Coisas que aprendi nos últimos dias

1. Toda a gente tem de gostar da música de José Afonso. Quem não gosta é fascista.
2. Quem gosta da música do José Afonso e não gosta do José Afonso é fascista
3. Quem durante o PREC defendia ideologias totalitárias lutava pela liberdade. Quem se opunha a elas era fascista.

0 pensamentos sobre “Coisas que aprendi nos últimos dias

  1. Eu vou dizer isto só mais esta vez: há uma diferença abissal entre não gostar e não ouvir ou dizer-se que não presta. Negar a qualidade da música do JA só pode explicar-se como projecção para o âmbito artístico de opiniões políticas. Pronto, já me insurgi tudo o que queria insurgir-me. Estou muito aliviada.

  2. “há uma diferença abissal entre não gostar e não ouvir ou dizer-se que não presta”

    Por exemplo, um amigo meu é fanático por Biosphere e Susumo Yokota que eu acho chato como tudo.

    Acha que “Negar a qualidade da música” dos Biosphere ou Susumo Yokota “só pode explicar-se como projecção para o âmbito artístico de opiniões políticas”?

    E o que acha você de Autechre, Venetian Snares, Fennezs, Jan Jelinek ou Arovane? Gosta deles ou projecta as suas opiniões polítcas no seu valor artistico?

  3. Peço imensa desculpa, não conheço Yokota. Mas Miguel, não leu o que escrevi? Acho normal e desejável que as pessoas gostem de coisas diferentes. Acho que é diferente não gostar e achar mau. Não obsta a que haja coisas de facto más, como é evidente. Mas outras vezes confundimos o gosto pessoal com a qualidade intrínseca das coisas.
    No caso do ZA, parece-me indiscutível que há muita má-vontade para com a música por resposta, mais que às posições políticas do senhor, ao facto de ele ser um símbolo da esquerda e do PREC.
    Deixe-me dar-lhe um exemplo: eu não gosto especialmente da maior parte das coisas do Dali. Não gosto mesmo, e não ajuda nada o facto de além disso embirrar com a personagem – e também com a sua posição política. O que não me passa pela ideia é dizer que Dali não presta, que é um pintor medíocre. Porque não é, é genial.

  4. Portanto, Dali é genial mas você não gosta. A conclusão óbvia é que se passaria algo de errado consigo para não ser capaz de apreciar a sua genialidade.

  5. “No caso do ZA, parece-me indiscutível que há muita má-vontade para com a música por resposta, mais que às posições políticas do senhor, ao facto de ele ser um símbolo da esquerda e do PREC.”

    Eu deixei de ouvir Death in June devido ao posicionamento político do Douglas P. E então?

  6. Não, chama-se gosto (no sentido pessoal, subjectivo). Vamos pôr assim: não tenciono gastar muito do meu tempo a apreciar Dali. Ou Wagner, para lhe dar mais munições óbvias.
    Felizmente, há quantidade suficiente de produção artística genial, ou muito boa, para podermos escolher (que fique claro, dentro desta há muita de direita de que eu gosto muito).

  7. Eu, por outro lado, até gosto de Death in June, embora agora ande mais a consumir fascistas (aqui a palavra é exacta) um bocadinho mais “pesados”, menos pop.

    Ah, com tudo isto esqueci-me: claro que não gostar de Zeca não faz um fascista. Não é assim tão fácil.

  8. “Ah, com tudo isto esqueci-me: claro que não gostar de Zeca não faz um fascista. Não é assim tão fácil.”

    Pois não. Pode até apenas significar que não se gosta da música dele.

  9. Com certeza! Essa é a parte que estou a defender desde o princípio da conversa, a do gosto pessoal, faça-me essa justiça. E não me viu chamar fascista a ninguém que não àqueles que se dizem a si próprios fascistas. Cada um que escolha os rótulos que põe na testa. Até podemos pensar num slogan tipo “na minha testa mando eu”.

    Só uma nota: na época do PREC, a palavra fascista era usada… com muita liberdade, como sabemos. Não tinha propriamente o sentido preciso que lhe podemos dar hoje.

  10. José F.

    Caro Miguel,
    Estamos sempre a tempo de aprendermos qualquer coisa…. Mas efectivamente as conclusões que vosê tira é de quem não quer mesmo aprender. E está chateado. E qual é o mal de ser fascista? É isso pior que ser comunista? A ideia de que a cultura está na esquerda (ainda por cima radical) é uma ficção.

  11. “Mas efectivamente as conclusões que vosê tira é de quem não quer mesmo aprender.”

    Então elucide-me sobre o que é que eu devia aprender.

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