Já não me recordo quem disse ser o PSD o espelho político do país. Mas, pior que não conhecer o dono desta afirmação é o ela ser verdadeira. O PSD caducou da mesma forma que o país político. Sem ideias, qualquer projecto, sequer um esboço de reflexão minimamente interessante para se fazer valer. Durante anos, os laranjinhas orgulharam-se por representarem a parte dinâmica da sociedade. Hoje, não se queixem por simbolizarem a estagnação que impera.
Perceber porque isto aconteceu não é difícil. O PSD é um partido de causas positivas, com resultados imediatos. Nos tempos áureos de Cavaco aplicou uma fórmula que já na altura se encontrava ultrapassada, mas dava frutos. E votos. O crescimento através das obras públicas estatais não colhia adeptos nem na Irlanda, nos EUA, na Grã-Bretanha, sequer na vizinha Espanha. Todos estes quatro países apresentam hoje taxas de crescimento satisfatórias, ao contrário do que se passa em Portugal. O caminho era o errado, mas foi o que se seguiu.
O país reduz-se agora a manter regalias. Um papel que não serve para o PSD. Se aquele partido quiser voltar a ser governo, terá de sofrer uma grande reviravolta. Nas pessoas, no discursos, nas políticas e, mais importante e mais doloroso que tudo, na social-democracia que os laranjinhas deverão deixar cair num caixote do lixo da Rua de São Caetano à Lapa.