Uma pergunta sobre a Função Exponencial

A função exponencial é a mais importante para quem compreender um pouco a estatística por detrás da maior parte das opções políticas, mas é uma ilustre desconhecida de muitos. Para demonstrar o meu ponto, deixo aqui uma situação:

Imaginem que a população de uma cidade com uma boa economia está a crescer a 7% ao ano. Acham muito?
7% ao ano leva a cidade a crescer rapidamente, muito rapidamente. A pergunta é:
Imaginando que a cidade começou com 10.000 habitantes, quantos terá ao fim de 1 século a crescer sempre àquele ritmo?

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“Estado de Bem-estar versus Bem-estar do Estado” – Dia 24 de Maio, na Católica.Porto

O final de Maio vai ser um período de actividade intensa. Além da conferência de 27 de Maio aqui bem recordada pelo Tiago, recordo também que no dia 24 de Maio terá lugar a conferência “Estado de Bem-estar versus Bem-estar do Estado”.

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A informação sobre o programa está disponível aqui.

A inscrição para assistir à conferência é gratuita e pode ser feita aqui.

“Estado de Bem-estar versus Bem-estar do Estado” – Conferência Anual MPA, 24 de Maio, Porto

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A informação sobre o programa está disponível aqui.
De particular interesse para os leitores d’O Insurgente, poderá ser a conferência de abertura, a cargo do Secretário de Estado do Turismo Adolfo Mesquita Nunes.

A inscrição para assistir à conferência é gratuita e pode ser feita aqui.

Lisboa – 14 de Maio: Soberania; 28 de Maio: Liberdade económica

Dia 14 de Maio, às 18h30, na FNAC Chiado, a Fundação Francisco Manuel dos Santos organiza um debate com Miguel Morgado, Diogo Pires Aurélio e José Manuel Fernandes em torno do artigo do Miguel “Os usos e os abusos da noção de soberania”, publicado na revista da Fundação.

Dia 28 de Maio, também às 18:30 e também na FNAC Chiado, serei eu a participar num debate, com José Manuel Fernandes e Francisco Veloso, director da Faculdade de Ciências Económicas e Empresariais da Universidade Católica (em Lisboa), em torno do meu artigo “A economia portuguesa, depois da década perdida”.

Estão todos convidados.

O liberalismo clássico e as direitas

Embora com pouca disponibilidade para participar activamente, tenho acompanhado com interesse a discussão sobre direita e liberalismo aqui no blogue. Tal como o Carlos Fernandes, alinho nesta questão (como na maioria das questões) com o Miguel Noronha.

Do ponto de vista substantivo, estou mais próximo do posicionamento liberal clássico e das referências do Rui A., mas tenho reservas sobre esta interpretação do que é ser de direita e, tal como o Miguel, concordo com várias das objecções levantadas pelo Filipe Faria. Continuar a ler

Faz Sentido ser de Direita, mas não Liberal

483807_434310486657935_1488587293_nDepois de escrever o meu texto sobre o declínio da direita, o Rui Albuquerque escreveu um texto com uma posição contrária aos meus argumentos, apesar de não me mencionar no seu texto. Depois de ler o texto em questão optei por fazer alguns comentários que me parecem vitais em temas de filosofia política.

O Rui parece determinado em provar que o liberalismo clássico é uma ideologia de direita. Vale a pena lembrar que no meu texto eu não disse que este não era visto como de direita no actual momento. Perante a total rendição da direita ao liberalismo, o liberalismo clássico apresenta-se como uma forma menos igualitária do que o vigente liberalismo social. Mas, por todas as razões que expliquei no meu texto, é uma teoria com fortes elementos igualitários, anti-tradicionalistas e universalistas, que a afastam da direita tradicional. Uma coisa é certa, um liberal clássico no século XIX era de esquerda de caras. Foi a vitória da esquerda actual que os colocou na alegada “direita” sem que eles saíssem do mesmo lugar.

Seja como for, há pontos na argumentação do Rui que violam as bases consensuais da teoria política. O Rui alega que o que caracteriza a direita é o individualismo (por oposição ao que eu escrevi: que a direita é tradicionalmente anti-individualista, familista e tribal). Diz também que o indivíduo visto como parte de um colectivo é uma posição de esquerda. Nas palavras do Rui:

“Enquanto que a direita vê nele o indivíduo, a esquerda tem-no como cidadão. Nesta perspectiva, o homem é, para a direita, por si mesmo, sujeito e objecto de direitos face ao poder político, enquanto que, para a esquerda, ele existe essencialmente na sua relação com a coisa pública”

Obviamente, é possível subverter as bases da teoria política para colocar o liberalismo na direita, mas basta abrir uma enciclopédia para encontrar a definição básica de conservadorismo. Da Encyclopedia Brittanica:

“Conservatism, political doctrine that emphasizes the value of traditional institutions and practices.

