2014

dominos-falling


Em entrevista ao jornal i, o ex-presidente da República foi questionado sobre o que queria dizer quando recentemente, num programa da RTP, disse que quando Ricardo Salgado falasse “as coisas iam ficar de outra maneira”. Mas Mário Soares não concretizou, nem foi mais longe. Disse apenas que “Ricardo Salgado, de quem sou amigo, está calado e muito bem”

2005 e 2014

Corre “pelos facebooks” (como diria Paulo Futre) uma grande alegria com a detenção do “engenheiro” José Sócrates. Compreende-se, dada a natureza “Sopraniana”, digamos, da figura. Mas gostava de saber quantos dos que tanto rejubilam com a sua detenção neste ano da Graça de 2014 se contavam entre os que, em 2005, lhe deram com a cruzinha no boletim de voto o poder que ele terá usado para fazer o que agora talvez lhe dê um bilhete de entrada no condomínio fechado da Carregueira. Tendo em conta que o senhor teve uma maioria absoluta, não devem ser poucos.

José Sócrates foi detido

O ex-primeiro-ministro, José Sócrates foi detido esta sexta-feira no aeroporto de Lisboa quando chegava de Paris, avança o SOL. Sócrates é suspeito de crimes de corrupção, fraude fiscal agravada, branqueamento de capitais e falsificação de documentos.

Na SIC Notícias: Imagens exclusivas da detenção de José Sócrates

Só pode: Para o sector abrantino é “o regresso do fascismo”.

Jean-Claude Trichet “Mais ninguém queria financiar Portugal”

“[A intervenção da toika] era absolutamente necessária porque, a certa altura, o resto do mundo não queria financiar mais Portugal”, começa por dizer o ex-presidente do Banco Central Europeu, Jean-Claude Trichet, em entrevista exclusiva ao Expresso.

Novas Igrejas e novos beatos

Lembrei-me disto por causa da repetida presença da deputada Isabel Moreira nos media ontem e hoje devido à coisa das subvenções vitalícias. É off-topic mas pronto. No vídeo acima o Frank Zappa participa no Cross Fire, programa na TV que julgo ainda existe. Como é tão evidente hoje que até dói, está carregadinho de razão. Faltou-lhe dizer aos idiotas que o acompanhavam que liberdade de expressão é a liberdade de dizer o que os outros não querem ouvir. Lembrei-me porque há tantas letras do Zappa que, fosse hoje, e os idiotas seriam outros. A direita religiosa foi substituída pelos novos censores da esquerda lunática. O que de alguma forma confirma o que intuo, que os “progressistas” são os novos conservadores. E radicais. Temas como Bobby Brown Goes Down, Dinah Moe Hum, Jewish Princess, etc seriam hoje atacadas pela Brigada Lunática (em Portugal bem representadas pelo BE, Livre e parte considerável do PS) como se não houvesse amanhã. O mínimo que chamariam ao Zappa seria misógino, homofóbico, fascista, reaccionário e assim. Como os tempos mudam. O culminar de tudo isto são os novos beatos, os moralistas a quem o Diácono Anacleto Louçã veio dar voz e que, agora, estão representados na deputada mais beata de que tenho memória. A (diz que) constitucionalista Isabel Moreira a quem o pai (pouco menos que um traidor assumido de gente séria e os Botelho Moniz que o digam) não deu chá nenhum quando ela era pequena. Não suporto beatos, nunca suportei, mas deputada e beata está pouco menos que acima de morcão.

Mais uma vitória para o UKIP

EU Observer

Ukip candidate Mark Reckless took the Rochester and Strood constituency on the south-east coast on a swing of over 30 percent from David Cameron’s Conservative party. Reckless, whose defection from the Conservative party prompted the snap election, received 16,867 votes, 2,920 more than Conservative candidate Kelly Tolhurst’s 13,947.

Labour’s Naushabah Khan was a distant third on 6,713 votes, a 15 percent drop in support since the 2010 election in a seat that it held between 1997 and 2010.

