José Miguel Sardica: O Século XX Português, 24 de Fevereiro, às 19:00, em Lisboa

Não vou poder estar presente porque estarei a dar uma aula, mas recomendo.
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António Costa e as sondagens: descubra as diferenças

Maioria absoluta mais difícil para o PS (13 de Fevereiro de 2015)

O sonho de uma maioria absoluta manifestada pelo líder do PS, António Costa, está mais difícil. Segundo uma sondagem CM/Aximage, a intenção de voto nos socialistas, a oito meses das eleições legislativas, caiu de 36,9%, em Janeiro, para 36,7% este mês (menos 0,2 pontos percentuais).

O PSD também desceu, de 30,9% em Janeiro para 30,2% em Fevereiro (menos 0,7 pontos), mas, em caso de coligação com o CDS, que obtém nesta sondagem 5,3% (mais 0,6 pontos percentuais), a diferença entre o PS e o PSD/CDS, é agora de apenas 1,2 pontos percentuais.

António Costa diz que sondagem demonstra urgência de nova liderança no PS (12 de Julho de 2014)

O candidato à liderança do PS António Costa considerou hoje que as últimas sondagens, com a descida do partido, demonstram a urgência de uma nova direcção.

“A sondagem [do Correio da Manhã] aproxima-se dos maus resultados que o PS teve nas eleições europeias e é uma demonstração de como é urgente o PS vencer esta página e poder concentrar-se naquilo que é necessário”, declarou aos jornalistas.

Num contexto cada vez mais difícil para a afirmação da sua liderança, não espanta que António Costa ache agora necessário vir a público afirmar que a prioridade do PS são as eleições legislativas e não as presidenciais

Leitura complementar: Da espiral recessiva aos cantos do Syriza; O Hollande de Lisboa?; Nuvens no horizonte de António Costa…; Dias difíceis no PS…

Porque recordar é viver…

Portugal está na bancarrota e não vai cumprir a dívida

José Manuel Silva, Bastonário da Ordem dos Médicos (Out 2011)

Sobre a pobreza

Um comovente e honrado testemunho real de Gabriel Mithá Ribeiro, que deveria fazer corar de vergonha e vergar de humilhação aqueles que usam a pobreza e os pobres como instrumento para capitalização política, e especialmente aqueles que, nunca privados de nada, se imbuem da pretensa superioridade moral com que admoestam quem deles discorda, ou quem uma vida dedicou à caridade, tudo isto acompanhado por mílharas de esturjão e um flute de Cristal num qualquer restaurante très chic — noblesse oblige — da capital.

Tenham mas é vergonha!

Novo recorde no Turismo em Portugal

Agora que parece definitivamente ultrapassada a estúpida e desnecessária polémica com o Secretário de Estado do Turismo despoletada por uma deficiente gestão da comunicação na Câmara do Porto, vale a pena salientar mais estes dados muito positivos do turismo a nível nacional: Turismo interno bate recorde

“Para o melhor ano de sempre no turismo interno e um crescimento como este confluem sempre dezenas de causas e não é possível isolar uma que justifique. Os indicadores de confiança na economia contextualizam este crescimento, mas também as estratégias dos empresários”, disse o secretário de Estado do Turismo, Adolfo Mesquita Nunes, em declarações ao Económico.

Mas de 2010 para 2014, período marcado pelo ajustamento da economia portuguesa, foi o turismo britânico, francês e alemão, mercados externos tradicionais, que mais cresceu em território nacional.

Só no ano passado o número de dormidas, de portugueses e de estrangeiros, aumentou 11%, um ritmo três vezes superior à média europeia – segundo a Organização Mundial do Turismo -, e quatro vezes acima da concorrente Espanha.

“É um reforço dos excelentes números do ano passado”, refere Adolfo Mesquita Nunes, que atribui “todo o mérito” ao sector do turismo e sublinha ainda o facto de os proveitos dos hotéis terem crescido a um ritmo superior ao das dormidas.

Leitura complementar: O sucesso do turismo no Porto, a iniciativa privada e os artistas.

