Tudo bons rapazes

PTDI2009_650_318

Na sincronicidade a coincidência vai mais além. O fenómeno da aleatoriedade dá lugar ao significado. O relógio parado não acerta duas vezes ao dia porque ficou sem pilha, acerta duas vezes ao dia porque alguém lhe retirou a pilha.

A forma como os usuais paladinos dos fracos e oprimidos inundam a imprensa com usura e belicismo literário contra a usura dos facínoras capitalistas, contra os liberais, e contra seja lá o que for que atente contra o sonho socialista, contrasta estranhamente — ou coincidentemente — com a preocupação e candura de José Sócrates (e de tantos outros) com Ricardo Salgado, expoente (teórico) máximo da ira dos grandes timoneiros que lutam pelo depor do capitalismo, dos mercados e do mundo financeiro que nos agrilhoa. Mas que os abanca, porque cá se fazem, cá se pagam.

João Miguel Tavares sintetiza bem este fenómeno na sua crónica no Público:

“Um homem que teve o poder que ele teve e que sabe o que ele sabe não é coitadinho nenhum. Se Ricardo Salgado abre a boca, metade do regime parte o pescoço ao cair das escadas. As suas contas bancárias até podem ficar a zeros – enquanto ele tiver memória, continuará a ser um dos homens mais poderosos do país.”

Os cronistas do regime arregimentado a proteger o regimento que um dia regeram e que ainda hoje os rege. Realpolitik à portuguesa, com certeza.

About these ads

Contrapartidas e negociatas

No Público

“As contrapartidas não são embuste nenhum”, esclareceu Ventura Leite, negando assim o adjectivo ontem utilizado pelo ex-ministro Luís Amado nesta mesma comissão de inquérito. Curiosidade: o primeiro era deputado do PS quando o segundo era ministro, no primeiro Governo de José Sócrates. Ao longo desses quatro anos (2005-2009), o deputado eleito por Setúbal fez o primeiro relatório sobre as contrapartidas nos avultados negócios de compra de material militar.

Nesse documento, aprovado por unanimidade na comissão de economia, e subscrito pelos deputados António Filipe (PCP) e Hugo Velosa (PSD), Ventura Leite concluiu que “o Estado tinha sido absolutamente negligente, no mínimo”. Terá sido, até, na opinião deste economista, “extremamente incompetente, com prejuízo para o país”.

Sobretudo, esta foi a tese principal do ex-deputado, porque havia no Estado um enorme “amadorismo”. Resultado: “Portugal não beneficiou das contrapartidas” como outros países.

Uma das razões, que já vinha sendo levantada nas audições anteriores, prende-se com a proliferação de “intermediários”. Ventura Leite confirmou: “O Estado entregava o processo a terceiros, a um intermediário. O processo presta-se a todo o tipo de negociatas.”

Corrupções à parte, convém ter presente que mesmo bem negociadas as “contrapartida” tendem a inflacionar o custo dos equipamentos. São no fundo um subsídio encapotado a industrias específicas. Pagos pelos contribuintes.

No Fio da Navalha

O meu artigo de hoje no ‘i’.

Um regime blindado

O país anda chocado com a história à volta do BES, ao mesmo tempo que teima em abrir os olhos para perceber como uma coisa daquelas se deu. E aconteceu precisamente porque a economia portuguesa é uma economia de compadrios, com o poder político à mistura a distribuir fundos e negócios pelos empresários, que só assim são chamados porque os país teme e venera o poder.

O BES é um exemplo de como funciona o poder por cá. Correu muito mal, mas outros há  que, apesar de o desastre não ser tão acentuado, prejudicam diariamente um país cheio de grandes empresas encostadas ao poder político.

Quantas vezes não ouvimos falar da importância dos chamados “campeões nacionais”? De empresas que, dizem-nos, devem ser acarinhadas porque representam o país. Sucede que este discurso salazarista, com que o 25 de Abril não cortou e de que se alimenta há 40 anos, impossibilita a existência de uma verdadeira economia de mercado, ao mesmo tempo que culpa esse mesmo mercado pelos erros que seriam evitados caso fosse livre.

