Cunhal não foi um grande português. Foi um grande comunista.

Filipe: O que achas do artigo do Avante, datado de 1937, sobre o aborto? Está aqui no Insurgente, no Office e no Abrupto. E já agora, não te incomoda a amizade entre Cunhal e Ceausescu, esse grande romeno?

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19 thoughts on “Cunhal não foi um grande português. Foi um grande comunista.

  1. Camarada:
    – Salazar não foi um grande português: foi um grande fascista;
    – lamento certamente muitas amizades do Cunhal, mas isso não está em discussão agora;
    – sobre o artigo do Avante, tens de ver que ele foi escrito em 1937. Quem te disse que os comunistas são especialmente libertários nos costumes? Não são… Mesmo assim, contém muitas partes que permanecem válidas e permanecerão enquanto o aborto for criminalizado, nomeadamente o aborto é um problema social que afecta de forma muito diferente mulheres ricas e pobres;
    – independentemente das considerações sobre a URSS, que já não existe, não creio que ninguém – nem o Cunhal, se fosse vivo – subscrevesse esse texto hoje. A melhor resposta a ele é mesmo a frase do Cunhal, em 1940, que eu transcrevi e que motivou o teu link:

    “Se todo o aborto é um mal, a clandestinização do aborto é uma catástrofe.”

    Um abraço.

  2. Salazar não tem nada a ver com este texto nem com o seu autor, mas tem a ver com o blogue em que ele foi publicado. Com uma porção muito significativa das suas entradas. É essa a reputação que este blogue tem, e não é só na “extrema esquerda”. E isso se calhar já tem a ver com os autores todos, que permitiram por omissão que o blogue chegasse a este ponto. Mas aí, quem não tem nada a ver com isso sou eu. Por isso fico por aqui.

  3. Filipe, confundir propositadamente as minhas opiniões (ou o local onde as escrevo) com Salazar e o fascismo é algo com que já me habituei. Trata-se uma forma muito simples de a esquerda assobiar para o lado e fugir do debate. Bem sabes que não tenho qualquer simpatia por Salazar e não posso aceitar que, sempre que lembro ter sido Cunhal um homem autoritário e adepto de uma ideologia sanguinária (para mim em tudo idêntica ao nazismo) me recordem Salazar apenas para fugirem à questão.

    Aliás, o conceito de ‘ou estão comigo ou contra mim’ é algo que tanto Salazar como Cunhal tinham em comum. Outra forte semelhança entre os dois está no ‘amor’ que ambos nutriam pelo Estado. ora, o que se defende neste blogue é precisamente o contrário: Menos Estado.

    Bem sei que já se começam a cansar com o Hayek, mas parece nunca ser demais lembrar ter sido ele quem, em 1944, chamou atenção para a semelhança entre o comunismo e o nazismo e demais ditaduras de direita. Eu revejo-me nesta visão. Nunca fui fascista nem comunista. Não me confundas com erros que nunca cometi.

    Há uma coisa que a esquerda e tu também poderiam perceber: Passaram 33 anos do 25 de Abril. É uma outra geração que não se encontra marcada, nem pelo Estado Novo, sequer pelo PREC.

    Mudem a cassete.

  4. “É essa a reputação que este blogue tem (…)”

    Caro Filipe Moura, percebo a sua afirmação. A reputação do termo “liberalismo” já há muito tempo foi construída pelos socialistas/comunistas como significando “fascismo”.

    Para muitos, tal “reputação” impossibilita aos mais obtusos de perceberem o que realmente defende um liberal. Espero que esse não seja o seu caso.

  5. sendo Cunhal ou nao um grande português, acho que Salazar também nao o foi.
    Refiro Salazar uma vez que este foi um ditador que cometeu bastantes crimes contra a liberdade das pessoas. Quanto a Cunhal, esse quis ser também ditador, felizmente nao o conseguiu.
    Quanto às consequências dos actos de cada um, acho que Salazar produziu muito mais mossa que Cunhal.

  6. Pois bem, aqui estou.
    No meu primeiro comentário respondi ao post do André, sem fugir a nada. Doze linhas. Esta malta toda só se está a debruçar sobre *uma linha* do meu comentário. Uma “side remark”. E depois acusam-me de fugir. Risível, se não fosse ridículo.

    Se me dão licença, agora vou continuar a falar com o André Abrantes Amaral.

    André, eu sei perfeitamente que tu não tens simpatia pelo Salazar e muito menos és fascista. Nem eu disse tal coisa, e nem eu nem ninguém poderia dizê-lo com base naquilo que tu escreves. Que isto fique bem claro.

    Agora acho curioso quando comparas o Salazar com o Cunhal, apontas as semelhanças deles, e depois reages desta forma a uma entrada minha sobre o Cunhal. Para uma entrada minha elogiosa sobre *um aspecto* do Cunhal, quantas entradas se publicam aqui no Insurgente a propagandear o Salazar? 20? 30? 100? Acho bem que reajas à minha entrada, uma vez que não concordas com ela. Mas então por que nunca fizeste essa comparação do Salazar com o Cunhal de cada vez que uma foto do Salazar surgia aqui no Insurgente? Oportunidades não te faltaram!

    Bom fim de semana. Fica bem.

  7. Miguel, respondi a todas as perguntas do texto do André no meu primeiro comentário. Respondi à pergunta do primeiro comentário do André no meu segundo comentário.