The by-election was doubly embarrassing for Labour whose MP Emily Thornberry, the party’s shadow attorney general, resigned after tweeting a picture of a house in Rochester draped in St George’s flags, a move seen as snobbery towards working-class voters

Autoridade

(artigo publicado no Diário Económico de hoje)

Quando Miguel Macedo anunciou a sua demissão do cargo de ministro da Administração Interna, esperava certamente estar a fazer um favor ao Governo a que até então pertencera. Afinal, apresentava-a por sentir que “a autoridade” necessária ao “exercício pleno das suas funções” estava “diminuída”: por muito que não tenha “qualquer responsabilidade pessoal” no caso dos vistos gold, Macedo sabia que as suas ligações pessoais a alguns dos suspeitos seriam alvo de abundantes suspeições e acusações por parte da oposição, fragilizando um Executivo tudo menos robusto.

No entanto, Macedo conseguiu apenas o contrário. Não por a sua opção ter merecido críticas, mas por ter sido universalmente elogiada, com António Costa (o do PS, não o do DE) a louvar uma “lucidez” que se “exigia” a “outros Ministros”, e Jorge Costa, do BE, a compará-la às “demissões que ficaram por fazer” para “vergonha” dos que (até aqui, pelo menos) não seguiram a via de Macedo: ao sair para poupar o Governo a clamores pela sua exoneração, Macedo acabou por dar força às vozes que pedem a saída de Nuno Crato e Paula Teixeira da Cruz depois das atribulações a que respectivamente presidiram. Ao se demitir por sentir não ter “autoridade”, apenas retirou a pouca que restava aos seus ex-colegas.

Claro que quanto mais a “esquerda” exige estas demissões, menos Passos estará disposto a promovê-las, para não dar uma “vitória” à oposição. Oposição essa que sabe também sabe perfeitamente que assim é, e insiste nas saídas de Crato e Cruz não para que saiam, mas para “desgastar” o Governo: de um lado e de outro, todos agem de acordo com a sua coreografia no teatro mediático em que participam, sem pretenderem qualquer consequência prática na vida dos portugueses. No fundo, nem Governo nem oposição têm grande “autoridade” para dizerem o que quer seja. O que nunca foi suficiente para os demover

Fasci portoghese di combattimento II

Fasci-fullO que é grave e profundamente grave neste caso GALP/REN vs Fisco é a atitude e reacção do Estado personificada no Secretário de Estado dos Assuntos Fiscais. Um reacção perfeitamente fascista mas que é prática comum tanto no personagem como na Autoridade Tributária. Quem se atreve a protestar contra a dita, a primeira coisa com que tem que se haver é com inspecções fiscais. E não interessa se o protesto tem qualquer implicação com situações anteriores. O que eles sabem é que é impossível ao contribuinte estar absoluta e totalmente livre de problemas. Usam assim, todo o poder do estado que no mínimo é esmagador para meter na ordem o contribuinte tresmalhado e fazê-lo servir de exemplo a eventuais insurgentes que se lembrem de ir contra o que a Autoridade Tributária decide extorquir-lhes esteja na lei ou não, seja legítimo ou não. E nós todos sabemos que é assim e raros somos os que podemos ou estamos dispostos a pagar o preço de afrontar o Leviatã.

Sem medo das palavras, o comportamento do Secretário de Estado (e não é de agora) é fascista do mais execrável. E neste Governo (em anteriores também mas neste é pior) os fascistas parecem ter roda livre.

Fasci portoghese di combattimento

Fasci-fullTenho lido por aí as reacções à recusa da REN e da GALP em pagar a contribuição extraordinária ao estado. Invariavelmente arrancam-se vestes, apela-se para o moralismo gramsciano do tempo e fazem-se comparações espúrias. Até já li que estão a praticar fuga fiscal(!). Coisas destas inclusive vindas de quem tem a obrigação de saber mais alguma coisa.

