Boaventura Sousa Santos e o terrorismo

Os dias difíceis do professor Boaventura. Por José Manuel Fernandes.

A surpresa do texto de Boaventura não é o seu conteúdo – é a sua timidez. É por isso que é “difícil”. Circulando pelas redes sociais e por alguns blogues radicais tropeçamos em cada esquina com “explicações” e “interpretações” semelhantes que só não tiveram mais projecção desta vez porque o Charlie Hebdo era uma publicação de esquerda, as vítimas eram jornalistas e a liberdade de expressão um valor profundamente entranhado na nossa cultura. Se o único atentado de Paris tivesse tido o do supermercado kocher e as únicas vítimas alguns clientes judeus, Ana Gomes não teria ficado isolada, antes teria comandado a carga dos que estão sempre pontos a culpar as vítimas e a desculpabilizar os bárbaros. O que o nosso pregador agora fez foi apenas tentar recuperar o terreno perdido para tratar de dizer, como sempre diz, que os bárbaros somos nós. Vale por isso a pena perder algum tempo com essa ideia de que a culpa é sempre nossa – nossa hoje, nossa no tempo da colonização e da descolonização (sobretudo se for a descolonização da Argélia), nossa desde o tempo da tomada de Ceuta, ou das Cruzadas, ou de D. Afonso Henriques, ou até de Júlio César.

Estratégia do Syriza

Isto tem tudo para dar certo. Para Portugal e para o resto da Europa, que irão rapidamente perceber que o discurso contra a austeridade vem acompanhado de unicórnios e de fome na Grécia.

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À espera da direita

O meu artigo de hoje no Diário Económico.

À espera da direita

Os partidos do Governo estão num dilema: como ganhar as eleições prometendo maior carga fiscal e cortes nos salários e nas pensões? É que se pensarmos bem, o ano político será marcado pelo confronto entre os partidos mais à direita, que defenderão as políticas seguidas desta legislatura, e os partidos da oposição, a quem bastará discordar deste rumo.

Assim, a não ser que a maioria do eleitorado se mostre altruísta, o mais provável é que os socialistas possam vir a vencer as legislativas deste ano.
É de crer que o PS quebre as promessas eleitorais e siga o rumo de Bruxelas, mesmo que este seja corrigido com uma eventual cedência à Grécia. O possível constrangimento que António Costa possa sentir não compensará o incómodo dos partidos do actual Governo, pois perder por uma causa sem futuro não agrada a ninguém. É que o beco sem saída em que PSD e CDS se meteram deve-se à falta de visão governativa da direita.

Contar-se-ão pelos dedos de uma mão os militantes destes dois partidos que questionem o papel do Estado como essencial para o crescimento económico. A grande maioria crê que ao Estado e, naturalmente, aos seus governantes, ou seja, a eles próprios, cabe a implementação de políticas sem as quais não há crescimento económico, baixa do desemprego, e menos ainda bem-estar social. Prisioneiros desta convicção ideológica chamada socialismo, a direita nacional não só não tem sido verdadeira alternativa no governo, como pagará caro por tentar equilibrar as contas públicas dum Estado nada habituado a ser devidamente fiscalizado.

Talvez por isso mesmo, desde Sá Carneiro que nenhum político da direita venceu um acto eleitoral, mas beneficiou da derrota do adversário. Foi assim com Cavaco, em 1985 contra o Bloco Central, nas suas reeleições quando havia dinheiro para distribuir e com Durão e Passos Coelho. Sem programa alternativo, a direita não vence, nem governa. Espera. Umas vezes no governo, outras na oposição.

A verdade é que a saída deste dilema não é fácil. Pressupõe uma mudança de mentalidades que se espera morosa. Se o PS se prepara para defender o conceito de Estado empreendedor, uma alteração de nomenclatura para empresas públicas, e a desvalorização da ideia de poupança, caberá à direita percorrer o caminho inverso: a defesa das liberdades individuais, da propriedade privada, da poupança como garante último da liberdade de cada um; a confiança na solidariedade espontânea que existe entre os portugueses, enquanto pessoas que são. Uma direita que limite o poder, entre eles o estatal, escrutinando-o através da descentralização fiscal e da introdução dos círculos uninominais. Acima de tudo, precisamos de uma direita que acredite nos cidadãos, que os leve a acreditar neles, na sua capacidade de gerar riqueza, e não se reduza à contabilidade do estado.

Portugal não é a Grécia

Perante frequentes críticas de que Portugal era o bom aluno da Europa quando deveria ser o rufia, o bully ostracizado pelo resto da turma, temos a Grécia como exemplo do mau comportamento. As tabelas em anexo resumem a avaliação do FMI à execução do MoU, e explicam também a falta de paciência de Angela Merkel para com o país.

