Da série “os russos estão a ficar muito americanos” II

palywoodurss

Pallywood, versão russa.

Pro-Russian protester and Maidan mercenary in one skin: Russian propaganda makes epic blooper (video)

E como cereja em cima do bolo, um tweet esclarecedor de Sergey Lavrov, Ministro russo dos Negócios Estrangeiros.

Lavrov

About these ads

Programa da 27ª edição do Fórum da Liberdade

Aqui fica o programa da 27ª edição do Fórum da Liberdade, que se realizará nos próximos dias 7 e 8 de Abril, mais uma vez na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, em Porto Alegre, no Brasil.

Integrarei com muito gosto o painel de encerramento, juntamente com Leandro Narloch e Jeffrey Tucker.

Pessoalmente, estou também bastante curioso para assistir ao painel imediatamente anterior, que reunirá Gustavo Franco, Andrew Schiff e Marcelo Rebelo de Sousa.

Continuar a ler

Sobre a desigualdade

O Observatório das Desigualdades e outras intermináveis instituições costumam dar uma perspectiva incompleta da questão da desigualdade na distribuição de rendimentos em Portugal. Dado que uma vez mais se fala do tema e se conclui em auto-de-fé que os ricos são os déspotas do flagelo, talvez seja interessante dar uma outra abordagem ao tema.

Recuperando este artigo de Nuno Alves do Banco de Portugal (2012), que recorre a dados da EU-SILC 2010 e não inclui as sobretaxas de solidariedade, algumas estatísticas que ficam sempre por apresentar:

1) O último decil de rendimento bruto (os 10% “mais ricos” em rendimento auferido) pagam 43% do total dos impostos, o valor mais elevado da União Europeia. A progressividade apresenta um enviesamento mais acentuado que a média da UE, incidindo especialmente sobre os que obtêm maior rendimento:

Screen Shot 2014-03-26 at 15.44.09 (2)

2) No panorama europeu, só existe um país em toda a União Europeia onde a fracção de imposto sobre o rendimento paga pelos dois últimos decis do rendimento bruto é superior à de Portugal, o Reino Unido. Para todos os outros países, incluindo a social-democracia nórdica, os ricos pagam bem menos. Na Suécia, os últimos dois decis pagam 43.6%, significativamente menos do que os 61.2% de Portugal.

Screen Shot 2014-03-26 at 16.16.43 (2)

Posto isto, talvez seja necessário rever o julgamento popular anti-rico, a típica ostracização dos “ricos” e o discurso trauliteiro contra este ou aquele. Discurso este que vem dos idos ancestrais e que Almeida Garrett, para não citar nenhuma das centenas de opinadores que o fazem diariamente, tão bem sintetiza:

“E eu pergunto aos economistas políticos, aos moralistas, se já calcularam o número de indivíduos que é forçoso condenar à miséria, ao trabalho desproporcionado, à desmoralização, à infâmia, à ignorância crapulosa, à desgraça invencível, à penúria absoluta, para produzir um rico?”
– Almeida Garrett

Perceber que não é preciso condenar indivíduos à miséria ou ao trabalho desproporcionado para produzir um rico talvez seja um bom começo. Aqueles que produzem riqueza para o país não são a causa do problema, são parte da solução.

Costumes liberais e fait-divers II

All Men In North Korea Are Now Reportedly Required to Get the Same Haircut as Kim Jong Un

Sabemos que a crítica social dirigida à Coreia do Norte não é mesmo nada inocente. Espero que a crítica fashion-capilar o seja.

Palestrantes para a 27ª edição do Fórum da Liberdade

Aqui fica a lista actualizada dos palestrantes confirmados para a 27ª edição do Fórum da Liberdade, que se realizará nos próximos dias 7 e 8 de Abril, mais uma vez na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, em Porto Alegre, no Brasil.

Já tendo tido oportunidade de assistir, considero o Fórum da Liberdade o mais impressionante evento deste tipo no mundo e será um prazer e uma honra participar este ano como palestrante.

Fórum da Liberdade – 26 anos de história

França, 2014

Apesar de se tratar de França e de eleições (municipais) os apelos para que os fiéis optem pela abstenção roçam o fantástico.

Anâ-Muslim is a nonprofit organisation recognised by the French state. Its members share their vision of Islam on the organisation’s website, on its Facebook and Twitter pages, and onYouTube. A few days ago, Anâ-Muslim called on Muslims to boycott French municipal elections, which will take place on March 23 and 30. They explain this decision by using various religious arguments and by saying that for a Muslim person, “voting is an act of submission … while abstaining is an act of resistance”.On its website, the organisation explains that this campaign is aimed at Muslim people between 18 and 40 years old. They argue that refusing to participate in French politics is a way to “preserve their faith”: “Voting means recognising the power of men on earth and giving them absolutely sovereignty to create their own laws that have nothing to do with Islam.” The organisation’s goal, as described in their mission statement, is to “teach Islam to Muslims … because Muslims are the only ones who can control their destiny … and contribute to Islam’s resurgence so that humanity may be saved”.

