Eleições antecipadas na Grécia

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Tsipras vai convocar eleições antecipadas na Grécia

A decisão terá sido tomada durante o encontro de hoje entre o primeiro-ministro grego e os seus colaboradores mais próximos e não é completamente inesperada. Depois de meses de intensa disputa com os credores internacionais e de apoiar o “não” no referendo à proposta da troika (o “não” venceu), Tsipras acabou por ceder aos credores e aceitar condições ainda mais duras, em troca de um terceiro resgate.

O resultado no Parlamento grego foi a rebelião dentro do seu partido. Para aprovar as medidas necessárias para vir a beneficiar do terceiro resgate, Tsipras ficou a depender de partidos na oposição, já que perdeu o apoio de cerca de um terço dos seus próprios deputados.

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Tony Blair apela à responsabilidade dos trabalhistas

Tony Blair: Even if you hate me, please don’t take Labour over the cliff edge

The Labour party is in danger more mortal today than at any point in the over 100 years of its existence. I say this as someone who led the party for 13 years and has been a member for more than 40. The leadership election has turned into something far more significant than who is the next leader. It is now about whether Labour remains a party of government.

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Currency union and fiscal union

Recomendo a leitura integral deste texto (link via Mário Amorim Lopes), sem prejuízo de considerar que, economicamente, a zona euro seria mais – e não menos – credível com um mecanismo claro de insolvência e saída e que, do ponto de vista de países na situação da Grécia no contexto da União Europeia, há bons argumentos políticos (que eu subscrevo) para defender a saída do país em causa do euro: Mankiw and Conventional Wisdom on Europe. Por John Cochrane.

What is this “fiscal union,” apparently providing countercyclical Keynesian stimulus at the right moment? In the US, we have Federal contributions to social programs such as unemployment insurance. Europe has the common agricultural policy and many other subsidies. We do not have systematic, reliably countercyclical, timely, targeted, and temporary local fiscal stimulus programs. Just how big is the local cyclical variation in state or local level government spending or transfers? (And why does fiscal union matter so much anyway? If you’re a Keynesian, then local borrow and spend fiscal stimulus should be plenty. The union matters only when countries near sovereign default and can’t borrow.)

The local and cyclical qualifiers matter. Yes, both US and Europe have some pretty large cross-subsidies. But most of these are permanent. The rest of the nation subsidizes corn ethanol to Iowa year in and year out. Social security payments come year in and year out, and transfer money from states with workers to those with retirees. Monetary policy has at best short-run effects, so the argument for currency union has to be about local cyclical, recession-related variation in economic fortunes, not permanent transfers.

And Federal fiscal transfers only started in the 1930s. We had a currency union in 1790, and no substantial Federal fiscal transfers at all until the 1930s. How did we get along all this time?

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“Portugal não é a Grécia” (pelo menos para já)

Portugal é o “anti-Grécia”, escreve o Politico, um jornal de Bruxelas

O “Politico” faz manchete com a análise das razões por que não acredita que as eleições resultem num “Tsipras 2.0”. Partidos do centro aguentam-se porque “as coisas estão, lentamente, a melhorar”.

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A zona euro precisa de um mecanismo de insolvência e saída ordeira

Para quem como eu anda há anos a ouvir nos mais variados fóruns colegas economistas (incluindo alguns alemães e austríacos) assegurar-me – em tom mais ou menos paternalista – que um mecanismo de saída ordeira seria impossível e “obviamente” arrasaria a credibilidade do euro (assim como da UE, da civilização e porventura também da humanidade) esta notícia é especialmente interessante, mesmo que não tenha nada particularmente inovador: “Sábios” alemães: Saída do euro deve ser possível, como “último recurso”

Um conselho de cinco dos economistas mais destacados da Alemanha defende, num relatório especial publicado esta terça-feira, que é necessário criar um mecanismo para gerir insolvências de países da zona euro e que os países devem poder sair da união monetária, como “último recurso”. Estes “sábios”, que são conselheiros do governo alemão, dizem que a crise grega mostrou como são necessárias reformas urgentes que tornem a zona euro mais estável.