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ii_14af24057fbb256eO Syriza apenas virá tornar o mau em péssimo. Se nada era cumprido, após o dia 25 de Janeiro muito menos. Posto isto, é por demais evidente que Portugal não é a Grécia, embora corra o risco de se tornar uma Grécia a partir de Outubro do próximo ano. Oxalá (in shaa Allaah) que uma pandemia de bom senso se espalhe entre os portugueses para que assim não seja. Caso contrário, e aí sim, Portugal tornar-se-à uma Grécia.

http://www.imf.org/external/pubs/ft/scr/2014/cr14151.pdf

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picture_kafka_drawingTenho andado num processo de crédito com o Banco. Duas coisas que me são exigidas são declarações da Autoridade Tributária e da Segurança Social em como a empresa não tem qualquer dívida a estas entidades. Sendo um processo moroso, a última declaração da Segurança Social (de Setembro ou Outubro de 2014, depois de me terem emitido outra em Junho 2014) caducou e precisei pedir uma nova. Foi pedida a 20 de Dezembro e finalmente esta semana dignaram-se – já fora do prazo a que estão obrigados e que são dez dias úteis – a emitir a dita declaração. Só que emitiram-na com uma dívida de 276 euros incluindo juros de mora a contar desde Maio último. Ora, nunca recebemos nenhuma carta nem pedido de liquidação desta situação à SS. Eu explico.

Em 2012 pagámos recibos verdes a um prestador de serviços que em 2013 fez a respectiva declaração e num anexo qualquer incluiu o nosso número de contribuinte, dando-se o caso de o que lhe pagámos ser mais de 80% do rendimento dele nesse ano (coisa que não fazíamos ideia nem tínhamos que fazer, não sabemos a quem mais emite recibos) o que nos obriga a entregar 5% do que lhe pagámos à SS. Seja como for, lá na chafarica onde esta gente vegeta, deviam saber que quando se pedem este tipo de declarações não é para limpar o cu a elas, é porque há outras coisas em jogo que podem ser (e no caso são) críticas. Assim que recebemos a guia paguei – e cheira-me que se protestasse iam mas é cobrar ao Totta, mas não posso fazê-lo – e no mesmo dia voltamos a pedir nova declaração que, se cumprirem a lei, não demorará mais de 10 dias úteis. Pois. Só que isto é o suficiente para nos obrigarem a reformar uma livrança pesada e a liquidar 20% da mesma. A quem cobro os juros que pagamos pelas livranças? A quem peço ressarcimento pelo transtorno, juros, custos e despesas que a incompetência destas amibas provocam? A quem exijo que alombe com as responsabilidades que nos permitem pagar o salário a estes incompetentes?

 

neste momento só consigo dizer: António Costa é doido varrido. e muito perigoso.

Li este post da Helena Matos e fiquei perto de desenvolver uma doença cardiovascular à conta da irritação que me assaltou.

Conheço muito razoavelmente a zona do Martim Moniz e da Rua do Benformoso. De 2001 até finais de 2008 vivi mais acima na encosta para a Graça. Quando queria apanhar o metro, a estação mais perto era no Martim Moniz, tendo eu de descer algumas ruas muito íngremes e maltratadas – o último presidente da CML que ligou alguma coisa aos problemas concretos daquela zona foi Pedro Santana Lopes.

O Martim Moniz teve – estou certa – as intervenções mais desastrosas depois do 25 de abril por uma câmara municipal. Acho que ainda no tempo de Abecassis licenciou-se o horrendo Centro Comercial da Mouraria, que seria candidato a edifício mais feio de Portugal se não tivesse como sério concorrente o centro comercial do lado oposto da praça, penso que chamado Centro Comercial Martim Moniz, salvo erro já do tempo de João Soares. O que é de certeza do tempo de João Soares foi a intervenção na placa central da praça, que alia de uma forma magistral fealdade e presunção. Visto de cima, do miradouro da Senhora do Monte, faz uns desenhos (uma estrela) e é tolerável. Mas ao nível da praça são apenas pedras e desníveis sem sentido e muito feios. Obra de um arquiteto que não entende que o efeito no papel pode não ser o mesmo ao nível dos olhos das pessoas.

Com tudo isto poderia pensar-se que a CML tivesse feito um voto de abstenção de intervenção na praça durante umas quatro décadas e deixasse a praça regenerar-se lentamente de tanto atentado estético. Mas não.