O esquema está, como se vê, perfeitamente blindado. A culpa é sempre do mercado, que nem sequer tem identidade própria, logo não existe da forma como os comentadores e os políticos o vêem. É esta blindagem, que gera empresas que são grandes porque fazem parte do regime, que tem de ser rompida. Para que essas mesmas empresas passem a ser parte de uma realidade onde o interesse das pessoas seja superior ao dos negócios políticos.

…até à queda final

“É sempre a subir” de Ricardo Reis (Dinheiro Vivo)

A maioria das pessoas já percebeu que quando os tribunais tornam impossível despedir um trabalhador, as empresas ficam mais relutantes em contratar seja quem for. Por isso, acabamos com mais desemprego e um mercado de trabalho com menos oportunidades. Não é preciso apresentar os argumentos teóricos ou estudos empíricos sobre o caso. Basta observar o mercado de trabalho em Portugal nos últimos 20 anos. Mas este fenómeno em que proteção de um lado leva a relutância no outro lado aplica-se noutros casos.(…).

No entanto, as hesitações que descrevi até agora não parecem ter muita força no sector público. Contrata-se trabalhadores, aumenta-se os salários, investe-se no património cultural e abre-se novos serviços. Porque é que a hesitação é forte no sector privado mas não no público?

Parte da resposta terá que ver com o horizonte dos políticos e legisladores. Abrir e expandir leva a obra feita neste mandato. Quem vai querer fechar é o próximo governo, pelo que é ele a sofrer com a impossibilidade de fazer cortes. Além disso, porque diferentes governos e forças políticas têm diferentes prioridades, quem está no governo quer mesmo expandir serviços, investimentos, e trabalhadores nas áreas que lhe interessam. Irá assim obrigar os governos do futuro a suportar as suas opções políticas, sem ter capacidade para as reverter.

O resultado final? A despesa sempre a subir – e os impostos têm de acompanhar. Até ao dia, claro, em que a economia não tem mais por onde ser taxada. Aí talvez juízes e tribunais percebam que quando não se pode reduzir, vender ou fechar nada, são o país e o regime como um todo que não conseguem ficar abertos.

Auditoria confirma irregularidades em Braga

Uma auditoria externa à Câmara de Braga confirma as suspeitas existentes

A auditoria à Câmara Municipal de Braga confirma “graves irregularidades financeiras” na anterior gestão socialista liderada por Mesquita Machado(…)

Um dos principais buracos financeiros confirmou-se na Fundação Bracara Augusta, cuja tutela era do então “super-vereador” socialista Hugo Pires – o actual líder da bancada socialista da oposição na Câmara Municipal de Braga. Num orçamento de um milhão de euros, existe um “buraco” de 350 mil euros, segundo confirmou hoje o SOL.

Há ainda a “derrapagem” de cerca de um milhão de euros devido à construção do prolongamento do túnel na avenida da Liberdade, motivando um acordo extra-judicial de 900 mil euros entre a autarquia e a Britalar, empresa de António Salvador, o presidente do Sporting de Braga, que se encontra em processo de insolvência. Em 2009, o prolongamento do túnel foi a principal ‘bandeira eleitoral’ da última recandidatura de Mesquita Machado.

Entretanto, o SOL apurou junto de várias fontes que o valor real da dívida da Câmara de Braga já ultrapassa pelo menos 100 milhões de euros, ao contrário do que sempre foi afirmado pelo anterior executivo socialista bracarense.(…)

Entretanto, continua a decorrer na Polícia Judiciária de Braga uma investigação criminal a mais um caso de alegadas ‘luvas’ nos Transportes Urbanos de Braga, em que um dos principais suspeitos é o anterior vice-presidente da Câmara da cidade, Vítor de Sousa, candidato derrotado nas últimas eleições autárquicas.