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A radicalização dos partidos de esquerda e o eleitorado

A ilusão do radicalismo. Por João Carlos Espada.

Parece estar a ocorrer uma radicalização do discurso da esquerda em vários países europeus. Mas resta saber qual é o alcance dessa radicalização: irão os eleitores acompanhá-la? Ou vão os radicais obter uma supresa semelhante à que o Partido Trabalhista britânico enfrentou nas eleições de Maio passado — quando os Conservadores obtiveram uma confortável vitória, que lhes era peremptoriamente negada pelas sondagens?

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Seria este o “Plano B” do Syriza ?

Varoufakis. Tsipras pediu-lhe “Plano B” em dezembro

O plano, explicou Varoufakis, passaria por fazer hacking (intrusão de sistemas informáticos) das informações fiscais dos contribuintes e das empresas, informações essas constantes dos servidores centrais do Fisco.

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O plano do Syriza para sair do euro

Governador preso e ajuda russa. O plano do Syriza para sair do euro

Financial Times dá mais detalhes sobre o plano dos membros radicais do Syriza – com a benção de Tsipras – para fazer regressar a Grécia ao dracma.

# Boicote Hollande

O meu texto de ontem no Observador.

‘Há uns dias soube desta imaginativa campanha que visa convencer os indignados do mundo a boicotar os produtos alemães. Com hashtag no twitter e tudo, como toda a campanha respeitável tem por estes dias.

Tenho a informar que fiquei agradavelmente surpreendida. Também sou dessas pessoas que se recusa a gastar dinheiro no que ofende as minhas convicções. Recuso-me a dar dinheiro a propaganda socialista travestida de jornalismo, por exemplo. Só depois de tortura digna da Gestapo ponderaria gastar o meu dinheiro com o tratado francês de José Sócrates (no que, de resto, estou acompanhada de todos os portugueses, que mostraram grande maturidade literária ao fingir que a magna obra não existia). Ou, já que penso nisso, com as recentes biografias de Passos Coelho e António Costa. Sabendo a quantidade de abortos que a senhora fez, nem por 50€ compraria um quadro de Paula Rego. E por aí fora.

Como me identifico com o espírito da campanha, decidi caridosamente ajudar. Desde logo porque notei que na hashtag tuiteira, que pretendia remeter a Alemanha à pobreza mais cubana pelo boicote mundial das pessoas decentes aos seus produtos, escasseavam afinal os produtos alemães que se deviam boicotar. O mais concreto que por lá vi foi ‘No more German porn #boycottgermany’.

Fiquei com medo que, afinal, a campanha se reduza a um indignado – com banho por tomar há uma semana, barba à moda das zonas tribais do Paquistão, a mesma t-shirt preta justa de marca Boss Orange (tss, tss, alemã) vestida há quatro dias e quatro noites, a mandar um tuite anti-essa-cáfila-germânico-financeira enquanto sentado no banco aquecido do seu Volkswagen. Por isso decidi intervir, que é sempre bom ajudar pessoas a serem algo mais que revolucionários de smartphone. Aqui vão, portanto, vários produtos germânicos a boicotar.’

O resto está aqui.

A Grécia não é a Albânia

Foi a Albânia senhores, foi a Albânia. Helena Matos no Observador:

Uma coisa é ser demagogo, fazer bluff, levar o povo para aventuras desastrosas. Tudo isso Tsipras fez mas cedeu quando percebeu que, se não assinasse um acordo com os credores, só lhe restava ver a Grécia transformada no próximo parque temático dos esquerdistas europeus. E esse destino os gregos conhecem-no bem pois têm-no ali mesmo ao lado, na Albânia.

A Albânia que não cedeu ao capitalismo, a Albânia que lutou contra o revisionismo. A Albânia que estava contra os grandes blocos. A Albânia que disse não. A Albânia que acabou tão irrelevante e tão pobre que os albaneses nem têm direito a que se fale da sua crise humanitária, pois a miséria que na Grécia comove, na Albânia chama-se qualidade de vida. Traço pitoresco nas notas dos viajantes, relato de jornalistas em busca do “autêntico”.