Os rascunhos da discórdia

Via Paul Mason, ficam aqui os dois rascunhos do comunicado de ontem da reunião dos ministros das finanças do Eurogrupo. O primeiro, aquele que Varoufakis diz ter acordado assinar, já contemplava a extensão do programa da troika por mais 6 meses.
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O segundo, que Varoufakis se recusou a assinar, fica aqui.

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Note-se que é comum os comunicados propostos pela comissão alterarem-se durante o dia, já que todos os líderes presentes têm que concordar com o comunicado inicialmente proposto.

Crechimento

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Por estes dias tem sido notícia o crescimento do Produto Interno Bruto indígena. Do lado do Governo tenta-se dar como certo que este crescimento se deve à “estratégia” utilizada por eles mesmos, sendo que seriam eles os responsáveis pela melhoria da coisa. Do lado da oposição e principalmente do PS desvaloriza-se e considera-se “anémico”, sem importância, esquecidos que estão dos gritos de “espiral recessiva” e “segundo resgate negociado às escondidas”.

O que verdadeiramente enoja em tudo isto é que, uns tentam-se aproveitar e outros menosprezar o esforço feito por um povo inteiro, que sugado, roubado e enganado, cerrou os dentes, suportou e suporta sacrifícios e consegue o que ainda há pouco era inimaginável. Não, nem o Governo fez nada por isto, pelo contrário, nem os socialistas têm o direito de diminuir o que nós, que não temos culpa nenhuma do que estes animais andaram a fazer durante décadas, conseguimos. O que o Governo fez (salvo raras excepções de que é exemplo a Secretaria de Estado do Turismo que de facto tem ajudado) foi tirar-nos meios e literalmente roubar-nos os escassos recursos que tínhamos. Os socialistas, no meio de uma lata inacreditável depois deterem falido o estado, pedido o resgate e ter-nos sujeitado a esta desgraça, vêm, inimputáveis, diminuir o nosso esforço e sacrifício como se fosse coisa de somenos. Sim, são todos iguais, cópia uns dos outros, tudo farinha do mesmo saco.

Se Portugal recupera, deve-o aos portugueses anónimos que perceberam o que estava em causa. E sem manifs, sem debates à segunda, sem o apoio dos jornaleiros – vendidos por um prato de lentilhas – , sem alarido, cerraram os dentes, aguentaram desempregos, falências e dificuldades e puseram as mão à obra. Fomos nós que trabalhámos e produzimos para que lentamente as coisas melhorem e a duras penas. E assim continuaremos. Por isso, ao Governo, que reze uma Avé Maria de agradecimento ou vão todos a pé a Fátima pelo povo que vos calhou em sorte pastorear e aos jarretas do PS que vão insultar a mãezinha deles, não sem antes lhe cravarem os 20 paus que ela ganhou ontem de pernas abertas.

CRESAP: uma receita para (agravar) o desastre (2)

Quando o mérito é o menos importante. Por Alexandre Homem Cristo.

Leitura complementar: CRESAP: uma receita para (agravar) o desastre; CRESAP, uma comissão à medida.

António Costa e o Benfica (3)

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Filhos e enteados. Por Helena Matos.

O perdão fiscal agora concedido ao Benfica pela Câmara Municipal de Lisboa levanta-me as maiores reservas, tanto mais que ele acontece num momento em que os cidadãos portugueses vivem sob uma tremendíssima carga fiscal. Nada lhes é perdoado. (…) Em 2015 vivemos sob uma carga insuportável de impostos. Cada vez somos menos cidadãos e mais contribuintes. A obsessão com a cobrança de impostos leva a que o Governo (graças a Deus o mais liberal de sempre. O que seria se não fosse), que adia tanta coisa para um momento financeiramente mais adequado, não se tenha esquecido de criar uma carreira especial para os técnicos do Ministério das Finanças. Cada um de nós é tratado pelo seu Estado como um provável infractor fiscal. A nível municipal ainda recentemente a autarquia de Lisboa entendeu por bem taxar o simples facto de se aterrar ou desembarcar em Lisboa. Ora neste quadro parece-me injustificável avançar com um perdão fiscal (a que obviamente se seguirá, por parte dos outros clubes, a reivindicação de tratamento similar) para um clube a quem não faltam receitas, muito menos sócios, equipamentos e meios.

