Respeito!

Apesar dos esforços dos cartazes e cartas do António Costa. Grande Líder só há um. O Kim e mais nenhum.

“‏@DPRK_News
Davos World Economic Forum proclaims 14 traits shared by great leaders. All such traits are possessed by Supreme Leader Kim Jong-Un!”

Compreender o putinismo XXVIII

stesov

Oleg Sentsov é um cineasta ucraniano. Foi condenado a passar duas décadas na prisão por um tribunal militar russo que deu como provadas as acusações de dirigir uma célula terrorista na Crimeia em 2014. Dentro das actividades subversivas dadas como provadas, está o plano de Oleg Sentsov fazer explodir uma estátua de Lenine.

Se descontar as honradas tradições que fazem do Putinismo aquilo que é, achar curioso que um tribunal militar russo profira sentenças sobre uma guerra inexistente, no sentido em que não participou com um único militar e passar uma esponja sobre a natural oposição à anexação russa da Crimeia, ser levado a acreditar que durante o tempo que esteve preso Oleg Sentsov não foi tocado por ninguém das forças de segurança russas e que as queixas de tortura que apresenta são resultado de práticas sadomasoquistas, diria que Oleg Sentsov merecia um louvor.

Corbynomics apoiada

JC

De acordo com a última tendência a Corbynomics é moderada e humana. O fanatismo está na austeridade. Quem o diz é a Academia.

Leituras recomendadas: Retratos de mais um messias canhotoJeremy Corbyn: o messias na graça dos deuses do proletariadoJeremy Corbyn and Daniel Hannan on Socialism

A causa das coisas

homer_dohHá pouco no twitter envolvi-me numa discussão bem disposta com o João Galamba e o Pedro Morgado (indefectível socialista) a propósito da entrevista do pobre do ex-Ministro da Saúde Correia de Campos à nova versão da Renova, o jornal Público. O dito rolo de papel macio de folha dupla intitula a entrevista assim:

“Vamos herdar uma dívida de mais de 1,5 mil milhões de euros na saúde”

Como em 2011 a dívida era 3 mil milhões de euros, achei piada ao título, só que o que Correia de Campos diz é:

“..vamos herdar uma situação de passivo [na saúde] pelo menos de 1,5 a 1,6 mil milhões.”

E, digo eu, o passivo em 2011 era de cerca de 6,4 mil milhões de euros. Primeira reacção dos ditos:

Isso são números completamente inventados. Ou seja, eu (ou alguém) estaria a mentir.

Ora como lhes mostro que 6,4mil milhões de passivo é resultado da auditoria do Tribunal de Contas em 2011, a segunda reacção é: Não sabes a diferença entre dívida e passivo. Como o ex-Ministro diz explicitamente “passivo“, a terceira reacção passa a ser, ele está a falar de “nova dívida”. Reafirmo eu: na entrevista Correia de campos é explícito, fala de “passivo”. Quarta reacção: eu conheço o homem já falei com ele sobre isso, ele refere-se a “nova dívida”. Repito o que o sr diz na entrevista: “..vamos herdar uma situação de passivo [na saúde] pelo menos de 1,5 a 1,6 mil milhões.”

Posto isto, perdei toda a esperança vós que aqui entrais. Discutir com a esquerda (e parte substancial da dita direita) é isto. Mas que é divertido, é.

 

Imperialismo ianque e prudência gaulesa

Franca

Um marroquino armado com uma espingarda Kalashnikov, munições e várias facas provocou três feridos num comboio de alta velocidade que fazia a ligação entre Amesterdão e Paris. Foi impedido de massacrar a seu belo prazer causar mais estragos por dois passageiros, militares norte-americanos desarmados.

Seguir as notícias sobre mais um atentado terrorista não deixa de ser um exercício peculiar. Apesar de uma fonte de uma força anti-terrorista europeia ter anunciado que se tratava de um militante islâmico, a polícia francesa recusou especular sobre as verdadeiras motivações do terrorista. Imagino eu, que a criatura podesse ser um militante mórmon ou outra coisa parecida apesar de ter sido identificado como militante islâmico. É caso para dizer, mesmo em França, a culpa é da América.

