Leitura dominical

Os nossos homens (e mulheres) em Belém, a opinião de Alberto Gonçalves no DN.

Para início de conversa, tenho a agradecer aos pilotos da TAP a consideração que me dedicaram. Com duas viagens marcadas na companhia, gostei de ver o início da próxima greve aprazado para logo depois da primeira e o fim para o dia anterior à segunda. Muito, muito obrigado.

Egoísmo? Sorte? Não é nada disso. Se fosse, Portugal em peso não estaria comigo na defesa da TAP e dos seus funcionários contra os ventos da privatização. A TAP, já se sabe, é bandeira, caravela nas nuvens, baluarte da soberania, símbolo nacional em suma. A TAP é perfeita, donde não admira que toda a gente goste dela. Toda a gente, excepto, somente, os próprios pilotos, que criticam os maus resultados financeiros da empresa. E a administração, que diz que assim a empresa não vai longe, no sentido contabilístico além do literal. E os agentes turísticos, que prevêem um prejuízo desmesurado em função da “paralisação”. E os 300 mil passageiros que ficarão em terra entre os dias 1 e 10 de Maio. E os milhões de contribuintes, que temem a factura destes e doutros folguedos. E o governo, que se quer livrar daquilo quanto antes. E os investidores, que fogem da TAP como um talibã do deboche.

Tirando estas irrelevâncias, a TAP é querida pela generalidade das pessoas, leia-se o povo, que na sua sabedoria sabe valer mais uma empresa no Estado do que alguns aviões privados a voar.

O problema constitucional português

O meu artigo de hoje no Observador: Portugal precisa de uma Constituição não socialista.

A Constituição da República Portuguesa actualmente em vigor não é certamente o único problema do país, mas ignorar que o enquadramento constitucional herdado do período revolucionário é um factor de bloqueio e um instrumento de tutela do regime pela esquerda é um erro sério. Mesmo após o levantamento de algumas das mais aberrantes provisões constitucionais impostas ao país em 1976, Portugal continua a ter a sua vida política, económica e social pautada por um enquadramento constitucional estatizante e ideologicamente enviesado no sentido do socialismo.

O artigo pode ser lido na íntegra aqui.

Sugestão para novo tesoureiro do PS

varoufakis

Ninguém poderá negar que se trata de uma personalidade com o perfil adequado para organizações que, coerentemente, recusam a submissão a qualquer tipo de ortodoxia austeritarista.

É certo que, de momento, está ocupado com outras funções, mas consta que pode vir a estar disponível para um novo desafio profissional em breve.

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Frio em Portugal

Inverno foi o terceiro mais frio dos últimos 15 anos em Portugal

O IPMA avança que a temperatura média no inverno foi de 8,5 graus centígrados, tendo sido inferior ao normal com um desvio de -1,1 graus. O Instituto Português do Mar e da Atmosfera sublinha que foi terceiro inverno com o menor valor da temperatura média do ar desde 2000 e que valores da temperatura média inferiores à deste inverno apenas ocorreram em 20 por cento dos anos.

Dívida “resolve” tudo

Observador: “PS em dificuldades financeiras contrai empréstimos”

Sharon Drummond @flickr.com (creative commons)

Sharon Drummond @flickr.com (creative commons)

Isto acontece porque a receita foi inferior ao esperado:

“o partido reclama à Autoridade Tributária cerca de cinco milhões de euros de IVA, que não foram pagos a título de reembolso de despesas de campanhas eleitorais. (…) A lei de financiamento partidário diz que os partidos estão isentos de pagamento de IVA no capítulo referente ao financiamento de partidos políticos, mas não fala da isenção de IVA no capítulo referente às campanhas eleitorais. A leitura da Entidade das Contas é que os partidos não têm direito a pedir o reembolso do IVA em matéria de despesas de campanha eleitoral, sob pena de acabarem a lucrar com elas.”

A um partido político deficitário que renuncia a austeridade, o acesso a dívida para fazer face às necessidades de financiamento da próxima campanha eleitoral é – mantendo a coerência da sua política – uma opção obrigatória (reestruturação das despesas do aparelho partidário ou subida das quotas aos militantes, nem pensar!). Claro que o PS consegue crédito junto dos bancos porque existe (ainda?) a perspectiva deste ganhar as eleições, aumentando, consequentemente, o valor das subvenções do Estado.

Greve na TAP?

Marcada para durar entre 1 de Maio e 10 de Maio a greve dos pilotos da TAP pretende chantagear o único accionista (todos nós) a aumentar os custos de exploração e reduzir o valor da empresa (se há sequer ainda alguma réstia de valor). Felizmente os viajantes hoje já têm mais escolha.

Ryanair

Os prejuízos para a empresa não se limitam aos dias de greve. Mesmo que esta seja cancelada, com o acrescido risco de perder vôos associado à instabilidade laboral, cada vez mais passageiros vão evitar viajar na TAP. Convém, por isso, relembrar o artigo do André Azevedo Alves no passado mês de Dezembro:

“O Governo faria bem em ponderar mais seriamente a falência da TAP como alternativa à sua privatização, em especial se mais uma vez se verificarem dificuldades em encontrar comprador para a empresa.”

