Uma Tendência Inquietante

Ontem, o Eurostat anunciou os dados relativos ao desemprego na zona euro em Abril de 2013. Na zona euro (17 países), a taxa de desemprego subiu de 12,1% em Março para 12,2% em Abril enquanto que na união europeia (27 países) a taxa manteve-se nos 11%. Portugal é o terceiro país na união europeia com a taxa de desemprego mais elevada com 17,8% (42,5% nos jovens [com menos de 25 anos]) a seguir à Grécia (27% geral, 62,5% nos jovens [dados de Fevereiro]) e à Espanha (26,8% geral, 56,4% nos jovens). Em Portugal o número total de desempregados em Abril era de 945 mil sendo que 172 mil eram jovens.

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Taxa de Desemprego Recorde Na Zona Euro

Segundo dados do Eurostat publicados hoje relativos a Março de 2013, o desemprego na zona euro atingiu o valor recorde de 12,1%. Portugal mantém a terceira maior taxa de desemprego com 17,5% a seguir à Grécia, com 27,2% e à Espanha com 26,7%. Em relação ao desemprego jovem, Portugal com 38,3% é o quarto país com a maior taxa  a seguir à Grécia (59,1%), Espanha (55,9%) e Itália (38,4%).

Desemprego_Marco_2013

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Unlucky Number Seven

O press release conjunto da Comissão Europeia, Fundo Monetário Internacional e o Banco Central Europeu (aka ‘A Troika‘) relativo à sétima avaliação do programa de ajustamento pode ser encontrado aqui e aqui. Aguardamos pelo relatório final.

A apresentação de hoje do Vítor Gaspar encontra-se aqui.

Leitura complementar:

O Desemprego na União Europeia

O Eurostat publicou hoje um relatório sobre o estado do desemprego na União Europeia em Janeiro de 2013. Em relação à zona Euro (17 países) registou-se um aumento de 0,1% em relação a Dezembro de 2012 e de 1,1% em relação a Janeiro de 2012 para 11,9%. Já em relação à União Europeia  (27 países) o aumento foi também de 0,1% em relação a Dezembro de 2012 e de 0,7% em relação a Janeiro de 2012 para 10,8%. Os países que apresentam menores taxas de desemprego são a Áustria com 4,9% e a Alemanha e o Luxemburgo ambos com 5,3%. Portugal apresenta a terceira maior taxa de desemprego da União Europeia com o valor de 17,6% a seguir à Grécia com 27,0% (dados de Novembro) e à Espanha com 26,2%.

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Imprevisões

O emprego em Portugal atingiu no último trimestre de 2012 o valor histórico de 16,9%. A evolução da taxa de desemprego média anual pode ser observada no gráfico abaixo criado a partir de dados do Pordata, sendo que de acordo com dados do INE, no terceiro trimestre de 2012 verificou-se uma taxa de desemprego de 15,8% e no último trimestre de 16,9%. Além dos dramas pessoais envolvidos, o desemprego representa um desaproveitamento de recursos humanos assim como uma menor receita fiscal e um aumento das despesas sociais.

Desemprego2012

É de salientar que Vítor Gaspar escreveu na Proposta de Orçamento de Estado de 2013, datado de Outubro de 2012, o seguinte: “A taxa de desemprego [em 2013] deverá situar-se em 16,4%, mais 0,9 p.p. do que o previsto para 2012“. Sendo este o valor médio para o ano, o valor esperado em Outubro de 2012 para o ano seria de 15,5% quando na realidade se veio a revelar de 15,7% (dados do INE). Ou seja só no período de três meses registou-se um desvio de 0,2% para o ano inteiro.

Este aumento do desemprego, acima do esperado, não é nada que me surpreenda dada a política fiscal seguida pelo governo ao privilegiar o aumento da receita em detrimento da redução da despesa.

Para o objectivo de 16,4% ser atingido em 2013, o desemprego terá que recuar no valor global do ano em 0,5%. Eu não creio que isto venha acontecer. Antes pelo contrário, acho que a tendência será para aumentar. Pedro Passos Coelho admite que o desemprego irá continuar a subir mas acredita que a partir do Verão haverá uma inversão da tendência. Não sei em que se baseia a crença do primeiro-ministro, mas espero bem que a inversão da tendência se concretize o mais rapidamente possível.

