Licenciatura em Ciência Política e Relações Internacionais

Apresentação Instituto de Estudos Políticos da Universidade Católica Portuguesa

Recordo que está em curso a 1ª fase de candidaturas à Licenciatura em Ciência Política e Relações Internacionais do Instituto de Estudos Políticos da Universidade Catolica Portuguesa, em Lisboa.

O concurso aos cursos da UCP é local, pelo que a opção “Universidade Católica Portuguesa” não está incluída no concurso nacional, devendo a candidatura ser feita directamente junto da UCP.

Está também em curso a 3ª fase de candidaturas ao MA in Governance, Leadership and Democracy Studies, assim como a 2ª fase de candidaturas aos programas de Mestrado e Doutoramento em Ciência Política e Relações Internacionais.

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Mestrado e Doutoramento em Ciência Política e Relações Internacionais

Termina amanhã a 1ª fase de candidaturas aos programas de Mestrado e Doutoramento em Ciência Política e Relações Internacionais (plano curricular) do Instituto de Estudos Políticos da Universidade Católica Portuguesa.

Mais informações sobre candidaturas aqui.

Mestrado e Doutoramento em Ciência Política e Relações Internacionais

Decorre até 11 de Julho a 1ª fase de candidaturas aos programas de Mestrado e a Doutoramento em Ciência Política e Relações Internacionais (plano curricular) do Instituto de Estudos Políticos da Universidade Católica Portuguesa.

Mais informações sobre candidaturas aqui.

O Mundial de futebol e a sociedade

Mundial: a moral e o moral. Por José Manuel Moreira.

Com o Mundial a chegar ao fim, cresce a emoção com prolongamentos, penáltis e golos nos últimos minutos, e até segundos. A euforia dos ganhadores contrasta com o lamento dos perdedores. Levando os do “contra” a rever-se no dito de Jorge Luis Borges: “O futebol é universal porque a estupidez é universal.” Confesso, contudo, que prefiro o do peruano Mario Vargas Llosa: “O futebol é o ideal de uma sociedade perfeita: poucas regras, claras, simples, que garantem a liberdade e a igualdade dentro do campo.”

Por detrás do véu (2)

Maria João,

Tenho que admitir que, assim como tinhas as tuas anotações pendentes em relação a esta questão em concreto, o tema da liberdade de expressão é uma questão que desperta em muito o meu interesse, e que mesmo em relação a este tema já tenho também o meu cadastro de discussões sobre o assunto. Posto isto, flûte para aqui, flûte para acolá, aqui fica a minha réplica em relação aos teus pontos.

  1. A questão do nudismo no espaço público foi herdada do teu segundo artigo sobre o assunto. É aliás um argumento típico quando se pretende demonstrar a inviabilidade de uma interpretação absoluta do usufruto do direito à liberdade de expressão em espaço público, pretendendo demonstrar a necessidade de aceitar limitações e ponderações redutoras dessa liberdade invocando para isso os mais diversos objectivos, desde a protecção das crianças às minorias. Conjugado com as práticas sexuais em público, são um argumento recorrente que achei por bem rebater.
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Por detrás do véu

Maria João,

Acho que me vou candidatar a alguns dos prometidos nomes.

Na minha opinião, a decisão do Tribunal Europeu dos Direitos do Homem não foi um momento para saudar, mas antes mais uma lamentável mensagem do tribunal aos estados signatários da convenção sinalizando a sua tolerância destes e doutros futuros avanços no sentido de limitar legalmente um conjunto base de liberdades. Pelo caminho, alimenta-se um discurso de moralismo por via legal, e a natural tentação populista de, ao invés de se resolverem os problemas concretos, se dar um passo em frente criando legislação avulsa cheia de propaladas boas intenções, com desfecho amplamente expectável e com vítimas também mais ou menos evidentes.