Nos últmos anos aquela zona tem-se tornado um centro de lojas chinesas, mas não só. O Centro Comercial da Mouraria tem uma míriade de lojas, empresários e trabalhadores que vendem produtos, e são os próprios, de diversas proveniências asiáticas. Compram-se as coisas mais improváveis lá. Uma amiga que faz aneis encontrou no CCM (e em mais nenhum sítio) uns expositores acrílicos para os aneis. Num jantar de celebração do Ano Novo Chinês em 2012 em que estive, com americanos, vietnamitas e alguns portugueses interessados nos orientes, verificou-se que toda a gente conhecia o supermercado chinês Hua Ta Li no Martim Moniz e o CCM era sítio onde se ia com alguma frequência. O semanário que se publica em Portugal em mandarim tem os escritórios na Rua da Mouraria. Além de chineses há paquistaneses, bangladeshis, indianos, etc., aparentemente tudo a conviver sem problemas.

Também acho bem que se requalifique a zona. Podia-se começar por organizar uma reunião com os proprietários dos vários edifícios à volta do Martim Moniz e acordar trabalhos nas fachadas que as tornem esteticamente suportáveis. Podia-se dar incentivos – ou mesmo subsídios, que viver numa cidade bonita é uma externalidade (e não, para os maluquinhos: não tenho, nem tenho na empresa, nem tenho na família nenhum prédio que precise de obras na fachada e que se queira transferir esse custo para os contribuintes), ou isenções de IMI, ou… – para requalificação das fachadas dos prédios da zona, que muitas estão lastimáveis.

O que não vejo que se aceite é que Costa queira enxotar uns imigrantes para beneficiar outros e, menos ainda, que deva andar a determinar onde são os lugares de culto islâmicos. Os socialistas que esbracejam com qualquer aproximação entre estado e religião católica acham isto bem, presumo?

Mas enfim, trata-se de Costa. A criatura tem tanta ‘visão estratégica’ que não consegue resolver um único problema concreto dos lisboetas. Nem dá pela sua existência. O trânsito é infernal também à conta das imbecilidades que Costa criou. Nos dias de chuva e dos inevitáveis acidentes é incapaz de dirigir polícias para agilizar o trânsito nos pontos problemáticos. (Hoje na Av. de Ceuta quem ia para Alcântara não conseguia passar nos semáforos onde se virava para a ponte, porque o trânsito da ponte, com o acidente, estava ingovernável. E claro que enviar polícia para restabelecer a circulação num sentido de uma via fulcral de Lisboa nunca ocorreria a Costa, que só se interessa pela fluidez automobilística quando está a apanhar multas por excesso de velocidade na A2.) Os automobilistas de Lisboa têm de ser punidos, segundo a doutrina Costa. Como se vê na proibição de carros anteriores a 2000 em certas zonas de Lisboa. Quem não tem dinheiro para comprar carros recentes não tem vícios, não é? Ou vá trabalhar para os subúrbios, que a esquerda portuguesa não aprecia suburbanos em demasia.

Votem nesta criatura, votem.

Auto-caricatura

No programa da RTP Prós & Contras discute-se o terrorismo que fustigou a França. Dois cartoonistas convidados quando tiveram tempo de antena não perderam a oportunidade para apontar o dedo ao Primeiro-Ministro israelita, Benjamin Netanyahu.

Terrorismo e relativismo

O problema não são os outros. Somos nós. Por Helena Matos.

As perguntas lançadas no Fórum da TSF são semelhantes a tantas outras formuladas nos últimos dias. São perguntas, frases e comentários que partem sempre do mesmo princípio: o problema da violência dos outros somos nós. Porque nós vemo-nos como responsáveis por tudo o que aconteceu e acontece no mundo: para tudo aquilo que os outros fazem há sempre um gesto ou uma decisão que nós ou os nossos antepassados tomámos agora ou há quinhentos anos e que explicam, justificam e de certa forma têm desculpado aos nossos olhos o terrorismo e os terroristas.

Nós, europeus, temos um problema sério. Não com os terroristas que por mais chocante que seja escrevê-lo nestes dias não é a nós, ocidentais, que causam maior dor: enquanto na Europa se repetia “Todos somos Charlie”, na Nigéria o Boko Haram matava 2000 pessoas, na sua maioria mulheres, crianças e velhos sem que alguém se indignasse ou sequer admirasse.

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Uma estranha forma de “justiça”

Tem de indemnizar ladrão que ficou incapacitado de roubar

Quando tentava roubar a sucata, juntamente com seis cúmplices, o então toxicodependente Manuel Mendes acabou por cair nas armadilhas, ficando com uma incapacidade de 35%. Vai agora, receber uma indemnização por parte do homem que tentou roubar.

A praga dos graffiti (em Lisboa e não só…)

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Um grande artigo de Lucy pepper: Lisbon looks like shit.

Anarquistas e comunistas sentem-se a vontade para pintar as suas banais chamadas às armas ou aos protestos porque acham que os muros não pertencem a ninguém (os anarquistas) ou pertencem a todos igualmente, mas mais igualmente a eles próprios (os comunistas). Pergunto-me quantas conversões às suas crenças eles obtiveram desta maneira. Nos dias da censura de Estado, podia-se desculpar os escritos nas paredes. Mas, hoje, temos a internet.

