Praticar e louvar o terror

Faz parte da natureza do Hamas.

Do lado da União Europeia, será a altura para deixar de apoiar o terrorismo. Esse papel continuará a ser desempenhado pelo Qatar e por eméritos doadores públicos e privados. Em Maio último, o Qatar ofereceu cinco milhões de dólares ao governo islamista do Hamas. A solidariedade pretendeu apoiar os esforços de reconciliação com a Fatah (com os brilhantes resultados que se conhecem), partido que lidera a Autoridade Palestiniana na Cisjordânia. De acordo com Ismail Raduan, Ministro das Doações e Assuntos Religiosos do Hamas, a oferta do governo do país do Golfo Pérsico pretendeu apoiar a “reconciliação comunitária” e está destinada a apoiar as famílias que perderam os seus entes queridos nas quase eternas lutas armadas que opõem a Fatah e o  Hamas.

Em Março deste ano,  no seguimento da ilegalização da Irmandade Muçulmana, um tribunal egípcio baniu toda e qualquer actividade do Hamas no país e confiscou todos os seus bens. O Hamas  é acusado de interferir nos assuntos internos egípcios e, na altura, alguns dos seus líderes tinham Cairo como base. As autoridades egípcias acreditam que a organização terrorista do Hamas que governa a Faixa de Gaza, desempenha um papel importante no aumento da violência vivida na Península do Sinai.

Desde Julho que o exército do Egipto destruíu mais de 100 túneis que ligam Gaza ao Egipto e que servem para contrabandear alimentos, materiais de construção mas também armas e terroristas. A lua-de-mel entre o Hamas e o Egiptou acabou de forma abrupta quando os militares removeram o Presidente Morsi e acabaram com o governo da Irmandade Muçulmana. Hoje o Hamas que é visto como é um apoiante dos atentados terroristas, um risco acrescido para as forças de segurança e civis, procura defender-se das acusações como um ataque à causa palestiniana e um favor a Israel.
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Sondagem dá liderança ao Podemos em Espanha

Podemos à frente do PSOE pela primeira vez

“O Podemos provocou um sismo sem precedentes na política espanhola”. É assim que o El País noticia este domingo uma sondagem que coloca este partido, pela primeira vez, à frente de todos os outros nas intenções de voto dos espanhóis.

O Podemos alcança 27,7% dos votos, ultrapassando por pouco o PSOE com 26,2%. O PP, partido no Governo em Espanha, cai para 20,7%. Os votos em branco atingem um elevado valor de 18,2%.

Leitura complementar: A Europa face à ameaça centralista e construtivista.

Liberdade e as encruzilhadas da Europa

O meu artigo quinzenal no Diário Económico. Este é inspirado em Václav Klaus, o ex-presidente e ex-primeiro-ministro da República Checa.

Liberdade

Em Setembro deste ano, a revista “The Spectator” publicou uma pequena entrevista a Václav Klaus. Ex-presidente e ex-primeiro-ministro da República Checa, Klaus é um liberal clássico que, por diversas vezes, reconheceu a influência intelectual que Friedrich Hayek teve na sua vida política e na sua resistência ao comunismo.

Klaus foi também um dos principais opositores à adesão da República Checa à moeda única. Devido a ele, o debate sobre o euro centrou-se, não no saudosismo da moeda nacional, como sucedeu em Portugal, mas nos riscos económicos que uma moeda forte, e abrangendo economias tão diversas, acarreteria para os checos. Václav Klaus chamou a atenção que uma moeda única implicaria uma mesma política monetária, as mesmas taxas de juros e uma só taxa de câmbio para os países aderentes. Referiu ainda que, pelo contrário, no mercado de dívida, as taxas de juro não podiam ser únicas, mas variariam de acordo com os países emissores.

