Breve nota sobre a vitória de Bush

Ao afirmar que Bush venceu, não digo que foi um sucesso total. Quando faltam dois anos para o fim do seu segundo mandato é cedo julgar este presidente. O pós-11 de Setembro foi uma incógnita e a sua política externa mais parece ter sido colada com cuspo. O certo, no entanto, é que o terrorismo não se tornou no perigo que todos receavam, mas num fenómeno com que podemos (teremos) de viver. Algo suportável. Dizer que o 11 de Setembro foi um acto de sorte, é fácil. Conseguir o que se conseguiu, é verdade que com muitos erros, já foi mais difícil e à custa de uma enorme impopularidade que Bush pareceu nunca temer. Daqui em diante, independentemente das trapalhadas cometidas, os EUA já poderão preparar-se para outros conflitos e mais alguns problemas. Desafios que já não serão de Bush, mas do próximo inquilino da Casa Branca.

Também é importante esclarecer que a vitória a que me refiro diz respeito apenas ao terrorismo. A nível interno, com o défice orçamental, no seu perigoso desprezo pelo Congresso, na centralização do poder (principalmente perigosa quando feita por um Republicano) George W. Bush só não é uma decepção maior para mim porque, em 2000, preferi John McCain.

Vêm estes esclarecimentos no seguimento dos comentários ao meu ‘post’ de ontem e à resposta do Luís Rainha.

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19 pensamentos sobre “Breve nota sobre a vitória de Bush

  1. Joao P

    Um dos principais atributos da esquerda é a sua acefalia galopante, que nalguns casos se torna mesmo perigosa, porque atinge a monomania da perseguição. Repetem as mesmas coisas tantas vezes que acabam por achar que estão a dizer verdades. No caso vertente sobre a exploração pelo mundo ocidental do petróleo dos oprimidos. TODAS as empresas que exploram o petróleo nos paises arabes (ou na Venezuela) são pertença dos respectivos governos. TODAS tem um custo de extracção do petróleo a cerca de 4 dólares o barril e vendem-no a mais de sessenta dólares. Onde é que está a exploração? A haver exploração é a dos ocidentais que pagam o barril a sessenta dólares a esses mandriões que se limitam a fazer um buraco no chão…

  2. esquerda acefala

    João P, ainda bem que aponta para a repetição de argumentos da esquerda acéfala, é uma coisa incontrolavel, quase como um sindrome de tourette marxista.
    Ainda bem que neste blog não se repetem coisas nem ha gente com a mania da perseguição, nesse caso a direita andaria mal.

  3. O Bush venceu o quê?! A guerra contra o terrorismo?! Depois do 11-09 já houve outros atentados em Espanha e Inglaterra. No Iraque a violência e a morte são o dia-a-dia. A situação é caótica e o seu fim é imprevisível. O próprio Bush já admitiu o fiasco da intervenção quando comparou-a com o Vietnam.
    A tensão entre Palestiina, Líbano, Irão, Iraque, Síria e Israel é assustadora. E Bush venceu?!! Importa-se de repetir sff?

  4. Cristina Ribeiro

    Embora pense que está na hora de repensar a forma de fazer a política externa(no sentido de “tentar”não cometer esses “muitos erros”),penso também que é inegável que se pode falar numa vitória (não total,como diz,mas ainda assim considerável)contra o terrorismo;basta pensar no que de pior se evitou,e todos nós sabemos que foi muito!

  5. antónio

    Quer dizer, não é um sucesso total. É assim a modos que um sucesso quase, quase, total. Mas ainda faltam dois anos para se saber ao certo. Este post é hilariante, mas é uma boa tentativa. É o melhor que se arranja, não é, AAA?

  6. CN

    Por acaso a nivel interno torcia pelo Forbes nos republicanos. E nivel externo por incrivel que possa parecer, pelo Bush, que discursou contra o “nation building” e por uma “humble foreign policy” e a sua simplicidade até era simpática.

    Como sempre foi uma oportunidade perdida. Se Bush tivesse concentrado as suas energias e capacidade de mensagem simples, para um programa de reformas interno e esquecido o mundo lá fora, estavam eles melhor internamente e o resto do mundo menos mal. O neo-conservadorismo levou um homem conservador e simples a pretender ter excessos de optimismo social e a gerir o incontrolávelmente complexo misturado pelo apelo securitário externo e interno.