A cultura dos graffiti é uma cultura de “wise-assery”, de plágio e de repetição, tudo a fingir que é rebelião… rebelião sem muita causa, além da sujeira que ninguém consegue limpar.

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Leituras dominicais

O desrespeito é muito lindo, a crónica de Alberto Gonçalves no DN.

Para início de conversa, e por incrível que pareça, convém esclarecer que os acontecimentos de quarta-feira em Paris não decorrem da austeridade, do desemprego, do desenraizamento, da pobreza, da globalização, do individualismo, da falta de “valores”, do mau gosto, da NATO, da FIFA, da guerra no Iraque, do conflito israelo-árabe, das Cruzadas ou do fanatismo religioso em geral.

O massacre na redacção do Charlie Hebdo decorre apenas de sede de sangue que alguns revelam em nome de uma religião particular, o islão, hoje bastante fadada a congregar tarados do género. Quem, por estratégia partidária, convicção ideológica, conivência dissimulada com os assassinos ou pura estupidez, procura causas avulsas para “explicar” o assassínio de 12 pessoas, fora os inocentes que tombaram nos dias seguintes, está pouco consternado com a chacina. Não sei se, no Twitter dela, a Dra. Ana Gomes “legitimou” a chacina com a crise económica por oportunismo ou imbecilidade crónica. Sei que é vergonhoso

a senhora representar Portugal no Parlamento Europeu, tão vergonhoso quanto o PCP, que responsabilizou a “exclusão social” e os EUA pelo atentado, ainda existir.

Liberdades, por João Pereira Coutinho

Foram horas de comentários inanes. Mas a melhor análise aos dias de terror em França só veio no fim: aconteceu na TVI, pela boca de um sacerdote católico. António Rego, com erudição e serenidade, explicou o que separa o Ocidente (de raiz cristã) do islamismo radical: duas concepções de liberdade. No Ocidente, depois de guerras sangrentas entre os vários poderes espirituais (e entre estes e o poder temporal), a liberdade não é apenas um valor secular relevante. Ela é entendida também como uma condição teológica fundamental: sem liberdade, as criaturas seriam escravas da vontade do Criador. No Islão extremista, ainda não houve essa ‘Reforma’ (nem esse ‘Iluminismo’): a blasfémia é uma heresia – e o lugar dos hereges sempre foi no suplício das chamas. Sim, podemos defender-nos e vigiar-nos, como pediu François Hollande. Mas tudo dependerá da capacidade do Islão em ‘reformar-se’ para sair da sua Idade Média.

Freedom of speech cannot be killed, por  Joe Randazzo (antigo director do The Onion).

(…)Satire must always accompany any free society. It is an absolute necessity. Even in the most repressive medieval kingdoms, they understood the need for the court jester, the one soul allowed to tell the truth through laughter. It is, in many ways, the most powerful form of free speech because it is aimed at those in power, or those whose ideas would spread hate. It is the canary in the coalmine, a cultural thermometer, and it always has to push, push, push the boundaries of society to see how much it’s grown.

Our society is possibly the freest that humankind has yet produced and that freedom is predicated on one central idea: the right to speech. That right is understood as a natural extension of our very existence. In America, free speech is so important that the men who wrote our Bill of Rights put it first, but followed it up with our right to bear arms. To me, that’s always been a pretty strong message: Say what you want and, here, take some guns to make sure no one tries to stop you. But in this state of widespread social change – probably the most profound in centuries – we need to make sure that the ideal of the second. amendment never, ever trumps the power of the first. That brute force never negates ideas. (…)

Antonio Costa, director do Diário Económico na sua página do Facebook.

“Vai uma grande confusão por algumas cabeças mediáticas, ou um grande cinismo e hipocrisia, o que é ainda pior. Ser Charlie não é concordar com os cartoons do Charlie Hebdo, é discordar, é detestar, é estar do outro lado, e mesmo assim defender a sua existência. E pôr de lado as nossas opções políticas e sociais para estar ao lado de quem foi alvo de um crime,. Confundir este princípio absolutamente estruturante da liberdade de expressão com a ideia de que ser Charlie obriga a estar contra a austeridade, ou contra a Alemanha, ou concordar com todos os disparates que se dizem, ou ter a obrigação de dar espaço, por exemplo editorial, a todos os disparates, a todos os humoristas, cartoonistas e afins é outra coisa. É ser anti-Charlie. Não há donos da moralidade, embora pareça que esses querem impor essa moralidade aos outros, e não autorizar que todos sejamos Charlie. Diz muito do que pensam.”

Jeff Jarvis, no El Español, um novo projecto de comunicação a seguir com atenção.

