O PPE, o PSE e a mutualização da dívida

Twins. Por Gabriel Silva.

Portanto, o PPE, e por consequência o PSD e CDS, são favoráveis a essa mutualização. Tal como o PS. Tal como o PSE que apoio Shultz. Tal como Shultz, que apenas constata não estar de momento na agenda, ao que Junker acena que sim, dizendo que se terá «mais tarde voltar a essa questão». A agenda de Shultz, de Junker, de Rangel, de Nuno Melo, de Seguro é pela mutualização da dívida. Mas não gostam de aparecer juntos na fotografia.

About these ads

“The problem with socialism is that eventually you run out of other people’s money”

Em França, o austeritarismo-neoliberalista-libertarianista parece ter tomado definitivamente conta do Partido Socialista.

Ou isso, ou acabou o dinheiro: França congela pensões e salários e reduz gastos sociais

O novo primeiro-ministro francês avançou algumas das medidas que permitirão poupar 50 mil milhões de euros entre 2015 e 2017. O plano antecipa cortes repartidos pelo Estado, municípios e contribuintes. “Não podemos viver acima das nossas possibilidades”, avisou Valls.

Continuar a ler

“pink elephants will fly over Mare Nostrum”

France is the new cauldron of Eurosceptic revolution. Por Ambrose Evans-Pritchard.

Britain is marginal to the great debate on Europe. France is the linchpin, fast becoming a cauldron of Eurosceptic/Poujadist views on the Right, anti-EMU reflationary Keynesian views on the Left, mixed with soul-searching over the wisdom of monetary union across the French establishment.

Continuar a ler

As novas prioridades

O meu artigo no Diário Económico de hoje sobre as 59 novas prioridades do governo.

Prioridades

Perante as boas notícias dos últimos meses, o governo elegeu 59 projectos que considera prioritários para o país. Ao todo, estamos a falar de 6067 milhões de euros. Parte será paga por um Estado que não tem dinheiro; outra, através de fundos comunitários vindos de uma Europa que impôs precisamente o contrário do que se pretende fazer agora.

A crença do investimento público como motor da economia existe há muitos anos. Demasiados para nos fazer pensar duas vezes antes de entrarmos numa nova aventura. Até Salazar tinha essa convicção, quando lançou o seu plano de obras públicas para modernizar o país através do Estado, embora não prescindindo, num período inicial, dos excedentes orçamentais. Analisando os dados sem preconceitos, somos forçados a concluir que pouca coisa mudou na estratégia seguida; na própria ideia de investimento estratégico e indispensável para que se dê o salto em frente. Salto, esse, que nunca chegou. Talvez, por não ser esse o caminho.

Claro que é importante que haja estradas, portos, aeroportos e ferrovias. A sua prioridade não teria era de ser escolhida pelo Estado, nem essas obras representam crescimento económico, como já sabemos por experiência própria. Este depende de contas públicas equilibradas, de preferência excedentárias, e de um Estado que, interferindo pouco na economia, não a desvirtue com a intromissão de interesses que se dizem públicos, e estratégicos, mas que não passam de privados.

Estratégico é o apoio aos mais necessitados. Não investimentos que vão custar muito mais do que o inicialmente previsto, com as habituais desorçamentações, e cujo preço obrigará a mais sacrifícios. Seria importante que o país retirasse desta crise três lições essenciais: em primeiro lugar, o endividamento público, originário em grande parte do dito investimento estratégico, atrofia a economia e a vidas das pessoas. Destrói-nos. Em segundo lugar, o investimento público, principalmente em larga escala, retira crédito aos privados que deixam de poder investir. Fá-lo através de impostos, que têm de ser altos; da dívida que gera desconfiança e de um acesso ao crédito bancário que se torna mais difícil.

Por fim, que o investimento escolhido pelo Estado é ditado por motivos políticos. A incerteza que daí advém é razão de sobra para que receemos o que aí vem. Veja-se, a título de exemplo, o que já sucedeu com este plano agora apresentado pelo governo, onde inicialmente se contavam 30 projectos prioritários que rapidamente passaram a 59. Como é que se define prioridade? É económica; é financeira, ou é política? Se não há critérios objectivos, não há confiança económica. As pessoas sofreram demasiado para que tenha sido em vão.