É sabido que Portugal se encontra numa encruzilhada, para a qual há poucas soluções: ou saímos ou continuamos no euro; continuando na moeda única, ou se reestrutura o estado, com um forte corte na despesa, ou se mantém a política de austeridade com impostos altos e cortes continuados nos salários e nas pensões, além de cortes graduais nas prestações sociais. Nenhuma é fácil e todas são dolorosas.

A entrevista referida em cima é importante, não só porque Klaus acertou onde outros falharam, ou não quiseram saber, mas também porque nos dá pistas para o futuro. E a ideia-chave de Klaus é que a Europa está em guerra com a liberdade. Uma União Europeia, burocrática, politicamente centralizada, não escrutinada democraticamente e que procura evitar a todo o custo que o mercado se exprima sobre as decisões políticas. O mercado, que mais não são que as escolhas dos consumidores; das pessoas. As nossas decisões.

É nessa medida que sugere para a Europa o modelo de uma organização de comércio livre sem que tenha em vista uma integração política. É a tal separação entre a política e a economia, para que não haja confusões entre as duas e as correcções do mercado sejam imediatas e não esmagadoras.

O modelo apresentado, não só abre portas para o crescimento económico que tantos políticos querem forçar, e precisamente por isso não acontece, como, e aqui está uma parte muito interessante do seu raciocínio, pressupõe o fortalecimento do próprio estado. Klaus opõe-se à ideia de um governo global ou transnacional, porque não democrático. Vê no estado, principalmente no estado-nação, o garante último da democracia liberal, a partir do qual se faz a integração económica que o projecto europeu inicialmente visava. A revista Britânica conclui que a Europa precisa de políticos assim, claros e que apresentem alternativas. Portugal também.

Não se pode fazer um programa europeu de troca de socialistas?

O Rui Carmo ontem já postou sobre o assunto, eu ontem também já disse umas coisas no facebook, mas apetece-me vir aqui também frisar o azar que temos com os socialistas que nos calharam. Houve umas criaturas tontas que saíram de Portugal para se juntar aos malucos que andam lá pelo Crescente Fértil, e desconfio que não o terão feito pela curiosidade com as paisagens do berço da civilização e por aí. Enquanto na Síria e no Iraque, terão feito o que os outros jihadistas fazem (ou já teriam provado em si próprios os mimos dos jihadistas mais convictos): matam gente, torturam, violam e escravizam mulheres não muçulmanas, aterrorizam as populações, degolam jornalistas e inocentes que foram para aquelas bandas para ajudar as pessoas.

Perante jihadistas que querem regressar, na Grã-Bretanha discute-se se se deve usar legislação da Idade Média para os julgar como traidores. Por toda a Europa se discute o que fazer com estes malucos que regressam e como lidar com o perigo que representam face à possibilidade de implementarem aqui as boas ideias terroristas que aprenderam no Levante.

Por toda a Europa? Não, há um pequeno recanto que resiste ainda e sempre ao bom senso e à sanidade. Situa-se no Largo do Rato, em Lisboa, na sede do Partido Socialista, onde aparentemente a preocupação não é com a população portuguesa que pode apanhar com as maluquices desta gente regressada, não é punir pessoas que se associaram a um bando criminoso inimigo da República Portuguesa. Não, no PS preocupam-se com a segurança das pessoas que prezam tanto a sua segurança que não se importam de matar e morrer em nome de Allah. As prioridades do PS, como de costume, estão em plena sintonia com os interesses dos portugueses.

Jean-Baptiste Colbert está vivo!