(…) Defender la libertad de expresión no es americano. Es lógico. Si se permitiera a un gobierno controlar -censurar- discursos ofensivos, sólo escucharíamos los que aprobara el gobierno ya que cualquier expresión podría ofender a alguien y todas estarían controladas.

La idea de que la libertad de expresión debe estar controlada para limitar la ofensa es en sí misma ofensiva para los principios de una sociedad libre, abierta y moderna. Esto es lo que nos han enseñado los asesinatos de Charlie Hebdo. (…)

A propósito de humoristas politicamente subservientes

Charlie mais Charlie não há. Por Vitor Cunha.

João Quadros diz-nos que é mais Charlie que os outros, e eu concordo; é mesmo muito mais Charlie do que um Charlie de ocasião, daqueles que charlieizam o Mário Crespo e a Manuela Moura Guedes, porém, deixando a Isabel Moreira ou a Raquel Varela descharlieizadas, talvez na esperança da união da esquerda em torno da também descharliezada Ana Gomes ou até da gamelar Elisa Ferreira. Quadros vai bem mais longe: charlieiza qualquer militante do PSD e do CDS com o mesmo afinco com que charlieiza o arquitecto Seabra, a Felícia Cabrita ou o Correio da Manhã. É ecléctico e corre riscos sérios de fatwa pelo Papa, pessoa conhecida por originar o afastamento de Manuela Moura Guedes da TVI (não era suficientemente Charlie) ou até o sério risco de extermínio a sangue frio pela austeritária Angela Merkel, conhecida por vingar-se de todo aquele que ousa, por motivos humorísticos, inferir sobre a obesidade da despótica caixa registadora que Quadros charliezará como “esfíncter”.

Vendas em banca dos jornais portugueses: Janeiro a Outubro de 2014

Vendas em banca
1 – Correio da Manhã: 109.866
2 – Expresso: 71.621
3 – Jornal de Notícias: 52.476
4 – Público: 15.912
5 – Diário de Notícias: 12.182
6 – i: 3.498

Assinantes online Continuar a ler

Nova oportunidade para os críticos de cartoons V

Imagem de Pat McGrath / Ottawa Citizen

Imagem de Pat McGrath / Ottawa Citizen

Imtiaz Ahmed, o imã da mesquita de Ottawa precisa de ouvir o que o imã de Lisboa tem para dizer e deixar-se de purezas legais.. Até porque a criminalização e punição por blasfémia no Corão não existe. Ou melhor, esta legislação divina foi produzida centenas de anos depois da morte de Maomé, em tempos de guerra e durante a época Medieval. Passa a aplicar-se quando dá jeito. Agora é o momento para os extremistas.

Em relação à onda de terror que acontece em França é para mim seguro, de uma forma bastante clara, que assassinar (mesmo por delito de opinião) não é permitido e juntar-lhe a questão do gosto é, no minímo, de mau gosto.  Deus nos livre  que o insulto à religião passe a ser considerado como uma ameaça global à paz e à segurança como pretendem boa parte dos estados muçulmanos desde 1999.

Um resumo da história recente para as criancinhas

Estava todo o Mundo muito feliz pronto a viver um novo século cheio de paz e harmonia, quando um grupo de judeus em conluio com George Bush decide atacar as torres gémeas. George Bush lançou depois uma guerra contra o Islão que se defendeu com pequenos ataques terroristas. Quando tudo estava prestes a voltar ao normal graças à acção do prémio Nobel da Paz Barack Obama, apareceu a Merkel que, com a austeridade, voltou a atacar o Islão e levá-los a defenderem-se com atentados terroristas. O século XXI prossegue assim, na esperança de que um dia só haja líderes de esquerda que acabem com a toda a pobreza e a guerra no Mundo. Entenderam, criancinhas?

Taxas e taxinhas

Maria-Luis-Albuquerque-e-Paulo-NuncioE estas nem sequer ajudam a reduzir o défice.

Empresas contestam obrigação de comunicar “stocks” ao fisco
(…)a Associação de Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal (AHRESP) e a Ordem dos Técnicos Oficiais de Contas (OTOC) defendem que a medida é uma “duplicação burocrática”, já que “a demonstração de resultados das empresas já reporta a informação sobre os consumo”, criando-se assim “mais um custo de contexto, incomportável para as micro e pequenas empresas”

Consenso pró-imperialismo

Aqui está uma possível base para o consenso nacional – desde o CDS à extrema-esquerda todos exigem ser vítimas do imperialismo dos EUA e não admitem sequer uma redução do grau de ocupação imperialista:

EUA vão mesmo reduzir presença na Base das Lajes
Portugal manifesta “forte desagrado” por decisão dos EUA de reduzir pessoal nas Lajes
Governo dos Açores afirma que corte na base das Lajes é uma «bofetada na cara do Estado»
Base das Lajes: BE, PCP e PPM preocupados com provável redução de postos de trabalhos portugueses (2012)