Ora bem, nem a GALP nem a REN estão a recusar cumprir a lei. Como qualquer contribuinte podem protestar o pagamento de qualquer imposto desde que cumpram certos pressupostos. Tanto quanto sei, neste caso é muito simples: entregam uma garantia bancária ao fisco e mandam o assunto para os tribunais. Se a experiência nos diz alguma coisa é que, no fim, o estado perde. É assim em mais de 90% dos casos de protesto de contribuintes só que a maioria de nós “paga e nã bufa” porque protestar é caro e pode ser mais caro que o imposto supostamente em dívida. O fisco deve ser a entidade mais criminosa que anda por aí, ninguém, nem a Máfia e as Tríades (se cá andarem) cometem tantos roubos, ilegalidades e abusos como a Autoridade Tributária. Não é de admirar que a REN e a GALP tenham razão e se têm, fazem muito bem em proceder como estão a proceder.

Os indignados lembram a anedota russa: um génio apareceu a um camponês russo e propôs-se dar-lhe o que ele quisesse com uma condição apenas, o vizinho receberia a mesma coisa em dobro. O camponês pediu ao génio que lhe tirasse um olho. A anedota podia ser com um português que o resultado seria credível na mesma.

Chamar o Putin pelo nome

E com eles no sítio.

Lithuania’s President Dalia Grybauskaite has called Russia a ‘terrorist state’ and warns that the current conflict in Ukraine could spread further if not stopped.

“Lithuania is one of the countries that recently walked a difficult road towards the restoration of independence. We know that today Ukraine is fighting for peace in Europe, for all of us,” Grybauskaite told national radio.

“If a terrorist state that is engaged in open aggression against its neighbor is not stopped, then that aggression might spread further into Europe.”

The head of state emphasized that every country has a right to choose its own destiny. Lithuania and the Baltics have played key roles in the Ukraine crisis after sending tens of thousands of euros in aid to Kiev and agreeing to treating wounded Ukrainian soldiers.

Argumento único

Estava agora a ouvir Portas sobre o visto Gold. Entre argumentos mais ou menos relevantes, ele fala de um que deveria bastar: a compra de casa e a autorização de residência devem estar, “naturalmente”, ligadas. Não faz sentido que um chinês que compre uma casa por 500 mil euros, e tenha o cadastro limpo, não possa residir nessa casa. Principalmente não faz sentido num espaço como o de Schengen em que a alternativa mais próxima para efectuar visitar a sua casa, o visto de turismo, é tão complicado de obter.

Como eles eram em 2009

Por alguma razão misteriosa, apareceu-me no leitor de feeds este post do Simplex (o blog de campanha socialista nas legislativas de 2009). Repare-se a forma despreocupada com que se referiam ao endividamente público, ao PS como “o partido que mais fez para equilibrar as finançass públicas” e a confiança na “força” da zona euro.

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Aqui está o PS

No seguimento da polémica entre Francisco Assis e Tiago Barbosa Ribeiro, o primeiro responde hoje num artigo no Público

O autor deste texto, publicado nas redes sociais, é um jovem dirigente socialista portuense destinado a exercer a muito curto prazo altíssimas responsabilidades no plano local. Se o cito é porque descortino no seu pensamento algumas das principais características configuradoras da identidade de uma corrente política que me suscita enorme apreensão, pelas razões que passo a apresentar: insuportável arrogância moral, indisfarçável propensão para o simplismo doutrinário, preocupante valorização de uma linguagem emocional em detrimento da argumentação racional, inquietante incompreensão da realidade contemporânea. Se virmos bem, estamos perante um discurso construído a partir de clichés, de antagonismos puramente retóricos, de proclamações quase integralmente vazias.

Perfil: Gerardo Ortiz, o Grammy Latino

De camisola interior cabeada e bigode fino, pele ictérica em contraste com negro bigode e dentes desalinhados numa harmonia de quinta diminuta com a ondulação do oleoso cabelo, o perspirante ex-jardineiro na transversal de Westcliff Drive na afluente Summerlin, noroeste de Las Vegas, chega à extravagante mansão em forma de canoa do velho fadista português.

Gerardo Arturo Luna Ortiz, conhecido em Las Vegas como Grammy Latino, tem 32 anos e é oriundo de Malacatán, Guatemala. Aos 9 anos plantava sésamo na região de Chiapas e aos 12 vivia sozinho no norte, nos arredores de Matamoros, Tamaulipas, fornecendo serviços de jardinagem a texanos abastados e, sobretudo, às suas maçadas esposas.

