70 anos

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Auschwitz.

Hoje a RTP 1 pelas 23.30 h, exibirá a “A Noite Cairá” de Alfred Hitchcock. Trata-se de um documentário que revela imagens dos campos de concentração nazis. A maior parte do filme rodado em 1945 baseia-se no  campo de concentração de Bergen-Belsen. Alfred Hitchcock montou o filme mas por decisão dos Aliados e dada a brutalidade reproduzida na película, acabaria por ficar nos arquivos.

Compreender o putinismo XIV

URSS

Back in USSR.

The Association of Tour Operators of Russia (ATOR) has issued a reminder through Russian media that a new rule for foreign tourists comes into effect as of January 26, obligating them to list the cities, towns and other inhabited areas they plan to visit while in Russia.

Russia’s Federal Migration Service is also requiring proof of an invitation to visit these settlements and the name of the person or organization giving the invitation.  All types of visas must have this information on them.

As complicações de Tarik Kafala

Terrorismo é demasiado ofensivo.

The Islamists who committed the Charlie Hebdo massacre in Paris should be not be described as “terrorists” by the BBC, a senior executive at the corporation has said.

Tarik Kafala, the head of BBC Arabic, the largest of the BBC’s non-English language news services, said the term “terrorist” was too “loaded” to describe the actions of the men who killed 12 people in the attack on the French satirical magazine.

Mr Kafala, whose BBC Arabic television, radio and online news services reach a weekly audience of 36 million people, told The Independent: “We try to avoid describing anyone as a terrorist or an act as being terrorist. What we try to do is to say that ‘two men killed 12 people in an attack on the office of a satirical magazine’. That’s enough, we know what that means and what it is.”

Mr Kafala said: “Terrorism is such a loaded word. The UN has been struggling for more than a decade to define the word and they can’t. It is very difficult to. We know what political violence is, we know what murder, bombings and shootings are and we describe them. That’s much more revealing, we believe, than using a word like terrorist which people will see as value-laden.” (…)

Leituras complementares: Pequeno mas cuidadoso exercício de limpezaNão são separatistas, são assassinos IV.

Compreender o putinismo XIII

Foto: AP

Foto: AP

Na Rússia, a fome voltou a ser patriótica.

Russian Deputy Prime Minister Igor Shuvalov, speaking at the World Economic Forum in Davos, on Friday warned the West against trying to topple President Vladimir Putin and said that Russians are ready to sacrifice their wealth in Putin’s support.

Russia has for the past year been sliding into recession amid a slump in its energy export prices as well as Western sanctions against Moscow’s role in the conflict in Ukraine that has claimed more than 5,000 lives. Questions have been raised in Russia and abroad whether the price that ordinary Russians are having to pay for the annexation of Crimea is too high.

Shuvalov, who is believed to be one of the richest men in the government, said that what he considers the West’s attempts to oust Putin will only unite the nation further.

“When a Russian feels any foreign pressure, he will never give up his leader,” Shuvalov said. “Never. We will survive any hardship in the country — eat less food, use less electricity.”

Shuvalov’s comments triggered pithy remarks on Russia social media including an opposition activist who posted photos of Shuvalov’s Moscow, London and Austria homes to illustrate where the deputy prime minister would experience the hardships he described.

Críticos da Sétima Arte em alta

AE

Apesar da confusão do crítico oriundo da Coreia do Norte, a crítica ao filme “A Entrevista” não pode deixar de ser clara.

O filme A Entrevista já rendeu muita dor de cabeça à Sony, por provocar a ira do regime norte-coreano e de hackers que invadiram o sistema de segurança da empresa em novembro passado. Agora, o longa é responsável por tirar o sono dos organizadores do Festival de Cinema de Berlim, já que o governo de Kim Jong-un acredita que o filme terá sua estreia em Berlim durante o festival, porque ambos acontecem no mesmo dia, 5 de fevereiro. “Esse filme claramente instiga o terrorismo“, diz um trecho do comunicado em tom de ameaça emitido pela emissora estatal norte-coreana, que também afirma que se A Entrevista for para a Berlinale, a Alemanha será vista como uma aliada dos Estados Unidos. Entretanto, o evento já divulgou a sua lista de filmes, e A Entrevista não está entre eles.