O que deveria estar em discussão, quando muito, deveria ser eventualmente sobre se é ou não legítimo aos estados legislarem no sentido de limitarem o exercício da anonimidade em público, ou seja, se é legitimo estes instituírem uma obrigação de os indivíduos serem identificáveis (visualmente ou até eventualmente de outras formas) pelos demais quando se encontram em locais públicos. Seria uma discussão sem dúvida interessante e porventura de alcance bem mais alargado, mas que parece ter sido mais utilizada como expediente do que propriamente com intenções defensáveis.
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António Costa e a “Doutrina Ruth Marlene”

Através da nossa Graça Canto Moniz, descubro que António Costa se debruçou, no âmbito da campanha interna do PS, sobre a “Doutrina Ruth Marlene”, demonstrando não só a sua particular consciência dos agudos problemas que o seu partido enfrenta como um irreprensível gosto musical:

“O maior sinal da fraqueza do PS, não sei se têm reparado, é que, nas últimas semanas, voltámos àquela discussão que eu já há muitos anos não ouvia, coligam-se à esquerda ou coligam-se à direita”, disse.

Por “há tantos anos” não ouvir abordar este tema, António Costa disse ter-se lembrado de um discurso antigo que proferiu “contra a política do pisca-pisca”, ou seja, sobre “se o PS pisca à esquerda ou se pisca à direita”.

Mas, frisou o candidato a secretário-geral socialista, o PS é um partido que “não pisca-pisca”, isto é, “não pisca nem à esquerda nem à direita”.

Já a dra. Marlene se lamentara do facto de “a moda do pisca-pisca” ser algo que “parecia estar a dar” e ter “vindo para ficar”. António Costa, esse, não quer contribuir para a preservação desse estado de coisas. Claro que seria útil saber a que tipo de coligações o PS estaria aberto caso o dr. Costa se torne líder do partido, e não venha a obter uma maioria absoluta em legislativas. mas Costa prefere fazer proclamações de que o PS “se dirige a todos”, mesmo que ao fazê-lo acabe por não lhes dizer nada. Mas corre riscos, para os quais a própria dra. ruth marlene já em tempos alertou: quando “eles vêm com ela fisgada” às vezes “não levam nada”.

A democracia portuguesa

(Artigo publicado no Diário Económico de hoje)

Nenhum político escapa a terminar a sua carreira em lágrimas, terá dito um dia um exemplar britânico da espécie. A crer na história dos governos da democracia portuguesa, a máxima parece ser verdadeira.

Em 1978, o mesmo descontentamento popular nascido da crise financeira e da “austeridade” exigida pelo FMI que levara o PS a alargar a sua base de apoio parlamentar juntando-se ao CDS, levou o presidente Eanes a criticar o Governo num discurso do 25 de Abril e o CDS a aproveitar a ocasião para sair do barco. Após o breve interregno dos executivos de iniciativa presidencial, o PS perderia as eleições para a AD. A crise económica, essa, continuava em cena, e a sua força fez-se sentir nas eleições autárquicas de 1982. O governo saiu derrotado, e de novo Freitas do Amaral fugiu de uma coligação a que havia aderido. Perante a necessidade de novo resgate do FMI, PS e PSD formam o Bloco Central, e terminados os anos de sacrifício, vieram Cavaco Silva e 7 anos de fundos europeus, crescimento económico e vitórias eleitorais. Mas em 1992, a crise voltaria a bater à porta, e só abandonaria o País dois anos depois.

Foi tarde de mais para evitar a derrota de Cavaco e a ascensão de Guterres, que governaria cinco anos de aparente prosperidade, até que em 2000, a Europa e o País pararam de crescer, e uma derrota nas autárquicas de 2001 levou Guterres a demitir-se. Sucederam-lhe Durão Barroso e as suas “medidas difíceis”, que lhe garantiram o ódio popular e o convidaram a exilar-se em Bruxelas, entregando o País a Santana Lopes e, de imediato, a Sócrates. Durante alguns anos, a propensão do homem para gastar dinheiro que não tinha criou a ilusão de que as coisas estavam a melhorar. Mas mal a crise o obrigou a aplicar “austeridade”, logo foi desalojado de São Bento. A “austeridade”, no entanto, continuou, e prepara-se agora para derrotar Pedro Passos Coelho.

O padrão é evidente e fácil de compreender: desde o seu nascimento que a democracia portuguesa trouxe consigo a promessa implícita da melhoria das condições de vida da população, e sempre que um governo parece incapaz de a cumprir, perde o poder. Como grande parte do eleitorado espera do Estado e da sua distribuição de recursos essa melhoria de condições de vida, e o País não pode pagar o Estado na sua actual dimensão, não se pode esperar nada de bom: qualquer governo precisará de reduzir o Estado, mas nenhum terá o apoio eleitoral para o fazer.

