Janela Indiscreta

Na área de Marketing, a escolha do nome de determinada marca é considerada como uma estratégia essencial para o seu sucesso. Face a um vasto universo de marcas que concorrem pela atenção do consumidor, um nome facilmente identificável com o produto pode tornar-se numa relevante vantagem competitiva.

Devo, por isso, felicitar os autores do “Ladrões de Bicicletas”. Este é um excelente nome para descrever um blog socialista!

O filme que lhes serviu de inspiração mostra-nos o desespero de Antonio Ricci que, com o seu filho Bruno, procura pela cidade a bicicleta que lhe foi roubada. Ora, numa Itália do pós-guerra marcada pelo desemprego, quem tem bicicleta é “rico”. A pobreza de Antonio é, contudo, evidente. Este meio de transporte foi um difícil investimento, necessário à melhoria de vida da família Ricci.

Perante tal angústia, a maioria de nós desejaria poder ajudar os Ricci. Os socialistas fariam-no através de políticas de redistribuição de riqueza em que o combate às “desigualdades” é mais importante que o conceito de propriedade privada. Para estes, os custos de oportunidade que afectam os proprietários de bicicletas (e quem deles depende) são minimizados ou mesmo ignorados. Porém, no final do filme, Antonio Ricci compreende a imoralidade de tais acções. Os bloggers do “Ladrões de Bicicletas” não foram além do lado emocional da história.


Isto a propósito de recente post do “ladrão” Nuno Teles dedicado ao sueco Gunnar Myrdal, economista que, em 1974, partilhou com Hayek o prémio Nobel da Economia:

Através do seu «Teoria Económica e as Regiões Subdesenvolvidas», [Gunnar Myrdal] dedicou-se à Economia do Desenvolvimento. Podem-se tirar três grandes conclusões deste trabalho: 1- sem políticas públicas activas a desigualdade tende a crescer, quer dentro dos países, quer entre estes; 2- é uma maior igualdade na distribuição do rendimento, e não o contrário, o grande alicerce do crescimento económico; 3- a intervenção do Estado é decisiva no lançamento do desenvolvimento dos países mais pobres ao desencadear um ciclo cumulativo virtuoso de crescimento.

Breves comentários:

  1. Será preferível um país com menor desigualdade e baixo crescimento económico a outro com maior desigualdade mas superior crescimento?
  2. “Maior igualdade na distribuição do rendimento é o grande alicerce do crescimento económico”??? Mas então como explicar o falhanço, em vários países, do mais igualitário sistema político? E porque os EUA apresentam, há décadas, taxas de crescimento do rendimento per capita superiores à relativamente mais igualitária Suécia, terra-natal de Myrdal?
  3. Se a intervenção do Estado resulta em “virtuoso crescimento” como explicar o comum fenómeno dos “elefantes brancos”?
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2 pensamentos sobre “Janela Indiscreta

  1. l.rodrigues

    Respondendo aos comentários:
    1. É. Aliás é só vantagens.
    2. Esse gráfico parece ignorar que antes, entre 1950 e 1970, nos estados unidos, a maior igualdade correspondia maior GDP per capita.
    3. Maus investimentos tanto são os públicos como os privados.

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