O Insurgente

Maio 28, 2012

A socialização dos prejuízos da má gestão bancária

Resgate do Bankia vai ser feito com recurso a dívida pública espanhola

O depauperado sistema das cajas de ahorro espanholas é uma explosiva mistura de interferência públicas com má gestão privada. No concubinato entre políticos e banqueiros são invariavelmente os contribuintes que pagam a conta. Mas nem pensar em modificar o actual sistema. É demasidao perigoso, especialmente para os interesses instalados.

Maio 27, 2012

O excesso de “agendas para o crescimento” faz mal à saúde da Europa

Filed under: Internacional,Política,Portugal,socialismo,União Europeia — André Azevedo Alves @ 10:00

Nem austeridade, nem crescimento. Por João Lamy da Fontoura.

Maio 26, 2012

O excesso de “agendas para o crescimento” faz mal à saúde do país (2)

Filed under: Economia,Política,Política Fiscal,Portugal,socialismo,União Europeia — André Azevedo Alves @ 15:20

Estou farto da conversa inconsequente sobre “crescimento e emprego”. Por José Manuel Fernandes.

Às vezes não sei se os políticos gostam de se enganar a eles mesmos ou se só pretendem enganar os cidadãos. Ou iludi-los, para ser mais gentil. É que não sei que pensar quando assisto, incrédulo, à viragem retórica a favor de “políticas de crescimento de emprego” sem que se explique, minimamente, como se poderá chegar a esse crescimento e emprego. Isto é válido para Portugal, é válido para a Europa e é válido para a cimeira do G8.

É compreensível que os dirigentes políticos, tendo de enfrentar eleitorados descontentes – quando não furiosos -, procurem retóricas novas. Admito até que seja necessário falar mais da luz ao fundo do túnel e menos do túnel. Mas não se devem vender ilusões: no estado em que está Portugal, no estado em que está boa parte da Europa, supor que é possível regressar a curto prazo ao “crescimento e emprego” ou abandonar as chamadas políticas de austeridade não tem suporte na realidade. Aliás convém ter presente que, apesar de toda esta dita austeridade, os gastos públicos no conjunto da zona euro cresceram sete por cento (excluindo a inflação) entre 2008 e 2011.

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Fascismo euro-centralista

Filed under: Política,Política Fiscal,União Europeia — Carlos Guimarães Pinto @ 10:09

(…) o Parlamento Europeu aprovou, por larga maioria, a criação de uma TTF – uma Taxa sobre as Transações Financeiras, susceptível de gerar rendimentos adicionais para os cofres nacionais e comunitários da ordem dos 100 mil milhões/ano(…)A bola fica do lado dos governos. Só nove em 27 apoiam a TTF(…) é fundamental que a outra instituição com poder de decisão na matéria, o ECOFIN (conselho de ministros das finanças da UE), faça o que lhe compete para o pôr em prática. O que inclui exercer toda a pressão sobre o campo dos renitentes, liderado por Reino Unido e Holanda. Ou marimbar-se para eles, seguindo em frente com a introdução da taxa. Que, de todo o modo, os vai afectar, ai não!….

(Ana Gomes, uma fascizóide eurocrata, na Causa Nossa)

Maio 25, 2012

Sinais

Filed under: Internacional,Política,Portugal,Sondagens,União Europeia — André Azevedo Alves @ 12:17

E, de repente, a lista de um comediante tornou-se no segundo partido de Itália

Maio 24, 2012

Menos Europa. melhor Europa

Filed under: Economia,Política,União Europeia — Miguel Noronha @ 09:26

“Oportunidade” de Luciano Amaral (Diário Económico)

“Como notou o editor da Reuters, Paul Taylor, para a Europa parece que a solução para tudo é sempre “mais Europa”, quando na realidade seria muitas vezes “menos Europa”. O euro é um óptimo exemplo: em nome de “mais Europa”, destruiu o exemplar entendimento anterior, baseado na livre circulação de mercadorias, pessoas e capitais. Não vale a pena gritar que o fim do euro é o fim da Europa. Temos a oportunidade (!!) de fazer para que não seja, preservando a Europa no que ela realmente importa. Quanto ao euro, não é indispensável.”

Maio 23, 2012

Era uma vez a “Florida da Europa”…

Filed under: Comentário,Política,Política Fiscal,Portugal,União Europeia — André Azevedo Alves @ 19:47

Nada melhor para tornar Portugal na “Florida da Europa” do que aplicar aos reformados estrangeiros os mesmos padrões de extorsão fiscal que são aplicados aos nativos…

E assim o país segue na via do agravamento das políticas fiscais relativamente à era Sócrates, anulando inclusivamente algumas das (poucas) medidas positivas que haviam sido tomadas nesse período: Governo começa a cobrar impostos a reformados estrangeiros

Deviam estar isentos, mas a Administração fiscal tem uma interpretação diferente da lei. Reformados estrangeiros passam a pagar imposto

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Excelente ideia

Filed under: Economia,Humor,Política,União Europeia — Miguel Noronha @ 09:23

Eis uma forma expedita de Monsieur Hollande passar das palavras aos actos e demonstrar a solidariedade francesa com a Grécia e os restantes “perifétricos”

Maio 21, 2012

No Fio da Navalha

Filed under: Comentário,Política,União Europeia — André Abrantes Amaral @ 10:23

Foto Lusa

O meu artigo para o i deste sábado.