Direito de resposta

Marisa-Matias

Embora O Insurgente não seja um orgão noticioso oficial e, como tal, não esteja subordinado ao quadro legal que regula o sector, nomeadamente o direito ao contraditório, não deixa de rogar por um estrito sentido de verdade e de rigor. Assim, publico aqui, embora sem qualquer obrigatoriedade de o fazer, a resposta da euro-deputada Marisa Matias ao artigo “Democratização do disparate“.

Mário Amorim Lopes, quando me referi a que “nenhum país cumpre esse critério” era em resposta ao critério do Tratado, neste caso, o Orçamental. Foi apenas do Tratado Orçamental que falei e de nenhum outro. Não tive tempo para vir aqui antes, compreendo que as máquinas de propaganda do governo estejam mais oleadas e tenham mais tempo livre do que eu. Seja como for, não é um artigo que separa as partes do critério do Tratado Orçamental, para poder dizer que tudo vai bem no reino da Babilónia, que lhe permite insultar e chamar mentirosa seja a quem for. Compreendo a necessidade de mascarar os dados actuais usando como recurso – e em separado – os dados de 2012. Pois, quando proferi o que proferi foi com base nos dados publicados pela Comissão Europeia – insuspeita para si, imagino – em Março de 2014. Dados esses que foram publicados na imprensa nacional (tenho comigo, por exemplo, a edição do Expresso que tem um artigo sobre a matéria). Mas se eu sou suspeita, pode sempre consultar-se a entrevista da Dra. Manuela Ferreira Leite a este respeito publicada no Diário Económico a 19 de Março, onde ela própria refere que nenhum país da UE cumpre o Tratado Orçamental. Junte dívida, défice e défice estrutural – com valores de 2014 de preferência – e depois diga quantos países têm ao mesmo tempo menos de 60% de dívida, menos de 3% de défice e um défice estrutural abaixo de 0,5% na UE. Depois disso, podemos conversar. Se duvidar dos dados, acuse a Comissão. E reconheço que é preciso ter um talento muito próprio para “gostar” da página de alguém com o único intuito de poder insultar. Eu não teria essa paciência, mas cada um/a é como é.

Alguns esclarecimentos prévios:

  1. Não tenho qualquer associação ou vínculo directo ou indirecto com o Governo ou com nenhum dos partidos que representa o Governo; embora, note-se, pertencer ao Governo não altera a verdade dos factos;
  2. Ainda bem que tem pouco tempo e esperamos todos que tenha sido despendido a estudar o que diz;
  3. A entrevista de Manuela Ferreira Leite não é relevante ou sequer um instrumento adequado para apurar a exactidão dos factos; aliás, este princípio estende-se a qualquer entrevista e é tacitamente provado pela sua intervenção na SIC Notícias;
  4. Não é necessário “gostar” da sua página no Facebook para comentar na mesma.

Sobre o conteúdo da resposta:

  1. Ainda não existem dados definitivos para 2013 pois as contas nacionais dos anos transactos só são apuradas com exactidão nos anos seguintes; daí ter recorrido aos dados de 2012;
  2. Não é possível juntar valores de défice orçamental e de dívida para 2014 porque ainda só decorreram três meses do ano; o que é possível, isso sim, é discutir sobre as projecções para 2014. A esse respeito, junto em anexo duas infografias concebidas pela revista Economist com base nas projecções de inverno da Comissão Europeia para 2014, que mostram uma extensa lista de países que irão cumprir o limite de 60% de dívida/PIB e o limite de 3% do défice orçamental. Já agora, aproveite para assinar a revista;
  3. Refere na entrevista que nenhum país cumpre o critério da dívida e depois refere, posteriormente, que nenhum país cumpre o critério do défice; agora, em resposta, pede-me para ir buscar países que cumprem os três critérios simultaneamente: dívida, défice orçamental e défice estrutural. Fica registada a artimanha e segue-se a resposta;
  4. Os Estados Membros devem apresentar o seu Objectivo Orçamental a Médio Prazo (MTO), onde é avaliado se o défice orçamental estrutural, isto é, corrigido de variações cíclicas e isento de medidas extraordinárias, converge para o valor máximo de -1%, sendo que para países cuja dívida seja superior a 60%/PIB, então esse valor deverá ser menor (no máximo -0.5%); os seguintes países cumprem em 2013 o MTO que obriga ao limite no saldo estrutural: Alemanha, Dinamarca, Estónia, Hungria, Luxemburgo, Suécia, sendo que com excepção da Alemanha e da Hungria, os países Dinamarca, Estónia, Luxemburgo e Suécia cumprem também os restantes critérios, tanto para 2013 como para os valores projectados para 2014, como poderá comprovar pelos seguintes gráficos:Screen Shot 2014-04-05 at 15.15.09Screen Shot 2014-04-05 at 15.15.02Screen Shot 2014-04-08 at 16.56.03 (2)
  5. Junto uma tabela que contém todos os procedimentos por défice excessivo que foram desencadeados pela Comissão Europeia até à data de 2010; o ponto 4. pode ser comprovado atentando à lista de procedimentos por défice excessivo que caducaram em 2013 e à lista de países nunca sujeitos a procedimento por défices excessivos, Estónia e Suécia. Poderá fazê-lo consultando a página da Comissão Europeia e, já agora, registando como bookmark;Screen Shot 2014-04-08 at 17.28.55 (2)
  6. A euro-deputada Marisa Matias está no Parlamento Europeu há 5 anos. Dado que desconhece a realidade económica europeia, tenho a obrigação e o dever de a questionar o que por lá anda a fazer. Está em causa dinheiro do contribuinte europeu.