Conservatism is a preference for the historically inherited rather than the abstract and ideal. This preference has traditionally rested on an organic conception of society -that is, on the belief that society is not merely a loose collection of individuals but a living organism comprising closely connected, interdependent members.”

O conservadorismo é tribal e comunitário, considera as tradições locais e particulares acima do indivíduo. E, claro, a não ser que achemos que o conservadorismo é de esquerda, a lógica “a direita vê o indivíduo antes do colectivo” não é válida.

O Rui escreve que “para a esquerda o homem nunca é, por si só, suficiente”. Podemos aceitar perfeitamente esta definição. Porém, à direita, aquilo que a esquerda pode chamar de cidadão, a direita tradicional chama de “pertença” (membership). Como diria Roger Scruton, que talvez, quem sabe, seja um “colectivista de esquerda”, todos nós precisamos de pertencer a um grupo para nos identificarmos e lutarmos juntos por objectivos; que a felicidade passa por essa submersão do eu num colectivo maior que nós.

Assim, é muito claro que a direita tradicional também não vê o homem como suficiente por si só. E nem precisamos de recorrer a teorias Hobbesianas para o verificar.

Depois há a questão da dominação e alteração do social pela via do poder. O Rui escreve:

“A esquerda entende que o “mundo” pode ser transformado por golpes de vontade e é o resultado de forças inteligentes e direccionadas.”

Aqui eu tendo a concordar parcialmente. A esquerda tende a preferir a ruptura porque num mundo onde a igualdade é uma utopia, é sempre preciso mudar algo mais. Onde eu discordo é que esta seja a única a agir com via a transformar o social. Todos os governos, da esquerda à direita, tentam gerir a sociedade no seu sentido, usando retórica, propaganda, valores ou espiritualidade. As elites, para o bem ou para o mal, lideram e modelam as massas. Mas mais, o mundo pode facto ser transformado com golpes de vontade das elites. Se à esquerda temos exemplos como a Escola de Frankfurt, à direita temos os conservadores/nacionalistas judeus que visualizaram e criaram um etno-Estado para o seu povo. Nietzsche, que é insuspeito de ser de esquerda, sabia bem que o mundo é transformado por “golpes de vontade” (the will to power) dos homens com grandes capacidades.

Por fim, o Rui escreve que a direita existe quando existem direitos negativos (universais e igualitários, suponho) protegidos por uma constituição liberal. Nas palavras dele:

“Os direitos naturais do indivíduo à liberdade e à propriedade, isto é, os direitos negativos sobre os quais o estado não poderá nunca dispor, reconhecidos por via da Constituição ou de outros instrumentos normativos que o protejam perante o poder público, é marca da direita.”

Com isto, (e em forma de caricatura) somos obrigados a concluir que a civilização ocidental viveu em esquerdismo durante milénios até que o constitucionalismo liberal foi inventado pelos pensadores do iluminismo. Os gregos clássicos, que na sua polis tinham um noção política tribal, distinguindo perfeitamente os cidadãos dos escravos, eram portanto esquerdistas. Esquerdistas estes que continuaram pelas monarquias divinas durante séculos até que se inventou o constitucionalismo liberal. É caso para dizer que a civilização ocidental foi inventada e vivida pela esquerda; isto claro, se aceitarmos que a marca da direita são direitos naturais à liberdade e propriedade pela via constitucional.

A meu ver, a distinção que ofereci de direita e esquerda no meu texto anterior continua a ser a distinção fundamental desta divisão. Tenho agora o prazer único de me citar; escrevi:

“Se há algo que difere a esquerda da direita é a perspectiva moral com que encaram a igualdade e a desigualdade. Enquanto que a esquerda faz do igualitarismo um deus intocável, um bem moral último, a direita vê a desigualdade humana como natural e respeitante da ordem humana e daí deriva a sua força moral positiva. Por outras palavras, a direita idealiza a qualidade (que implica desigualdade) e a esquerda idealiza a igualdade.”

Se a direita idealiza a qualidade, essa qualidade significa hierarquia; não só entre indivíduos, mas igualmente entre grupos.

Isto tudo, claro, para dizer que o que define a direita não poderá ser o seu individualismo moral e muito menos o liberalismo constitucional.

Leitura complementar: Roger Scruton: How to be a Non-Liberal, Anti-Socialist Conservative.

PS: Percebo que a minha posição seja anátema para muitos neste blogue, porém, eu sou da opinião de que quando algo não está a funcionar é preciso mudar e perceber as “causas da doença”. É assim que se vencem determinadas lutas e é a obrigação daqueles que percebem os problemas articulá-los perante a sua comunidade. Sei também que as comunidades sobrevivem à volta de certos axiomas e que se tornam colectivamente antagonistas quando esses axiomas são questionados. Se for esse o caso, então a parte mais fraca é o dissidente e não a comunidade. Isto é algo que temos de aceitar como uma evidência humana. Por isso, novas comunidades se formam.

