O Insurgente

Dezembro 16, 2010

Não percebem nada

Filed under: Media,Política,Portugal — Nuno Branco @ 09:21
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Os media, principalmente os estrangeiros, estão a fazer um grande barulho porque acham que o nosso Primeiro Ministro autorizou a CIA a transportar prisioneiros para Guantanamo utilizando o espaço aéreo nacional e infraestruturas portuguesas. Baseiam-se eles no seguinte texto revelado pela Wikileaks, vindo da embaixada dos EUA em Lisboa:

“Sócrates aceitou permitir o repatriamento de combatentes inimigos de Guantánamo através da base das Lajes”

Quem autorizou isto tudo foi o cidadão Sócrates, aquele tipo que sabia de um certo negócio que involvia a PT e a TVI. Em Portugal toda a gente sabe que esse personagem nada tem a ver com o nosso Primeiro Ministro. Seria bom que os jornalistas que não estão habituados à forma de trabalhar portuguesa fossem informados de como é que as coisas por aqui se processam.

Dezembro 13, 2010

Irangate

Filed under: Diversos,Portugal — elisabetejoaquim @ 17:15
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Sobre as relações do PS do BCP com o Irão, o ponto quatro do documento da wikileaks parece-me o mais interessante :

«The Iranian Embassy in Lisbon contacted Ferreira, who had previous contact with that embassy while serving as Chairman of the Board of Directors of Oeiras Foundation (1987-1989), a state entity that he says sold munitions to Iran more than 20 years ago.»

A notícia parece-me merecer mais destaque do que a nota de rodapé que mereceram, na edição de 2004 do Semanário Expresso, as transacções do exército português com o Irão em 1980-81, frisando o jornal que tinham ocorrido sem a autorização do governo,

o que vinha de encontro ao comunicado oficial da época (1981) em que Diogo Freitas do Amaral, Ministro dos Negócios Estrangeiros, garantia que diplomaticamente Portugal nunca teria relações com o Irão dada a conjuntura política:

Leitura recomenda sobre a omnipresença de Mário Soares no período político de relações Portugal-Irão durante o conflito Irão-Iraque (1980-1988).

Um rebanho de ovelhas negras

Filed under: Portugal — elisabetejoaquim @ 15:09
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O que esperar da sociedade civil portuguesa no caso wikileaks (que ocorre numa conjuntura sem precedentes em que a comunicação horizontal entre cidadãos nunca atingiu tal grau de eficácia – redes sociais, blogosfera, etc), quando a maior parte dos seus agentes parece não conseguir assumir um ponto de vista meramente individual sobre a questão.

O Estado é retratado como um organismo, com vida e vontade própria, discutindo-se os mecanismos pelos quais deve tentar sobreviver. Os cidadãos supostamente activos da nossa praça desunham-se em estratégias diplomáticas, revelando uma capacidade acima da média em colocar-se na posição de uma mente colectiva. Hobbes ficaria orgulhoso.

Mesmo os nossos auto-intitulados anarquistas estão ridiculamente preocupados em guerrear opositores em questões de política internacional, alimentando fetiches pelos Estados diabolizados pelo main stream (sim, os nossos anarquistas mais parecem uma espécie de neo-cons gone mad), em vez de canalizar energias numa perspectiva individual do problema.

Um dia ainda se vai descobrir que os portugueses estão geneticamente destituídos da capacidade de individualismo moral.

Wikileaks: um teste ao jornalismo cívico

Filed under: Diversos — elisabetejoaquim @ 00:54
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Até agora, o debate entre os prós e contras da wikileaks nas redes sociais e blogosfera resume-se aos prós e contras da bondade da transparência de organizações públicas.

Caricaturando, do lado dos contras há os que defendem que a política não deve ser o domínio dos cidadãos (logo que a wikileaks é ilegítima), e aqueles que não percebem sequer que a questão é política e perguntam porque é que a wikileaks não revela documentos sobre direitos humanos, etc (logo que a wikileaks não é moral). Do lado dos prós estão aqueles que defendem que a transparência é em si benéfica.

Enquanto o debate se centrar num debate teórico, a wikileaks será um projecto falhado. A transparência é por si só inútil se o conteúdo daquilo que é publicado não for moralmente interpretado pelos visados: os cidadãos.

As próprias instituições políticas (ou as pessoas que fazem directa ou indirectamente parte delas, ou almejam um dia vir a fazer), têm obviamente interesse em manter o debate num nível meramente teórico em que o conteúdo da wikileaks é posto para segundo plano (ilegal ou irrelevante). O lado do prós que se define apenas como oposição teórica aos defensores do status quo, ou apenas como defesa de Assange-herói, está na prática a ter efeito zero sobre o mesmo.

A atitude de no pasa nada só pode ser combatida com a moralização daquilo que a wikileaks traz à luz do dia, mostrando que de facto há algo de errado na maneira como os Estados gerem a vida de pessoas. Sem essa moralização, depois do choque a transparência servirá apenas para aumentar a aceitação do status quo. Ou alguém acredita, como se conta nos livros de História, que “o povo” nunca esteve consciente das atrocidades dos seus regimes?

Dezembro 12, 2010

Os 10 princípios do Socialismo Chavismo

Filed under: Diversos — elisabetejoaquim @ 23:37
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«Despite President Chavez’s professed allegiance to socialism, his political project lacks any consistent ideology», escreve a embaixada dos USA em Caracas no sumário sobre os 10 princípios do Chavismo.

A mim pareceu-me ver dissecado o habitual Estado Socialista (em fase de ingurgitação avançada). A diferença entre a ideologia de Chávez ou a nossa, por exemplo, não é de natureza, mas sim de grau. O Estado venezuelano já atrofiou completamente a economia interna de modo a inflar a máquina e alimentar os boys, já conseguiu criar um perfeito sistema legislativo de protecção do status quo, e já não se contenta em criar inimigos apenas imaginários. Chávez, ou o último passo da criação de um Líder que personifica o sistema, é apenas o pivot que permite que a máquina democrática continue a andar.

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