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Colbert está vivo e encarnou os proponentes do movimento “Plataforma Não ao TIPP“. O argumentário contra o Tratado Transatlântico não tem nada de novo, ou pelo menos nada de novo em relação às práticas económicas mercantilistas que vão do século XV ao século XVIII. É a mesma iliteracia económica que levou Adam Smith a escrever um livro em 1776, mas que, quase três séculos volvidos, ainda não foi bem entendida. É o medo da “desregulação dos mercados”, como se os mercados financeiros já não fossem globais, as commodities compradas a anónimos, o capital apátrida e os fluxos de capitais livres; é a mentira sobre o aumento do preço dos medicamentos, ignorando o efeito de um aumento da quantidade produzida e vendida, que faz com que o preço decresça (economias de escala por diminuição dos custos fixos médios); é o proteccionismo às empresas ineficientes locais, em tudo semelhante à lei do condicionamento industrial que protegia indústrias consideradas estratégicas, como por exemplo a indústria dos fósforos; é a fobia ao fracking, técnica de extracção de gás natural que aliviou a pressão sobre o preço do petróleo e a dependência do mesmo de países da OPEP. É isto e muito mais, e com mais ou menos condimento, é mercantilismo revisitado.

Compreender o putinismo X

putin

Outros tempos, outras vontades.

VLADIMIR PUTIN: The first question regarding the possibility of Ukraine joining the European Union does not concern us directly, although we do, of course, have our views on this matter. We always took a negative view of NATO expansion because we do not believe that this expansion can help neutralise the modern threats we face. As for enlargement of the EU, we have always seen this as a positive process. Certainly, enlargement gives rise to various issues that have to be resolved, and sometimes they are easy to resolve, sometimes not, but both sides have always shown a desire to find mutually acceptable solutions and we do find them. If Ukraine wants to join the EU and if the EU accepts Ukraine as a member, Russia, I think, would welcome this because we have a special relationship with Ukraine. Our economies are closely linked, including in specific areas of the manufacturing sector where we have a very high level of cooperation, and having this part of indeed our economy become essentially part of the EU would, I hope, have a positive impact on Russia’s economy. Since we were aware of the European Union’s position that Ukraine’s accession would be unlikely any time over the next decade, we began taking steps in two directions, On the one hand, we are creating the Common Economic Space in a large part of the former Soviet Union, including Russia, Ukraine, Belarus and Kazakhstan. On the other hand, we are building a common economic space with the European Union, and we believe this is in the interests of both Russia and the European Union countries and will harmonise our economic ties with Europe. But these projects are not in contradiction with the possibility of any country joining the European Union, including Ukraine. On the contrary, the possibility of new members joining the EU makes our projects only more realistic. But I repeat that other countries’ plans to join the EU are not our direct affair.

Que são explicáveis pelo Professor Alexander Dugin.

Sobre os testes de stress do BCE

ECB Announces Stress Test Results: Here Are The 25 Banks That Failed

The central bank’s punchline: “[the] Exercise delivers high level of transparency, consistency and equal treatment. Rigorous exercise is milestone for the Single Supervisory Mechanism starting in November.”

And this is what it’s all about from Vítor Constâncio, Vice-President of the ECB. “This unprecedented in-depth review of the largest banks’ positions will boost public confidence in the banking sector. By identifying problems and risks, it will help repair balance sheets and make the banks more resilient and robust. This should facilitate more lending in Europe, which will help economic growth.” Or, as Bloomberg called it, “The ECB has staked its reputation on Monday’s stress test results”… what reputation?

(…)

Some quick observations: not a single major bank failed the stress test and the cumulative capital shortfall among the 25 failures is precisely €25 billion, less than the €27 billion shortfall reported during the 2011 stress test when 20 banks failed, and when Banco Espirito Santo, Dexia and Bankia all passed with flying colors. Oh, and just in case it was lost the first time, the Bank of Cyprus supposedly passed.

O chumbo do BCP no teste de stress

BCP um dos 25 bancos da zona euro a chumbar testes de stress com rácio de 3% no cenário adverso
Défice tarifário da EDP ditou “chumbo” do BCP
BCP: Carência de capital relevada no teste de stress “já se encontra suprida”

Esticar até rebentar…

Relativamente ao Reino Unido, a política actual da União Europeia parece ser a de esticar a corda até rebentar. Não antevejo um final feliz para o orçamento “comunitário”: Fatura de 2,1 mil milhões de euros deixa Governo britânico em polvorosa

A confirmarem-se estas contas, os maiores prejudicados serão certamente o Reino Unido e a Holanda. E, por isso mesmo, ambos os países já fizeram sentir a sua indignação.

