A Análise Social, os graffiti e o ICS

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O José Manuel Fernandes que me desculpe, mas neste caso não partilho a análise. Tanto quanto percebi, a revista Análise Social vai mesmo ser posta em circulação com o tal “ensaio visual” pelo que, não obstante algumas considerações em tom diplomático para tentar salvar a face institucional, o desfecho é uma vitória em toda a linha para João de Pina-Cabral e seus apoiantes e quem fica completamente desautorizado é o ainda director do ICS, José Luís Cardoso, que tinha decidido suspender a publicação.

Que consequências vai José Luís Cardoso retirar da decisão de que foi alvo por parte do Conselho Científico do ICS não sei nem me me parece oportuno discutir neste âmbito, mas dificilmente a desautorização imposta ao Director do ICS poderia ter sido mais flagrante.

Independentemente de outras considerações que possam ser feitas, creio que o episódio tem pelo menos o mérito de deixar transparecer de forma clara para o exterior o que é o ICS nos dias que correm.

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o perigo amarelo-dourado, parte 3

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A propósito deste meu post, o Rui Carmo deixou no facebook o testemunho de um deputado do PS que disse no Fórum TSF de 6ª feira que os vistos gold devem estar associados a ‘investimento produtivo’. Como estou em modo caridoso, dou uma insformações básicas a criaturas socialistas que entendem tanto de Economia e investimento como eu de veterinária. Aquilo que os estrangeiros pagam a portugueses para obterem vistos gold terá um de três destinos. (O José Meireles Graça, mais ou menos ao mesmo tempo em que eu escrevia a primeira versão deste post, explica a mema coisa a propósito de outro assunto.)

1. Ou será usado em consumo – e, segundo eu me lembro de ter ouvido nos últimos anos, os socialistas ADORAM o consumo e aumentos da procura interna, pelo que deviam adorar vistos dourados que permitem os portugueses consumam mais. (Mais IVA e mais IRC pelo menos, yeah!) Falam mesmo do consumo como se fosse uma obrigação patriótica consumir. Devemos estar gratos a quem nos dá oportunidade de cumprir em pleno as nossas obrigações patrióticas.

2. Ou investido. Este capital pode ser usado para criar novos negócios – que geram emprego, riqueza, IMPOSTOS (hmmmmmmm). Last I heard haver quem invista e crie novas empresas é bom para o PIB e para o país. Pode ser usado para compra de novos imóveis, constribuindo para dinamizar o setor da construção (e mais emprego, riqueza, IMPOSOS). E por aí fora.

3. Ou pode ser colocado no banco. E aí – tendo em conta que serão 500.000€ menos impostos – certamente não ficarão numa conta à ordem. Serão aplicados em produtos financeiros (cujos rendimentos gerarão IMPOSTOS) e serão usados pelos bancos para financiar negócios vários na economia portuguesa – o que quer dizer mais investimento, mais emprego e mais IMPOSTOS! Uau.

Nós sabemos que o PS desde que faliu o país anda desorientado – é ver o último episódio patético de Costa a dizer que Cavaco teria poderes diminuídos com eleições em Outubro quando, afinal, também os teria com eleições em Junho. Como li no twitter, dinheiro de estrangeiros assim só por si a entrar no país parece que não interessa nada – exceto s for para comprar títulos de dívida, ocasião em que se torna dinheiro salvífico. Bom, ninguém espera que o PS coloque os interesses das pessoas acima do interesse do partido (que confunde com o estado). Mas, se pensar bem chega à conclusão que os vistos gold são uma medida muito simpática. Porque lhes dá aquilo que para o PS está acima de tudo: impostos para gastar em obras inúteis, do género de um novo centro de congressos em Lisboa.

A demissão de Miguel Macedo

Face à gravidade do caso, a demissão de Miguel Macedo, assumindo as suas responsabilidades políticas, é uma decisão compreensível e louvável. Seria importante agora que quem nomeou inicialmente os principais envolvidos no caso também assumisse publicamente as suas responsabilidades.

Quanto ao Governo, trata-se de uma baixa significativa, mas tanto fora como dentro do próprio executivo há quem possa preencher a posição dando garantias de competência e seriedade.

A propósito de hollandices…

PS perde fôlego em Novembro, PSD recupera

Os partidos reflectem esta tendência. Dos 40,2% de intenções de voto que reunia em Outubro, o PS passou para 38,5%. No PSD, o comportamento foi inverso: o partido de Passos Coelho subiu de 27,4% para 31,1%.

Leitura complementar: O Hollande de Lisboa?

O Liberalismo em discussão, 18 de Novembro, 18:30, Lisboa

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Na próxima terça-feira, dia 18 de Novembro, às 18:30, no seguimento de um convite da JP Lisboa, darei uma palestra subordinada ao tema “Afinal o que é o Liberalismo?”. A sessão terá lugar na sede do CDS no Largo Adelino Amaro da Costa.

A entrada é livre e os interessados podem inscrever-se aqui.

