Os Intelectuais e o Socialismo

No seguimento do 108º aniversário do nascimento de Friedrich Hayek, aqui assinalado, é oportuno lembrar o ensaio, que este escreveu em 1949, “Os Intelectuais e o Socialismo” (PDF aqui):

In all democratic countries, in the United States even more than elsewhere, a strong belief prevails that the influence of the intellectuals on politics is negligible. This is no doubt true of the power of intellectuals to make their peculiar opinions of the moment influence decisions, of the extent to which they can sway the popular vote on questions on which they differ from the current views of the masses. Yet over somewhat longer periods they have probably never exercised so great an influence as they do today in those countries. This power they wield by shaping public opinion.

(…)

In every country that has moved toward socialism, the phase of the development in which socialism becomes a determining influence on politics has been preceded for many years by a period during which socialist ideals governed the thinking of the more active intellectuals.

Estas palavras eram verdade há cinquenta anos e continuam a ser nos dias de hoje. Muitos dos “negociantes de ideias em segunda-mão”, como lhes chamou Hayek, sem sentido pejorativo, continuam a propagar ideias socialistas ou genericamente antagonistas ao liberalismo clássico, aos mercados livres e ao individualismo. Não o fazem por ser parte de uma sinistra conspiração totalitária. Fazem-no, na maioria, por falta de conhecimento sobre os mecanismos dos mercados livres e por preconceito relativamente aos princípios filosóficos do liberalismo, cultivado ao longo dos anos a partir das “modas” intelectuais do final do século XIX.

Uma das consequências das observações de Hayek neste ensaio é a constatação da importância da disseminação das ideias nos meios intelectuais como forma de alterar a evolução da política. A criação do Institute of Economic Affairs (e posteriormente da Atlas Economic Research Foundation) por Antony Fisher foi inspirada nessa constatação e surtiu enormes efeitos. Hoje, muito mais que há quatro ou cinco décadas, existem meios adicionais de proceder a essa disseminação, como referi aqui.

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Um pensamento sobre “Os Intelectuais e o Socialismo

  1. Fernando S

    ” … a importância da disseminação das ideias nos meios intelectuais como forma de alterar a evolução da política.”

    Efectivamente !!

    Acrescentaria que esta constatação, embora aparentemente consensual, pode ter alguma relevancia em termos do debate entre “liberais” quanto às possiveis modalidades de intervenção na “politica” : simples agitadores de ideias ? existencia de diversos “movimentos liberais” com corpos doutrinais bem demarcados ; formação de um “grande partido dos liberais” ; “entrismo” em partidos conservadores, centristas, sociais democratas, etc ? ; salvaguardando uma certa autonomia na forma de uma ou mais correntes ou modelando as ideias liberais com elementos ideologicos com outras origens e historias ? etc, etc … E aqui os pontos de vista podem divergir … um pouco ?… muito ?.. !!….

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