De regresso à normalidade lunática II

Foto: Maan Images

Foto: Maan Images

Hamas e Fatah de costas voltadas. E ontem estavam tão bem. Em Julho do ano passado, uma vez mais, os dois principais movimentos palestinianos apesar de terem acordadado na construção de um governo de unidade nacional palestiniano regressam aos confrontos políticos. Na altura, um dos principais líderes do Hamas em Gaza, acusou o governo de unidade palestiniano de ignorar a Faixa de Gaza e reafirmou o que era esperado – é possível que o Hamas volte a retomar o controlo político e militar da área. O autor das ameaças foi Abu Marzouk, dirigente político do Hamas que negociou o acordo de reconciliação nacional com a Fatah. Abu Marzouk responsabilizou também o Presidente Mahmoud Abbas pelo agudizar do conflito.
Sete anos após a última guerra civil palestiniana, a 23 de Abril último, o movimento islamista Hamas e a Autoridade Palestiniana assinaram o acordo de reconciliação nacional que instituíu a 2 de Junho um governo de unidade nacional transitório formado por seis meses, composto por tecnocratas cujos obejectivos maiores passam por incrementar a economia local e preparar as eleições, prevista para… Janeiro de 2015.
De regresso ao mundo real, o que desplotou na altura as critícas do Hamas foram os incumprimentos financeiros aos mais de 50 mil funcionários públicos afectos ao Hamas na Faixa de Gaza que deixaram de receber os seus salários, anteriormente pagos pelos islamistas. O Hamas pediu ainda a demissão dos quatro ministros do governo de unidade nacional que se encontram colocados no território da Faxa de Gaza  em protesto pela falta de pagamentos e pelo facto de Mahmoud Abbas nunca ter visitado Gaza após o acordo de constituição do governo de unidade nacional.
A História tem todas as condições para voltar a repetir-se. Hoje um carro explodiu. já tinha acontecido este espisódio, Terça-feira.

União de facto

Quando os meios justificam os fins: a esquerda radical perante a jihad, a opinião de Rui Ramos no Observador.

Para uma parte da esquerda radical europeia, os jihadistas são o elemento de confronto violento necessário para destruir a democracia liberal e o capitalismo. São os Baader-Meinhof com o Corão. (…)

À esquerda, o radicalismo assentou sempre no culto da violência, concebida como o grande recurso emancipador (George Sorel, em 1908, explicou o que havia a explicar a esse respeito). Fechada a loja dos Baader-Meinhof e das Brigadas Vermelhas, esse culto pôde parecer — como em Violence, de Slavoj Zizek (que, curiosamente, nunca cita Sorel) — um mero devaneio intelectual, sem passagem para a acção: uma espécie de American Psycho (ou, neste caso, Marxist Psycho). O fanatismo armado da jihad mudou tudo, como no poema de Yeats (“a terrible beauty is born”…). Zizek ainda espera substituir o Corão por Marx no bolso dos jihadistas. Mas isso seria apenas um bónus. O que o excita, no caso do Charlie Hebdo, é que, finalmente, há “paixão” contra a democracia liberal. Não são os “bons” (a esquerda radical doutorada em Marx e em Lacan) que manifestam essa paixão? Algumas das suas vítimas são até camaradas de radicalismo? Paciência. Sigamos a paixão, neste caso: o jihadismo. (…)

Ai Francisco, relê a Bíblia

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Sem nunca fazer referência à última publicação do Charlie Hebdo, o Papa Francisco disse algumas palavras sobre a liberdade de expressão  (meu destaque):

Depois de ter condenado os atentados em Paris, o Papa Francisco defendeu esta quinta-feira que há limites para a liberdade de expressão e que as religiões não podem ser alvo de insultos.