Corações ao alto

Da exclusiva responsabilidade dos EUA, Israel e restantes mal-intencionados.

The Iranian-Saudi Proxy Wars Come to Mali

In schools, mosques, and cultural centers, Shiites and Sunnis are battling for African hearts and minds.

(…)

Neither Iran nor Saudi Arabia has explicitly promoted violence in Mali. Diabaté, along with his Sunni counterparts, makes it clear that “Shiites, like everyone else, know that extremist groups in the north show no mercy.” Yet the creation of previously nonexistent sectarian identities for political ends leads to divisions that become associated with political agendas.

Imam Baba Diallo, another member of the High Islamic Council of Mali, said he wants to organize interfaith dialogue between the different sects but has yet to find funding. He looks grave as he talks about the potential consequences of inaction.

“If we fail [to heal the divide], the next war will be between Sunni and Shiite,” he said.

Do imperialismo chega o golfinho

golfinho

O mamífero marinho foi apanhado pelo Hamas em plena actividade subversiva. Terá sido presente a juíz e aguarda a presença de um tradutor.

Leitura complementar: Do imperialismo chega o cisne.

 

 

Retratos de mais um messias canhoto

Corbyn

Corbynomics: A path to penury, de Adam Memon.

(…) As John Maynard Keynes once said, this is ‘an extraordinary example of how, starting with a mistake, a remorseless logician can end up in bedlam’. Of course many markets are not functioning as we would like them too. More often than not the fault rests with poorly targeted and excessive state intervention, and anti-competitive corporatism. Many markets need to be reformed but increasing state power, control and ownership is the antithesis of the reforms that are needed. In areas from tax policy to monetary policy, Corbynomics can only lead to chaos and calamity.  (…)

 

E Jeremy Corbyn’s Magical Mystery Tour, por Charles Crawford.

(…)  If the Labour Party chooses Corbyn as leader, it will be a power-play by the worst collectivists in our society to poison the well of intelligent public thought in favour of witchcraft.

Corbyn’s success will shift public debate towards anti-semitic populist collectivism, with an implied menace of fascist street violence and trades union bullying.

What in fact stands between one of the world’s leading economies and a brisk slump to Venezuelaisation? Maybe not much.

 

Não consigo “arranjar” um título

Muere ahogada en Dubái al no permitir su padre que los socorristas la tocaran

El padre dejó que su hija se ahogara antes que ser tocada por los miembros de un equipo de rescate que acudió en su ayuda

(…)

«El padre llevó a su mujer e hijos a un picnic a la playa. Los niños estuvieron nadando, cuando de repente la chica de 20 años comenzó a pedir ayuda. Dos hombres acudieron al rescate, sin embargo se encontraron con un obstáculo que les impedía llegar hasta ella. Este obstáculo eran las creencias de su padre que no permitían que un hombre la tocase porque la deshonrarían», contó el policía al mando.

«El padre era un hombre alto y fuerte. Empezó a empujar a los hombres y se puso violento con ellos. Dijo que prefería que muriese antes que ser tocada por unos extraños». (…)

Blogar faz mal à saúde

Blogger Hacked to Death in Bangladesh, Fourth This Year

Attackers armed with machetes killed a blogger in Bangladesh on Friday, the fourth killing of an online critic of religious extremism in less than six months.

Niloy Chatterjee, 40, who advocated secularism, was killed in his flat in the capital Dhaka, said police official Mustafizur Rahman.

“We are speechless. He was demanding justice for the killing of other bloggers,” said Imran Sarker, head of a network of activists and bloggers.

“Who will be next for demanding justice for Niloy?”

Chatterjee, who used the pen-name Niloy Neel, was a critic of religious extremism that led to bombings in mosques and the killing of civilians, Sarker said.

Chatterjee was also one of hundreds of bloggers driving a movement demanding the death penalty for Islamist leaders accused of atrocities in Bangladesh’s 1971 war of independence.

O socialismo a funcionar

NM

Camaradas, a aparente crise venezuelana  não é mais do que a sacudidela sem a qual não existiria a transição para o Socialismo que tem como meta extinguir todos os vícios do ultrapassado capitalismo gerador do caos, no qual navega a burguesia parasitária. Com o Socialismo patriótico o Povo será feliz, livre e auto-suficiente.