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Manuel Valls e o futuro do PS francês

Uma discussão interessante, já aqui destacada pelo João Cortez: Ser ou não ser socialista? Valls quer mudar o nome

A ideia é apenas uma: mostrar que o PS francês (PSF) não está agarrado ao passado e que é um partido “pragmático, reformista e republicano” e, por isto, o primeiro-ministro francês defendeu a mudança de nome do histórico partido europeu. Manuel Valls já o tinha defendido em 2007 e 2011, mas, agora, nas funções de primeiro-ministro, propõe a mudança que está a gerar polémica em França.

António Costa: um hayekiano inconsistente

Interesses Impróprios. Por José Manuel Moreira.

A este propósito regista-se com agrado a afirmação de pendor hayekiano de António Costa sobre as cheias de Lisboa: “temos de ter humildade de perceber que o ser humano não tem capacidade para controlar tudo.”

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A Europa asfixiada pelo estatismo

Los eurócratas, a la desesperada. Por Juan Ramón Rallo.

El problema de Europa no es su insuficiente gasto público. En el año 2013, tras varios ejercicios de una supuesta austeridad insoportable y asfixiante, los Estados que componen la eurozona gastaron 4,8 billones de euros: un 15% más que en 2007 y una suma equivalente al 49,8% de su PIB (frente al 46% que pesaba en 2007). Contrasten esas cifras con las de EEUU, el presunto paradigma del crecimiento impulsado por la activa participación del sector público en la economía: en 2013, EEUU gastó 6,14 billones de dólares (aproximadamente otros 4,8 billones de euros) que equivalían al 36,6% de su PIB, esto es, 13 puntos menos que la eurozona.

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Carlos Moedas, o país e a Europa

O meu artigo de hoje no Observador: O Comissário Moedas, Portugal e a Europa.

O que se pode criticar na escolha de Moedas é o desperdício para o país de “direccionar” alguém com o seu valor – que daria um excelente ministro das Finanças – para o coração da burocracia europeia

O puzzle francês: una os pontos

França e Itália pressionam para que regras do défice sejam flexibilizadas
Bruxelas prepara-se para vetar Orçamento do Estado francês para 2015
Vários ataques planeados foram travados em França
Frente Nacional chega ao Senado francês com a eleição de dois senadores

Leitura complementar: A democracia portuguesa e o Maná da Europa; A Europa face à ameaça centralista e construtivista.

“Estimular” até quebrar…

Alemães não se conformam com novas medidas do BCE

Está sob fogo cerrado na Alemanha o plano de estímulos anunciado pelo Banco Central Europeu (BCE) na quinta-feira, 2 de outubro, que inclui a compra de pacotes de dívida privada no mercado. O presidente do banco central alemão, o antigo economista-chefe do BCE e aliados políticos de Angela Merkel intensificaram este fim de semana as críticas ao programa de estímulos.

Leitura complementar: A democracia portuguesa e o Maná da Europa; A Europa face à ameaça centralista e construtivista.

Abutres islâmicos

Em 2008 lembro-me de ter lido – salvo erro no USA Today (hei-de ter o recorte do texto algures, mas ao fim de vários anos e de uma mudança de casa não faço ideia onde) – uma reportagem sobre os adolescentes e jovens adultos no Iraque durante a guerra. A surge já se fazia sentir, mas a situação estava longe de estável – como se viu, ainda não estava estável quando Obama (naquela que deve estar no top 10 da decisões mais estúpidas de um líder político na idade contemporânea) decidiu retirar as tropas americanas do Iraque. Dizia a reportagem que os pais inicialmente se preocupavam com as filhas, não fossem elas envolverem-se com intenções românticas e/ou sexuais com os militares americanos. E que das filhas passaram depois a preocupar-se sobretudo com os filhos, temendo que estes se radicalizassem e juntassem aos rebeldes sunitas que combatiam os americanos. (Sim, aquelas coisas abjetas de mães exibindo felicidade porque um filho seu se matou num ato terrorista que de vez em quando apanhamos nas notícias são resultado de personalidades doentias que, felizmente, não são partilhadas por todos as mães e pai muçulmanos).