Sobre as razões do recente aumento no desemprego

“Subida do desemprego: um drama inevitável?” de Tavares Moreira (Quarta República)

A verdade é que o excesso de despesa em que a economia portuguesa viveu anos a fio, desde pelo menos 1997, em boa parte alimentado por gastos excessivos do sector público, ajudou a criar e expandir toda uma série de actividades, sobretudo no domínio dos serviços e do comércio – restauração, cafetarias, serviços de saúde e beleza, de limpeza, comércio a retalho, etc, etc – todas de mão-de-obra intensiva, que, quando a crise financeira se abateu sobre a economia, começaram a desaparecer como espuma batida pelo vento.

Acrescentemos a isso o sobredimensionamento do sector da construção e obras públicas, este alimentado por uma política de crédito bancário inacreditavelmente generosa, que o elevou a um nível de endividamento absurdo, o qual tem sofrido quebras acentuadíssimas da produção devido à semi-paralisia do mercado de habitação e à redução drástica das obras públicas – e também ele mão-de-obra intensivo.

Os sectores citados (…) têm sido os grandes alimentadores do desemprego, a que se somam muitas indústrias situadas a montante do sector da construção civil e obras publicas que viram o seu nível de actividade entrar em queda abrupta, arrastadas pelo colapso daquele sector.

O desemprego é, sem dúvida, uma chaga social que urge combater…mas o combate mais eficaz teria sido não incorrer nos imensos disparates de política económica e financeira cometidos ao longo de anos a fio, tendo atingido quase o delírio nos 6 anos que antecederam o terrível acordo com a Troika. Tendo abdicado desse combate, o desemprego tornou-se agora tão dramático quanto inevitável.

O SMN em Portugal

A propósito da discussão gerada em torno dos “mini-jobs” e da parcial desregulação do mercado laboral que esta medida implica deixo aqui um estudo sobre o impacto do SMN em Portugal de que é co-autor João Cerejeira da Silva. Aconselho pelo menos a leitura do Sumário Executivo (pp 4-7 do pdf)

Uma medida para combater o desemprego

Em 2003 o chanceler Gerhard Schroeder (um conhecido “neoliberal”) propôs a criação dos “mini-jobs”. Empregos a tempo parcial cujo salário máximo seria 400 euros, isentos de impostos sobre o rendimento e cujas contribuições para a segurança social seriam voluntários. Foi duramente criticado mas parece que a ideia resultou em pleno. Mas há que ache que é preferível manter as pessoal no desemprego.

Em permanente campanha pelo aumento do desemprego

Jornal de Negócios

A CGTP apresenta hoje dez medidas de combate ao desemprego que passam, nomeadamente, pelo aumento do Salário Mínimo Nacional (SMN) e das prestações sociais, como forma de promover o consumo interno e dinamizar a economia.(…) Numa altura em que a taxa de desemprego em Portugal se situa nos 14,9%, de acordo com os últimos dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) referentes ao primeiro trimestre do ano, a CGTP defende a redução do horário de trabalho “para as 35 horas semanais, sem adaptabilidade e sem redução de salário”.

Confesso que tenha alguma dificuldade em hierarquizar as propostas da CGTP pelo número de pessoal que iriam lançar para o desemprego. Porém não resta qualquer duvida quanto ao seu elevado poder destrutivo. Especialmente quando conjugadas.

E agora uma notícia para competir com a do “rancho” do ministro Relvas

UGT vai propor aumento do salário mínimo e das pensões

“Em Setembro iniciaremos uma agenda mais ambiciosa, nomeadamente na política de rendimentos”, disse, em conferência de imprensa, o secretário-geral da central sindical, João Proença.

Pedro Passos Coelho e Jerónimo de Sousa sobre o Desemprego.

O primeiro-ministro apelou hoje aos portugueses para que adotem uma “cultura de risco” e considerou que o desemprego não tem de ser encarado como negativo e pode ser “uma oportunidade para mudar de vida”.

Passos Coelho referiu que “estar desempregado não pode ser, para muita gente, como é ainda hoje em Portugal, um sinal negativo”. “Despedir-se ou ser despedido não tem de ser um estigma, tem de representar também uma oportunidade para mudar de vida, tem de representar uma livre escolha também, uma mobilidade da própria sociedade”, afirmou o primeiro-ministro, durante a tomada de posse do Conselho para o Empreendedorismo e a Inovação, no Centro Cultural de Belém, em Lisboa. (ver ligação na reação de Jerónimo)

Passos Coelho disse o óbvio:
- Em Portugal, o principal problemas de cultura económica é a Falta de Cultura do Risco;
- Estar desempregado não deve ser encarado necessariamente como algo negativo, pois pode também ser uma oportunidade, como qualquer crise é vista na cultura chinesa.

Face a estas declarações pacíficas e até de incentivo, qual foi a reação do Partido Comunista Português?

