Sondagens – eleições presidenciais 2016 (2)

As eleições presidenciais através das sondagens. Por Miguel Maria Pereira.

O que e que tudo isto nos diz sobre as eleições de 2016?

Em primeiro lugar, as flutuações nas estimativas de intenção de voto até ao final do mês passado parecem-me perfeitamente naturais; não só tendo em conta o comportamento das sondagens no passado, mas especialmente dadas as características dos candidatos presidenciais. Marcelo Rebelo de Sousa não vem de cinco anos no Palácio de Belém, mas de mais de uma década a governar audiências. Além disso, alguns dos principais opositores eram praticamente desconhecidos do eleitorado até há poucos meses.

Em segundo lugar, pelas mesmas razões descritas acima é expectável que as intenções de voto em Marcelo Rebelo de Sousa divulgadas nos últimos meses se diluam nas próximas semanas.

Em terceiro lugar, é previsível que os institutos de sondagens tenham dificuldade em captar com precisão as intenções de voto nos candidatos sem apoios dos principais partidos. Potencialmente esses desvios são no sentido da subestimação.

Teste do algodão

E Se As Eleições Fossem Hoje?

A TVI publicou hoje os resultados de uma sondagem Intercampus sobre as intenções de voto caso as eleições se voltassem a realizar e que apresentam um reforço da intenção de voto na coligação Portugal à Frente que ficaria perto de alcançar uma maioria absoluta.

Sondagem_18Out2015

Que governo irá Presidente empossar?

Este não é um inquérito sobre o cenário que desejam mas, dada a recente evolução dos acontecimentos, a vossa expectativa do futuro.

Sondados apelam a maioria absoluta do PàF?

Da sondagem Intercampus para a TVI:

NAS PRÓXIMAS ELEIÇÕES LEGISLATIVAS, QUAL CONSIDERA SER O MELHOR RESULTADO PARA O PAÍS?

  • Um resultado que permita um governo com maioria absoluta: 51,7%
  • Um resultado que permita um governo com mais de um partido: 38,4%

António Costa apela à maioria absoluta do PàF?

António Costa, secretário-geral do PS, bem começou por dizer que sondagens dizem que maioria dos eleitores está contra coligação mas depois diz isto (na TVI24, minha transcrição):

E não havia nada pior neste quadro financeiro e neste quadro económico que gerarmos a incerteza e deixarmos para outros a escolha que verdadeiramente cabe a cada portuguesa e cada português fazer. Como queremos governar e quem queremos que governe. Por que é vamos deixar para debates jurídicos, por que é que vamos deixar para a escolha do Presidente da República, por que é vamos deixar para jogadas políticas na Assembleia aquilo que cada um pode soberanamente decidir que é: quem governa e como governa?

Governo patriótico(?) de esquerda

Se a coligação Portugal à Frente não obtiver maioria absoluta nas eleições legislativas de domingo, conseguirá o Partido Socialista entender-se com Partido Comunista e Bloco de Esquerda para formar Governo? Que tipo de programa seria negociado?

Os seis gráficos que explicam as sondagens

Vale a pena ler o artigo do Pedro Magalhães (o único, em conjunto com o PCP, que ganha todas as eleições) no Washington Post. Um resumo do artigo está também disponível no The Portuguese Insurgent.

Voto (in)útil

Mark van Laere @flickr.com (creative commons)

Mark van Laere @flickr.com (creative commons)

António Costa está a perder o centro. É isso que dizem a tendência das sondagens. O próprio líder do Partido Socialista também parece não acreditar que consegue conquistar suficientes votos ao centro e agora apela ao voto dos apoiantes dos partidos à sua esquerda. Mas a maioria dos indecisos não está, penso, à esquerda do PS…

Face à incerteza dos resultados o Observador equacionou 8 cenários pós-eleições. Excluindo uma maioria absoluta da coligação Portugal à Frente ou do Partido Socialista prevê-se crise política a curto e médio prazo.

Em que partido está o voto útil? Há voto útil? Qual o cenário mais provável? Deixem a vossa opinião aqui nos comentários ou na nossa página do Facebook.

Simulador de cenários pós-eleitorais

assembleia-da-republica-deputadosServiço público Insurgente: fica aqui disponível um simulador dos resultados eleitorais que transforma resultados totais em número de deputados total e por distrito (incluindo divisão entre deputados PSD e CDS). Os leitores que estejam interessados podem fazer download do documento e alterar os parâmetros para analisar diferentes cenários (Basta alterar a linha 7).

