A Escola de Salamanca

The School of Salamanca

Um breve mas recomendável video de introdução à Escola de Salamanca.

No final são mostrados os livros Faith and Liberty: The Economic Thought of the Late Scholastics, de Alejandro Antonio Chafuen e The Salamanca School, de que sou autor juntamente com José Manuel Moreira.

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Estoril Political Forum 2014

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Recordo que termina hoje o prazo para inscrições na edição 2014 do Estoril Political Forum, organizado pelo Instituto de Estudos Políticos da Universidade Católica Portuguesa. O Estoril Political Forum 2014 terá lugar de 23 a 25 de Junho e tem como tema geral “Reconsidering the Third Wave of Democratization”.

O programa preliminar completo está disponível aqui. As inscrições podem ser feitas aqui.

Ainda relativamente ao IEP-UCP, decorre até 30 de Junho a 2ª fase de candidaturas ao MA in Governance, Leadership and Democracy Studies e até 11 de Julho a 1ª fase de candidaturas aos programas de Mestrado e a Doutoramento em Ciência Política e Relações Internacionais.

Estoril Political Forum 2014 – “Reconsidering the Third Wave of Democratization”

De 23 a 25 de Junho terá lugar a edição 2014 do Estoril Political Forum, organizado pelo Instituto de Estudos Políticos da Universidade Católica Portuguesa. O Estoril Political Forum 2014 tem como tema geral “Reconsidering the Third Wave of Democratization”.

O programa preliminar completo está disponível aqui. As inscrições podem ser feitas aqui até amanhã, dia 16 de Junho.

Entretanto, decorre até 30 de Junho a 2ª fase de candidaturas ao MA in Governance, Leadership and Democracy Studies, programa em inglês oferecido pelo IEP-UCP em Lisboa.

Até 11 de Julho, decorre a 1ª fase de candidaturas aos programas de Mestrado e Doutoramento em Ciência Política e Relações Internacionais, do IEP-UCP, em Lisboa.

António Costa, Rui Rio, o pântano e o Síndroma de Hollande

francois-hollande-vise-dans-la-chansonOntem, “nos facebooks” (como diria Paulo Futre), António José Seguro veio confessar, aos que usam a sua página para o insultar sem comedimento, que estava “indignado”. Tudo porque “a irresponsabilidade do António Costa” e a sua “ambição pessoal” terem provocado “danos” ao PS, na figura de umas sondagens que “dão uma queda brutal” nas intenções de voto aos socialistas. Pena que Seguro não note como pelo menos uma dessas sondagens indica uma preferência significativa pelo seu opositor, sugerindo a qualquer um que ainda possua a capacidade de raciocínio que talvez os “danos” sejam causados, não pela “irresponsabilidade” de Costa, mas pela nulidade de Seguro. Se alguém precisava de mais alguma prova de que Seguro não vive neste mundo, o próprio tratou de as dissipar com a partilha deste seu estado de alma.
Seguro indignado

Ao contrário do que Seguro aparentemente crê, o “problema” do PS não está na atitude “irresponsável” de Costa, mas no próprio Seguro. Há dias, uma amiga minha com a falta de juízo necessária para ser uma habitual eleitora socialista, mas sem chegar à loucura de apreciar o “engenheiro” Sócrates, dizia-me como seria incapaz de votar “no Seguro”. Eu espantei-me que alguém que em 2011 tenha votado num PS liderado por alguém que execrava – Sócrates – fosse agora incapaz de continuar a votar no PS só porque Seguro é o líder. Meio indignada, ela dizia-me que em 2011 tinha votado “no PS, não no Sócrates”, e que Seguro era “mau demais” para ser Primeiro-Ministro e ela, de boa consciência, dar o seu voto a um partido por ele liderado.

A amostra pode ser pouco representativa, mas é – para além de muito boa companhia, devo eu acrescentar no caso de isto lhe chegar aos olhos – sintomática da fraqueza ambulante de Seguro: há pessoas, “simpatizantes” do PS e tudo, para quem nem a plena consciência da política pouco honesta de Sócrates foi suficiente para cortar o cordão umbilical com um partido que está para além das suas lideranças momentâneas, mas que ficam aterradas com a possibilidade uma completa nulidade como Seguro ter responsabilidades governativas, ao ponto de porem de lado tais reservas.