Jerónimo reagiu imediatamente para dizer 2 disparates:

1. “O Governo esconde o número [do desemprego] aos portugueses, particularmente aos desempregados e não é por erro de cálculo, não é por erro de contas. É para tentar mistificar aquilo que hoje é um dos problemas centrais do nosso país, um dos problemas centrais da juventude, particularmente, que ainda por cima tem como resposta, como conceção, por parte do primeiro-ministro esta ideia ofensiva para mais de um milhão de desempregados”
Isto é falso, pois é o INE que tem de calcular e a Comunicação Social que deve divulgar. O que faz regularmente, de resto.

2. O secretário-geral do PCP questionou como é que “um primeiro-ministro pode ofender esses que estão numa situação desesperada não por não querem encontrar emprego, não porque não querem trabalhar, antes pelo contrário”.
O 1º Ministro não ofendeu. Antes pelo contrário. Deu uma esperança: o mundo não se resume a uma carreira profissional. Portugal tem cada vez mais exemplos, desde a conquista do prémio Leya, a exemplos como o do pintor de camélias, até algo mais sistemático como a conferência UBI sobre Desemprego e empreendedorismo.

O país, perante as óbvias dificuldades, tenta lançar-se para a frente e sair da crise. PPC apoia. Jerónimo acha isso ofensivo.

PPC e Jerónimo vêm as dificuldades. PPC aponta uma saída possível. Jerónimo só vê motivos para desespero. É pena.

Indemnizar despedimentos finalmente em valores Europeus

Segundo o Diário Económico, os valores das indemnizações em Portugal baixam em Novembro para 6 a 13 dias por ano de antiguidade, alinhando assim Portugal com a média Europeia.

Finalmente será mais fácil contratar sem um medo tão grande de depois se ficar preso a uma pessoa que mais tarde se prove inapta para o trabalho. Ficam assim mais fáceis as contratações e ataca-se uma das causas do Desemprego, numa importante aproximação às práticas comunitárias.

A ver se evitamos isto:

O Desemprego na Europa e nos EUA é baixo

Criar empregos depende de 2 factores:

- Capital (Capacidade para investir)

- Lucro (Motivo para investir)

Considerem o que se faz nestas Economias Keynesianas. Considerem o estímulo ao consumo. O modo como este consumo adicional destrói as poupanças e consome capital. Se alguém não tem dinheiro, tem de pedir emprestado, mas… a quem? Devedores são ajudados, credores são taxados: qual é o incentivo? Não admira que não haja capital para investir.

E quanto ao lucro. Têm mais risco que salário (cerca de 99,9% de meses que uma pessoa trabalha, o salário é pago), renda (cerca de 99,9% de meses em que uma casa é arrendada, a renda é paga) ou juros (mesmo no ambiente actual, cerca de 99,9% das vezes que depositamos uma poupança, o juro é pago). Logo, a rentabilidade tem que ser maior para valer a pena. E se houver lucro? É não só taxado, como perseguido: as empresas realizam contabilidade criativa para o esconder, quer do Estado quer do público.

Claro que depois de destruir estes 2 factores, os Estados criam barreiras:

- Exige o pagamento de um salário mínimo, eliminando todos os empregos cuja rentabilidade seja abaixo daquela (sobretudo na Espanha)

- Para agravar o ponto anterior, exige diversos pagamentos adicionais, mesmo nos empregos menos bem pagos (nos recibos verdes, conheço enfermeiras que ganham menos de 1000 Euros brutos e que descontam metade!)

- Para agravar o ponto anterior, oferece (de borla…) às pessoas que aceitem não trabalhar um rendimento  não muito inferior ao que receberiam (líquido) se trabalhassem! – Tenho um tio que no Alentejo não arranja um par de pessoas para trabalhar nos seus terrenos pois preferem estar todos no chaparro a colectar o RSI!

- Se ainda assim as pessoas forem trabalhar, dá todo o tipo de incentivos à ineficiência (direitos superiores ao de outros países do OCDE, pagamento superior aos funcionários públicos que aos privados, exemplo dado pela promoção por idade e não por mérito, seguimento da regra “quem chora, mama” como demonstram os salários dos professores de 10º escalão e dos motoristas da CP, diabolização de diversos grupos de bem-sucedidos…)

O que me espanta? Que 90% ainda trabalhem, o que se pensarmos bem é um número bastante elevado. E só possível porque o Estado afasta muitos das estatísticas classificando-os como “inactivos” porque “nas últimas 4 semanas não procuraram emprego”.

Sinto-me melhor. Receio que quem ler este artigo não. Sorry.