Sunitas e xiitas e o apoio ao discurso do Bibi

President Obama, listen to Netanyahu on Iran, Faisal J. Abbas  Editor-in-Chief of Al Arabiya English.

Oremos pelo príncipe Carlos

Prince Charles

We can only pray that our sick planetary patient might be placed on a road to recovery, in the process bringing gains for human well-being.

“Failure to write the prescription, however, might leave us contemplating the death certificate instead.

Procura-se consciência na Câmara de Lisboa

Roseta diz que Salgado tinha “perfeita consciência” dos 4,6 milhões.

A presidente da Assembleia Municipal de Lisboa diz que o vereador Manuel Salgado “tem perfeita consciência” de que a isenção de taxas e compensações urbanísticas que a Câmara de Lisboa propôs que fosse concedida ao Benfica é de 4,6 milhões de euros e não de 1,8 milhões. Então por que é que o autarca nunca corrigiu o valor que tem sido divulgado? “Isso pergunte-lhe a ele”, responde Helena Roseta, recusando fazer uma leitura desse facto.

Rua e lenços revolucionários

Maduro

Enquanto o povo se prepara para defender a revolução nas ruas, a política económica revolucionária de Maduro continua a frutificar.

Os apoios de António Costa

O próprio messias no Casino da Póvoa.

O Terceiro excluído, por João Cardoso Rosas.

(…) Os partidos da social-democracia, que sempre constituíram a primeira ou segunda força política europeia, estão em crise profunda. Não se trata de pensar agora no caso português e na ambiguidade da liderança do PS – António Costa pode andar por aí a repetir as vacuidades que quiser porque na Europa não sabem sequer que ele existe. O que deve fazer pensar são os casos da Alemanha ou da Holanda, onde os social-democratas alinham inteiramente pela política de austeridade. Nos Governos de França ou da Itália, eles pareciam ter uma visão diferente, mas acabaram por não ser consequentes.

O actual debate na Europa é muito importante e dele depende não só o futuro da Grécia, ou de Portugal, mas também o destino do projecto europeu. Neste debate o aspecto político mais surpreendente é, sem dúvida, a auto-exclusão do centro-esquerda.

Entretanto no PCTP/MRPP

Já não s@m@s Syris@.

Adenda: Por um qualquer motivo revolucionário que me escapa, os camaradas do site do PCTP/MRPP removeram o link para o vídeo. No entanto, a revolução do Garcia Pereira continua por aqui. Divirtam-se.

Nova oportunidade para os críticos de cartoons X

A survivor of the Copenhagen attack speaks: ‘If we should stop drawing cartoons, should we also stop having synagogues?’

Compreender o putinismo XV

Há que prestar a devida homenagem aos soldados russos que caíram na defesa da Ucrânia Hungria em 1956.

Maduro: a última vítima da “direita pelo direito à blasfemia”

 

CartoonSemana

O Presidente da Venezuela é a mais recente aquisição da glamourosa equipa dos críticos de cartoons.

Fonte: Semana.

“Uma mensagem assinada com sangue à Nação da Cruz”

Estado Islâmico divulga vídeo da alegada execução de 21 egípcios cristãos

No final das imagens, um dos militantes dirige-se à câmara para dizer que “quando o sangue dos cristãos entrar no mar será misturado com o sangue de Osama Bin Laden”. No plano seguinte, aparece sangue na água e o militante afirma que o grupo vai “conquistar Roma”.

Nova oportunidade para os críticos de cartoons IX

12cartoons

O evento intitulado “Arte, Blasfémia e Liberdade de Expressão” que visava discutir aqueles temas foi interrompido pelo participante Omar Abdel Hamid El-Hussein, nascido e criado no Reino da Dinamarca, que dentro da sua liberdade decidiu responder aos tiros, assassinando o realizador dinamarquês Finn Norgaard. Guiado pela natural insatisfação humana, o crítico expôs os seus pontos de vista à porta de uma sinagoga, assassinado Dan Uzan, membro daquela comunidade judaica. Pelo caminho, dentro da sua liberdade feriu mais cinco pessoas. O crítico de arte – variante cartoons – foi abatido pelas forças repressivas dinamarquesas.

Uma vez mais e ao contrário das vítimas,  os afamados críticos dos cartoons têm a oportunidade para se exprimirem em liberdade. De preferência através da caixa de comentários.

Hot

Arrogant statism of global warming fanatics, por por Daniel J. Mitchell

Global warming may well be real. But climate alarmists, and especially those who follow their agenda, are filled with arrogance and hubris and they have immense power to cause damage  (…)

But here’s the catch. I don’t trust radical environmentalists. Simply stated, too many of these people are nuts.

