Do discurso oficial da visita do director do FMI à “North Africa” [Agadir, Marrocos] desta semana, podemos reter não só uma prosa inspirada sobre o animismo dos mercados,
[We stand on the threshold of a new era. We cannot turn our back on openness and globalization, but we need a new globalization for a new world—a globalization with a human face, where people come first, and where growth and equity always go together. We must rely on the market for growth, but the invisible hand must not become the invisible fist.]
mas também uma definição de «instabilidade» antropologicamente fundamentada. Strauss-Kahn explica que o fosso entre ricos e pobres é em si motivo de instabilidade. Não o é porque os pobres estão cada vez mais pobres (Strauss-Kahn admite que com isto da globalização os pobres até ficaram menos pobres – It has helped hundreds of millions of people break the bonds of poverty), mas sim devido à «corrupção dos sentimentos morais» que se instaura perante o fosso. A desigualdade é corrosiva não devido ao seu efeito material, mas devido ao seu efeito no «tecido social».
In our globalized world, if the benefits of growth are not widely shared, we could see a backlash against openness and cooperation and a retreat to economic nationalism. Especially in poorer countries, it can lead to instability, a breakdown in democracy, and even war.
Daí à Nova Ordem Mundial que os governos (ricos) se devem esforçar para instaurar para que reine a Paz do Millennium, é um saltinho. E a tarefa é urgente em África.
Here, in North Africa, these challenges are clear. Given the demographic time bomb, young people need economic opportunities—urgently.
A solução para a “waiting generation” árabe (geração de jovens que face ao atrofiamento da economia está em lista de espera para empregos na função pública), é simples: redistribuir o dinheiro dos ricos do país e dos ricos fora do país. Mais e melhores subsídios de desemprego, porque não há nada melhor para combater os efeitos da engenharia política do que engenharia politica em dose redobrada. Mas não se preocupem que o FMI trata disso.
Adequate social safety nets are essential, including decent unemployment benefits. And here, the IMF is working closely with the ILO on the concept of a social protection floor for people in poverty or vulnerable situations. In our lending programs, we always emphasize the protection of the poorest and most vulnerable though strong social safety nets.
When it comes to the low-income countries, we have a special responsibility. There are few goals more important today than the Millennium Development Goals. [...] The richer countries must show solidarity with their poorer neighbors.
Depois de dizer ao “Norte de África” que a responsabilidade moral do seu problema estava n”os ricos”, Srauss-Kahn não resistiu a pôr mais uma acha para a fogueira da “instabilidade social resultante da globalização”, e lá lhe saiu,f ora do discurso oficial, que para além de “os ricos” não quererem dar, conspiram incessantemente para tirar:
“We have to guard against another form of colonialism taking root by other superpowers who have the wind in their sails in Africa, who are, I don’t want to use the word colonialism, but who are setting up a form of dominance.”