Mário Soares sobre Ricardo Salgado e o Governo

Soares à RTP: Governo meteu-se “num grande sarilho” entrando em guerra com Ricardo Salgado

“Meteram-se num grande sarilho”. A frase, em jeito de aviso, é de Mário Soares, e é dirigida ao Governo. Numa reportagem da RTP, que vai para o ar no Telejornal deste sábado, o fundador do PS – principal responsável pelo regresso da família Espírito Santo a Portugal e pela privatização do seu banco, diz que o sarilho foi a alegada intromissão no BES e no Grupo Espírito Santo (a quem Passos negou uma ajuda, como noticiou em junho o Observador). E o aviso tem seguimento: “Quando ele falar, e vai falar, as coisas vão ser diferentes”.

Leitura complementar: BES: o bom, o mau e o vilão; O Banco de Portugal falhou. Outra vez.

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Manuel Alegre e a liberdade de expressão

O tenente-coronel aviador (na reforma) Brandão Ferreira e o diretor do semanário “O Diabo”, Esteves Pinto, foram hoje absolvidos do crime de difamação contra o histórico dirigente socialista Manuel Alegre.

O tenente-coronel João José Brandão Ferreira foi julgado por difamação por causa de artigos publicados em blogues, tendo o arguido reiterado em julgamento a tese que Manuel Alegre cometeu, aos microfones da rádio Voz da Liberdade, em Argel, traição à pátria, ao incitar os militares portugueses a desertar, ao conviver com os líderes dos movimentos de libertação de Angola, Moçambique e Guiné e ao ajudá-los na guerrilha contra as tropas portuguesas no Ultramar.

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De falha em falha até ao colapso final ?

Será que vem aí o “Novo Novo Banco” ?

Oficial: Vitor Bento, Moreira Rato e José Honório renunciaram esta semana aos cargos no Novo Banco

Administração confirma ter pedido esta semana para sair do Novo Banco. Alega não ter “conflito com ninguém”, mas justifica que a missão inicial foi profundamente alterada. Carlos Costa em silêncio.

Carlos Costa em silêncio. Objetivo é apresentar nomes para o Novo Banco até domingo

Leitura complementar: BES: o bom, o mau e o vilão; O Banco de Portugal falhou. Outra vez.

Uma granada de gestão (2)

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Quando o filho do “merceeiro do Porto”, como assim apelidaram as cortes de Lisboa, lançou a OPA à PT, o valor oferecido era de 11 mil milhões de Euros. Imediatamente, a Caixa Geral de Depósitos foi posta ao serviço dos interesses protocolares, votando contra a operação. Hoje, a PT tem uma capitalização bolsista de 2 mil milhões. O director-adjunto do Expresso, João Vieira Pereira, apresenta um voto de louvor à gestão da empresa. Não é possível senão reiterar este voto de louvor. Uma granada de gestão.

Os inflacionistas

Saudades do euro. Por Rui Ramos.

Um novo escudo seria o regresso a uma política de expropriação pela socapa. Através da inflação, os governos poderiam comprimir salários, reduzir pensões, anular subsídios e saquear poupanças sem passar pelo parlamento ou pelos tribunais. Os reformados e os mais pobres – isto é, aqueles com menos poder de reivindicação — estariam entre as suas principais vítimas.

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A contra-reforma do arrendamento

Porventura sinalizando o que se poderá esperar da pré-campanha para as legislativas de 2015, o Governo reverte uma das poucas reformas estruturais que tinha permitido avançar na direcção correcta. Se esta via prevalecer, é de esperar o pior para os próximos meses…

Rendas: senhorios com menos poder para despejar por obras

Proprietários acusam governo de “retrocesso total” com alterações à lei do arrendamento

Marinho e Pinto: uma nova forma de fazer política…

Depois do MPT, deve vir aí o PMP (Partido Marinho e Pinto)…

Marinho e Pinto sai do MPT sem avisar

Marinho e Pinto, eurodeputado eleito pelo MPT – Partido da Terra, anunciou que vai criar um novo partido político nas próximas semanas, ao jornal i. Pelo que o Observador apurou, essa decisão não foi comunicada ao MPT e vai contra alguns compromissos internos que o político tinha assumido.