Gente afecta à coligação governamental talvez se divirta com estas atribulações. Mas este não é apenas um problema de Seguro, nem sequer um simples problema do PS. É um problema do país. Como já aqui escrevi, as “europeias” mostraram a falência da governação de Passos Coelho, mas também como a ela não corresponde uma afirmação do Partido Socialista com alternativa credível ao exercício do poder, a um ano de eleições legislativas. Se tudo ficasse na mesma, a única saída para o vazio de poder daí resultante seria um “Bloco Central”. Uma solução que, em qualquer circunstância, tem o problema de trazer para dentro do governo um conflito político que deveria estar fora dele, no parlamento e na sociedade em geral, e que nas condições actuais teria a agravante de juntar dois partidos destituídos de qualquer força, que não juntariam outra coisa além do desprezo generalizado de uma população que já o nutre por ambas as partes. António Costa, ao avançar para uma mudança de liderança, abre a possibilidade de se encontrar uma saída para este impasse, caso a essa mudança no PS corresponda uma outra atitude do eleitorado para com o partido.

Mas duvido que Costa seja capaz de ultrapassar o “Síndroma de Hollande”: nas nossas democracias modernas, que enfrentam uma crise de sustentabilidade do Estado Social, os eleitores votam, em grande medida, não a favor de uma qualquer das alternativas à disposição, mas contra o poder do momento, com o propósito de não perderem o que ainda não lhes foi tirado; chegado ao governo, qualquer partido tem que aplicar medidas de consequências duras e impopulares, e logo o descontentamento que arrumou com o antecessor se vira contra o novo poder, e com tanta mais força quanto foi dito aos eleitores que os sacrifícios anteriores eram excessivos ou escusados.

Ainda recentemente, na Quadratura do Círculo, Costa dizia – com razão – que o actual Governo foi parar ao poder dizendo que iria cortar nas “gorduras do Estado”, para logo descobrir que as “gorduras” não eram assim tantas, e que só atacando os problemas estruturais da despesa pública se poderia controlá-la. Mas, analisando o discurso de Costa, o que tem dito ele, senão exactamente o mesmo que critica no actual governo? Costa tem dito insistentemente que o governo foi demasiado longe na sua “austeridade”, e que haveria outras maneiras de cortar na despesa. A não ser que mude radicalmente de discurso nos próximos meses, Costa talvez consiga ir morar para São Bento, mas apenas para logo quebrar as promessas explícitas ou implícitas que fará para lá chegar. É por isso que, ao contrário do Carlos, tenho algumas dúvidas que António Costa venha a gozar de melhores “condições políticas, mediáticas e institucionais” para “corrigir os actuais desequilíbrios” do país. A única forma de ultrapassar o problema posto pelo “Síndroma de Hollande” só poderá passar por não esconder aos eleitores as dificuldades que os esperam, e convencê-los da sua necessidade. Sem o fazer – e nada até hoje mostra que António Costa tenha vontade de o fazer – não será de espantar que o destino de um governo de Costa se assemelhe ao do seu amigo François, e mais não venha a ser que um pequeno interregno da crise do sistema político português, não a sua solução.

Com um pouco de sorte, talvez da outra metade da crise ela possa vir. Pois pelas mesmas razões que é necessária uma mudança de liderança no PS, seria avisado mudar de líder no PSD (sem que o Governo se demita. Eleições antecipadas seriam a melhor forma de nada mudar no PS e no PSD). Afinal, a vitória do PS só parece fraca porque o resultado da coligação PSD/CDS foi tão miserável que seria de esperar um massacre eleitoral por parte dos socialistas. E por sorte, no PSD, há alguém – Rui Rio – que há mais de uma década alertou para os problemas que o país enfrenta agora (veja-se o livro que publicou em 2002), e que foi capaz de ir para eleições sem medo de as perder, disposto a correr o risco de ser impopular mas não abdicando de deixar bem claro o que entende ser necessário fazer.

Claro que Rio é também alguém que, em já vários momentos de crise do PSD e do país, se recusou a descer a Lisboa e repetir as suas façanhas no Porto, quem sabe um sintoma de que não tem a vontade ou capacidade de enfrentar os problemas nacionais. Mas os resultados das “europeias”, que longe de terem criado uma crise, mostraram antes o pântano em que o país já se encontrava, abriram também caminho para sairmos dele. É preciso é haver quem se mexa.

