Cum caraças!

Pina Moura admite em entrevista ao Expresso que o convite que lhe foi dirigido pela Prisa, para presidir ao Conselho de Administração da Media Capital, proprietária da TVI, tem “um pressuposto ideológico”.
O socialista, que é também presidente da Iberdrola Portugal assume que continuará “a fazer política” mas agora nos média e garante que “não há nenhum projecto empresarial que não tenha objectivos políticos, nomeadamente na comunicação social”.

Isto já não está a ficar perigoso, está perigoso mesmo. Temos um Presidente da República que sem corar diz que duas pessoas com a mesma informação têm que chegar obrigatoriamente às mesmas conclusões, um Primeiro Ministro que diz que é a lei que dá a liberdade, um ministro que quer acabar com o jornalismo de “sarjeta” e agora um coiso que….nem sei.
Mais por intuição que outra coisa sempre me pareceu que os ex-comunistas têm uma má relação com o dinheiro. Parece que para justificar a riqueza que eventualmente ajudam a criar, precisam de embrulhá-la e pôr-lhe o laço da a ideologia e das intenções piedosas próprias de estalinistas. Mais que ninguém, estes ex-comunistas parecem carregar uma espécie de culpa apocalíptica e necessitam redimir-se. A redenção é convencerem-se que a colaboração que prestam ao monstro capitalista é só e apenas um outro caminho para que se cumpra o paraíso socialista. Ou Pina Moura se explica melhor ou alguém deve informá-lo que os projectos empresariais têm outra finalidade, que é o bem-estar de quem os inicia, o cumprimento de sonhos pessoais e a resposta a desafios individuais. Numa palavra: o lucro, seja qual for a forma que tome.

Via A Blasfémia.

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0 pensamentos sobre “Cum caraças!

  1. Cristina Ribeiro

    Desde o princípio pareceu-me um gato escondido de rabo de fora;agora descobriu-se todo.

  2. Não percebo porque motivo o Pina Moura é atacado. Quando a Prisa constitui uma nova direcção é natural que queira ter todas as áreas políticas representadas. Daqui a pouco tempo vem atacar a Prisa por só ter pessoas do Sporting e ninguém do Vitória de Guimarães representado… Haja pachorra!!

  3. Caro João Gomes, quero lá saber que o Pina Moura seja presidente do que ele quiser. Olhe, até pode ser Presidente da Junta que não me interessa. Interessa-me o que está a bold.

  4. Caro Helder,

    Parafraseando a conhecida frase de Berlin, lucro é lucro, não é “bem-estar de quem inicia projectos”, ou “cumprimento de sonhos pessoais” ou “resposta a desafios individuais”. (E isto tem a ver um pouco com a diferença entre “interesse próprio” e “egoísmo”, conversa mais antiga entre nós.)

  5. Tiago, aceito a crítica, irritei-me e está mal explicado. Tem, contudo, a ver com a maneira como vejo o lucro. Como um meio para as duas primeiras ou o resultado da terceira. Não é um fim em si mesmo. Quanto à outra discussão, ainda um dia hei-de conseguir explicar como entendo a diferença entre “rational egoism”, “egotism” e “interesse próprio”
    Obrigado pelo oportuno comentário.

  6. E eu repito a minha questão. Não sejam evasivos.

    Porque é que agora de repente é um ponto discutível neste blog o que ele ou qualquer outra pessoa faz com um respectivo cargo privado?

    Se não gostarem mudam de canal. They call it freedom of choice.

  7. E eu repito a minha questão. Não sejam evasivos.

    Porque é que agora de repente é um ponto discutível neste blog o que ele ou qualquer outra pessoa faz com um respectivo cargo privado?

    Se não gostarem mudam de canal. They call it freedom of choice.

    [possível post duplicado]

  8. u cumunista

    Pelos vistos o ex-comunista é o unico que nao se pode converter ao capitalismo!!!!!