Crescimento e deflação?

O meu artigo de hoje, no Diário Económico:

«A ortodoxia neoclássica, que inclui tanto monetaristas como keynesianos, encara a deflação, definida como inflação negativa, enquanto uma causa de recessões, armadilhas de liquidez e outras tragédias macroeconómicas. Assim sendo, é sempre interessante constatar que apesar de estar, teoricamente, em deflação há cerca de um ano, a economia portuguesa tem crescido. Na verdade, se exceptuarmos a Grande Depressão, existe pouca ou nenhuma comprovação empírica de algum paralelo entre deflação e recessão.»

Um mundo kafkiano e parasitário

Prisioneiros e Reguladores. Por José Manuel Moreira.

É este mundo kafkiano e parasitário que nos cabe aguentar. Até se conseguir ligar esta maldição à proliferação de entidades que nos policiam, fiscalizam e saqueiam. A bem da protecção dos interesses instalados no Orçamento do Estado. Num crescendo de legislação e controlos burocráticos que perseguem sem parar o cidadão comum.

Leitura complementar: O Banco de Portugal falhou. Outra vez.

Eleições legislativas em 2016?

Ontem, no debate da TVI para as primárias do PS que decidem o candidato a primeiro-ministro nas legislativas de 2015, o actual secretário-geral, António José Seguro, disse o seguinte (video do excerto):

Eu posso garantir aos portugueses que não aumentarei a carga fiscal. Já disse isso e volto a repeti-lo. (…) Digo que não aumentarei o IRS, o IRC, não aumentarei o IVA. (…) Não aumentarei a carga fiscal, nem surpreenderei os portugueses, como os últimos quatro primeiros-ministros [Durão Barroso, Santana Lopes, José Sócrates e Pedro Passos Coelho], que quando chegam ao Governo dizem “ahh, afinal isto está diferente e vamos ter de aumentar a carga fiscal”. EU NÃO FAREI ISSO. E assumirei hoje aqui que me demitirei se não houver outra alternativa. Nós temos de honrar a palavra e é isso que temos de trazer também para a vida pública e para a política.

Como (in)Seguro não terá coragem de reduzir despesa pública no Orçamento de Estado de 2016 e enfrentar (com a necessária ajuda do PSD/CDS) os interesses instalados (um deles o Tribunal Constitucional) só lhe restará ter de honrar a palavra e demitir-se. Eleições em 2016.

Costa, neste caso, é mais “honesto”: «Devemos ainda aguardar com seriedade». Portanto, como também não corta na despesa… mais impostos.

O Interpretador Autêntico

O vice-primeiro-ministro, Paulo Portas, considerou nesta terça-feira que as declarações da directora do FMI sobre o crescimento da economia espanhola “foram um lapso involuntário”.

Christine Lagarde defendeu na segunda-feira, numa entrevista à Radio Classique, que Espanha é o único país da zona euro a progredir devido às reformas estruturais que começam a dar resultados.

“O único país que progride”, apesar de não ser suficiente para absorver a bolsa de desempregados, “é a Espanha”, afirmou Christine Lagarde na entrevista à emissora francesa.

Pegando precisamente na taxa de desemprego de Espanha, que está nos 25% e recordando a redução do mesmo indicador em Portugal, Paulo Portas afirmou que as declarações da directora do FMI só podem ter sido “um lapso, que acontece a todos”.

Um início de ano lectivo normal

Para os interessados, na página do colégio privado Valsassina estão disponíveis há vários dias os horários dos alunos. As aulas começam hoje de forma normal. Na escola com contrato de associação Colégio Liceal de Santa Maria de Lamas também.

Quanto aos que não têm opção senão sujeitarem-se à máquina burocrático-sindical do ministério da Educação, com muita pena minha enfrentarão os “problemas habituais”.

Jantar de Apresentação – Instituto Mises Portugal

A pedido da nova equipa do Instituto Ludwig von Mises Portugal (IMP), aqui fica o anúncio do respectivo jantar de apresentação, com inscrição aberta a todos os interessados:

Caríssimos simpatizantes do Instituto Ludwig von Mises Portugal (IMP),

O Instituto tem o prazer de vos convidar para o Jantar de Apresentação da nova equipa do IMP. Serão apresentados os novos projectos do Instituto, nomeadamente um Ciclo de Conferências do Liberalismo que se avizinha.