    Quanto ao “pior se evitou,e todos nós sabemos que foi muito”.

    Não, não sabemos. Existiram muitos atentados graves depois, nenhum nos EUA, mas isso já sabiamos o quão era difícil qualquer repetição.

    A NATO mata dezenas a centenas de pessoas por semana no Afeganistão. No Iraque é o partição. O Irão aumentou a sua influência 3 mil anos da mesma forma que o fez depois da Grécia também ter forçado conflitos desastrosos: ficou à espera que Saddam fosse finalmente derrotado. Nos balcãs nada está resolvido. A já inevitável independência (islâmica) do Kosovo vai juntar-se a todos so outros independentismos que despontam a cada hora a Leste. NA palestina nada feito. Israel cometeu um erro ficando numa posição de fraqueza.

    O Ocidente como Império de levar a civilização aos bárbaros só funciona pela via do comércio livre, deixando que os próprios resolvam os seus problemas, regimes e disputas.

  7. Fernando S

    Também penso que a administração Bush obteve resultados globalmente positivos na guerra contra o terrorismo.

    Terão sido cometidos alguns erros, agravados alguns dos problemas, criados outros, reveladas algumas fragilidades. Mas só não comete “erros” quem não afronta as situações. O maior erro teria sido uma política ambígua, hesitante e pusilânime, como a que foi seguida por vários países europeus e por outras grandes potências (Rússia, China).

    Apesar de tudo, as acções militares levadas a cabo por iniciativa e sob a liderança americana permitiram reduzir as capacidades e o potencial de acção de diferentes organizações terroristas islâmicas, a começar pela Al Qaeda. Sem essas acções poderíamos ter assistido a um maior número de actos terroristas por esse mundo fora. Era esse o receio de todos a seguir aos audaciosos e espectaculares atentados do 11 de Setembro.

    Mas, sobretudo, o activismo americano constituiu uma mensagem enviada a todos os Estados e a todas as forças políticas que, de outro modo, poderiam ter tido a veleidade de quererem cavalgar e instrumentalizar o terrorismo islâmico. O Iraque de Sadam Hussein e do Afeganistão dos Talibãns foram directamente neutralizados. Outros foram dissuadidos pela mensagem transmitida pelo intervencionismo americano. A reviravolta da Líbia é um exemplo paradigmático da eficácia desta mensagem. Outros países candidatos foram certamente obrigados a rever o nível das respectivas ambições. Incluindo a Síria e o Irão. Vários países muçulmanos com lideranças ditas “moderadas” mantiveram-se ou não entraram deliberadamente numa rota de colisão com o circulo de influência ocidental e americana. Não cedendo assim à pressões dos radicais islâmicos e das respectivas opiniões públicas (o caso mais flagrante é o do Paquistão). Sem a mensagem clara que foi enviada através das intervenções no Afeganistão e no Iraque poderíamos ter entrado numa fase muito mais perigosa do a que temos estado a viver.

    A principal dificuldade da política americana, que explica de resto alguns dos seus desaires militares e políticos, tem sido a falta de solidariedade dos seus aliados tradicionais na Europa. A começar pela França e pela Alemanha (pelo menos antes de Angela Merckel). As posições das lideranças políticas destes países enfraqueceram a frente da luta anti terrorista. Não tanto no que se refere aos meios militares. Muito embora estes sejam sempre importantes e necessários. Mas, sobretudo, mostrando às opiniões e ao mundo que o Ocidente (ou melhor, o mundo livre e civilizado, de Oeste a Leste) não estava unido e solidário naquela luta. Essas lideranças têm uma responsabilidade indirecta na degradação de certas situações em alguns teatros de luta (em particular no Iraque e no Afeganistão).