Then there’s the super-nutty category.

But you know what’s even worse than a nutty environmentalist?

What terrifies me far more are the very serious, very connected, and very powerful non-nutty environmentalists who hold positions of real power. These folks are filled with arrogance and hubris and they have immense power to cause damage.

If you think I’m exaggerating, here’s some of what was contained in a release from the United Nations Regional Information Centre for Western Europe. (…)

Matar, crucificar e desmembrar

Sim, desde que de acordo as altas autoridades religiosas.

Egypt’s al Azhar University, Sunni Islam’s foremost religious authority, called for the “Killing, crucifixion and chopping of the limbs” of Islamic State (IS) terrorists who burnt alive Jordanian pilot Moaz al Kasabeh, probably in Syria.

Já sabemos que a verdadeira culpa deve ser repartida, desde o desaparecimento dos dinaussaros, entre Israel, os EUA, a UE e a NATO.

Mahmoud Charlie Abbas, o novo crítico dos cartoons

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As forças blasfemas atacam onde menos se espera.

Palestinian president Mahmud Abbas has ordered an investigation into a drawing of the Muslim Prophet Mohammed which appeared in a West Bank newspaper, local media reported Tuesday.

The cartoon, which appeared Sunday in Al-Hayat al-Jadida, depicted what appeared to be a giant Mohammed standing on top of the world, sprinkling grains of love and acceptance from a heart-shaped satchel.

Palestinian news agency Wafa quoted Abbas as deeming it “necessary to take deterrent measures against those responsible for this terrible mistake.” (…)

Abbas joined world dignitaries including Israeli President Benjamin Netanyahu on a symbolic march through the streets of Paris days after the attack. (…)

Farmville terrorista

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‘Suicide bomber’ camels, goats, cows and donkeys are being prepared to carry out attacks for Boko Haram, says Nigerian government.

Em Agosto, o líder do grupo terrorista nigeriano Boko Haram, Abubakar Shekau, proclama o califado na localidade de Gwoza, no Nordeste da Nigéria, no estado de Borno. “Graças a Alá, os nossos irmãos alcançaram a vitória em Gwoza, que a partir deste momento faz parte do califado islâmico.” A declaração com a duração de mais de uma hora, foi transmitida em vídeo e constituíu o primeiro passo na concretização do objectivo de implantar a lei e o estado islâmico na Nigéria. Na altura, cerca de 100 pessoas, entre os quais 35 polícias, desapareceram. Em jeito de aviso às autoridades nigerianas, Abubabar Shekau, informou que os islamitas resistirão a qualquer tentativa que seja feita no sentido de os desalojar das zonas ocupadas.
O grupo terrorista Boko Haram tem intensificado durante o último ano as suas acções na zona Norte do país, de maioria muçulmana. Para atingirem os seus objectivos, assassinam não só quem representa alguma forma de ameaça e matam para servir de exemplo, queimando pessoas, casas e igrejas.

70 anos

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Auschwitz.

Hoje a RTP 1 pelas 23.30 h, exibirá a “A Noite Cairá” de Alfred Hitchcock. Trata-se de um documentário que revela imagens dos campos de concentração nazis. A maior parte do filme rodado em 1945 baseia-se no  campo de concentração de Bergen-Belsen. Alfred Hitchcock montou o filme mas por decisão dos Aliados e dada a brutalidade reproduzida na película, acabaria por ficar nos arquivos.

Compreender o putinismo XIV

URSS

Back in USSR.

The Association of Tour Operators of Russia (ATOR) has issued a reminder through Russian media that a new rule for foreign tourists comes into effect as of January 26, obligating them to list the cities, towns and other inhabited areas they plan to visit while in Russia.

Russia’s Federal Migration Service is also requiring proof of an invitation to visit these settlements and the name of the person or organization giving the invitation.  All types of visas must have this information on them.

As complicações de Tarik Kafala

Terrorismo é demasiado ofensivo.

The Islamists who committed the Charlie Hebdo massacre in Paris should be not be described as “terrorists” by the BBC, a senior executive at the corporation has said.

Tarik Kafala, the head of BBC Arabic, the largest of the BBC’s non-English language news services, said the term “terrorist” was too “loaded” to describe the actions of the men who killed 12 people in the attack on the French satirical magazine.

Mr Kafala, whose BBC Arabic television, radio and online news services reach a weekly audience of 36 million people, told The Independent: “We try to avoid describing anyone as a terrorist or an act as being terrorist. What we try to do is to say that ‘two men killed 12 people in an attack on the office of a satirical magazine’. That’s enough, we know what that means and what it is.”