Es con gran alegría y satisfacción que afirma o prazer que é trabalhar para o fadista português radicado na Glitter Gulch desde a morte do letrista José Carlos, o primeiro homossexual assumido a entrar numa sede do estalinista Partido Comunista Português. Me encanta la hierba, refere, ao iniciar o motor do aparador de relva Black & Decker LST136.

Parecen bandadas de gorriones sueltos, los putos, los putos, cantarola entre a dança dos pequenos glúteos que trabalham o aparato herbal, para gáudio do melancólico cantor de esgar perdido num horizonte que se estende por um deserto de emoções raiadas do canto da piscina.

Grammy Latino visitará Lisboa esta semana, apresentando-se nos Paços do Concelho perante uma audiência seleccionada de vultos e abutres da cultura em agradecimento e reconhecimento pelo trabalho prestado na manutenção da melancolia que compõe a agrura de uma vida dedicada ao colectivismo abastado da aristocracia lusitana falida.

Uma manifestação inequívoca da importância do serviço público de televisão

RTP paga 18 milhões e tira Champions à TVI

Foram 18 milhões bem empregues. De outra forma os jogos teriam sido transmitidos num canal privado em sinal aberto. Pago exlusivamente por publicidade.

ADENDA: Rodrigo Moita de Deus (31 da Armada)

O mesmo país que se indigna porque os assessores do governo ganham 1800 euros não se incomoda que a televisão pública pague 18 milhões de euros para vermos os jogos do Bate Borisov e do Shakhtar.Ficamos chocados com os ordenados dos deputados mas deixamos que estas coisas sejam anunciadas como se fossem normais. (…) Estão de parabéns todos aqueles que, há três anos, descobriram o “interesse do Estado” na integridade da RTP. Espero tenham percebido hoje a figura que fizeram. A rapaziada do costume agradece. Palermas.

O livre comércio e os seus opositores

Vital Moreira sobre o TTIP (Transatlantic Trade and Investment Partnership) e a “agenda” dos seus opositores

Todavia, tal como noutros países, não faltam as vozes contrárias ao eventual acordo, quase sempre identificadas com a extrema-esquerda protecionista, a que se somam os grupos antiglobalização e “altermundialistas”, que sublinham os alegados riscos sobretudo em matéria de segurança alimentar e ambiental. A sua campanha já chegou a Portugal, a julgar pela imprensa, onde essas posições encontra amplo eco, sem a necessária contradita.

Independentemente do infundado das críticas ao acordo, a campanha assenta numa óbvia fraude política, pois a oposição não é ao TTIP em especial mas sim a todo e qualquer acordo de liberalização comercial. Eles são contra o comércio internacional em geral porque são anticapitalistas, antiliberais e antiglobalização. O seu ideal não confessado seria a Coreia do Norte, Cuba ou os regimes “bolivarianos”.

Engana-se, porém, quem julga que o caso do TTIP está ganho à partida, bastando as suas esperadas vantagens económicas e a sua mais-valia geoestratégica para Portugal. A verdade é que esses grupos são assaz “vocais”, exploram o desconhecimento e receios atávicos, gozam de simpatias fáceis na imprensa e não têm escrúpulos no combate político e ideológico.

Por isso, os partidos e as organizações empresariais e sociais que justificadamente veem no TTIP uma grande oportunidade para Portugal não podem limitar-se oferecer o “mérito da causa”. Têm de lutar por ele.

Regresso às origens

Tiago Barbosa Ribeiro, um ex-bloquista convertido ao sócratismo, reage violentamente à entrevista de Francisco Assis e defende que a vitória de António Costa implica a adopção de várias “bandeiras” da extrema-esquerda:

Porque a «proximidade ideológica» que Assis vê entre PS e PSD é para mim um mistério. Eu quero um PS concentrado na recusa do Tratado Orçamental, numa reforma fiscal que pese mais no capital do que no trabalho, numa revisão profunda do Código de Trabalho, na recuperação da iniciativa estatal, na regulação económica sobre sectores-chave, na renegociação da dívida impagável. E isto não é retórica, é mesmo para ser feito.