    As principais crises e ameaças no plano internacional que o mundo enfrenta na actualidade (o conflito Israelo-Arabe, o nuclear no Irão e na Coreia do Norte, o Dafur, etc) existiriam mesmo que os americanos e os seus aliados não tivessem intervido militarmente no Afeganistão e no Iraque. Os meios de tratamento e resolução destes e outros problemas seriam hoje mais facilmente mobilizáveis e mais eficazes se o mundo livre tivesse mostrado maior unidade e convergência na luta contra o terrorismo. Apesar de tudo, o mundo é provavelmente hoje menos inseguro do que seria se a administração americana não tivesse feito o que fez. Por sinal, um risco que existiu e existe sempre. Com administrações Republicanas ou Democratas, consoante os contextos e circunstâncias do momento. Convém nunca perder de vista esta eventualidade. Em particular aqui na Europa !

    Dito isto, não considero apropriada a ideia referida de “gritar vitória”. Nomeadamente, com a intenção de fechar este capítulo da luta contra o terrorismo islâmico e canalizar as atenções para “outros pontos estratégicos mais importantes”. Primeiro porque não corresponde à verdade. A guerra contra o terrorismo permitiu conter, e eventualmente reduzir, o nível de ameaça e perigosidade imediata. Mas está longe de estar ganha. É, muitos o têm recordado, uma batalha longa e difícil. Em segundo lugar, porque, neste mundo cada vez mais global, os outros problemas estratégicos estão inevitavelmente ligados à problemática geral do terrorismo fundamentalista. Por exemplo, o problema com o Irão não é tanto este país poder vir a ter acesso à bomba nuclear quanto o facto de ser um Estado que promove e utiliza o terrorismo como arma de conquista e dominação. No que respeita à Coreia do Norte, sabe-se que o maior receio não é tanto a ameaça nuclear directa deste país mas sim a possibilidade de ele poder favorecer a proliferação deste meio de destruição massiva junto de Estados e organizações terroristas. Em terceiro lugar, porque a presunção e a arrogância nunca são recomendáveis em sociedades democráticas. Acabam sempre por se virar contra os seus autores. Neste particular, parece que nos últimos tempos o discurso do próprio Presidente Bush tem vindo a evoluir num sentido mais comedido e de mais modesto. É melhor continuar por esse caminho !

  8. Cristina Ribeiro

    CN,faço minhas as palavras de Fernando S “…poderíamos ter assistido a um maior número de actos terroristas…”;como é óbvio era isso que tinha em mente,de outro modo teria falado em vitória total.

  9. Captain Mission

    Bem!!!
    Primeiro responder a direita acefala, mas so a essa, que tao bem è aqui representada, pelo acefalo Joao P…. por caridade amigo, eu de bom grado te daria alguns neuronios!!!

    “a repetição de argumentos da esquerda acéfala, é uma coisa incontrolavel, quase como um sindrome de tourette marxista.”
    BRAVISSIMO. Faz lembrar a acefala direita que chama sempre, e sem inovaçoes nos comentarios, a esquerda de acefala. Sera que tens um espelho em frente dos teus olhos???

    Passemos ao que interessa.
    Andre: MERECES MESMO!!! GANHASTE!!!! Nao o premio do surrealismo, mas o de NAIF do ano!!!!
    Posso te tentar vender umas enciclopedias???? ou um novo trem de cozinha??? ou preferiras um novo colchao ortopedico??? (obviamnete tudo com garantia)

    O terrorismo nao se tornou o perigo que todos receavam!!!! Bravo! è estremamente bom… mostra-nos as sua verdadeiras aptidoe:)!!
    Mas o senhor alguma vez teve medo??? deixou de fazer o que fazia antes???
    E ja agora quem receava o terrorismo???? Eu nao. Sabia perfeitamente que tudo nao passava de uma grande palhaçada!!! Principalmente a guerra contra o terrorismo!! Guerra essa digna de lutar com um CERVANTES e o seu D. Quixote… que lutava contra os moinhos de vento!!!

    Estou a dizer que nao ha terrorismo???? Nao, nem pensar.
    è o terrorismo suportavel diz o senhor!!! Pois bem, aqui esta algo que o sr. viu mto bem. Eu tb o posso suportar, principalmente se fizer como o sr. e tiver os olhos centrados no meu pequeno umbigo. Gostaria que o sr. tivesse coragem (e julgo que tera) para fazer as suas proximas ferias nesse belo pais que os americanos tao bem democratizaram, e chegar-se ao pe dos milhares de familias iraquianas e fazer essa afirmaçao. Tenho a certeza que seria recebidfo de braços abertos e presenteado com um optimo wiskey do deserto: O bom do cha de menta:)!!!