Mr Kafala said: “Terrorism is such a loaded word. The UN has been struggling for more than a decade to define the word and they can’t. It is very difficult to. We know what political violence is, we know what murder, bombings and shootings are and we describe them. That’s much more revealing, we believe, than using a word like terrorist which people will see as value-laden.” (…)

Leituras complementares: Pequeno mas cuidadoso exercício de limpezaNão são separatistas, são assassinos IV.

Compreender o putinismo XIII

Foto: AP

Foto: AP

Na Rússia, a fome voltou a ser patriótica.

Russian Deputy Prime Minister Igor Shuvalov, speaking at the World Economic Forum in Davos, on Friday warned the West against trying to topple President Vladimir Putin and said that Russians are ready to sacrifice their wealth in Putin’s support.

Russia has for the past year been sliding into recession amid a slump in its energy export prices as well as Western sanctions against Moscow’s role in the conflict in Ukraine that has claimed more than 5,000 lives. Questions have been raised in Russia and abroad whether the price that ordinary Russians are having to pay for the annexation of Crimea is too high.

Shuvalov, who is believed to be one of the richest men in the government, said that what he considers the West’s attempts to oust Putin will only unite the nation further.

“When a Russian feels any foreign pressure, he will never give up his leader,” Shuvalov said. “Never. We will survive any hardship in the country — eat less food, use less electricity.”

Shuvalov’s comments triggered pithy remarks on Russia social media including an opposition activist who posted photos of Shuvalov’s Moscow, London and Austria homes to illustrate where the deputy prime minister would experience the hardships he described.

Críticos da Sétima Arte em alta

AE

Apesar da confusão do crítico oriundo da Coreia do Norte, a crítica ao filme “A Entrevista” não pode deixar de ser clara.

O filme A Entrevista já rendeu muita dor de cabeça à Sony, por provocar a ira do regime norte-coreano e de hackers que invadiram o sistema de segurança da empresa em novembro passado. Agora, o longa é responsável por tirar o sono dos organizadores do Festival de Cinema de Berlim, já que o governo de Kim Jong-un acredita que o filme terá sua estreia em Berlim durante o festival, porque ambos acontecem no mesmo dia, 5 de fevereiro. “Esse filme claramente instiga o terrorismo“, diz um trecho do comunicado em tom de ameaça emitido pela emissora estatal norte-coreana, que também afirma que se A Entrevista for para a Berlinale, a Alemanha será vista como uma aliada dos Estados Unidos. Entretanto, o evento já divulgou a sua lista de filmes, e A Entrevista não está entre eles.

De regresso à normalidade lunática II

Foto: Maan Images

Foto: Maan Images

Hamas e Fatah de costas voltadas. E ontem estavam tão bem. Em Julho do ano passado, uma vez mais, os dois principais movimentos palestinianos apesar de terem acordadado na construção de um governo de unidade nacional palestiniano regressam aos confrontos políticos. Na altura, um dos principais líderes do Hamas em Gaza, acusou o governo de unidade palestiniano de ignorar a Faixa de Gaza e reafirmou o que era esperado – é possível que o Hamas volte a retomar o controlo político e militar da área. O autor das ameaças foi Abu Marzouk, dirigente político do Hamas que negociou o acordo de reconciliação nacional com a Fatah. Abu Marzouk responsabilizou também o Presidente Mahmoud Abbas pelo agudizar do conflito.
Sete anos após a última guerra civil palestiniana, a 23 de Abril último, o movimento islamista Hamas e a Autoridade Palestiniana assinaram o acordo de reconciliação nacional que instituíu a 2 de Junho um governo de unidade nacional transitório formado por seis meses, composto por tecnocratas cujos obejectivos maiores passam por incrementar a economia local e preparar as eleições, prevista para… Janeiro de 2015.
De regresso ao mundo real, o que desplotou na altura as critícas do Hamas foram os incumprimentos financeiros aos mais de 50 mil funcionários públicos afectos ao Hamas na Faixa de Gaza que deixaram de receber os seus salários, anteriormente pagos pelos islamistas. O Hamas pediu ainda a demissão dos quatro ministros do governo de unidade nacional que se encontram colocados no território da Faxa de Gaza  em protesto pela falta de pagamentos e pelo facto de Mahmoud Abbas nunca ter visitado Gaza após o acordo de constituição do governo de unidade nacional.
A História tem todas as condições para voltar a repetir-se. Hoje um carro explodiu. já tinha acontecido este espisódio, Terça-feira.