Resultados históricos da Frente Nacional nas eleições municipais francesas

Municipales 2014 : ces villes où le FN arrive en tête

Crédité de 7% des voix au niveau national, le FN a réalisé des scores historiques dans plusieurs des villes dans lesquelles il avait investi des candidats.

Le Front national a même décroché dès le 1er tour la mairie d’Hénin-Beaumont (50,3% pour Steeve Briois), la ville dont il a fait son laboratoire éléctoral.

Les candidats du parti de Marine Le Pen sont arrivés en tête à Béziers (45% pour Robert Ménard), Avignon (29,4% pour Philippe Lottiaux), Digne-les-Bains (27,69% pour Marie-Anne Baudoui-Maurel) et Fréjus (40,2% pour David Rachline), selon des estimations, ainsi qu’à Perpignan (34,4% pour Louis Alliot). A Forbach (Moselle), les résultats définitifs ont placé le vice-président du FN Florian Philippot en tête avec 35,75% des voix.

A campanha para as eleições europeias e o futuro da UE

Um artigo com um diagnóstico agudo e muitas ideias merecedoras de reflexão: União Europeia: dogma e tabu. Por Pedro Morais Vaz.

Com a União Europeia transfigurada em dogma e tabu, resta-nos rezar pelo rumo dos acontecimentos e esperar que um surto de bom senso e conservadorismo inglês invada a alma dos nossos dirigentes políticos. Caso contrário, estamos condenados: aos Estados Unidos da Europa ou à desmembração. Venha o diabo e escolha.

Esta gente gives me the creeps

Depois de resolvido o magno problema das retretes e dos urinóis, a malta da UE decidiu dedicar-se a outro problema que causava fome e mortandade pelo mundo e cuja resolução era inadiável: a diversidade de carregadores para os telemóveis. Eu espero que, em prol do bem dos mais pobres e desfavorecidos, os carregadores universais não se fiquem por telemóveis e routers, mas abranjam também outros bens essenciais, como equipamentos elétricos de depilação e de massagens. E depois de solucionado em definitivo este transtorno dos carregadores, a UE pode dedicar-se a outros problemas prementes e, sobretudo, a necessitar de uniformização. Assim de repente, estou a lembrar-me dos ganchos para pendurar cortinados (que vêm num número imoral de formas e materiais) ou as quantidades das latas de chá em folha (dá uma trabalheira comparar preços, que umas latas têm 100g de chá, outras 125g e outras têm só 75g); também não seria mal pensado regular de forma a que a circunferência das laranjas comercializadas na UE se adeque às máquinas espremedoras de citrinos.

(A gente que me causa arrepios não são só os legisladores sociopatas da UE, são também os idiotas úteis que agradecem a legislação dos sociopatas.)