A “Direita”: Causas do Declínio.

Greek 1Muitos que se dizem de direita queixam-se de que esta não tem representação no mainstream político e comunicacional. Tudo é de esquerda agora, variando apenas na intensidade do igualitarismo apregoado. Porém, o termo “direita” é usado em todo o lado e temos a sensação de que ela existe e que se move. Ela tem representantes na televisão a verbalizar coisas supostamente de direita; e mais, alegadamente há gente de direita a escrever na imprensa e em blogues. Na realidade, com as devidas excepções, não há direita no discurso mainstream político e tal explica-se com uma das mais ferozes críticas à postura conservadora: que esta se limita a conservar as revoluções dos outros (i.e. da esquerda).

Se há algo que difere a esquerda da direita é a perspectiva moral com que encaram a igualdade e a desigualdade. Enquanto que a esquerda faz do igualitarismo um deus intocável, um bem moral último, a direita vê a desigualdade humana como natural e respeitante da ordem humana e daí deriva a sua força moral positiva. Por outras palavras, a direita idealiza a qualidade (que implica desigualdade) e a esquerda idealiza a igualdade. Desta forma, talvez fosse mais correcto usar os termos “vertical (hierarquia) vs horizontal (igualdade)” em vez do clássico “direita vs esquerda” que saiu do parlamento francês durante a revolução francesa.

O problema daquilo que passa por direita hoje em dia é ter absorvido muitos dos valores das revoluções igualitárias do passado e defendê-los como se fossem seus. Muitos destes valores poderiam ser discutidos, mas para este artigo interessam particularmente 3: liberalismo, materialismo e racionalismo.

Liberalismo

O liberalismo fez-se contra a tradição, contra a autoridade religiosa, contra a aristocracia, ou seja, fez-se contra a ordem hierárquica natural que se tinha desenvolvido na Europa durante milénios. Fez-se a favor do indivíduo e da igualdade e liberdade do Homem. Do ponto de vista moral, o liberal considera que todos os homens são formalmente iguais e que no indivíduo e só nele reside a soberania última. Daí a crença liberal em “direitos”, sejam eles “humanos”, de propriedade ou de libertação. Esta foi uma revolução igualitária contra a autoridade da tradição e que a direita tentou combater desde sempre. Em Inglaterra, os liberais estavam à esquerda do parlamento e passaram o século XIX a lutarem contra a ordem tradicional hierárquica.

Hoje em dia, perante o esmagador triunfo do liberalismo no ocidente do pós guerra, a direita cedeu e abraçou o liberalismo. Regra geral, acredita em “direitos humanos”, no mercado, no universalismo do Homem, no secularismo de Estado, na democracia liberal, etc… Por outras palavras, acredita em todas as revoluções feitas pela esquerda igualitária e agora convence-se que estas são as suas causas.

Isto advém em grande parte da aversão patológica que a direita geralmente tem a ideias abstractas. O “direitista” médio diz-se um homem pragmático, desprovido de grandes utopias loucas, que gere o que a vida apresenta, mas sem saber tornou-se num escravo das ideias igualitárias; pior, convenceu-se que estas ideias são suas, mesmo que muitas vezes sinta que elas não funcionam, ele acha que elas são moralmente boas.

Ao abraçar o liberalismo a direita ignorou a sua posição tradicional anti-individualista baseada na família, nação, tradição, sangue, autoridade, hierarquia e espiritualidade. Aliás, tirando os mais eruditos, os “direitistas” médios não fazem ideia do que é a direita tradicional e acham que ser de direita é defender o indivíduo até ao infinito. Não é surpreendente que a esquerda tenha uma vida tão fácil e que mantenha a sua hegemonia, mesmo quando o seu modelo social igualitário vai colapsando a olhos vistos. Assim, perante a progressiva derrota da direita não é de admirar que o liberalismo clássico, outrora uma ideologia de esquerda, seja agora o último refúgio da direita que não tem coragem ou engenho para sair do actual paradigma; desta forma,  a luta ideológica fica limitada a 2 liberalismos: o clássico (de inspiração Lockeana) e o social de pendor ainda mais igualitário (de J. S. Mill a John Rawls).

Materialismo/Economicismo

Existe a ideia de que foi Marx quem nos trouxe o materialismo (histórico), onde o fenómeno social é explicado segundo as condições materiais existentes. Porém, tal como em tudo o resto, Marx limitou-se a seguir a lógica do liberalismo clássico que colocou o foco da moralidade no material quando fez da propriedade sinónimo de liberdade individual. A partir daí os “direitos” ganharam uma componente material.