A solução, em democracia, só poderá ser uma: em vez de procurar agradar aos eleitores e esconder deles as dificuldades que os esperam, um político que queira governar bem e ser premiado por isso terá de se apresentar a eleições prometendo apenas e só as tais inescapáveis dificuldades, e convencer os eleitores da sua necessidade. É difícil ganhar assim, mas de outra forma tudo estará perdido à partida.

MA in Governance, Leadership and Democracy Studies

Decorre até 30 de Junho (amanhã) a 2ª fase de candidaturas ao MA in Governance, Leadership and Democracy Studies do Instituto de Estudos Políticos da Universidade Católica Portuguesa.

Relativamente à oferta português do IEP-UCP, decorre até 11 de Julho a 1ª fase de candidaturas aos programas de Mestrado e Doutoramento em Ciência Política e Relações Internacionais.

Nova Cidadania 53

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A Nova Cidadania 53 deverá estar a partir de amanhã à venda nas livrarias Alêtheia, Almedina, Coimbra Editores, Férin, Wook e também na Universidade Católica Portuguesa (Lisboa, Porto e Viseu).

Não escrevo neste número, mas O Insurgente encontra-se muito bem representado com o artigo “A atomização na Família em Nisbet”, da Daniela Silva.

Mais informações aqui.

Mudanças

(Artigo publicado no Diário Económico de hoje)

Na passada semana, em entrevista ao director do Diário Económico, Teixeira dos Santos lançou a ideia de que caso não haja o “acordo” partidário em torno das “reformas indispensáveis ao país” pedido pelo Presidente, este poderia convocar eleições para a partir daí “constituir as bases do compromisso”. Duvido que desse bom resultado.

Em primeiro lugar, porque PSD, PS e CDS não só não querem chegar a acordo algum, como menos ainda desejam “reformar” o Estado que lhes serve de instrumento de distribuição de benesses, e como tal, de meio de sobrevivência. Em segundo lugar, porque eleições antecipadas nos próximos meses seriam a maior garantia de que nenhuma reforma se fará.

Em democracias como a nossa, com um Estado que mal evade a falência, os eleitores votam essencialmente para não perderem o pouco que ainda não lhes foi retirado por governos que pouco ou nada querem mudar, mas que têm de se curvar perante a avassaladora força das contas, e que se vão sucedendo à medida que o descontentamento que removeu o antecessor se vira sem piedade para o novo ocupante até que este se despeça. Em tal ambiente, as “reformas indispensáveis” só poderão ser promovidas por um Governo que, antes de chegar ao poder, tenha a inteligência de perceber quais as “reformas” necessárias e a capacidade de convencer os eleitores da sua utilidade.

Ora, ninguém no seu perfeito juízo acredita que qualquer uma das actuais lideranças partidárias possua alguma destas qualidades. Mas se “as europeias” mostraram a sua fraqueza e a necessidade de as substituir, legislativas antecipadas seriam a bóia de salvação por que desesperadamente anseiam. Para que o país mude no sentido em que precisa de mudar, PSD, PS e CDS precisam de mudar primeiro, algo a que eleições antecipadas seriam um decisivo entrave. O conselho de Teixeira dos Santos deve, por isso, ser olimpicamente ignorado.

A Escola de Salamanca

The School of Salamanca

Um breve mas recomendável video de introdução à Escola de Salamanca.

No final são mostrados os livros Faith and Liberty: The Economic Thought of the Late Scholastics, de Alejandro Antonio Chafuen e The Salamanca School, de que sou autor juntamente com José Manuel Moreira.

Estoril Political Forum 2014

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Recordo que termina hoje o prazo para inscrições na edição 2014 do Estoril Political Forum, organizado pelo Instituto de Estudos Políticos da Universidade Católica Portuguesa. O Estoril Political Forum 2014 terá lugar de 23 a 25 de Junho e tem como tema geral “Reconsidering the Third Wave of Democratization”.

O programa preliminar completo está disponível aqui. As inscrições podem ser feitas aqui.

Ainda relativamente ao IEP-UCP, decorre até 30 de Junho a 2ª fase de candidaturas ao MA in Governance, Leadership and Democracy Studies e até 11 de Julho a 1ª fase de candidaturas aos programas de Mestrado e a Doutoramento em Ciência Política e Relações Internacionais.