Mário Nogueira (ainda) não é Ministro da Educação (2)

exame_professores_invasao_3

Caro Paulo, não percebi a referência aos supostos “melhores dias” da insurgência. Em qualquer caso, o post serviu como mais uma motivação para dedicar o meu artigo desta semana no Observador (A prova, os professores e os sindicalistas) ao tema.

Se há coisa que não tem faltado por aqui, são críticas ao MEC (não vou procurar links porque sei que o Paulo é um leitor atento do blogue), desde a falta de reformas que promovam a liberdade de educação até à manutenção praticamente inalterada dos mecanismos de financiamento no ensino superior. Não serão é o tipo de críticas que mais agradam ao Paulo, mas sobre isso pouco posso fazer.

Aproveito para acrescentar mais uma ideia que acabei por não incluir no artigo: é curioso que alguns dos maiores críticos da possibilidade de municipalizar competências no âmbito da gestão de docentes sejam simultaneamente críticos da realização de provas nacionais. É caso para perguntar: em que ficamos?

Termino com uma garantia que já em tempos dei ao Paulo Guinote: adoptarei exactamente o mesmo critério de análise e o mesmo padrão de exigência relativamente a executivos futuros, incluindo se o protagonista na altura vier a ser ele próprio, por exemplo como Secretário de Estado do Ensino Básico e Secundário ou mesmo como Ministro da Educação.

A crise do BES e o regime monetário em vigor

A crise do BES no seu contexto. Por Avelino de Jesus.

É útil distinguir aqui três níveis de análise: o criminal, o regulatório e o sistémico. Este último é o mais relevante. Tudo indica que, no essencial, não se trate de puras “irregularidades”. O essencial dos problemas decorre da lógica interna do sistema. Esta, por seu turno, tem duas dimensões, a internacional e a nacional. A vertente internacional remete para o regime monetário e é o pano de fundo mais importante. A dimensão nacional não pode ser omitida: ela explica o atraso nas manifestações e a vincada dimensão política dos acontecimentos (maior controlo político da banca, menor transparência, dificuldade de distinguir os aspectos criminais dos da gestão).

O regime monetário em vigor baseia-se num sistema de criação monetária eminentemente político que apela para a promiscuidade entre a banca e os políticos. Funda-se na emissão de poder de compra sem ou com ténue ligação à economia real. Este sistema tem três características essenciais:

Continuar a ler

Marcelo Rebelo de Sousa e Ricardo Salgado

Declarações (e movimentações) curiosas: BES compromete “ambições presidenciais” de Marcelo, diz Pais do Amaral

Pais do Amaral lembra o caso Madoff e diz que, se Salgado “não se sair bem” do processo judicial do BES, Marcelo Rebelo de Sousa, por ser seu amigo, “não terá condições” para concorrer a Belém.

Continuar a ler

A Sério, Costa?

António Costa falou ontem sobre “três questões políticas” de curto prazo. A saber:

  1. ASerioCostaLutar por uma nova leitura do tratado orçamental que se ajuste às metas do ciclo económico de modo a “cumprir as necessidades da dívida mas também de investimento” – resumidamente, mais défice, mais dívida e condescendência da União Europeia.
  2. Pedir uma maioria absoluta, excluir o entendimento com os actuais PSD e CDS e abrir a porta a um entendimento com os partidos mais à esquerda – medo.
  3. Implementar “um plano de recuperação económica e social” que consiste em “travar a austeridade para dar confiança”, dar “estabilidade das pensões já formadas” e recorrer ao BCE, ao BEI e ao próximo Quadro Comunitário de Apoio para “capitalizar as empresas” – também mais défice e mais dívida ao mesmo tempo que se espera que a Europa continue a transferir indefinidamente fundos para cá.

A sério, Costa? É este o melhor calibre que o nosso sistema político consegue produzir?

Licenciatura em Ciência Política e Relações Internacionais

Apresentação Instituto de Estudos Políticos da Universidade Católica Portuguesa

Recordo que está em curso a 1ª fase de candidaturas à Licenciatura em Ciência Política e Relações Internacionais do Instituto de Estudos Políticos da Universidade Catolica Portuguesa, em Lisboa.