Um assunto que a Standpoint e eu nunca nos cansaremos de denunciar

Despite this, there has not been one successful prosecution under the Female Genital Mutilation Act.Furthermore, my recent report for the New Culture Forum, which investigated this inaction, found evidence that women and girls were being brought to the UK to be mutilated. Such “FGM tourism” occurred precisely because it can be perpetrated with impunity. »

Já que nos preparamos para umas eleições europeias, lembro aqui um almoço que um grupo de bloggers teve em Bruxelas com Maria da Graça Carvalho, então conselheira de Durão Barroso (numa viagem a convite de Carlos Coelho e na qual eu, grávida, quase levei à loucura o muito eficiente e paciente Duarte Marques com as minhas restrições alimentares). Das perguntas que lhe fizemos, a minha foi precisamente o que fazia, ou pensava fazer, a Comissão Europeia para garantir o respeito pelos direitos humanos das mulheres das comunidades muçulmanas imigrantes na UE. (Os maluquinhos que consideram que as mulheres muçulmanas que vivem na Europa e não falam, ou falam mal, a língua do país de acolhimento, não têm qualificações que lhes permitam encontrar um emprego para se sustentarem a si próprias e aos filhos e não têm qualquer conhecimento da vida fora da sua comunidade aceitam livremente continuar a viver como nos seus países de origem, precisam urgentemente de irem procurar a entrada de ‘liberdade’ num dicionário e, ainda, de uma consulta de psiquiatria.)
Maria da Graça Carvalho evidentemente considerava também o assunto muito grave, mas percebeu-se que não havia qualquer resposta a isto de uma UE que adora regular os tamanhos das maçãs e das potências das lâmpadas. A UE, tal como Portugal, tem umas prioridades estranhas. Era bom, no entanto, que não fossem deixando estes assuntos às Frentes Nacionais desta Europa. Para não terem de se lamentar depois das eleições.

Guerra Fria Económica

O meu texto de hoje no DE.

«Em macroeconomia, o exemplo mais usado de um choque económico negativo com efeitos duradouros é o de um aumento permanente do preço do petróleo (porque entra no processo produtivo ou de comercialização dos outros bens). Atualmente este exemplo pode ser transposto para qualquer produto energético, como o gás natural ou, em certas zonas do globo, o carvão.
Sendo a Rússia o segundo maior produtor e exportador mundial de crude e de gás natural e um grande fornecedor energético da UE, com alguns países a depender a 100% do gás natural russo, é fácil de perceber como o azedar de relações diplomáticas e comerciais entre a UE e a Rússia, com a invasão da Crimeia, pode comprometer a periclitante recuperação económica europeia. Ou até provocar nova crise.
A Rússia, só, não controla os preços destes produtos, mas pode controlar a quantidade fornecida. Na última década a Rússia interrompeu por 3 vezes o fornecimento de gás natural à Europa central e de leste e já deu indicações de que poderá fazê-lo de novo. E se a médio prazo se pode pensar em substituir o fornecedor (os EUA estão muito interessados em exportar gás natural para a Europa), no curto prazo a UE sofre de uma doença chamada dependência energética da Rússia. Por outro lado, a ameaça de sanções económicas à Rússia já provocou o aumento do preço do barril de petróleo; as próprias das sanções terão efeitos mais acentuados. De resto, a UE é o maior cliente russo e a Rússia é o 3º maior parceiro económico da UE; com economias interligadas, sanções num lado atingem também o outro. A Economia é uma ciência empática: o mal dos outros não é o nosso bem.»

O resto está aqui.

Ficções

Artigo meu no Diário Económico de hoje:


A campanha das “europeias” será naturalmente um referendo à popularidade dos principais partidos. E, se calhar, tendo em conta a identidade dos cabeças de lista, até seria bom que estivéssemos mesmo a votar sobre o rumo da nossa governação. Em Rangel e Assis, PSD e PS escolheram os antigos rivais dos seus respectivos líderes, dando aos portugueses uma ocasião de perceberem como todos estaríamos melhor se essas disputas tivessem tido o resultado inverso.

Rangel, embora pouco mais que isso, mostra em qualquer discurso qualidades que faltam a Passos Coelho, e entre Seguro e Assis dista o patamar evolutivo que separa um ser unicelular de um Homo Sapiens. Nos dois meses de campanha que se seguirão, Rangel e Assis discutirão a realidade portuguesa, num debate mais ilustrativo do que Passos e Seguro foram capazes ao longo de três anos. Mas esse confronto entre Rangel e Assis será também ele uma ficção, uma mera procuração que Passos e Seguro lhes passaram para que os representassem melhor do que seriam eles próprios capazes de fazer.

