Locusts and other plagues

Se em 2005 o Sr. Müntefering, então secretário-geral do SDP alemão, chamou às empresas de private equity uma praga de “locusts” (um insecto parecido com um gafanhoto), a verdade é que estamos a ser assolados por outra: uma praga de controleiros. E a praga já chegou até a jornais como o Financial Times, que tinha obrigação de não cair nesse tipo de demagogia. Na edição de 24 de Fevereiro, o seu editorial critica a falta de informação associada à private equity, aparentemente esquecendo que esta é, bem, como dizer? Private?

Dando de barato a questão da performance de fundos privados, apesar de achar que só um investidor completamente idiota é que colocaria dinheiro das mãos de alguém sem averiguar minimamente da idoneidade, competência e track record dos gestores, acho especialmente despropositada a ideia do editorialista do FT de que as empresas participadas por fundos de private equity deveriam fazer disclosure público da sua actividade:

“(…) the wider world wants to judge (…) whether private equity is a good steward of the companies it invests in. (…) When a large public company is bought by private equity it vanishes. Whereas once there were regular earnings releases, annual reports and answers to shareholder questions, suddenly there is a blackout. (…) The likes of Permira and KKR are probably doing a lot of things right. But unless they publish more detailed financial information it will be impossible for employees and the general public to understand what those things are. Large companies that have undergone a buy-out should, therefore, continue to publish annual reports as they did when they were listed.”

Desde quando é que o “wider world” e o “general public” tem de meter o nariz nos assuntos internos de uma empresa privada que, ainda por cima, não é cotada em bolsa? Será que o editorialista do FT acha que as obrigações de disclosure das empresas cotadas em bolsa são para informar a “opinião pública”, em vez de para informar os seus accionistas? As empresas são do “povo” ou dos seus donos?

2 pensamentos sobre “Locusts and other plagues

  1. Luís Lavoura

    Concordo com o post. No entanto, lembro que ainda há pouco tempo vi uns liberais da blogosfera lusa insurgirem-se fortemente por os acionistas da PT terem votado em assembleia-geral que os estatutos da sua empresa continuariam “bloqueados”. Ora, é para mim evidente que ninguém tem nada a ver com os estatutos da PT a não ser os seus acionistas, ninguém tem nada que criticar que os donos da PT (os seus acionistas) queiram que os estatutos da sua empresa tenham uma certa e determinada forma particular.

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