shell, e toda uma arquitetura que faz sentido em termos de universo UNIX, além de não ter comprometido em nada tudo o que havia desenvolvido.

    Há em tudo isto também um grande efeito pedagógico potencial: quem se interesse na área da programação, tem ao adoptar uma plataforma livre a possibilidade de aprender a baixo custo e de facilmente poder portar o fruto do seu trabalho para as outras plataformas. Já o contrário, partindo de Windows, não é geralmente fácil.

    “Sim, alguns leitores, alguns telemóveis. Mas cada peça de hardware, cada marca é um caso.”

    Concordo. Mas desta maneira, dá-se exactamente o sinal para isso continuar. As empresas de hardware vão continuar a não ter motivação para fazer drivers para outras plataformas, nem a disponibilizar informação que permita que sejam desenvolvidos pela comunidade.

    “Limitações que se prendem sobretudo com a interoperabilidade entre “Offices”.”

    Tudo isso seria porventura mais fácil se a própria administração pública interagisse com os cidadão recorrendo a formatos abertos e isentos de royalties, como o ODF, que até já é suportado no Office via plugins.

    Quando muitas vezes para se participar em concursos ou submeter candidaturas se recorre a formatos fechados e proprietários, como por exemplo o do Excel, por imposição do estado (o que é frequente nesses casos), está-se a dizer que ou os cidadãos abrem os cordões à bolsa e investem nesses softwares, ou pirateiam, ou então não podem sequer lidar com o estado. O mesmo acontece com sites de organismos públicos que só suportam determinado browser, e em que quem os desenvolve se demite sistematicamente de obedecer aos standards e a promover a interoperabilidade.

  10. António Carlos

    Não cabe ao Estado promover este ou aquele produtor de software, este ou aquele S.O., este ou aquele package. Quem deve decidir qual o “melhor” é o mercado. O Estado só tem que observar o que a concorrência do mercado “diz” e escolher de de forma a maximizar a utilizade para os formandos. Nesse caso, e por muito que possa custal a alguns, os sistemas e aplicações Microsoft ainda são os mais disseminados.

  11. António Carlos

    A medida do governo já de si é “engenharia social”. Parece que alguns ainda querem aumentar o grau de “engenharia social” atribuindo ao Estado o papel de fomentador da revolução anti-Microsoft, ignorando para isso os sinais do mercado e, principalmente, os interesses dos formandos (info-excluídos).
    Formação em Ubuntu 7.04 JÁ (a começar pelos Insurgentes)!!!

  12. “Não cabe ao Estado promover este ou aquele produtor de software, este ou aquele S.O., este ou aquele package. Quem deve decidir qual o “melhor” é o mercado. O Estado só tem que observar o que a concorrência do mercado “diz” e escolher de de forma a maximizar a utilizade para os formandos. Nesse caso, e por muito que possa custal a alguns, os sistemas e aplicações Microsoft ainda são os mais disseminados.”

    O mercado… Pela “lógica” (antes pela minha “lógica”) o estado avaliaria qual a opção que em termos de custos/proveito a plataforma que mais compensava. Se o estado mesmo tendo uma plataforma livre (com custos muito menores) e que PARA O SERVIÇO QUE É, permite fazer tudo o que a “escolha” faz, estará o estado a seguir o mercado ou os interesses?

    Não é por “os sistemas e aplicações Microsoft ainda são os mais disseminados” que o resto é inviável. Para quem não sabe nada de informática (e eu digo nada mesmo) é muito mais fácil Ubuntu do que Windows.

    Não esquecer, mais uma vez, que estamos a falar de portáteis para trabalho pagos com o dinheiro do estado. Não é para entretenimento pessoal, por isso esqueçam na conversa dx10 e afins até porque nem placas dx10 os portáteis provavelmente trarão…

  13. Pingback: O Insurgente » Blog Archive » O socratismo de powerpoint paga-se caro (2)

  14. lucklucky

    “Por isso praticamente que se pode dizer que OpenGL foi à vida. Aliás, isso está relacionado com algumas das mais fortes críticas ao Windows Vista.”