Hoje em dia tudo é explicado em termos materiais: quanto cresceu o PIB? Qual a dívida pública? A política X cria ou não mais riqueza material? Outras considerações à “direita”, especialmente de índole cultural e particular, praticamente desapareceram do discurso político, permitindo à esquerda basear todo o seu discurso na igualdade material (i.e. justiça social). Isto baseia-se na assumpção de que se o problema do crescimento económico for resolvido, tudo está resolvido. Porém, o que vemos no mundo é a conquista demográfica de povos com culturas pouco materialistas, com práticas nada liberais e com mercados muito menos desenvolvidos; e como se costuma dizer: a demografia é destino. A resposta aqui está na cultura e no seu impacto. Nisto a “direita” calou-se, ou quando fala é para criticar práticas anti-liberais de outros povos (e.g. muçulmanos). Mais uma vez, a melhor defesa das revoluções igualitárias e anti-tradicionais vem da actual “direita”.

Racionalismo

A direita sempre foi céptica em relação ao racionalismo. Sempre assumiu que os homens são competitivos, instintivos e vítimas de paixões. Reagiu negativamente contra o iluminismo alegando que a crença na razão é simplesmente isso: uma crença infundada.

Porém, hoje a direita entregou-se de corpo e alma ao racionalismo, esquecendo a velha máxima de David Hume que a “Razão é a escrava das paixões”. Isto é particularmente evidente quando tenta convencer racionalmente as massas de que o que é preciso são “contas em dia”, “austeridade”, “procura e oferta” e mercado (mais ou menos) livre. Como a direita já devia saber, os seres humanos sentem primeiro e pensam depois (quando pensam). A “direita” postula que é preciso austeridade e continhas no sítio, mas como perdeu o lado do discurso que permitia ser convincente e persuasiva (a nação, Portugal, a cultura, a “raça” portuguesa), tornou-se na coisa menos apelativa de sempre … não admira que o povo seja todo de esquerda. Ao ignorar o tribalismo natural e o emocionalismo humano a direita entregou as cartas todas à esquerda. Ficando apenas com reivindicações de baixos impostos, mercado globalista e austeridade sem ter valores colectivos para oferecer. Isto, claro está, é a melhor receita para derrotas infinitas, quer na frente económica, quer na frente cultural.

Em suma, não se combate a esquerda do século XXI com ideologias de esquerda do século XIX.

Cortes estruturais na despesa: depois do próximo aumento de impostos é que é ?

O João Miranda expõe aqui as suas razões liberais para dar prioridade à consolidação orçamental. É uma argumentação respeitável (ainda que esteja mais bem construído o argumento Bastiat do que o argumento Hayek) e com a qual até estou parcialmente de acordo – pelo menos no sentido em que reduzir impostos, por si só, de pouco serve se não houver cortes estruturais na despesa.

Mas já não percebo esta acusação de irrealismo à direita liberal portuguesa por defender uma descida dos impostos. O que observamos até agora, contra o previsto no plano de ajustamento acordado com a Troika e contra as próprias intenções declaradas do Governo foi à tentativa de redução do défice com recurso em boa parte à tentativa de arrecadar mais e mais receitas fiscais.

Ao mesmo tempo, os cortes estruturais na despesa vão sendo sucessivamente adiados. O que me parece irrealista é achar que os aumentos de impostos não têm como um dos seus efeitos o alívio da pressão para reformar o Estado. O aumento da carga fiscal, além dos efeitos recessivos sobre a economia, proporcionou uma (relativa) folga à despesa pública. Continuar a ler

Como garantir mais emprego

Riqueza, riqueza, riqueza. Por Paulo Ferreira.

No Congresso, Seguro repetiu essa ideia. Encheu os pulmões com ar e disse que a prioridade é: emprego, emprego, emprego (assim, três vezes seguidas, para que não subsistam dúvidas). Ora, ninguém, em bom rigor, pode dizer o contrário. Mas pode – e deve – questionar-se: mas que tipo de emprego tem António José Seguro na cabeça?

Um engenheiro chegado à China reparou que muitos homens construíam uma represa à força de pás e picaretas. Questionou o responsável: por que não usam uma escavadora? Ouviu a resposta: porque assim destruiríamos muito emprego. O engenheiro ousou contrapor: se o objetivo é garantir mais e mais emprego, então o melhor é pôr os homens a trabalhar com colheres em vez de pás.

A caricatura, usada pelo professor José Manuel Moreira no livro “Leais, Imparciais & Liberais”, serve para dizer o seguinte: a criação de trabalho não pode, ou não deve, ser vista como um fim em si mesmo, mas sim como um passo para chegarmos à criação de riqueza. Explicar aos portugueses como pensa o PS criar os empregos que têm mais valor para as pessoas é, creio, uma boa forma de mudar a roupagem, aproximando o discurso do que realmente interessa. É trocar a pá pela escavadora.