    E è optima tb, a afirmaçao que os problemas serao do proximo presidente. Olha a batata quente:)!!!!

    Posso lhe fazer uma pergunta: depreendo que ao chamar-se Andre Abrantes do Amaral, que o sr. se trata efectivamente de um senhor… e nao de uma senhora, por isso nao faz mal nenhum lhe perguntar a idade: quantos anos tem????

    è que pelo seu “inocentismo” eu atrevo-me a tentar adivinhar e aposto em: 10 brilhantes anitos!!! Falhei????

  10. Uma das coisas que me parece caracterizar a sociedade norte americana é a capacidade de se correr riscos. Eles correm riscos, acertam a maioria das vezes, falham de vez em quando, mas para eles, o risco é algo a que estão habituados.

    Entre nós, ao primeiro problema procuram-se culpados, pedem-se cabeças.

    Consome-se assim o único passo no sentido de não se dar um único passo.

  11. lucklucky

    Há vários níveis de vitória e derrota.

    Se imaginarmos que 90% de atentados no Iraque são locais e 10% devido a recursos da Al-qaeda. Basta-nos imaginar o que 10% dos atentados no Iraque fariam no Mundo.

    Isto dando de barato 3 coisas:
    -A intervenção de Saddam e o que faria com os recursos que tinha disponíveis nisto tudo.

    -A Al Qaeda poder escolher com facilidade
    alvos simbólicos quando no Iraque está forçada a usar o seu poder numa guerra táctica.

    -No Iraque a Al-qaeda sofre com mais facilidade baixas. Zarqawi foi apanhado. Teria sido se a intervenção no Iraque não forçasse alto dirigentes da Al-qaeda a estrem na linha da frente?

    No fim muito disto são incógnitas mas qualquer Presidente estaria a arriscar por inerência. Fazendo nada, fazendo pouco ou fazendo muito.

  12. já não vos percebo… agora o terrorismo já não é o perigo que todos esperavam???
    primeiro dizem que a europa está a ser passada para trás pelos terroristas dos mulçumanos, mas agora dizem que o terrorismo já está quase derrotado….
    vocês decidam-se!!!! ou é ou não é…. não é quando convém ser.
    mais ao colocar o terrorismo como um fenómeno em que podemos viver, vem totalmente contra tudo akilo que foi dito neste blog…
    até falam de guerra contra o terrorismo, e que os terroristas deviam ser julgados como militares… e o facto de estarem fechados em prisões ilegais é um facto menor…
    mais uma vez… decidam-se!

  13. esquerda acefala

    portanto lucklucky, antes os iraquianos que nós.
    ah grande bush, a desviar a atenção do inimigo para o iraque!
    um sucesso incontornável sem sombra de dúvida.

  14. lucklucky

    “portanto lucklucky, antes os iraquianos que nós.”

    Era preciso chamar a Al-Qaeda para o combate, uma vez que se deixar o terrorismo escolher a hora, o local e o método os danos serão muito maiores. Para isso era preciso apresentar um desafio que contivesse uma ameaça estratégica e os forçasse a combater gastando recursos sem tanto lucro como uma explosão num campo de futebol, num terminal de autocarros numa cidade Americana ou Europeia.

    Se os Iraquianos se ajudassem mais uma grande parte do problema
    já teria desaparecido. Mas isso é impossível quando mais de metado do Ocidente quis (já não quer tanto) que os EUA falhem.

  15. caramelo

    lukiluki, não estou bem, bem, certo de perceber completamente a tua posição. Eu acho que tu queres dizer, ao mesmo tempo, que a intervenção no iraque foi um êxito, e, por outro, que não foi um êxito por culpa, sei lá, da França, por exemplo, não é?

  16. Rui Miranda

    Era preciso chamar a Al Qaeda a combate no Iraque, um sitio onde previamente não tinha grande influencia? Então o que foi o Afeganistão? O aquecimento?
    A Al Qaeda não me parece assim tão constrangida em termos de pessoal e no numero e localização de alvos, assim de repente lembro-me de umas explosões que se ouviram para os lados de Londres e Madrid.

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