    Isso está errado. O Vista deixou de fazer os “trabalhos de casa” para quem quer implementar OpenGl mas funciona na mesma bem para quem já o fez. E a escolha do Vista se só pensarmos no sistema faz sentido.

    O gato escondido é que o Governo poderia ter implementado benefícios fiscais e deixado a escolha ás pessoas. Assim é mais uma Publico-Privada para assegurar clientelas, ter publicidade e mais uma centena de …
    Não ter cobrados os impostos para os recursos que vai gastar idioticamente ainda seria melhor…

  15. António Carlos

    “Não é por “os sistemas e aplicações Microsoft ainda são os mais disseminados” que o resto é inviável. Para quem não sabe nada de informática (e eu digo nada mesmo) é muito mais fácil Ubuntu do que Windows.”
    A questão não é a facilidade de aprendizagem. A questão fundamental, na perspectiva do governo, é proporcionar formação no software que o mercado “maioritariamente” adopta para assim “valorizar” as competências dos cidadãos. Isto é, qual a probabilidade de uma pessoa valorizar o seu curriculum num concurso, por exemplo, de trabalho administrativo dizendo que sabe trabalhar em Ubuntu 7.04?

  16. A não ser que seja um eng. tec. ou outro de informática, ninguém pede para saber “windows” saber “Ubuntu” ou saber “Mac OSX”. Nunca é pedido para saber trabalhar com um sistema operativo. Pede-se para saber mexer em certos programas.

    Quem sabe trabalhar com o Open Office também sabe trabalhar com o MS Office. Quem saber usar o Firefox também sabe usar o IE.

  17. Jam:
    “Existem alternativas? Sim, existem e presumo que estejam a falar em distribuição de Linux.”

    Sim, especialmente aquelas desenvolvidas em solo nacional.

    “Mas raramente são inovadoras, andam geralmente atrás do software proprietário, que não se limita à Microsoft, mas passa também pela grande oferta da Adobe, da Corel ou até de Cad’s (falando de grande empresas que desenvolvem software mais técnico), etc. É certo que existem alternativas, que o conseguem ir sendo, mas “copiando”, imitando, na medida do possível o software proprietário, pago e com suporte técnico.”

    O que disseste deu para me rir algumas boas horas seguidas. No tempo em que a microsoft usava FAT (tenhamos como exemplo o windows 4.10.1998), os sistemas GNU/Linux já usavam o Second Extended Filesystem (http://en.wikipedia.org/wiki/Ext2), que dispensa qualquer brinquedo do tipo “desfragmentador de disco” e que tem inúmeras outras potencialidades.

    O Windows Vista apresenta uma interface 3D que não é verdadeiramente 3D, renderiza os gráficos com a ajuda do computador. Não me vais dizer que isto é ser mais avançado que os ambientes gráficos 3D do GNU/Linux, que renderiza 3D puro, na placa gráfica… Ou vais?

    E se nós tentámos imitar? Quanto muito a única vez que o fizemos terá sido aquando dos anúncios do Vista. A Microsoft anunciou umas tantas funcionalidades. Houve quem quisesse meter o GNU/Linux em pé de igualdade com esse futuro Vista, no que respeita a essas funcionalidades. O resultado? A Microsoft não meteu nem metade do que disse, o GNU/Linux ficou ainda mais à frente.

    “O open source é muito bonito mas depende da boa vontade de alguns e das suas limitações. E como na maior parte das vezes depende dessa boa vontade, às vezes ela não existe ou não existe gente com capacidade para imitar.”

    Obviamente que depende da boa vontade. Agora faz um apanhado geral e vê se falta alguma dela. Não. O que há em sobra são pessoas dispostas a trabalhar. Como achas que os programas de software livre e código aberto têm sido mantidos?

