A importância da memória (3)

Comentário de João P. Noronha a este post:

Há um ano ou dois, o PSR acabou enquanto partido. Foi então criada a ASR – Associação Política Socialista Revolucionária cujos membros “actuam politicamente” através do bloco.

O órgão da ASR é o velhinho Combate. Leitura interessantíssima.

O site da Combate dispõe de uma Biblioteca Marxista. Nessa Biblioteca Marxista existe uma publicação chamada “Círculos Marxistas“. Um dos artigos – sobre a Revolução de 1905 na Rússia – é do António Louçã e termina assim:

“O férreo domínio do imperialismo sobre o planeta produz um cepticismo sobre o futuro da revolução mundial pelo menos tão arreigado como era, no início do século passado, o cepticismo sobre a possibilidade de uma revolução na Rússia. Os acontecimentos de 1905 provaram que não havia na Europa nenhum país demasiado atrasado para a revolução…

Do mesmo modo, constantemente deparamos hoje com sintomas de mal-estar social e de potencialidade revolucionária nos países mais improváveis. Assim como, há poucos anos, o mero incidente da agressão policial a Rodney King conduziu à revolta e ao estado de sítio em Los Angeles, também hoje assistimos à justificada ira dos pobres e deserdados de Nova Orleães…

… Não havia no início do século XX nenhum país na Europa demasiado atrasado para a revolução. Não há, no início do século XXI nenhum país no mundo demasiado avançado para a revolução.

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0 thoughts on “A importância da memória (3)

  1. Já agora, também eu vou citar o Combate, para os leitores perceberem melhor o conteúdo da revolução que se fala (não interpretem esta minha citação como uma subscrição do que vem a seguir):

    “O problema que na realidade enfrentamos não é o da relação entre democracia territorial e democracia no local de trabalho (a Comuna de Paris, os Sovietes e a Assembleia Popular de Setúbal em Portugal em 1975 eram estruturas territoriais), nem sequer a relação entre democracia directa e democracia representativa (todas as formas de democracia são parcialmente representativas). O problema é o de como a vontade geral é formada.”

    “A maioria das críticas ao modelo de democracia soviética dirigidas pelos Euro-comunistas (m) ou por Norberto Bobbio (n) é dirigida à sua tendência para o corporativismo: uma soma (ou pirâmide) de interesses particulares (paroquiais, do escritório e local de trabalho), ligados por um sistema de mandatos, não permitiria a criação de uma vontade geral. A subsidiariedade democrática possui também as suas limitações. Se os habitantes de um vale se opuserem à passagem de uma estrada ou se uma cidade for contra a existência de um centro de recolha de resíduos (de forma a transferir o problema para os seus vizinhos), então terá necessariamente que existir algum tipo de arbitragem centralizada. [18] Nos nossos debates com os Eurocomunistas sempre insistimos na necessária mediação (e pluralidade) de partidos de forma a que pudesse emergir uma síntese de propostas e contribuir para a formação da vontade geral a partir de pontos de vista particulares. Os nossos documentos programáticos progressivamente incorporaram a hipótese geral de uma dupla Câmara. Mas nunca nos aventurámos em especular sobre minúcias institucionais – os pormenores práticos mantém-se abertos à experiência.”

    “A segunda preocupação de Antoine Artous, designadamente a patente na sua crítica de Alex Callinicos, baseia-se na asserção de que a abordagem transitória deste termina no limiar da questão do poder. Esta ficaria por resolver por algum pouco convincente deus ex machina, (o) supostamente por um levantamento de massas espontâneo e pela emergência generalizada de democracia do tipo soviético. Apesar da defesa das liberdades políticas figurar claramente no programa de Callinicos, este não faria qualquer tipo de exigência de natureza institucional (por exemplo, a exigência de representação proporcional, uma assembleia constituinte ou uma câmara única, ou uma democratização radical).”

  2. Introdução ao artigo por mim citado:

    A revolução russa de 1905 durou, como o PREC, mais de um ano. O seu ponto culminante foi a greve geral de Outubro, que agora completa 100 anos. Muitas vezes se lhe tem chamado o “ensaio geral” para a revolução de Outubro de 1917. Na verdade, foi muito mais do que isso: foi a primeira revolução proletária do século e a prefiguração de muitas outras que estavam para vir. E estão.

    Os sublinhados são meus. A “prefiguração” e o “E estão” são ligeiramente aterrorizadores (eu sou assustadiço).

    disponível aqui: http://combate.info/index.php?option=com_content&task=view&id=47&Itemid=41

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