Raquel Varela: uma investigadora sintomática

nicolau_santos_artur_baptista_da_silva

O JCD e o Rodrigo já comentaram (e bem) o caso, mas a enormidade dos disparates é de tal ordem que merece novo destaque e mais uma breve reflexão.

Entre a longa sequência de disparates, distorções e erros, destaco um que, pela sua natureza, deveria garantir um chumbo em qualquer cadeira de Introdução à Economia, Estatística, Metodologia, ou similar, de um primeiro ano de licenciatura:

“Se nós produzimos 100 e temos 130 para pagar, é óbvio que não é pagável.”

Que erros grosseiros como este passem sem qualquer reparo por parte dos jornalistas é lamentável, mas não surpreende, dada a falta de preparação e os enviesamentos ideológicos de grande parte dos profissionais da comunicação social.

O que é ainda mais sintomático é que a autora de erros absolutamente básicos e grosseiros como este seja investigadora do Instituto de História Contemporânea da Universidade Nova de Lisboa, onde coordena o “Grupo de Estudos do Trabalho e dos Conflitos Sociais”.

Leitura complementar: Quem é Raquel Varela ?

Da social-mediatização da Crimeia

Link permanente da imagem incorporada

As far as I can tell from Fox News coverage, Obama just annexed Crimea and Putin is condemning him.

De facto, a Rússia não aguenta tanta pressão. Precisa de respirar. O Império é incapaz de se sentir à vontade com o avanço da débil União Europeia, a bater-lhe à porta. Não descubro as razões pelas quais se mantêm inalterados os 1000 quilómetros de fronteira com a Finlândia, membro do bloco económico europeu desde 1 de Janeiro de 1995.

Receita de molho tártaro segundo o chef Putin

We have asked the Crimean Tatars to vacate part of their land, which is required for social needs” .

Rustam Temirgaliyev, Primeiro Ministro da Crimeia.

Ao que tudo indica, as narrativas mudaram. Ontem, Vladimir Putin anunciou no Parlamento russo que  a decisão de anexar “representa todas as origens étnicas da Crimeia”, prometendo que na península “se falará russo, ucraniano e tártaro”. São os pensadores neo-conservadores da Europa, EUA e Japão. que delinearam este remake histórico de recolocação de tártaros por imperativos sociais. Acreditemos.

Há oito dias escrevia n’A BatalhaReferendo em molho tártaro.

 

Economia, política e bolos

Hoje, no Jornal de Negócios, a convite do João Cândido da Silva, eu e o meu caro amigo Luís Aguiar-Conraria, distinto representante da esquerda que sabe fazer contas, falamos sobre a saída da Troika, o estado do país, a ciência económica e muito mais. Pelo meio ainda recomendamos livros e filmes. Só faltou mesmo divulgarmos receitas de bolos, o que fica para uma próxima oportunidade.

Surrealizar por aí

A solução para colocar Vladimir Putin em sentido não deixa de ser hilariante.

I’d also raise our gasoline tax, put in place a carbon tax and a national renewable energy portfolio standard — all of which would also help lower the global oil price (and make us stronger, with cleaner air, less oil dependence and more innovation).

 

É tempo de reler Putin

putin-power

E lembrar o que escreveu sobre o primado da lei internacional e o apropriado usa da força.

It is extremely dangerous to encourage people to see themselves as exceptional, whatever the motivation. There are big countries and small countries, rich and poor, those with long democratic traditions and those still finding their way to democracy. Their policies differ, too. We are all different, but when we ask for the Lord’s blessings, we must not forget that God created us equal.

Relida a obra-prima sou levado a repetir-me: o Presidente Putin descobriu, numa notável peça retórica, que a utilidade das leis e do bom-senso internacionais podem servir os seus interesses. Nada contra este processo natural mas já me custa endeusar a criatura. É que já me chegam um Nobel da Paz como Arafat ou um outro como Obama.

Obrigado, Putin

putin_bush_eyes

A Rússia determinou que a economia da Ucrânia necessita urgentemete de ajuda. Na boa  tradição não imperial, serão enviados os primeiros e bons tanques russos. Não descubro motivos para preocupações de maior, o Presidente Obama fará uma declaração imperialista sobre a Ucrânia.