 

Saquean camiones con comida y queman un ayuntamiento en Venezuela

Los atacantes justificaron el saqueo por la escasez de víveres que viven en la región.

Os transgénicos e a irracionalidade

E agora, que vão dizer os opositores aos transgénicos? Por António Coutinho.

Este processo de melhoramento das espécies “domesticadas” foi uma verdadeira epopeia, como o foram as inúmeras e extraordinárias deslocações de espécies interessantes, transportadas das terras originais para todo o mundo (basta lembrar que antes das “descobertas”, a Europa vivia sem batatas, feijão, tomate, café, entre muitas outras coisas). Nos tempos modernos, a melhoria na agricultura foi dramática: ainda no século passado conseguimos um feito inimaginável pouco antes (particularmente pelos malthusianos e outros profetas da desgraça): o mundo passou a produzir dez vezes mais alimentos com dez vezes menos agricultores e ocupando apenas uma parte dos terrenos cultiváveis por esse mundo.

Esta evolução “cultural”, com tudo o que tem de “artificial”, ou seja, de mão humana, representa um enorme progresso na luta contra a fome e a subnutrição, e deve-se à conjugação de muitas outras descobertas e inovações, como o conhecimento dos solos, os processo “artificiais” de rega e outras protecções contra variações climáticas, a invenção e utilização de novos adubos e pesticidas, a mecanização e automatização de processos.

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Os mandatários do partido unipessessoal de Rui Tavares

Segundo o Público

São dois nomes bem conhecidos dos portugueses. O psiquiatra e sexólogo Júlio Machado Vaz e o sociólogo e professor catedrático jubilado Boaventura de Sousa Santos, são os mandatários do Livre Tempo de Avançar para a campanha às eleições legislativas de Outubro. No primeiro caso, é o mandatário pelo Porto; no segundo, por Coimbra.

Manuel Luís Goucha, Cristina Ferreira e Jorge Jesus também são outros nomes bem conhecidos dos portugueses.

A ADSE e o “apartheid” entre funcionários públicos e os outros cidadãos

Uma nota breve sobre a ADSE por parte de um seu beneficiário. Por João Paulo Almeida Fernandes.

Para terminar, mostrando a ADSE, como terá acontecido no ano transacto, a sua viabilidade económica, não dependente de subsídios do Estado, antes gerando superavits (que no caso de uma empresa privada seriam reinvestidos na melhoria do serviço prestado), não vejo qualquer motivo, num país democrático, que se mantenha uma situação de “apartheid” parcial entre os funcionários públicos e suas regalias e os outros cidadãos que mesmo que estejam dispostos a pagar, não podem beneficiar dos mesmos serviços.

Leitura complementar: O estranho caso da ADSE; A ADSE só está bem quando é deficitária ? (2)

Compreender o putinismo XXVII

Putin

Geórgia, a renovada linha da frente da guerra na Ucrânia.

Last week, Russia completed its latest land-grab in Georgia. Having interfered in, and, ultimately, illegally occupied, the province of South Ossetia since the early 1990s, Russia has gradually consolidated its position, erecting barbed-wire fencing and expensive CCTV equipment to supervise its area of control.

The most recent operation has pushed the so-called “Republic of South Ossetia” a further 300 metres (980 feet) into Georgia, splitting farms in half and bringing a kilometre-long portion of BP’s Baku-Supsa pipeline, which carries oil from Azerbaijan to the Black Sea, under Russia’s control.

Georgia’s main east-west highway is now only 950 metres from an area now securitised by the Russian army.

The strategic value to Russia of the country having such a strong hold on energy flows from the Caspian to the Black Sea, as well as holding a key vantage point over Georgia’s east to west traffic flows and troop movements, is clear for all to see.

What’s less clear, however, is why the European Union and the United States have been so muted in recent months.

Russia has not been shy in signposting its intentions. Indeed, their latest territorial incursion follows an agreement signed in March between Vladimir Putin and the breakaway region’s President Leonid Tibilov aimed at further assimilating South Ossetia into the Russian Federation and harmonising defence and economic policy between the two.