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Uma farpa

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Ferro Rodrigues, Vieira da Silva e restantes estreantes parlamentares que vieram renovar a bancada parlamentar do PS dizem-nos, com a pacatez de uma couve, que o crescimento registado em 2014 foi anémico. Seria preciso, fosse isto a única coisa que tivessem proferido na vida; seria oportuno, não tivessem eles feito parte da maioria que desbulhou o país; e até seria coerente, não tivessem eles, faz um punhado de meses, vaticinado a maléfica espiral recessiva que iria degenerar num segundo pedido de resgate. Sendo assim é apenas parvo.

Parvo é também o que Alberto João Jardim foi dizer em pleno Carnaval, usando da época festiva para reiterar a sua posição enquanto sumo pontífice na arte do disparate, sendo que a concorrência não é desprezível. São todos pesos pesados, uns mais do que outros. Mas dizia essa distinta craveira — compete taco-a-taco com as supramencionadas — que a Madeira foi espoliada por Portugal Continental. E com efeito foi. Tendo-o por cá enquanto estudava, deixamo-lo fugir de volta para a Madeira, assim apoquentando os madeirenses por tantos anos. Pouca coisa redimirá os continentais por isso.

Embora em momentos distintos, estes dois episódios de política surreal ilustram que, pelo menos em Portugal, o Carnaval estende-se pelo ano inteiro, e que todos, de uma forma ou de outra, usam a mesma fatiota. Se o que o povo quer é festa, pelo menos os bobos da corte já estão garantidos.

Legalize it?

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Consciente de que todas as atenções estão viradas para o próximo acessório de roupa que Varoufakis possa exibir enquanto decorre a reunião do Eurogrupo — a cada vez mais provável saída da Grécia da zona Euro é uma minudência —, não deixarei, ainda assim, de aludir ao artigo que escrevi esta semana para o Observador sobre a legalização das drogas leves em Portugal, dando como exemplos a lei seca dos Estados Unidos, assim como as recentes experiências de legalização de cannabis no Colorado ou em Washington.

Alerta para os potenciais perigos decorrentes do seu consumo, leiam, mas não inalem.

Sente-se a falta da solidariedade grega

???????????????????????????????Algures no meio dos seus seis livros sobre a Segunda Guerra Mundial, Churchill refere a sua dívida a Franco. Lembra como Franco havia sido ajudado pela Alemanha nazi, tanto durante a guerra civil como depois e como Espanha e Alemanha eram dois fortes aliados. E, evidentemente, Hitler esperava que a recompensa da sua ajuda ao regime franquista fosse a participação espanhola na guerra do lado do Eixo – mesmo se fosse uma participação à italiana, decidida quando França já estava vergada à Alemanha e se esperava que a Grã-Bretalha a seguisse. Mas Franco tinha outros planos que não incluíam gratidões a Hitler, mas manter Espanha arredada da guerra – e, de caminho, dar menos um problema aos Aliados. E assim Churchill lembrou como pôde sempre contar com Franco (e não conta nos seus livros mas sabe-se que também com ajuda de subornos britânicos a várias personalidades franquistas para que defendessem a permanência em paz de Espanha), que recebia toda a ajuda da Alemanha sem qualquer intenção de lhe retribuir declarando guerra à Grã-Bretanha.

As esperanças de Hitler face a Franco – e a ingratidão deste – lembram-me a reação da extrema-esquerda nacional face às reivindicações do Syriza. Como se em algum momento o governo grego tivesse o objetivo de defender os interesses portugueses (não tem) ou os interesses portugueses e gregos fossem coincidentes (não são). Mas temos, por exemplo, Louçã afirmando que o governo grego é quem defende os portugueses. Claro que o conceito de democracia de Louçã não será o meu – o meu tem a ver com eleições e votos e respeito pelas escolhas dos eleitores – mas talvez fosse bom explicar a Louçã que ele póprio não representa os portugueses (sempre votaram nele em números escassos) para saber por quem queremos ser representados.

