O posicionamento ideológico de António Costa

Estes tipo de testes deve ser encarado com cautela – e o Political Compass tem além disso algumas fragilidades específicas – mas este é ainda assim um exercício interessante: Costa mais à esquerda que Tsipras e que Dalai Lama.

É pena que António José Seguro não tenha respondido. Seria ainda mais interessante comparar os resultados dos dois.

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Pedro Passos Coelho e a Tecnoforma

Tecnoforma era o “principal mecenas” da ONG de Passos Coelho, mas não diz quanto dava
Passos: pagamento de despesas sim, salários não
Passos explicou-se. Pena ter demorado tanto
Passos “prestou todos os esclarecimentos”, diz Cavaco
As 17 frases de Passos sobre o caso Tecnoforma

Programa de Governo 2015- “Para um Estado Social de modelo escandinavo em Portugal” (2) – Financiamento

O financiamento do Estado social deve ser claro e transparente de forma a que todos os Portugueses saibam quanto este custa, em cada uma das suas componentes. O imposto social, sobre o rendimento, incluirá o que hoje são o IRS e as TSU do lado da empresa e do trabalhador. No momento zero desta alteração será suficiente:

- Alteração de todos os salários nominais para incluírem a prestação suplementar paga à parte pela empresa. Um salário de 1.000 Euros, passará a ser um salário de 1.237,5 Euros.

- A tabela de descontos, única, incluirá os 34,75% da antiga TSU, ajustados à nova base que é 23,75% superior. As taxas marginais seriam, no momento 0, iguais Às taxas marginais do actual IRS.

- Alterar subsídios e transferências indexados ao salário nominal atendendo ao aumento artificial de 23,75%

Exemplo:

Salário mínimo

Antes:

Nominal: 585 Euros; IRS:0 ; TSU(t): 64,35 Euros; TSU(e): 138,94 Euros ; Líquido: 520,65

Depois:

Nominal: 723,93 Euros; Imposto Social sobre Rendimento (ISR@28,1%): 203,29 Euros ; Líquido: 520,65

Salário de 1048 Euros

Antes:

Nominal: 1048 Euros; IRS (retenção):44,66 ; TSU(t): 115,28 Euros; TSU(e): 248,9 Euros ; Líquido: 932,65

Depois:

Nominal: 723,93 Euros; Imposto Social sobre Rendimento (ISR@28,1%): 203,29 Euros ; Líquido: 520,65

Nota: Para nova tabela usar a tabela 2014 continente e somar a coluna “C” 28,1%.

Esta medida em si seria fiscalmente neutra mas permitiria:

- Simplificação burocrática na relação entre contribuintes e Estado

- Eliminação da estrutura de recolha e controle da TSU

- Transparência na relação entre o contribuinte e o Estado

Mais um passo para o modelo de Estado Social Escandinavo!

Nota: A alteração do modelo de financiamento, nomeadamente a sua transparência, é fundamental para as medidas que aí vêm. Sempre a caminho do Estado Social Escandinavo.

Programa de Governo 2015- “Para um Estado Social de modelo escandinavo em Portugal” (1) – Salário Mínimo

Do Salário Mínimo

Em vez de termos o Governo a coordenar com as associações empresariais, que poucas empresas representam, a negociação do salário mínimo com associações sindicais, que poucos trabalhadores representam, a ser aplicado em todos os contratos de trabalho, propomos que o Governo estabeleça o salário mínimo a praticar pelo Estado como empregador e que o salário mínimo passe a constar dos acordos colectivos de trabalho negociados entre empresas ou grupos de empresas e entre sindicatos e organizações sindicais.

A caminho do modelo de Estado Social ao estilo Escandinavo!

Fé e Razão

Há uma falha na crítica de Rui Ramos a Stephen Hawking aqui abaixo citada pelo André Azevedo Alves. (E nem sequer me refiro ao último parágrafo do artigo, perfeitamente pornográfico, onde está plasmada uma falácia gritante de «guilt by association».) Essa falha está no uso implícito de um entendimento incorrecto de razão e na confusão de religião e filosofia.

Alguém acreditar que a razão é a ferramenta cognitiva disponível ao homem e que com ela poderá entender a realidade é uma posição filosófica (metafísica e epistemológica), não uma posição religiosa. Como cada religião é também um sistema filosófico (podendo ser mais on menos completo, conforme cada caso), terá também posições metafísicas e epistemológicas. As coisas estão ligadas mas são diferentes.