Swaps para totós

Simpson-DohNo Jornal de Negócios, explica-se o que são swaps de taxas de juro e diz-se que são um produto de elevado risco. Não surpreende que os “peritos” da nossa imprensa económica percebam tanto de derivados como de culinária. Estou a ser injusto. Admito que saibam fazer ovos mexidos. Já nos habituaram a tal. Mal posso esperar pelos comentários incisivos do Professor Martelo, do José Trocas-te e do Pincel Sousa Tavares, entre outros.

Mas explicando uma evidência que parece escapar ao génios da lâmpada cá do burgo: O propósito de contratar um swap é de fixar a taxa de juro. (Atenção que o que está a ser noticiado relativamente ao Metro do Porto, etc, é diferente.) Ao diminuir a incerteza, está-se a reduzir o risco, não a aumentá-lo. No exemplo dado pelo Negócios, é verdade que se o contrato estiver fixado nos 2% e a taxa estiver a 1%, o cliente terá de pagar a diferença ao banco. Mas se não existisse o swap, e tivesse contratado taxa fixa, estaria a pagar os mesmos 2% no total. Dizer que isto é arriscado é como dizer que perdemos dinheiro por contratar um seguro automóvel e não nos acontecer nada ao carro.

Fórum da Liberdade em Porto Alegre: um exemplo a seguir

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Aproveitando a conjugação de uma ida ao Brasil para um colóquio académico em Petrópolis e de um simpático convite da organização do Fórum da Liberdade em Porto Alegre tive a oportunidade de, pela primeira vez, assistir ao vivo ao evento.

Apesar de ter já uma considerável experiência acumulada ao longo da última década (como o tempo passa…) em vários eventos com objectivos similares em múltiplos países, posso afirmar que este até foi, até hoje, o que mais me impressionou.

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Como funciona o Bitcoin

Muito interessante: Bitcoin From an Austro-Libertarian Perspective, Part I. Por Robert P. Murphy e Silas Barta.

The first thing we want to stress is that—contrary to the impression one might have gotten—all of Bitcoin’s “bookkeeping” is done in full public view. Far from being encrypted, every Bitcoin transaction is out in the open, subject to independent auditing by anyone who downloads the software. In fact, that’s the very strength of Bitcoin, and why its proponents say that it relies on no central authority: Precisely because no single organization is “in charge” of Bitcoin, it will be extremely difficult to stamp it out of existence if Bitcoin should ever become a commonly accepted currency. Friedrich Hayek talked of privately-issued fiat currencies, but his vision still involved management of each (competing) currency by a particular issuer. In contrast, no single group manages Bitcoin; this is the sense in which it is “decentralized.” (However, it’s true that a commodity money like gold is also decentralized in the same sense.)

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To the extent a country is free…

To Be Born Poor Doesn’t Mean You’ll Always Be Poor. Por Yaron Brook e Don Watkins.

Long after he had established himself as one of America’s leading businessmen, as well as history’s greatest steelmaker, Andrew Carnegie reflected that “We all live in the richest and freest country in the world, where no man is limited except by his own mental attitude and his own desires.”

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“Crescimento Económico”

Produção: pode cair à vontade. Investimento, Poupança, Taxa de Juro, Valor da Moeda, … : podem cair e nem vem nas notícias.

Consumo: tem que subir, seja como for – esgotamento de recursos, impostos sobre quem produz riqueza e gostaria de poupar para mais tarde investir, crédito de estrangeiros, criação de moeda sem equivalente económico, seja como for.

Giro, mas giro mesmo, é quem considera gastar dinheiro emprestado como “crescimento económico”.
Mas é o mundo em que vivemos…

A seguir surgirão as pragas bíblicas

Política feita por pessoas especiais para as pessoas comuns.

“Se alguém do povo votar contra Nicolás Maduro, estará votando contra si próprio, e a maldição de Maracapana cairá (sobre ele)”, disse num discuro, em alusão à batalha de mesmo nome, quando os índios caribes foram derrotados pelos colonizadores espanhóis.

“Se a burguesia vencer, vai privatizar a saúde e a educação, tomar a terra dos índios, e virá a maldição de Maracapana. A maldição é esse grupo que vamos vencer em 14 de abril.”

Fonte: CM.

Catholicism and economics

Catholicism and economics: The poor pope

Philip Booth, a Catholic economist at the Institute of Economic Affairs, a British free-market think-tank, wants his church’s approach to move in a different direction—towards crunchier thinking about the state and the abuses that an over-mighty one can easily commit. Like almost every other Catholic, conservative or radical, who thinks about economics, he sees an important starting point in a famous Vatican document of 1891, Rerum Novarum, which recognised the usefulness of trade unions and collective bargaining. But he thinks that ideas like “solidarity” and “subsidiarity” or devolved decision-making have been debased in left-wing Catholic discourse, to imply support for a redistributionist state. In fact, voluntary or private initiatives can often be a better way of showing “solidarity” with the poor.

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Qual a melhor formação ideal para trabalhar nos mercados financeiros ?