    BZ, você bem pode falar em “socialistas” e “comunistas” a chamarem “fascistas” aos liberais. Mas o que me diz então deste texto do Carlos Abreu Amorim http://ablasfemia.blogspot.com/2007/02/caro-pedro-arroja.html
    autor perfeitamente insuspeito de qualquer simpatia comunista ou socialista? Não acha que este texto tem a ver com o blogue onde escreve? Vem aqui responder-me a mim (sinceramente, muito obrigado pela atenção), mas prefere ignorar o texto no Blasfémias?

    Quem é que está aqui a fugir?

  8. Por amor de Deus. Vêm falar de “confusões” do Filipe depois de chamarem à colação, inteiramente a despropósito, o Ceausescu?
    E será o Filipe, que nem comunista é, porta-voz do PCP para ser responsabilizado pelos seus disparates de há 70 anos?
    Também me lembro de ver o Soares em declarações bem simpáticas em relação ao ditador romeno após o regresso de uma viagem à Roménia. E depois; será por isso o Soares um monstro estalinista?
    Olhem que não é difícil discutir sem cair em acusações escusadas. Como essa do “fascismo”, aliás, Filipe.

  9. Caro Rui Carmo,
    A publicação deste post, com imenso interesse histórico, parece-me (e permita-me a liberdade de expressão) um pouco hipócrita. Passo a explicar:
    a) Álvaro Cunhal já faleceu, e não poderá comentar estas palavras. Aliás, mais recentemente tinha outra opinião sobre o assunto. (o inquérito do insurgente revela a percentagem de pessoas que mudaram de opinião nos últimos 30 dias)
    b) Qual era a sua opinião em 1937? No caso de não existir, qual a opinião do seu pai ou do seu avô nessa data, sobre o Aborto?
    c) Terão mudado os paradigmas sociais e económicos desde essa data na sociedade global?
    d) Fará uma pequena ideia das pessoas que já fizeram, e até aquelas que “apenas” financiaram IVGs (em Portugal e no Estrangeiros), que vão votar “Não”? E a percentagem de homens que votam “Não” (fazendo ou não publicidade disso) e que já se recusaram a assumir a paternidade de filhos que conceberam? (temos até figuras públicas neste rol)
    e) (E para finalizar). Acredita que alguém no Mundo faz uma IVG sem ficar profundamente marcada por isso? Acredita que existe em Portugal o MÍNIMO DE APOIO DIGNO para familias numerosas ou precoces? (Por outras palavras, existirá alguém que vai votar conscientemente “SIM” que defenderá emocionalmente o “Aborto”?)

    Um abraço

  10. Filipe, pode ser é vício de jurista, mas não se condena ninguyém por omissão. Agora, por acção… Não fui eu que, disse ser Cunhal um grande português.

    Vou ser claro: Ser membro do Partido Comunista é tão grave como ser membro de um partido ou organização nazi.

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  14. José Amendoeira

    Cumprimentos,

    Primeiro que tudo convém afirmar e salientar que, apesar de considerar o comunismo demasiado utópico e consequentemente não aceitável, não sou fascista… sou apenas um puto com medo do rumo que as coisas estão a tomar!

    No entanto, quase que me torno tal, quando oiço – como ouvi esta mesma manhã – um “jovem” a dizer numa rádio cujo não irei revelar, com bastantes ligações à comunidade negra em Portugal a afirmar que o que faz nos tempos livres é roubar e que os políticos deviam era legalizar a ganza e dar dinheiro “aos manos” para que ele não tenha que trabalhar no McDonalds, depois de ter deixado a escola após o 7º ano de escolaridade.

    Penso então eu, “onde é que isto vai parar quando alguém tem tempo de antena para dizer este tipo de coisas na rádio?!” (rádio que, apesar de não conhecer, me pareceu “algo pública” – se me faço entender).

    Assim, não incluam, por favor, o meu comentário na conversa política que se vem desenrolando e que eu tenho vindo acompanhar. Vejam-no apenas como a voz de alguém que espera do fundo do coração que esta situação não se torne regra, que quem pensa desta maneira – tipo de grupos contra quem está uma das facções aqui discutida – não seja, um dia, tomado como modelo de sociedade e que quem já assim pensa possa, um dia mudar a sua maneira de ser, antes que seja tarde de mais.

    Espero que o seja já,
    José Amendoeira

  15. António Azevedo

    Caro José Amendoeira.
    Dizes que és novo, tens medo do futuro, ficaste escandalizado e triste com aquela cena do McDonalds, és novo, não queres que te incluam em polémicas, etc.
    No entanto sabes ver coisas que achas mal e queres desabafar. Ora isso é fazer política. Todos nós somos políticos, mesmo aqueles que dizem que não.
    No teu caso e uma vez que dizes ser muito novo, aconselho-te a participar, a lutar por um Portugal melhor, como por exemplo, fazer parte de um partido e obrigá-lo a cumprir se um dia fôr governo, participar em associações cívicas, discutir, conversar, etc.
    Dessa maneira contribuirás para o bem comum e perderás o medo das coisas.
    Há juventude que nunca terá oportunidades para uma vida normal e infelizmente viverá sempre com problemas e por consequência os criará à comunidade.
    Mas mesmo nos países muito mais avançados que o nosso existem essas dificuldades.

    “FAZ ALGO DE BOM” (pai de Alec Baldwin para o filho quando jovem)

    Cumprimentos.

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