O pântano

PantanoUma incompreensível excitação tomou conta do Largo do Rato. Durante a campanha eleitoral para as “europeias”, o PS sentiu-se suficientemente à vontade para resgatar José Sócrates do seu programa na RTP que só é visto pelo dr. Silva Pereira e o João Galamba, e exibi-lo como trunfo eleitoral num famoso restaurante (de fraca qualidade) da Baixa lisboeta. Ontem, após ter vencido as eleições europeias com 31,4% dos votos – contra os 27,7% da coligação governamental – António José Seguro apareceu aos portugueses que não estavam a ver o “Poder do Amor” ou o “Rising Star” afirmando, aparentemente sem qualquer sombra de hipocrisia, que “este governo chegou ao fim” e que a vitória socialista significa que “os portugueses” querem um governo “liderado pelo PS”. A crer nos jornais de hoje, ninguém – nem os militantes do PS – concorda com ele.

São várias as vozes que clamam por uma acalmia dos entusiasmos socialistas, e todas elas notam a escassa margem da vitória. Mas mais do que uma questão de quantidade de votos no PS, a fraqueza da vitória rosa é uma questão de qualidade desses mesmos votos: Seguro está muito enganado se pensa que as pessoas votaram no seu partido com uma grande convicção de que este mudará o país nos próximos anos, em vez de por mera repulsa contra a coligação governamental. E mais enganado estará se acreditar que não faz diferença.

Imaginemos que esta vitória do PS lançará, como Seguro deseja, o partido para uma vitória incontestável nas legislativas. Admitamos até que, quantitativamente, essa hipotética vitória venha a ser “estrondosa”. Será muito diferente tal vitória ser resultado de uma adesão convicta e forte ao programa do PS, de uma confiança de que os socialistas terão uma política que melhorará as circunstâncias do nosso país, ou ser resultado de uma mera rejeição do actual Governo. Não custa perceber porquê. Imaginemos que, por alguma razão, o PS, uma vez alçado a São Bento, se vê forçado a aplicar alguma medida de consequências difíceis e impopular junto do eleitorado: se a vitória socialista resultar dessa adesão ao programa do partido, essas eventuais medidas serão relativamente bem aceites, porque em certo sentido já o teriam sido anteriormente, com a identificação forte do eleitorado com a perspectiva de uma governação liderada por Seguro. Já se Seguro for parar a São Bento fruto do desprezo que o eleitorado parece sentir por PSD e CDS/PP, que ninguém duvide que à primeira medida impopular que prejudique de forma imediata as condições de vida de algum sector da sociedade portuguesa, logo o descontentamento contra o actual governo que pudesse ter conduzido Seguro ao poder se viraria contra ele.

Ora, se à apesar de tudo escassa votação no PS, ao excelente resultado da CDU, ao jubileu de “Márinho e Pinto” e à elevadíssima abstenção, juntarmos a incredulidade com que o triunfalismo da declaração de Seguro foi recebido pelos poucos que lhe prestam atenção, dificilmente restará alguma dúvida de que esta foi, qualitativamente ainda mais que quantitativamente, uma vitória fraca do PS, que talvez sirva para o lançar para o poder mas que nenhumas condições para o exercer lhe trará. Os partidos encararam estas “europeias” como uma espécie de jogo de pré-temporada para as legislativas. Mas o PS, se bem que tenha ganho o encontro, não jogou de jeito. Nada que devesse apoquentar o português comum, se o problema se ficasse por aí.

Resta que não fica. Ninguém contestará que a saúde de um sistema político se pode talvez medir pela capacidade que este tenha de gerar dentro de si uma alternativa a um poder que tenha perdido o favor popular. Estas eleições, e o clima político que as precedeu, parecem indicar que a confiança popular no actual Governo se perdeu. O que claramente não indicam é que o eleitorado veja uma clara alternativa no PS. Por isso 66,7% dos portugueses ficaram em casa, 12,6% votaram na CDU, 7,4% branco ou nulo, 7,1% no dr. “Márinho”, 4,5% no Bloco de Esquerda, 2,1% no Livre, e 6,8% nas mais ou menos folclóricas restantes agremiações que se apresentaram a concurso. À falência da governação de Passos Coelho não correspondeu – pelo menos por enquanto – uma afirmação do Partido Socialista com alternativa credível ao exercício do poder. Ficou apenas o “pântano” que um dia um antigo mentor de Seguro disse querer evitar.