Uma conclusão algo triste para quem, como eu, se licenciou em Economia, mas também uma conclusão da qual não consigo discordar: Qual a formação ideal para quem quer ingressar no mercado financeiro? Por Fernando Ulrich.

4 — Economia: dado o currículo do curso de Economia no Brasil (e em grande parte do mundo), tenho que relegar a faculdade de Economia à última opção. Ressalvo que, fosse o currículo do curso baseado na Escola Austríaca de economia ou menos Marxista e Keynesiana, esse curso poderia ser mais proveitoso. Embora você possa aprender conceitos válidos, e nem todas as faculdades do Brasil serão completamente Marxistas e Keynesianas, certamente você passará alguns meses estudando teorias descabidas que desperdiçarão o seu precioso tempo. Pior ainda, precisará aprender por conta própria os conceitos corretos de economia. Não tenho dúvida que muitas corretoras, bancos, assessores financeiros, etc., divergirão da minha opinião quanto ao curso de economia. Muitos deles certamente passaram por essas faculdades.

Decidido o curso de graduação, onde aprender sobre economia de verdade e como o mundo dos investimentos funciona? Enquanto não temos uma faculdade dedicada ao tema, com certeza a melhor fonte de informação é o Instituto Mises Brasil (www.mises.org.br) e o Ludwig Von Mises Institute (www.mises.org). Não há necessidade de devorar todos os livros de Mises. Afinal de contas, você não quer se tornar um acadêmico, mas sim um investidor de sucesso. Para isso, você deve focar principalmente nos materiais sobre ciclos econômicos, teoria monetária e bancária, e similares. Acredite ou não, mas apenas o domínio do funcionamento dos bancos centrais e como a política monetária afeta os mercados já farão de você um investidor diferenciado. Dicas específicas de leitura? Veja o artigo do Helio Beltrão.

“Ajudar” os trabalhadores excluindo-os do mercado de trabalho

Can the Tablet Please Take Your Order Now?
As Wages Rise, Employers Consider Replacing Workers With Technology; Burger-Flipping Robot May Be on Horizon

Carla Hesseltine is considering buying a few tablet devices for her bakery so customers can place orders for her signature M&M cupcakes on their own, straight from the counter.

The reason: She fears the $7.25 an hour that she currently pays her 10 customer-service employees, mostly college students, could rise, perhaps to $9 an hour under a pledge by President Barack Obama earlier this month.

In order for her Just Cupcakes LLC to remain profitable in the face of higher expected labor costs, Ms. Hesseltine believes the customer-ordering process “would have to be more automated” at the Virginia Beach, Va., chain, which has two strip-mall locations as well as a food van. Thus, she could eliminate the 10 workers who currently ask customers what they would like to eat.

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A Economist e o aquecimento global

Muito interessante, não só por se tratar de uma das mais influentes publicações de centro-esquerda a nível mundial como pelo facto de haver um precedente importante em termos de mudança de posição da Economist nestes domínios: A sea-change on climate sensitivity at The Economist. Por Anthony Watts.

Leitura complementar: Alterações climáticas e cepticismo económico; A realidade alternativa do eco-alarmismo; A magnitude da ignorância subjacente ao alarmismo climático; Eles têm resposta para tudo; Posts sobre ClimateGate n’O Insurgente; Barreiras Lógicas.

A guerra das civilizações está ao rubro

A estratégia imperialista-sionista-libertadeira está claramente a mostrar-se, apostada que está em fazer escalar a guerra de civilizações que conduz ao desaparecimento de (não me lembro bem do quê em) países vizinhos onde antes existiam paz, pão, mel  e tranquilidade. Em doses óptimas.

Poderá José Sócrates ser Nietzscheano?

Para reabilitar a sua imagem pública, eis que depois do seu exílio em França o ex-primeiro ministro José Sócrates volta ao comentário político sob a indignação de muitos, especialmente daqueles que se dizem de direita. Ao ler o pequeno texto do André (Azevedo Alves) a sugerir que José Sócrates se transformou numa manipuladora personagem Nietzscheana que reavalia todos os valores, não pude deixar de pensar: poderá José Sócrates ser Nietzscheano em algum sentido?

À primeira vista, ao comparar a filosofia de Nietzsche com alguém como José Sócrates o veredicto é simples: praticamente tudo o que o autor alemão defende é contrário ao que José Sócrates representa. Senão vejamos: Nietzsche rejeita o igualitarismo moral e biológico, a moralidade de escravo (anti-excelência), o socialismo (que é moralidade de escravo sem Deus), o liberalismo (igualitarismo dos “cobardes”), o governo das massas (e.g. democracia) e o universalismo da moralidade. Tudo isto, podemos dizer, são valores que José Sócrates não só representa como fez deles a sua carreira.