A crítica de atribuir um carácter religioso à ciência é uma posição entre o nihilista e o céptico; como se o conhecimento revelado e o conhecimento descoberto fossem igualmente ilusórios.

Continuamos a ser tratados como crianças

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Temos de proteger os coitadinhos dos eleitores. Há uns senhores maus que os querem influenciar com sondagens maléficas.

(na imagem, um editorialista mal intencionado tenta confundir duas simpatizantes socialistas com uma sondagem que dá um empate técnico na secção de Francelos)

Quem te avisa…

Dois importantes avisos a António Costa.

1. Ser Presidente da um município não é compatível com ser Secretário Geral de um partido, dada a enorme exigência de agenda. Quem dá o aviso é o próprio António Costa, versão 2012.

2. As obras na rotunda no Marquês tinham tudo para correr mal. Iriam causar cheias e, pior ainda, obrigar a uma nova intervenção, com isso desperdiçando o dinheiro dos contribuintes. Quem dá o aviso é um senhor com a 4ª classe, embora com mais bom senso que muitos graduados.

Stephen Hawking e o culto do cientismo

O deus de Stephen Hawking. Por Rui Ramos.

Para os cristãos, Deus fez-se carne; para Hawking, Deus fez-se ciência, e é por isso que não hesita em reivindicar para a ciência todos os tradicionais atributos divinos, menos os “milagres” – o que, todavia, não o impede de avançar com transcendentes promessas de salvação, como a de que a exploração espacial “poderá evitar o desaparecimento da Humanidade devido à colonização de outros planetas”. A ciência, aparentemente, tem os seus milagres, embora do género Star Wars.

Isto não é certamente agnosticismo, mas também não é apenas ateísmo. É a antiga superstição da ciência, o velho culto do progresso, típico dos autodidactas do século XIX, quando a máquina a vapor e a electricidade foram celebradas como os poderes do futuro homem-deus. De facto, é Hawking que representa, nesta história, a fase mais primitiva.

Festa é festa

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Na Venezuela a escassez de alimentos, as dificuldades económicas e a perseguição política teimam em persistir. No entanto, nem tudo é péssimo no paraíso terreno: Caracas vai dançar ao som de cinco orquestras cubanas.

Servos das já-não-tão-belas artes

O meu texto de ontem no Observador, ainda sobre a cópia privada.

‘Na sexta feira a lei da cópia privada foi aprovada na generalidade por PSD e CDS. Isso, ao contrário do que algumas pessoas malévolas – e, evidentemente a soldo dos mais obscuros interesses que corroem subterraneamente a sociedade portuguesa e sabe-se lá se não mesmo financiadores do ISIS – afirmam, será ótimo para o país. Explico porquê.

Em primeiro lugar, o óbvio: vamos ter um novo imposto, mais 15 a 20 milhões de euros a passar dos privados para o estado e deste para várias organizações burocráticas que representam os artistas (todos – menos aqueles que não representam). Mais uma maravilha deste governo viciado em impostos.

Em segundo, inauguramos o tempo do Estado inventar impostos, assim como na embaixada de D. João V a Roma se lançavam moedas, de cada vez que um negócio se torna obsoleto. Como um bom senhor disse no programa Prós e Contras de 15 de setembro, as vendas de música em cd têm decrescido. É certo que não se entende o que estas estatísticas têm a ver com a cópia privada – que pretende regular a cópia daquilo que anteriormente se adquiriu – porque qualquer criança entende que se não se adquire nada, então também não se tem a possibilidade de copiar. Mas deixemos essas lógicas elaboradas para outras áreas da governação menos importantes, como a Educação ou a Justiça.’

O resto está aqui.

O título é um tanto injusto para as Belas Artes, que se eu fosse multimilionária seria com certeza colecionadora de pintura, mas é para dar o efeito que os artistas rentistas têm no azedar do que é bom.

A Escócia, o Reino Unido (sem aspas) e Portugal

Piada “verde”. Por José Manuel Moreira.