O potêncial de desilusão é tremendo.

António Costa existe mesmo?

O meu texto de hoje no Observador.

‘Venho aqui confessar: não vislumbro o que pretende António Costa com a estratégia política que tem seguido e os temas em que tem martelado.

As eleições antecipadas em 2015. Mesmo depois do Presidente da República ter dito que as eleições serão na data prevista, o PS lá teve de reincidir no tema a propósito da demissão de Miguel Macedo. E antes de o PR ter dado a opinião sobre o assunto, toda a gente que costuma usar os neurónios sabia que Cavaco nunca iria antecipar as eleições. Porque considera – e muito bem – que a data das eleições não tem de andar a reboque das conveniências eleitorais do PS e porque deu em 2013 oportunidade ao PS de haver eleições antecipadas. O PS recusou e claro que Cavaco terá todo o gosto em oferecer ao PS aquilo que o próprio partido escolheu.

Era evidente que Costa perderia esta batalha da antecipação das eleições. (E se para a direção do PS não era evidente, aconselho que se demitam em bloco e se retirem para uma vida de contemplação num mosteiro nepalês.) Para que a escolheu, então? Para ter assunto, já que claramente não faz ideia – ou faz e não quer contar – de como resolverá os urgentes problemas do país, os de financiamento do estado? Mas ao político que se apresenta como conseguindo por Merkel no lugar de germânica causadora de duas guerras mundiais que deve desculpas e compensações ao mundo, será que esta imagem de bulldozer que arrasa todos no interesse de Portugal é beneficiada com o facto de nem o Presidente conseguir convencer?’

O resto aqui.

“He’s a lumberjack and he’s OK”

A propósito desta notícia do Observador sobre os “lumbersexuals”(“a nova tendência da moda é uma ode à virilidade e tem inspiração nos lenhadores americanos. São os lumbersexual e querem acabar com a artificialidade”), só me ocorre lembrar um famoso sketch de Monty Python’s Flying Circus:

Tudo a perder

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O dia das eleições primárias do PS foi o ponto de inflexão de António Costa, momento em que a auspiciosa aura de nevoeiro que o acompanhava se começou a desvanecer. Do alto do prado do largo do Rato o imponente Costa, qual Ghandi de Lisboa travestido de Salvador da Pátria, assume-se então como ele inegavelmente é, negando o que pretende ser. Uma estratégia política digna de distinção por um Machiavelli moderno, não fosse um pequeno pormenor. As eleições são daqui a um ano. E, até lá, Costa só tem a perder.

Senão vejamos. No plano de estratégia política interna, se António Costa quiser recuperar o lesivo legado de José Sócrates & Cia., como aliás tem feito até ao momento, perderá todos os socialistas que, não obstante o seu alinhamento ideológico, rejeitam Sócrates. Caso reverta a estratégia de apoio a José Sócrates arrisca-se a perder a confiança da ala socrática, confiante que isso expiasse os pecados do passado, acantonando-os então nos movimentos, uniões e plataformas que pululam nas ávidas avenidas da esquerda, três anos longe das manivelas do Estado, uma eternidade no calendário do sonho socialista.

O mesmo se passa com as uniões à esquerda. Ou à direita. Se calhar as uniões com a esquerda anti-capitalista são perigosas. A crise é má, a coisa piorou, mas no fundo António Costa sabe que com a extrema-esquerda seria bem pior. Ao prometer alianças à esquerda aliena o centro e o centro-direita, receoso de ver um Rui Tavares perto da coisa, quanto mais à frente da coisa. Já quando se chega ao outro lado perde implicitamente o apoio dos intransigentes da esquerda, muitos do próprio PS, resolutos em afastar a direita do poleiro de que se julgam donos. Talvez excepto o Daniel Oliveira, que esse é versátil.