A força da Irracionalidade

Perante o desastre, a irracionalidade dos homens levará à desagregação da Europa ou à sua unificação numa entidade ainda mais artificial e explosiva.

Se a eleição de François Hollande para o Eliseu teve algum efeito, foi a convicção de que a crise se resolve com um pouco de boa vontade. Que se não formos tão austeros, tão exigentes, se facilitarmos um bocadinho, o problema desaparece. Os adeptos desta teoria partem do pressuposto que a crise se acentuou com a quebra da despesa dos estados, como se ela não fosse fruto da dívida pública que estrangula as economias. Vêem a Europa como um projecto que prometia uma sociedade justa, sem diferenças para atenuar, sem necessidades por satisfazer, a cair que nem um baralho de cartas, devido aos efeitos nefastos da globalização que os actuais dirigentes europeus, por não serem do calibre de Mitterrand, Delors e de Monnet, não conseguem controlar. A vontade de que tudo volte ao que era, está na génese da irracionalidade com que se analisa as causas da crise e se procuram soluções. Ou talvez seja pior ainda. Talvez a irracionalidade não seja de agora, mas de quando se acreditou piamente numa instituição supranacional, não eleita, com o fito de criar, de cima para baixo, uma união política que fizesse frente aos EUA.

O projecto europeu, que se iniciou para evitar que a Alemanha controlasse o carvão e o aço e mais tarde se estendeu à liberalização dos mercados, acabou por dar lugar a uma entidade política acima dos estados. A par disso, a crença na capacidade dos estados criarem e distribuírem riqueza, explica a existência de autênticos monstros que consomem os esforços dos cidadãos. Actualmente, não há parte da nossa vida em que o Estado não esteja presente como receptor de receitas. A irracionalidade também deu nisto: os governos, porque se considera que criam riqueza, precisam das receitas dos privados para produzir riqueza. Daí o aumento contínuo da carga fiscal, mesmo quando a economia crescia; daí os défices públicos que já existiam muito antes da crise de hoje. A mesma irracionalidade que permitiu que o dinheiro fosse mais barato que o valor de mercado, que levou os políticos a condicionar os bancos a emprestar dinheiro aos cidadãos, não para produzirem mas para gastarem e os convenceu a comprarem casa em vez de a arrendar, é a mesma que se prepara para agir nos meses mais próximos e hipotecar o que resta das nossas vidas.

Nos últimos meses os europeus tentaram ser racionais e assustaram-se. Intimidaram-se com a dimensão do desastre, decidiram fechar novamente os olhos e estão prontos a saltar de cabeça. A França tem a sua economia estagnada e uma dívida fortíssima, pelo que um braço-de-ferro com a Alemanha de Merkel será complicado. Sucede que, para muita boa gente o dinheiro vale o que os governos quiserem que ele valha. Não é difícil que os estados se continuem a endividar se o dinheiro valer menos e, dessa forma, também a dívida. A acontecer, não será a primeira vez que a um estado deixa de pagar o que deve. A pouca força negocial de Hollande pode fazê-lo procurar o apoio na instabilidade social que faz os mercados ameaçar o euro. É a mesma estratégia utilizada pela extrema-esquerda grega: se não for como queremos será o caos. Algo que pode forçar Merkel a ceder em troca de um reforço das instituições europeias, de uma união fiscal e política que abafe de vez a soberania dos países. A loucura a gerar loucura. Sem que demos conta, ficamos pobres e vemos a liberalização do mercado europeu a acabar num super estado centralista, acima da nossa capacidade de compreensão.

A partir daqui tudo é possível: um federalismo asfixiante ou uma desagregação da Europa que leve ao proteccionismo dos Estados. São meras suposições, dir-me-ão. Mas a irracionalidade não me deixa alternativa. É ela que explica o porquê das guerras que liquidaram a velha Europa. A que convence alguns que seja com mais dívida que saímos da crise da dívida. A que nos permite antever o que pode acontecer. Porque quando todos os cuidados são poucos, a irracionalidade dos homens é a primeira coisa a temer.

Maio 20, 2012

Um Plano Quinquenal para a mesa do canto, se faz favor…

“Estou ? Krugman ?”

Jorge Moreira da Silva, primeiro Vice-Presidente do PSD diz:

“Precisamos de um Plano Marshall para a Europa. Temos de encontrar na Europa um Plano Marshall que responda ao desemprego, que responda à recessão, e isso é algo que também é importante para Portugal”

“Se a Europa fizer aquilo que deve no estímulo à economia, na consolidação orçamental, na maior harmonização do mercado interno, na mobilidade de pessoas e de bens, se for capaz de fomentar a política industrial, a economia verde, o conhecimento, se for capaz de fazer destas alavancas verdadeiras alavancas do crescimento, isso não apenas ajudará a responder à crise europeia, mas fará com que a crise em Portugal possa ser respondida também de uma forma mais solidária da Europa em relação a Portugal”

E diz-nos, sobre isto, o grande Roberto Campos:

A política industrial que nos convém se reduz a umas poucas regras de bom senso. A primeira é que o mais importante incentivo ao progresso é assegurar-se liberdade empresarial, pela abolição de monopólios estatais e reservas de mercado. A segunda é aumentar a previsibilidade econômica, pela estabilização de preços. A terceira é que, antes da concessão de incentivos, é necessário remover obstáculos, pois que, isso feito, na maioria das vezes o mercado cuidará de si mesmo.”