Vitória que pode ser tida como sinal de mais confiança num Reino Unido (UK) como “União de Nações” do que numa UE que é cada vez mais uma “União de Estados” capturada por tecno-burocratas que inventam impostos, taxas e controlos que tolhem a vida dos povos. Basta ver como a legalização da cópia privada no UK contrasta com a obscena lei aprovada pelo PSD e CDS por iniciativa de um SE da Cultura mais preocupado em servir lobbies e seguir directivas europeias do que com os prejuízos à economia e aos consumidores. Mas talvez o melhor exemplo de seguidismo em relação à UE seja a anunciada reforma fiscal verde: justificada com a promessa de baixar outros impostos. Trata-se, como se diria em Espanha, de um “chiste verde”: uma piada obscena. Com graça acrescida quando se olha para a forma como os filhos da geração que gastou a herança dos avós (e se tornou incansável no esforço para deixar dívidas aos descendentes) acolhem – em nome da salvação do Planeta – o novo saque da fiscalidade verde e a treta da neutralidade.

Sobre a aprovação da absurda nova Lei da Cópia Privada (3)

Servos das já-não-tão-belas artes. Por Maria João Marques.

Parecendo que não, esta ideia de que as empresas e consumidores podem ser (ainda mais) sangrados para sustentar artistas que não vendem e burocratas das áreas culturais, e de recompensar a inércia, é mais mortífera do que os 20 milhões da taxa.

Leitura complementar: A nova Lei da Cópia Privada: uma mancha notável.

O que não se vê

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O que se vê

Aumentou o salário mínimo nacional (SMN) em 20€. 400 mil pessoas que auferem o SMN vêm o seu rendimento aumentado em 20€.

O que não se vê

1. Quando o preço de um bem aumenta, neste caso o da mão de obra no mercado do trabalho, a procura por esse bem tende a diminuir. Por outras palavras, gera-se desemprego, especialmente da população menos qualificada e mais jovem, jovens que agora terão mais dificuldade em entrar no mercado de trabalho. Este efeito ocorre geralmente da seguinte forma: empresas que noutras circunstâncias iriam contratar pessoal adicional para compensar picos de encomendas, irão agora preferir pagar horas extra aos que já estão empregados. Isto é especialmente verdade em mercados de trabalho muito rígidos, como é o caso do português.

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2. Prejudica essencialmente micro e pequenas empresas, retirando-lhes competitividade comparativamente a grandes empresas com capacidade para absorver os aumentos e que já pagam acima do SMN. Não é de estranhar, portanto, que a Confederação Empresarial de Portugal apoie esta medida, dado que o seu músculo são grandes empresas.

3. Não é um método eficaz para reduzir a pobreza, porque os verdadeiramente pobres não são os que estão empregados, são os que nem sequer conseguem entrar no mercado de trabalho.

Como aumentar o rendimento sem ser através do SMN

Menos evasivo do que aumentar o SMN seria reduzir os encargos fiscais para quem recebe o SMN, compensando a diferença com o corte numa outra qualquer rúbrica de despesa. Mas a manter o SMN, a teoria e a evidência empírica são contundentes em referir que o SMN, a ser, deverá ser abaixo dos 50% do salário mediano. Ora, no caso português é 58% do salário mediano, 8 pp acima.

Referências

[1] – David Neumark and William Wascher, “Minimum Wages and Employment: A Review of Evidence from the New Minimum Wage Research,” National Bureau of Economic Research, Working Paper no. 12663, November 2006.

[2] – Llewellyn H. Rockwell Jr. (October 28, 2005). “Wal-Mart Warms to the State – Mises Institute”. Mises.org. Retrieved October 5, 2011.

[3] – A blunt instrument, The Economist, 2006.

Histórias de um país com salário que se diz mínimo e nacional

O José e a Matilde casaram-se há 30 anos em Felgueiras. Conseguiram com esforço construir uma pequena casa num terreno dos pais dela. Os filhos, já casados, deixaram a casa. Ganham ambos o salário minimo numa fábrica de sapatos onde trabalham. Os 970 euros não dão para luxos, mas depois de pagar 300 euros de gasolina, de despesa com telemóveis, electricidade, água e internet ainda lhes sobra quase 700 euros para comer e outras despesas pessoais. Vão passear ao Porto aos domingos à tarde, participam nos passeios da paróquia e, perante os protestos dela, ele até subscreveu a Benfica TV. Volta e meia, dão 100€ a um filho mais enrascado. Se alguém lhes perguntar, dirão que pertencem à classe média. Ouvem a notícia do aumento do salário mínimo. “Olha Zé, vamos receber mais 40€ a partir do mês que vem”, “Coitado do nosso patrão, vai ter que pôr menos gasolina no mercedes!”. Passados 3 meses vem a má notícia: a secção de solas, onde o Zé trabalhava, vai fechar. Parece que agora passarão a importar as solas da Roménia. O Zé fica desolado. Com aquela idade já não conseguirá encontrar outro emprego. Ficam os dois a pensar que a vida decente que tinham com 970 euros já não poderão ter com 505. “Assim que se acabar o subsídio, acaba-se a Benfica TV”, desabafa a Matilde.