Da análise inicial dos resultados do simulador, ficam aqui algumas notas:

Maioria absoluta

A PàF deverá precisar de 42,1% dos votos para atingir a maioria absoluta. O PS, com eleitorado mais geograficamente disperso, deverá precisar de mais 3-4 décimas para atingir os 116 deputados. Isto assumindo que o número de votos em partidos pequenos, brancos e nulos será bastante inferior ao das eleições europeias (como habitualmente acontece). Por curiosidade, se o número de votos noutros partidos, brancos e nulos fosse semelhante ao das Eleições Europeias, bastariam 36,9% dos votos para obter maioria absoluta. Ou seja, Seguro ficou a cerca de 5 pontos percentuais da maioria absoluta nas Eleições europeias. Segundo as sondagens mais favoráveis para o PS, Costa está a quase 7 pontos da maioria absoluta.

Coligações pós-eleitorais

PàF
Se o PDR conseguisse manter metade da % de votos do MPT nas Europeias, bastariam à PàF 41% dos votos para poder governar em coligação com o PDR. Se o PDR mantivesse a votação do MPT nas europeias, bastaria à PàF obter 37,9% dos votos para poder governar em coligação com Marinho e Pinto.

PS
Cenário em que o PS pode obter uma maioria no parlamento:
– Se ganhar com menos de 37,6%: apenas em coligação com o PSD.
– Se ganhar com mais de 37,6%: pode atingir a maioria coligando-se com o CDS.
– Se ganhar com mais de 38,4%: pode atingir a maioria coligando-se com o BE (38%,2 juntando também o Livre)

Em todos os cenário razoáveis em que o PS pode atingir uma maioria absoluta em coligação com o BE, também o poderá fazer em coligação com o CDS. Não é pelos números, mas pela linha política, que o PS pondera sequer coligar-se com o BE.

Partido com mais deputados

Para que o PSD seja o partido com mais deputados, a PàF precisa de uma votação mínima de 40,0%. Uma votação abaixo dos 40% e o PSD terá menos deputados do que o PS, mesmo que a PàF tenha uma maioria relativa no parlamento.

Mais votos, mas menos deputados

Devido à dispersão de votos, se o PS ganhar por uma vantagem escassa, pode acabar com menos deputados do que a PàF. Por exemplo, se o PS tiver 37% dos votos e a PàF 36%, a PàF elegerá, mesmo assim, mais deputados.

Liga dos últimos

Como tem um eleitorado mais disperso geograficamente, o PDR precisa de um resultado nacional a rondar os 1,9% para eleger um deputado, enquanto o LIVRE (com eleitorado concentrado em Lisboa) apenas precisará de 1,2%. Estes 1,2% chegam para o LIVRE eleger o seu líder, Rui Tavares. Já Marinho e Pinto precisaria que o PDR imitasse o resultado do MPT nas Europeias para ser eleito por Coimbra. Ou seja, só uma catástrofe impedirá Rui Tavares de ser eleito e só uma grande surpresa fará com que Marinho e Pinto vá para o parlamento.

(Nota: excepto onde mencionado, os números acima assumem uma votação na CDU de 9%, BE de 7%, PDR e LIVRE com 2% cada e 7% para outros partidos, brancos e nulos. Se tiverem alguma sugestão em relação ao simulador, podem deixá-la na caixa de comentários.)

Grandioso passatempo Insurgente – Legislativas 2015: 2ª parte

Há cerca de dois meses, lançamos a 1ª parte do Grandioso Passatempo Insurgente – Legislativas 2015. Na altura, as apostas dos leitores afastaram-se das sondagens que estavam a ser publicadas mas, coincidência ou não, anteciparam os resultados das sondagens de Setembro.

Hoje é lançado um novo concurso. Depois da campanha eleitoral, depois dos debates, qual a vossa aposta para os resultados das eleições? Tal como na primeira fase, o grande vencedor receberá uma cópia do livro “O Economista Insurgente”.

Tudo o que têm a fazer é deixar na caixa de comentários deste blog a vossa aposta para o resultado das 4 maiores listas, mais o resultado daquele que acham que será o 5º partido. Em caso de empate, ganhará quem adivinhar o 5º partido mais votado ou o leitor que tiver colocado a sua aposta mais cedo.

Fica aqui a minha previsão revista:

PàF: 39%
PS: 35%
CDU: 9%
BE: 7%
5º partido: 2% (PDR)

Podem colocar as vossas apostas até ao meio-dia de sábado.

Sobre as sondagens e a sua interpretação

Um excelente artigo de Pedro Magalhães, que mostra que é possível ter convicções políticas bem vincadas e simultaneamente levar a cabo uma análise de qualidade e com base em dados tão objectivos quanto possível: Um guia para os perplexos.