União de facto

Quando os meios justificam os fins: a esquerda radical perante a jihad, a opinião de Rui Ramos no Observador.

Para uma parte da esquerda radical europeia, os jihadistas são o elemento de confronto violento necessário para destruir a democracia liberal e o capitalismo. São os Baader-Meinhof com o Corão. (…)

À esquerda, o radicalismo assentou sempre no culto da violência, concebida como o grande recurso emancipador (George Sorel, em 1908, explicou o que havia a explicar a esse respeito). Fechada a loja dos Baader-Meinhof e das Brigadas Vermelhas, esse culto pôde parecer — como em Violence, de Slavoj Zizek (que, curiosamente, nunca cita Sorel) — um mero devaneio intelectual, sem passagem para a acção: uma espécie de American Psycho (ou, neste caso, Marxist Psycho). O fanatismo armado da jihad mudou tudo, como no poema de Yeats (“a terrible beauty is born”…). Zizek ainda espera substituir o Corão por Marx no bolso dos jihadistas. Mas isso seria apenas um bónus. O que o excita, no caso do Charlie Hebdo, é que, finalmente, há “paixão” contra a democracia liberal. Não são os “bons” (a esquerda radical doutorada em Marx e em Lacan) que manifestam essa paixão? Algumas das suas vítimas são até camaradas de radicalismo? Paciência. Sigamos a paixão, neste caso: o jihadismo. (…)

Ai Francisco, relê a Bíblia

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Sem nunca fazer referência à última publicação do Charlie Hebdo, o Papa Francisco disse algumas palavras sobre a liberdade de expressão  (meu destaque):

Depois de ter condenado os atentados em Paris, o Papa Francisco defendeu esta quinta-feira que há limites para a liberdade de expressão e que as religiões não podem ser alvo de insultos.

“Não se pode provocar, nem insultar a fé dos outros. Há limites. Toda a religião tem dignidade, não posso ridicularizar uma religião que respeite a vida humana”, declarou o Papa aos jornalistas, citado pela agência “Ecclesia”, durante um voo do Sri Lanka às Filipinas.

(…)

E deu um exemplo: “Se o meu bom amigo, o doutor Gasbarri [que organiza as viagens do Papa] ofender a minha mãe, vai levar um murro”, disse.

Talvez seja melhor Francisco reler o livro que serve de base à igreja que lidera. Especialmente Mateus 5:38-44 (meus destaques):

38 Ouvistes que foi dito: Olho por olho, e dente por dente.
39 Eu, porém, vos digo que não resistais ao homem mau; mas a qualquer que te bater na face direita, oferece-lhe também a outra;
40 e ao que quiser pleitear contigo, e tirar-te a túnica, larga-lhe também a capa;
41 e, se qualquer te obrigar a caminhar mil passos, vai com ele dois mil.
42 Dá a quem te pedir, e não voltes as costas ao que quiser que lhe emprestes.
43 Ouvistes que foi dito: Amarás ao teu próximo, e odiarás ao teu inimigo.
44 Eu, porém, vos digo: Amai aos vossos inimigos, e orai pelos que vos perseguem;

Adenda: se tivesse jeito para o desenho [têm de usar a vossa imaginação] a imagem que acompanha este post seria o Papa Francisco a esmurrar o tal Dr. Gasbarri por ofender a sua mãe e Jesus Cristo, desiludido, numa nuvem acima, a dizer: “Francisco!!! Dá a outra face.”

Charlie e nós

Charlie e eu. Por P. Gonçalo Portocarrero de Almada.

Se amanhã alguém metralhar uma sinagoga judia, eu serei, com eles e por eles, judeu. Se uma milícia massacrar os alunos de uma escola palestiniana, norte-americana ou paquistanesa, eu serei um desses estudantes. Se algum fanático matar, em nome de qualquer ideologia ou religião, uma prostituta, um toxicodependente, um sem-abrigo, um travesti, um pagão ou um fiel de outra religião, eu serei tudo isso, sem deixar de ser cristão. (…) Não faço minhas as declarações dos católicos que, por se considerarem justos, dão graças a Deus por … não serem Charlie. Eu também não o sou, mas estaria disposto a sê-lo, para defender a liberdade das vítimas, sejam ou não mártires. Não apesar de ser cristão mas, precisamente, porque o sou.

Terrorismo e multiculturalismo

De joelhos… Por José Manuel Moreira.