“Antagonism and Consensus in the Political Systems of Portugal and Germany” – hoje, às 18h

Poster4Março

Hoje, às 18h, no Instituto de Estudos Políticos da Universidade Católica Portuguesa, conferência sobre “Antagonism and Consensus in the Political Systems of Portugal and Germany”, com Steffen Kampeter como orador convidado e Luís Amado, Michael Seufert e Paulo Mota Pinto como discussants.

Crimeia Revisited

O meu texto de hoje no DE, sobre tudo o que tem sucedido em catadupa na Ucrânia. O texto foi escrito na 6ª feira, previa-se que houvesse escalada das picardias na Crimeia, mas a Rússia ainda não tinha ocupado de facto a Crimeia – que é o ponto da situação as I write.

«Para estimar o impacto da sublevação ucraniana no resto da Europa, é necessário tentar entender o que se passa na Ucrânia e, para isso, o que é esse país. Deve-se lançar mão, antes de tudo, a livros de História.
A atual Ucrânia tem territórios que pertenceram séculos à Grande Rússia. Foi terra de cossacos. Não se entende sem recuarmos às várias partições da Polónia, onde a zona ocidental esteve integrada em porções decrescentes. Parte pertenceu ao império austro-húngaro. A zona sul, o antigo khanato da Crimeia esteve no império otomano, a expansão para estes territórios foi o projeto de estimação de Catarina, a Grande e Potemkin, a Rússia presenteou-a à Ucrânia por Khruskchev e acolhe ainda a base da frota russa do Mar Negro. A fome que se seguiu à coletivização da agricultura em 1932-33 é vista por muitos como um genocídio de ucranianos. O historiador Norman Davies, no livro Vanished Kingdoms, refere dois reinos que existiram na atual Ucrânia (Galícia e Ruténia). Outro historiador, Orlando Figes, questionava a semana passada se existe uma Ucrânia e o que é, se é, o seu nacionalismo.

A revolução de Fevereiro não foi apenas uma revolta contra o regime cleptocrata e violento de Yanukovich. É a expressão da cisão entre os de meia-idade nostálgicos dos soviéticos e os jovens que almejam serem parte da UE, entre ucranianos a ocidente do Dnieper pró-UE e ucranianos orientais e do sul pró-Rússia, entre falantes de ucraniano e de russo, entre católicos romanos e ortodoxos, entre apoiantes do partido Pátria de Tymoshenko e do Partido das Regiões de Yanukovych.»

O resto está aqui.

“Antagonism and Consensus in the Political Systems of Portugal and Germany” – 4 de Março, 18h, Lisboa

Poster4Março

No próximo dia 4 de Março, às 18h, no Instituto de Estudos Políticos da Universidade Católica Portuguesa, conferência sobre “Antagonism and Consensus in the Political Systems of Portugal and Germany”, com Steffen Kampeter como orador convidado e Luís Amado, Michael Seufert e Paulo Mota Pinto como discussants.

Ucrânia: Tudo se resume ao Salame

Image

Existe uma velha táctica, bem presente nos manuais do KGB, que acompanha a política internacional russa desde a morte de Lenin – Salami Tactics ou, em bom português, Tácticas do Salame. Estas aplicam a velha máxima do “dividir para conquistar”. Criam instabilidade nos seus alvos, geram conflitos internos e lidam com estes um a um, até à conquista definitiva do poder. Foi este o objectivo das Frentes Populares dos anos 30 e 40 – coligações de esquerda em que os partidos patrocinados por Moscovo eram parceiros minoritários. Foi assim que, socorrendo-me das artimanhas do sistema democrático e da subversão patrocinada pelas ajudas financeiras e militares do Kremlin, os comunistas conseguiram dominar as coligações, na Espanha em plena guerra civil e no leste europeu no pós-guerra.

No entanto, as Salami Tactics também têm um uso prático no cenário geopolítico e, associadas à estratégia de “pedidos de protecção” por parte de governantes amigos, podem ser bastante eficientes. Os casos da Ossétia do Sul e da Abecásia, cujo separatismo foi financiado pela Rússia, representam um exemplo recente. A Geórgia tentou reagir e deparou-se com pedidos de protecção à Rússia por parte das repúblicas separatistas. Ora o mesmo parece estar a repetir-se na Ucrânia.

Continuar a ler

Federalistas de toda a Europa, uni-vos

Viviane Reding, vice-president of the European Commission, said the British debate about Europe was so ‘distorted’ that people could not make an ‘informed decision’ about whether or not to stay in the EU.