Em suma, a coligação sangra até Julho de 2013, mas a partir daí estanca. Na verdade, a pergunta que apetece colocar é por que razão a coligação não recuperou mais. Não sei a resposta a essa. O desemprego melhora, mas sabemos que em parte devido à criação de emprego e em parte devido à emigração e emprego precário. O crescimento foi positivo, mas modesto. As percepções da economia a a confiança do consumidor melhoraram, mas ainda estão do lado negativo. O primeiro ministro e o vice-primeiro ministro continuam extremamente impopulares (se encontrarem no país cartazes onde eles aparecem digam, sim?). A confiança no governo aumentou, mas continua a níveis muito baixos. Os pensionistas são uma parte muito importante do eleitorado do PSD, mas foram um alvo preferencial. Etc. Eu não sei a resposta, mas aqui o que importa é que a pergunta certa talvez não seja bem a que muita gente tem colocado.

Leitura especialmente recomendada a Helena Roseta e pessoas em condição similar.

Helena Roseta sobre as sondagens: “Ou seja”

Mais um pequeno mas significativo contributo para a credibilização do PS (embora deva ser realçado que há certamente gente nos restantes partidos capaz de contributos similares).

Que desconto me fazem por este governo?

O meu texto de ontem no Observador.

‘Estava quase, quase, quase convencida a votar na coligação. Durante bastante tempo vivi decidida a votar em branco. Depois começou a pré-campanha e António Costa fez-se ouvir, os socialistas do twitter pegaram fogo e a reação de qualquer pessoa com sistema nervoso central com validade é arrepiar-se e perceber que nada é tão mau como ter um governo de socráticos impenitentes outra vez.

Assisti de pasmo em pasmo à tentativa de António Costa e do PS de culparem o PSD pela necessidade de um resgate financeiro internacional. É certo que os eleitores votaram duas vezes em José Sócrates – pelo que a avaliação da inteligência dos portugueses feita lá pelos lados da sede do PS não deve ser famosa – mas mais valia fazerem tempos de antena com a mensagem ‘votem em nós, loosers’. O PS governou quase sem interrupção entre 1995 e 2011. Não era necessária aprovação do PEC4 no Parlamento. A demissão do governo depois da votação contra o PEC4 foi um capricho do PS, que como minoritário tinha a obrigação de negociar consensos com a oposição em vez de lhe impor o ego de Sócrates. O facto de o governo se ter demitido também não justifica resgates da troika, que não existiram quando houve eleições antecipadas em 1987, 2002 e 2005.

A insistência do PS nesta mentira só mostrou como o partido de Sócrates continua a conviver mal com a verdade e a realidade. E, pior, que não entenderam (ou escolheram não entender) o que aconteceu no país antes de 2011 que levou à necessidade da simpática troika.

Depois seguiu-se a semana dos insultos aos jornalistas. Por estes dias os alvos dos socialistas de cabeça perdida são as empresas de sondagens – que têm a desfaçatez de dar maior intenção de voto à coligação do que ao PS – e os media que lhes encomendam os trabalhos. (Nem refiro o surreal desconhecimento que Costa tem do programa económico que uns economistas lhe impingiram, e das respetivas contas, que isso merece uma crónica inteira.)

E foi assim que eu fiquei quase convencida a votar na coligação, com o trabalho de persuasão todo feito pelo PS.

Andava eu, portanto, a magicar formas de conseguir votar numa coligação que implementou umas tantas políticas às quais tenho absoluta objeção de consciência.’

O resto está aqui.

António Costa chumbou a inglês técnico?

Na última semana António Costa entendeu demarcar-se – ainda mais – das políticas ao centro (semelhantes às implementadas pela coligação PSD/CDS) e virar-se para a extrema-esquerda.

Primeiro, no debate televisivo com Jerónimo de Sousa, disse que sabe que poderá contar com o PCP e que o diálogo é possível. Dias depois afirmou que, caso a coligação ganhe, inviabilizaria o Orçamento de Estado, apesar disso contradizer o que o próprio António Costa acreditava anos atrás: Prova A e Prova B. Troca-tintas? Sim, mas como irrevogabilidade na política tem outro significado nada garante que não mude de opinião até ao dia 4 de Outubro.

