Dedicatória do Hamas a Sampaio

De acordo com as nobres intenções do soba do Hamas, pode muito bem surgir uma nova intifada, caso o perverso Ocidente não se deixe de mariquices e de embargos financeiros ao terrorismo governo indígena. O mesmo cavalheiro jura que o lançamento diário de mísseis sobre Israel vai continuar, com vigor, presume-se. Este verdadeiro animal político não se fica por aqui. E com aqueles legítimos pressupostos, pretende alargar a trégua a Gaza e a outros territórios palestinianos. Com tanta ternura demonstrada pelo senhor Meshal, apesar de tentar manter alguma serenidade, confesso estar muito comovido.

Leitura recomendada: Haaretz.

Leitura muito recomendada

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O essencial: a condenação a prisão perpétua dos cinco terroristas ligados à Al-Qaeda que planeavam ataques devastadores em Inglaterra. O curioso: saber o que pensam os meninos e meninas da manifestação de extrema-esquerda do outro dia sobre os ditos terroristas.

O Essencial e o Curioso, escrito por Paulo Tunhas no blogue Atlântico.

Foto da CNN.

Britain becoming a Big Brother society, says data watchdog

The Independent

Britain is in danger of “committing slow social suicide” as such Big Brother techniques as surveillance cameras and recording equipment spread into every aspect of our lives, the nation’s information watchdog will warn this week.

A new report from Richard Thomas, the information commissioner, will say that the public needs to be made more aware of the “creeping encroachment” on civil liberties created by email monitoring, CCTV and computer tracking of our buying habits.

It is understood that one of the concerns in Mr Thomas’s report is the use of special listening devices which can be placed in lamp posts, street furniture and offices. These are already widely used in the Netherlands to combat crime and anti-social behaviour.(…)

On Tuesday, Mr Thomas, who last year warned that Britain was “sleepwalking into a surveillance society”, will tell the committee at its first hearing that new safeguards must be introduced to protect the public from the increasing intrusion of surveillance into their daily lives.

Civil liberty campaigners have already warned that Britain is becoming a Big Brother society where its citizens are increasingly being watched. There are more than four million CCTV cameras in this country, one for every 14 people, and the national DNA database which was set up by police to combat crime now holds 3.5 million profiles.

(via A Arte da Fuga)

Distopia Regressiva

Anthem foi o segundo livro de Ayn Rand, publicado em Inglaterra no ano de 1938, depois de Rand não ter conseguido um editor nos EUA (facto que mostra bem o ambiente cultural americano da altura). Colocado entre We The Living (sobre o qual escrevi aqui) e os muito mais conhecidos The Fountainhead e Atlas Shrugged, Anthem tem a característica curiosa de estar, por lapso do editor, no domínio público nos Estados Unidos, que na altura não eram signatários da Convenção de Berna sobre copyrights. Por esta razão, está disponível livremente na internet.

Em termos filosóficos, Anthem é uma espécie de prelúdio às ideias subjacentes aos livros seguintes de Rand. Em termos literários é uma peça muito interessante, tanto ao nível da forma, com uma linguagem que se aproxima de um “poema em prosa”, como na sua singulardade: É a única obra do género – ficção futurista que representa sociedades distópicas – e do periodo – antes de ser conhecida a verdadeira extensão da falência dos sistemas socialistas – onde o futuro é mostrado como uma distopia regressiva, civilizacionalmente decadente, consequência directa das ideias dominantes na sociedade nele descrita. O mais conhecido Mil Novecentos e Oitenta e Quatro de George Orwell, escrito dez anos mais tarde, apresenta uma distopia progressiva (um futuro cientificamente avançado); tal como Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley, ou Nós, de Ievgueni Zamiatine.

Podemos dizer que a opção de Rand por esta evolução incomum é, em primeiro lugar, visionária e, em segundo, solidamente fundamentada nas ideias por ela defendidas. Estas ideias são, resumidamente, que o mal é impotente e que a criatividade individual é a fonte do progresso da humanidade.

O mal é impotente porque é, pela sua natureza, parasitário. A força do mal só é conseguida à custa da capacidade produtiva do bem e da cooperação forçada de indivíduos inocentes. Contudo, a prazo as pessoas deixam de dar o seu melhor sob coação. Rand não chegou a assistir ao colapso final da União Soviética, mas teria certamente reservado um “I told you so” para quem a criticou, cinquenta anos antes, por “não perceber” como a gestão científica da economia soviética haveria de resolver todos os problemas do mundo.