Por outro lado, podemos argumentar que José Sócrates é apenas um produto do tempo em que vive, onde praticamente tudo o que Nietzsche rejeitava é hoje a norma (daí que o filósofo em causa tenha previsto a decadência niilista do ocidente). E é aqui que, no meu entender, a comparação do André se torna pertinente, pois apesar de Sócrates representar o oposto do que Nietzsche defendia, ele pode perfeitamente estar a usar o zeitgeist (espírito dos tempos) para atingir o poder, ou seja, a usar a célebre “vontade de poder” Nietzscheana. Por outras palavras, José Sócrates nega a realidade e tenta vender uma nova realidade sobre o que aconteceu durante o período em que foi primeiro ministro. Isto, claro, para se manter no poder político.  Assim, o real torna-se difuso, confuso e ambíguo, e o ex-primeiro ministro ganha um novo fôlego político através do relativizar da realidade. Se o conseguir, talvez seja um dos “homens superiores” Nietzscheanos. Será?

O homem superior, para Nietzsche, é aquele capaz de afirmar a vida e reavaliar (ou transmutar) os seus valores para sair da moralidade de rebanho e atingir os seus objectivos, sendo esses objectivos a superioridade e a excelência humana.

Aqui torna-se importante questionar se o que Sócrates está a reavaliar são os valores ou a realidade. Podemos admitir que ambos estão interligados, mas são conceitos distintos. Pessoalmente, parece-me que é a leitura da realidade que Sócrates está a tentar mudar e não tanto os valores. Ele continuará a representar a moralidade de escravo que Nietzsche abomina (i.e. o igualitarismo e a promoção da mediocridade de massas).

Podemos complicar a questão ao perguntarmos se Sócrates realmente acredita nesta moralidade que apregoa diariamente. Ao contrário dos mais fervorosos defensores do “egoísmo” da escolha racional, a resposta aqui, parece-me que é positiva. A esmagadora maioria dos políticos acredita ou acaba a acreditar no que diz e auto-motiva-se com esse motor psicológico. Talvez sofram do que Marx apelidou de “falsa consciência” e no fundo estejam mesmo só a procurar o seu interesse, mas na sua mente consideram que o seu auto-interesse está confluído com o do povo.  José Sócrates não será excepção.

Porém, Nietzsche sempre foi um pensador complexo e imprevisível  que surpreendia com a sua subtileza. Por exemplo, Nietzsche considerava Jesus um desses homens superiores que foi capaz de transmutar os seus valores (tal como os da sua época) e revolucionar criativamente o mundo à sua volta.  Mas, tal como nós já desconfiávamos, José Sócrates não é Jesus, e como tal, provavelmente não iria ser poupado pelo pensador alemão. Porquê?

As características que Nietzsche revelou como intrínsecas aos homens superiores são a capacidade para afirmar a sua vontade através da imposição da vontade (pela via bélica se for necessário) e a capacidade para criar construtivamente, ser original e virtuoso sem nunca ceder à moralidade que favorece a mediocridade e a vida fácil dos que não sabem ou conseguem mais. Em suma, o homem superior é um aristocrata no mais profundo sentido clássico do termo.

Certamente, este “homem Nietzscheano” precisa de saber adaptar-se ao contexto, coisa que Sócrates sempre fez maravilhosamente. Contudo, tal não se torna suficiente, pois a adaptação a um contexto medíocre para manutenção desse mesmo contexto é o oposto da superioridade; estando mais próximo do oportunismo. José Sócrates nunca revelou qualquer capacidade para criar ou alterar o trágico rumo europeísta, igualitário e de endividamento que herdou dos anteriores governos da 3ª República. Chegou a primeiro ministro e limitou-se a levar o país e o actual regime para a sua consequência lógica: a bancarrota moral e financeira. Não criou, não mudou, não inovou e não repensou, limitou-se a aproveitar o espírito dos tempos para viver em facilitismo político. Desta forma, o Über nunca esteve ao alcance deste homem.

Dei verbum religiose audiens et fidenter proclamans

As palavras que tornaram Jorge Bergoglio no Papa Francisco

“Quando a Igreja não sai de si própria, torna-se auto-referencial e fica doente”, disse o cardeal argentino aos seus pares na fase pré-conclave. No dia em que aceitou ser Papa respondeu começando por dizer: “Sou um grande pecador”.

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Umwertung aller Werte

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Há algo de profundamente nietzschiano na personagem que José Sócrates criou para si mesmo e na qual acabou – creio – por se transformar.

A forma simultaneamente infantil mas profundamente assertiva como comunica para as “suas” massas (bem patente quando humilha e esmaga com meia dúzia de frases Cavaco Silva), como nega a realidade e a substitui pela sua (muito) própria “narrativa” e, acima de tudo, a absoluta falta de temor e pudor nas suas intervenções fazem de Sócrates um jogador político simultaneamente fascinante, incontrolável e temível.