    CAro helder… esta é a liberdade que voces tanto amam, apregoam e bendizem… porque nao praticas mais uma vez esse teu onanismo desenfreado dando vivas ao onanico capitalismo.

    A tolice tem os sue limites… mas a insurgencia tenta sempre estarna vanguarda do seu desenvolvimento. Temos compaixao por vos pecadores!!!

  9. Pegando na tua ideia João Galamba, que me parece correcta, podemos expandi-la para enfim, qualquer actividade filantrópica de iniciativa não coagida, privada e sem fins lucrativos.

  10. João,

    Em relação à definição de lucro, respondi ao Tiago.
    Não vejo ilegitimidade nem falta dela em nenhum objectivo dos projectos empresariais, sei é que em cerca de 300.000 empresas portuguesas poucas terão objectivos políticos, embora haja as que os têm e a Atlântico é um bom exemplo. o que me chateia é o que está a bold: “não há nenhum….”. Esta convicção é típica do processo de auto-redenção de ex-marxistas que se tornaram agentes do capitalismo.
    Se esta questão da Prisa for ilegítima não é por essa razão. Se os partidos querem ser proprietários de meios de comunicação, não seria eu que tentaria impedi-los, pelo contrário.

    Filipe,
    releia lá outra vez e verá que as razões que acho mais importantes incluem “qualquer actividade filantrópica de iniciativa não coagida, privada e sem fins lucrativos.”

  11. Jose Sarney

    Desculpe lá, Helder,

    Mas a Prisa tem todo o direito a fazer o que quiser!

    Penso que os accionistas da Prisa querem maior return on equity. Apenas isso. Se o conseguirem com o Pina, óptimo. Se não o conseguirem, metem-no na rua, independentemente de ele ser Xuxalista! Isso é óbvio.

    O Rupert Murdoch tem simpatias de direita, mas apoiou Blair, mas o que o preocupa verdadeiramente é que o Sun, a Fox, o Times and so on, tenham audiência, vendam jornais, e publicdade.

    O resto, são sound bites!

    Money talks, bullshit walks!

  12. Caro Jose Sarney,

    estou-me literalmente nas tintas para a Prisa e para o plano de negócios deles, métodos, accionistas,etc. A mesma coisa para quem é o CEO deles em Portugal ou no Kazaquistão. Se a “direita” portuguesa se sente incomodada, preparem um acordo com a COPE e quando forem governo vendam-lhes o canal 1 e “facilitem” outros negócios nos media.
    Repare que mencionei Cavaco Silva e Sócrates. O que me incomoda é esta visão colectivista/totalitária que parece unânime nos detentores do Poder (Pina Moura é, objectivamente, detentor do Poder também, de uma maneira ou de outra). Podia incluir outros, de Mário Lino e Paulo Campos ao STJ. Uma alcateia perigosa.

  13. lucklucky

    Talvez o “não há nenhum” seja exagerado se incluirmos as revistas técnicas. Tirando isso não conheço nenhum jornal generalista ou local que não obedeça a uma visão política.

    A comunicação social é composta vários lobbis políticos nem que seja só para defender a “situação”. Só como acessório legitimador vem a informação “serviço público”.

    Em resumo discordo do post. A quase totalidade dos projectos de comunicação social é também um projecto ideológico.

  14. lucklucky, “projecto empresarial” ou seja qualquer um, da venda de sandes de couratos à exploração espacial e, depois, “nomeadamente…”.
    Mas pronto, está bem, já percebi que não arranjo maneira de me explicar melhor. 🙂

    Se os fundadores da YDreams, da Salvador Caetano, do BPI, do café na praça aqui ao pé e do negócio no Edifício Transparente tinham um objectivo político, rendo-me. Senão expliquem-me por favor que eu agradeço. Aceito desenhos, caixas de areia ou sob a forma de telegrama cantado. Muito obrigado.

  15. Pingback: O Insurgente » Blog Archive » Dark Eminence

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