O que não se vê

O meu primeiro artigo no Observador: O que não se vê

Na economia e na política, como em quase todos os aspectos da vida, o que não se vê é frequentemente tão ou mais importante do que o que se consegue ver. O economista francês Frédéric Bastiat – um dos mais importantes pensadores do séc. XIX, que foi também jornalista e político – demonstrou abundantemente essa verdade ao longo de toda a sua obra, com destaque para o ensaio “Ce qu’on voit et ce qu’on ne voit pas”.

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Observador, dia 1

Hoje é o dia 1 do Observador, um novo projecto de informação que, como escrevi aqui, espero possa dar um contributo importante para a melhoria do pouco animador cenário da comunicação social em Portugal.

Para a abertura, optei por escrever sobre o que não se vê, recordando o grande – e sempre actual – Frédéric Bastiat.

Nesta edição de estreia escreve também o insurgente Alexandre Homem Cristo: Três anos sem alternativas.

Aqui ficam também os links para os restantes textos de opinião de hoje:

A troika nunca esteve em Portugal. Por Rui Ramos.
Virtudes e vícios de um consenso europeu. Por José Manuel Fernandes.
A minha lista de desejos para o Observador. Por Helena Matos.
Compromisso político, uma antiga incapacidade portuguesa. Por Fátima Bonifácio.
Partida completa. Por Paulo de Almeida Sande.

Império feito de coincidências

O faz-tudo Aleksandr Borodai.

O faz-tudo Aleksandr Borodai.

O novo Primeiro-Ministro da República Popular de Donetsk, o moscovita Aleksandr Borodai é o mesmo Aleksandr Borodai que foi director dos serviços secretos russos e responsável pela política de informação e projectos especiais?

Gary S. Becker (1930-2014)

Morreu Gary Becker, o autor da Escola de Chicago que mais importantes contributos produziu para as Ciências Sociais. É também, por várias razões, uma perda muito significativa para a Mont Pèlerin Society: Gary S. Becker, 1930-2014. Por Peter Klein.

I attended the 1992 meeting of the Mont Pèlerin Society, when Becker was president. Someone arranged for Becker to meet with me and the other graduate students. The sense among the student attendees was that MPS was becoming, under Becker’s leadership, too mainstream, respectable, and tame. Where were the radical libertarians, Austrians, and other free thinkers? As I recall, poor Becker was bombarded with a bunch of questions along these lines, which he handled kindly and gracefully. He had nothing but good things to say about Mises, Hayek, Hazlitt, and the other MPS founders. A fine gentleman.

A friend of mine was at Chicago in the 1990s when Becker was in his mid-60s and already a Nobel Laureate. Like most economists in the department, my friend went to the office and worked Saturdays and Sundays. Becker was usually the first to arrive and the last to leave. “He’s not only the smartest person here,” I was told, “but the hardest worker!”

A Blueprint for Britain: Openness not Isolation

Iain Mansfield named winner of €100,000 IEA Brexit Prize

Iain Mansfield, a 30 year old member of the diplomatic service based at the British embassy in Manila, will this evening be announced as the winner of the €100,000 IEA Brexit Prize. (…) His winning entry calls for the UK to join the European Free Trade Association, as well as for the introduction of a ‘Great Repeal Bill’ to bring about a comprehensive review and, where appropriate, repeal, of EU regulations. These measures would prevent economic shocks in trade and would reduce the bureaucratic burden on British business, unshackling the wider economy.

It concludes that a Brexit must ultimately be a political rather than an economic decision, yet calculates that if it occurred, the UK economy would experience a £1.3bn increase in GDP. Significantly fewer regulations, coupled with greater trade with emerging economies, could provide an overwhelmingly positive future outlook for an independent Britain.

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Artigos de opinião de Milton Friedman

Milton Friedman published more than eight hundred popular and public policy columns and articles between 1943 and 2006.