O concurso aos cursos da UCP é local, pelo que a opção “Universidade Católica Portuguesa” não está incluída no concurso nacional, devendo a candidatura ser feita directamente junto da UCP.

Está também em curso a 3ª fase de candidaturas ao MA in Governance, Leadership and Democracy Studies, assim como a 2ª fase de candidaturas aos programas de Mestrado e Doutoramento em Ciência Política e Relações Internacionais.

A nova lei do jogo online

JogoOnline@Portugal.pt. Por Michael Seufert.

Não se brinca com coisas sérias. Mas até apostava que um ano depois desta lei ter entrado em vigor o panorama do jogo não estará assim tão diferente. Terão aumentado as receitas globais, claro: afinal passam a ser legais uma série de transacções que neste momento não o são. Mas em termos de operação e de oferta não se verão grandes mudanças. Daí em diante as alterações serão as que ocorreriam na mesma, mesmo sem esta lei. O jogo online está aí e vai continuar a estar. Permitam-me a esperança – mas aqui já não aposto – que alguma desta receita possa aliviar outro imposto qualquer. Nem peço nenhum em particular, apenas aquilo que a direita tem, agora que apagou o incêndio socialista, a obrigação de fazer: sair da frente e dos bolsos dos portugueses.

A fortuna de Michael Moore

Divórcio de Michael Moore revela riqueza do realizador

O realizador Michael Moore divorciou-se de Kathleen Glynn com quem estava casado há 22 anos, noticiou a BBC esta quinta-feira. E ficou-se a saber o vasto património do realizador de cinema, conhecido pelas suas posições anti-capitalistas.

Continuar a ler

(Des)Amor com (des)amor se paga

Israel – como tudo na vida – não está acima de críticas. Nem na atual guerra com o Hamas em Gaza nem nos intervalos das erupções violentas. E tem lá dentro os intoleráveis judeus ultra-ortodoxos que são tão agradáveis para o género feminino (dou três exemplos) como as gentis almas que compõem o Hamas. Mas confesso que me espanta como há tanta gente que tem bitolas tão distintas para os dois lados. Israel não pode atacar (como faz agora e em resultado de ataques sofridos) mas também não se pode defender preventivamente (ai Jesus que construiram o muro); Israel não pode atacar mas ninguém se lembra que do tempo em que iam mandar os judeus ao mar (propósito que ainda tem o Hamas), das guerras que o lado palestiniano provocou e dos boicotes a qualquer tentativa de uma paz negociada – e tudo em prol de jogos de poder entre Hamas e OLP (e dentro de cada um), da manutenção de esquemas de corrupção que enriqueceram os líderes da OLP e para distrair os palestinianos da negligência e incompetência e corrupção dos governos de OLP e Hamas.

Já com o Hamas a complacência é total. A indignação com as mortes civis (e sobretudo de crianças) dirige-se toda para o exército israelita, mas o facto do Hamas preferir o apelo propagandístico das mortes de crianças e civis pelos israelitas, localizando-se onde faz mais mossa à população civil em caso de ataque, em vez de proteger os civis de Gaza já é de todo irrelevante e não lhe atribui nenhuma culpa na morte dos referidos civis. A pobreza em Gaza não interessa, os desrespeito pelos direitos humanos das mulheres likewise. E para o que acontece ao mesmo tempo na Síria e nos locais controlados pelo ISIS olha-se para o lado, que não é conveniente haver outros concorrentes à indignação que se quer oferecer toda a Israel.

Eu, se tiver de escolher lados, fico com Israel. Tem erros, tem exageros, tem mão militar pesada. Mas não festeja as vítimas do outro lado, não sacrifica vidas civis do seu lado à propaganda, não só não tem um total desrespeito pelas vidas do lado inimigo como não pretende provocar o maior número de vítimas – é isto o Hamas. Que, além disso, defende coisas que me são aberrantes. Aprecio tanto o Hamas como lá valorizam o que eu sou e represento: uma mulher ocidental independente.