E o leitor, quando foi a última vez que ouviu falar nesse paraíso que é a Albânia?

Tirana - Albania

Insultos aos salvadores do governo grego

Greek politics 2015

Pequeno carro da oposição ajuda governo a passar medidas anti-populares do governo do Syriza. Enquanto isso, o Syriza continua a insultar a oposição com insultos como colaboracionistas ou nazis.

Em Portugal também acontece este nível de insultos a quem, mal ou bem, está a salvar o país da bancarrota. Mas na Grécia neste momento ainda é mais evidente: a direita grega apoia o governo do Syriza, sem o qual aquele nem andava, e ainda é “nazi”.

PS: Nazi quer dizer, literalmente, nacional socialista. O que ainda consegue adicionar mais um nível de ironia neste episódio.

 

Schäuble, Merkel e a Grécia

Se fosse grego também me sentia humilhado. Mas não culparia Schäuble. Por José Manuel Fernandes.

Eu sei que a figura encarquilhada de um velho político numa cadeira de rodas não é de molde a suscitar grandes simpatias, mas a verdade é que foi Schäuble quem, sábado e domingo, melhor defendeu os interesses da Grécia e também os do euro. A chanceler alemã, no entanto, preferiu contemporizar, talvez mais por razões geopolíticas do que por real convicção. Com isso não resolveu nada nem agradou a ninguém, apenas voltou a adiar uma solução real para um problema, o grego, que só tem sido tratado com meias-medidas tão irrealistas como inúteis.

Leitura complementar: A Grécia e o erro de Merkel; Enterrar a democracia em Atenas.

Recordar avisos passados

Margaret Thatcher Predicted The Failure Of The Euro In Forbes, October, 1992.

Margaret Thatcher was indomitably outspoken against submerging all the European nationalities into a single superstate some 21 years ago when I interviewed her for a Forbes magazine article entitled “It just won’t do. It’s not big enough minded.” The Iron Lady had a grander scheme in mind; a free trade area between and among North America and the European Community. What did we just elect our own Parliament for, she insisted sardonically; “ Just to be a talking show?”

A esquerda nacionalista

O meu artigo no Diário Económico de hoje.

A esquerda nacionalista

Ganhar eleições com a promessa de distribuição de dinheiro é fácil. Ora, se há regra que o euro impõe, para que seja forte e cumpra a sua função estabilizadora, é que os orçamentos de Estado sejam equilibrados. Nos últimos quatro anos o país, fruto da intervenção da troika e da crise grega, percebeu esta premissa. Ora, tendo o Estado português sido governado como um colector de fundos a serem distribuídos de acordo com critérios políticos e para pagar uma parte da população dependente do poder, um orçamento sem défice obriga ao rigor que advém de libertar o Estado dos grupos de interesses que deste se alimentam.

Há já vários anos que o país sente na pele o custo dos défices públicos. No entanto, e de acordo com o que li nos últimos dias, quem se atrever a desafiar esta delapidação do património público em nome de interesses particulares é apelidado de nazi. Já não fascista, talvez porque a Alemanha esteja agora no centro da resolução da crise dos défices e nazi seja um insulto mais contundente.

No meio da injúria disparatada é de notar uma notável ironia. Para tal convido o leitor a que feche os olhos quando ouvir um comentador de esquerda falar. Feche os olhos e saboreie, ou assuste-se, conforme o caso: parece Salazar, não parece? O orgulhosamente sós está lá, quando a Grécia luta sozinha contra a Europa e quando nos dizem que urge que Portugal faça o mesmo; o provincianismo de Santa Comba está lá, na crítica desajuizada à Alemanha, na história cuja ignorância se utiliza para validar uma ideologia política que faliu Estados mas que aponta a culpa a quem empresta dinheiro para pagar as contas. Está ali quando ouvimos o ódio aos povos que geriram com cuidado o dinheiro que entregaram aos seus Estados.

Também gostava que Portugal não precisasse de fazer parte do euro. Que tivesse tido a capacidade de seguir o aviso que Margaret Thatcher fez ao Reino Unido: aderir ao euro é entregar a soberania à Europa que será depois exercida pelos mais fortes. Mas para que não fizéssemos parte do euro teríamos de ter um escudo forte, que nos protegesse da inflação, que só foi efectivamente controlada depois da criação do Instituto Monetário Europeu.

