Os trabalhos de Sócrates

A Semana Política
08/04/07-14/04/07

Depois de semanas marcadas pelo amontoar de dúvidas acerca do seu percurso universitário, Sócrates foi a RTP para as esclarecer todas. A RTP agradeceu o favor (as audiências foram boas) e Sócrates ainda mais. Pois não só teve a oportunidade de falar confortavelmente sobre as “campanhas” contra a sua pessoa, como lhe ofereceram uma segunda parte da entrevista cuja única diferença em relação a um tempo de antena do PS foi a presença adicional dos acenos concordantes de Maria Flôr Pedroso.

Sócrates lá deu as suas explicações. Mas explicações para o que se sabia antes da entrevista. Entretanto, soube-se que o “reitor” que lhe dera as equivalências não era reitor da UnI, vieram a lume certificados assinados com data de 1996 com indicativos de números de telefone que só surgiram em 1999, incongruência que seria explicada por se tratar de uma “segunda via” feita em 2000, embora não se perceba porque foi então datada de 1996 e não da altura em que foi feita. Tal como passou a ser do conhecimento público a existência de dois certificados diferentes com cadeiras e notas diferentes. Talvez Sócrates dê outra entrevista à RTP para “explicar” isto, e, ´como quem não quer a coisa, para fazer mais um pouco de propaganda.

Uma coisa é certa: em toda esta confusão, Sócrates menosprezou por completo o parlamento. As “explicações” que deu foram dadas na televisão (e à televisão tutelada pelo seu governo, não numa conferência de imprensa aberta a todos os órgãos de comunicação, que poderia trazer mais imprevistos ao Primeiro-Ministro). O Parlamento, a instituição de quem o Primeiro-Ministro depende, não foi tido nem achado. Alguns deputados ainda fizeram algumas declarações para a televisão, na sua maioria inócuas. Marques Mendes pediu a realização de uma investigação independente sobre o “caso”, mas não exigiu a presença do Primeiro-Ministro na Assembleia, para responder às questões que os deputados lhe possam querer colocar. Pode não ser clara a forma como sócrates obteve a sua licenciatura. Mas é clara a forma como a Assembleia da República, que nos representa e deveria assegurar o controlo democrático do exercício do poder, tem vindo a ser olimpicamente ignorada no meio de toda esta confusão.

Um pensamento sobre “Os trabalhos de Sócrates

  1. Não há nenhuma questão de governação em causa. Muito pelo contrário, nem tem sido posto nada em causa, a nível de governação.

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