E depois temos a carta das 32 personalidades – a carta que António Costa fumou mas não inalou – pedindo ao governo português para ser bonzinho para os gregos. Ainda que esquecendo as medidas que alguns dos signatários propuseram anteriormente (exigência unilateral de reestruturação) e que têm tido o bom efeito de subir taxas de juro da dívida grega, levar a levantamentos massiços de euros dos bancos gregos e, hélas, nenhum acordo sobre a dívida. E lá tivemos de ouvir com resignação Carlos César queixando-se que o PR humilhou os gregos. (Falsear contas da dívida pública nas últimas décadas para dar ideia de que se cumpriam os critérios de convergência para o Euro não é humilhante, é, quem sabe, motivo de orgulho para os gregos; já as palavras dos políticos portugueses são um golpe de que os gregos não recuperarão. Pois.)

O que me parece é que os políticos à esquerda – PS e Costa incluídos – se esqueceram que devem defender os interesses dos portugueses – que mesmo no meio de uma crise económica feroz emprestaram dinheiro à Grécia e é imoral defender que a Grécia não nos deve pagar esse dinheiro, sacrificando ainda mais os contribuintes portugueses – e não os interesses gregos.

O pior de tudo é que, de facto, os resgates internacionais do FMI têm custos sociais atrozes – ainda que a Grécia não esteja no torpor pré-revolução industrial que tantos sugerem – e devem ser questionados e repensados. Mas a Grécia é, porventura, o país menos merecedor de ser dado como exemplo de vítima do FMI.

Entretanto nisto, pelo menos, o governo (a quem devemos o mimo de agora pagarmos os sacos em todos os supermercados) não perdeu a cabeça e tivemos a consequência de não andarmos a apregoar aos ventos que não pagaremos o que nos emprestarem ou não pagaremos na totalidade: juros de títulos de dívida a 10 anos à taxa mais baixa de sempre (com ajuda do plano de compra de dívida do BCE, é certo). E o PR lembrou que já tivemos para com a Grécia a melhor solidariedade: emprestamos dinheiro em 2010 quando a Grécia precisou. Agora é a hora de esperarmos nós a solidariedade grega de nos pagarem o dinheiro que vai aliviar os contribuintes portugueses. Solidariedade preferencialmente diferente da ameaça da Grécia de vetar a entrada de Portugal e Espanha na CEE há 3 décadas se não recebesse mais dinheiro – grande solidariedade, Grécia, obrigados! Mas, lá está, sobre gratidão grega lembremos outra vez a história de Franco face à Alemanha há 75 anos.

(A fotografia é da Praça Callao em 1935.)

Alberto João Jardim: «Je suis Syriza»

Bate certo: Alberto João Jardim declara-se: «Je suis Syriza»

O presidente cessante do Governo Regional da Madeira, Alberto João Jardim, manifestou este sábado a sua solidariedade com o povo grego ao usar um chapéu de folclore da Grécia na tribuna onde viu o cortejo alegórico de Carnaval.

«Hoje estou numa atitude de protesto e de solidariedade. Trouxe um chapéu grego para exprimir a minha solidariedade com o Syrizae, por isso, levanto a minha voz: não pagamos, não pagamos!», cantou aos jornalistas, no Funchal.

Uma multidão de algumas dezenas

Cerca de meia centena de pessoas está concentrada no Largo de Camões, na baixa lisboeta, numa manifestação de solidariedade com a Grécia.

Poucos minutos depois das 15.00, hora marcada para início da manifestação, algumas dezenas de pessoas marcavam presença no Largo de Camões e um grupo de jovens da Plataforma 15 de Outubro seguravam um cartaz com as bandeiras de Portugal e da Grécia com a mensagem “Juntos Contra a ‘Troika’”, escrita em português e em grego.

Cerca das 15.15 surgiu um outro grupo de pessoas empunhando uma tarja que dizia “O Medo Mudou de Lado”.

Os deputados bloquistas Luís Fazenda e Mariana Mortágua, a médica Isabel do Carmo ou o realizador de cinema António Pedro Vasconcelos são algumas das personalidades presentes nesta iniciativa convocada pelas redes sociais.

Leitura complementar: Da espiral recessiva aos cantos do Syriza; Razões para ter esperança no Syriza; O socialismo europeu e o Syriza.