With Russia on the verge of orchestrating a Crimea-style annexation of South Ossetia, the expansion of territory makes a lot of sense to Moscow.

Leitura complementar, If Europe is from Venus, then Russia is from Mars.

 

Saí um Nobel para Blatter

putinblatter

 

Relações que fazem sentido e que dão frutos.

Russian president Vladimir Putin believes FIFA president Sepp Blatter is worthy of the Nobel Prize.

“I think people like Mr. Blatter or the heads of big international sporting federations, or the Olympic Games, deserve a special recognition.” Putin said on a Swiss television station, according to Reuters. “If there is anyone who deserves the Nobel prize, it’s those people.”

Putin also said he doesn’t believe Blatter is personally guilty of corruption despite a widespread corruption scandal engulfing FIFA.

Estão avisados

kim

América, o Inverno está a chegar.

North Korea would “leave no Americans alive” should the two countries again meet on the battlefield, the hermit country’s leader, Kim Jong-un, threatened on Monday.

The country is in the midst of celebrating the 62nd anniversary of the armistice agreement that put a decades-long freeze on the Korean War. A peace treaty was never signed and Pyongyang has continued to celebrate the agreement as a victory in the war.

On Monday, after a weekend of pompous speeches by the reclusive country’s leaders, the streets in its capital city were decked with flags and banners as crowds cheered its “victory over U.S. imperialism.”

 

 

A ADSE só está bem quando é deficitária ? (2)

O meu artigo de ontem no Observador (O estranho caso da ADSE.) tem suscitado bastante feedback por vários meios (os comentários ao artigo são uma boa ilustração disso mesmo), uma parte substancial do qual – sem surpresa – de beneficiários do actual subsistema de saúde exclusivo dos funcionários e pensionistas do Estado.

Uma parte reconhece os problemas – de eficiência e equidade – na actual configuração do sistema. Outra parte nem por isso, preferindo, regra geral, focar a argumentação numa de entre várias concepções de “direitos adquiridos”.

Na impossibilidade de responder individualmente a todos, gostaria de deixar duas notas gerais:

1 – Não me parece eticamente condenável, a título individual, que quem tem ou teve oportunidade de beneficiar do subsistema de saúde exclusivo dos funcionários e pensionistas do Estado o faça dentro das regtras vigentes. Questão diferente é a de quem, por beneficiar do sistema, prefere não reconhecer os problemas de equidade suscitados pela ADSE ou a necessidade de equilíbrio financeiro do sistema.

2 – A quem se queixa do valor elevado da contribuição que paga para a ADSE, recordo que actualmente essa contribuição é voluntária, podendo optar por sair do sistema. É aliás curioso que no ano em que muitos previam um êxodo em massa e o colapso da ADSE por causa da subida da taxa para 3,5%, o resultado final tenha sido o meu saldo positivo de sempre. Não garante, claro, nada para o futuro, mas também isso deveria ser matéria de reflexão para quem tanto criticou as medidas tomadas para promover a sustentabilidade financeira da ADSE.

Leitura complementar: O estranho caso da ADSE.

Toma, embrulha e aprende

As pessoas – principalmente as mulheres ocidentais, com óbvias manias de superioridade  – têm que respetar a diversidade, as especificidades culturais e legais de países como o Irão ou a Arábia Saudita.

A ADSE só está bem quando é deficitária ?

O meu artigo de hoje no Observador: O estranho caso da ADSE.

Estranhamente, enquanto se sucederam saldos negativos da ADSE suportados pelo Estado nunca foram levantados problemas, mas o saldo positivo de 2014 gerou uma onda política e mediática de indignação.

No paraíso socialista

O Querido continua a tradição de olhar para as coisas na mais bem conseguida democracia popular de que há memória

O Querido continua a tradição de olhar para as coisas na mais bem conseguida democracia popular de que há memória

A idolatria ao serviço do Querido Irmão.

Ending months of speculation, Daily NK has learned that Kim Yo Jong, Kim Jong Un’s younger sister, has been put in charge of idolization projects for the leadership within the Propaganda and Agitation Department [PAD], while the head of the group, Kim Ki Nam, has been relegated to a supportive role therein.