Costa e Hollande

O meu artigo de hoje no Observador: O Hollande de Lisboa?

Na sequência da vitória de António Costa nas primárias do PS, o jornal indiano Hindustan Times dedicou ao edil de Lisboa uma entusiástica peça congratulando-se com a perspectiva de um político de ascendência indiana se poder tornar a curto-prazo primeiro-ministro de Portugal e louvando as suas muitas qualidades. Para ilustrar a sua popularidade e o seu carácter, o dito jornal informou até os seus leitores de que António Costa é conhecido como o “Gandhi de Lisboa”, devido ao seu “estilo de vida espartano”. Fora da comunidade jornalística portuguesa, a comparação poderá ser sentida como algo hiperbólica, mas se Costa poderá não ser um novo Gandhi, arrisca-se a ser uma versão lusitana de Hollande.

O resto do texto pode ser lido aqui.

Grupo Symington lidera ranking da Wine Spectator

Wine Spectator: O melhor vinho do mundo é português

O Dow’s Porto Vintage 2011 recebeu o prémio de melhor vinho do mundo em 2014 pela revista Wine Spectator, num ano em que o Douro foi rei e senhor. O 3º e 4º classificados também são portugueses.

Parabéns à família Symington e a todos os seus colaboradores em Portugal pelo reconhecimento e pelos extraordinários resultados alcançados: Continuar a ler

nós gostávamos de um poucochinho de escrutínio, se não for demasiado incómodo

Mais cedo ou mais tarde vai ter de se levar a sério a ameaça que é a pertença não assumida a esta teia de interesses e lealdades que é a maçonaria por parte de eleitos ou de nomeados políticos para organismos estatais. E, já agora, também de juízes e magistrados. Também não deixa de ser curioso como a maioria da comunicação social convive bem com esta opacidade e a investigue tão pouco.

Diretor do SIS sai este mês, Passos procura substituto – não maçon

Maçons nas secretas: registo de interesses público abre guerra no PSD

Golden Visa e o estado a intrometer-se no mercado que devia ser livre

A minha opinião sobre o Golden Visa escrito em Janeiro deste ano. O visto dourado não só está a dificultar a recuperação do mercado imobiliário, como tem dado azo a corrupção, normal quando o estado tem uma palavra a dizer sobre os negócios.

Dirigismo dourado

A BBC noticiou outro dia um forte aumento dos preços das casas em Londres, ao mesmo tempo que a economia mundial ainda está fragilizada. A explicação desta surpresa está, de acordo com a peça, na procura de casas por milionários não europeus. Chineses, russos, cidadãos do Médio Oriente, são muitos os que querem um apartamento na Europa. Este fenómeno, que preocupa os britânicos, que não conseguem competir com esses preços, também se sente na Suíça, onde há bairros inteiros a ser vendidos a estrangeiros.

Portugal não tem o potencial de Londres nem da Suíça, e por isso instituiu o chamado Golden Visa. Este atribui aos cidadãos não europeus que adquiram um imóvel até 500 mil euros o direito à livre circulação no Espaço Schengen durante dez anos. A ideia parece excelente e está a dinamizar o mercado imobiliário no nosso país. Infelizmente, fá-lo lançando uma autêntica bomba atómica e destruindo tudo o que está à sua volta.

Uma observação atenta demonstra que existem dois preços para um mesmo imóvel: um para chineses e outro para europeus. Isto sucede porque os não europeus não compram uma propriedade em Portugal, mas o direito de se deslocarem livremente na Europa. Com esta intromissão do Estado, em vez da recuperação do mercado imobiliário, assistimos ao surgimento de uma nova bolha, que, por ser artificial e alterar o rosto do turismo em Portugal, provocará danos de que nos queixaremos mais tarde. Entretanto, enquanto uns ganham, o mercado espera.

Nova Cidadania 54

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A Nova Cidadania 54 está à venda nas livrarias Alêtheia, Almedina, Bulhosa, Coimbra Editores, Europa-América, Férin, Wook e também na Universidade Católica Portuguesa (Lisboa, Porto e Viseu).

Neste número, recordo John Blundell (1952-2014) e Gary Becker (1930-2014). Destaco também especialmente o artigo “Liberalismo e Cristianismo”, em que Leonard Liggio explicou a relevância do livro O lugar da Religião na Filosofia Liberal de Constant, Tocqueville e Lord Acton, de Ralph Raico.

Mais informações aqui.

Do partido com telhados de vidro

O PCP e o sentido da história, de Paulo Tunhas.

(…)Esta reabilitação actual, a propósito do acontecimento simbólico da queda do muro, de uma doutrina que não se alterou quase um milímetro desde a sua primeira formulação, conta, é verdade, com a excitação empírica motivada pela recente política de Putin. A situação presente do mundo lembra ao PCP a de há 25 anos atrás. A União Europeia professa políticas “neoliberais, federalistas e militaristas”, notórias sobretudo nos actuais confrontos com a Rússia de Putin. “A situação que hoje se vive na Ucrânia, nomeadamente com a ascensão ao poder de forças fascistas, a perseguição anticomunista e a escalada de confrontação com a Rússia é o desenvolvimento lógico da «cavalgada» do imperialismo para Leste que se seguiu às derrotas do socialismo na RDA e noutros países socialistas.”