O senhor António tem um restaurante na Avenida há 30 anos. Com o tempo foi deixando de poder gerir a coisa sozinho com a mulher. Contratou a Rosa para cozinheira. Paga-lhe o salário mínimo, sobre o qual faz todos os descontos e dá-lhe mais 200€ por fora. “Parece que o salário mínimo vai aumentar”, diz a Rosa. “Pois, mais descontos para fazer. A coisa está difícil, vou ter que dar menos dinheiro por fora. amanhã pergunto ao contabilista como é e depois falamos”. “Que chatice, bem podia ter deixado as coisas como estão”, suspira a Rosa.

A Natacha engravidou pela primeira vez aos 17 anos. O namorado, de 16, não quis saber. Aos 23 já tinha 3 filhos. Quando os pais morreram ela deixou de ter quem a ajudasse. Agora, sozinha, recebe o salário mínimo nacional, que mal dá para a renda de casa em Lisboa. A verdade é que com 3 filhos, nem 800€ lhe chegariam. A Natacha tem bom aspecto e vai tendo namorados, mas nenhum se quer casar com uma mãe de três filhos. Um dia, ao passar pelas páginas do Correio da Manhã, surge-lhe uma ideia sobre como dar a volta à sua vida. Avança sem pensar duas vezes. Passados 6 meses, já com algumas poupanças, aluga um T2 para a família e um estúdio para receber os clientes. Numa dessas noites, antes de receber um cliente, liga a televisão e fica a saber que o salário mínimo nacional aumentou 20€. “Que miséria, não percebo como pode alguém sobreviver em Lisboa com esse dinheiro”, pensa enquanto se prepara para o próximo cliente.

A Ana não gosta muito de café, mas precisa dele para aguentar o trabalho chato. Tem por hábito colocar apenas uma colher de açúcar para evitar engordar. Um dia resolve colocar mais meia colher para dar sabor ao café. No final da semana, pesa-se: nem mais uma grama. Acha que até perdeu qualquer coisa. No mês seguinte resolve pôr duas colheres. No final da semana, continua sem ganhar peso. Bem, acho que descobri o segredo: se aumentar apenas meia colher de açúcar no café por mês, o açúcar não engorda. Ao fim de 6 meses já coloca 5 colheres de açúcar no café. “Assim, sim, vale a pena tomar café”. A Ana começa a ficar redondinha. “Tenho que começar a cortar na fruta do pequeno-almoço”, pensa depois de colocar a quinta colher de açúcar no café.

Ainda o salário mínimo (2)

Não partilhando as “congratulações” com o acordo alcançado partilho as reservas da Margarida Corrêa de Aguiar (Quarta República) quando ao aumento do SMN:

1ª A medida poderá custar cerca de 25 milhões de euros aos cofres da Segurança Social. Não está claro quem paga este custo. Atendendo à natureza da medida, o seu custo deve ser pago pelos impostos para compensar a Segurança Social da perda da respectiva receita. A Segurança Social não pode dispensar esta receita, considerando a existência de problemas de sustentabilidade financeira e a necessidade das pensões em formação serem asseguradas pelas contribuições de acordo com a TSU que está em vigor.
2ª As empresas que nos últimos anos optaram por pagar salários superiores ao SMN, não tendo optado pelo congelamento em vigor, não serão beneficiadas com a descida da TSU. Não parece fazer sentido. Há uma espécie de penalização do “bom infractor”.
3ª As empresas terão um incentivo financeiro para concentrar a contratação de remunerações no SMN. Uma remuneração de 510 euros já não aproveitará a descida da TSU. Não parece fazer sentido.