Uma boa leitura para estes dias – e porque os dramas humanos naquela zona não começaram agora – é o Oh Jerusalem, da dupla Larry Collins e Dominique Lapierre. (Livro sobre o qual escrevi no primeiro jornal que deu guarida a textos meus – o Notícias do CUPAV – depois do assassinato de Ytzhaz Rabin, que era referido no livro nos seus tempos do Palmach, a 4 de novembro de 1995. Lembro-me perfeitamente de ter sabido desta notícia numa área de serviço da A1, já bem de noite no regresso de Coimbra, onde tinha ido à festa de 20 anos do CUMN.)

oh jerusalem

Assim vai o Iraque…

Fundamentalistas destroem túmulo de Jonas

O túmulo do profeta que, na Bíblia, sobreviveu três dias na barriga de um peixe, no fundo do mar, foi destruído numa onda de ataques do grupo de terroristas do Estado Islâmico.

Purged by ISIS, Iraq’s Christians appeal to world for help

Iraqi Christians are begging for help from the civilized world after Mosul, the northern city where they have lived and worshiped for 2,000 years, was purged of non-Muslims by ISIS, the jihadist terror group that claims to have established its own nation in the region.

Em casa de terrorista, espetam-se as manas a viver com o inimigo

É natural que as pessoas queiram o melhor para as famílias. Enviar as três irmãs para o berço de todos os males do mundo não é um bocadinho pesado? Não ficariam a salvo das maldades no “ghetto de Varsóvia de Gaza”? Afinal, que criatura é esta que permite que as irmãs vivam na “casa dos criminosos de guerra”?

Fazer contribuintes

O meu artigo no Diário Económico sobre o relatório da natalidade apresentado pelo PSD. Os filhos virão quando a família passar a ser valorizada. Aliás, a forma como se olha hoje para as famílias numerosas, diferente da de há uns anos, vai ser um maior incentivo à natalidade que qualquer lei que este ou qualquer outro governo venha a aprovar.

Esparta

O relatório sobre a nataliade que o PSD encomendou e apresentou é demonstrativo da forma como se encara o papel do Estado em Portugal. Durante anos, a classe política rendeu-se às causas fracturantes da extrema-esquerda e apoiou políticas que minaram o conceito de família como elemento primordial e estruturante da sociedade portuguesa. Fez mais: concebeu o crescimento da economia baseado no consumo e na despesa, pressupondo uma ordem de valores socialista, onde a despesa vale mais que a poupança; Uma linha de raciocínio que tem o seu ponto fulcral na concepção de que o ensino deve ser gratuito, para que haja dinheiro para bens de consumo perecíveis, indiciadores de um nível de vida inexistente e ilusório.

O preço está a ser pago com menos crianças. Infelizmente, o que preocupa o poder político é a sustentabilidade da Segurança Social e do Estado. Não são as crianças. Não são as famílias. O Estado precisa desesperadamente de quem pague os impostos no futuro. E como no futuro estaremos todos mortos, o Estado precisa de crianças. Não podendo forçar as pessoas a isso, concede benefícios. Chama-lhe “o nosso futuro colectivo”. Esparta não faria melhor. Esparta não foi tão subtil. Esparta obrigava os seus cidadãos a ter filhos porque precisava de soldados; o nosso Estado incentiva a tal porque precisa desesperadamente de contribuintes.

Por que motivo um casal decide ter filhos? Não é, seguramente, para pagar contas. Menos ainda, por estar preocupado com a sustentabilidade do Estado ou o futuro colectivo do país. Uma família tem filhos porque se ama, porque ama, porque quer perseverar a família; passar o testemunho. Porque dá valor a uma série de factores que o Estado não tem em conta.