Mrs Reding – who boasted that 70 per cent of the UK’s laws are now made in Brussels – also rubbished David Cameron’s bid to curb immigration from Europe, saying it was incompatible with membership of the EU.

Os eucrocratas lidam com as pessoas como algo sub-humano, depois queixam-se.

Marine Le Pen como intérprete da agenda da extrema-esquerda

Não havendo palhaço, há sempre a possibilidade de esquecer diferenças menores e construir a tão ambicionada união em torno de um plataforma programática verdadeiramente progressista no domínio da economia política: Como é que se diz depois queixem-se em francês? Por João Rodrigues.

O caso da francesa Frente Nacional (FN), que continua a aparecer à frente nas sondagens para as europeias, é o que tenho acompanhado com mais atenção. Destaco o seu enraizamento popular – metade da classe operária declara votar FN e deteta-se uma forte relação entre desemprego e implantação a nível regional – e destaco a viragem programática operada por Marine Le Pen no campo da economia política: do populismo neoliberal do pai, anti-impostos e anti-regulação, de resto já em mudança desde os anos noventa, passou para uma plataforma que, em certa medida, se apropriou de diagnósticos e propostas elaboradas sobretudo por intelectuais críticos à esquerda, da desindustrialização à desglobalização, passando pelo apontar o dedo ao elefante na loja de porcelana chamado euro. [destaques meus]

É também por textos como este que o Ladrões de Bicicletas é um dos poucos blogues à esquerda em Portugal que vale a pena ler.

Uma cautela imperativa

Bundesbank_-_700311_363414c

O Bundesbank anunciou esta Segunda Feira uma posição que já vinha sendo aconselhada pela BCG (Boston Consulting Group), mas que agora se torna premente dada a adopção institucional da proposta. O banco central alemão afirma que não fará sentido socorrer países em dificuldades financeiras sem que, primeiramente, estes taxem os seus cidadãos. Medida similar à efectuada no Chipre, o bail in tem dois objectivos imediatos: garantir internamente o capital necessário para onerar as dívidas externas do Estado e, não menos importante, reduzir o risco moral associado à garantia implícita de um programa de assistência financeira. Esta segunda nota é especialmente relevante para Portugal, o único país da União Europeia que teve três programas de assistência em 37 anos.

Uma de três e meio

Findo o programa de assistência financeira, existem três possíveis desfechos: a) um segundo programa de resgate;  b) um programa cautelar; c) uma saída limpa. No primeiro caso, o programa de assistência financeira garantiria a liquidez necessária por mais uns anos mas ao mesmo tempo sinalizaria aos mercados a já por demais evidente debilidade da economia e das finanças públicas portuguesas. A segunda hipótese pressupõe uma linha caucionada pelos mecanismos de estabilidade europeia, já sem FMI, mas com a presença de entidades externas que pressionarão a tomada de importantes reformas estruturais. A última, e talvez mais arriscada, seria uma saída a nú. É esta última que acarreta os riscos de um bail in.

Uma saída limpa, mera ilusão de quem a aclama, não seria menos débil. Portugal ainda recupera de uma recessão; as famílias, as empresas e o Estado ainda estão em processo de consolidação e, talvez mais relevante, a trajectória da dívida soberana ainda não foi travada, longe de ser sustentável. A despesa corrente foi freada iminentemente com recurso a medidas espúrias que serão revertidas assim que o congelamento dos salários e as taxas e sobretaxas caduquem. Como também vem sendo hábito, parte da consolidação foi feita recorrendo a receitas extraordinárias.

Bail in, o pior desfecho para Portugal

É precisamente esta terceira hipótese e meia que poderia conduzir a um bail in, o pior dos cenários para Portugal e para os portugueses. A economia portuguesa está descapitalizada. Taxar mais os portugueses, ainda que de uma só vez, iria condicionar drasticamente a poupança, o investimento e o consumo e, por conseguinte, o crescimento da economia e a criação de emprego. Iria submeter Portugal a uma profundíssima recessão, recessão essa que iria fazer com que o mais arauto dos anti-austeritários ansiasse pelo retorno a 2013.