Noto, portanto, que o líder do PS não seguiu com atenção as recentes eleições no Reino Unido. Os trabalhistas também negligenciaram o centro e, consequentemente, “deram” a maioria absoluta ao conservadores. Vital Moreira, da “família chegada” do PS, fez o correcto diagnóstico dos resultados daquele escrutínio eleitoral (via Miguel Noronha). Chamou-lhe “Fábula” (meu destaque):

“Não foram os conservadores que arrastaram o centro político com uma suposta “dinâmica de vitória” (que simplesmente não existia); foram os trabalhistas que o assustaram com a incerteza política e económica que resultaria da sua eventual vitória. Ora, quem aliena o centro perde as eleições.”

António Costa não aprendeu com os ingleses. Está a perder o centro e a tendência das sondagens assim o demonstra. Ainda vai a tempo de recuperar? Talvez. Contudo, o PS já deu muitos sinais de alerta que possui uma “atracção fatal” por políticas da extrema-esquerda que, quando evidenciados, vai tentando esconder.

Conselhos a António Costa

To

29 conselhos a Costa para ver se começa a subir nas sondagens nem que seja só um poucachinho. Por Luciano Alvarez.

18. Dar um mergulho no Tejo, mas saltando da Ponte 25 de Abril para ninguém poder dizer que está a imitar Marcelo Rebelo de Sousa.

19. Leiloar os calções amarelos do dia do seu casamento, que a sua campanha publicou na fotografia do Facebook, e leiloar a receita a uma instituição de solidariedade social da terra de Seguro.

(…)

25. Jurar que a culpa de o passadiço que liga o Cais das Colunas ao Cais do Sodré ter ido para obras um ano depois de ser inaugurado é de Sócrates porque fez passar por ali vários camiões carregados com o livro A Confiança no Mundo – Sobre a Tortura em Democracia para ofertas.

(…)

29. Começar a jogar no Euromilhões, Totoloto, raspadinha e no novo Placard apostando forte para, se estas medidas não resultarem, sair do PS com algum conforto financeiro.

PSD/CDS 35,3%; PS 34,7%

Coligação PSD/CDS recua na Aximage, cuja mais recente sondagem apresenta resultados praticamente iguais aos mais recentes da Eurosondagem. Em resumo, persiste o empate técnico: Coligação PSD/CDS perde terreno para PS.

Continuar a ler

O (verdadeiro) legado de José Sócrates

Há cerca de 15 meses escrevi um post que, julgo, a tendência das sondagens parece confirmar:

antonio_costa_jose_socrates

ouvi comentários que, se António Costa for eleito secretário-geral do PS, as probabilidades do partido obter maioria absoluta nas próximas legislativas aumentam exponencialmente. Até pode acontecer, mas mais por demérito do governo PSD/CDS do que por mérito das capacidades políticas do actual presidente da Câmara Municipal de Lisboa. Passo a explicar a minha previsão.

Acredito que o eleitorado português está cada vez mais ciente do passado. Acredito que um número crescente de portugueses vêem os políticos pelo que realmente são: aspirantes a clientelas da usurpação pública de rendimentos privados. Acredito que muitos olham para o legado de José Sócrates (falência de um país) não apenas como o falhanço de um indivíduo mas de todo o partido que o apoiou.

Relembro que, no mês anterior à demissão como primeiro-ministro, Sócrates tinha, no XVII Congresso do partido, sido reeleito secretário-geral por 93,3% dos militantes presentes. Sócrates entretanto saiu de cena(!) mas as bases permanecem. E é isso que assusta muito do eleitorado. Principalmente quando as propostas políticas para resolução da crise são as mesmas ilusões de sempre. António Costa, ex-ministro de José Sócrates é apenas mais um de tantos daqueles militantes! Chega a um ponto que os portugueses não querem mais continuar a ser enganados.

Empate técnico

Sondagem: coligação volta a subir e PS a cair

Um ponto percentual separa agora as duas forças. É a menor diferença registada desde que António Costa chegou à liderança do PS. Na popularidade, Passos regista saldo positivo. Não são boas notícias para o Largo do Rato.

Continuar a ler

Presidenciais: sinais de bom senso no PS

Como tenho referido, os sinais de que, contrariamente às expectativas iniciais de quem lançou a candidatura, o PS poderá não apoiar uma candidatura presidencial que é marcadamente da área da extrema-esquerda são positivos e devem ser louvados: PS cada vez mais longe de Sampaio da Nóvoa

O estado-maior da candidatura de Sampaio da Nóvoa está preocupado com o distanciamento da direcção do PS. No secretariado nacional ninguém é a favor do apoio ao ex-reitor.

Continuar a ler

PS 36,3%; PSD/CDS 34,8%; CDU 10%; BE 5%

Sondagem Eurosonsagem: A dois meses das eleições legislativas, estreita-se a diferença entre as duas principais forças políticas. Socialistas mantêm a dianteira, mas abaixo da margem de erro