O POLITICAMENTE CORRECTO E O ADVENTO DO LOGO-TERRORISTA

Em seguimento de um post de André Azevedo Alves sobre os comentários aos blogues

No mundo anglo-saxónico de antes da Segunda Guerra Mundial, uma regra importante para efeitos de controlo social era a proibição consensual de certos temas de conversa no que então se chamava ‘polite society’. Fora de círculos restritos de intelectuais era aceite que estes temas eram: sexo, religião, política e dinheiro. Por essa ordem. Depois veio o desastre e todos começaram a discutir tudo. Era preciso fazer qualquer coisa. Levou décadas a chegar ao ponto onde chegamos hoje mas, finalmente conseguiu-se. Começou nos círculos da esquerda americana e foi decretado nas publicações teóricas do PCUSA, como Masses and Mainstream, seguindo e até indo mais longe de que a própria prática soviética.

Para algumas almas ingénuas tratava-se de eliminar epítetos ou frases insultuosas que podiam ofender minorias. Para os ‘steel-hardened cadres’, tratava-se de uma técnica propositada para acabar com juízos de valor e colocar uma rolha na discussão de assuntos inconvenientes. Hoje o politicamente correcto, disseminado em vasta escala pelo mundo ocidental, funciona como uma imposição de relativismo moral e de uma censura. Já nem censura ‘light’ é, visto que agora estamos confrontados com penas de prisão, até para crianças, pelos chamados ‘hate crimes’.

‘Fobia’ é um uso favorito dos politicamente correctos. Quando querem evitar a discussão da homossexualidade puxam logo da etiqueta de ‘homófobo’ para por fim à conversa. Idem para quem queira discutir o islamismo, ou até simplesmente ou islão: ‘islamofobia’, gritam os censores indignados. Nem pensar em tentar analisar o problema dos altos índices de crime nos bairros negros. É ‘negrofobia’, ‘racismo’ ou mesmo ‘fascismo’. Nos últimos tempos o histerismo chegou à esfera da nova eco-religião e já tentaram calar os dissidentes chamando-os também de fascistas.

Outra técnica é de mudar da descrição normal e linguisticamente correcta para uma mais eufemística. Prostitutas e prostitutos são agora promovidos a ‘trabalhadores de sexo’. O esquálido e perigoso comércio agora é ‘a indústria do sexo’, como se se tratasse de um respeitável ramo da economia, em vez de uma actividade onde imperam a miséria moral, a doença, a droga e o desespero.

Alguma gente tenta minimizar a gravidade da situação criada pelo terrorismo verbal chamando atenção ao lado cómico de certas inovações e eufemismos. Todavia, o ‘politicamente correcto’ não só funciona como censura mas também como um meio de transformar a realidade. Chamar as coisas pelos nomes é o primeiro requisito de qualquer discussão séria. Distinguir a realidade da fantasia é a primeira condição para qualquer análise política verdadeira.
As caixas de comentários dos blogues demonstram exemplarmente quem são os ‘logo-terroristas’ e quem merece a nossa atenção.

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14 thoughts on “O POLITICAMENTE CORRECTO E O ADVENTO DO LOGO-TERRORISTA

  1. “Todavia, o ‘politicamente correcto’ não só funciona como censura mas também como um meio de transformar a realidade. Chamar as coisas pelos nomes é o primeiro requisito de qualquer discussão séria. Distinguir a realidade da fantasia é a primeira condição para qualquer análise política verdadeira.”

    Exactamente.

  2. patricialanca

    Obrigada, André. É por isso que chamo David Cameron de oportunista e demagogo. Um abraço da Patrícia

  3. Euroliberal

    O pior de todos os discursos politicamente correctos é o da neo-coneiragem bushista. Segundo este, os patriotas que defendem a Pátria ocupada pelas armas já não seriam “resistentes” (como era costume desde a IIWW) mas “terroristas”… Il faut apeller un chat un chat. Logo, terroristas são os neo-coneiros e patriotas e resistentes são os que os abatem no Iraque, Afeganistão ou Líbano. Só no Iraque foram abatidos desde 6ª feira 15 terroristas cruzados ! Hurrah !

  4. CN

    Até posso concordar com parte do que escreveu mas o uso do “anti-semitismo” como instrumento de transformar uma análise objectiva numa fatha p.c. também é frequente. Todas as culturas étnicas-sociais produzem algumas regularidades que a caracterizam para o melhor e pior. Falar sobre esses costuma produzir esse acusação de “fobia”. No caso do Islão isso pode ser correcto quando se tenta ligar tudo o que de mau acontece como tendo causa directa na sua cultura como se fosse excepção. Esquecendo a luta ente Catolicos e Protestantes na Irlanda (para não falar dos séculos de guerra da reforma). No Sri-Lanka existem atentados suicidas e não são muçulmanos. Um Papa ficou associados ao nazismo mas a Prússia é que é estritamente protestante. OS Confederados Sulista são acusados de racismo e Lincoln um herói…

    Fugir a um p.c. e cair noutro também é frequente.

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  7. samuel

    Pronto, caros. Se a ideia é não ser “politicamente-correcto” e chamar os bois pelos nomes, aí vai…
    Este post é uma merda perfeitamente imbecil!
    Está bom assim?

  8. miguel

    Sem politicamente-correcto algum: a patrícia foi arranca a ferros não foi? só isso explicará o texto.. espero que ao menos não lhe tenham deformado a face, uma miúda gira dispensa bem a inteligência.

    AAA: alimentou o troll, mas alguma vez fez outra coisa? é para isso que a gente conta contigo pá!

  9. Há um «politicamente correcto» da esquerda folclórica e um «politicamente correcto» da direita ultra-capitalista. Normalmente estão em campos opostos, mas às vezes aliam-se, como se pode ver pelas políticas educativas na generalidade dos países desenvolvidos.
    De comum têm isto: o serem um «newspeak» destinado a tornar literalmente impensável o que não querem que se pense…

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