Mas claro que não!

No Observador

“Qualquer pessoa inteligente percebe que a posição do PS nada tem que ver com a posição do Syriza desde o princípio, desde antes de o processo grego ter começado”, disse Ferro Rodrigues, acrescentado que a posição do partido grego “foi uma posição suicidária, que levou a que o próprio Syriza esteja neste momento completamente esfrangalhado”.

FerroRodrigues_Syriza

antonio_costa_syriza

A radicalização do PS: entre Fernanda Câncio e Ascenso Simões

Artigo do André Azevedo Alves no Observador

Não se pretende com isto sugerir que António Costa é, ele próprio, um radical esquerdista. Todos os indícios apontam aliás para que Costa, à semelhança de José Sócrates, tenha uma relação flexível e pragmática com os princípios e ideias políticas. Mas a verdade é que tanto Sócrates como Costa abriram espaço a elementos mais radicais, com a agravante de Costa até agora não dar mostras do carisma e das qualidades de liderança patenteadas por Sócrates. O futuro do PS – e também do sistema partidário português – dependerá em boa parte do desfecho deste impasse. Na ofensiva contra os sociais-democratas moderados no interior do partido o que está em causa é o perigo efectivo de radicalização do PS num contexto internacional de elevado risco.

O “logo veremos” e os seus riscos

Carta de um indeciso aos seus semelhantes. Por Rui Ramos.

António Costa, nesta campanha, representa o “logo veremos”. Logo veremos se ele vai afrontar a mitológica Merkel, ou, pelo contrário, fazer tudo o que ela lhe mandar (o que quer dizer “uma postura activa na Europa, sem submissão nem aventureirismos”?). Logo veremos se vai acabar com a austeridade ou, pelo contrário, como o Syriza, aplicar uma dose ainda maior. Logo veremos como vai governar: sozinho, com a direita, ou com os comunistas. Logo veremos se mandará votar num candidato presidencial “radical” (Nóvoa), ou num candidato “moderado” (Maria de Belém). Em “eleições decisivas”, António Costa fez do PS uma escolha que deixa tudo por decidir.

Continuar a ler

Liberdade de Escolha, segundo o PS…

Para António Arnaut, mandatário do PS, e suposto “Pai” do SNS, “”a liberdade de escolha na saúde chama-se Serviço Nacional de Saúde”. António Arnaut tem razão, grande parte dos portugueses são obrigados a ir ao SNS, quer queiram, quer não queiram. A menos que sejam funcionários públicos com ADSE, aí podem ir onde quiserem, ao Privado, ao estrangeiro, que o Estado paga.

O mandatário do PS e os “delatores”

Recordando a curiosa opinião de António Arnaut sobre o tristemente célebre episódio da pressões aos magistrados que em 2009 investigavam um caso que envolvia José Sócrates

O socialista António Arnaut comentou hoje o caso das pressões alegadamente exercidas por Lopes da Mota aos dois procuradores que investigam o processo Freeport acusando estes magistrados de “delação”, por terem permitido que chegasse à opinião pública “uma conversa privada”.

A Venezuela não interessa a ninguém (3)

How Hugo Chavez Trashed Latin America’s Richest Economy

Chavez isn’t around anymore, but this is clearly his crisis. He took a country that was muddling along, and put it on course to become a basket case. There are worse kinds of rulers than that — those who massacre their own people or lead their nations into hopeless wars. But in terms of basic macroeconomic management Hugo Chavez has to go down as one of the most disastrous leaders the world has seen quite in a while.

(via Ricardo Valente)

Varoufakis, o tóxico

varoufakis_finger

Tsipras’ Gamble

Another homeless parliamentarian is Yanis Varoufakis, the former finance minister who, despite the extremely high number of votes he received in January, is considered so toxic that no party has been willing to include him in their lists so far.

(via Nuno Garoupa)

Flanagan’s suicide notes

After Shooting, Alleged Gunman Details Grievances in ‘Suicide Notes’

In Flanagan’s often rambling letter to authorities, family and friends, he writes of a long list of grievances. In one part of the document, Flanagan calls it a “Suicide Note for Friends and Family.”

He says he has been attacked by black men and white females
He talks about how he was attacked for being a gay, black man
He says has suffered racial discrimination, sexual harassment and bullying at work

A source with direct knowledge of his complaints against the station said a pair of tweets sent today and attributed to him accurately reflect previous complaints he lodged against the two people he killed today. These are the two Tweets: “Alison made racist comments,” and, “Adam went to hr on me after working with me one time!!!”