“Admitir o ‘liberalismo explícito’, num país de cultura dirigista, é coisa tão esquisita como praticar sexo explícito em público. Não dá cadeia, mas gera patrulhamento ideológico. A etiqueta de ‘socialista’ ou ‘centro-esquerda’ dá um ar de respeitabilidade a qualquer patife ou imbecil, animais abundantes na praça…”

“A pior coisa que pode acontecer a duas motivações válidas – o indigenismo e a ecologia – é serem levadas ao exagero. O excesso de zelo é uma forma de fanatismo. E os fanáticos costumam redobrar os esforços quando perdem de vista os objetivos.”

José Sócrates, António José Seguro, Hollande, Zapatero, Lula, Dilma, entre outrasdestacadas figuras da área política do Partido Social Democrata, não diriam melhor. O modelo económico defendido nesta passagem é um modelo falhado, ele próprio causador da crise das dívidas públicas e que muitos ainda insistem em tomar como o correcto para a sua solução. Esta fé perversa e infantil, adequada a adolescentes românticos no início do seu aprofundamento intelectual, torna-se perigosa quando aplicada a pessoas com responsabilidades na condução da política dos Estados. Por sua vez, o federalismo, possivelmente aceitável – não para todos – num outro contexto, é totalmente descabido quando tendo em conta o monstro centralizador, progressista e regulador em que a União Europeia se vem tornando, com directivas que se empenham em controlar todos os aspectos do quotidiano dos seus cidadãos e da iniciativa política dos Estados que a compõem. Esta combinação doentia de federalismo e keynesianismo adulterado que se apoderou do Bloco Central por esta Europa fora será, a ser levada a sério, não a salvação que estes aguardam, mas o golpe final por que há muito qualquer espectador com bom senso espera.

E para terminar, um artigo sobre Friedman. Nesta passagem fica a sua opinião sobre o Plano Marshall:

Friedman contended that “Europe would have recovered with or without the Marshall Plan,” and opposed the Plan at the time and in retrospect (Friedman, 1982a, pp. 32-33). He argued that the “Marshall Plan and similar programs” of the U.S. government had “been harmful to the rest of the world” because government-to-government economic aid strengthened the government sector at the expense of the private sector.

Repito, portanto, o que venho dizendo há um tempo considerável. O que é uma Toranja ? É algo que é laranja por fora e vermelho por dentro.

Maio 19, 2012

Catastroika – Humor Negro Grego

Filed under: Economia,Humor,Internacional,Nanny State Watch,União Europeia,Videos — Ricardo Campelo de Magalhães @ 14:48

Os Gregos estão num problema sério que eles próprios criaram.

Depois de entrar na Zona Euro – forjando os números – criaram lugares sem sentido na função pública (o caso dos motoristas é risível), aumentaram todo o tipo de subsídios à população, ofereceram todo o tipo de serviços de borla (o caso dos transportes de Atenas), atribuíram reformas crescentes (quando a demografia estava contra eles) e sobretudo geriram tudo mal, muito mal. Crentes que viviam  na era da abundância, todo o tipo de favores era pedido ao Estado Grego e este todos concedia. Com base em crédito e numa expectativa de prosperidade futura tão irrealistas que só podia correr mal.

E correu.

Então e depois? Depois começou a busca dos culpados. Os partidos do poder foram castigados, pois falharam com as suas promessas (como era possível que não falhassem?!?), mas o problema é que o país precisa de fundos. A toda a hora e em quantidade.

A Merkel, o Durão Barroso e o Trichet acharam que aquilo tinha salvação. Havia de se dar um jeito para salvar a face Europeia! E caíram no erro: em vez de fechar a torneira e obrigá-los a ter Défice 0 no ao seguinte, protelaram a situação, investiram dinheiro de todos nós – até Português – e permitiram a uma certa esquerda que vive do engano das populações ligar a crise não aos próprios Gregos, não à “gestão” dos dinheiros estatais Gregos, mas sim à Merkel e aoBCE e ao FMI.

A culpa é de quem empresta! Foi o sector privado que provocou a crise! – Esta é demais…

A culpa é de quem obriga a passar parte da economia de gestores inqualificados (como o mostraram) para outros.

A culpa é dos neo-Liberais, esses malvados. Ataquem as pessoas, repitam o mantra, ignorem detalhes.

Apetece dizer: “Se cada vez que o Livre Mercado fosse responsabilizado por erros cometidos por governos, eu seria um cineasta rico com um boné de basebol”…

Ficam aqui com o modo como os gregos estão a tentar racionalizar as asneiras que fizeram:

Emprego por NUTS-II

Filed under: Economia,União Europeia — Ricardo Campelo de Magalhães @ 10:32

Fonte. A aceitação do inactivo varia muito…

Como é calculada esta taxa?
Simplesmente dividindo nº de pessoas empregues por população total, de entre as pessoas entre 15 e 64 anos. Logo, são assim retirados inactivos (incluindo desencorajados, pré-reformados, estudantes, …) e desempregados.
Para um país ter um número elevado, não basta ter desemprego baixo: é preciso ter pessoas a trabalhar e gerar rendimentos com o seu trabalho.Aqui distinguem-se bem países/áreas com muita gente a viver de apoios sociais e os que têm uma forte cultura de trabalho, pelo que ajuda a explicar o mapa de ontem

Maio 18, 2012

Endgame

Filed under: Economia,Internacional,Política,socialismo,União Europeia — André Azevedo Alves @ 19:52

O dia em que não mais será possível fugir ao confronto com as consequências das políticas fiscais e orçamentais irresponsáveis aproxima-se: Governo grego diz que Merkel sugere referendo sobre o euro, chanceler desmente

Any given friday

Filed under: Economia,União Europeia — Miguel Noronha @ 15:08

Há quem comece a preparar as impressoras para uma encomenda urgente.