Em suma, para além de penalizar a oferta de emprego, parte do aumento do SMN vai ser financiado por via fiscal e aumentar ainda que marginalmente o problema da insustentabilidade do Segurança Social. Para além disso cria incentivos para a descida dos salários mais baixos.

Bloco anedótico

Sem dúvida que duas cabeças de vento pensam melhor do que apenas uma.

Um ano depois de ter trazido o piropo para a discussão pública com uma primeira intenção de o criminalizar, o Bloco de Esquerda insiste no assunto. O partido leva esta quarta-feira à discussão no plenário do Parlamento uma proposta que classifica como crime o assédio sexual – onde se inclui o assédio verbal – e outra para perseguição. (…)

O BE cita posições e estudos da APAV, UMAR e CITE para argumentar que a tipificação do crime de assédio sexual é importante para servir como efeito dissuasor. Por assédio sexual entende-se a proposta reiterada de “favores de natureza sexual” ou “comportamento de teor sexual indesejado, verbal [onde se inclui o piropo] ou não verbal, atentando contra a dignidade da pessoa humana”, lê-se no texto bloquista.

Entre os exemplos estão situações de assédio sexual “entre professores e alunos, passando pela agressão a que as jovens e mulheres estão sujeitas nas ruas”, que provocam “custos no desenvolvimento da personalidade de jovens adolescentes, vítimas privilegiadas destes comportamentos”.

O tema foi trazido para a ribalta na rentrée do Bloco, no Fórum Socialismo 2013, com a mesa-redonda “Engole o teu piropo” em que as organizadoras – duas feministas, uma delas militante bloquista – defenderam que o piropo devia ser criminalizado. E estalou a polémica. Depois, vieram justificar que pretendiam apenas “levantar a discussão sobre o assunto” e não protagonizar qualquer iniciativa de proibir o piropo. (…)

 

Leitura complementar: Bloco insiste em punir o Piropo: Portugueses dizem “é boa, seus tesudos”. 

Adenda: Insatisfeito com a falta de alcance proibicionista do “Engole o teu piropo”, uma cabeça bloquista aposta tudo contra o anúncio do Euromilhões, exigindo um pedido público de desculpas. (obrigado à Tucha pela indicação).

 

 

O Tigre Celta volta a atacar

Imagem que o jornal britânico The Guardian usou em 2010 para criticar os cortes que estavam a ser feitos.

Imagem que o jornal britânico The Guardian usou em 2010 para criticar os cortes que estavam a ser feitos.

Em Setembro de 2010 escrevia assim David McWilliams, um conhecido (e reconhecido) economista irlandês:

“For me as an Irish citizen, this is like watching a slow car crash. The more they cut, the more the economy will continue to stagnate. The Irish government seems to think they can emote the economy to life by sloganeering, but people who don’t understand economics have taken over.”

O economista referia-se, entre outras coisas, às medidas que concretizaram uma dura e exigente consolidação fiscal: i) despedimento de cerca de 25 mil funcionários públicos; ii) redução do salário de funcionários públicos e salário mínimo congelado desde 2007; iii) redução do défice fiscal, onde cerca de 70% da consolidação se deveu a cortes na despesa; iv) privatização de um conjunto vasto de activos do Estado, como a Bord Gais.

Na perspectiva de McWilliams, aliás repetida até à exaustão em Portugal, tais cortes seriam contraproducentes: “o multiplicador fiscal é positivo”, “por cada euro cortado o PIB irá decrescer mais do que 1 euro”, “virá aí uma espiral recessiva”. Ou pelo menos assim rezava a narrativa dos Keynesianos, uma vez mais incapazes de compreender, ou aceitar, de que a contracção da procura agregada era uma consequência da crise, e não a sua causa.

Volvidos 4 anos e em contraste com o discurso daqueles que recusam a disciplina orçamental, a Irlanda deu um estalo de realidade: um crescimento trimestral de 7.7%, juntamente com uma redução no desemprego de 15% para 11.5%, um recorde de 5 anos. E o mercado gostou do que viu: a taxa de juro a 2 anos da dívida pública está agora em terreno negativo, situação que até então era exclusivo da Alemanha, e a taxa de juro a 10 anos está a 1.83%. Este valor contrasta com os 3.16% pedidos a Portugal, e desfaz a teoria corrente de que a descida das taxas de juro é obra de Draghi. Esta pequena diferença, que fica então por explicar, permitiria poupar cerca de 3 mil milhões de Euros em serviço de dívida.