António Costa e o Benfica (2)

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Isenção de taxas ao Benfica “é politicamente incorrecta” mas “sensata”

O vereador do Urbanismo da Câmara de Lisboa admite que a proposta que fez para que o Benfica ficasse isento do pagamento de taxas municipais no valor de cerca de 1,8 milhões de euros “é politicamente incorrecta”, mas defende que “faz sentido”. “Estamos permanentemente a aprovar subsídios para instituições que fazem o que o Benfica faz”, justifica Manuel Salgado, lembrando o trabalho realizado pelo clube em várias modalidades “amadoras” e “o papel social relevante” da Fundação Benfica.

Leitura complementar: António Costa e o Benfica.

Margarida Martins: um exemplo de transparência na gestão autárquica socialista…

Margarida Martins nega actas da junta de Arroios ao PSD

A presidente da Junta de Freguesia de Arroios, em Lisboa, Margarida Martins, recusou-se no mês passado, a entregar aos eleitos do PSD as actas do executivo autárquico por eles requeridas.

Em resposta escrita a um requerimento da bancada social-democrata na assembleia de freguesia, a autarca socialista diz que a junta “não pactua com iniciativas que possam interferir com o exercício das suas competências próprias”.

A natureza pública das actas das reuniões dos órgãos autárquicos é “inequívoca”, afirmou ontem o jurista Pedro Delgado Alves, deputado do PS, presidente da junta do Lumiar e membro da Comissão de Acesso aos Documentos Adminitrativos (CADA), a quem o PÚBLICO pediu um comentário sobre o assunto.

(…)

O pedido das actas teve origem na divulgação de várias notícias acerca da contratação pela junta, como avençados, de vários pessoas próximas de Margarida Martins, designadamente o presidente da associação Abraço, que lhe sucedeu nessas funções, e o marido da presidente da assembleia de freguesia. “Que esconderá em tais documentos [actas] a presidente da junta?”, perguntam os eleitos do PSD.

Sobre os incentivos de um sistema de ensino público e centralizado à qualidade dos professores

Esta semana, na revista The Economist:

Imagine a job where excellence does nothing to improve your pay or chances of promotion, and failure carries little risk of being sacked. Your pay is low for your qualifications—but at least the holidays are long, and the pension is gold-plated.(…)
You can find outstanding individuals in the worst school systems. But, as lazy and incompetent teachers get away with slacking, the committed ones often lose motivation. In America and Britain surveys find plummeting morale. Jaded British teachers on online forums remind each other that it is just a few months till the long summer break—and just a few years till retirement. No wonder so many children struggle to learn: no school can be better than those who work in it.(…)
Spreading the revolution to the entire profession will mean dumping the perks cherished by slackers and setting terms that appeal to the hardworking. That may well mean higher pay—but also less generous pensions and holidays. Why not encourage teachers to use the long vacation for catch-up classes for pupils who have fallen behind? Stiffer entry requirements would raise the job’s status and attract better applicants. Pay rises should reward excellence, not long service. Underperformers should be shown the door.
Standing in the way, almost everywhere, are the unions. Their willingness to back shirkers over strivers should not be underestimated: in Washington, DC, when the schools boss (a Teach for America alumna) offered teachers much higher pay in return for less job security, their union balked.”

Leitura adicional:
Temos maus professores
Sobre os maus professores

Austeridade, deflação e crescimento

O meu artigo de hoje no Observador: Da espiral recessiva aos cantos do Syriza.

2014 foi o primeiro ano de crescimento económico em Portugal desde 2010 e isso verificou-se em condições de “austeridade” e com deflação, contrariando todas as previsões de “espiral recessiva”.

Costa, Seguro e as sondagens (2)

Costa e as sondagens: o fenómeno que tarda… Por Henrique Monteiro.

A sondagem que hoje o Expresso e a SIC divulgam é esclarecedora: o PS à frente, como sempre esteve – e estava nos tempos de Seguro – mas ainda longe da maioria absoluta. O PSD e o CDS a perder, mas a resistir. Não, o problema do PS não era do líder, mas das políticas alternativas que não são – e do meu ponto de vista não podem ser – claras.