O Estado, com a visão que tem do problema, pode até conseguir um aumento da natalidade. Mas será pontual. Será baseado, não num querer, em algo que se deseje, mas numa mera decisão contabilística que, porque sustentada numa redução esporádica de impostos, que não se pode manter por muito tempo, cedo deixará de surtir os efeitos desejados.

Se os políticos desejam que as famílias tenham mais filhos, além dos benefícios fiscais, é a filosofia de vida que está por detrás das políticas seguidas nos últimos anos que terá de ser alterada. Precisamos de um Estado que não se imiscua na vida privada; que não difunda valores, mas respeite os estabelecidos pela sociedade; que seja poupado e reduza os impostos para todos. Em igualdade. E, mais importante ainda, que não gaste dinheiro em políticas públicas que desvalorizam e atacam o conceito de família. Não minando as verdadeiras bases do país, não precisará de discriminar portugueses incentivando a que tenham filhos prontos para pagar as contas que deixa para trás.

E se fosse Seguro ?

PS: campanha para o troféu sexy platina

E se fosse Seguro a anunciar uma agenda a 10 anos sem falar de dívida e finanças?

Imagine-se a carga de pancadaria que levaria António José Seguro se resolvesse convocar uma conferência de imprensa sobre uma “convenção” e agenda de 10 anos para o país e se se recusasse a dizer o que pensa sobre a consolidação orçamental, o que pensa sobre a reestruturação da dívida e de como sair do buraco em que estamos, alegando que queria ir às “origens da falta de competitividade da economia portuguesa”.

Continuar a ler

O “bully” enfraquecido

(Artigo publicado no Diário Económico de ontem)

Num artigo no Sunday Times, o primeiro-ministro britânico afirmou que “é altura” dos países europeus tomarem uma posição firme contra a Rússia caso se confirmem as responsabilidades russas no desastre do voo MH17. Cameron tem razão, mas duvido que uma ameaça europeia e americana de isolar a Rússia, caso esta não cesse o seu apoio à insurreição no leste da Ucrânia, viesse a alterar o comportamento de Putin: é por sentir que a Rússia está já isolada que Putin age como age. Toda esta crise é um produto do enfraquecimento russo: nos anos 80 e 90, com a incapacidade do império de manter o controlo sobre as várias “nacionalidades” que o compunham; e recente, com a aproximação ucraniana à NATO e à UE.

Longe de ser a “afirmação do poderio russo” que por aí se anuncia, a desestabilização do leste ucraniano surge da percepção de que esse poder é cada vez menor. A Rússia é um país que vê os vizinhos quererem fugir da sua “esfera de influência”, numa gravíssima crise demográfica, e com um orçamento de Defesa quase insignificante quando comparado com os EUA. E a circunstância do regime ser (como escreveu Fraser Nelson) “uma gigantesca empresa energética com um exército” pode ter enriquecido os seus corruptos líderes, mas também os fragilizará, à medida que os EUA começarem a usar o emergente sector do gás de xisto para baixarem os preços no mercado energético global: não só verão a sua riqueza diminuída, como se arriscam a que uma economia atrofiada lhes retire o apoio popular.

Mas com as suas tropelias na vizinhança, Putin une os russos em torno do líder que os “protege” de um “Ocidente moralmente decadente” e dos “nazis” da Ucrânia. Sanções mais pesadas serão talvez a resposta necessária ao que se passou. Mas não deixarão de servir a Putin para conquistar apoio interno. Lidar com o Putin é como lidar com um “bully”: se ignorarmos os seus tormentos, estes continuarão porque ninguém lhes vai pôr fim. Se respondermos, estaremos a reagir como ele sempre quis. Façamos o que fizermos, jogaremos sempre o jogo dele.

Ironias com marca Greenpeace

Greenpeace in Chaos as Staff Revolt Against Management

Greenpeace is in turmoil after more than 40 staff signed a letter calling two of the group’s most senior officials to resign. The group faced ridicule last month after it emerged that Husting chose to regularly fly between his home in Luxembourg and work in Amsterdam, leaving a massive carbon footprint.