Estoril Political Forum 2014 – “Reconsidering the Third Wave of Democratization”

De 23 a 25 de Junho terá lugar a edição 2014 do Estoril Political Forum, organizado pelo Instituto de Estudos Políticos da Universidade Católica Portuguesa. O Estoril Political Forum 2014 tem como tema geral “Reconsidering the Third Wave of Democratization”.

O programa preliminar completo está disponível aqui. As inscrições podem ser feitas aqui até amanhã, dia 16 de Junho.

Entretanto, decorre até 30 de Junho a 2ª fase de candidaturas ao MA in Governance, Leadership and Democracy Studies, programa em inglês oferecido pelo IEP-UCP em Lisboa.

Até 11 de Julho, decorre a 1ª fase de candidaturas aos programas de Mestrado e Doutoramento em Ciência Política e Relações Internacionais, do IEP-UCP, em Lisboa.

António Costa, Rui Rio, o pântano e o Síndroma de Hollande

francois-hollande-vise-dans-la-chansonOntem, “nos facebooks” (como diria Paulo Futre), António José Seguro veio confessar, aos que usam a sua página para o insultar sem comedimento, que estava “indignado”. Tudo porque “a irresponsabilidade do António Costa” e a sua “ambição pessoal” terem provocado “danos” ao PS, na figura de umas sondagens que “dão uma queda brutal” nas intenções de voto aos socialistas. Pena que Seguro não note como pelo menos uma dessas sondagens indica uma preferência significativa pelo seu opositor, sugerindo a qualquer um que ainda possua a capacidade de raciocínio que talvez os “danos” sejam causados, não pela “irresponsabilidade” de Costa, mas pela nulidade de Seguro. Se alguém precisava de mais alguma prova de que Seguro não vive neste mundo, o próprio tratou de as dissipar com a partilha deste seu estado de alma.
Seguro indignado

Ao contrário do que Seguro aparentemente crê, o “problema” do PS não está na atitude “irresponsável” de Costa, mas no próprio Seguro. Há dias, uma amiga minha com a falta de juízo necessária para ser uma habitual eleitora socialista, mas sem chegar à loucura de apreciar o “engenheiro” Sócrates, dizia-me como seria incapaz de votar “no Seguro”. Eu espantei-me que alguém que em 2011 tenha votado num PS liderado por alguém que execrava – Sócrates – fosse agora incapaz de continuar a votar no PS só porque Seguro é o líder. Meio indignada, ela dizia-me que em 2011 tinha votado “no PS, não no Sócrates”, e que Seguro era “mau demais” para ser Primeiro-Ministro e ela, de boa consciência, dar o seu voto a um partido por ele liderado.

A amostra pode ser pouco representativa, mas é – para além de muito boa companhia, devo eu acrescentar no caso de isto lhe chegar aos olhos – sintomática da fraqueza ambulante de Seguro: há pessoas, “simpatizantes” do PS e tudo, para quem nem a plena consciência da política pouco honesta de Sócrates foi suficiente para cortar o cordão umbilical com um partido que está para além das suas lideranças momentâneas, mas que ficam aterradas com a possibilidade uma completa nulidade como Seguro ter responsabilidades governativas, ao ponto de porem de lado tais reservas.

Gente afecta à coligação governamental talvez se divirta com estas atribulações. Mas este não é apenas um problema de Seguro, nem sequer um simples problema do PS. É um problema do país. Como já aqui escrevi, as “europeias” mostraram a falência da governação de Passos Coelho, mas também como a ela não corresponde uma afirmação do Partido Socialista com alternativa credível ao exercício do poder, a um ano de eleições legislativas. Se tudo ficasse na mesma, a única saída para o vazio de poder daí resultante seria um “Bloco Central”. Uma solução que, em qualquer circunstância, tem o problema de trazer para dentro do governo um conflito político que deveria estar fora dele, no parlamento e na sociedade em geral, e que nas condições actuais teria a agravante de juntar dois partidos destituídos de qualquer força, que não juntariam outra coisa além do desprezo generalizado de uma população que já o nutre por ambas as partes. António Costa, ao avançar para uma mudança de liderança, abre a possibilidade de se encontrar uma saída para este impasse, caso a essa mudança no PS corresponda uma outra atitude do eleitorado para com o partido.