“Não se pode provocar, nem insultar a fé dos outros. Há limites. Toda a religião tem dignidade, não posso ridicularizar uma religião que respeite a vida humana”, declarou o Papa aos jornalistas, citado pela agência “Ecclesia”, durante um voo do Sri Lanka às Filipinas.

(…)

E deu um exemplo: “Se o meu bom amigo, o doutor Gasbarri [que organiza as viagens do Papa] ofender a minha mãe, vai levar um murro”, disse.

Talvez seja melhor Francisco reler o livro que serve de base à igreja que lidera. Especialmente Mateus 5:38-44 (meus destaques):

38 Ouvistes que foi dito: Olho por olho, e dente por dente.
39 Eu, porém, vos digo que não resistais ao homem mau; mas a qualquer que te bater na face direita, oferece-lhe também a outra;
40 e ao que quiser pleitear contigo, e tirar-te a túnica, larga-lhe também a capa;
41 e, se qualquer te obrigar a caminhar mil passos, vai com ele dois mil.
42 Dá a quem te pedir, e não voltes as costas ao que quiser que lhe emprestes.
43 Ouvistes que foi dito: Amarás ao teu próximo, e odiarás ao teu inimigo.
44 Eu, porém, vos digo: Amai aos vossos inimigos, e orai pelos que vos perseguem;

Adenda: se tivesse jeito para o desenho [têm de usar a vossa imaginação] a imagem que acompanha este post seria o Papa Francisco a esmurrar o tal Dr. Gasbarri por ofender a sua mãe e Jesus Cristo, desiludido, numa nuvem acima, a dizer: “Francisco!!! Dá a outra face.”

Charlie e nós

Charlie e eu. Por P. Gonçalo Portocarrero de Almada.

Se amanhã alguém metralhar uma sinagoga judia, eu serei, com eles e por eles, judeu. Se uma milícia massacrar os alunos de uma escola palestiniana, norte-americana ou paquistanesa, eu serei um desses estudantes. Se algum fanático matar, em nome de qualquer ideologia ou religião, uma prostituta, um toxicodependente, um sem-abrigo, um travesti, um pagão ou um fiel de outra religião, eu serei tudo isso, sem deixar de ser cristão. (…) Não faço minhas as declarações dos católicos que, por se considerarem justos, dão graças a Deus por … não serem Charlie. Eu também não o sou, mas estaria disposto a sê-lo, para defender a liberdade das vítimas, sejam ou não mártires. Não apesar de ser cristão mas, precisamente, porque o sou.

Terrorismo e multiculturalismo

De joelhos… Por José Manuel Moreira.

Comprende-se a mediatização de proclamações como a do Presidente Hollande: “Os que cometeram estes actos terroristas, estes fanáticos, não têm nada a ver com o Islão.” Só que o mundo real é pouco dado a tais subtilezas, correndo-se o risco de entrar por caminhos em que as Cruzadas vão parecer uma brincadeira de crianças. Como se a melhor ajuda aos muçulmanos que chegam à Europa não fosse vincar a relevância da tradição europeia para a sua integração e protecção por leis e instituições próprias de uma sociedade aberta. Em vez de se fomentar um multiculturalismo que a tribaliza: dando azo à destruição da civilização ocidental tal como a conhecemos, com base numa falsa equivalência moral das visões em confronto.

Boaventura Sousa Santos e o terrorismo

Os dias difíceis do professor Boaventura. Por José Manuel Fernandes.

