A DISCRIMINAÇÃO POSITIVA VIRA-SE NEGATIVA

O governo de Blair quer imitar a prática comunista


A engenharia social do New Labour quer imitar a prática comunista quanto ás condições de entrada para a universidade.

Com cada dia que passa temos mais provas da penetração marxista no regime ‘social-democrático’ liderado por Toni Blair.
Antes, porém, de falar do Reino Unido queria recordar dois casos ilustrativos do que se passava nos países comunistas.

Nos anos setenta recebi a visita de um professor inglês, desses que queriam ‘estudar a nossa revolução’. Era, de facto, um assíduo estudante. Fazia visitas regulares aos países comunistas da Europa oriental. Levava literatura subversiva aos dissidentes para ajudar-lhes na produção de samizdat.
Uma das coisas que me contou foi dum novo problema que começava a surgir nesses países. O da desilusão da nova classe média oriunda das antigas classes desfavorecidas. Filhos de operários e camponeses, eles tinham beneficiado, logo a seguir à instauração do regime comunista, das novas leis obrigando as universidades a discriminar em seu favor. Encheram as faculdades enquanto os filhos da antiga ‘burguesia’, independentemente das notas, tinham dificuldades em entrar para a universidade. O problema agora era que os filhos dessa geração já não eram filhos de classes desfavorecidas e, por seu turno, estavam a ser discriminados. Era uma das razões, disse o professor inglês, da crescente desilusão dessa nova classe média com o comunismo. Tinham começado a perceber que a sua ascensão social era coisa temporária.

Outro exemplo é de um amigo meu, romeno, um geofísico que tem tido uma carreira de sucesso no ocidente. Teve a sorte de sair legalmente da Roménia comunista nos princípios dos anos 60 por ter ganho uma bolsa de estudos concedida por uma organização estrangeira; acabou por fazer um doutoramento em Cambridge e ficar no ocidente. Apesar de tudo ele hoje não se sente realizado. Desde da infância queria ser arquitecto mas foi obrigado a entrar para geologia porque a sua origem burguesa (o pai era farmacêutico e não era comunista) não permitia a escolha. Só podia estudar uma matéria menos concorrida e de urgente interesse nacional. Agora com sessenta e tal anos não perdoa o regime comunista e vê com amargura o que está a acontecer no país que lhe deu asilo.

Estas duas histórias ilustram as contradições inerentes a este tipo de engenharia social.

Já há muito que o governo de Tony Blair tem vindo a pressionar as universidades do Reino Unido, e especialmente as de mais prestígio, no sentido de favorecer a entrada de candidatos ‘pobres’. Até aqui tem sido uma questão de aceitar candidatos com notas inferiores. Agora, parece que a discriminação vai ser mais rigorosa. O governo está a preparar legislação para obrigar os candidatos à universidade a revelar as habilitações literárias dos pais. E não escondem que o propósito desta medida é de discriminar no sentido negativo os filhos da classe média.

Resta a saber qual vai ser a sorte dos filhos da nomenklatura que se construiu nestes anos do domínio do New Labour.
Ler mais em:

http://www.telegraph.co.uk/news/main.jhtml;jsessionid=BWYXVMDUGPFO3QFIQMFSFFOAVCBQ0IV0?xml=/news/2007/03/16/nuni16.xml

2 pensamentos sobre “A DISCRIMINAÇÃO POSITIVA VIRA-SE NEGATIVA

  1. Eh a mesma coisa que o governo Lulla esta instituindo no Brasil… Quotas em universidades para “negros”. Coloquei entre aspas porque nem isso eh verdade, o Brasil tem menos de 5% de habitantes negros. A maioria eh parda, mestica, mulata.

    E para os outros pobres nao-negros e negros, esta dando bolsa em universidades particulares. Aquelas, sabem, de “altissimo” nivel de ensino… Tsc tsc tsc.

  2. Pobre do geofísico romeno ao qual o estado comunista obrigou a ter uma bolsa e a ir estudar para Cambridge, ou dos filhos dos operários de Leste, promovidos neste texto a classe média, que não conseguíram entrar nas Universidades. E por fim, pobre classe média, que com as políticas neoliberais não tem nem um tostão e também não a deixam entrar nas Universidades de Inglaterra.
    O que era bom era deixarem-se de “engenharias sociais” e só licenciar os que são Drs. desde o berço!
    Obrigado por este “texto Floribela”.

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