A propósito de alternativas claras: PCP defende necessidade de preparar país para eventual saída do euro.

Leitura complementar: O Hollande de Lisboa?; Nuvens no horizonte de António Costa…; Dias difíceis no PS…

Portugal (ainda) não é a Grécia

O nosso futuro está nas mãos dos gregos? Por Rui Ramos.

Cada um dos países assistidos é, como as famílias infelizes de Tolstoy, um caso à parte.

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Um bom sinal

Quase ninguém em Lisboa para apoiar governo grego

«Nem mais um sacrifício pelo euro» e «Viva Alexis Tsipras e todo o seu Governo» eram algumas das frases que se liam nas dezenas de cartazes empunhados pelos manifestantes, onde se destacavam diversos dirigentes do Bloco de Esquerda.

António Costa e o Benfica

Estranhamente, a decisão de António Costa de perdoar uma dívida de 1,8 milhões ao Benfica parece não ter gerado qualquer vaga de indignação, nem sequer pedidos de esclarecimento à autarquia.

Deve ser tudo normal…

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Como bem assinala Helena Matos:

Não vou discutir (por agora) a bondade da decisão. Nem sequer as implicações que ela tem nas reivindicações de tratamento identicamente favorável por parte dos outros clubes. Mas a falta de discussão em torno de uma decisão destas revela como se aceita no mundo do futebol o que se questiona nos outros.

Soberania

O meu artigo no Diário Económico de hoje sobre a Grécia e a soberania.

Soberania

Um dos cavalos-de-batalha do governo grego é de que a Grécia não pode continuar a ser humilhada; que a Grécia deve recuperar a sua soberania e, pondo de parte as exigências da troika e da União Europeia, agir de acordo com a vontade da maioria dos eleitores gregos. Podemos dizer que a humilhação é a Grécia ter chegado ao ponto em que se encontra. Podemos argumentar o que quisermos, mas águas passadas não movem moinhos e o que agora interessa é discutir o que temos em cima da mesa, ou seja, no que consiste a soberania.

Para Salazar esta significava estar orgulhosamente só. Um entendimento de que o governo grego parece comungar. Claro que a Grécia tem um o plano B que inclui a Rússia e a China. Mas também não deixa de ser claro, a quem se dê ao cuidado de dar uma vista de olhos ao que se passa por esse mundo fora, que andar de braço dado com Moscovo e Pequim não é agradável. Atenas pode querer reinventar a Europa como inventou o Ocidente, mas não será, com certeza, virando as costas a Estados democráticos e abraçando autocracias e ditaduras comunistas.

No mundo de hoje soberania não significa necessariamente possuir forças militares que possam esmagar países vizinhos; nem deter empresas públicas, ou uma forte influência sobre empresas privadas, que dominem ou tenham uma palavra a dizer sobre como funcionam os mercados. Num mundo global, soberania começa, porque estamos a falar de Estados, por ter contas públicas sem défices, de preferência excedentárias. Começa, porque esse é o ponto de partida; excedentárias, não com vista a um Estado independente do financiamento externo, mas porque cria condições para que haja verdadeiro crescimento económico. Verdadeiro, porque não baseado na antecipação de rendimentos futuros e à custa das gerações seguintes.

É com orçamentos equilibrados e não deficitários que se descem os impostos; que há estabilidade e justiça fiscal que cativa o investimento estrangeiro que interessa e não o dos que compram a saldo; se poupa e junta capital, ao invés de se incrementar o consumo como base de um crescimento que mais não é que uma bolha especulativa, porque não real.

É com orçamentos não deficitários, e com poupança, que se tira partido de uma moeda forte como o euro. Como os alemães o fazem sem medo da deflação, sem medo da concorrência, sem medo da abertura das fronteiras; sem medo de outra coisa que não seja a existência de parceiros que não percebem que vivem num mundo global. Soberania pressupõe um Estado previsível, politicamente contido pelo Parlamento em nome do povo. Em nome de um poder político forte, porque influente; respeitado, porque credível. Soberania implica abertura ao exterior porque há confiança e meios para tirar partido da globalização. Significa não confundir os interesses de um país com os de uma facção ideológica que domina o Estado.