This comprehensive listing of Milton Friedman’s commentary pieces, including his columns for the Wall Street Journal, New York Times, San Francisco Chronicle, and Newsweek, can be sorted by title, contributors, source, and date.

Da série “os russos estão a ficar muito americanos” II

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Pallywood, versão russa.

Pro-Russian protester and Maidan mercenary in one skin: Russian propaganda makes epic blooper (video)

E como cereja em cima do bolo, um tweet esclarecedor de Sergey Lavrov, Ministro russo dos Negócios Estrangeiros.

Lavrov

Programa da 27ª edição do Fórum da Liberdade

Aqui fica o programa da 27ª edição do Fórum da Liberdade, que se realizará nos próximos dias 7 e 8 de Abril, mais uma vez na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, em Porto Alegre, no Brasil.

Integrarei com muito gosto o painel de encerramento, juntamente com Leandro Narloch e Jeffrey Tucker.

Pessoalmente, estou também bastante curioso para assistir ao painel imediatamente anterior, que reunirá Gustavo Franco, Andrew Schiff e Marcelo Rebelo de Sousa.

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Sobre a desigualdade

O Observatório das Desigualdades e outras intermináveis instituições costumam dar uma perspectiva incompleta da questão da desigualdade na distribuição de rendimentos em Portugal. Dado que uma vez mais se fala do tema e se conclui em auto-de-fé que os ricos são os déspotas do flagelo, talvez seja interessante dar uma outra abordagem ao tema.

Recuperando este artigo de Nuno Alves do Banco de Portugal (2012), que recorre a dados da EU-SILC 2010 e não inclui as sobretaxas de solidariedade, algumas estatísticas que ficam sempre por apresentar:

1) O último decil de rendimento bruto (os 10% “mais ricos” em rendimento auferido) pagam 43% do total dos impostos, o valor mais elevado da União Europeia. A progressividade apresenta um enviesamento mais acentuado que a média da UE, incidindo especialmente sobre os que obtêm maior rendimento:

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2) No panorama europeu, só existe um país em toda a União Europeia onde a fracção de imposto sobre o rendimento paga pelos dois últimos decis do rendimento bruto é superior à de Portugal, o Reino Unido. Para todos os outros países, incluindo a social-democracia nórdica, os ricos pagam bem menos. Na Suécia, os últimos dois decis pagam 43.6%, significativamente menos do que os 61.2% de Portugal.

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Posto isto, talvez seja necessário rever o julgamento popular anti-rico, a típica ostracização dos “ricos” e o discurso trauliteiro contra este ou aquele. Discurso este que vem dos idos ancestrais e que Almeida Garrett, para não citar nenhuma das centenas de opinadores que o fazem diariamente, tão bem sintetiza:

“E eu pergunto aos economistas políticos, aos moralistas, se já calcularam o número de indivíduos que é forçoso condenar à miséria, ao trabalho desproporcionado, à desmoralização, à infâmia, à ignorância crapulosa, à desgraça invencível, à penúria absoluta, para produzir um rico?”
— Almeida Garrett

Perceber que não é preciso condenar indivíduos à miséria ou ao trabalho desproporcionado para produzir um rico talvez seja um bom começo. Aqueles que produzem riqueza para o país não são a causa do problema, são parte da solução.

Costumes liberais e fait-divers II

All Men In North Korea Are Now Reportedly Required to Get the Same Haircut as Kim Jong Un

Sabemos que a crítica social dirigida à Coreia do Norte não é mesmo nada inocente. Espero que a crítica fashion-capilar o seja.

Palestrantes para a 27ª edição do Fórum da Liberdade

Aqui fica a lista actualizada dos palestrantes confirmados para a 27ª edição do Fórum da Liberdade, que se realizará nos próximos dias 7 e 8 de Abril, mais uma vez na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, em Porto Alegre, no Brasil.