O problema é que esse escudo forte nunca existiu; e pelo que vemos da maioria da classe política, dificilmente existirá. Uma moeda forte, uma moeda que nos dê soberania, obriga a contenção nos gastos; algo muito difícil quando grande parte da população depende economicamente do Estado, impedindo a sua reforma. Requer que se proteja o interesse público dos diversos grupos que subsistem porque alimentados pelo Estado. Acima de tudo que os políticos governem o Estado e não interesses ou pessoas. Tal não sendo possível, que venha o euro, a contenção orçamental e a liberdade que daí advém.

Sugestão para Ministro das Finanças

Tsipras deve anunciar remodelação esta sexta-feira

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Não será fácil de persuadir, mas tem sólido background técnico e experiência em condições similares, ainda que (um pouco) menos graves.

Passos Coelho: balanço de quatro anos de governação

Uma análise ponderada, equilibrada e que partilho em larga medida: O que devo a Passos Coelho. E o que ele deve a nós todos. Por José Manuel Fernandes.

O melhor que fica destes anos é a percepção de que nos libertámos do sufoco e que os portugueses reagiram bem à crise, começando a mudar alguma coisa na nossa economia, em especial na sua abertura ao exterior. O pior é a sensação de que não mudámos o suficiente para que, à primeira aberta, retomemos os maus hábitos. Muitos só querem desapertar o cinto. E quase todos ainda não perceberam que o país tem de mudar muito mais do que mudou.

Vale a pena eleger um partido de extrema esquerda?

Façamos uma cronologia rápida. Eles certamente levam isto ao charco em poucos meses. Depois, como eles só vivem com o dinheiro dos outros, acabam a pedir dinheiro a alguma entidade internacional. Como qualquer credor, essa entidade vai pedir uma mudança de vida. Em contexto de crise, consegue-se aprovar no parlamento um pacote de reformas do mercado laboral, um enorme pacote de privatizações e diversas medidas que estavam há muito em gavetas. Como bónus, a malta que é cega como uma porta e anda por clubismos, ainda acaba a defender essas mesmas medidas. Dá que pensar…

Neo-Liberal grego elogia ideia de Passos Coelho

Segundo o DN:

Primeiro-ministro grego diz que não abandona o cargo e que vai aplicar plano de austeridade, mesmo não acreditando nele. E até elogiou a solução proposta por Passos Coelho para o fundo exigido por Merkel.

O caminho de Tsipras…

 

… pode ser magistralmente resumido nesta frase de Dogbert:

O Comunismo é o caminho mais doloroso entre o Capitalismo e o Capitalismo

Ou, adaptando ao caso em questão:

A renegociação grega é o caminha mais doloroso entre a Austeridade e a Austeridade.

The Dogbert Cartoon dt891212dhc0Original do cartoon aqui.

 

Sobre a situação da Grécia e da Europa

Mais logo, estarei no Jornal das 20h do Porto Canal, com Júlio Magalhães, a comentar a situação da Grécia e da Europa.

Leitura complementar: Enterrar a democracia em Atenas.

Lições gregas

Um texto interessante de João Rodrigues, que continua a ser uma das poucas – muito poucas – pessoas no espaço à esquerda do PS que vale a pena ler em Portugal: Uma dúzia de balanços e perspectivas.

11. A saída do Euro faz hoje parte do adquirido estratégico da esquerda portuguesa que quiser aprender com as lições gregas.

Os riscos crescentes de manter a Grécia no euro (2)

O meu artigo desta semana no Observador (“Enterrar a democracia em Atenas”) atingiu os 100 comentários.

Alguns deles – felizmente não todos nem sequer a maioria – sugerem que, apesar dos desenvolvimentos das últimas semanas, continua a haver gente em Portugal com vontade de seguir a mesma linha do Syriza.

Espero que a actual liderança do PS tenha aprendido alguma coisa nos últimos tempos e já não se encontre neste grupo.

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