Logo à noite, no Prós e Contras

Logo à noite, no Prós e Contras, o insurgente Mário Amorim Lopes estará a debater o futuro de Portugal juntamente com Francisco Mendes da Silva, Ricardo Paes Mamede e Margarida Vieira da Silva.

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Leitura complementar: A vida difícil de António Costa.

A Grécia e nós (3)

Confiança de consumidores e empresas melhora em Portugal

Indicador de sentimento económico do Eurostat caiu ligeiramente na zona euro e na União Europeia em junho, face a maio, enquanto em Portugal aumentou.

Leitura complementar: A vida difícil de António Costa.

Put your money where your mouth is

Uma oportuna sugestão do LA-C face à preocupação manifestada por Obama: E telefonar ao Tsipras, não?

E telefonar ao Tsipras a dizer que os EUA emprestam à Grécia o dinheiro necessário para pagar o empréstimo do FMI que vence amanhã, não seria uma excelente forma de demonstrar solidariedade? Put your money where your mouth is.

PS: da voz forte à voz fininha em poucos meses

“Dois temas do discurso de encerramento do XX Congresso Nacional do PS que serviram a António Costa para (…) salientar a diferença entre a necessidade de uma «voz forte» na Europa em defesa dos interesses nacionais e a linha seguida pelo atual executivo em Bruxelas de alegada subordinação externa.”, 30 de Novembro de 2014

“Vitória do Syriza é um sinal de mudança que dá força para seguir a mesma linha” , 26 de Janeiro de 2015

“O líder da Federação da Área Urbana de Lisboa (FAUL) criticou também o governo grego e o partido no poder, o Syriza, que “erraram ao terem uma opção estratégica de confrontação com as instituições europeias”, 29 de Junho de 2015

“As pernas dos banqueiros alemães até tremem”

Jornal de Negócios, 15/12/2011

Pedro Nuno Santos, vice-presidente do grupo parlamentar do PS, defende que Portugal deve ameaçar com a bomba atómica da suspensão do pagamento da dívida para obter, em troca, melhores condições de ajustamento. Carlos Zorrinho considera palavras algo excessivas , mas concorda como o seu vice.

“Estou marimbando-me para os bancos alemães que nos emprestaram dinheiro nas condições em que nos emprestaram. Estou marimbando-me que nos chamem irresponsáveis. Nós temos uma bomba atómica que podemos usar na cara dos alemães e dos franceses. Ou os senhores se põem finos ou nós não pagamos a dívida” e se o fizermos “as pernas dos banqueiros alemães até tremem”.

O “Grexit” e o contágio

No Marginal Revolution, Tyler Cowen analisa os possíveis problemas para Portugal e para a eurozona decorrentes da crise grega.

If you put Greek total debt in perspective, it’s smaller than that of many other EU nations, including Portugal. And that is as a percentage of gdp. Furthermore most of the remaining Greek debt is held by public sector institutions.

The difference of course is that Greece is being run by The Not Very Serious People. Portugal is often described as the next weakest link in the eurozone, but Portuguese politics are not nearly so…vivid. The amount of fiscal consolidation they have done is more or less accepted by the public. That makes Portugal more likely to survive, and it also makes the EU more willing to bail out Portugal, and extend any bailout if needed.

The performance of Syriza won’t encourage European voters to take chances on other less tested, left-wing parties, and that also militates against contagion.

A Grécia e nós

Um domingo em Atenas, ou o que nos podia ter acontecido. Por José Manuel Fernandes.

Nestes dias em que regressamos a casa sem novos sobressaltos e, ao abrir a televisão, vemos o que se passa em Atenas ou Salónica, é bom recordar que nos podia ter acontecido o mesmo. Que até esteve quase a acontecer-nos o mesmo na crise do verão de 2013. Há por aí muita falta de memória, mas há coisas que não podem nem devem ser esquecidas.

Leitura complementar: A vida difícil de António Costa.

A asneira é LIVRE

Naturalmente incomodados com o desmoronar dos radicais gregos a quem sempre conferiram o seu apoio e depositaram as suas esperanças o Grande Educador do LIVRE procura desviar a atenção e atribuir inusitadas responsabilidades.