Há, claro, uma “solução” óbvia para o problema, que muitas alminhas – algumas delas penadas – pedem insistentemente: aquilo a que noutros tempos se chamava de uma “fusão”, ou com menor benevolência, de “pastel”, a chamada à governação em simultâneo do poder decrépito e da alternativa ainda em gestação. Embora aparentemente engenhosa – e atractiva para quem queira aparecer como sua eminência parda e superficialmente neutral – a “solução” não solucionaria grande coisa. Em vez de produzir um poder forte, conseguiria apenas trazer duas fraquezas para a sua sede, que não juntariam outra coisa além do desprezo generalizado de uma população que já o nutre por ambas as partes, e que tenderia a acentuá-lo se fizessem um cozinhado deste género. Além de que, o que não é irrelevante, traria para dentro do governo um conflito político que deveria estar fora dele, no parlamento e na sociedade em geral. Esta “solução” seria assim apenas provisória, e com a agravante de degradar as já de si muito precárias condições de exercício do poder num país com cada vez maior desconfiança na classe política. O “Bloco Central” pode ter servido em 83/85, mas convém não esquecer que a seguir veio a adesão à CEE e os seus abençoados fundos, um verdadeiro maná caído dos céus berlinenses que permitiu camuflar os nossos males internos e as querelas insanáveis que eles tendem a produzir. Mas em 2016 ou 2017 não virão fundos, antes exigências de “austeridade” e de medidas impopulares.

O resultado das eleições de ontem, apesar da esfuziante celebração de Seguro, não deve alegrar ninguém. Não penso que seja exagero dizer que é o pior que podia acontecer. Ao PS, ao PSD e CDS/PP, e acima de tudo – pelo que põe a nu e deixa antever – a todo o país.

O que não se vê

O meu primeiro artigo no Observador: O que não se vê

Na economia e na política, como em quase todos os aspectos da vida, o que não se vê é frequentemente tão ou mais importante do que o que se consegue ver. O economista francês Frédéric Bastiat – um dos mais importantes pensadores do séc. XIX, que foi também jornalista e político – demonstrou abundantemente essa verdade ao longo de toda a sua obra, com destaque para o ensaio “Ce qu’on voit et ce qu’on ne voit pas”.

Observador, dia 1

Hoje é o dia 1 do Observador, um novo projecto de informação que, como escrevi aqui, espero possa dar um contributo importante para a melhoria do pouco animador cenário da comunicação social em Portugal.

Para a abertura, optei por escrever sobre o que não se vê, recordando o grande – e sempre actual – Frédéric Bastiat.

Nesta edição de estreia escreve também o insurgente Alexandre Homem Cristo: Três anos sem alternativas.

Aqui ficam também os links para os restantes textos de opinião de hoje:

A troika nunca esteve em Portugal. Por Rui Ramos.
Virtudes e vícios de um consenso europeu. Por José Manuel Fernandes.
A minha lista de desejos para o Observador. Por Helena Matos.
Compromisso político, uma antiga incapacidade portuguesa. Por Fátima Bonifácio.
Partida completa. Por Paulo de Almeida Sande.

Império feito de coincidências

O faz-tudo Aleksandr Borodai.

O faz-tudo Aleksandr Borodai.

O novo Primeiro-Ministro da República Popular de Donetsk, o moscovita Aleksandr Borodai é o mesmo Aleksandr Borodai que foi director dos serviços secretos russos e responsável pela política de informação e projectos especiais?

Gary S. Becker (1930-2014)

Morreu Gary Becker, o autor da Escola de Chicago que mais importantes contributos produziu para as Ciências Sociais. É também, por várias razões, uma perda muito significativa para a Mont Pèlerin Society: Gary S. Becker, 1930-2014. Por Peter Klein.

I attended the 1992 meeting of the Mont Pèlerin Society, when Becker was president. Someone arranged for Becker to meet with me and the other graduate students. The sense among the student attendees was that MPS was becoming, under Becker’s leadership, too mainstream, respectable, and tame. Where were the radical libertarians, Austrians, and other free thinkers? As I recall, poor Becker was bombarded with a bunch of questions along these lines, which he handled kindly and gracefully. He had nothing but good things to say about Mises, Hayek, Hazlitt, and the other MPS founders. A fine gentleman.

A friend of mine was at Chicago in the 1990s when Becker was in his mid-60s and already a Nobel Laureate. Like most economists in the department, my friend went to the office and worked Saturdays and Sundays. Becker was usually the first to arrive and the last to leave. “He’s not only the smartest person here,” I was told, “but the hardest worker!”