A imposição do bail in é compreensível quando nos colocamos na posição do credor. Basta recordar a reacção do português continental perante o anúncio dos desvarios cometidos pelo outro português, o insular. Seria, contudo, o pior que poderia acontecer a Portugal. Como tal, e para bem de todos nós, urge pedir às instâncias europeias um programa cautelar que garanta, ainda que não seja utilizado, os recursos financeiros necessários e mantenha uma delegação europeia que supervisione a implementação das reformas estruturais. Esta posição não deverá ser interpretada como submissão mas como um racional e imperativo sentido de responsabilidade. À cautela.

Nota: este artigo deverá ser complementado com as oportunas reflexões do Ricardo Arroja e do Camilo Lourenço, aqui e ali.

Adenda: em comentário, o JT refere que o estudo da BCG recomenda um one-off capital levy a todos os países da União Europeia e não apenas ao país visado. Isso muda radicalmente as implicações políticas do estudo da BCG. No entanto, a posição do Bundesbank mantém-se. O imposto seria ao país.

Mais uma facada de realidade no Socialismo Europeu

Depois da França sucumbir ao “ultra-neo-liberalismo” (a.k.a. realidade), e da UGT ter vindo com uma conversa estranha, também a esquerda Italiana anda com práticas “fascistas”:
Itália lança a maior vaga de privatizações desde os anos 90

PS: claro que a posição fascista seria controlar tudo e não privatizar, mas estou aqui a usar o outro significado, usado por quem é demasiado preguiçoso intelectualmente para perceber a diferença colossal entre fascismo e liberalismo… ou até mesmo ultra-liberalismo/anarco-capitalismo.

Hollande: de bestial a besta

Parece que já nem António José Seguro – a quem a lucidez só fica bem – estende a mão a François Hollande, a à outrora luminosa esperança da esquerda europeia: PS divorcia-se de Hollande

De herói da ‘nova Primavera da Europa’ a desilusão. Em menos de dois anos, é assim que o Presidente francês, François Hollande, é visto pelo PS.

Resultado tão esperado como preocupante

The end of free speech in Europe.

(…) Again, while the aims may be noble in part, this ‘framework’ will undoubtedly end up being a cudgel to silence people. Holocaust denial today, Stalinists tomorrow, UKIP and immigration sceptics the day after. Will being an EU-doubter be a criminal offence too? Will denying anthropogenic climate change be proscribed?

What makes the EU most terrifying is its lack of democratic accountability: an unelected President, Commission, and Comitology (unelected pen pushers setting policy).

This is why Britain leaving the EU must be seen as a priority.

George Washington, whose great-grandfather was a Brit, said “If the freedom of speech is taken away, then dumb and silent we may be led, like sheep to the slaughter.”

“Portugal é o país que mais defende a ‘troika’ entre os resgatados”

Ronaldo Vs Mourinho

Hollande em 2014 compreendeu que apostar no social implica ter políticas que tornem o modelo sustentável. E em Portugal?

Há uns meses atrás, em Agosto, Mourinho desprezou Ronaldo. Questionado sobre a sua reação, Ronaldo respondeu com o velho adágio “Não cuspo no prato em que como“. Pessoalmente, sempre acreditei nessa máxima. Acredito que uma empresa que critique os seus clientes, um funcionário que critique o seu gestor ou um governo que critique os seus credores na praça pública não só demonstra uma falha de carácter como, a prazo, compromete o pão sobre a sua mesa.

(Ler o meu artigo de hoje no Diário Económico completo)

Álvaro Santos Almeida defende segundo resgate

A expressão chave é “nem sequer durante o programa”: Economista Álvaro Santos Almeida defende segundo resgate

O economista Álvaro Santos Almeida considera que um segundo resgate seria a melhor solução no final do programa de ajustamento, preferível até a um programa cautelar.

Continuar a ler

The Fall of France

Newsweek, sobre a República que é a inspiração de Tó Zé Seguro. Excerpto:

From a senior United Nations official who is now based in Africa: “The best thinkers in France have left the country. What is now left is mediocrity.”

From a chief legal counsel at a major French company: “France is dying a slow death. Socialism is killing it. It’s like a rich old family being unable to give up the servants. Think Downton Abbey.”

Taxe de luxe

Assim vai a unidade na extrema-esquerda

French leftist coalition blows up ahead of EU, local elections

The French Left Party’s decision to suspend its membership of the European Left has highlighted tensions with their traditional communist allies, which could seriously damage both party’s results at the forthcoming EU elections in May.