A surpresa do texto de Boaventura não é o seu conteúdo – é a sua timidez. É por isso que é “difícil”. Circulando pelas redes sociais e por alguns blogues radicais tropeçamos em cada esquina com “explicações” e “interpretações” semelhantes que só não tiveram mais projecção desta vez porque o Charlie Hebdo era uma publicação de esquerda, as vítimas eram jornalistas e a liberdade de expressão um valor profundamente entranhado na nossa cultura. Se o único atentado de Paris tivesse tido o do supermercado kocher e as únicas vítimas alguns clientes judeus, Ana Gomes não teria ficado isolada, antes teria comandado a carga dos que estão sempre pontos a culpar as vítimas e a desculpabilizar os bárbaros. O que o nosso pregador agora fez foi apenas tentar recuperar o terreno perdido para tratar de dizer, como sempre diz, que os bárbaros somos nós. Vale por isso a pena perder algum tempo com essa ideia de que a culpa é sempre nossa – nossa hoje, nossa no tempo da colonização e da descolonização (sobretudo se for a descolonização da Argélia), nossa desde o tempo da tomada de Ceuta, ou das Cruzadas, ou de D. Afonso Henriques, ou até de Júlio César.

A linha que nos separa

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Diziam-nos que estávamos errados. Diziam-nos que tudo era relativo. Diziam-nos que não podíamos comparar. Diziam-nos e continuavam a dizer que era tudo uma questão de contexto social. Valores, princípios e crenças desfigurados por uma acepção muito crítica do Ocidente, nunca dos outros. Os outros, esses, não estavam certos ou errados, éramos nós que estávamos errados em julgá-los. Uma concepção amoral da vida, em que o bem e o mal se desvanecem na tábua rasa.

Pois que seja. Que não façamos juízos valorativos, juízos morais sobre o que nos separa. Os princípios e valores que, mais do que raça, cor, credo ou qualquer outra coisa que possa distinguir um Português de um Nórdico, aproximam o que está longe. Os princípios e valores que, em maior ou menor medida, são pedra basilar da sociedade Ocidental. E a liberdade de expressão, sem compromissos, sem limites, sem preocupações, e sobretudo sem quaisquer condições, é uma delas. Para exaltar, para elogiar, para ridicularizar, para insultar ou para felicitar brancos, pretos, caucasianos, judeus e gentios, muçulmanos, homens e mulheres, da esquerda à direita.

E por esse princípio lutaremos. De pé. E a linha que separa o Ocidente de outras partes do mundo começa aí. Para nós, brancos, pretos, caucasianos, judeus e gentios, muçulmanos, homens e mulheres, da esquerda à direita, a liberdade de expressão, entre tantas outras, não se subjaz às crenças de terceiros. O respeito é, antes de tudo o resto, a tolerância pela liberdade de expressão.

E todos os que se revejam nesta matriz serão sempre bem vindos no Ocidente. Acolheremos de braços abertos todos os que connosco comunguem dos mesmos princípios e valores, e acolheremos aqueles que, mesmo não comungando, os respeitam. Mas não aceitaremos que nos imponham os rígidos critérios que vos norteiam. Não aceitaremos aqueles que nos querem amputar, limitar ou restringir estes princípios. A vossa liberdade individual está salvaguardada — são livres de aplicar a vós próprios tudo o que vos pareça justo —, mas termina aí. Qualquer tentativa de extravasar a liberdade individual, impondo sobre terceiros as vossas próprias crenças, não pode ser nem será tolerado. Para esses, o caminho é inexoravelmente só um: au revoir.

Adenda: li agora a crónica de João Miguel Tavares, que expõe o ridículo da tese do multiculturalismo do Boaventura Sousa Santos, tese essa referida no primeiro parágrafo deste artigo. Uma feliz coincidência que veio reforçar o artigo.

Parabéns, Charlie Hebdo

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Mohammed Hussein, o Grande Mufti de Jerusalém, condenou como um insulto o novo cartoon que retrata o Profeta Maomé. na edição recorde do jornal satírico Charlie Hebdo.

“This insult has hurt the feelings of nearly two billion Muslims all over the world. The cartoons and other slander damage relations between the followers of the (Abrahamic) faiths,” he said in a statement.

The mufti, who oversees Jerusalem’s Muslim sites including Islam’s third holiest, the Al-Aqsa mosque compound, slammed the “publishing of cartoons ridiculing the Prophet Mohammed, peace be upon him, and the disregard for the feelings of Muslims.”

