Janela Indiscreta

À minimização do peso do Estado na economia, aqui anteriormente defendida, socialistas apontam como principal consequência a “falta de solidariedade” que tal cenário iria provocar. Por outras palavras, acusam os liberais de desejarem uma sociedade egoísta que não se preocupa com os mais fracos.

Primeiro, se o grau de “obesidade” do Estado representasse realmente o nível de solidariedade de uma sociedade, então poderíamos dizer que os socialistas não são tão solidários como os comunistas. Pois…

Acredito que a grande maioria das pessoas se preocupa com os mais necessitados. A continuada eleição de Governos socialistas é disso prova!

A existência do actual Estado-Providência deve-se, essencialmente, ao medo do desconhecido e à falta de imaginação. Desconhecido porque ao político socialista é possível – com maior ou menor competência – mostrar para onde vai a riqueza que confisca aos cidadãos, ao mesmo tempo que os adverte sobre desastres sociais que o desaparecimento dos “serviços públicos” iria provocar. Falta de imaginação porque a maioria dos eleitores não tenta perceber além da retórica socialista. Trata-se, sobretudo, de ignorância sobre o real significado de liberdade de escolha e, principalmente, dos custos de oportunidade.

Por exemplo, em Portugal os custos de oportunidade do Estado-Providência para o próximo ano não são os cerca de 27.000 euros que o Governo pretende retirar, em média, a cada agregado familiar mas, sim, o uso que as famílias dariam a tal quantia. Se hoje em dia o sucesso do Banco Alimentar contra a Fome depende essencialmente do contributo dos privados imaginem, por momentos, quantas mais instituições sociais poderiam as famílias portuguesas apoiar, caso pudessem escolher livremente onde aplicar o seu dinheiro em vez de, por exemplo, serem obrigados a “investir” em TGVs ou novos aeroportos…

Os eleitores continuarão a eleger Governos socialistas enquanto desconhecerem os benefícios de uma sociedade liberal baseada na acção voluntária dos cidadãos. Tal conhecimento requer, no entanto, maior compreensão sobre como funcionam os mercados e, principalmente, muita imaginação. O peso do Estado assim o obriga.

3 pensamentos sobre “Janela Indiscreta

  1. Cristina Ribeiro

    Pois,o grande problema,para os contribuintes,é o que esses srs.que se arrogam donos da solidariedade(irra,que já é mania!)fazem com os nossos impostos;é que,sinceramente,não os vejo a fazer uso desse dinheiro a favor dos que mais precisam(sei que em Lisboa e noutras cidades acontece o mesmo,mas por cá ,também,assiste-se a situações dramáticas,e se vão estar à espera dos ditos…);não,para “eles” há obras “prioritárias”.E é essa dita “falta de solidariedade”o grande óbice ao emagrecimento do Estado?Poupem-me a tal demagogia!

  2. Luis Moreira

    Mas a verdade é que não se vê melhor, mais justas e mais gente a viver bem que nas sociais democracias do centro e do norte da Europa!

    E eu pergunto-me: se todos estamos preocupados com os mais fracos por que não trabalhar para termos o que está testado, com provas dadas e com mais tempo de vigência?

    E ai eu respondo:porque o que nos move é o poder e não a solidariedade!

    E cá vou reforçando a minha convicção Social Democrata!

    Contra socialistas e anti-socialistas!

  3. “E cá vou reforçando a minha convicção Social Democrata!”

    E por mim cá vou reforçando a minha convicção que tenho que trabalhar. Sem riqueza é difícil redistribuir…

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