Mas duvido que Costa seja capaz de ultrapassar o “Síndroma de Hollande”: nas nossas democracias modernas, que enfrentam uma crise de sustentabilidade do Estado Social, os eleitores votam, em grande medida, não a favor de uma qualquer das alternativas à disposição, mas contra o poder do momento, com o propósito de não perderem o que ainda não lhes foi tirado; chegado ao governo, qualquer partido tem que aplicar medidas de consequências duras e impopulares, e logo o descontentamento que arrumou com o antecessor se vira contra o novo poder, e com tanta mais força quanto foi dito aos eleitores que os sacrifícios anteriores eram excessivos ou escusados.

Ainda recentemente, na Quadratura do Círculo, Costa dizia – com razão – que o actual Governo foi parar ao poder dizendo que iria cortar nas “gorduras do Estado”, para logo descobrir que as “gorduras” não eram assim tantas, e que só atacando os problemas estruturais da despesa pública se poderia controlá-la. Mas, analisando o discurso de Costa, o que tem dito ele, senão exactamente o mesmo que critica no actual governo? Costa tem dito insistentemente que o governo foi demasiado longe na sua “austeridade”, e que haveria outras maneiras de cortar na despesa. A não ser que mude radicalmente de discurso nos próximos meses, Costa talvez consiga ir morar para São Bento, mas apenas para logo quebrar as promessas explícitas ou implícitas que fará para lá chegar. É por isso que, ao contrário do Carlos, tenho algumas dúvidas que António Costa venha a gozar de melhores “condições políticas, mediáticas e institucionais” para “corrigir os actuais desequilíbrios” do país. A única forma de ultrapassar o problema posto pelo “Síndroma de Hollande” só poderá passar por não esconder aos eleitores as dificuldades que os esperam, e convencê-los da sua necessidade. Sem o fazer – e nada até hoje mostra que António Costa tenha vontade de o fazer – não será de espantar que o destino de um governo de Costa se assemelhe ao do seu amigo François, e mais não venha a ser que um pequeno interregno da crise do sistema político português, não a sua solução.

Com um pouco de sorte, talvez da outra metade da crise ela possa vir. Pois pelas mesmas razões que é necessária uma mudança de liderança no PS, seria avisado mudar de líder no PSD (sem que o Governo se demita. Eleições antecipadas seriam a melhor forma de nada mudar no PS e no PSD). Afinal, a vitória do PS só parece fraca porque o resultado da coligação PSD/CDS foi tão miserável que seria de esperar um massacre eleitoral por parte dos socialistas. E por sorte, no PSD, há alguém – Rui Rio – que há mais de uma década alertou para os problemas que o país enfrenta agora (veja-se o livro que publicou em 2002), e que foi capaz de ir para eleições sem medo de as perder, disposto a correr o risco de ser impopular mas não abdicando de deixar bem claro o que entende ser necessário fazer.

Claro que Rio é também alguém que, em já vários momentos de crise do PSD e do país, se recusou a descer a Lisboa e repetir as suas façanhas no Porto, quem sabe um sintoma de que não tem a vontade ou capacidade de enfrentar os problemas nacionais. Mas os resultados das “europeias”, que longe de terem criado uma crise, mostraram antes o pântano em que o país já se encontrava, abriram também caminho para sairmos dele. É preciso é haver quem se mexa.

O pântano

PantanoUma incompreensível excitação tomou conta do Largo do Rato. Durante a campanha eleitoral para as “europeias”, o PS sentiu-se suficientemente à vontade para resgatar José Sócrates do seu programa na RTP que só é visto pelo dr. Silva Pereira e o João Galamba, e exibi-lo como trunfo eleitoral num famoso restaurante (de fraca qualidade) da Baixa lisboeta. Ontem, após ter vencido as eleições europeias com 31,4% dos votos – contra os 27,7% da coligação governamental – António José Seguro apareceu aos portugueses que não estavam a ver o “Poder do Amor” ou o “Rising Star” afirmando, aparentemente sem qualquer sombra de hipocrisia, que “este governo chegou ao fim” e que a vitória socialista significa que “os portugueses” querem um governo “liderado pelo PS”. A crer nos jornais de hoje, ninguém – nem os militantes do PS – concorda com ele.

São várias as vozes que clamam por uma acalmia dos entusiasmos socialistas, e todas elas notam a escassa margem da vitória. Mas mais do que uma questão de quantidade de votos no PS, a fraqueza da vitória rosa é uma questão de qualidade desses mesmos votos: Seguro está muito enganado se pensa que as pessoas votaram no seu partido com uma grande convicção de que este mudará o país nos próximos anos, em vez de por mera repulsa contra a coligação governamental. E mais enganado estará se acreditar que não faz diferença.