Acho que o Governo já o está a fazer:

Segundo [o primeiro-ministro Passos Coelho], a alternativa à privatização em curso “é o despedimento coletivo, venda de aviões, cancelamento de rotas, é ter uma TAP em miniatura que não servirá os interesses do país e dos trabalhadores”.

 

Manuel Champalimaud sobre a EDP e Artur Trindade

Pai do secretário de Estado da Energia é consultor da EDP

Manuel Champalimaud afirmou que a EDP soube defender-se “politicamente” da contribuição extraordinária do setor energético (CESE), ao contratar “recentemente” o pai do secretário de Estado da Energia.

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Carvalho da Silva: o sociólogo sobre o sindicalista

Se o sociólogo Carvalho da Silva analisar a actuação da CGTP em tempos liderada por Carvalho da Silva sindicalista talvez fique a perceber as razões destes números. Por Helena Matos.

Racismos

É racismo:O primeiro-ministro turco, Ahmet Davutoglu, condenou hoje a resolução do Parlamento Europeu que pede à Turquia para reconhecer o genocídio arménio de 1915, afirmando que ela simboliza o aumento “do racismo” na Europa.

Não é racismo:Pelo menos cinco pessoas já morreram e perto de cinco mil fugiram das suas casas desde que o líder da tribo Zulu, a mais representada na África do Sul, disse aos estrangeiros para abandonarem o país.

Novidades da Coreia do Norte

Shared problems push North Korea into Russia’s arms
North Korea warns US envoy of ‘bigger mishap’ than a knife attack

I’m So Ronery by Kim Jong-il – Team America: World Police

Ri Sol-Ju, a primeira-dama norte coreana, faz primeira aparição pública do ano

Faça como o deputado João Galamba e diga “não à austeridade”

Observador

O comissário para os Assuntos Económicos da Comissão Europeia, Pierre Moscovici, deixou o aviso à Grécia: ou é acordado um novo conjunto de reformas económicas ou o país entra em falência.

Importa-se de esclarecer?

Eduardo Pitta (Da Literatura)

Vinte e sete mil euros por minuto foi quanto perdeu o Grupo Espírito Santo entre Abril e Junho de 2014. Por minuto.(…) Lembrar: no momento em que, a cada minuto, 27 mil euros iam pelo cano, o Presidente da República, o primeiro-ministro e o governador do Banco de Portugal exortavam o bom povo a investir no BES.

Sinceramente, não tenho memória de qualquer exortação pública, quer do Primeiro-Ministro quer do Governador do Banco de Portugal, para quem quer que seja investir no BES. Talvez o autor destas linhas queira revelar pormenores. Onde e quando. Sinceramente, eu não tenho memória de nenhuma.

Non abbiamo bisogno

Notícias ao Minuto

O ministro da Energia afirmou hoje que os primeiros dados sobre a venda de combustíveis simples permitiram uma poupança de três cêntimos e afirmou esperar que seja possível “ir mais longe nos benefícios para os consumidores”

Este consumidor agradece mas aproveita para referir que mesmo sem o alto patrocínio de V.Exa já era possível poupar muito mais sem necessidade de intromissões estatais.

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Continua a “syrização” do PS

Com os planos anunciados esta quinta-feira, o Governo regressou às políticas de austeridade, disse o socialista João Galamba. PS vai apresentar um programa alternativo aos portugueses, acrescentou.

Não obstante o desastre grego, o PS mantém-se fiel ao discurso esquerdista.

Igreja quer que aborto seja discutido na campanha eleitoral

Diário de Notícias

Manuel Clemente defendeu a necessidade de a sociedade levar “estes temas a sério e não passe por eles como coisas que já estão tratadas quando não estão”.

A Igreja Católica quer a interrupção voluntária da gravidez seja discutida na campanha eleitoral. O presidente da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) disse ontem que o aborto deve ser tema da campanha eleitoral e sobre a eventualidade de um nova consulta popular defendeu primeiro um referendo nas “consciências”.(…)

“O referendo tem que se fazer primeiro nas consciências e nas convicções, porque se vamos já para o legal, para o referendo, certamente sucederia o que sucedeu ainda no último, ou seja uma enormíssima abstenção e, até, um certo desvio do assunto que não foi tanto para a defesa da vida e qual é o direito que a vida humana tem naquela fase, mas o que se fazer ou não fazer com aquela pessoa que pratica o aborto, o que foi um desvio da problemática”, declarou Manuel Clemente.

Alternativas?

“Não acredite se alguém lhe vier falar em folga orçamental” de Paulo Ferreira (Observador)

Repor todos os cortes e recuar nos brutais aumentos de impostos que foram feitos é uma miragem tão distante que não está ao alcance da próxima legislatura – e nem a descoberta de petróleo no Beato nos safa, com as cotações a que ele está nos mercados internacionais.