Agora, numa curiosa revolução sexual islâmica (se calhar lá estão à procura da sua Joana D’Arc islâmica), também já as raparigas correm o risco de se radicalizarem, ainda que a sua grande utilidade para os radicais islâmicos continue a ser a de ‘noivas’ dos jihadistas e de produtoras de herdeiros da sua nobilíssima atividade. Este texto do Observador é, por isso, sintomático e preocupante. Como se a internet e as redes sociais não tivessem já perigos suficientes para os adolescentes (e preocupações e cuidados para os pais), agora há ainda estes abutres islâmicos espreitando quando os adolescentes estão frágeis e vulneráveis para os recrutarem – e explorarem.

A independência é hoje em dia um privilégio bastante caro…

O preço da independência. Por João Miranda.

Os factores que mais pesaram a favor do NÃO foram o risco de não conseguirem pagar por eles próprios o estado social e o risco de terem que sair da união monetária com Inglaterra, e consequente fuga de capitais. O principal argumento do SIM para memorizar estes riscos foi o petróleo no Mar do Norte. E apesar do petróleo, os partidários do SIM defendiam uma independência mas mantendo a Escócia na libra. O seja, prevaleceu a realidadezinha. E note-se que a realidade é o que é. Não é imposta pela Europa.

Ou seja, a independência é hoje em dia um privilégio bastante caro, pouco compatível com malta que não tem petróleo e está sempre a dizer que não aguenta.

O modelo irlandês

2009: Irlanda corta salários dos funcionários públicos para reduzir o défice

Professores, enfermeiros, polícias e até mesmo o primeiro-ministro irlandês, Brian Cowen, irão sofrer cortes salariais já no próximo ano, de acordo com as medidas anunciadas pelo ministro das Finanças irlandês, Brian Lenihan. Ao todo, a Irlanda espera reduzir a despesa em seis mil milhões de euros nos próximos dois anos. (…) Os irlandeses estão deste modo a seguir as recomendações das agências de ‘rating’ que aconselham uma redução do défice pelo lado da despesa. “Ao tomarmos as medidas difíceis mas necessárias agora vamos reconstruir a auto-confiança da nossa Nação e a nossa reputação no exterior”, explicou o ministro, citado pela Associated Press.

2010: Irlanda despede 25 mil, corta salário mínimo e aumenta IVA

Dublin, que pretende emagrecer o desequilíbrio das contas públicas num total de 15 mil milhões de euros até 2014 (ano em que o défice estará nos 3%), propôs ontem a redução do salário mínimo (de 8,65 para 7,65 euros à hora), um corte de quase 25 mil empregos públicos, um aumento do IVA dos actuais 21% para 22% em 2013 e 23% no ano seguinte, cortes no investimento público e um desbaste de quase três mil milhões de euros em apoios sociais até 2014, entre muitas outras medidas de grande dureza. Apesar das muitas pressões dos outros países da Zona Euro, o Governo de Brian Cowen não aumentou o IRC, uma das bandeiras do antigo milagre irlandês. Assim, o IRC ficou nos 12,5%, uma das mais reduzidas da Europa.

2014: Economia da Irlanda regista maior crescimento dos últimos sete anos

O PIB da Irlanda cresceu 7,7% no segundo trimestre, em relação ao mesmo período do ano passado. O crescimento da economia em 2014 deverá superar largamente as estimativas, enquanto o défice deverá ficar muito abaixo da meta.