O jantar terá lugar no Porto, no Restaurante Varanda da Barra, pelas 21h do próximo dia 19 de Setembro. É obrigatória a confirmação de presença, apenas sendo necessário mandar e-mail para contacto@mises.org.pt até ao dia 15.

Contamos com todos vós.

Saudações Liberais,
A equipa do Instituto Ludwig von Mises Portugal

A TAP e as outras

Um interessante benchmark que compara os operadores aéreos europeus, incluindo a TAP. Os dados são referentes ao ano de 2012 por indisponibilidade de dados mais recentes:

Custo do trabalho em % das receitas

A TAP aparece atrás da Lufthansa, mas se os resultados da operadora alemã fossem combinados com o Flying Segments, os custos de trabalho baixariam para 16.7%, uma posição mais competitiva do que a TAP. Ainda assim, um resultado aceitável que reflecte o (bom) trabalho que Fernando Pinto tem feito na empresa.

LP1

Custo do emprego por empregado

Dado que este indicador não está normalizado pela paridade dos poderes de compra, o indicador acaba por traduzir a realidade económica de cada país. Países com baixos salários pagam menos em comparação com países com salários mais elevados. O outlier é a Iberia, que surge à beira dos grupos nórdicos, pese embora a sua distinta realidade salarial. A TAP surge bem posicionada.

LP2

Tonelada-kilómetros por empregado (ATK)

Este é um indicador de produtividade da aviação e contabiliza quantas toneladas de pessoas e bens por kilómetro aéreo efectua cada empregado. Quanto maior, melhor. Nesta métrica, a TAP figura mal, revelando que existe espaço de manobra para aumentos de eficiência.

LP3

Custo do trabalho por ATK

Esta métrica expõe quanto é que o factor trabalho tem de ser pago para gerar um ATK. Vai em linha com o gráfico anterior, um indicador que releva o gap de produtividade ainda existente na TAP.

LP4

Receita por empregado

Este é um indicador que reflecte a capacidade de uma companhia aérea de produzir e entregar juntamente com a sua eficiência. A TAP é a pior da lista: ou a sua receita é demasiado baixa ou tem demasiados funcionários para o seu volume de negócios.

LP5

Proveito operacional por empregado

Os valores apontam a 2012, estando, portanto, desactualizados. A TAP já está em terreno positivo, sendo apenas pressionada pelos resultados financeiros e pela dívida acumulada por anos e anos de défices orçamentais financiados pelo Orçamento de Estado. Ainda assim, importa comparar com os outros operadores europeus. A Ryanair, frequentemente alvo de críticas, é o claro campeão da eficiência.

LP6

Perante isto, privatizar

Para se tornar mais competitiva, a TAP precisa de ainda mais autonomia, precisa de injecção de capital para ampliar e modernizar a frota, e precisa de deixar de ser um instrumento de capricho político, em que por vezes os planos operacionais vivem em função da vontade dos arregimentados. Tal como fez notar António Costa do Diário Económico, o Estado português não conseguirá garantir isto, pelo que o caminho passará, inexoravelmente, pela sua privatização.

“A Cultura apoia António Costa” (3)

Mais um momento de pura genialidade artístico-cultural do grande Bel’Miro: Bel’Miro apoia António Costa

Apesar da omissão nos meios de comunicação social, há artistas que transcendem o mainstream e que também apoiam António Costa. É o caso de Bel’Miro, artista plástico e cineasta. Em 2012, Bel’Miro queixava-se da demora do subsídio do ICA para o seu filme “Arminda, a meretriz desdentada”, baseado no mashup da obra de 1879 de Camilo Castelo Branco, “Eusébio Macário” e do jornal A Bola.

Esta curta-metragem, “Kant e o Papagaio”, é uma síntese em 2 minutos da história de Portugal entre 1095 e 2014, com particular ênfase no período 1655–1659 (quase 5 segundos) e conta com a participação da Câmara Municipal de Arrabalde de Baixo.

