Pontos de Fuga

Serviço Estadual de Televisão

A nova lei da televisão aí está, quase pronta, disposta a servir os nobres propósitos de retirar Portugal da sarjeta cultural. Alargando o serviço público de televisão para além dos limites do imaginável, ela aí vem, disposta a interferir e controlar a actividade privada associada ao sector. De uma penada, com um silêncio incompreensível por parte da oposição, a lei da televisão escancara ao que vem Augusto Santos Silva. 

Ninguém sabe, nem procura saber, para que serve ao certo o serviço público de televisão. Mandaria a prudência que, não se sabendo, se travasse o seu crescimento. Já nem se pedia que o mesmo fosse suspenso até definição futura, mas tão só que o mesmo se limitasse a um canal e, nessa limitação, se aprofundasse uma reflexão que tarda em fazer-se, porque impossível de qualquer conclusão. Ao invés, temos a proliferação do serviço público de televisão que, em Portugal, é comodamente entendido como serviço estadual de televisão. De tal sorte que o Estado tem tripla presença nesta equação: como entidade tutelar, como concedente e como accionista. Bastava-lhe, na persistência de manter o serviço público, ser concedente. Mas não. O Estado quer ser actor na actividade. Quer meter a sua colher.  

O reforço do papel do Estado no sector da televisão é uma demonstração clara de quão apostadas estão as mentes governamentais em condicionar a actividade televisiva, tão poderosa se deixada à sua liberdade.

E nem os propósitos da qualidade e dos públicos valem alguma coisa quando ficamos a saber que teremos mais de um canal dedicados ao efeito. 

Vários canais do Estado, alicerçados no poço sem fundo do nosso Orçamento, em concorrência com os restantes, não pode trazer nada de bom. Perturba o quadro de liberalização que se traçou nos começos dos anos 90 e impõe uma tutela que ninguém precisa. 

O alargamento do serviço público de televisão é tão evidente que faria corar qualquer português que soubesse quanto lhe custam, ao certo, as indemnizações compensatórias que o Estado precisa para dar oxigénio ao tal serviço que, de tão público, não é pedido por ninguém.

Um pensamento sobre “Pontos de Fuga

  1. noddy

    este país é uma anedota deprimente em todos os assuntos. assim que possa desnacionalizo-me da depressão que é ser portguês em portugal. e na europa acho que só mesmo o reino unido.
    TRISTE PAÍSECO CLAUSTROFÓBICO ESTE. and there’s no hope 😐

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