Retratar o irretratável

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Existem bons e maus profissionais em todas as profissões, e a política não será excepção. O que torna a política peculiar é o microfone que lhes é posto à frente, assim amplificando alguns dos disparates que ficariam retidos, entre tremoços, numa qualquer mesa de café. E, no caso dos políticos mesmo incapazes, o microfone é acompanhado de um bilhete para o Parlamento Europeu — via TAP —, uma promoção a alto pontífice da irrelevância, em que a personagem incómoda é afastada, não obstante o alto rendimento que irá auferir. Também aqui a política é peculiar, premiando financeiramente os incómodos.

Este tratamento, que encontra aliás as suas origens na diáspora dos pilgrim fathers para os EUA, ou nos navios que zarparam rumo à Austrália para estabelecer uma colónia penal, tem apenas um senão, resultado da inexorável evolução tecnológica: a tecnologia. No passado, mensagens e cartas ficariam retidas, e as que chegavam, chegavam com meses de atraso. Hoje, redes sociais como o Twitter dissolvem estas barreiras, que tão úteis nos eram, como a eurodeputada Ana Gomes faz questão de nos recordar.

Na sequência do infeliz incidente ocorrido no jornal satírico Charlie Hebdo, Ana Gomes apressou-se a encontrar uma correlação com a austeridade. Tudo isto era, diz-nos a eurodeputada tornada socióloga Tang, bastando mexer, um produto da austeridade, através do intrincado raciocínio em que austeridade gera desemprego, desemprego gera pessoas desocupadas, e pessoas desocupadas pegam em AK-47s e vão assassinar editores de jornais.

Não é o aproveitamento político que me desperta particular interesse, ou o argumento rebuscado, que tal como a personagem, é até bastante simples. É a forma inimputável como pessoas que desempenham importantes cargos debitam profundos e ofensivos disparates.

A inevitável austeridade que adveio da consolidação de contas há muito por consolidar teve, com efeito, um impacto amplo e negativo. Pena que não tenha chegado a Bruxelas e, em particular, a Ana Gomes, em significativo défice de austeridade no histerismo, parcimónia no disparate, e seriedade nas palavras.

Je suis Charlie

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Contra a bárbarie e contra todos quantos tentam oportunisticamente justificar o injustificável: Hoje somos todos Charlie Hebdo. Por José Manuel Fernandes.

A tragédia não é só do Charlie Hebdo, nem só dos parisienses ou dos franceses. É do jornalismo mundial. É de todos os homens livres. Tenhamos pois coragem, não cedamos à intimidação e ao medo.

Tremam

Um artigo com conclusões muito interessantes sobre a deflação, quanto mais não seja por estar publicado num canal generalista, não especializado e dirigido ao cidadão comum. A deflação é um perigo, dizem-nos a toda a hora, mas num mundo de devedores, onde o crescimento económico depende do consumo e não da poupança. É ainda um perigo para os governos e põe em xeque os bancos centrais que perdem uma excelente arma para direccionar a política económica.

Fala-se muito de 2014 ter sido o ano do fim da velha ordem. Isto devido ao colapso do BES e da PT. Mas a verdadeira mudança a que poderemos assistir nos tempos mais próximos talvez venha a ser precisamente esta: o fim do reinado da inflação. Ou me engano muito, ou ainda vamos ver muitos socialistas a tremer.

O salário mínimo não cria desemprego II

Ao contrário da noção intuitiva, o desemprego causado pelo salário mínimo não resulta tanto das pessoas que são despedidas após o seu aumento, mas muito no seu efeito na criação de novos empregos. Todos os meses, empregos são criados e destruidos na economia. Se algo tem um impacto negativo na criação de emprego, isto fará aumentar o número de desempregados. Por isso o efeito de um aumento inesperado do salário mínimo pode ser imediato.

Um dos motivos pelo qual é tão complicado analisar o efeito do salário mínimo no desemprego é porque grande parte dos aumentos são antecipados pelos empresários e vão sendo incorporados nas decisões de criação de emprego meses antes de ocorrerem. Para ser possível avaliar graficamente o impacto de aumentos do salário mínimo, precisamos de olhar para aumentos significantes e, de alguma forma, inesperados. Um exemplo foi o que aconteceu este ano.

Agora mostremos outro. Já em plena crise económica, o número de desempregados estava relativamente estável em Portugal. Apesar do acordo assinado anos antes, os empresários esperavam que o governo Sócrates não aumentasse o salário mínimo em 25 euros a meio de uma crise financeira. Sócrates aumentou-o e garantiu que o voltaria a fazer um ano depois. Olhando o gráfico abaixo conseguem adivinhar quando foi confirmado esse aumento?