A Blueprint for Britain: Openness not Isolation

Iain Mansfield named winner of €100,000 IEA Brexit Prize

Iain Mansfield, a 30 year old member of the diplomatic service based at the British embassy in Manila, will this evening be announced as the winner of the €100,000 IEA Brexit Prize. (…) His winning entry calls for the UK to join the European Free Trade Association, as well as for the introduction of a ‘Great Repeal Bill’ to bring about a comprehensive review and, where appropriate, repeal, of EU regulations. These measures would prevent economic shocks in trade and would reduce the bureaucratic burden on British business, unshackling the wider economy.

It concludes that a Brexit must ultimately be a political rather than an economic decision, yet calculates that if it occurred, the UK economy would experience a £1.3bn increase in GDP. Significantly fewer regulations, coupled with greater trade with emerging economies, could provide an overwhelmingly positive future outlook for an independent Britain.

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Artigos de opinião de Milton Friedman

Milton Friedman published more than eight hundred popular and public policy columns and articles between 1943 and 2006.

This comprehensive listing of Milton Friedman’s commentary pieces, including his columns for the Wall Street Journal, New York Times, San Francisco Chronicle, and Newsweek, can be sorted by title, contributors, source, and date.

Da série “os russos estão a ficar muito americanos” II

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Pallywood, versão russa.

Pro-Russian protester and Maidan mercenary in one skin: Russian propaganda makes epic blooper (video)

E como cereja em cima do bolo, um tweet esclarecedor de Sergey Lavrov, Ministro russo dos Negócios Estrangeiros.

Lavrov

Programa da 27ª edição do Fórum da Liberdade

Aqui fica o programa da 27ª edição do Fórum da Liberdade, que se realizará nos próximos dias 7 e 8 de Abril, mais uma vez na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, em Porto Alegre, no Brasil.

Integrarei com muito gosto o painel de encerramento, juntamente com Leandro Narloch e Jeffrey Tucker.

Pessoalmente, estou também bastante curioso para assistir ao painel imediatamente anterior, que reunirá Gustavo Franco, Andrew Schiff e Marcelo Rebelo de Sousa.

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Sobre a desigualdade

O Observatório das Desigualdades e outras intermináveis instituições costumam dar uma perspectiva incompleta da questão da desigualdade na distribuição de rendimentos em Portugal. Dado que uma vez mais se fala do tema e se conclui em auto-de-fé que os ricos são os déspotas do flagelo, talvez seja interessante dar uma outra abordagem ao tema.

Recuperando este artigo de Nuno Alves do Banco de Portugal (2012), que recorre a dados da EU-SILC 2010 e não inclui as sobretaxas de solidariedade, algumas estatísticas que ficam sempre por apresentar:

1) O último decil de rendimento bruto (os 10% “mais ricos” em rendimento auferido) pagam 43% do total dos impostos, o valor mais elevado da União Europeia. A progressividade apresenta um enviesamento mais acentuado que a média da UE, incidindo especialmente sobre os que obtêm maior rendimento:

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2) No panorama europeu, só existe um país em toda a União Europeia onde a fracção de imposto sobre o rendimento paga pelos dois últimos decis do rendimento bruto é superior à de Portugal, o Reino Unido. Para todos os outros países, incluindo a social-democracia nórdica, os ricos pagam bem menos. Na Suécia, os últimos dois decis pagam 43.6%, significativamente menos do que os 61.2% de Portugal.

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Posto isto, talvez seja necessário rever o julgamento popular anti-rico, a típica ostracização dos “ricos” e o discurso trauliteiro contra este ou aquele. Discurso este que vem dos idos ancestrais e que Almeida Garrett, para não citar nenhuma das centenas de opinadores que o fazem diariamente, tão bem sintetiza:

“E eu pergunto aos economistas políticos, aos moralistas, se já calcularam o número de indivíduos que é forçoso condenar à miséria, ao trabalho desproporcionado, à desmoralização, à infâmia, à ignorância crapulosa, à desgraça invencível, à penúria absoluta, para produzir um rico?”
— Almeida Garrett

Perceber que não é preciso condenar indivíduos à miséria ou ao trabalho desproporcionado para produzir um rico talvez seja um bom começo. Aqueles que produzem riqueza para o país não são a causa do problema, são parte da solução.

Costumes liberais e fait-divers II

All Men In North Korea Are Now Reportedly Required to Get the Same Haircut as Kim Jong Un

Sabemos que a crítica social dirigida à Coreia do Norte não é mesmo nada inocente. Espero que a crítica fashion-capilar o seja.