O cabeça de lista do Livre/Tempo de Avançar por Lisboa, Rui Tavares, acusou hoje o Governo PSD/CDS-PP de “irresponsabilidade histórica” pela forma como se posicionou nas negociações europeias sobre o futuro da Grécia

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Conquistas do syrizismo

Bancos gregos fechados até ao dia do referendo

Esta segunda-feira os bancos já não abrem e podem ficar fechados até 5 de julho, dia do referendo. O controlo de capitais também vai avançar. Governo grego convocou reunião de emergência.

Recordar Antony Fisher

No dia em que faria 100 anos, a visão e as ideias de Antony Fisher não podiam ser mais actuais:

“It is idiocy to re-negotiate loans to governments so they may continue making the same mistakes, or “bail out” banks so their shareholders never discover and correct bad banking procedures. But this is all part of government profligacy. We don’t face up to mistakes; we just throw more money at them.”

Sir Antony Fisher: The battle of ideas for freedom

2015 marks the would-be 100th birthday of Sir Antony Fisher. This is the story of Fisher’s legacy, including what led him to start Atlas Network. It includes some rare footage and photos and short interviews from Atlas Network’s current CEO, Brad Lips, and Atlas Network’s current president, Alex Chafuen — who worked with Fisher directly in the 1980s before Fisher’s death.

Syriza: um governo de medricas (qual governo que faz frente à Europa toda, qual carapuça)

filas grecia atm(o sucesso do Syriza, segundo os critérios da esquerda lunática nacional)

Estou como a Helena Matos (que bom texto), um tanto irritada por perder tempo com estes pantomineiros gregos (e as sucursais nacionais), e estou apertada com prazos para escrever outras coisas, mas tem de ser. Ora vamos lá.

1. O referendo às propostas das ‘instituições’ é algo que faz muito sentido, e não me venham com argumentos ‘a questão é muito técnica, os pobres e vulgares cidadãos gregos não percebem nada’. Tanto percebem que acorreram às caixas multibanco para levantar euros, membros do parlamento grego incluídos. Faz-me todo o sentido perguntar a uma população se quer cortes de despesa e aumentos de impostos para continuar a ter financiamento externo. O que já é evidente chantagem e má-fé do governo grego é marcar o referendo para DEPOIS de a Grécia já ter falhado um pagamento ao FMI, estar em default e falida. E, como é óbvio e diz a adulta Lagarde, quando já nem se mantêm as propostas das ‘instituições’. Se Tsipas e Varoufakis tivessem negociado seriamente nestes cinco meses, em vez de engonharem e escreverem no twitter e apostarem em deixar a decisão para o limite a ver se a UE tremia dos joelhos e ajoelhava perante as imposições gregas – e sim, aqui quem tem feito imposições é a Grécia, que pretende ter o dinheiro dos outros segundo o diktat grego – e, de seguida, levassem a necessária austeridade a referendo, teriam sido políticos sérios (mas, quiçá, a seriedade é um conceito burguês e reacionário). Com este timing, apenas se trata de chantagem, manipulação e desonestidade. (E o BCE, ainda assim, vai continuar a ajudar a Grécia. Se isto não é solidariedade europeia, não sei o que é.)

2. Não dei por tanques prussianos junto às fronteiras terrestres gregas, nem que tivesse sido imposto um bloqueio marítimo na extensa costa grega. Ninguém está a obrigar a Grécia a nada. A Grécia tem toda a soberania para decidir recusar as propostas dos que estão dispostos a financiá-la. Não quer a austeridade imposta pela troika, não tem; como se vê, nenhum país se prepara para invadir a Grécia caso recuse financiamento das ‘instituições’. Não há, portanto, nenhum ataque à soberania grega. Claro que se recusar a austeridade da troika, terá a austeridade do default. E se sair da posição de ‘lacaio de Merkel’ (que pelos vistos tem quem não sofre de pulsões suicidárias) tornar-se-á lacaio de Putin – mas quanto a isso já se percebeu que Tsipras não tem grandes problemas.