Não faço ideia se acabará abraçado a um cavalo, mas tenho a certeza que, se o deixarem, Sócrates é homem para levar um país inteiro a olhar fixamente para o abismo.

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Lógica + Evidências

Eu peço desculpas por não ter dado continuidade à conversa, pois passei por uns problemas pessoais nos últimos dias (perdi um gatinho muito querido – sim, isso é MUITO importante para mim, mesmo que para muita gente possa parecer ridículo – e depois fui para o interior do estado, onde a internet é péssima). Mas li o texto do Lourenço Vales e gostei muito. Na verdade, considero que temos mais concordâncias do que discordâncias, mesmo que isso não seja aparente à primeira vista.

Na verdade, minha ideia é bastante simples: não se trata de uma área ser mais ou menos científica do que outra. Ou de uma ciência ser melhor ou pior do que outra. Já pensei assim, mas abandonei esse pensamento. O que vejo agora são pessoas com posturas mais ou menos científicas, dentro de uma visão bastante simples e até ingênua do que é ciência. Não estou pensando em grandes considerações epistemológicas ou metodológicas (sim, elas são importantes, e é por isso que a discussão vale a pena). Estou pensando apenas no mínimo do mínimo: lógica e evidências. Quando estou diante de um fenômeno que desejo entender melhor, tento formular uma explicação que seja logicamente consistente. Isso, para mim, é básico: se posso derivar contradições da minha proposta teórica, então é porque ela fica melhor no cesto de lixo. Mas somente isso não basta. Preciso ter a conexão com o mundo real, e aí entra o papel as evidências. Creio que meus dois grandes “inspiradores” nisso tudo são o Bruce Bueno de Mesquita, um cientista político que admiro por sua produção acadêmica, e o Richard Dawkins, acerca de quem costumo brincar dizendo que é meu “guru espiritual”. Concordo com Dawkins sobre o significado de “teoria”: precisa fazer sentido, mas sem evidências não é suficiente. E o Bruce diz mais ou menos a mesma coisa. Deixo aqui um link para um texto dele que esclarece melhor esse posicionamento.

Em grande parte, minha posição também é influenciada pela minha formação original na Matemática. Como matemático, estou ciente de que é possível criar universos maravilhosos e estudar objetos abstratos que têm propriedades incríveis… e tudo isso dentro de uma lógica precisa e rigorosa, claro. Só que sem nenhum compromisso com o mundo real. É por isso que não considero a Matemática como uma ciência; é por isso que não considero que algo seja “pior” ou “menos importante” só por não ser uma ciência. E é também por isso que insisto tanto na necessidade de termos “lógica + evidências”. Fora disso, podemos discutir falsificabilidade, Lakatos, Quine, Laudan, Feyerabend, as sonatas de Beethoven e assim ad infinitum… E milhões de questões aparecerão, e sem dúvida poderemos enriquecer nosso conhecimento acerca do que significa praticar uma área humana/social, como a Economia ou a Política. Posso abrir mão até da predictibilidade (apesar da minha área de concentração ser a teoria dos jogos e jogos evolutivos na política internacional). Mas não abro mão de querer *aprender* mais a respeito de como o mundo funciona. Sempre ciente, é claro, de que alcançarei um conhecimento sempre incompleto e aprimorável, e jamais verdades absolutas e definitivas. Se eu quisesse respostas fechadas e definitivas para os questionamentos que me motivam, não procuraria por elas na ciência. Há outros livros e lugares que oferecem respostas prontas para as questões mais profundas que a mente humana é capaz de produzir, e muitas vezes ao custo de apenas uma “módica” contribuição mensal… e de uma boa dose de uma certa característica espiritual que, (talvez) infelizmente, creio já ter perdido há muito tempo.

É por isso que me aferro tanto à necessidade de trabalhar sempre com lógica e evidências. Caso contrário, não teríamos muito mais o que fazer além de formular opiniões… e opiniões sustentadas no quê? No mero “direito de opinar”? Achar por achar? Desculpem, mas considero-me no direito de simplesmente não levar “achismos” em consideração. Ou talvez em princípios considerados auto-evidentes, que têm a sua origem em uma cosmologia medieval ou renascentista e que, ao contrário da ciência moderna, não acompanharam o que temos aprendido sobre o mundo desde então? Isso, infelizmente, envolveria a tal da característica espiritual que mencionei no parágrafo acima.

Enfim, essas são as minhas preocupações. Mas estou aqui para participar e para aprender com todos vocês. E agradeço muito pela oportunidade de estar aqui, convivendo e trocando ideias. Mesmo que eu possa estar errado em muitas coisas, e possivelmente estou mesmo, isso não é o mais importante. Não tenho medo de errar, tenho medo é de não atentar para os possíveis erros e, assim, não ter a oportunidade de poder reconhecê-los enquanto tais e rever meus conceitos quando necessário.