Os sinos dobram por nós

Livros para 2007

É comum fazer-se um balanço dos livros lidos ao longo do ano que passou. Porque não arriscar numa aposta com sugestões para o ano que ainda vai no terceiro dia?

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Iron Kingdom, é uma excelente forma de se conhecer a Europa através da experiência alemã, o que não é muito frequente. A história da Prússia começa por volta de 1600, quando apenas existia Brandenburg, um pequeno território com Berlim no meio. Como é que um estado tão pequeno se tornou o centro do país mais poderoso da Europa, o modo como os outros povos europeus ao princípio não lhe deram qualquer importância e depois o tiveram de destruir. Está tudo aqui: Num enorme livro escrito por Christopher Clark, professor de História europeia em Cambridge. Outro dia dei comigo a almoçar com um amigo cujo pai, alemão, combateu na segunda guerra e ficou prisioneiro dos soviéticos. Fiquei estupefacto. A Alemanha é parte do nosso continente, mas a sua história pouco, muito pouco conhecida.
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Nas suas últimas duas edições, a revista National Interest publicou dois ensaios, um primeiro de Christopher Layne e um segundo de Bradley A. Thayer. Layne, defende que os EUA não são a hiper-potência que pensaram ser, caso contrário não falhariam no Iraque, não estavam aflitos no Afeganistão e a Coreia do Norte, a Síria e o irão já tinham obedecido às suas demandas. Como nada disto aconteceu, apenas resta à América, reconhecer as suas limitações e recuar. Concentrar-se no essencial e deixar o restante ao que resta das outras potências. Por seu lado, Thayer, fazendo apologia do primado norte-americano, entende que sem os EUA o crescimento económico que presenciamos nos dias de hoje não duraria muito. No seu entender, os EUA são essenciais à paz e se muitos são os falhanços, mais ainda são os casos de sucesso. Ambos apresentaram, de forma muito resumida nos referidos ensaios, as suas diferentes posições e pontos de vistas que estão mais desenvolvidas neste livro. Quando os EUA debatem se devem, já não espalhar a democracia no mundo, mas terem um papel fundamental em qualquer parte do globo ou levantar um pouco os braços e entregar certas áreas a outras potências, este American Empire: A Debate é indispensável para compreender o que está a acontecer no outro lado do Atlântico e aquilo com que podemos contar no futuro.

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Anne Norton é professora de Ciência Política na Universidade da Pennsylvania e, nunca tendo conhecido Strauss, foi bastante marcada pela forma como a maioria dos seus professores e o mundo académico norte-americano lê, estuda e é influenciado por Leo Strauss. Como ela própria explica no prefácio, o início da guerra dos EUA contra o terrorismo e um inimigo invisível, levou-a a sentir ser necessário dar a conhecer a admiração que uma elite intelectual norte-americana nutre por um homem cujo pensamento muito poucos conhecem verdadeiramente. Este livro é de 2004, não é recente, não explica Strauss, mas ajuda a perceber a sua influência. Por isso mesmo já vale a pena.

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Não posso deixar de mencionar este livro dedicado ao Professor Agostinho da Silva, poucos dias depois de ter terminado o ano do centenário do seu nascimento. Trata-se de uma colectânea de curtos testemunhos de homens e mulheres que conheceram Agostinho da Silva, o homenageiam e que foi publicado em 2006. Em 1991, tive a oportunidade de, na feitura de um trabalho para a cadeira de jornalismo, conhecer Agostinho da Silva que me recebeu, a mim e a dois colegas meus, com a maior das boas vontades ficando a conversar connosco mais de uma hora. A honestidade simples daquele homem marcou-me para sempre. Ao que parece não fui só eu.

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3 pensamentos sobre “Os sinos dobram por nós

  1. CN

    “American Empire: A Debate ”

    Não se consegue encontrar um autorzinho que não defenda o óbviamente confortável tema para se estar perto do poder “do momento”, que é justificar os Impérios, ou o Império “do momento”, porventura terá algo de nobre?

    Não chegou a morta súbita do Império Britânico (Churchill…) e o embate destruidor da Grande Guerra para ver onde acabam os Impérios?

    Será “rentável” viver sob o alegado conforto e benefício de ter um Império por uns anos para depois viver com as consequências do seu desaparecimento (normalmente, após o decaimento económico conjugado com uma guerra a mais, deixando um vazio próprio de uma “centralização” que desaparece)?

    Agora, que o capitalismo chegou à Rússia e China? E até os islâmicos o adoptam crescentemente?

    E é que se os defensores do Império provassem algo forma de restrição no próprio interesse da sua preservação…

    A melhor tirada que conheço é a de AJP Taylor.

    “A única forma de um Império se preservar é ser capaz de combater um grande conflito mas nunca o chegar a fazer” (o que aliás o isolacionismo inglês conseguiu fazer a maior parte do tempo razão para o seu crescimento e duração, só caiu quando…)

    Mas o problema, como na história de todos os Impérios, é que aperecem sempre os intelectuais da corte que depois passam a vida a congeminar formas de ameaçar e mesmo usar (over-reaching) o poder militar/diplomárico sobre todos os assuntos.

    * para calar um tipo incómodo mesmo que o perigo militar seja quase nulo (Saddam, Irão)
    * por ideias nobres e altíssimos claro (democracia, humanitarismo)
    * para impôr ordem nas regiões anarquicas (Somália)

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