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Antonio Costa, a meretriz hitleriana

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“(…)Eu defender o Correio da Manhã porque a maior parte do povo o lê é uma coisa populista e hitleriana, é um argumento hitleriano. O CM é o carro do povo, portanto, todos temos de ler o CM. O CM todos os dias atinge a dignidade das pessoas e nós todas aqui conhecemos pessoas que foram atingidas pelo CM. Portanto, tu dizeres que nós, de esquerda, gostamos do CM, gostamos do povo, logo temos de gostar do Cm… O CM é má fonte, é vergonhoso e eu não admito que me digam que, por ser de esquerda, tenho de gostar de um jornal que é muito popularucho. Acho isso uma coisa nojenta. O CM é uma vergonha e eu acho uma vergonha participar nele e, para mim, é prostituição ser colunista do CM!

Isabel Moreira, no programa Barca do Inferno.

Espero que este recado da Isabel Moreira ao Secretário-Geral do Partido Socialista, putativo candidato à chefia do próximo governo, actual Presidente da Câmara de Lisboa e colunista do Correio da Manhã se encaixe nos canais próprios que servem para enviar os recados políticos. Não acredito em mais nenhuma hipótese e parece-me ainda mais longínqua qualquer aproximação da deputada a um processo de auto-crítica..

Adenda: As outras meretizes do mesmo partido de Isabel Moreira que escrevem no CM são a Maria de Belém e o Eduardo Cabrita.

O salário mínimo não cria desemprego

Fica aqui a evolução mensal do número de desempregados em 2014, já utilizando os dados divulgados pelo INE. Sem usar o google, os leitores conseguem adivinhar em que altura foi aumentado o salário mínimo?

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Deveremos temer a deflação?

Tem havido nas últimas semanas muitas notícias e comentários preocupados com a “onda de deflação” que assola a Europa. Intuitivamente, parece deslocada da realidade preocupar-se que os preços dos bens de consumo desçam. Mas obviamente, há outros factores a ter em conta. Para entendermos se nos devemos preocupar com a inflação é preciso primeiro entender que existem três fontes principais de deflação com implicações diferentes:

1. Deflação por aumento de produtividade

A deflação por aumento de produtividade ocorre quando os preços baixam porque as empresas conseguem produzir mais ou melhor do mesmo produto ao mesmo custo. Em termos simples, os preços baixam porque as empresas conseguem produzir mais, recorrendo aos mesmos trabalhadores. Esta é a melhor fonte de deflação: a deflação que resulta do crescimento económico, que resulta do facto de um país produzir mais.
Para os empresários esta não é uma situação negativa. Os preços baixam, mas as receitas mantêm-se iguais ou superiores porque a quantidade produzida e vendida aumenta.
O argumento de que os consumidores irão adiar consumo, assumindo que os preços continuarão a descer também não se aplica aqui. Em primeiro lugar porque boa parte do consumo não pode ser adiado indefinidamente. Ninguém pára de comer durante um mês apenas porque a comida ficará mais barata no mês seguinte. em segundo lugar, o facto de os preços terem descido hoje devido a aumentos de produtividade não implica que venham a descer amanhã pelo mesmo motivo. Em terceiro lugar, é preciso notar que quando os preços baixam, os consumidores assalariados vêem o seu rendimento real aumentar. Aumentos de salário são incentivo a consumir mais, não menos. Finalmente, porque se o consumo diminuísse efectivamente, então as receitas das empresas baixariam o que incentivaria a uma redução da produção, fazendo regressar os preços ao valor inicial.

2. Deflação via descida de custos de matérias primas

Esta segunda fonte de deflação é muito similar à primeira. Aqui não há um ganho de produtividade no sentido em que cada trabalhador produz mais do mesmo produtos. No entanto, tal como no primeiro caso, também aqui a descida dos preços dos bens finais está ligado a uma descida no custo de os produzir. A queda das receitas das empresas está directamente ligada à sua queda de custos, não afectando portanto os lucros ou a capacidade para pagar salários. Este é o caso da deflação por via da queda do preço do petróleo. Quando a deflação tem esta origem, não há nenhum efeito económico negativo visível.