    “E quando falo de suporte e apoio técnico, não é só ao comum utilizador. É impossível ignorar que a quantidade de drivers que existe para Windows,”

    Sim, a quantidade de drivers instáveis e impossíveis de melhorar, porque a única pessoa que tem o código é o fabricante, ou mesmo o caso ridículo em que, quando não haviam drivers para USB Mass Storage device, em vez da Microsoft ter lançado um update para o sistema com um driver, foram os fabricantes a fazer milhões deles.
    Confere, há muitos drivers, há.

    http://nunojsilva.wordpress.com/2006/12/19/microsoft-presents-%e2%80%9cthe-terminator%e2%80%9d/

    E para GNU/Linux? Também tens uma quandidade assombradora. E estão a ser todos mantidos por pessoas experientes, que fazem o máximo esforço para resolver bugs. Se sentires alguma comichão quando usas o driver da tua pen, o melhor que tens a fazer, é comunicar o sucedido…

    Nós não podemos fazer milagres. Há empresas que não nos dão as especificações dos hardwares que produzem. Com essas quanto muito tem de se fazer tudo com base em reverse engineering, mas sempre se chega lá. Mas isto é problema? Tens empresas que o fazem. intel Onboard graphics e atheros wireless chipset, por exemplo.

    “ as ferramentas que proporciona (com por exemplo, para gráficos, com o directx10 – que vai aniquilar de vez o opengl porque, enfim, não há gente capaz de imitar tanto e tão bem) às empresas que desenvolvem software.”

    Como já te disseram, compara as datas.
    Já que odeias tanto os imitadores, quando fores reclamar à Microsoft por causa do directx10, o melhor é pedires também que deixem de desenvolver o Internet Explorer. Anos depois de o Mozilla ter tabbed browsing, e meses depois de o Firefox ter leitor de RSS é que eles metem essas funcionalidades. Imitadores!

    “Não era por 240.000 pessoas num país longínquo irem passar a usar linux que as ferramentas iriam existir ou que as empresas passassem a desenvolver software especifico.”

    Passaríamos a investir numa universidade (Alinex – Univ. Évora), ou num consórcio de entidades portuguesas (CaixaMágica).

    E temos imensas empresas com esforços de desenvolvimento direccionados para o GNU/Linux: Sun Microsystems, International Bussiness Machines, nVidia, Industrial Light and Magic (Lucasfilm), Disney, DreamWorks S.K.G., Pixar Animation Studios…

    “Existem casos absolutamente gritantes de faltas de alternativas para Linux, quer pela falta de software, quer na falha de reconhecimento de hardware, a nível de telemóveis ou leitores de mp3, para dar dois exemplos de hardware que são banais em Portugal.”

    Desculpa? Esta não percebi sinceramente… telemóvel ligas via bluetooth ou irda e tens um serviço exemplar. Pendrives ligas e ele reconhece como USB mass storage device…

    “Concordo com o Migas, que tem passado ao lado da discussão política, mas não é uma discussão que se deva ter em Portugal, mas sim no contexto europeu.”

    É uma situação a discutir no contexto mundial.

    http://slashdot.org/~nunojsilva/journal/173803/

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  19. Pingback: Contas « .$null@dscape/08

  20. @jam: falar é para quem sabe não para quem dá uns bitateis. Senão corres sempre o risco de as pessoas verem que nem sabes do que estás a falar – o que claramente é o caso.