António José Seguro responde ao Observador

António José Seguro: “Comigo não há mais aventuras nem eleitoralismos”

António José Seguro responde às dúvidas do diretor do Observador, David Dinis, que ficaram depois dos debates sobre dívida, austeridade e Estado social.

Os inflacionistas

Saudades do euro. Por Rui Ramos.

Um novo escudo seria o regresso a uma política de expropriação pela socapa. Através da inflação, os governos poderiam comprimir salários, reduzir pensões, anular subsídios e saquear poupanças sem passar pelo parlamento ou pelos tribunais. Os reformados e os mais pobres – isto é, aqueles com menos poder de reivindicação — estariam entre as suas principais vítimas.

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O dilema

(Artigo publicado no Diário Económico de ontem)

Quando Mario Draghi anunciou as mais recentes medidas do BCE, nem mesmo quem o elogiou foi capaz de dizer que elas teriam grande sucesso. Até o próprio refreou expectativas, considerando que só em conjunto com uma política fiscal competitiva e reformas estruturais (a parte que o nosso PS não ouviu) tais medidas poderiam reanimar a economia. Nas páginas do Daily Telegraph, Jeremy Warner escrevia que essas medidas eram “demasiado pouco, demasiado tarde”, e que só o chamado “Quantitive Easing”, ou seja, a compra em massa de títulos de dívida pública por parte do BCE através da impressão de moeda, teria tal efeito reanimador. Mas essa seria uma medida repleta de riscos, não só económicos mas políticos.

Na prática, desde o seu nascimento, o euro funcionou como um mecanismo a partir do qual uma parte dos países que o adoptaram conduziam uma política fiscal relativamente restritiva para que os restantes pudessem gozar das taxas de juro “à alemã” enquanto mantinham políticas económicas e fiscais “à grega”. Estes últimos puderam continuar a endividar-se sem que produzissem riqueza suficiente para suportar essa dívida, até que, depois da crise financeira nos Estados Unidos, houve uma retracção nos mercados de dívida pública e esses países deixaram de ter a confiança dos credores na sua capacidade de pagar a dívida que pretendiam contrair. Chegada a este ponto, a zona euro foi posta perante um dilema: em condições normais, os países nessa condição de desequilíbrio desvalorizariam a sua moeda, mas estando no euro, não o podem fazer sem o beneplácito dos países que têm uma economia competitiva; mas se desvalorizar a moeda, por exemplo, através do tal “Quantitive Easing”, a zona euro estará na prática a forçar os cidadãos dos países “saudáveis” a pagar a recuperação dos restantes, através da desvalorização dos salários e poupanças dos seus cidadãos. E por isso, países como a Alemanha só aceitarão fazer esse esforço se tiverem meios de impor aos outros medidas orçamentais restritivas.

Ora, se esta solução poderia salvar a economia europeia, talvez pusesse também em risco a União, ao fazer toda a gente ficar descontente com o arranjo: os “ajudados” queixando-se de serem cidadãos de segunda, e os restantes do despesismo dos anteriores. Como sair daqui, nem Draghi nem ninguém sabe muito bem.

Para compreender o buraco em que estamos metidos

Mesmo não concordando com algumas das afirmações, vale francamente a pena ler na íntegra: Entrevista i a João César das Neves. “Só há uma maneira de resolver isto: é não haver dinheiro”

Os desempregados que saíram logo em 2007, as empresas que foram à falência em 2008, 2009 e 2010, os que emigraram, que mudaram de sector, que se reconverteram, foi isso que salvou o país. Ao mesmo tempo, uma enorme quantidade de outros grupos próximos do Estado ou próximos do poder económico, como o BPN, o BES, e também podemos falar dos funcionários públicos e de outras entidades, conseguiram proteger-se dos cortes. E esses, curiosamente, são os que mais protestam, os que mais gritam. É espantoso que o Tribunal Constitucional esteja a defender aqueles que foram menos tocados, quando o sector privado está a sofrer desde 2007.