Já tendo tido oportunidade de assistir, considero o Fórum da Liberdade o mais impressionante evento deste tipo no mundo e será um prazer e uma honra participar este ano como palestrante.

Fórum da Liberdade – 26 anos de história

França, 2014

Apesar de se tratar de França e de eleições (municipais) os apelos para que os fiéis optem pela abstenção roçam o fantástico.

Anâ-Muslim is a nonprofit organisation recognised by the French state. Its members share their vision of Islam on the organisation’s website, on its Facebook and Twitter pages, and onYouTube. A few days ago, Anâ-Muslim called on Muslims to boycott French municipal elections, which will take place on March 23 and 30. They explain this decision by using various religious arguments and by saying that for a Muslim person, “voting is an act of submission … while abstaining is an act of resistance”.On its website, the organisation explains that this campaign is aimed at Muslim people between 18 and 40 years old. They argue that refusing to participate in French politics is a way to “preserve their faith”: “Voting means recognising the power of men on earth and giving them absolutely sovereignty to create their own laws that have nothing to do with Islam.” The organisation’s goal, as described in their mission statement, is to “teach Islam to Muslims … because Muslims are the only ones who can control their destiny … and contribute to Islam’s resurgence so that humanity may be saved”.

Raquel Varela: uma investigadora sintomática

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O JCD e o Rodrigo já comentaram (e bem) o caso, mas a enormidade dos disparates é de tal ordem que merece novo destaque e mais uma breve reflexão.

Entre a longa sequência de disparates, distorções e erros, destaco um que, pela sua natureza, deveria garantir um chumbo em qualquer cadeira de Introdução à Economia, Estatística, Metodologia, ou similar, de um primeiro ano de licenciatura:

“Se nós produzimos 100 e temos 130 para pagar, é óbvio que não é pagável.”

Que erros grosseiros como este passem sem qualquer reparo por parte dos jornalistas é lamentável, mas não surpreende, dada a falta de preparação e os enviesamentos ideológicos de grande parte dos profissionais da comunicação social.

O que é ainda mais sintomático é que a autora de erros absolutamente básicos e grosseiros como este seja investigadora do Instituto de História Contemporânea da Universidade Nova de Lisboa, onde coordena o “Grupo de Estudos do Trabalho e dos Conflitos Sociais”.

Leitura complementar: Quem é Raquel Varela ?

Da social-mediatização da Crimeia

Link permanente da imagem incorporada

As far as I can tell from Fox News coverage, Obama just annexed Crimea and Putin is condemning him.

De facto, a Rússia não aguenta tanta pressão. Precisa de respirar. O Império é incapaz de se sentir à vontade com o avanço da débil União Europeia, a bater-lhe à porta. Não descubro as razões pelas quais se mantêm inalterados os 1000 quilómetros de fronteira com a Finlândia, membro do bloco económico europeu desde 1 de Janeiro de 1995.

Receita de molho tártaro segundo o chef Putin

We have asked the Crimean Tatars to vacate part of their land, which is required for social needs” .

Rustam Temirgaliyev, Primeiro Ministro da Crimeia.

Ao que tudo indica, as narrativas mudaram. Ontem, Vladimir Putin anunciou no Parlamento russo que  a decisão de anexar “representa todas as origens étnicas da Crimeia”, prometendo que na península “se falará russo, ucraniano e tártaro”. São os pensadores neo-conservadores da Europa, EUA e Japão. que delinearam este remake histórico de recolocação de tártaros por imperativos sociais. Acreditemos.

Há oito dias escrevia n’A BatalhaReferendo em molho tártaro.

 

Economia, política e bolos

Hoje, no Jornal de Negócios, a convite do João Cândido da Silva, eu e o meu caro amigo Luís Aguiar-Conraria, distinto representante da esquerda que sabe fazer contas, falamos sobre a saída da Troika, o estado do país, a ciência económica e muito mais. Pelo meio ainda recomendamos livros e filmes. Só faltou mesmo divulgarmos receitas de bolos, o que fica para uma próxima oportunidade.