No Fio da Navalha

O meu artigo para o Jornal ‘i’ de hoje.

A pólvora chinesa

As bolsas caíram a pique com as notícias vindas da China. Melhor: com a confirmação de que a economia chinesa se encontra com sérios problemas. O que está a acontecer na China é extremamente importante, não só porque este país é hoje um gigante económico, mas também, e como Miguel Monjardino já teve oportunidade de referir no “Expresso”, ditará os termos de um debate ideológico que terá lugar nos próximos anos.

É que o modelo chinês finalmente falhou. Finalmente, porque era de esperar. Não obstante as experiências históricas passadas, muitos foram os que acreditaram ter a China descoberto uma nova fórmula de desenvolvimento controlada pelo Estado, capaz de sobreviver à crise das economias ocidentais. O desejo da ordem a qualquer preço é a única explicação que conheço para um erro tantas vezes repetido.

A economia chinesa é uma enorme bolha que o poder político planeou a partir de Pequim, subsidiando-a através de estímulos keynesianos por via do banco central e demais bancos politicamente dependentes. Imagine-se a política monetária defendida por Obama nos EUA, e que certa esquerda pretende seja adoptada na Europa, mas para subsidiar empresas com objectivos delineados a régua e esquadro por um comité central sediado em Pequim.

Interessante será também ver o impacto que a quebra na produção chinesa terá nos preços no Ocidente. É que a baixa inflação de que temos beneficiado deve-se em muito aos produtos baratos vindos do Oriente. A inflação tão sonhada pelo BCE e pelo Fed pode tornar-se um pesadelo.

Uma nova causa para a esquerda fracturante

Estamos em campanha eleitoral, tempo em que brotam platitudes ainda mais surpreendentes que as já incríveis boçalidades aliteradas pelos do costume. Boçalidades que nos recordam, por justaposição, da nossa sanidade. Do criminalizar o piropo à eutanásia dos caracóis, tudo serve para entreter os fidalgos da causa.

Surpreendentemente, tirando o fenómeno dos cartazes do PS e as epístolas aos indecisos que se pretendem fiéis, ainda não tivemos nenhum episódio particularmente grutesco, ou pelo menos mais do que a política já se presta. Cumpre, então, prestar serviço público, e fornecer à esquerda fracturante uma causa que os possa mover, já que demovê-los é pouco provável.

Urge, com a premência característica das causas de esquerda, regular os formulários que perguntam o género. A forma binária e biológica de interpretar o género é uma imposição reaccionária, quiçá ultraliberal, neste mundo pós-moderno. Note-se a opressão implícita nesta pergunta:

Screen Shot 2015-08-27 at 14.39.34

 

 

 

Brutos. Como se o mundo se esgotasse aqui, como se a dualidade fosse finita, como se fosse, ou 1, ou 0. Como é por demais evidente a qualquer fiel signatário das causas da extrema-esquerda, exige-se uma rectificação imediata desta situação. No mínimo, permitir que a checkbox suceda ao radio button, garantindo assim uma escolha plural:

Screen Shot 2015-08-27 at 14.41.35

 

 

 

Melhor, mas insuficiente. O género não se exaure aqui. Começa aqui. Assim, o progressista 2.0 deverá almejar a mais, incluindo também outras hipóteses, consentâneas com a criatividade de cada um. E permitir ainda que cada um se expresse livremente sobre o assunto.

Screen Shot 2015-08-27 at 14.43.28

 

 

 

 

 

Por fim, para quem está num estágio avançado do marxismo cultural ciêntifico, que culmina no comunismo, e percebe a conotação reaccionária que a biologia impõe, a derradeira alternativa:

Screen Shot 2015-08-27 at 14.46.35

Nota: isto é brincadeira. Já isto é verdade, e não tem piada nenhuma.

Campanha Eleitoral (II): Costa anuncia o Terceiro Milagre de Fátima

Costa andou ontem em campanha pela capital. O ex-Presidente da Câmara de Lisboa, acompanhado do actual Presidente, antes, seu Vice, criticou o governo, sem se rir nem mostrar os dentes, de “usar e abusar das funções do Estado para fazer campanha”. “É escandaloso”, assumiu, exibindo uma enorme lata ambivalência facial quando, embevecido, Medina lhe mostrava as placas com o seu nome junto da “obra feita”:

“Viste isto tudo feito?”, perguntou Medina, no Jardim da Cerca, a última paragem. “Senhor presidente muitos parabéns! Grande trabalho”, respondeu Costa. “A placa está lá em cima”, disse Medina, rindo-se. A placa com o nome de Costa, agora cabeça-de-lista do PS por Lisboa e candidato a primeiro-ministro nas legislativas de 4 de Outubro.