Cartoon: Lindsay Fincher

Os imperialistas americanos, a UE e a NATO não dão descanso às pessoas

“Three days ago, they moved the fence 30 yards closer to my home,” says Georgian farmer Georgi Chatlitschvi. “The Russian border guards told me my orchards were no longer mine—they were part of South Ossetia, not Georgia. Those apples were my livelihood. Now they sit behind the fence, on land they tell me is part of a different country.”

Georgi continues, his face washed out with exhaustion: “We are scared. I haven’t slept for days. Maybe tomorrow I will lose my house. This is our land—we’ve lived here all our lives—and it’s being stolen from us.”

I’m told that, during the summertime, the hills, valleys, and farmlands around the Georgian village of Gogeti are lush and beautiful. Today, a bone-shearing December wind blasts along the Tskhinvali Valley. The muddy, half-thawed expanse in front of us looks like a wasteland.

In the near distance, the green, motion-sensitive fence erected by the Russians runs the entire length of the horizon. Behind it, on the South Ossetian side, sits the towering hulk of a Russian military base. Farther on, the Caucasus Mountains run northward, all the way into Russia.

James Rippingale é o autor da reportagem RUSSIA IS STILL BUILDING A ‘RURAL BERLIN WALL’ THROUGH GEORGIA, para a Vice.

Fez-se história: exclusivo O Insurgente

A conversa de Paulo Fonseca com quem o escolheu. Sabe-se que questões sobre a fruta, o chocolatinho e as meias de leite não foram abordadas. Aproveito a oportunidade para reforçar o apoio, solidariedade e estima pela estrutura portista, na pessoa de Paulo Fonseca.

Adenda: O comunicado de Pinto da Costa sobre a questão de trânsito que está a incomodar os portistas e a estrutura que dirige o clube.

Palestra Tocqueville 2014 – Marc Plattner, 20 de Fevereiro, em Lisboa

Palestra_Tocqueville_2014

Palestra Anual Alexis de Tocqueville 2014 do Instituto de Estudos Políticos da Universidade Católica Portuguesa

A Palestra Anual Alexis de Tocqueville 2014 intitulada “The Era of Democratic Transitions” será proferida pelo distinto orador convidado, Dr. Marc Plattner – Vice President for Research and Studies, National Endowment for Democracy and Co-editor, Journal of Democracy- no dia 20 de Fevereiro de 2014, pelas 18h, na sala 511 da Católica Lisbon School of Business and Economics – Universidade Católica, seguida de Jantar.

O Presidente explica

The national and international bourgeois media are accomplices of the fascist gangs, but the truth will always triumph in our homeland.

Fonte:Twitter Nicolás Maduro.

Vamos unir o LIVRE

Como têm a obrigação de saber, o LIVRE pratica a diferença quando comparado com os outros partidos e movimentos de extrema-esquerda. É o símbolo e a prática daquilo que é uma lufada de ar fresco no espectro político mundial. O LIVRE é novidade, pluralismo e originalidade. O jornalista e escritor Frederico Duarte de Carvalho,  pré-militante fundador do LIVRE  terá sido vitíma da primeira e inesperada purga comunicação do partido de Rui Tavares. Acredito que deste modo, está assegurado um Livre cada vez mais livre e unido na diversidade democrática, solidária, federalista, ecológica e social. Tudo se desenvolveu dentro do espírito humanista reforçado pelo inovador roteiro para a convergência.

Sobre o aumento do salário mínimo

Esperteza saloia. Por José Manuel Moreira.

O que não obsta a que tal medida, economicamente estúpida, não seja, politicamente, uma esperteza que dá votos. Em política, o que parece, é. E tanto mais, quanto o efeito real das más políticas só aparece muito mais tarde e, às vezes, nunca se chega a perceber.

Leitura complementar: Demagogia.

Paraíso cubano a lutar contra o mal

Foto: Eliana Aponte

O regime castrista abriu-se e permitiu que o resto dos camaradas cubanos comprassem carros. A parte mais complicada é que com salários que rondam uns progressistas 20 dólares norte-americanos, teriam que demorar algum tempo até conseguirem comprar um calhambeque chinês, com mais de 80 mil quilómetros em cima e pelo módico preço de 30 mil dólares. Felizmente os culpados já foram assinalados: no passado dia 1, o soba Comandante-Presidente em discurso que assinalou o 55º aniversário da Revolução cubana, apontou os tão famosos quanto anónimos grupos estrangeiros que procuram introduzir no Paraíso na Terra os pensamentos neo-liberal e neo-colonial. Pena não introduzirem carros.

Via Impertinências.

Sucesso internacional

É quando  se alcança 4,1% (em 100). A Síria, a região e o mundo estão finalmente seguros.

Syria has given up less than five percent of its chemical weapons arsenal and will miss next week’s deadline to send all toxic agents abroad for destruction, sources familiar with the matter said on Wednesday.