A source close to North Korea in Japan told Daily NK on the 20th, “Kim Yo Jong is assisting in consolidating Kim Jong Un’s power, which is what her aunt, Kim Kyong Hui, once did. As vice director of the Propaganda and Agitation Department, Kim Yo Jong is actually in power and leading idolization projects related to Kim Jong Un.”

This news was corroborated by an additional source within North Korea, but for her safety Daily NK cannot release her region.

The source added that Kim Jong Un, currently in his fourth year at the helm of North Korea, directly assigned his sister to the project in order to fortify idolization projects perpetuating the regime’s cult of personality, a cornerstone of the system.

“It is said that Kim Jong Un has the utmost trust and confidence in his sister,” he asserted, speculating that Kim Jong Un saw his sister as the most apt person to undertake the task of promulgating the “Greatest Dignity,” given that she herself shares the legitimating bloodline [Baekdu bloodline] of the North Korean leadership widely and frequently proclaimed by official propaganda outlets.

Her status as his biological sister places her on a pedestal of trust amid the leader’s cycle of purges, which the source described as “indicative of Kim Jong Un’s overall lack of trust among the Party cadres surrounding him.”

É urgente rever o acesso às urgências

Minudência nesta época épica, mas ainda assim importante abordar.

Recorro, ou socorro-me, de uma lapalissada para contextualizar o problema. A urgência hospitalar tem um propósito claro, que hoje poucos saberiam identificar: tratar casos urgentes. Se agora é mais difícil perceber o verdadeiro intento das urgências hospitalares, não o era na 1ª Grande Guerra, quando o serviço se generalizou — o seu propósito era tratar feridos de guerra, casos de vida ou de morte que requeriam tratamento imediato. O que naturalmente exclui gripes ou dores de cabeça.

O resto está no Observador.

Uma “Saúde” injusta

adseNo Diário Económico de hoje, Vital Moreira escreve um artigo em que defende “a extinção da ADSE (o sistema de saúde próprio dos funcionários públicos, criado ainda no Estado Novo)”, argumentando que “(i) não faz sentido que, havendo um SNS público universal, o Estado oferecesse paralelamente um sistema de saúde “convencionada” aos seus funcionários; (ii) em qualquer caso, era socialmente iníquo que uma benesse privativa dos funcionários públicos fosse paga em grande parte pelos impostos de toda a gente, que já pagam o SNS.”

Não pretendo contestar as conclusões do dr. Vital, mesmo tendo em conta que são provenientes de alguém que em tempos se deixou arrebatar por paixões políticas por gente do calibre de Brejnev, Cunhal, ou José Sócrates (deixo ao leitor a difícil questão de qual deles o pior). Os desvarios da juventude (aos sessenta, quando se enamorou pelo socratismo, Vital Moreira era certamente jovem de espírito) não devem desqualificar uma pessoa para toda a eternidade. E a verdade é que o ex-deputado do PCP e cabeça de lista do PS ao “Parlamento” Europeu tem, ultimamente, dito coisas bastante sensatas. No entanto, concordando com o dr. Vital na caracterização da ADSE como um sistema fundamentalmente injusto, não posso deixar de achar um dos seus argumentos profundamente errado: o de que “a benesse privativa dos funcionários públicos” é “paga em grande parte pelos impostos de toda a gente”. Na realidade, essa é uma benesse paga inteiramente pelos impostos de todos aqueles que a ela não têm acesso.

É verdade que a ADSE funciona, em teoria, como um sistema de seguros privado, alimentado pelas contribuições individuais dos seus beneficiários: os funcionários públicos que dele escolhem beneficiar descontam dos seus salários para ter acesso a esse sistema. Mas vejamos: quem paga esses salários? O Estado. E onde vai o Estado buscar o dinheiro para pagar esses salários? Aos impostos dos contribuintes. Como o que os funcionários públicos pagam de impostos corresponde a uma parte desses salários que o próprio Estado paga, é fácil de perceber como esses impostos não passam de dinheiro que sai de um bolso para logo voltar a entrar nele, e que o saldo dessa “operação” é zero. Como é fácil de perceber que todo o dinheiro que o Estado gasta, incluindo o que gasta em salários de funcionários públicos, é dinheiro dos impostos de todos os outros contribuintes. Os descontos dos funcionários públicos para a ADSE, no fundo, são descontos feitos sobre salários pagos pelo dinheiro extraído dos bolsos de todos os que (e na medida em que) não têm no Estado a origem desses rendimentos.