Durante o passeio, o autarca e o ex-autarca mostraram aos portugueses como se desenham as cores do arco-íris, cantando alegremente, “A obra é do Costa, as culpas são do Medina”:

Já na Mouraria, um senhor queixou-se da recolha do lixo, apontando parados dois caixotes do lixo a transbordar e para Costa. “Ele agora está inocente. O culpado sou eu”, interveio Medina.

Na segunda parte do concerto, entoaram, “vamos baixar os impostos aos portugueses, como baixamos os impostos aos Lisboetas”:

O líder do PS acena (…) que também diminuiu (…) os impostos para os lisboetas.

Menos impostos, mas sempre, mais cheques para dar à populaça: o passeio teve o seu clímax quando, com pompa e circunstância, o Desejado anunciou o Terceiro Milagre de Fátima, “Esqueçam a Economia, morte ao Excel, é tudo uma questão de Fé: menos impostos, e mais cheques, é o Fim da Austeridade”, entusiasmo que irá levar provavelmente Mário Centeno a ter de fazer mais um pre-Orçamento Rectificativo, o terceiro e ainda nem sequer formaram Governo:

Costa anunciou mil milhões de euros para um programa de reabilitação urbana, que já constava do programa socialista mas ainda sem orçamento.

Infelizmente, o mundo está difícil e complicado, na Grécia deu-se o mote, e até no PS, nem tudo são rosas: vai daí, alguém decidiu cantar o fado, “Afinal, e o aumento do IMI?”:

O pequeno comício (…) terminou também com fado. “O fado (…) é (…) uma canção de um povo sofrido que chora com amargura mas com muita coragem, que não vira a cara à luta, dá o corpo ao manifesto e acredita no futuro”, concluiu António Costa. (…) Um homem que (…) tinha andado a distribuir panfletos contra o aumento do IMI (…) acabou por ser afastado (…) gerando-se um momento de tensão, mesmo no final do primeiro dia em registo de campanha. 

Apesar de tudo, dá a sensação que, rosas contadas, e expulso o gajo que trazia os espinhos, foi bonita a festa, pá!

Costa_em_Lisboa

A Venezuela não interessa a ninguém (2)

Being the ex-President’s daughter pays off: Hugo Chavez’s ambassador daughter is Venezuela’s richest woman

Venezuela’s Food Shortages Trigger Long Lines, Hunger and Looting

In a national survey, the pollster Consultores 21 found 30% of Venezuelans eating two or fewer meals a day during the second quarter of this year, up from 20% in the first quarter. Around 70% of people in the study also said they had stopped buying some basic food item because it had become unavailable or too expensive.

Food-supply problems in Venezuela underscore the increasingly precarious situation for Mr. Maduro’s socialist government, which according to the latest poll by Datanálisis is preferred by less than 20% of voters ahead of Dec. 6 parliamentary elections. The critical situation threatens to plunge South America’s largest oil exporter into a wave of civil unrest reminiscent of last year’s nationwide demonstrations seeking Mr. Maduro’s ouster.

Continuar a ler

Fé na matemática

O meu texto de ontem no Observador.

‘Quando li esta deliciosa crítica de Alexander Masters ao livro The Universe in Your Hand lembrei-me do famoso e infame modelo macroeconómico do PS com os seus 207.000 empregos em quatro anos. E, nem de propósito, ontem Stephen Hawking contou-nos aquilo em que ‘acredita’: que a informação se transforma em holograma quando passa num buraco negro. O que me deixou muito feliz, uma vez que estou muito familiarizada com todas as possibilidades permitidas aos hologramas, pela via mais óbvia, a das séries infantis que os meus filhos vêem na televisão. Há uma destas séries que tem um avô preso num universo alternativo e cujo vilão atua por meio de hologramas. Acho que amanhã, para as impressionar (há que aproveitar enquanto não chega a adolescência), digo às minha crianças que provavelmente os buracos negros tiveram o seu papel na separação de avô e neto.

Como refere Alexander Masters, há um grupo numeroso de cientistas respeitáveis, ferozmente ateus, deliberadamente descrentes dessas fábulas que são as religiões, cujo intelecto não se contenta com menos do que uma cristalina prova científica. Misturam-se a custo com os simplórios beatos ou new age que acreditam num Deus criador ou numa energia harmoniosa universal com que comunicam através de mantras e meditação. Oferecem a esses beatos e new agers o tratamento merecido: a chacota. E no meio de tanta teoria exótica e improvável, nunca lhes ocorreu ponderar se o apelo espiritual da grande maioria da população mundial é afinal resposta a alguma lei natural ainda não descoberta. Ou se a procura de resposta aos ‘porquê?’ e ‘para quê?’ é, hélas, tão racional como o encantamento que as personalidades científicas têm com a beleza (fria) do ‘como?’, que é ao que a ciência responde.