O longo braço da Mossad implica com a estética na China

Foto: Athit Perawongmetha/Reuters

Foto: Athit Perawongmetha/Reuters

The capital of China’s most Muslim region has banned residents from wearing the burqa in “an effort to curb growing extremism”.

Nova oportunidade para os críticos de cartoons VII

Gaddafi

A paródia do regime sírio tem pernas para andar. De acordo com a agência de notícias síria, o país condena o ataque terrorista ao jornal Charlie Hebdo. Deixando de lado as alucinações e de regresso à realidade, não deixa de ser assinalável o progresso humanista do regime de Assad no que toca ao cartoonista que ousou caricaturar (não o profeta mas) o querido líder. Alguns dos trabalhos de Ali Ferzat podem ser vistos aqui.

Lassana Bathily

Muslim shop worker Lassana Bathily tells how he hid shoppers in basement fridge unit

Muslim shop worker Lassana Bathily tells how he hid shoppers in basement fridge unit

Lassana Bathily, a 24-year-old Muslim from Mali, tells he hid customers into the cold store at the Hyper Cacher supermarket in Porte de Vincennes, where Ahmedi Couibaly had taken a number of people hostage

Terrorismo e relativismo

O problema não são os outros. Somos nós. Por Helena Matos.

As perguntas lançadas no Fórum da TSF são semelhantes a tantas outras formuladas nos últimos dias. São perguntas, frases e comentários que partem sempre do mesmo princípio: o problema da violência dos outros somos nós. Porque nós vemo-nos como responsáveis por tudo o que aconteceu e acontece no mundo: para tudo aquilo que os outros fazem há sempre um gesto ou uma decisão que nós ou os nossos antepassados tomámos agora ou há quinhentos anos e que explicam, justificam e de certa forma têm desculpado aos nossos olhos o terrorismo e os terroristas.

Nós, europeus, temos um problema sério. Não com os terroristas que por mais chocante que seja escrevê-lo nestes dias não é a nós, ocidentais, que causam maior dor: enquanto na Europa se repetia “Todos somos Charlie”, na Nigéria o Boko Haram matava 2000 pessoas, na sua maioria mulheres, crianças e velhos sem que alguém se indignasse ou sequer admirasse.

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Nova oportunidade para os críticos de cartoons VI

MorgenPost

German paper hit by Hebdo arson attack.

A German tabloid that reprinted cartoons from the French satirical paper Charlie Hebdo lampooning the Prophet Mohammed was targeted in a firebombing on Sunday, police said.

Adenda: O jornal belga Le Soir foi evacuado após uma ameça de bomba. As autoridades marroquinas proibiram a distribuição dos jornais e revistas estrangeiros que tiveram a ousadia de publicarem os cartoons do jornal satírico Charlie Hebdo.

Terrorismo e liberdade

Da blasfémia ao terrorismo: um caminho sem retorno? Por P. Gonçalo Portocarrero de Almada.

O primeiro destes ataques terroristas foi um acto de retaliação a supostas blasfémias publicadas nas páginas do Charlie Hebdo. Por este motivo, há quem pretenda, senão justificar os doze nefandos assassinatos, pelo menos atenuar a responsabilidade dos criminosos que, neste sentido, teriam agido ao abrigo de uma legítima defesa dos seus interesses religiosos e culturais. Nada mais falso do que esta suposição que, de algum modo, condescende com o terrorismo. Uma sociedade que, de alguma forma, compreende qualquer crime contra a liberdade e os direitos humanos é uma sociedade refém do medo.

Mas, não é verdade que, nas páginas desse semanário, foram publicados textos e ‘cartoons’ pouco abonatórios para os seguidores de Maomé? Aliás, as suas peças eram também muito críticas de outras religiões, nomeadamente a cristã, cujos fiéis, pela mesma razão, poder-se-iam sentir igualmente ofendidos na sua fé. Sim, é certo, mas mais vale a liberdade de pensamento e de expressão, do que a censura ou a repressão. Não se combate o abuso da liberdade com a sua supressão.