Kant e o Papagaio

Fica-lhe bem

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Sócrates deixa palavras de amizade a Armando Vara e José Penedos

José Sócrates aproveitou o comentário, que esta semana fez excecionalmente ao sábado no telejornal da RTP, para enviar uma “mensagem de amizade pública” aos “camaradas” Armando Vara e José Penedos, ambos condenados no âmbito do processo Face Oculta.

Sobre a condenação de Vara e Penedos, José Sócrates não teceu comentários, adiantando que se tratava de um assunto que entrava na “dimensão pessoal” da sua vida e que não tinha espaço para um comentário de ordem política.

Para compreender o buraco em que estamos metidos

Mesmo não concordando com algumas das afirmações, vale francamente a pena ler na íntegra: Entrevista i a João César das Neves. “Só há uma maneira de resolver isto: é não haver dinheiro”

Os desempregados que saíram logo em 2007, as empresas que foram à falência em 2008, 2009 e 2010, os que emigraram, que mudaram de sector, que se reconverteram, foi isso que salvou o país. Ao mesmo tempo, uma enorme quantidade de outros grupos próximos do Estado ou próximos do poder económico, como o BPN, o BES, e também podemos falar dos funcionários públicos e de outras entidades, conseguiram proteger-se dos cortes. E esses, curiosamente, são os que mais protestam, os que mais gritam. É espantoso que o Tribunal Constitucional esteja a defender aqueles que foram menos tocados, quando o sector privado está a sofrer desde 2007.

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Face Oculta e José Sócrates

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O segundo mais empenhado blogue do socratismo quebrou o incómodo silêncio sobre as condenações no processo Face Oculta.

O tema do post ?
José Sócrates. Eles lá saberão porquê…

Leitura complementar: Face Oculta: penas de prisão para Armando Vara, José Penedos, Paulo Penedos e Manuel Godinho.

“A Cultura apoia António Costa” (2)

PS. Personalidades da cultura inscrevem-se como simpatizantes para apoiar Costa

Numa ação que decorreu no Chiado, em Lisboa, várias personalidades ligadas à cultura, como os realizadores de cinema António-Pedro Vasconcelos e Ruben Alves, o maestro António Vitorino D´Almeida, os estilistas Nuno Gama e Eduarda Abbondanza, a empresária Catarina Portas e o escritor e fundador das produções Fictícias Nuno Artur Silva, formalizaram as inscrições de simpatizantes.

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Godinho de Matos, o BES e uma cultura de impunidade

Como já aqui salientou o Miguel Noronha, as declarações do ex-administrador do BES Godinho de Matos (“Eu sabia tanto de bancos como de calceteiro”) são simplesmente espantosas. Mas, mais do que isso, são indiciadoras de uma cultura de irresponsabilidade, promiscuidade e impunidade.

Sobre o caso, recomendo também este texto de José Manuel Fernandes: Eu também quero ser verbo de encher.

Perguntarão: quem é Nuno Godinho de Matos? Pois é um advogado de Lisboa que era, até ao mês passado, administrador não executivo do Banco Espírito Santo. Uma busca na internet rapidamente nos indica que, além disso, foi fundador do Partido Socialista, trabalha há décadas com Daniel Proença de Carvalho, é actualmente vice-presidente da Ordem dos Advogados e foi durante muitos anos membro da Comissão Nacional de Eleições, lugar a que renunciou por ter representado nas últimas eleições autárquicas Moita Flores. Alguém de múltiplos talentos que, quero crer, falará com conhecimento de causa.

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O homem e a sua circunstância

Ex-ministro Armando Vara declara-se «em choque» com condenação

«Estou em choque, confesso, e a sensação que me fica é que a sentença não é sobre as acusações, não é sobre o que estava em causa. Eu acho que a sentença tem muito a ver com a minha circunstância», afirmou Armando Vara, adiantando não ser «apenas» a circunstância de ter sido ministro. (…) À pergunta se este foi um julgamento político, Armando Vara respondeu já ter dito «muita coisa», referindo não querer dizer mais.

Leitura complementar: Face Oculta: penas de prisão para Armando Vara, José Penedos, Paulo Penedos e Manuel Godinho.