Carta aberta a José Sócrates

Artigo de Vicente Jorge Silva no Diário de Notícias.

Goste-se ou não, o que está neste momento a ser escrutinado não é a qualidade de um Governo mas a qualidade de carácter do seu chefe. E o juízo feito sobre esse carácter acabará por influenciar decisivamente a confiança que os cidadãos depositam em si e no seu Governo.(…)

O sr. primeiro-ministro deixou arrastar demasiado tempo um episódio que deveria ter esclarecido assim que ele se tornou público (…) A sua vitimização como alvo de uma campanha de assassínio de carácter não só não o ajudou como envenenou ainda mais o clima de suspeição que já pairava à sua volta. As canhestras tentativas de pressão de alguns dos seus assessores junto de certos media para impedir a difusão do folhetim, somadas às sucessivas correcções do seu currículo académico no site do Governo, só pioraram – só podiam ter piorado – as coisas. E à medida que se iam conhecendo novos pormenores obscuros e pouco compreensíveis do caso, a dificuldade de explicar o que deveria ser transparente tornou-se ainda maior. Receio, por isso, que seja já tarde para uma explicação que dissipe definitivamente as nuvens que se têm avolumado.(…)

Permanece misterioso o facto de uma universidade que no último ano acumulou tantas situações de descalabro e se transformou num caso de polícia tenha merecido, num passado ainda muito recente, apreciações positivas por parte das inspecções escolares. Como se compreende este mergulho súbito no abismo, quando não existiam oficialmente indícios anteriores de que isso poderia ocorrer? Há aqui, com efeito, excessivas contradições e numerosas peças que não encaixam no puzzle.

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0 pensamentos sobre “Carta aberta a José Sócrates

  1. Ricardo

    Desde que o Vicente Jorge Silva deixou a Assembleia da República começou a escrever uma coisas interessantes. Lembro-me da análise que fez há poucos meses sobre o desvio de direita do governo de Sócrates e a descaracterização do PS.
    Mas, como tem sido anunciado pela Antena 1 (RTP), esta noite a RTP irá fazer o frete de reencaminhar o debate político, mais mediatizado destas últimas semanas, para o que verdadeiramente interessa. Haja gente com juízo e verdadeiro sentido de estado…

  2. “(…)juízo feito sobre esse carácter acabará por influenciar decisivamente a confiança que os cidadãos depositam em si(…)” . A modéstia dos jornalistas sempre foi uma coisa que me impressionou e a percepção da realidade que os rodeia também. Com que base o opiniador escreve isto?

  3. José F.

    Caro Miguel,
    Por vezes as pessoas são avaliadas não pelo essencial, mas pelo acessório. É o caso do PM. Mas o que se deve avaliar são a função das Universidades, nomeadamente as privadas. Qual é a relação delas com a classe politica. Qual é o seu fim? Quais os politicos que tiraram cursos lá? Em que condições e como? Que outros negócios têm estas universidades? Que pareceres ou estudos o estado encomendou a estas universidades, e com quem é que elas se relacionavam? Quem são so seus professores, ou professores “convidados”?
    Se tudo isto se esclarecer a partir do caso do PM será bom.
    Mas porque é que o PSD e o PP estão calados? Porque é que o Público só agora despoletou a noticia? Que interesses prosseguirá a SIC notícias? O que faz correr também tanto o seu director de informação?

  4. Caro José F

    Como disse no primeiro post que publiquei sobre este “caso”, não me interessa particularmente saber qual o grau de escolaridade do PM. Interessa-me saber se mentiu deliberadamente e se tentaou ocultar o caso.

    As relações entre o poder político e as universidades privadas (não esquecer que as segundas dependem do primeiro para poderem sequer existir) são um caso que merece investigação.

    Mas o que me interessa é, sobretudo, a primeira questão.

  5. andrec,

    não venha atirar poeira para o ar; alternativamente, não seja parvo.

    Ninguém está a discutir o canudo do Sócrates, e sim a extensão do embuste perpetrado pela classe política, avatarizada no Sócrates.

  6. Até lhe digo mais. Segundo afirma o jornal Sol, o PM terá uma pasta com documentos que pretende usar para colocar um ponto final no assunto.

    Os documentos valem o que valem, a questão jamais foi se existiram ou não, mas sim por que meios os terá obtido, e sob que condições. Em suma, da validade desses mesmos documentos.

    Parece que andamos a brincar aos totós. Só que, ao contrário da Ota, o preço aqui não se mede em casinhas novas para os entalados bancários, nem nos milhões da EU: aqui, paga-se com a liberdade de expressão, a mesma que o Salazar tentou matar para depois vir ser eleito, talvez por comparação com esta tentacular parvocracia, o português de sempre.

  7. José F.

    Caro Miguel,
    Mesmo na sua linha de raciocínio, uma coisa será “mentir deliberadamente”, outra coisa será “tentar ocultar o caso”. A primeira situação enquadra-se na mentira, mas a segunda não. Pessoalmente nunca minto, mas obviamente só digo o que quero, quando quero.
    Contudo acho que se insiste muito no pormenor, branqueando o que está por detrás disto tudo. Vê-se a “árvore”, mas não se olha para a “floresta”.
    E tudo isto numa altura em que Portugal necessita de um governo forte para dar sequência à excelente presidência alemã da UE…

  8. Pedro Martins

    Este tema já “mete nojo”
    Preocupem-se com o que realmente interessa!
    Crianças a nascerem nas auto-estradas e em Badajoz (traição à pátria por parte do ministro), polícias na miséria e sem condições, universidades sem verbas, desemprego sério, inclusive entre os verdadeiros doutores, aumento da criminalidade violenta, etc.

    Perderem tempo com insignificâncias só revela que a oposição a este primeiro ministro do principal partido da oposição é a mais fraca de sempre, em grande parte devido à incompetência política do Licenciado Marques Mendes.

    Na minha opinião a entrevista ao primeiro ministro no canal publico foi conduzida por uma jornalista que mais parecia um investigador da policia judiciária com uma troca de olhares deplorável com o colega. O que realmente interessava ficou na gaveta!
    È engraçado neste pais de doutores (gozado em toda a Europa por isso) acusarem o primeiro ministro e colocar o titulo de engenheiro, quando a grande maioria dos licenciados que andam por aí também o faz (com o Dr). Qualquer licenciado no resto do mundo é tratado por senhor ou senhora.

    Em relação à forma como o primeiro ministro obteve a licenciatura na UI, faça-se uma investigação a todos no parlamento. Só por o político ter o cargo que tem é que deve ser investigado? E os outros? Os que se designam políticos profissionais, os das jantaradas e palmadinhas nas costas.
    Que pais este! É necessário uma purga.

    Preocupe-se os Portugueses com o estado do pais. Haja vergonha entre os políticos de todos os quadrantes.
    Haja vergonha entre os jornalistas, a jornalista da Antena 1 que lave a boca com creolina.

    As melhoras ao país

    Doutor Pedro Martins

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