Muito trabalho antecedeu esta recuperação. Entre 1995 e meados de 2000, a República da Irlanda assistiu a um rápido crescimento económico que projectou o país para o exclusivo grupo dos países mais ricos do mundo. Não obstante a complexa dinâmica — demasiadas vezes imprevisível — que rege a economia e os seus agentes, o forte aumento do investimento estrangeiro, o aumento exponencial das exportações, a redução significativa da dívida pública, uma das mais baixas taxas de desemprego e, em suma, o forte crescimento económico, foram o resultado de reformas. Entre elas, uma convicta alteração ao IRC, com uma significativa redução das taxas para os 10-12.5%, menos de metade do que se planeia para Portugal.

Nenhuma destas medidas preconiza um momento de particular orgulho: eram, e são, um mal necessário. Foram executadas, e na gíria dos comuns, depois da tempestade vem a bonança. Para tragédia dos comuns, em Portugal protela-se a tempestade, devidamente acantonada nas promessas vãs e no discurso demagógico que promete tudo a todos, um mundo de maravilhas em que no final do dia não há esperança, quanto mais bonança. Mas tomem lá mais 20 Euros, que amanhã também é dia. Só não será é de bonança.

Ler mais: o modelo irlandês. Adenda: antes que inundem a caixa de comentários argumentando que o salário mínimo na Irlanda é muito superior ao nosso, peço-vos que comparem o custo de vida em relação a Portugal.

Entretanto na Alemanha (2)

No seguimento do post anterior, um aviso da Standard & Poor’s acerca da subida do eurocéticismo na Alemanha:

A surge in popularity for a German Eurosceptic party could hit weaker eurozone countries’ borrowing costs, rating agency Standard & Poor’s said on Tuesday, as a poll put national support for Alternative for Germany (AfD) at a record high.(…)

Chancellor Angela Merkel has so far refused to shift her conservatives to the right to fend off the challenge, but S&P said in a report she may yet toughen her stance and reduce scope for future help for weaker eurozone states to win back voters. Continuar a ler

Asas à imaginação

“(…) No essencial, a dita alternativa [à venda rápida do NB] teria de passar por um novo empréstimo ao Fundo de Resolução (FR), este de longo prazo e convertível em capital, concedido pelos bancos contribuintes. Os intentos desta proposta seriam a) evitar a venda à pressa do NB; b) reduzir o custo efectivo da operação do FR; c) permitir aos bancos o acompanhamento do FR, mediante um órgão de obrigacionistas, e; d) reembolsar de imediato o Tesouro, afastando de cena a dívida pública”, no meu artigo de hoje no Diário Económico.

Entretanto na Alemanha

EU Observer

The German anti-euro party AfD has 10% support, according to a Forsa poll released Tuesday. The party wants Germany to scrap the euro and return to the Deutschmark. AfD won seats in state legislatures in Brandenburg and Thuringia on 14 September, and in Saxony two weeks earlier

A saga dos Merah

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Depois do turismo, o regresso.

Three Frenchmen, including the brother-in-law of a Toulouse-based al Qaeda-inspired gunman who killed seven people in 2012, were arrested on Tuesday at a Paris airport suspected of having joined Islamic militants in Syria, a French official said.

Around 150 militants who fought with rebel groups in Syria and Iraq have returned to France, requiring “massive” resources for surveillance and other security measures to prevent attacks.(…)

The three men including the husband of Souad Merah, whose brother Mohamed killed seven people including three Jewish children in March 2012, were arrested at Orly airport in Paris. (…)

Leituras complementares: Mohamed Merah e as restantes “vítimas da sociedade”Em nome do quê?; Falta de vergonha;  Rock the casbah.

 

Por favor, não parem

A Casa dos Segredos, versão PS.

O ex-candidato presidencial Manuel Alegre acusou segunda-feira à noite o secretário-geral socialista, António José Seguro, de recorrer a um “populismo incompatível com o PS” ao propor a redução do número de deputados de 230 para 181.

“Isso não é a cultura democrática do PS. Isso é populismo incompatível com o PS”, disse, sustentando que “falso moralismo nada tem a ver com a transparência ou ética republicana”.