Imaginemos que esta vitória do PS lançará, como Seguro deseja, o partido para uma vitória incontestável nas legislativas. Admitamos até que, quantitativamente, essa hipotética vitória venha a ser “estrondosa”. Será muito diferente tal vitória ser resultado de uma adesão convicta e forte ao programa do PS, de uma confiança de que os socialistas terão uma política que melhorará as circunstâncias do nosso país, ou ser resultado de uma mera rejeição do actual Governo. Não custa perceber porquê. Imaginemos que, por alguma razão, o PS, uma vez alçado a São Bento, se vê forçado a aplicar alguma medida de consequências difíceis e impopular junto do eleitorado: se a vitória socialista resultar dessa adesão ao programa do partido, essas eventuais medidas serão relativamente bem aceites, porque em certo sentido já o teriam sido anteriormente, com a identificação forte do eleitorado com a perspectiva de uma governação liderada por Seguro. Já se Seguro for parar a São Bento fruto do desprezo que o eleitorado parece sentir por PSD e CDS/PP, que ninguém duvide que à primeira medida impopular que prejudique de forma imediata as condições de vida de algum sector da sociedade portuguesa, logo o descontentamento contra o actual governo que pudesse ter conduzido Seguro ao poder se viraria contra ele.

Ora, se à apesar de tudo escassa votação no PS, ao excelente resultado da CDU, ao jubileu de “Márinho e Pinto” e à elevadíssima abstenção, juntarmos a incredulidade com que o triunfalismo da declaração de Seguro foi recebido pelos poucos que lhe prestam atenção, dificilmente restará alguma dúvida de que esta foi, qualitativamente ainda mais que quantitativamente, uma vitória fraca do PS, que talvez sirva para o lançar para o poder mas que nenhumas condições para o exercer lhe trará. Os partidos encararam estas “europeias” como uma espécie de jogo de pré-temporada para as legislativas. Mas o PS, se bem que tenha ganho o encontro, não jogou de jeito. Nada que devesse apoquentar o português comum, se o problema se ficasse por aí.

Resta que não fica. Ninguém contestará que a saúde de um sistema político se pode talvez medir pela capacidade que este tenha de gerar dentro de si uma alternativa a um poder que tenha perdido o favor popular. Estas eleições, e o clima político que as precedeu, parecem indicar que a confiança popular no actual Governo se perdeu. O que claramente não indicam é que o eleitorado veja uma clara alternativa no PS. Por isso 66,7% dos portugueses ficaram em casa, 12,6% votaram na CDU, 7,4% branco ou nulo, 7,1% no dr. “Márinho”, 4,5% no Bloco de Esquerda, 2,1% no Livre, e 6,8% nas mais ou menos folclóricas restantes agremiações que se apresentaram a concurso. À falência da governação de Passos Coelho não correspondeu – pelo menos por enquanto – uma afirmação do Partido Socialista com alternativa credível ao exercício do poder. Ficou apenas o “pântano” que um dia um antigo mentor de Seguro disse querer evitar.

Há, claro, uma “solução” óbvia para o problema, que muitas alminhas – algumas delas penadas – pedem insistentemente: aquilo a que noutros tempos se chamava de uma “fusão”, ou com menor benevolência, de “pastel”, a chamada à governação em simultâneo do poder decrépito e da alternativa ainda em gestação. Embora aparentemente engenhosa – e atractiva para quem queira aparecer como sua eminência parda e superficialmente neutral – a “solução” não solucionaria grande coisa. Em vez de produzir um poder forte, conseguiria apenas trazer duas fraquezas para a sua sede, que não juntariam outra coisa além do desprezo generalizado de uma população que já o nutre por ambas as partes, e que tenderia a acentuá-lo se fizessem um cozinhado deste género. Além de que, o que não é irrelevante, traria para dentro do governo um conflito político que deveria estar fora dele, no parlamento e na sociedade em geral. Esta “solução” seria assim apenas provisória, e com a agravante de degradar as já de si muito precárias condições de exercício do poder num país com cada vez maior desconfiança na classe política. O “Bloco Central” pode ter servido em 83/85, mas convém não esquecer que a seguir veio a adesão à CEE e os seus abençoados fundos, um verdadeiro maná caído dos céus berlinenses que permitiu camuflar os nossos males internos e as querelas insanáveis que eles tendem a produzir. Mas em 2016 ou 2017 não virão fundos, antes exigências de “austeridade” e de medidas impopulares.