Algumas alminhas mais sensíveis e menos perspicazes estarão, a este ponto do texto, a acusar-me de “lançar o anátema sobre os funcionários públicos”. Nada disso. Qualquer comunidade política que pretenda ser minimamente funcional precisa de um Estado – de um aparelho burocrático minimamente organizado e capaz – para desempenhar as tarefas que os seus membros entendam (mal ou bem) ser da responsabilidade desse (mais ou menos extenso) “Leviatã”. E para ter esse aparelho burocrático, precisa de cobrar impostos que financiem os salários das pessoas que o integrem. O facto dessas mesmas pessoas terem os seus rendimentos “à custa” do que se extrai dos rendimentos dos que não integram esse Leviatã não implica necessariamente uma injustiça: é apenas e só a relação entre “funcionários públicos” (e restantes “dependentes” do erário público) que decorre da necessidade do Estado existir e de só se poder financiar de uma forma. O que pode ou não ser injusto é a forma como essa mesma relação se institucionaliza. E no caso da ADSE, ela institucionaliza-se de uma forma extraordinariamente injusta.

O problema não está em os descontos feitos pelos funcionários públicos para terem acesso ao sistema serem provenientes das carteiras dos contribuintes com rendimentos privados, por via indirecta da redistribuição do Orçamento; está no facto de o Estado, por essa via indirecta da redistribuição do Orçamento, extrair parte da riqueza obtida pelos contribuintes com rendimentos privados para subsidiar aos funcionários públicos uma liberdade de escolha no acesso aos cuidados de saúde que nega aos que a subsidiam. “Privatizar” ou “mutualizar” a ADSE não resolveria o problema, pois essa liberdade continuaria ser exclusiva dos seus beneficiários, subsidiados por uma parte da população portuguesa que não teria sequer a possibilidade de escolher tê-la ou não. A única forma de corrigir esse desequilíbrio seria através de uma mudança profunda na forma como o Serviço Nacional de Saúde é financiado, deixando o Estado de 1) dar os funcionários públicos um sistema paralelo ao SNS 2) pretender oferecer cuidados “tendencialmente gratuitos” a quem tem rendimentos que lhe permitiriam aceder a eles através do seu próprio bolso, e 3) financiar os Hospitais, em vez de gastar os seus parcos recursos a garantir a quem não tem com que pagar os cuidados de que necessita as verbas correspondentes, e dando a essas pessoas a mesma liberdade para escolher qual o prestador de serviço a que quer recorrer e entregar o dinheiro.

Claro que essa mudança não resolveria o problema da desigualdade decorrente do facto de alguns portugueses com determinados meios pagarem não só os seus próprios custos com cuidados de saúde como também subsidiarem os dos restantes, porque essa desigualdade não é passível de ser corrigida: é um resultado inevitável da existência de um Estado, e apesar de alguns sonhos libertários, essa entidade (e a função redistributiva que, em maior ou menor grau, necessariamente a acompanha) não será dispensável nos tempos que se avizinham, a não ser que o “modelo sírio” ou o “afegão” se tornem a nova moda. Mas mantendo esse “mal” incorrigível, conseguiria institucionalizá-lo de uma forma muito mais justa do que a corrente divisão entre ADSE e SNS, dando a todos uma liberdade de escolha de que, hoje em dia, só os ricos e detentores de empregos públicos podem beneficiar.

Em Loures também há festa rija

North Korea Elections Achieve 99.97% Turnout

Voters in North Korea’s local elections “dance and sing” their way to the polls, where they have one candidate to choose from. (…)

The elections were Mr Kim’s first at a local level since he inherited the position in 2011, with voters reportedly  “singing and dancing” as they cast their vote at polling stations “clad in a festive atmosphere”.