Da série: a austeridade não funciona

O Eurostat divulgou hoje as projecções para o crescimento económico em 2014. Portugal terá voltado ao crescimento com uma taxa de 0,9%. Ou seja, 4 anos depois, a economia portuguesa voltou a crescer. Olhando para este crescimento, ainda bastante baixo, é fácil argumentar que é insuficiente e que as (na minha opinião, escassas) reformas trazidas pela austeridade continuam sem demonstrar resultados.

No entanto, convém olhar com atenção para os números. No gráfico abaixo cruzam-se os dados do crescimento económico desde 1996 com o saldo da balança corrente. Em termos simples, um saldo da balança corrente negativo significa que o país se endividou perante o estrangeiro nesse ano. Os pontos à esquerda representam os anos em que o país se endividou perante o estrangeiro e os pontos à direita os anos em que não o fez. Pontos acima do eixo representam anos de crescimento económico e pontos abaixo representam anos de declínio do PIB:

Austeridade

Os dados começam em 1996, mas podíamos estender até 1973 que a imagem seria semelhante. Em quase todos os anos desde 1996, Portugal endividou-se perante o exterior. Em muitos desses anos, a economia cresceu, mas apenas endividando-se perante o estrangeiro. Ou seja, em todos os anos em que a economia cresceu no passado fê-lo sacrificando crescimento futuro. Em alguns anos, até sacrificou crescimento futuro e mesmo assim não cresceu. Há uma tímida mas notável excepção: aquele ponto no quadrante verde. Aquele ponto refere-se ao ano de 2014. A confirmarem-se os dados terá sido o primeiro ano na história de Portugal democrático que a economia do país cresceu sem se endividar, ou seja, sem sacrificar crescimento futuro. Isto só será surpreendente para quem não segue os opinadores certos.

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(artigo de 9 de Maio de 2014)

Assim vai a governação na Câmara de Lisboa…

Câmara de Lisboa perdoa 1,8 milhões de euros ao Benfica

Museu, piscinas e espaços comerciais do Benfica estão ilegais

O Syriza, os escravos e os estrangeiros

Estranhar e entranhar. Por José Manuel Moreira.

Afinal, o que o novo governo grego deseja mesmo é que os outros se vejam gregos, para não desiludir o povo que votou no fim da austeridade. Na ilusão de ser possível não pagar e obter mais empréstimos, ou ficar no euro com ameaças, mas sem obrigações. Um sonho que levou os amigos do Alexis (Tsipras) a estranhar as palavras de W. Schäuble: “respeito os resultados eleitorais. O problema é não serem realistas quando fazem promessas à custa de terceiros.” Amigos alinhados com o espírito do povo que inventou a democracia só para os seus cidadãos, os filhos de pai e mãe gregos: com exclusão de estrangeiros, escravos e mulheres. Não sendo, por isso, de estranhar que o governo, que não conta com mulheres, queira contar com escravos e estrangeiros a quem dar – não receber – ordens. Na linha de uma aristocrática superioridade, notada por Montesquieu em “De l‘Esprit des Lois”. Para os gregos todo o pequeno comércio era infame: “se um cidadão o praticasse encontrar-se-ia na necessidade de ter de prestar serviços a um escravo, a um inquilino, a um estrangeiro, coisa que repugnava por completo ao espírito grego de liberdade. Por isso, Platão nas suas “Leis” pretende que se castigue o cidadão que comercie”.

Vitrine de apostas erradas de António Costa. E do PS.

O meu texto de ontem no Observador.

‘Mais aterradora é a posição do conselheiro político de confiança de Costa, Porfírio Silva. Entusiasta da abolição do arco da governação, vai mais longe e quer apropriar para o PS algumas das bandeiras do PCP. No texto ‘As unidades da esquerda’, de 4 de Outubro de 2014, explica. Por exemplo: uma ‘pergunta cada vez mais atual’ a que o PS deve responder, usando ‘instrumentos que estavam um tanto esquecidos’ (mais sobre este ‘esquecidos’ no parágrafo seguinte), é ‘que nacionalizações para este tempo’.