Em todo o caso, eu, que como católica sou alvo de chacota das personalidades científicas, fiquei satisfeita com o que li dessas teorias (todas mais veneráveis do que qualquer religião) que, entre surpreendentes outros, concebem universos dentro de universos. Porque quando eu era criança vivia fascinada com a imagem do Atlas carregando o mundo nos ombros. (Mal sabia eu que décadas mais tarde faria parte de um grupo que tem no seu cânone um livro chamado Atlas Shrugged.) Bom, a criança Maria João também vivia convencida que o nosso mundo era um brinquedo num mundo de gigantes, tal como os globos terrestres são brinquedos no nosso. Pelo que, dou já aqui como provado de forma cristalina, as imaginações infantis são uma ótima fonte de explicações cosmológicas.’

O resto (até chegar aos números do PS) está aqui.

Ainda sobre os abusos do fisco

Com uns dias de atraso relativamente à publicação, aqui fica o meu artigo mais recente no Observador: Os abusos do fisco não acontecem por acaso.

Campanha eleitoral (I): quem tem medo da Democracia?

Muito se tem discutido sobre qual o papel que o CDS-PP deve ter nos debates eleitorais e na campanha, em especial, no grande debate agendado para o dia 22 de Setembro, no qual a Coligação deseja que participem, não apenas Pedro Passos Coelho, mas também Paulo Portas.

O Bloco de Esquerda e o Partido Socialista opuseram-se à presença de Portas, defendendo a sua posição com o argumento que tal significaria uma duplicação do espaço da Coligação na defesa do seu programa. Costa chegou a afirmar que a presença de Portas representaria uma violação das regras do jogo, uma vez que nessa situação “o PS jogaria com 11 jogadores, e a Coligação, com 22”.

A questão não é linear, e sou o primeiro a reconhecer que, quando se colocou, não mereceu da minha parte uma posição imediata. Após ouvir os vários argumentos, consultar a Lei Eleitoral, e pensar a frio sobre o assunto, considero que a posição de Paulo Portas não só é perfeitamente legítima, como é aquela que melhor defende os interesses dos eleitores e da democracia.

Continuar a ler

Respeito!

Apesar dos esforços dos cartazes e cartas do António Costa. Grande Líder só há um. O Kim e mais nenhum.

“‏@DPRK_News
Davos World Economic Forum proclaims 14 traits shared by great leaders. All such traits are possessed by Supreme Leader Kim Jong-Un!”

De acordo

Nota-se bem quando existem ideólogos e pensadores por trás de um líder. O discurso é outro. É pensado exactamente na mesma latitude em que Nóvoa pensa o país.

A Justiça e os últimos 4 anos

O meu artigo no Diário Económico de hoje sobre a Justiça.

Justiça

Sobre os últimos quatro anos devemos reter o novo mapa judiciário apresentado pela actual ministra que, com a figura do administrador judicial e a criação de gabinetes de apoio aos magistrados judiciais, foi um primeiro passo na necessária reorganização do funcionamento interno dos tribunais.

Mais mediáticas foram as prisões de José Sócrates, em Évora, e a de Ricardo Salgado, em casa. No entanto, e apesar do sistema judicial ter sido capaz de enfrentar os antigos donos disto tudo, o certo é que tal se terá devido mais ao colapso de um esquema económico que ao mero funcionamento da Justiça.

O futuro nos dirá. Nos esclarecerá se, apesar do sucedido nesta legislatura, o modelo socialista de desenvolvimento que dura há décadas, e que pressupõe como normal uma combinação entre políticos e empresários, ferindo a livre iniciativa e o livre funcionamento do mercado, sobreviverá ao ponto de outros poderes substituírem os que agora caíram em desgraça.