Pyongyang’s official Korean Central News Agency said: “All participants took part in the elections with extraordinary enthusiasm to cement the revolutionary power through the elections of deputies to the local people’s assemblies”. (…)

Foram Charlie

A rendição de Charlie Hebdo ao terror islâmico

No more Muhammad comics, says Charlie Hebdo editor Sourisseau

“Charlie Hebdo” editor Laurent Sourisseau has told “Stern” magazine he will no longer draw cartoons of the Muslim prophet Muhammad. Souriseau’s statement comes six months after a deadly attack on the magazine’s offices.

O Tsipras já não é fixe

À atenção dos votantes e restantes reforços portugueses do Siryza, antigamente reconhecido como o partido da felicidade e do amor cidadão. Colunista do Publico (espanhol) aconselha acções curiosas ao Primeiro Ministro grego.

Normalmente los políticos que eligen sucidarse ante el público optan por el revólver. En 1987, en mitad de una rueda de prensa, Budd Dwyer sacó una Magnum de una bolsa de papel, advirtió a los presentes que lo que venía a continuación podía resultar desagradable y acto seguido se pegó un tiro en el paladar. Alexis Tsipras ha preferido su arma favorita: la democracia. Varios miembros de su gobierno ya habían dimitido y la plaza Syntagma ardía como en los viejos tiempos. Antes de la furibunda votación en el parlamento griego, más de la mitad de los dirigentes de Syriza renegaron del humillante acuerdo con el Eurogrupo. En ese NO, tan rotundo como el del pueblo griego en el ya célebre y desvaído referéndum dominical, se oían los ecos de la célebre admonición de Churchill a Chamberlain después de que volviera de firmar su lamentable pacto con Hitler. Entre la ruina y el deshonor, habéis elegido el deshonor. Y tendréis la ruina. (…)

Al final de la partida de póker, en el envite decisivo, Tsipras se quedó sin voz, sin hígado y sin agallas. Como si lo que hubiera regresado a Atenas, más que un presidente, fuese un Caballo de Troika. Como si Leónidas se hubiera transformado de repente en Efialtes. En la estrategia de faroles suicidas que había planteado Syriza no había otra salida que el precipicio: abandonar el euro y dejar a los deudores con un palmo de narices. Era la última bala, la única, una puerta que daba al corralito y a la ruina, sí, pero también a la libertad y a esa luminosa sentencia de Tácito: “Es poco atractivo lo seguro, en el riesgo hay esperanza”. Ahora, con la claudicación, no quedan más opciones que la miseria, el vasallaje, la izquierda europea desmantelada, el IV Reich triunfante y un Amanecer Dorado en el horizonte. Tsipras dijo a sus diputados horas antes de la votación decisiva: “Si no votáis a favor de las medidas hoy, me será muy difícil seguir como Primer Ministro”. En efecto, será mucho más fácil seguir como títere de Bruselas. Al menos Dwyer, después de hablar, tuvo la decencia de volarse la boca.

 

Quem formou os Tsripas desta vida, quem foi?

Já em 1985, o Fidel Castro indicava o caminho.

En 1985 Fidel Castro advirtió que la deuda externa era un mecanismo de extorsión impagable

(…)

Para Castro la solución a este mal no estaría sólo en manos de la abolición o anulación de la deuda, sino que requería de la unión de los pueblos en desarrollo, para poder  hacer frente al imperialismo y sus intereses de dominación y explotación.

“Volveremos a estar igual, porque los factores que determinaron esta situación están ahí presentes. Y nosotros hemos planteado esas dos cosas muy asociadas: la abolición de la deuda y el establecimiento del Nuevo Orden Económico Internacional”, manifestó en aquel entonces.

“Es muy importante que estemos conscientes de que esta no es una lucha solo de América Latina, debe ser una lucha de todo el Tercer Mundo, porque es lo que nos da la fuerza. Tienen los mismos problemas y algunos los tienen peores que nosotros, solo que América Latina es la que puede liderar esta lucha, es la que tiene más desarrollo social, incluso, más desarrollo político; una mejor estructura social, millones de intelectuales, de profesionales, decenas de millones de obreros, de campesinos, un nivel de preparación política, habla un mismo idioma”, aseguró en aquella intervención. (…)