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Enquanto isso, em França…

A grande esperança François Hollande deu nisto: Présidentielle 2017 : Marine Le Pen en tête au premier tour dans tous les cas de figure

Au deuxième tour, si Marine Le Pen devait se retrouver face à l’actuel chef de l’État socialiste, celui-ci serait battu très largement, à 46 % contre 54 %. En revanche, à droite, c’est Juppé qui l’emporterait le plus largement face à la présidente du FN, avec 64 % contre 36 %. Derrière lui, Sarkozy l’emporterait de 20 points (60 % contre 40 %). Puis Fillon, avec 57 % contre 43 %.

Marine Le Pen se dit prête à devenir première ministre de François Hollande

La présidente du Front national envisage de prendre la tête du gouvernement et une cohabitation avec l’actuel président de la République : « Hollande, il inaugurera les pots de fleurs et fera des commémorations. D’ailleurs, il adore ça. Et puis ce sera tout, parce que, constitutionnellement, c’est le gouvernement qui détermine et conduit la politique de la nation. Le président de la République, lui, se soumettra ou se démettra. Et je pense qu’il choisira la deuxième solution car il ne supportera pas que la politique menée soit radicalement différente de la sienne. »

José Milhazes sobre a Europa e a Rússia

Uma entrevista interessante a José Milhazes, conduzida por Bárbara Marinho: “A Europa tem de acordar para a realidade”

Moscovo raciocina em termos de geopolítica clássica e vê na Ucrânia uma zona-tampão entre a Rússia e a NATO. Além disso, Moscovo julga ter direitos especiais nos países que antes formavam a União Soviética. Quer ser uma espécie de “irmão mais velho”. Isto é incentivado pelo facto de Moscovo ver uma União Europeia desunida, incapaz de realizar uma política internacional e energética para falar com Moscovo a uma só voz. Não se pode pôr de lado também o fator interno, Vladimir Putin está há 14 anos no poder e não foi capaz de fazer reformas com vista à modernização no país. O seu poder baseia-se apenas no preço do gás e do petróleo.

A nossa “Grande Ilusão”

Mountain of debt Depois da desilusão da paixão por Hollande, o PS reencontrou o amor na esbelta e apelativa figura de Mario Draghi. Há uns dias, o Presidente do BCE afirmou que a “zona Euro” beneficiaria com um aumento da despesa pública que reanimasse o investimento e o crescimento económico. Hoje, no debate parlamentar sobre o Orçamento Rectificativo apresentado pelo Governo, não houve deputado socialista que não tivesse citado Draghi em tom embevecido. E já antes, nas páginas do Diário Económico, o inevitável João Galamba (“aquele abraço”, como se costuma dizer) não escondia a sua alegria por ver Draghi defender que os países europeus “devem abandonar o dogma austeritário e pensar em políticas amigas da economia e do emprego”, e ansiava pela saída de cena do Governo, para que o idílico cenário que vislumbrava nas palavras do Presidente do Banco Central Europeu pudesse ser posto em prática entre nós.

Partilho com o João Galamba o desejo de ver o Governo pelas costas, quanto mais não seja porque quanto mais cedo isso acontecer e o PS o substituir, mais cedo o PS de lá sairá. Já não partilho, no entanto, o entusiasmo com as palavras de Draghi, pois esse entusiasmo é apenas um sintoma de um erro muito comum no debate político português: só olharmos para o problema no curto de prazo, ignorando os problemas mais duradouros e, perdoe-se a repetição, problemáticos que enfrentamos.

É evidente que, em certo sentido, se Portugal não estivesse obrigado a cumprir este ano a meta de défice que está obrigado a cumprir, não era necessário estarmos constantemente à procura de medidas extraordinárias cujo único propósito é amealhar impostos para atingir essa meta. Mas Portugal tem problemas orçamentais que precedem e vão além das metas de défice impostas pela Europa. Mesmo que a Europa não nos impusesse estas metas de défice tão restritas, a única coisa que estaria a fazer seria estar a deixar-nos manter um problema por resolver.