The deliveries, in two shipments this month to the northern Syrian port of Latakia totaled 4.1 percent of the roughly 1433 metric tons of toxic agents reported by Damascus to the Organization for the Prohibition of Chemical Weapons (OPCW), said the sources, who spoke on condition of anonymity.

Isolamento e imitação

O medo do isolamento. Por José Carlos Alexandre.

A nossa natureza social faz-nos temer a separação e o isolamento dos outros e, ao invés, a desejar a aceitação e o respeito do grupo. Esta tendência para a imitação e o medo do isolamento vão contra o ideal da autonomia individual. É uma imagem com a qual quase ninguém quer ser identificado, ainda que muitos possam achar que define muito bem “os outros”.

Ignorância, ideias pré-concebidas e evolucionismo

No meu texto de ontem sobre as tácticas políticas à volta do referendo da co-adopção, defini a maioria do eleitorado português desta forma:

“A grande parte do eleitorado português pertence a um grupo que se pode classificar de conservadores socialistas. Pessoas que pelos mesmos motivos, preconceito e ignorância, são conservadores nos costumes e socialistas na economia.”

Para que não restem dúvidas, tentarei desenvolver e esclarecer um pouco este ponto. Antes de mais, convém esclarecer qualquer dúvida de interpretação. Não digo ali que todos os socialistas e conservadores nos costumes o sejam por ignorância e preconceito. O que digo é que a maioria do eleitorado é socialista na economia e conservador nos costumes por esses motivos, porque é essa a posição natural por defeito do ser humano. Obviamente, alguém pode chegar à mesma posição ou posições semelhantes através do estudo e conhecimento, e muitos o fazem. Aliás, a maioria das pessoas que lêem este blogue e que se revêem nestas posições estarão nessa situação. Mas a verdade é que a maioria do eleitorado não é conservador ou socialista por ter estudado ou pensado nos assuntos económicos e sociais que suportam a sua posição. São-no por se terem mantido na ignorância em relação aos temas e basear as suas posições no preconceito (a utilização da palavra preconceito aqui está mais relacionada com o inglês “preconception” do que com o significado negativo moderno dado à palavra em português). E existe uma razão evolutiva para a existência desses preconceitos.

Comecemos pelo socialismo. A humanidade existe há cerca de 200 mil anos. Durante grande parte deste período não existiram os três factores que levaram ao forte crescimento económico da modernidade: especialização no trabalho (para além da que existiu desde sempre entre homem e mulher), trocas comerciais ou a possibilidade de acumulação generalizada de capital. Antes disto, e durante grande parte da existência humana, predominava uma economia de subsistência em que os indivíduos colaboravam em tribos para a sobrevivência comum. Neste caso, a desigualdade era um risco para a sobrevivência do grupo. Para que um elemento do grupo tivesse mais de algo, seria necessário que outro tivesse menos. A desigualdade na distribuição do produto do trabalho poderia levar à desintegração do grupo. Não por acaso, aqueles que ofereciam maior resisência à desigualdade foram aqueles que ganharam o desafio da evolução. Por isso, a aversão natural, pré-concebida, à desigualdade é algo que se mantém ainda hoje.

O caso da tendência natural ao conservadorismo nos costumes é ainda mais fácil de explicar. A única forma de uma sociedade prevalecer é, obviamente, através da sobrevivência e reprodução. Num ambiente de altas taxas de mortalidade, o sucesso reprodutivo de uma sociedade era particularmente importante para a sua sobrevivência. Daqui resultou a aversão natural a tudo o que ponha em causa, ou tenha posto no passado, o sucesso reprodutivo de uma sociedade: o aborto, a homossexualidade, a igualdade de género ou actividades sexuais não reprodutivas. Também é natural a preferência por instituições que favoreçam esse sucesso reprodutivo como é o caso da família tradicional. A discriminação étnica resulta também de um processo de selecção natural (quando elementos de etnias diferentes se encontravam nas suas migrações há 10 mil anos atrás, quem pensam que sobrevivia: os que estenderam a mão ou os que elevaram as armas?).

Algumas destas tendências naturais fazem hoje menos sentido na sociedade moderna. A obtenção de conhecimento formal tende a diminuir o peso destas tendências naturais no posicionamento político dos indivíduos. Não é por acaso que pessoas que tenham estudado economia tendem a aceitar melhor e até desejar os mecanismos de mercado que levam à desigualdade. Da mesma forma, pessoas que estudam sociologia e psicologia tendem a defender mais os direitos de homossexuais e minorias. Claro que isto não é o fim da história, e o facto de certas posições tenderem a ser menos preponderantes entre pessoas menos informados não significa que estejam erradas ou que a busca do conhecimento resulte, necessariamente, numa aproximação à verdade.