NAZIS E COMUNISTAS: 3ª Parte

O politicamente correcto Em poucos anos o conceito do ‘politicamente correcto’ e a sua aplicação alastraram-se por todo o mundo ocidental. Atingiram todas as classes sociais e profissionais e todos os níveis educativos. Do doutorado universitário ao empregado de balcão quase todos foram atingidos. Só os analfabetos, os surdos e os visceralmente irreverentes tiveram alguma protecção contra o que mais parece um vírus virtual do que um fenómeno linguístico. 

Foi o comunismo que entrou e tomou posse das cabeças das pessoas.

E a vítima sucumbiu sem perceber o que lhe tinha acontecido. 

Os nazis, com toda a sua monstruosidade, nunca conseguiram tal proeza. Primeiro porque os meios de comunicação nos anos trinta e quarenta foram outros. Segundo porque, como já foi notado, o nazismo dirigia-se ao nacionalismo germânico e os seus crimes foram outros. 

O politicamente correcto atingiu especialmente a língua inglesa, que acabou por sofrer mudanças notáveis. Mas o português também. Quem ousa hoje dirigir-se à uma manifestação sem iniciar a sua peroração: ‘Portuguesas e portugueses…’. O masculino já não inclui o feminino. Felizmente a Senhora Dona Maria continua a mesma porque nós não distinguimos as solteiras das casadas. Enquanto a coitada da ‘Mrs’ ou ‘Miss’ Mary Smith agora é Ms Smith. E, que eu saiba, ainda não chegamos a encontrar para os deficientes versões portuguesas de ‘visually challenged’, ‘orally challenged’ e semelhantes parvoíces. 

Na nova ordem deve-se evitar mencionar origens étnicas, mesmo onde seria útil indicá-las. Mas aplicámos a discriminação quando se trata de quotas e outras ‘discriminações afirmativas’.  

Foi na anglo-esfera que o politicamente correcto chegou aos extremos. Foi além da área da linguagem para atingir a vida prática. O serviço militar e a educação física têm que ser igual para todos independentemente do facto que a força física média das mulheres é mais de 30 por cento inferior à força física média dos homens. Ou não somos todos iguais?  

Dormitórios unisexo em muitas residências universitárias. Por vezes as instalações sanitárias também. E, cúmulo das indignidades, a imposição do unisexo em muitos hospitais. Apesar de repetidas promessas do governo Blair esta aberração continua em alguns hospitais (certamente inspirada mais por razões económicas do que ideológicas). A imprensa dá conta de experiências de pesadelo de idosas sujeitas ao internamento em salas unisexo para doentes terminais. Incluindo violações de velhinhas doentes  por velhotes hiperactivos! 

Donde é que vem o culto do politicamente correcto? No que se trata da linguagem e reduzido à sua essência, é o culto da autocensura. Nos anos quarenta uma revista cultural marxista, Masses and Mainstream, patrocinada pelo PC americano, publicou um artigo que teve importantes repercussões. Intitulava-se: ‘Words and White Chauvinism’ e alertava o leitor contra palavras e expressões que, parecendo inocentes, seriam na realidade racistas. Daí em diante, por todo o mundo ‘anglo’ a esquerda começou a ter cuidado com a linguagem. A palavra ‘chauvinismo’ adquiriu novas conotações. Apareceu a ideia do ‘male chauvinism’ Por volta de 1950 os antropólogos e sociólogos, que já tinham conseguido a viragem à esquerda dessas profissões, redescobriram dois especialistas em linguística chamados Edward Sapir e Benjamin Whorf. Estes tinham desenvolvido a tese que a linguagem molda o pensamento. Não foram originais. Antes deles, até na antiguidade, houve quem pensasse o mesmo. 

Havia outros que já tinham posto a ideia em prática. ‘Não diga “Rússia”, camarada. É politicamente incorrecto. Diz-se “União Soviética” ou “URSS”— terás que modificar a tua linguagem e eliminar todos esses conceitos burgueses!’ E os camaradas obedeciam. Dentro em breve era possível identificar um comunista pela sua maneira de falar. Cá em Portugal a PIDE estava bem a par das bizarrias dos comunistas, e alguns foram parar à cadeia por causa delas. 

Orwell compreendeu como o esquema funcionava. Descreveu-o em pormenor no seu romance 1984, onde o regime do Big Brother conseguiu impor o newspeak. Descreveu também o efeito deste processo: o estrangulamento do pensamento independente, a humilhação intelectual e, por fim, a desarticulação da sociedade. É a isso que, sem      grande oposição,  estamos a assistir actualmente.  

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2 thoughts on “NAZIS E COMUNISTAS: 3ª Parte

  1. Cristina Ribeiro

    É um grande prazer ler os seus textos,Patrícia,sabendo,além do mais,que se fundam num saber feito de experiência.

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