Vejamos como Portugal chegou à crise que atravessa: o João Galamba, no seu artigo, diz que Maria Luís Albuquerque “decidiu apagar da sua memória a verdadeira crise, a que começou em 2007/8, e inventou outra, que terá começado algures em Junho de 2011″. Esta “narrativa”, como o João terá ensinado o “engenheiro” Sócrates a dizer, pode ser simpática a quem comprometeu a sua credibilidade com o triste exercício governativo “socrático”, mas traduz mal a realidade. Durante anos, países como Portugal ou a Grécia, que em simultâneo tinham problemas orçamentais e economias com níveis de crescimento quase insignificantes, puderam endividar-se a custos relativamente baixos em virtude da bolha de crédito em que a economia internacional vivia. Quando essa bolha rebentou, após a tal crise de 2007/08, esses problemas orçamentais e essa economia estagnada fizeram com que as entidades que nos emprestavam dinheiro perdessem confiança na nossa capacidade de pagar esses empréstimos de volta, e por isso os juros dos nossos títulos de dívida pública tornaram-se incomportáveis. Para nos continuarmos a financiar, precisámos de, em 2011, chamar a troika, e agora que a dita saiu, continuamos com problemas orçamentais, com um défice de 4% (se não superior) e uma dívida pública de 130% ou mais do PIB. Como, apesar de tudo, a conjuntura internacional não está desfavorável, os juros da dívida pública portuguesa estão baixos, mas quando a conjuntura piorar – e não faltam sinais de que sinais de que não tarda muito para isso acabar mesmo por acontecer – esses juros vão subir e Portugal vai voltar a ter problemas em financiar-se.

Resta que a ideia de que um défice público maior, através de um aumento da despesa pública, seria um incentivo ao crescimento está longe de ser uma verdade óbvia. Em Portugal, já há décadas que o Estado tem uma despesa mais elevada que as receitas que capta através dos impostos, e não é por isso que o país tem crescido. Aliás, como um défice orçamental implica sempre mais impostos no futuro – porque não nos emprestarão dinheiro eternamente se formos aumentando o défice cada vez mais – esses défices sucessivos são já um impedimento ao crescimento. Neste momento, a carga fiscal é já demasiado elevada para que a economia consiga funcionar. Por isso aumentar a despesa pública significaria, a prazo, estrangular ainda mais a economia, porque significa sempre, a longo prazo, desviar recursos da economia para o Estado.

Não é por a União Europeia ou “a sra. Merkel” nos imporem metas de défice “restritivas” que Portugal deve evitar défices públicos mais elevados. Essa é a nossa “Grande Ilusão”: pensarmos que os nossos problemas se devem apenas à perfídia do estrangeiro, e que serão ultrapassáveis se convencermos alguém a mudar a sua atitude em relação ao nosso país. Mas Portugal tem problemas que são mesmo portugueses, que são mesmo nossos. Portugal precisa de pôr em ordem as suas finanças públicas, não porque a Alemanha a isso nos obriga, mas porque essa é a única forma de se poder financiar nos mercados internacionais de títulos de dívida pública a preços comportáveis. João Galamba e o PS poderão ter razão quando argumentam que, ao implicar uma carga fiscal excessiva, o “combate ao défice” é um obstáculo ao crescimento económico português. Mas como défices orçamentais implicam sempre aumentos de impostos no futuro, a alternativa que propõem de um aumento da despesa pública está longe de ser uma solução. Essa teria forçosamente de passar por uma diminuição do volume da despesa pública, para que a carga fiscal pudesse também ela diminuir. Infelizmente, essa parece ser uma solução que ninguém é capaz de – ou sequer quer – pôr em prática. Por isso, cambalearemos de crise em crise, ocasionalmente deixando-nos entusiasmar com este ou aquele discurso deste ou daquele responsável europeu, sem nunca resolvermos o que quer que seja.