3. Deflação de origem monetária

A terceira grande fonte de deflação é a deflação de origem monetária. Isto ocorre quando os preços baixam não porque as empresas produzem mais ou porque as matérias primas estão mais baratas mas por haver menos moeda a circular. Esta é a única fonte de deflação que pode efectivamente afectar negativamente a actividade económica.
As empresas vêem os seus preços baixar sem o respectivo aumento de vendas ou diminuição de custos. Ou seja, ao contrário dos dois casos anteriores, as empresas verão os seus lucros baixarem, assim como a sua capacidade para pagar salários. Isto é particularmente importante no caso dos sectores mais dependentes de mão-de-obra. Sem a possibilidade, por lei, de baixar salários ou reduzir as suas contribuições para o rendimento de pensionistas e funcionários públicos, o lucro das empresas irá diminuir. Essa diminuição retirará incentivos ao investimento e à criação de emprego. A redução do investimento limitará futuros aumentos de produtividade que, por si, limitarão o crescimento económico.
Uma boa forma de entender os efeitos negativos deste tipo de deflação é pensar que quando ocorre deflação por via monetária, aqueles que têm rendimentos fixos (assalariados com contratos sem termo, funcionários públicos ou reformados, por exemplo) ganham poder de compra. Ou seja, numa economia que produz exactamente o mesmo, há um conjunto de indivíduos que podem consumir mais. Se a produção se mantém constante e uns podem consumir mais, isto implica necessariamente que outros irão consumir menos. Esta transferência de poder de compra ocorre sem que exista qualquer alteração relativa dos níveis de produtividade. Ou seja, existe uma realocação de recursos de um sector da sociedade para outro, sem qualquer fundamento económico que poderá causar abrandamento económico.

O dinheiro do TGV que nunca existiu

O Diário Económico noticia hoje que o projecto do TGV custou 153 milhões apesar de nunca ter arrancado, podendo vir a custar mais 30 milhões em indemnizações. No dia 8 de Maio de 2010, já com a crise plenamente instalada e 3 dias antes de o governo PS apresentar o primeiro pacote de austeridade no parlamento, foi assinado numa cerimónia discreta o contrato de concessão do TGV. O contrato foi assinado com um consórcio do qual faziam parte, entre outros, a Brisa, a Soares da Costa e o Grupo Lena. Uns dias antes, Cavaco tinha pedido “reponderação ao governo”. Ao mesmo tempo, José Sócrates prometia em Bruxelas o adiamento de grandes obras públicas.

Passados 2 anos, o projecto foi cancelado. Até ser cancelado, já o estado tinha pago 153 milhões de euros pelo projecto. Aquando do cancelamento do projecto, o Luis Rocha já se questionava no Blasfémias se ninguém iria preso.

A narrativa da defesa de Sócrates

Sócrates, em resposta escrita à TVI, avança a base da sua defesa (meus destaques):

Pergunta 1: Foi confrontado com provas, quando foi interrogado pelo juiz Carlos Alexandre?

Essa é a questão essencial. Não, não fui – nem confrontado com factos quanto mais com provas. E isto é válido para todos os crimes que me imputam, que considero gravíssimos para quem exerceu funções públicas.

Tomemos, por exemplo, e por economia de resposta, o crime de corrupção que é, para mim, o mais detestável, o mais ignominioso que pode ser imputado a um ex-governante. Pois bem, apesar da minha insistência, nunca, em nenhum momento, nem a acusação nem o juiz foram capazes de me dizer quando e como é que fui corrompido, onde ou sequer em que país do Mundo essa corrupção aconteceu, nem por quem, a troco de quê, qual a vantagem que obtive ou qual a que concedi, lícita ou ilícita. Nada, rigorosamente nada!

Esta é a verdade. Por estranho que pareça – e deve parecer estranho porque não conheço nenhum caso semelhante – a corrupção em nome da qual me sujeitaram à infâmia desta prisão preventiva é uma pura invenção, uma “hipótese de trabalho” teórica da investigação, um crime presumido, sem qualquer concretização ou referência no tempo ou no espaço e do qual não há, nem podem existir, indícios ou provas. E por uma razão simples: porque não aconteceu. O que afirmo, portanto, é que fui detido e preso (preventivamente) sem me terem sido referidos nem factos, nem provas de que tenha cometido quaisquer crimes, a começar pelo crime de corrupção que estaria na origem de tudo. A partir daí, este processo é todo ele uma caixinha de presunções, em que as presunções assentam umas nas outras numa construção elaborada mas absolutamente delirante. Começando por presumir, sem qualquer sustentação digna desse nome, que o dinheiro do Engº Carlos Santos Silva é afinal meu, deu-lhes para presumir, embora sem qualquer prova ou indício, que obtive esse dinheiro através de corrupção, sabe-se lá quando nem onde. E é com base nesta teoria, toda ela inventada, que presumem também os outros crimes porque, a partir daí, todas as movimentações financeiras daquele dinheiro são entendidas como operações minhas que configuram branqueamento de capitais e fraude fiscal. É uma imaginativa cascata de presunções. Mas não passa disso.

 

Esta “narrativa” da defesa de Sócrates já tinha sido confirmada por anterior violação do segredo de justiça que, por curiosidade, não foi incluída no rol acusatório da carta do ex-primeiro-ministro:

oops

 

Leituras complementares:
Corrupção e branqueamento de capitaisO martírio do preso número 44