Inconsciência (2)

Filed under: Economia,Política,Portugal,União Europeia — Miguel Noronha @ 10:16

Ontem à noite na RTP-I, Teresa Anjinho (CDS) discursava sobre a bondade do projecto da moeda única. Dizia ela que o Euro não tinha apenas importância económica mas que tinha sido também um ambicioso projecto político para unir ainda mais os países-membros. À sua frente, Vitalino Canas (PS) acenava aprovadoramente.

O espantoso é que no meio de uma enorme crise provocada pelo tal “projecto político” ainda haja quem debite discursos sobre a bondade do euro. Não se apercebem que o problema começa quando os políticos decidem “brincar” com a economia em nome das suas grandiosas utopias? Pura inconsciência.

Inconsciência

Filed under: Economia,Política,União Europeia — Miguel Noronha @ 10:15

Líder do Syriza ameaça não pagar dívida à Europa se financiamento à Grécia for cortado

Defintitivamente, a extrema-esquerda grega ainda não se apercebeu até que ponto o seu país está dependente da ajuda externa (não difere das sua congénere portuguesa, diga-se de passagem). Se acha que a austeridade forçada pela “troika” é dura será talvez terapeutico exprimentar a austeridade forçada pela bancarrota.

É provável que os credores e a “troika” tenham decidido aguardar pela repetição das eleições mas julgo que a realidade irá mais uma vez ultrapassar os planos dos políticos e numa qualquer 6ª feira o inevitável será anunciando. Nesse dia Alexis Tsipras terá tudo o que sempre desejou. Excepto dinheiro.

Maio 17, 2012

Grécia: o último a sair que apague a luz…

Greek Lights Out… Literally

PIB por NUTS-II

Filed under: Economia,União Europeia — Ricardo Campelo de Magalhães @ 13:44
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Fonte.

O Regresso da Estupidez

Filed under: Humor,União Europeia — Ricardo Campelo de Magalhães @ 12:17

Paris não ratifica Pacto sem medidas de crescimento, no DN.

Finalmente, a estupidez regressa à cena Europeia.
A partir de agora, não se pagam dívidas e gasta-se à farta enquanto houver quem empreste.
Quando não houver, “a culpa é dos mercados”.

Ocorreu-me

Filed under: Economia,União Europeia — Miguel Noronha @ 10:57

Corrida aos depósitos na Grécia alarma outras capitais europeias

Ao ler a supracitada notícia ocorreu-me que amanhã é 6º feira. O dia é que normalmente este tipo de “revoluções” são anunciadas.

Maio 16, 2012

Perfil de François Hollande

Filed under: Internacional,Política,União Europeia — André Azevedo Alves @ 17:50

um homem perigoso. Por Rui A.

Quem, no seu perfeito juízo, se atreveria a não concordar com estas quatro maravilhas, prometidas, de uma só assentada, por um único político: justiça, paz, ecologia e prosperidade? Fica somente por esclarecer como se proporá ele realizar tamanha empreitada? A partir do Eliseu, assinando decretos presidenciais que determinem o fim da crise europeia e o regresso da prosperidade? Telefonando aos senhores Samaras, Venizelos e Tsipras, e, com palavras doces e amigas, fazê-los ver a enrascada em que se estão a meter e, por consequência, a meter-nos a todos nós? Pedir ao seu putativo amigo Obama que, de braço dado com Al Gore, o profeta, o venha desinteressadamente ajudar na preservação do planeta e da paz mundial? Combinar com “son ami” Mario a engenharia financeira para despegar da troika? Muito francamente, tantas e tão boas e piedosas intenções vertidas sobre esta iluminada cabeça, só podem fazer de François Hollande um santo, um demagogo, um ingénuo ou um genuíno socialista. Em qualquer dos casos, um homem perigoso para chefiar um país.

O futuro chega já amanhã (2)

Filed under: Internacional,Política,União Europeia — André Azevedo Alves @ 10:32

Novas eleições na Grécia após falhanço das negociações
Levantamentos na Grécia ascenderam a 700 milhões de euros
Directora do FMI: há possibilidade de “saída ordenada” da Grécia do euro
Líder do Aurora Dourada nega a existência de câmaras de gás no Holocausto

(mais…)

O futuro chega já amanhã

é só esperar. Por Rui A.

Entretanto, políticos miserabilistas e masoquistas, dos que gostam de perder votos e eleições a impor sacrifícios aos eleitores, transformaram-nos a vida num inferno desnecessário, quando lhes bastaria ter ouvido os sábios conselhos de Paul Krugman. Agora, com Passos vaiado sempre que põe o pé fora de casa, a Sra. Merkel a perder eleições sucessivas, o estoiro previsível da Grécia e a descida à terra do novo messias gaulês, tudo leva a crer que esses tempos nefastos acabaram e novos tempos se aproximam. É só esperar…

Maio 15, 2012

Sempre simpatizei com Luís Amado

“Há expectativa a mais à volta de Hollande” :

Claramente, há expectativa a mais face ao que é a margem de manobra do Presidente eleito, relativamente à situação de França. A França tem um desequilíbrio macro-económico muito acentuado, tem uma dívida que ronda os 90% e uma despesa pública acima de 55% em relação ao PIB. Portanto, a margem de manobra é muito limitada.