Palestrantes para a 27ª edição do Fórum da Liberdade

Aqui fica a lista actualizada dos palestrantes confirmados para a 27ª edição do Fórum da Liberdade, que se realizará nos próximos dias 7 e 8 de Abril, mais uma vez na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, em Porto Alegre, no Brasil.

Já tendo tido oportunidade de assistir, considero o Fórum da Liberdade o mais impressionante evento deste tipo no mundo e será um prazer e uma honra participar este ano como palestrante.

Fórum da Liberdade – 26 anos de história

França, 2014

Apesar de se tratar de França e de eleições (municipais) os apelos para que os fiéis optem pela abstenção roçam o fantástico.

Anâ-Muslim is a nonprofit organisation recognised by the French state. Its members share their vision of Islam on the organisation’s website, on its Facebook and Twitter pages, and onYouTube. A few days ago, Anâ-Muslim called on Muslims to boycott French municipal elections, which will take place on March 23 and 30. They explain this decision by using various religious arguments and by saying that for a Muslim person, “voting is an act of submission … while abstaining is an act of resistance”.On its website, the organisation explains that this campaign is aimed at Muslim people between 18 and 40 years old. They argue that refusing to participate in French politics is a way to “preserve their faith”: “Voting means recognising the power of men on earth and giving them absolutely sovereignty to create their own laws that have nothing to do with Islam.” The organisation’s goal, as described in their mission statement, is to “teach Islam to Muslims … because Muslims are the only ones who can control their destiny … and contribute to Islam’s resurgence so that humanity may be saved”.

Raquel Varela: uma investigadora sintomática

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O JCD e o Rodrigo já comentaram (e bem) o caso, mas a enormidade dos disparates é de tal ordem que merece novo destaque e mais uma breve reflexão.

Entre a longa sequência de disparates, distorções e erros, destaco um que, pela sua natureza, deveria garantir um chumbo em qualquer cadeira de Introdução à Economia, Estatística, Metodologia, ou similar, de um primeiro ano de licenciatura:

“Se nós produzimos 100 e temos 130 para pagar, é óbvio que não é pagável.”

Que erros grosseiros como este passem sem qualquer reparo por parte dos jornalistas é lamentável, mas não surpreende, dada a falta de preparação e os enviesamentos ideológicos de grande parte dos profissionais da comunicação social.

O que é ainda mais sintomático é que a autora de erros absolutamente básicos e grosseiros como este seja investigadora do Instituto de História Contemporânea da Universidade Nova de Lisboa, onde coordena o “Grupo de Estudos do Trabalho e dos Conflitos Sociais”.

Leitura complementar: Quem é Raquel Varela ?

Da social-mediatização da Crimeia

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As far as I can tell from Fox News coverage, Obama just annexed Crimea and Putin is condemning him.

De facto, a Rússia não aguenta tanta pressão. Precisa de respirar. O Império é incapaz de se sentir à vontade com o avanço da débil União Europeia, a bater-lhe à porta. Não descubro as razões pelas quais se mantêm inalterados os 1000 quilómetros de fronteira com a Finlândia, membro do bloco económico europeu desde 1 de Janeiro de 1995.

Receita de molho tártaro segundo o chef Putin

We have asked the Crimean Tatars to vacate part of their land, which is required for social needs” .

Rustam Temirgaliyev, Primeiro Ministro da Crimeia.

Ao que tudo indica, as narrativas mudaram. Ontem, Vladimir Putin anunciou no Parlamento russo que  a decisão de anexar “representa todas as origens étnicas da Crimeia”, prometendo que na península “se falará russo, ucraniano e tártaro”. São os pensadores neo-conservadores da Europa, EUA e Japão. que delinearam este remake histórico de recolocação de tártaros por imperativos sociais. Acreditemos.

Há oito dias escrevia n’A BatalhaReferendo em molho tártaro.

 

Economia, política e bolos

Hoje, no Jornal de Negócios, a convite do João Cândido da Silva, eu e o meu caro amigo Luís Aguiar-Conraria, distinto representante da esquerda que sabe fazer contas, falamos sobre a saída da Troika, o estado do país, a ciência económica e muito mais. Pelo meio ainda recomendamos livros e filmes. Só faltou mesmo divulgarmos receitas de bolos, o que fica para uma próxima oportunidade.

Surrealizar por aí

A solução para colocar Vladimir Putin em sentido não deixa de ser hilariante.

I’d also raise our gasoline tax, put in place a carbon tax and a national renewable energy portfolio standard — all of which would also help lower the global oil price (and make us stronger, with cleaner air, less oil dependence and more innovation).