3. E a falta de solidariedade europeia, que tanto apoquenta os corações da boa gente da esquerda lunática nacional? Eu, por mim, estou de consciência tranquila. Estive uma semana o ano passado de férias na Grécia, este ano planeio ir lá mais uns dias e não vejo maior solidariedade com um país do que decidir livremente gastar nele o meu dinheiro. A crise humanitária grega até teve a simpatia de se ocultar enquanto eu por lá andei, a ponto de não a ter vislumbrado. E eu sou daquelas pessoas sensíveis a imagens de pobreza, ir à Índia para mim é um tormento (da única vez que lá fui de férias perdi o sono durante alguns meses, e isto não é força de expressão; e das vezes que lá ia em trabalho fazia por estar fechada no hotel o máximo tempo possível), recuso-me a ir à África subsahariana, e não consigo apreciar o pitoresco de hordas de pedintes. Quanto ao resto, era o que faltava qualquer porção do meu dinheiro contribuir para manter gastos militares gregos (onde ‘as instituições’ pedem o dobro das poupanças que pretende o governo grego, ao contrário da notícia que por aí circulou) ou para sustentar a tv pública syrízica de propaganda ou para pagar pensões gregas mais elevadas do que aquela a que eu, um dia, com sorte, terei direito. Não gosto de parasitas nem de predadores.

4. Voltando ao referendo, não entendo por que razão o Syriza – que diz ter um mandato que não lhe permite aceitar as propostas das ‘instituições’ e que afirma ir fazer campanha pelo não – não recusa simplesmente a proposta e vai à sua vida. Tsipras e sus muchachos, além de irresponsáveis e incompetentes, são uns medricas que nem conseguem aceitar o ónus e a responsabilidade da decisão de entrar em default, falir e sair do euro. Até parecem pretender continuar a governar como se nada fosse se perderem o referendo.

O grande conluio

Há escassas semanas, a generalidade dos comentadores elogiava a coragem do Syriza em bater o pé à Europa. Dizia-se que com esta atitude, o Syriza iria conquistar cedências que nenhum outro país tinha conseguido. Essas cedências seriam então a prova definitiva de que existia uma alternativa à austeridade, ou seja, que existia uma alternativa a países sem dinheiro terem que gastar menos.
A teoria foi quebrada há dias atrás pelo próprio Tsipras, quando disse que as Instituições lhe ofereciam menos flexibilidade do que tinham feito a outros países como a Irlanda e Portugal.
Destruida a narrativa, criou-se outra ainda mais incrível: a de que tudo isto foi uma estratégia para derrubar o governo do Syriza. A estratégia negocial do Syriza não estava a levar a lado nenhum porque as instituições queriam derrubar o governo. As várias propostas de acordo tinham sido só a fingir. Claro que esta nova narrativa contraria fortemente a anterior. Mais a parte mais incrível nesta teoria é que implica que se conseguiu fazer um conluio entre 18 governos europeus de cores diferentes (socialistas, conservadores, liberais-democratas e independentes), o FMI (uma instituição onde os EUA de Obama predomina e que é presidida por uma francesa) e o Banco Central Europeu para derrubar um governo. De acordo com esta teoria, todos estes agentes chegaram a um acordo secreto para derrubar o Syriza do poder.
É este o nível de negação a que chegaram alguns comentadores: conseguem mais facilmente acreditar numa conspiração à escala global para derrubar um governo, do que na falta de vontade de um governo de matriz marxista, sem dinheiro, manter-se amarrado à disciplina financeira e orçamental que pertencer a uma zona monetária exige.

Leitura dominical

O dinheiro e os palhaços, a crónica de Alberto Gonçalves no DN.

 

(…) Já é azar. Cheiinho de boas intenções, o camarada X criou um partido, perdão, uma “candidatura cidadã” cujo chefe seria eleito por escolha directa do povo e para o povo. Em teoria, o Sr. Lopes, barbeiro de Moscavide, ou a dona Adélia, assalariada fabril do Ave, poderiam ser líderes. Não foram: decerto por ignorância, o povo escolheu justamente o camarada X para o pastorear.

Depois o partido, desculpem, a “candidatura cidadã” abriu as listas das eleições ao Parlamento Europeu a toda a gente, significando isto que tanto o Sr. Teixeira, desempregado de Gondomar, como a dona Inês, cabeleireira do Cacém, se habilitavam a um lugar elegível. Não aconteceu: decerto por boçalidade, o povo reservou o lugar ao camarada X.