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Menina de 10 anos usada como bomba-suicida na Nigéria

Nigéria: Menina de 10 anos usada como bomba-suicida

Pelo menos 20 pessoas morreram e 18 ficaram feridas quando uma bomba que uma menina de cerca de 10 anos carregava no corpo explodiu num mercado na Nigéria, durante o controlo das entradas no local. (…) Não houve ainda a reivindicação do atentado, mas os militantes do grupo terrorista Boko Haram têm usado frequentemente mulheres e meninas como bombas humanas na sua luta pela instauração de um Estado islâmico na maior economia africana, que já dura há seis anos. “A rapariga tinha mais ou menos dez anos e duvido muito que ela soubesse o que trazia amarrado ao corpo”, considerou à AFP o vigilante civil Ashiru Mustapha, que explicou que o engenho detonou quando os vigilantes procediam ao controlo das entradas no mercado.

Religião, liberdade individual e responsabilidade

Concordo com Miguel Esteves Cardoso neste seu artigo no Público. Acrescento apenas que o pecado, qualquer pecado como a blasfémia, fica com quem o praticou, com quem a proferiu. O pecado, a blasfémia, é entre Deus e quem peca, entre Deus e quem blasfema. Se há algo que a tradição judaico-cristão trouxe (e julgo que o islamismo também) é a relação pessoal com Deus. A individualidade dessa relação. A relação entre Deus e cada pessoa e entre cada pessoa e Deus. Os outros nada têm com isso.

O cristianismo (que naturalmente conheço melhor) quando surge não é apenas uma forma de chegar a Deus. É também uma resistência à massificação, à colectivização da relação com Deus. Torna-nos responsáveis pelos actos que praticamos. É por isso que os cartoons do Charlie Hedbo não são ofensivos para ninguém. Se ofendem alguém será apenas quem os desenha e na medida em que estes se sentem ofendidos pelo que fazem. É assim que a religião, a verdadeira religião, não existe, não pressupõe outra coisa que não seja a liberdade, sem a qual não há responsabilidade.

Das religiões que são superiores aquilo da liberdade

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Por “insultar o Islão” e “criar um forum liberal na internet”,  um tribunal saudita condenou em Agosto o blogger Raif Badawi, que já se encontrava preso, a uma pena de 10 anos de prisão e a ser chicoteado mil vezes. Para complementar a  pena, Raif Badawi pagará uma multa que ultrapassa os 190 mil euros. A sentença foi produzida após Raif Badawi, ter contestado a primeira condenação, de sete anos de prisão e a servir de poiso ao chicote por 600 vezes. Apelar da sentença nem sempre se revela ser  uma boa solução.
A iberdade de expressão é um conceito mais largo que o Oceano Pacífico e Badawi, está a pagar a ousadia a coragem e a afronta

Counterterrorism Experts On Charlie Hebdo

Counterterrorism Experts On Charlie Hebdo: Paris Is Waking Up To The Terrorist Threat. Por Alejandro Chafuen.

Understanding a culture and its conflicts is usually an academic task for anthropologists. But it is also relevant for efforts to protect life and property from attack. The purpose of government, according to great Frenchman Frederic Bastiat (1801-1850), is “to secure to everyone his own, and to cause justice and security to reign.” Life and property are necessary for liberty; protecting them, as we saw in this week, is not easy.

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Nova oportunidade para os críticos de cartoons V

Imagem de Pat McGrath / Ottawa Citizen

Imagem de Pat McGrath / Ottawa Citizen

Imtiaz Ahmed, o imã da mesquita de Ottawa precisa de ouvir o que o imã de Lisboa tem para dizer e deixar-se de purezas legais.. Até porque a criminalização e punição por blasfémia no Corão não existe. Ou melhor, esta legislação divina foi produzida centenas de anos depois da morte de Maomé, em tempos de guerra e durante a época Medieval. Passa a aplicar-se quando dá jeito. Agora é o momento para os extremistas.

