Os sinos dobram por nós

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Arrendar Lisboa

Há uma gloriosa ideia nova, desta vez, para Lisboa: Torná-la um sucesso idêntico a Barcelona. Um farol na Europa das cidades. Aqui e acolá, vamos ouvindo umas deixas do PS nesse sentido, naquilo que é uma repetição da estratégia seguida nas últimas legislativas. Ontem a Finlândia, hoje Barcelona.

Sucede que (azar dos azares!), Lisboa não é a capital da Catalunha. Não está virada para o Mediterrâneo, nem é habitada por catalães. Nela vivem portugueses de todas as partes deste pequeno rectângulo; situa-se num cantinho da península e de cá não pode sair.

O drama de Lisboa é ter vários projectos e muitos políticos com demasiados sonhos. Qualquer cidade do que precisa é que a deixem ir. Para que em Lisboa tal aconteça, é necessário que se liberalize a lei do arrendamento. É esta quem atrofia a cidade. É desta que resultam os prédios degradados e as altas rendas que obrigam à compra de casas a preços exorbitantes. É devido a ela que Lisboa perde milhares de habitantes por ano; que existem engarrafamentos às portas da cidade; que milhares de prédios estão devolutos e, veja-se, os bancos têm lucros fabulosos com os empréstimos à habitação. Tudo devido a uma lei que a esquerda nunca aceitará mudar e cuja alteração o futuro presidente da autarquia deverá exigir.

Mudar a lei é bastante difícil e demasiado simples para o poder político. Esta opção conduziria a muitas lágrimas, um insuportável ranger de dentes e pouca, pouquíssima, visibilidade mediática. O mérito seria imenso, o reconhecimento nenhum. Não há carreira política que resista a esta dura verdade. Assim sendo, ficaremos nas próximas semanas com Barcelona. Daqui a ano e meio, talvez o seu exemplo ainda sirva para voltar à carga. Depois disso se verá. No último ‘Prós e Contras’ da RTP, definiu-se Lisboa como uma cidade com dimensão mundial, o que quer que isso signifique. Há sempre um projecto, de preferência faustoso e magnânimo, um sonho a justificar mais leis, mais regulamentação, um crescendo de despesas, maiores entraves numa cidade que, no fundo, só é habitada por nós, meros indivíduos, que nela queremos viver.

Um pensamento sobre “Os sinos dobram por nós

  1. «Qualquer cidade do que precisa é que a deixem ir»

    Confesso que me ri quando li isto. É precisamente o que está a acontecer lá. Deixaram-na “ir”.

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