E é preciso ter muito cuidado relativamente à gestão de expectativas, não só da sociedade francesa, mas também dos mercados, que financiam a dívida pública francesa: são necessários 500 milhões de euros todos os dias para garantir o financiamento do nível de bem-estar da França! E o Presidente eleito sabe disso.

A França vai ter que ajustar, através de um programa de austeridade, alguns dos desequilíbrios que conhece. Mas sem dúvida que a eleição de Hollande acelerou o calendário para a governação económica da zona euro, para um processo de federalismo fiscal e orçamental que garanta a estabilidade e coesão de toda a zona euro.

(…)

É provável que a França tenha que fazer um ajustamento interno na casa dos 15 a 20%, no mínimo, mas é óbvio que ninguém seria eleito se fizesse a campanha prometendo ao seu eleitorado: «Elejam-me porque eu vou cortar o vosso ordenado em 20%».

A democracia hoje vive essa situação de paradoxo: ter que gerir expectativas positivas dos eleitores e expectativas negativas dos mercados que as financiam. E esse equilíbrio, nas democracias dependentes e em situação de grandes níveis de endividamento, é hoje o alfa e o ómega da crise democrática na Europa, em particular na periferia europeia. Porque depois das promessas eleitorais frustram-se as expectativas dos eleitores, para não se frustrar as expectativas dos credores.

A ilusão federalista

Filed under: Política,União Europeia — Miguel Noronha @ 09:39

Pasmo que ainda haja quem, nesta altura, ainda haja quem defenda uma solução federalista para a UE.  Parece-me evidente que, de modo geral, se há algo que une a população dos vários estados-membros não é qualquer vontade de união ou mesmo de solidariedade transnacional mas o desejo de conservar (ou mesmo, recuperar) a soberania política e económica do seu país. O sonho das elites esclarecidas e dos “grandes lideres europeus” do passado revelou-se um pesadelo de dimensões continentais. Os sonhos construtivistas normalmente dão nisto.

Nota: O Paulo Marcelo deverá saber mais do tema que eu mas, segundo julgo saber a Constituição de Filadélfia não consagrou a união dos povos mas a união das colónias e concedia-lhes um grau autonomia bastante superior ao actualmente existente na UE .O governo federal tinha poucos poderes e era bem mais exíguo as actuais instituições da UE. Como bastante gente já notou, foi preciso um século e uma guerra civil para transformar os EUA numa unidade política.  E as sequelas da união forçada permaneceram durante mais de um século.

Maio 14, 2012

Presidente Vaclav Klaus: O que fazer à Europa? (2)

Filed under: União Europeia,Videos — Filipe Faria @ 11:24

Depois de ter publicado (por escrito) partes do discurso Londrino de Vaclav Klaus em 03/05/2012 , aqui fica o vídeo com esse mesmo discurso.

Os interessados no evento completo organizado pelo grupo Bruges (com sessão de perguntas e respostas) podem vê-lo na integra aqui. 

No Fio da Navalha

O meu artigo para o jornal i deste sábado.

Sem Alemanha não há Europa

A alternativa à austeridade é a redução do peso do Estado ou um empobrecimento suave conseguido com a inflação. Estará Hollande disposto a tanto?

A vitória de François Hollande no último fim-de-semana está a ser analisada como um chumbo da França à política de austeridade de Angela Merkel. De acordo com os socialistas franceses e seus congéneres portugueses, a austeridade não chega e deve ser substituída por uma política de incentivo ao crescimento económico. Infelizmente, tal só se consegue de duas formas: ou reduzimos a despesa do Estado e descemos os impostos ao mesmo tempo que pagamos a dívida, ou carregamos no investimento público e o Estado volta a contratar pessoas e a pagar ordenados por inteiro. Ora se Hollande prefere a segunda solução como é que vai investir na economia se os estados estão endividados e o dinheiro lhes é emprestado a taxas de juros incomportáveis? Só há uma maneira: através da inflação e desvalorizando a moeda, pondo o BCE a emprestar dinheiro directamente aos estados, a um preço muito inferior ao praticado no mercado livre. No fundo, é levar à prática o que Paul Krugman anda a dizer há anos. Com esta solução, não só a dívida se reduz, porque vale menos, como os produtos ficam mais baratos e a inflação, num nível inicial, nos obriga a consumir. Com mais moeda a circular, achamos que temos mais dinheiro, que estamos melhor, apesar de mais pobres. É a receita do empobrecimento indolor que foi aplicada em Portugal, com o Bloco Central, em 1983. A receita que permitirá ao Estado continuar a gastar sem que os governos tenham de encetar as conhecidas reformas estruturais na lei laboral, na política fiscal e na redução do peso do Estado na economia. As medidas impopulares que tanto medo metem a quem está na política, mas que são as únicas capazes de levar ao crescimento da economia sem que se aplique, em cima de nós, um imposto disfarçado de correcção monetária e de inflação. Se o BCE emprestar dinheiro aos estados, o cidadão comum continua a não escapar à austeridade. Perde na mesma o seu dinheiro, com a diferença de que não sente. E porque não sente, os governos estão certos de que o convencem do quer que seja.