Campanha eleitoral

A partir de hoje, vou dedicar-me a fazer análise de alguns aspectos mais relevantes da campanha eleitoral. Os posts serão publicados aqui, mas igualmente divulgados no velhinho Blue Lounge, para ordenar o arquivo. Tentarei fazer sobretudo uma apreciação crítica dos aspectos programáticos, para além dos factores mais evidentes, além obviamente dos principais fait divers que naturalmente todas as campanhas eleitorais produzem. Em alguns posts não serei breve, pois não é da minha natureza :) Só lê quem quer :)

A Venezuela não interessa a ninguém

venezuala_protest_ap_img

A Venezuela não interessa a ninguém. A Venezuela não interessa a ninguém. Porque haveria de interessar, se não interessa a ninguém? Na Venezuela não há um leão chamado Cecil caçado por um dentista. Logo, não interessa a ninguém. Na Venezuela não há caracóis que são cozidos vivos. Você gostaria de ser cozido vivo? Na Venezuela também não. Na Venezuela cidadãos são executados à luz do dia. Triste fado. Fossem um felino ou um molusco e interessariam a alguém. A Venezuela não interessa a ninguém. A revolução bolivariana é boa, é bem intencionada, é bonita e é de esquerda, é contra o capitalismo, é pelo socialismo. E isso já interessa. O que não interessa a ninguém é o que vem depois. Isso não interessa a ninguém. Em particular, as filas para o supermercado, o limite de levantamento de 13€. Ou, como diz o outro, por sinal candidato a deputado pelo PS, quem não consegue viver com levantamentos de 60€/dia? Se os gregos conseguem, os venezuelanos, estóicos latinos, também. É a revolução bolivariana. Essa interessa, essa é digna, essa é noticiável. Essa merece capas do Público e do DN. É tão comovente que jornais brasileiros fazem noticia das capas que Portugal dedicou a Chavez e à Venezuela. A criança que chora com a morte de Chavez, anunciando ao mundo a era pós-Chavez. Essa interessa. Pelo menos a alguns. Interessa aos mesmos a quem não interessa o que deveria interessar agora. A Venezuela não interessa a ninguém. Nem a Venezuela, nem eles.

Mãe II

kafka2O texto publicado no Diário Económico tem 1000 caracteres com espaços. Não sei porquê tinha-o escrito com 2000. Fica aqui a versão mais longa.

 

 

Mãe

Os Governos de Portugal saídos de eleições são uma espécie de “Kinder Surpresa”. Sabe-se quem se candidata a PM que, ganhando as eleições, se torna um ditador posicional. Como todos os ditadores (de facto ou posicionais), distribui lugares e recursos, faz escolhas, promove este ou aquele e obriga-se a satisfazer clientelas e Partido, não vá o diabo tecê-las. Continuar a ler

Mãe

kafka2Eu no Diário Económico de ontem

Os governos de Portugal saídos de eleições são uma espécie de “Kinder Surpresa”. Sabe-se quem se candidata a primeiro-ministro que, ganhando as eleições, se torna um ditador posicional.

 

Compreender o putinismo XXVIII

stesov

Oleg Sentsov é um cineasta ucraniano. Foi condenado a passar duas décadas na prisão por um tribunal militar russo que deu como provadas as acusações de dirigir uma célula terrorista na Crimeia em 2014. Dentro das actividades subversivas dadas como provadas, está o plano de Oleg Sentsov fazer explodir uma estátua de Lenine.

Se descontar as honradas tradições que fazem do Putinismo aquilo que é, achar curioso que um tribunal militar russo profira sentenças sobre uma guerra inexistente, no sentido em que não participou com um único militar e passar uma esponja sobre a natural oposição à anexação russa da Crimeia, ser levado a acreditar que durante o tempo que esteve preso Oleg Sentsov não foi tocado por ninguém das forças de segurança russas e que as queixas de tortura que apresenta são resultado de práticas sadomasoquistas, diria que Oleg Sentsov merecia um louvor.

Solução keynesiana para a crise chinesa

Dentro da lógica keynesiana, uma solução para a crise chinesa seria estimular a procura agregada (armadilha para os keynesianos: não são todas as crises fruto de uma contração da procura agregada?) através do investimento público. Em quê? Bom, em mais umas quantas cidades edificadas inorganicamente. Já têm Paris, falta-lhes Londres ou São Francisco. Seria o equivalente moderno ao atirar garrafas com notas num buraco e convidar as pessoas a destapá-los. Made in China.

02china9

ordos_03

ordos_07

O colapso chinês

collapse

Como tive oportunidade de referir há 5 anos, este livro de Gordon Chang é indispensável para perceber o que se está, e se vai passar na China. A bolha especulativa, os bancos estatais cheios de capital inventado na secretaria e por aí fora. Há anos que se fala do que agora se prepara para acontecer. No fundo, até os chineses sabiam. Ou achávamos nós que a procura do golden visa se devia apenas às casas, ao clima e ao acesso à Europa? A fuga dos mais sabidos começou há muito.