Agora, no momento de preparar as “legislativas”, o sujeito X encetou uma última e desesperada tentativa de escancarar as portas do partido, perdão, da “candidatura cidadã” ao povo. Era desta que o Sr. Fábio, vulgo “O Couves”, biscateiro de Cortegaça, subiria a deputado? Nada feito: decerto por estupidez congénita, o povo pendurou o camarada X do costume no topo da lista por Lisboa, para cúmulo acima da camarada Z – que as más-línguas garantem ter sido mais votada. Mas isso é uma tentativa patética de emendar o povo. O povo não tem emenda. E quem diz povo diz as duas mil alminhas que, por ócio ou vício, se envolveram no assunto.

Christine Lagarde dá Portugal como bom exemplo de união perante a crise

Diário de Notícias

“Espero que todos os partidos políticos [gregos] se possam justamente inspirar nos exemplos dados pelos partidos políticos em Portugal e na Irlanda. Está a chegar um momento em que as rivalidades políticas devem ser postas de parte no interesse do país”, afirmou

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Os gregos ainda confiam no Syriza?

Esta notícia chamou-me a atenção também quando diz que, após a anunciado o referendo os gregos “(…) foram para a rua, não para protestar, mas para levantar dinheiro nas caixas multibanco.”

Ora, haverá maior protesto que o levantamento em massa do dinheiro depositado nos bancos? Haverá maior sinal de desconfiança política que sair de casa e ir a uma caixa multibanco levantar o pouco que ainda se tem?

 

 

Ontem, uma hora antes de Tsipras lançar o povo grego numa corrida desenfreada às caixas multibanco

Está de parabéns o Dinheiro Vivo pelo excelente timing na publicação desta entrevista. Screen Shot 2015-06-27 at 2.20.09 PM
(Ricardo Paes Mamede é professor no ISCTE e foi Director de Serviços de Análise Económica e Previsão do Gabinete de Estratégia e Estudos do Ministério da Economia e da Inovação em 2007 e 2008)

Câmara Municipal de Lisboa a inovar

mulher

Na forma como gastar o inesgotável dinheiro dos contribuíntes.

A Câmara de Lisboa apresentou queixa à Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género contra uma barbearia lisboeta que proíbe a entrada a mulheres, apesar de o responsável do estabelecimento negar fazer essa restrição.

O vereador dos Direitos Sociais, João Afonso, disse à Lusa que a apresentação da queixa surgiu na sequência do “descontentamento de muitas pessoas” em relação ao anúncio de impedimento à entrada das mulheres na barbearia lisboeta e foi manifestado durante a 16ª Marcha do Orgulho LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transgénero).

“No exercício diário da sua atividade o referido estabelecimento, conhecido como Figaro’s Barbershop, proíbe exclusivamente a entrada de pessoas do sexo feminino”, lê-se na queixa apresentada na terça-feira pela Câmara de Lisboa à Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género, a que a Lusa teve acesso.

“Existe à porta, segundo tivemos conhecimento, um sinal que anuncia que é permitida a entrada a homens e a cães, mas não a mulheres, equiparando estas últimas a animais”, acrescenta.

O responsável pela Figaro’s Barbershop, Fábio Marquês, garantiu à Lusa que “a barbearia não proíbe a entrada a mulheres”, explicando que “o que acontece é que não existem serviços para senhoras”.

Como não conduzir uma negociação. O manual grego

Paulo Ferreira no Observador

A legitimidade democrática não começa e acaba em ti. Muitos querem convencer-nos que a Grécia inventou a democracia por duas vezes: há 25 séculos e, de novo, há cinco meses. É para isso que remetem muitas das alusões ao mandato eleitoral que o Syriza recebeu dos seus eleitores, que seria o salvo conduto para que os outros 18 aceitassem sem mais todas as sua exigências. Acontece que os outros 18 foram eleitos da mesma forma, para mandatos tão legítimos como o do Governo grego e para defender aquilo que consideram ser o interesse dos seus países, cidadãos e contribuintes. Ou as eleições de 25 de Janeiro da Grécia foram eleições gerais para a zona euro?

Se queres ser totalmente soberano não te esqueças da independência financeira. Acontece com as famílias e com as empresas. E os Estados não são excepção. Só somos inteiramente donos do nosso destino quando, entre outras coisas, não dependemos de ninguém para o financiar. Não há soberania feita de cheques alheios.