Em termos de políticas económicas a coisa é ainda mais gravosa. Os sonhadores que julgavam ser possível resolver o sério problema das finanças públicas sem reduzir despesa e/ou aumentar impostos ficaram agora a saber que entre o sonho e a realidade está a Câmara Municipal de Lisboa, que preparou taxas e taxinhas para continuar a pagar os 114 sociólogos que emprega. Mais ainda, o sonhador que infortunadamente não resida em Lisboa fica também a saber que António Costa está disposto a direccionar taxas de um aeroporto que é infraestrutura nacional, que ocupa áreas pertencentes a dois municípios, e que aliás já paga derramas municipais, para um município em particular, o de Lisboa. Centralismo no seu apogeu, certamente digno de salvas da cova do sr. Sebastião José, Marquês de Pombal.

As promessas, políticas ou económicas, também se esfumam. O PS diz que os salários dos funcionários públicos serão integralmente repostos assim que o PS ganhar as eleições. António Costa diz que afinal não será bem assim. Serão eventualmente repostos, precisando esse momento com o rigor de um bom procrastinador: algures, um dia. E a sê-lo, nunca explicando de onde vem a verba. Retirada a outra rúbrica de despesa? Ou de mais aumentos de impostos? Seja como for, não colherá grande entusiasmo entre os funcionários públicos que achavam que com ele é que é, ou com ele é que era.

Pois com Costa é que vai ser, que Costa não é Hollande!, Costa não é Renzi!, Costa é Costa!, e quem o conhece sabe disso, surreal mas real testemunho de Edite Estrela, como a própria. Aqui a coisa também não está famosa. Os indigentes defensores da renegociação da dívida, os que se estão a lixar para a dívida, os Pedros Nunos Santos — entre tantos outros Pedros, gente de arfada argumentação mas hábil ofício no secretariado do PS, agora mascarados de comentadores de coisas — tecem a desolação. Afinal Costa não vai bater com o pé pois não existem soluções messiânicas para a dívida, pelo menos segundo as palavras de um dos homens que veio regenerar e mobilizar com sangue novo o PS, Vieira da Silva.

À medida que a névoa se esfuma António Costa irá, com a inevitabilidade da realidade que encarou os sonhadores do terceiro parágrafo, perder parte dos seus apoios. De Pedro Passos Coelho sabemos o que sabemos, e o espaço é limitado para eu elencar tudo de que discordo. De António Costa vamos descobrindo, e o que temos descoberto é que António Costa é um, mais um, como aliás todos os outros de outrora, de hoje e de amanhã, e que até Outubro tem tudo a perder.

O Insurgente goes to Mais Mulher

Aqui fica o vídeo do programa Mais Mulher, na SIC Mulher, de 17 de novembro onde o André Abrantes Amaral, o Bruno Alves e eu estivemos à conversa com Ana Rita Clara. Sobre o blog e sobre o que se pode esperar do governo até às eleições legislativas. (Somo o último segmento da 1ª parte.)

a floresta

“(…) É, pois, o momento de a estrutura de financiamento da economia portuguesa evoluir no sentido do mercado de capitais. Bem sei que em face da evolução recente do PSI20 o “timing” desta afirmação dificilmente poderia ser pior, mas como afirmava há dias Alberto Charro, administrador do BBVA em Portugal, “todos os bancos estão a tentar emprestar às mesmas empresas”. Isto sucede porque, encontrando-se o sector bancário muito concentrado, o mercado de capitais não consegue desenvolver-se, prejudicando o financiamento global da economia.”, no meu artigo de hoje no Diário Económico.

Resultados do putinismo

Putincoala

A diplomacia energética russa continua a dar os seus frutos.

Estonian Prime Minister Taavi Rõivas and his Finnish counterpart, Alexander Stubb, reached an agreement on Monday to build two liquefied natural gas (LNG) terminals, connected by a pipeline, in both countries by 2019.

The project is called ‘Balticconnector’, and if it succeeds, it would increase the energy diversification of the two nations, in light of the unpredictable behavior by Russia, currently the main gas provider for both countries. The project is likely to get financial support from the European Union.

 

Leitura complementar: O ar da Rússia cura a homossexualidade, de Rui Ramos.