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  22. The Hacker

    Em Portugal, já não é a primeira vez e nem será a ultima que a Microsoft entra no mercado por esteis meios e outros. Quando o Bill Gates franze o sobrolho, há quem de imediato faça uma vénia. Então é assim, Bill Gates, é um técnico que quando deixou de trabalhar para a IBM, levou consigo o MS-DOS. Como toda a gente sabe, o kernel do MS-DOS é multitastiking com switching de tarefas, mas os técnicos da Microsoft eram muito sofríveis, pelo que o sistema operativo foi montado à volta do núcleo em modo monotarefa. Mais tarde o Windows, famoso pelos ecrãs azuis, foi uma ideia roubada ao projecto X Windows, mas como era de esperar, muito deficiente, pelo que quando congelava, ficava somente o rato a funcionar. É por isso que a Microsoft fazia parcerias com outras empresas e depois engolia as empresas à traição. O motor da base de dados do MS-ACCESS é só um desses casos de apropriação de know how. Mas há mais historias, como por exemplo, comprar a net-cabo e depois substituir todos os servidores por Windows. Outro caso interessante é o xenix da Santa Cruz Operation, que pertence à Microsoft. Daí os ataques feitos ao Linux, mas o mais ridículo disto tudo é acusarem o Linux de roubar código fonte, que toda a gente sabe ser do Linux. Quanto ao Software, o Linux tem mais software que a Microsoft. Quem não viu o filme Titanic ? As imagens foram renderizadas com a ajuda de 100 servidores a correr Linux, não o Windows. O compilador que vem com o Linux, bate de longe o melhor compilador da Microsoft. É por isso que o Linux é também mais eficiente o Windows da Microsoft. Resumindo, este é mais um episódio de muitos que se irão seguir bem ao estilo do PS. Em que Sócrates oferece portáteis a alguns e todos pagamos. Ele faz publicidade ao oferecer portateis, nós temos que contribuir à força com os nossos salários que já não são muito gordos.

  23. ricardo

    opengl foi a vida… LOLOLOLLOLO
    essa é mt boa, visto estar a programar glsl com uma placa grafica de ultima geração sobre opengl em linux, alias aqui em casa já ninguem usa windows há mais de dois anos, eu usei linux desde 98 em dual boot com windows mas apenas até 2004 (foi lixado largar alguns joguitos embora agora já hajam muitos para linux eu é que já não estou tão interessado)

    gostava de saber então o que é que os fabricantes de consolas como sony playstation 3, nintento game cube entre outros têm na cabeça pois apenas usam opengl, assim como a maioria dos dispositivos de visualisação grafica proficional (em filmes e respectivas render farms, medicina, engenharia, etc… afinal de contas opengl foi desenvolvido pela Silicon Graphics não é um briquedinho para joquinhos como o directx)

    para sua informação opengl existe até aos dias de hoje em qualquer plataforma (opengl é cross-plataforma e retrocompativel ao contrario do directx que cada motor grafico tem que ter suporte para cada versão do directx em separado para suportar correctamente todas as placa graficas) e contem todos os efeitos que uma acelaradora grafica pode cuspir cá para fora inclusive geometry shaders do shader model 4 na extenção 2.1 do opengl 2 e corre tb no windows xp coisa que supostamente é exclusivo do directx10 e apenas funciona no windows vista (caso o incompetente do programador decida usar apenas directx na sua aplicação esta nunca terá acesso ao shader model 4 em windows xp e a aplicação por sua vez condenada a funcionar apenas no windwos vista) a unica razão para a popularidade do directx é algumas facilidades para os novato em programação grafica.
    portanto não, não foi a vida embora se tudo correr bem há de ir, mas juntamente com o directx quando sair o galium3d http://en.wikipedia.org/wiki/Gallium_3D http://www.tungstengraphics.com/wiki/index.php/Gallium3D

    quanto ao comentario de systema que copia o software pago:
    1º um dos principais patrocinadores e implementadores de opensource é a ibm
    2º openoffice é fruto do contributo da sun microsystems http://en.wikipedia.org/wiki/OpenOffice.org
    3º linux detem 400 e muitos (80 e tal %) no top 500 de supercomputadores assim como a maioria dos servidores (note-se goole)
    a maioria dos router corre unix, linux ou variantes (nunca vi um router correr windows :P)

    podia continuar por aqui fora mas são duas da matina e amanha tenho mais o que fazer.

    nunojob concordo contigo – falar é para quem sabe não para quem dá uns bitateis.

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