As opções orçamentais que o próximo governo terá são minimalistas e andarão sempre a reboque de medidas que compensem com mais impostos ou cortes na despesa as medidas políticas que vierem a ser tomadas. Querem acelerar a reposição de salários dos trabalhadores do Estado e o reinício das progressões nas carreiras? Terão então de encontrar fundos que o compensem junto de outros contribuintes. Baixar o IVA na restauração? Muito bem, e que outro imposto vão aumentar? Reduzir o IRS? Só se cortarem mais nas pensões. A aritmética é cruel e nada sensível a passes de mágica

Definitivamente insustentável

Insustentável. É assim que o Governo quer deixar a Segurança Social, acusa Ferreira Leite

O que mais espanta é que todos os governos desde Cavaco Silva (que MFL integrou) tenham feito a sua reforma “definitiva” para garantir a sustentabilidade de SS. Incluindo a própria MFL quando foi ministra das finanças que definitivamente garantiu a sustentabilidade da SS que já tinha sido anteriormente garantida pelos seus antecessores. Não satisfeitos com isto, os seus sucessores também quiserem “definitivamente” garanti-la. Pelos vistos, este será o único governo que terá pretendido torná-la insustentável. No entendimento de MFL. Arruinando assim as sucessivas reformas “definitivas” da Segurança Social.

A conversão de Tspiras

EurActiv

Seeking more sources of money, Tsipras on Thursday announced the start of a “dialogue” with the powerful Orthodox Church on using clerical assets to boost the struggling state coffers.

The first Greek premier to be sworn in in a secular ceremony thanked “with all my heart” the head of the church, Ieronymos II, who recently declared that the Church’s wealth was available to help repay the national debt.

Um toque de humanidade

Pela borda fora. O motivo não podia estar mais nobremente justificado.

Muslims who were among migrants trying to get from Libya to Italy in a boat this week threw 12 fellow passengers overboard — killing them — because the 12 were Christians, Italian police said Thursday.

Italian authorities have arrested 15 people on suspicion of murdering the Christians at sea, police in Palermo, Sicily, said. The original group of 105 people left Libya on Tuesday in a rubber boat. Sometime during the trip north across the Mediterranean Sea, the alleged assailants — Muslims from the Ivory Coast, Mali and Senegal — threw the 12 overboard, police said.

Other people on the voyage told police that they themselves were spared “because they strongly opposed the drowning attempt and formed a human chain,” Palermo police said. The boat was intercepted by an Italian navy vessel, which transferred the passengers to a Panamanian-flagged ship. That ship docked in Palermo on Wednesday, after which the arrests were made, police said.  The 12 who died were from Nigeria and Ghana, police said.

Desabafo sobre a Cultura

Desabafo sobre a Cultura por Carlos Maciel:

A tudo isto responderam-me que a distribuição da cultura era uma obrigação estatal que para alguma coisa se paga impostos. Portanto o Estado devia ser o monopolista e o planificador e que a cultura como mercadoria era uma abominação.

Irrita-me profundamente que o mundo das artes esteja cheio de parasitas que eram sustentados pelo Papá Estado e que quando lhes cortam os subsídios dizem arrogantemente que não precisam deles, mas que o Estado é que devia controlar a cultura. Ou seja o que está gente quer é uma revolução cultural como a do Mao.

Uma nota. São tempos complicados para o bolso dos contribuintes. Primeiro porque graças à criminosa gestão dos dinheiros estatais por sucessivos governos socialistas, o Estado está na penúria. Os contribuintes já estão esmifrados, mas como dócil gado contribuinte, sempre que for “inevitável” serão sempre os primeiros a serem sacrificados. Depois, porque se não há dinheiro, os palhaços protestam. Estão numa posição em que têm pouco a perder, e vão ser cada vez mais vocais. Estas “elites” são um ancien régime a ver as ameaçadas as suas rendas vitalícias, as suas avenças, as suas inquestionáveis pretensões sobre a carteira do povão ingrato. Por fim, em fim de mandato este Governo tenderá a perder a vergonha de “pagar bebidas”, como vulgar beberrão. Em fim de mandato todo o governante quererá deixar uma grandiosa obra de regime, ou seja mais uma miserável marquinha no já abusivo edifício legislativo português. E em fim de mandato, qualquer grupo de interesse que fale mais grosso será respondido com invertebrada deferência. O Senhor Secretário de Estado da Cultura, que já deu mostras de ser pessoa de fraca fibra liberal, com certeza estará na linha da frente.

Comemorar o quê? (3)

Em 1976, o CDS foi o único partido que corajosamente votou contra o enunciado da constituição. Algo que hoje em dia o seu líder condenaria.

Excerto da declaração de voto do CDS, por Vítor Sá Machado

Vamos não ter medo das palavras Sr. Presidente e Srs. Deputados: a nossa Constituição é paternalista.

Será o paternalismo de uma geração conjuntural aquela que, justamente em Abril de 1975, elegeu a Assembleia Constituinte. Por isso mesmo, será o paternalismo não genuinamente revolucionário defuma geração conjuntural sobre outras gerações conjunturais, de um eleitorado temporalmente marcado sobre outros eleitorados historicamente definidos. E a verdade é que o povo, ao ficar juridicamente prisioneiro de um dado momento da sua história, corre o risco de se ver parcialmente alienado da sua própria soberania sobre o futuro e sobre o futuro da sua própria história.(…) Continuar a ler