O resultado das eleições de ontem, apesar da esfuziante celebração de Seguro, não deve alegrar ninguém. Não penso que seja exagero dizer que é o pior que podia acontecer. Ao PS, ao PSD e CDS/PP, e acima de tudo – pelo que põe a nu e deixa antever – a todo o país.

O que não se vê

O meu primeiro artigo no Observador: O que não se vê

Na economia e na política, como em quase todos os aspectos da vida, o que não se vê é frequentemente tão ou mais importante do que o que se consegue ver. O economista francês Frédéric Bastiat – um dos mais importantes pensadores do séc. XIX, que foi também jornalista e político – demonstrou abundantemente essa verdade ao longo de toda a sua obra, com destaque para o ensaio “Ce qu’on voit et ce qu’on ne voit pas”.

Observador, dia 1

Hoje é o dia 1 do Observador, um novo projecto de informação que, como escrevi aqui, espero possa dar um contributo importante para a melhoria do pouco animador cenário da comunicação social em Portugal.

Para a abertura, optei por escrever sobre o que não se vê, recordando o grande – e sempre actual – Frédéric Bastiat.

Nesta edição de estreia escreve também o insurgente Alexandre Homem Cristo: Três anos sem alternativas.

Aqui ficam também os links para os restantes textos de opinião de hoje:

A troika nunca esteve em Portugal. Por Rui Ramos.
Virtudes e vícios de um consenso europeu. Por José Manuel Fernandes.
A minha lista de desejos para o Observador. Por Helena Matos.
Compromisso político, uma antiga incapacidade portuguesa. Por Fátima Bonifácio.
Partida completa. Por Paulo de Almeida Sande.

Império feito de coincidências

O faz-tudo Aleksandr Borodai.

O faz-tudo Aleksandr Borodai.

O novo Primeiro-Ministro da República Popular de Donetsk, o moscovita Aleksandr Borodai é o mesmo Aleksandr Borodai que foi director dos serviços secretos russos e responsável pela política de informação e projectos especiais?

Gary S. Becker (1930-2014)

Morreu Gary Becker, o autor da Escola de Chicago que mais importantes contributos produziu para as Ciências Sociais. É também, por várias razões, uma perda muito significativa para a Mont Pèlerin Society: Gary S. Becker, 1930-2014. Por Peter Klein.

I attended the 1992 meeting of the Mont Pèlerin Society, when Becker was president. Someone arranged for Becker to meet with me and the other graduate students. The sense among the student attendees was that MPS was becoming, under Becker’s leadership, too mainstream, respectable, and tame. Where were the radical libertarians, Austrians, and other free thinkers? As I recall, poor Becker was bombarded with a bunch of questions along these lines, which he handled kindly and gracefully. He had nothing but good things to say about Mises, Hayek, Hazlitt, and the other MPS founders. A fine gentleman.

A friend of mine was at Chicago in the 1990s when Becker was in his mid-60s and already a Nobel Laureate. Like most economists in the department, my friend went to the office and worked Saturdays and Sundays. Becker was usually the first to arrive and the last to leave. “He’s not only the smartest person here,” I was told, “but the hardest worker!”

A Blueprint for Britain: Openness not Isolation

Iain Mansfield named winner of €100,000 IEA Brexit Prize

Iain Mansfield, a 30 year old member of the diplomatic service based at the British embassy in Manila, will this evening be announced as the winner of the €100,000 IEA Brexit Prize. (…) His winning entry calls for the UK to join the European Free Trade Association, as well as for the introduction of a ‘Great Repeal Bill’ to bring about a comprehensive review and, where appropriate, repeal, of EU regulations. These measures would prevent economic shocks in trade and would reduce the bureaucratic burden on British business, unshackling the wider economy.

It concludes that a Brexit must ultimately be a political rather than an economic decision, yet calculates that if it occurred, the UK economy would experience a £1.3bn increase in GDP. Significantly fewer regulations, coupled with greater trade with emerging economies, could provide an overwhelmingly positive future outlook for an independent Britain.

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