O LA-C levantou aqui a questão do impacto da declaração de Obama apoiando o “casamento” homossexual na campanha, colocando a hipótese de a mudança de posição de Obama poder facilitar o posicionamento de Romney ao centro.
Não creio que o impacto seja tanto esse, mas mais do de mobilizar as respectivas bases de apoio. Obama parece apostar em mobilizar os elementos mais esquerdistas da base que o elegeu, o que é compreensível face à desilusão de muitos que votaram Obama em 2012. Por outro lado, é natural que essa tentativa de mobilização tenha também algum impacto simétrico na mobilização dos eleitores mais conservadores em torno de Romney, o que não será insignificante já que o perfil centrista de Romney e as suas próprias crenças religiosas fazem com que, à partida, não seja o candidato mais entusiasmante para grande parte das bases do GOP.
De qualquer forma, como esse será um segmento no qual a campanha de Obama sabe que tem poucas hipóteses de penetração, admito que o cálculo seja o de mobilizar os sectores mais à esquerda apostando no aprofundamento das clivagens existentes nos EUA e dando como completamente perdidos os values voters.
Considerando os muitos milhões que terá ao seu dispor, o tratamento extremamente favorável da generalidade dos media e as suas competências a nível comunicacional, creio que Obama continua a ser o favorito, mas se as coisas continuarem por esta via, as eleições podem acabar por ser mais interessantes do que o esperado. Apesar de não entusiasmar, considero ainda assim que Romney é um candidato melhor que McCain e que em alguns aspectos – especialmente de política interna – poderia marcar a diferença face a Obama, pelo que acompanharei com interesse a campanha.
A propósito:
Rasmussen: Obama 43% vs. Romney 50%
Gallup: Obama 44% vs. Romney 47%