Não.
Pelo menos, de acordo com o que escreve certa imprensa, este claramente não é o caso.
Indescritíveis Capitalistas são incorrigíveis e portanto já não surpreende e deles espera-se quase tudo.
Até abastecerem onde o gasóleo é mais barato.
Agora, membros de Casas Reais, com vidas públicas estudadas ao mínimo detalhe, devem representar o melhor de cada sociedade a cada instante.
Caçar é claramente politicamente incorrecto. Fazer um safari no Botswana quando o país sofre com uma crise gravíssima, é claramente inaceitável.
Merece perseguição, manifestações, comunicados, petições e notícias internacionais. Ficam alguns excertos:
“Preocupa ao PP e ao Governo que o rei possa perder o apoio não da esquerda republicana, que nunca teve, mas de boa parte da direita e incluindo da direita monárquica”
A alimentar a polémica está também a demora da Casa Real espanhola em anunciar o que acontecera, o que levou a que a notícia se tenha sabido mais depressa através das autoridades do Botswana. Por fim, a fotografia de Juan Carlos armado diante de um elefante morto – a imagem é de 2006 – correu mundo e contribuiu para intensificar o escândalo.
A actriz francesa Brigitte Bardot escreveu uma carta aberta ao rei espanhol a dizer-lhe: “É indecente, repugnante e indigno de uma pessoa com a sua responsabilidade. Você é a vergonha de Espanha”. E na Internet está a circular uma petição para que Juan Carlos abandone o cargo de presidente honorário da filial espanhola da WWF, a qual já conta com mais de 40 mil assinaturas. O próprio Fundo para a Conservação da Natureza, para o qual não serão novidade as caçadas de Juan Carlos, prometeu através de uma mensagem no Twitter fazer chegar ao rei de Espanha todos os comentários e críticas que entretanto recebeu.
Em Espanha, a imagem de um rei a caçar no Botswana num momento de grave crise económica causou indignação. “Não é o que esperavam os espanhóis. É pouco edificante”, considerou Tomás Gómez. Várias organizações de defesa dos direitos dos animais, como a Igualdade Animal ou a Equanimal, chegaram mesmo a convocar manifestações para a porta do hospital onde Juan Carlos está internado.
A caçada do rei junta-se a outros escândalos recentes que têm atingido a família real espanhola, como o processo de corrupção de que é acusado o genro do rei e marido a infanta Cristina, Iñaki Urdangarín, ou o acidente em que, na semana passada, o neto de 13 anos de Juan Carlos, Felipe Juan Froilan Marichalar Borbón, disparou sobre o próprio pé com uma espingarda de três canos de calibre 36 quando praticava tiro ao alvo com o pai.
A polémica atravessou fronteiras. No New York Times foi referida a “polémica viagem de caça” que “acalentou as críticas sobre o modo de vida do rei num momento em que o país enfrenta uma crise económica”. E no britânico Guardian leu-se que “enquanto os espanhóis enfrentam a austeridade e a recessão, a família real desfruta de caras viagens de caça.”
Acho bem. Quem vem com o discurso intervencionista e ainda por cima é líder da WWF tem de agir em coerência e aceitar a ingerência de todo e qualquer eventual peticionário na sua vida. Agora não se queixem e aceitem a consequência natural: a resignação em favor do filho. Enquanto ele se comportar, claro.