Em relação à onda de terror que acontece em França é para mim seguro, de uma forma bastante clara, que assassinar (mesmo por delito de opinião) não é permitido e juntar-lhe a questão do gosto é, no minímo, de mau gosto.  Deus nos livre  que o insulto à religião passe a ser considerado como uma ameaça global à paz e à segurança como pretendem boa parte dos estados muçulmanos desde 1999.

A “nossa sociedade ocidental, céptica, individualista” merece ser defendida

No site da Rádio Renascença, Graça Franco, por entre algumas considerações sensatas embora banais, afirma que “no ataque ao “Hebdo” não está apenas o ódio e a vingança de pretensos ofendidos. Está uma barbárie que progride na exclusão social das nossas periferias. Está o vazio que a nossa sociedade ocidental, céptica, individualista, pretensamente modernaça nos seus sem-valores, sem nada para oferecer a uma geração perdida no vazio e na ignorância alimentada de “reality shows” e pouco mais espelhada numa pobreza intelectual confrangedora.” Por muito que se possa compreender as razões do lamento da dra. Franco e até a sua preocupação com os “sem-valores” das nossas sociedades “modernaças”, é difícil de concordar com a afirmação. Graça Franco tem razão ao alertar para a “exclusão social” das “periferias” de cidades como Paris: como disse na ETV , há, em cidades como a capital francesa, bairros que quase funcionam como estados-pária, onde as autoridades dos países onde se situam mal conseguem entrar e as comunidades neles residentes vivem sob o jugo de grupos fundamentalistas radicais, cheios de vontade de negar direitos às suas mulheres e de doutrinar jovens rapazes para irem combater contra os infiéis, seja onde for. Mas, ao contrário do que a dra. Graça Franco parece argumentar, esses jovens não são como os jovens que são educados no “vazio” e na “ignorância alimentada a reality shows”. São jovens educados, por esses mesmos fundamentalistas religiosos a que esses bairros estão entregues (fora do alcance do Estado ou de líderes religiosos mais sensatos), a odiarem esse carácter “modernaço” das nossas sociedades, a odiarem o tal “vazio” que identificam num modo de vida em que as adolescentes podem andar de mini-saia, fazer sexo com quem muito bem entendem (e não fazer com quem não querem), em que qualquer um é livre de, se quiser, ingerir bebidas alcoólicas, ver pornografia, não acreditar em Deus ou acreditar mas dar-lhe pouca importância, e até mesmo ver a Casa dos Segredos com a maior das atenções, por muito “confrangedora” que a “pobreza intelectual” que a dra. Graça Franco associa ao programa seja. Podemos, e em certo sentido devemos, encontrar muitos problemas nas nossas sociedades, e criticá-los com a veemência que entendermos necessária. Mas nos ataques terroristas destes últimos dias – e dos últimos anos – não está o “vazio”, o “cepticismo” e o “individualismo”. Está, isso sim, um ódio visceral a tudo isto. A Casa dos Segredos não é o problema. O problema está em haver gente que odeia um modo de vida em que ver algo como a Casa dos Segredos é um direito. Um modo de vida e uma série de direitos que merecem ser defendidos.

A eficácia do terror

Morrer de pé em Paris. Por Rui Ramos.

Charb, Cabu, Tignous, Wolinski e os seus colegas da Charlie Hebdo nunca aceitaram limites. Eram “anarcas” de antes do politicamente correcto, que nem ao bom gosto faziam concessões. Podiam-se ter ficado pelos presidentes franceses, pela extrema-direita local ou pelo papa – alvos relativamente pachorrentos. Mas não. Tiveram de gozar o Islão e os seus jihadistas, porque, como explicou Charb, para ele, Deus não existia e Maomé não era, obviamente, o seu profeta. Acabaram, por isso, a desenhar sob protecção policial – uma suprema ironia: Maio de 68 defendido pelos gendarmes. No fim, nada lhes valeu.

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