Não vale a pena magoarem a córnea de tanto esfregarem os olhos. Leram bem. O mais próximo conselheiro de Costa – escolhido presumo porque Costa vê mérito nas peculiares ideias do senhor – aconselha-o a averiguar o que há por aí no país para nacionalizar. Separo as sílabas: na-cio-na-li-zar. Não sei o que é mais trágico (e cómico): se Porfírio Silva achar que há que nacionalizar, se nem entender que o mecanismo ‘nacionalização’ não estava nada esquecido – simplesmente foi recusado e repudiado eleição após eleição pelos votantes (claramente uns rústicos que não sabem responder decentemente às perguntas cada vez mais atuais) que se recusaram a dar expressão eleitoral de monta aos partidos amigos de nacionalizar.’

Está completo aqui.

No Fio da Navalha

O meu artigo no ‘i’ de hoje.

O falhanço

O jornal i está a lançar, na sua edição de fim-de-semana, pequenos livros sobre as guerras e campanhas militares da história de Portugal, que vão da fundação da nacionalidade à última manifestação monárquica contra a República. Um desses volumes é sobre a crise de 1383-85 e Aljubarrota.

Há dez anos fui aluno, no Instituto de Estudos Políticos da Universidade Católica, da cadeira de Construção Europeia do professor Ernâni Lopes. Numa das aulas, Ernâni Lopes sugeriu-nos que comparássemos o período que ia de 1385 a 1415, os 30 anos que medeiam entre Aljubarrota e a conquista de Ceuta, com o tempo entre 1975 e 2005.

E o que víamos era uma diferença abissal. Se, tanto em 1385 como em 1975, o país assistiu a um corte geracional na liderança do país, o resultado, 30 anos depois, não podia ser mais diferente. Em 1415, Portugal, que tinha estado em risco de perder a independência, iniciava a sua expansão marítima. Em 2005, o país que tinha abraçado a democracia e a Europa, sentia-se defraudado e perdido.

Passaram dez anos e o problema agravou-se. Não se esperam grandes feitos. Apenas que depois de tantos falhanços as pessoas se interroguem, tenham a coragem de se interrogar, e pensem se o projecto de ‘abrir um caminho para uma sociedade socialista’, que ainda consta do preâmbulo da Constituição e alimenta grupos que pressionam o Estado para que lhes alimente os anseios com fundos e facilidades, é a direcção a seguir.

Como a ignorância se espalha

Simpson-DohOntem a Maria João Marques apontou a gritante iliteracia económica subjacente a um artigo do Diário de Notícias, bem como uma evidente agenda activista com o propósito de passar uma mensagem política para a opinião pública. Hoje mesmo, temos oportunidade de ver o mecanismo de propagação da ignorância, num artigo de opinião de Pedro Ivo Carvalho no Jornal de Notícias, em que usa o mesmo argumento e expressão da peça do DN.

Sendo um artigo de opinião, o texto é mais óbvio no seu enviesamento, o que é normal. A consequência é uma ainda mais gritante idiotice. É caso para dizer que a beterraba deu lugar ao quiabo. Se o DN dizia apenas que a Alemanha “desviava” o crescimento de Portugal, o JN vai mais longe e afirma que o superavit da Alemanha foi conseguido «(também) graças a Portugal». Notar a esperteza saloia de colocar o também entre parênteses, quando a ideia a passar é mesmo que a Alemanha anda a tirar dinheiro de Portugal. Ideia reforçada mais abaixo no artigo, quando afirma textualmente que é a «estratégia alemã que nos tira, literalmente, centenas de milhões de euros da boca.»

A realidade é que a Alemanha é o terceiro país no mundo que mais investe no estrangeiro (inevitável, face aos superavits crónicos). Se não investe mais em Portugal, preferindo múltiplos outros países europeus, no leste e não só, talvez seja pela mentalidade indígena tão bem espelhada nas inanidades expressas por Pedro Ivo Carvalho. E ainda assim, um dos maiores exportadores nacionais é uma empresa alemã, a Autoeuropa, actualmente 4% das exportações e 1% do PIB, sendo esperado que face aos investimentos anunciados aumente significativamente estes números nos próximos anos.