A criatividade individual é a fonte do progresso da humanidade porque são indivíduos livres e independentes que produzem saltos qualitativos na evolução do conhecimento; saltos esses que permitem a produção de utensílios, produtos e ideias que aumentam o nível de vida e o bem estar das pessoas. Não é nenhum indivíduo em particular que domina todo o conhecimento; todos “bebem” nas ideias uns dos outros para derivar os seus contributos. No entanto, são esses saltos individuais, essencialmente anárquicos na medida em que não seguem nenhum plano, que permitem o progresso; qualquer tentativa de planear centralmente o progresso acaba por secar a criatividade individual, levando a um colapso regressivo.

As razões da extrema-esquerda

Sabem por que razão alguma esquerda aparenta tanta inquietação com o surgimento da extrema-direita? Porque a extrema-direita diz exactamente o mesmo que a extrema-esquerda e o efeito é de espelho. A saber: “não ao capitalismo selvagem”, “não à globalização”, “pela protecção dos trabalhadores portugueses”, “é preciso proteger as empresas portuguesas”. O PNR tem um discurso próximo do PCP, do BE e da ala mais à esquerda do PS. Basta lembrar a França, onde Le Pen colheu muitos votos do antigo Partido Comunista francês, hoje reduzido a 2 pontos percentuais. É disso – e sobretudo disso – que a esquerda tem medo. Não valia a pena era exagerar.

Paulo Pinto Mascaranhas, no blogue Atlântico.

Um 25 de Abril animado

A Semana Política
22/04/07-28/04/07

Na cerimónia de comemoração dos 33 anos do 25 de Abril, na Assembleia da República, o Presidente da República pediu aos “jovens” que não se “resignassem”. Se os “jovens” tiverem ouvido o discurso de Maria de Belém, deverão ter ficado revoltados. Não há ninguém que oiça um discurso sobre como “era Primavera” e “cheirava a madrugada” sem um profundo sentimento de revolta. Foi também esse sentimento que transpareceu do discurso d’Os Verdes, reclamando mais uma vez que “Abril está por cumprir”. Tanto o PCP como o BE se queixaram, e bem (nunca o caro leitor esperou ver aqui no Insurgente um elogio a comunistas e bloquistas), da possibilidade do Governo português deixar cair a promessa de um referendo à “Constituição” Europeia caso a sua ratificação volte à ordem do dia. Mas a intervenção que animou este 25 de Abril foi a do deputado do PSD Paulo Rangel.

Num dia em que todos enchem a boca com a “liberdade”, Paulo Rangel teve a coragem e a lucidez de mostrar como a “liberdade” está ameaçada, como “nunca como hoje se sentiu este ambiente de condicionamento da liberdade”, como hoje vivemos uma “claustrofobia democrática”. E não apenas devido à “grande apetência do poder executivo para conhecer, seduzir e influenciar a agenda mediática”, mas também, como Rangel bem notou, devido à “conjugação de uma grave situação económica com um discurso (…) de auto-elogio maniqueísta, de optimismo compulsivo” que promovem “uma atmosfera propícia ao medo (…) do exercício da liberdade crítica, e da assunção pública da divergência”, que tem como resultado o facto de, “não apenas os media”, mas também a “sociedade portuguesa” ver a sua liberdade “condicionada”. O facto de o Primeiro-Ministro, com a arrogância que caracteriza a personagem, ter acusado Rangel e o PSD de “bota-abaixismo” (numa expressão de uma riqueza que só fica atrás da “pimenta no rabiosque” de Armando vara) apenas dá razão ao deputado do PSD.

A LIBERDADE DE EXPRESSÃO ESTÁ GRAVEMENTE AMEAÇADA

A CENSURA ESPREITA E VEM DE BRUXELAS

Na revista on-line Spiked desta semana Frank Furedi lança o alarme contra o aumento assustador de tentativas de açaimar quem não adere às ordens de Bruxelas.
Aconselhamos a leitura atenta deste artigo sobre o processo de transformar a sociedade numa Sala 101, o sítio descrito por Orwell na sua obra ‘1984’.

Turning society into Room 101
‘In denial’, ‘phobic’, ‘hateful’… increasingly, certain kinds of speech are depicted as a sickness, and censorship is seen as the cure.
Brendan O’Neill

Censorship is entering into a dangerous new dawn. In the past, certain ideas and forms of speech were silenced on the (usually overblown) basis that they were immoral, corrupt, a threat to ‘national security’ or ‘public safety’. Today, thoughts and speech that fall foul of the mainstream are depicted as a mental defect, a pathology, a sort of virus that requires therapeutic intervention and corrective education. People are silenced because they are ‘in denial’ (of the Holocaust or climate change), or because they’re ‘phobic’ (whether Islamophobic or homophobic), or because they spread ‘hate speech’ (they’re consumed by irrational hatred). All of these new censorious categories – denial, phobia, hatefulness – speak to the pathologisation of certain ideas. Speech is increasingly depicted as a sickness, and censorship as the cure. Continue a ler “A LIBERDADE DE EXPRESSÃO ESTÁ GRAVEMENTE AMEAÇADA”