Não é difícil perceber por que motivo a solução de Hollande não agrada à Alemanha, que não precisa de desvalorizar a sua moeda para vender mais. Aquando da criação do euro, o governo e os sindicatos alemães acordaram, ao contrário do que sucedeu nos países do Sul da Europa, não subir os salários para níveis superiores ao da inflação. O custo do trabalho manteve-se baixo e a produção alta. Por isso os alemães não querem agora pagar a nossa dívida, que resulta de salários muito acima do valor que produzimos. Para piorar as coisas, a divisão entre a Alemanha e os países do Sul não se reduz a uma diferente perspectiva do problema. O grande dilema é o quanto a economia alemã se afastou da europeia. Conforme a BBC noticiou o mês passado, as exportações germânicas cresceram 3,4% em Janeiro e 1,6% em Fevereiro deste ano. Só em 2011, as vendas de produtos alemães ao estrangeiro aumentaram 13,2%, naquele que foi o melhor ano de sempre da indústria germânica, que vende cada vez mais para fora do mercado europeu. Números que contrariam quem diz que a Alemanha precisa da Europa para vender os seus produtos e que a austeridade serve apenas para manter o domínio alemão sobre o Velho Continente.

A maneira como Hollande vai lidar com este afastamento alemão é a grande incógnita dos próximos meses. Se o novo presidente francês quiser a dita solução do empobrecimento sem dor, esta será de uma injustiça comparável à da imposição à Alemanha da Paz de Versalhes, em 1919. Sucede que, ao contrário de então, os alemães não têm agora razões para ficar mais pobres. Da mesma forma que o projecto europeu surgiu para integrar a Alemanha na Europa, a penalização deste país pode ditar o fim da mesma Europa. Aquilo com que os políticos europeus se vão confrontar é saber se é possível salvar o Estado social europeu à custa da Alemanha, quando os dois estão intimamente ligados.

Maio 13, 2012

A União Europeia deveria deixar de subsidiar o crescimento do Syriza

Desemprego seletivo na Grécia socialistizada. Por António Balbino Caldeira. (via Helena Matos)

Eles mandou-os empreender…

Filed under: Nanny State Watch,Política,União Europeia — Ricardo Lima @ 11:25

Novas Drogas Sintéricas desafiam autoridades na Europa

A União Europeia faz sempre questão de alargar a sua área de influência. Sendo Portugal um país com uma tradição de alguma permissibilidade em relação às drogas – quando comparado com outros na Europa – encaro com muito maus olhos esta postura da UE, que poderá, de facto, atrapalhar tentativas de “mudar o panorama das drogas” – como dizia Passos Coelho antes de mandar o liberalismo à fava.

Maio 11, 2012

Filhos e enteados

Filed under: Economia,União Europeia — Miguel Noronha @ 15:35

A recente intevenção no Bankia levou a comissão europeia a soliciar que o governo espanhol retirasse a supervisão bancária ao Banco de Espanha entregando-a a auditores independentes. Solicitação essa que foi prontamente atendida.

Por cá, o antigo responsável do Banco de Portugal que assistiu impávido e sereno ao desenrolar dos casos do BCP, BPP e BPN foi recompensado com a vice-presidência do BCE. Ainda para mais com o pelouro da supervisão.

Três anos perdidos

Filed under: Economia,Política,União Europeia — Miguel Noronha @ 11:22

Segindo Wolfgang Schäuble a “Zona Euro está em condições de suportar saída da Grécia”. Eu não sei é como foi possível pensar que seria viável a sua manutenção. Como explicou Marc Faber “Teria sido desejável se tivessem empurrado a Grécia para fora do euro há três anos”. Já perdemos demasiados tempo.

Syriza ao Poder?

A partir do Zero Hedge:

Now that the first parliamentary election vote is meaningless, with no party able to form a coalition government, everyone is focusing on the outcome of the next election, which will take place some time in mid-June. Minutes ago Marc and Alpha (via Reuters) released the results of a poll conducted on Tuesday but just published, and which, if sustained means major trouble for the EMU, because the results show that Anti-bailout Syriza is alone going to have almost as much represented as its two main pro-bailout opponents combined, and confirms that all the other parties are losing voters which instead are going toward the one party that seeks above all, to sever the terms of the Memorandum.

  • Syriza: 23.8%, up from 16.8% in the election
  • New Democracy: 17.4%, down from 18.9%
  • Pasok: 10.8%, down from 13.2%
  • Independent Greeks: 8.7%, down from 10.6%
  • KKE: 6.0%, down from 8.48%
  • Golden Dawn: 4.9%, down from 7%
  • Dimar: 4.0%, down from 6.11%

Or visually:

In other words, more and more Greeks are aligning with the anti-bailout Syriza. If we were Europe we would be worried. Very, very worried.

Como dizia o Adolfo Mesquita Nunes no DN, naquele caso sobre o Hollande: Ainda bem. Assim sempre vamos saber ao certo o que eles vão propor. Agora que a Esquerda radical deverá ganhar as próximas eleições vai ser só crescimento!

Maio 10, 2012

Quid juris?

Filed under: Política,Portugal,União Europeia — Miguel Noronha @ 09:23

A propósito do artigo que o Luciano Amaral hoje publica no Diário Económico, da proposta de António José Seguro para que se passe a eleger um “presidente da Europa” e recordando que em Novembro há eleições presidências nos EUA, o que tráz sempre à discussão o método eleitoral utilizado, aproveito para vos colocar uma questão. 

Caso elegessemos um presidente da UE com efectivos poderes executivos e que limite ainda mais a soberania dos estados-membros (o que espero nunca venha a acontecer) estariam dispostos que o voto fosse proporcional ao peso de cada estado ou preferiam que fosse usado o método do colégio eleitoral (como nos EUA) em que a proporcionalidade é distorcida em favor dos estados mais pequenos?