Surrealizar por aí

A solução para colocar Vladimir Putin em sentido não deixa de ser hilariante.

I’d also raise our gasoline tax, put in place a carbon tax and a national renewable energy portfolio standard — all of which would also help lower the global oil price (and make us stronger, with cleaner air, less oil dependence and more innovation).

 

É tempo de reler Putin

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E lembrar o que escreveu sobre o primado da lei internacional e o apropriado usa da força.

It is extremely dangerous to encourage people to see themselves as exceptional, whatever the motivation. There are big countries and small countries, rich and poor, those with long democratic traditions and those still finding their way to democracy. Their policies differ, too. We are all different, but when we ask for the Lord’s blessings, we must not forget that God created us equal.

Relida a obra-prima sou levado a repetir-me: o Presidente Putin descobriu, numa notável peça retórica, que a utilidade das leis e do bom-senso internacionais podem servir os seus interesses. Nada contra este processo natural mas já me custa endeusar a criatura. É que já me chegam um Nobel da Paz como Arafat ou um outro como Obama.

Obrigado, Putin

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A Rússia determinou que a economia da Ucrânia necessita urgentemete de ajuda. Na boa  tradição não imperial, serão enviados os primeiros e bons tanques russos. Não descubro motivos para preocupações de maior, o Presidente Obama fará uma declaração imperialista sobre a Ucrânia.

Cartoon: Lindsay Fincher

Os imperialistas americanos, a UE e a NATO não dão descanso às pessoas

“Three days ago, they moved the fence 30 yards closer to my home,” says Georgian farmer Georgi Chatlitschvi. “The Russian border guards told me my orchards were no longer mine—they were part of South Ossetia, not Georgia. Those apples were my livelihood. Now they sit behind the fence, on land they tell me is part of a different country.”

Georgi continues, his face washed out with exhaustion: “We are scared. I haven’t slept for days. Maybe tomorrow I will lose my house. This is our land—we’ve lived here all our lives—and it’s being stolen from us.”

I’m told that, during the summertime, the hills, valleys, and farmlands around the Georgian village of Gogeti are lush and beautiful. Today, a bone-shearing December wind blasts along the Tskhinvali Valley. The muddy, half-thawed expanse in front of us looks like a wasteland.

In the near distance, the green, motion-sensitive fence erected by the Russians runs the entire length of the horizon. Behind it, on the South Ossetian side, sits the towering hulk of a Russian military base. Farther on, the Caucasus Mountains run northward, all the way into Russia.

James Rippingale é o autor da reportagem RUSSIA IS STILL BUILDING A ‘RURAL BERLIN WALL’ THROUGH GEORGIA, para a Vice.

Fez-se história: exclusivo O Insurgente

A conversa de Paulo Fonseca com quem o escolheu. Sabe-se que questões sobre a fruta, o chocolatinho e as meias de leite não foram abordadas. Aproveito a oportunidade para reforçar o apoio, solidariedade e estima pela estrutura portista, na pessoa de Paulo Fonseca.

Adenda: O comunicado de Pinto da Costa sobre a questão de trânsito que está a incomodar os portistas e a estrutura que dirige o clube.

Palestra Tocqueville 2014 – Marc Plattner, 20 de Fevereiro, em Lisboa

Palestra_Tocqueville_2014

Palestra Anual Alexis de Tocqueville 2014 do Instituto de Estudos Políticos da Universidade Católica Portuguesa

A Palestra Anual Alexis de Tocqueville 2014 intitulada “The Era of Democratic Transitions” será proferida pelo distinto orador convidado, Dr. Marc Plattner – Vice President for Research and Studies, National Endowment for Democracy and Co-editor, Journal of Democracy- no dia 20 de Fevereiro de 2014, pelas 18h, na sala 511 da Católica Lisbon School of Business and Economics – Universidade Católica, seguida de Jantar.