Artigo de Pedro Pitta Barros sobre o mercado de comunicações móveis.
É natural que as empresas já estabelecidas no mercado considerem que existem sempre concorrentes a mais. Num mercado onde a entrada se faz apenas mediante autorização de uma entidade reguladora, quem já está instalado procura transmitir a impressão de que não existe espaço para mais. Quando além disso uma das empresas enfrenta ano após ano dificuldades em apresentar rentabilidades que assegurem a sua sobrevivência a longo prazo, é natural que se equacionem soluções que passam pela concentração de empresas. Para as empresas que já estão a operar, segundo modelos que definiram há anos atrás, esta poderá surgir como a melhor solução para as dificuldades de uma delas.
Mas quem está de fora terá eventualmente opinião diferente. Em particular, não se pode excluir o interesse em experimentar novos modelos de negócio, ou alargar para as modelos de negócio próximos. Haverá, talvez, um excesso de optimismo quanto à capacidade de conseguir fazer vingar uma quarta licença para comunicações móveis. Aliás, as telecomunicações em Portugal têm visto entrada e subsequente saída de empresas. Não há razão para pensar que o mesmo não possa suceder também neste caso. Porém, não cabe à entidade reguladora tomar o lugar das empresas na definição das suas estratégias empresariais. Estas são as melhores juízes dos seus interesses. É importante que o mercado não fique fechado. Só assim se poderá ensaiar novas tecnologias e abordagens ao mercado.
Muito bem. Excelente artigo.
E em que língua fala o Mercado?
E eu que pensava tratar-se de uma realidade metafísica. O Deus Mercado adoptou o esperanto?
“E eu que pensava tratar-se de uma realidade metafísica.”
Admito que um socialista não consiga conceber o mercado senão como uma entidade metafísica. Cumpre-me esclarecer que quando falo de “mercado” me refiro aos agentes que nele operam.