Uma pequena achega. Usando a população de cada estado membro com estimador para o peso eleitoral (proporcional) de cada estado teriamos para os 6 maiores países da UE o seguinte cenário:

Total UE 502520 % no total % cumulativa
Alemanha 81.752 16% 16%
França 65.075 13% 29%
Reino Unido 62.435 12% 42%
Itália 60.626 12% 54%
Espanha 47.190 9% 63%
Polónia 38.200 8% 71%

nota: população em milhares

Uma questão adicional. Acham que os maiores países (particularmente os seus eleitores) estariam dispostos a aceitar este método?

A questão que se impõe

Filed under: socialismo,União Europeia — Nuno Branco @ 09:14

Ainda sobre este artigo do WSJ e de esta pequena parte:

Alexis Tsipras, has suggested hiring 150,000 more people in the civil service as a way of reducing Greek unemployment.

A questão que se impõe é obviamente “quanto é que pagam?”. Presumo que não estejam a pensar oferecer ordenados mixurucas de 500 ou 600 euros que a classe trabalhadora não anda virada para esmolas, por esse preço naqueles lados mais vale apostar numa carreira em partir montras. Portanto, cheguem-se à frente com os números que eu ando desejoso de adicionar uma experiência internacional ao meu CV.

Maio 9, 2012

Hollande pondera anexação da Grécia

Filed under: Internacional,Política,socialismo,União Europeia — André Azevedo Alves @ 23:45

O Syriza desistiu de tentar formar Governo mas resta ainda uma derradeira esperança: o novo messias da esquerda, François Hollande.

É, meus amigos, a Europa está na merde

Filed under: Política,União Europeia — Bruno Garschagen @ 17:24

Na CNNMoney:

After socialist victory, panic in Paris?

By Katherine Ryder, contributor

FORTUNE — “Merkozy” is what the press dubbed the symbolic marriage of fortune between German Chancellor Angela Merkel and French President Nicolas Sarkozy, describing their efforts to hold Europe together through economic crisis. Now a new portmanteau has been coined, mashing the names — and pessimistically describing the relationship — between Merkel and France’s new socialist president, Francois Hollande, as “Merde.”

“You can’t always get what you want”

É extraordinário como ainda há quem seja capaz de ter entusiasmos destes. Um político francês ganha umas eleições (alguém tinha de as ganhar), e por esse mundo fora não falta quem pareça acreditar que chegámos a uma espécie de Terra Prometida. No domingo, essa totémica figura intelectual que dá pelo nome de Marcelo Rebelo de Sousa dizia que a partir de agora, “a Europa vai ter de olhar para o crescimento”. E nas páginas do New York Times, Paul Krugman anunciou que a chegada de Hollande ao poder aumenta as hipóteses de sobrevivência do Euro e do “projecto europeu”. Já com Obama abundaram arrebatamentos deste género, mas o homem era dado a proclamações salvíficas e possuía uma retórica suficientemente vaga para que ninguém pensasse muito sobre o que ele dizia. Hollande, no entanto, não consegue dizer três palavras sem se adormecer a si próprio, e faz promessas que deixam bem claro que ou não tem consciência da realidade ou mente de forma descarada. Nenhuma delas uma característica particularmente redentora.

Hollande ecoa o discurso muito em voga de que é preciso deixar a “aposta” na “austeridade” e “virarmo-nos” para o “crescimento”. Como se houvesse uma opção. Como se a “austeridade” fosse uma escolha. Como se bastasse querer “crescer” para o conseguir. Mas ao contrário do que muitas pessoas parecem pensar, não há ninguém que defenda “políticas de empobrecimento”. A “austeridade” que de facto nos empobrece não é uma escolha, algo a que se possa “pôr fim” por decreto e voluntarismo.

É estranho como as pessoas parecem crer na capacidade de um governo (nenhum em particular, mas a entidade abstracta) para resolver problemas. Na realidade, os governos são um animal dos mais impotentes que existem à face da Terra. Estão limitados pelas acções de outros governos, pelas acções de simples indivíduos cujos resultados não controlam, e acima de tudo pelas circunstâncias. Nenhum governo escreve numa folha em branco. E nas circunstâncias actuais, é impossível acabar com a “austeridade”. Com cortes de impostos ou cortes da despesa, com aumentos de impostos ou aumento do “investimento público”, os europeus em geral e os portugueses em particular vão continuar a empobrecer. Qualquer “aposta” no “crescimento” dificilmente será bem sucedida.

O que Hollande propõe, e que tanta esperança alimenta nos que excitadamente acolheram a sua eleição, é atirar dinheiro para a economia. O problema é que o dinheiro custa dinheiro. Para “investir”, o Estado precisa ou de cobrar mais impostos, que dificultarão a vida à classe média e que mais depressa farão fugir os ricos do que fazê-los pagar mais, ou se endividar. E quem é que emprestará dinheiro a Estados já excessivamente endividados, numa conjuntura como a actual, a não ser com juros quase proibitivos? Basicamente, estar-se-ia a repetir o erro das últimas décadas, alimentando uma falsa prosperidade hipotecando o futuro cada vez mais.