Comprende-se a mediatização de proclamações como a do Presidente Hollande: “Os que cometeram estes actos terroristas, estes fanáticos, não têm nada a ver com o Islão.” Só que o mundo real é pouco dado a tais subtilezas, correndo-se o risco de entrar por caminhos em que as Cruzadas vão parecer uma brincadeira de crianças. Como se a melhor ajuda aos muçulmanos que chegam à Europa não fosse vincar a relevância da tradição europeia para a sua integração e protecção por leis e instituições próprias de uma sociedade aberta. Em vez de se fomentar um multiculturalismo que a tribaliza: dando azo à destruição da civilização ocidental tal como a conhecemos, com base numa falsa equivalência moral das visões em confronto.

Boaventura Sousa Santos e o terrorismo

Os dias difíceis do professor Boaventura. Por José Manuel Fernandes.

A surpresa do texto de Boaventura não é o seu conteúdo – é a sua timidez. É por isso que é “difícil”. Circulando pelas redes sociais e por alguns blogues radicais tropeçamos em cada esquina com “explicações” e “interpretações” semelhantes que só não tiveram mais projecção desta vez porque o Charlie Hebdo era uma publicação de esquerda, as vítimas eram jornalistas e a liberdade de expressão um valor profundamente entranhado na nossa cultura. Se o único atentado de Paris tivesse tido o do supermercado kocher e as únicas vítimas alguns clientes judeus, Ana Gomes não teria ficado isolada, antes teria comandado a carga dos que estão sempre pontos a culpar as vítimas e a desculpabilizar os bárbaros. O que o nosso pregador agora fez foi apenas tentar recuperar o terreno perdido para tratar de dizer, como sempre diz, que os bárbaros somos nós. Vale por isso a pena perder algum tempo com essa ideia de que a culpa é sempre nossa – nossa hoje, nossa no tempo da colonização e da descolonização (sobretudo se for a descolonização da Argélia), nossa desde o tempo da tomada de Ceuta, ou das Cruzadas, ou de D. Afonso Henriques, ou até de Júlio César.

A linha que nos separa

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Diziam-nos que estávamos errados. Diziam-nos que tudo era relativo. Diziam-nos que não podíamos comparar. Diziam-nos e continuavam a dizer que era tudo uma questão de contexto social. Valores, princípios e crenças desfigurados por uma acepção muito crítica do Ocidente, nunca dos outros. Os outros, esses, não estavam certos ou errados, éramos nós que estávamos errados em julgá-los. Uma concepção amoral da vida, em que o bem e o mal se desvanecem na tábua rasa.

Pois que seja. Que não façamos juízos valorativos, juízos morais sobre o que nos separa. Os princípios e valores que, mais do que raça, cor, credo ou qualquer outra coisa que possa distinguir um Português de um Nórdico, aproximam o que está longe. Os princípios e valores que, em maior ou menor medida, são pedra basilar da sociedade Ocidental. E a liberdade de expressão, sem compromissos, sem limites, sem preocupações, e sobretudo sem quaisquer condições, é uma delas. Para exaltar, para elogiar, para ridicularizar, para insultar ou para felicitar brancos, pretos, caucasianos, judeus e gentios, muçulmanos, homens e mulheres, da esquerda à direita.

E por esse princípio lutaremos. De pé. E a linha que separa o Ocidente de outras partes do mundo começa aí. Para nós, brancos, pretos, caucasianos, judeus e gentios, muçulmanos, homens e mulheres, da esquerda à direita, a liberdade de expressão, entre tantas outras, não se subjaz às crenças de terceiros. O respeito é, antes de tudo o resto, a tolerância pela liberdade de expressão.

E todos os que se revejam nesta matriz serão sempre bem vindos no Ocidente. Acolheremos de braços abertos todos os que connosco comunguem dos mesmos princípios e valores, e acolheremos aqueles que, mesmo não comungando, os respeitam. Mas não aceitaremos que nos imponham os rígidos critérios que vos norteiam. Não aceitaremos aqueles que nos querem amputar, limitar ou restringir estes princípios. A vossa liberdade individual está salvaguardada — são livres de aplicar a vós próprios tudo o que vos pareça justo —, mas termina aí. Qualquer tentativa de extravasar a liberdade individual, impondo sobre terceiros as vossas próprias crenças, não pode ser nem será tolerado. Para esses, o caminho é inexoravelmente só um: au revoir.

Adenda: li agora a crónica de João Miguel Tavares, que expõe o ridículo da tese do multiculturalismo do Boaventura Sousa Santos, tese essa referida no primeiro parágrafo deste artigo. Uma feliz coincidência que veio reforçar o artigo.