É claro que há um outro sítio ao qual os Estados podiam ir buscar dinheiro. Ao contrário do que a sabedoria popular nos ensina, o dinheiro até cresce nas árvores. Apenas quanto mais se colhe, menos valor ele tem. Se os governos quiserem (e querem sempre) “injectar” dinheiro na economia, basta pedirem aos Bancos Centrais para o imprimirem. É o que Hollande tenciona fazer, e certamente que o BCE terá ouvidos receptivos para o Eliseu. E como que por milagre, haverá mais dinheiro a circular. Mas esse dinheiro valerá menos. O pouco que as pessoas comuns conseguiram poupar valerá menos. Os que ainda vão recebendo um salário irão ver esse salário representar menos poder de compra. Haverá mais dinheiro, mas o empobrecimento será maior.

O melhor que os governos têm a fazer, nestas circunstâncias, é garantir que a “austeridade” não se venha a repetir no futuro. É garantir que políticas como as que nos conduziram até aqui são definitivamente abandonadas. É garantir que no futuro as pessoas não tenham que abdicar de metade do que ganham para alimentar um Estado que nem assim paga tudo o que deve, e que a única coisa que lhes dá em troca é um aumento de impostos de seis em seis meses. Mas para isso, será preciso reformar profundamente os sistemas públicos de Segurança Social, os sistemas públicos de Saúde, os sistemas públicos de Educação. Na prática, isso traduzir-se-á em fazer com que um número significativo de pessoas paguem mais por eles. A longo prazo, será a melhor opção para todos. Mas a curto prazo, significará também o empobrecimento dessas pessoas. É triste, mas é verdade.

Ninguém mais do que eu gostaria que as políticas dos governos, fossem as de Obama, as de Passos Coelho, as de Hollande, as de Merkel ou as de qualquer um outro, fizessem com que eu pudesse olhar para o futuro e ver outra coisa que não a desgraça que todos tememos estar aí à porta. O problema está em que a “austeridade” não foi uma escolha feita em detrimento do “crescimento”, por perfídia de uns senhores de índole duvidosa que ocupam o poder. “Crescimento” todos queremos. Mas infelizmente, como sabiamente dizia o filósofo Jagger, “you can’t always get what you want”.

O lugar do lixo

Filed under: Comentário,Nanny State Watch,Política,socialismo,União Europeia — André Abrantes Amaral @ 16:10

Este artigo do jornalista grego Takis Michas para o WSJ, explica-nos bem ao que vem a extrema-esquerda que conseguiu o segundo lugar nas eleições gregas. Não pagar a dívida, e contratar 150 mil funcionários públicos para reduzir o desemprego, ao mesmo tempo que protege os interesses dos que se encontram instalados no topo de diversos sectores do sector privado, prometendo-lhes parar as reformas que conduziriam a um mercado livre. Não deixa de ser interessante que as ditaduras, sejam esquerda ou de direita, comecem sempre da mesma maneira.

A aposta do Syriza no medo que a Europa possa ter das imprevisíveis consequências de uma saída da Grécia da moeda única, merece apenas uma resposta da Sra. Merkel: rua!

Quando culpamos a Sra Merkel…

Filed under: Economia,Política,Portugal,União Europeia — Miguel Noronha @ 11:41

“alemães, holandeses e finlandeses” de Pedro Pita Barros (Momento Económicos)

Ou seja, o debate é colocado em termos de as poupanças do norte da europa deverem ser usadas para salvar o sul da europa, sacrificando investimento produtivo a troco de consumo. Ou extremando, se as reformas futuras dos trabalhadores do norte devem ser transferidas para o consumo presente do sul. Não interessa se esta visão, adicionando ainda mais tiradas demagógicas, é inteiramente verdade ou não. Mesmo que os juros pagos nessas poupanças sejam pelo menos iguais ao que obteriam com outras aplicações. O relevante é que dificilmente os alemães, holandeses e finlandeses estarão dispostos a abdicar das suas poupanças. E os seus dirigentes políticos irão reflectir essa posição.

A nossa melhor defesa contra esta percepção é mostrar que não é apenas uma questão de transferências do norte para sul, que os dinheiros dessas poupanças aplicadas no sul também podem ser investimentos competitivos, e neste momento o único sinal que temos é cumprir o acordado com a troika. Não o fazer é dar razão a vozes com Hans-Werner Sinn. O interlocutor do Sul da Europa não é a senhora Merkel, é o conjunto dos aforradores do norte, incluindo os alemães que elegeram a senhora Merkel. Este “pequeno” aspecto parece andar esquecido, e deverá estar sempre presente.

Sobre o buraco que a esquerda cava para os outros

Filed under: Política,Portugal,socialismo,União Europeia — Nuno Branco @ 11:32

 Parece que houve algumas subtilezas no meu artigo anterior que passaram desapercebidas. Por exemplo, quando digo que Sócrates falou verdade ao afirmar que “a dívida não se paga, rola-se” não estou a defender que esta é a situação desejável. O que ele disse é verdade no sistema monetário em que estamos mas se alguma coisa podemos aprender com os últimos anos é que o sistema não funciona tão bem quanto os políticos esperavam. É que ao restringir (e bem) o papel do banco central não o deixando monetizar directamente a dívida do Estado (apesar de obviamente já terem encontrado subterfugios para o fazer mais discretamente) o socialismo chega ao problema bem conhecido de acabar-se o dinheiro dos outros. E foi o que aconteceu a Sócrates, não por ele ser particularmente mau a finanças (que o era) mas porque teve antes dele 30 anos de socialismo a gastar o dinheiro dos outros. Azar pessoal o dele que quando lá chegou já pouco havia.

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