Esta motivação empírica é potente, e reata com o velho amor do “Sol da terra” (expressão de Álvaro Cunhal), a extinta União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (“quatro palavras, quatro mentiras”, dizia o filósofo Cornelius Castoriadis). Putin não pode deixar de fazer sonhar no capítulo. Apesar de tudo, o antigo funcionário do KGB também sofre de nostalgia da URSS, e se, que eu saiba, ainda não se serve do vocabulário “científico” do marxismo-leninismo, nada o impede, se tal ajudar ao nacionalismo da Grande Rússia, de futuramente o utilizar.

Resumindo. Na RDA não havia a Stasi, não havia uma terrível miséria no plano da sociabilidade, não havia gente disposta a arriscar a morte para fugir de lá. A linguagem utilizada para o dizer é intemporal, situa-se fora do tempo, como nos grandes mitos. É uma história sem história e, por isso, sem atenção ao sofrimento humano. Ou melhor: o sofrimento humano encontra-se antecipadamente justificado pela necessidade férrea das míticas leis da história. (…)

A longa marcha da Taxa Costa

António Costa, Wikipédia.

António Costa, Wikipédia.

A propósito da mudança de ideias do candidato a Primeiro-Ministro e actual Presidente da Câmara de Lisboa, convém (re)lembrar o contraditório percurso de António Costa nesta matéria. É caso para afirmar que o caminho faz-se, taxando. Para o final deixo um apelo: em forma de dúvida: alguém nota alguma contradição ou é apenas impressão minha?
Em Agosto de 2013, a propósito de um aumento de taxas no aeroporto de Lisboa, a Associação de Turismo de Lisboa (ATL), presidida pelo António Costa, dizia o seguinte:
“A Associação do Turismo de Lisboa (ATL) diz que a gestora aeroportuária ANA está a destruir a competitividade do turismo na capital. (…)
A Associação Turismo de Lisboa, que representa mais de 650 entidades privadas e públicas da Região, vem denunciar mais esta medida que penaliza uma das poucas actividades que contribui positivamente para a economia nacional – o Turismo.De facto, as autoridades políticas e administrativas […] parecem apostados em destruir a competitividade dos hotéis, restaurantes, comércio e, agora, das companhias aéreas que contribuem para a oferta turística da Região de Lisboa.”

 

“O Turismo de Lisboa repudiou hoje o aumento de taxas no aeroporto da Portela, anunciado pela ANA – Aeroportos. […] Em declarações à Lusa, o diretor geral da ATL, Vítor Costa, criticou duramente a medida, que classificou de “ganância”, e disse esperar que a ANA recue.
[…]
“O Governo, agora, mesmo antes de assinar o contrato [com a Vinci, que adquiriu a ANA], está a legitimar um ataque desta natureza ao setor do turismo na região de Lisboa, Centro e Alentejo. Há aqui uma falta de cuidado, uma ganância, [com a ideia de que] ‘está tudo a correr bem, há mais turistas, vamos sacar mais dinheiro’“.
[…]
A medida, acrescentou o diretor geral da ATL, “vai afetar dramaticamente a competitividade de Lisboa” e poderá ditar a saída de companhias ou de ligações aéreas da Portela.”

“Vítor Costa confirma que o turismo em Lisboa está com “grande pujança”, mas sublinha que não pode deteriorar-se por causa de uma “vontade cega de aumentar taxas e impostos“. E acrescenta: “Não é ilegal, mas estão a matar a galinha dos ovos de ouro“.
Passados alguns meses, o mundo mudou. Em Novembro de 2014, a Câmara de Lisboa, presidida pelo António Costa, introduz uma taxa de 1 euro de sobre passageiros que desembarquem na cidade, com os seguintes objectivos:
 
  • “Atingir dez milhões de dormidas de turistas estrangeiros”;
  • “Alcançar receitas globais da hotelaria de oitocentos milhões de euros”;
  • “Melhorar o índice de satisfação dos visitantes em dois pontos percentuais”;
  • “Aumentar de modo significativo a notoriedade do destino junto dos mercados emissores que lhe são prioritários”.
Hoje, dia de São Martinho,  António Costa desafia Portas a esclarecer quanto cobra o Governo por passageiro e por dormidas em Lisboa. A este propósito, cito o dono da LPM na página de Facebook, “Engraçado: a Comunicação da CML acordou agora”. Parece que já veio tarde e não dará para remediar a realidade. A infografia do Jornal de Negócios será capaz, por si só, de responder às dúvidas da comunicação e do sinuoso candidato socialista a Primeiro-Ministro.

Ramiro Marques: Desocultando a retórica pedagógica emancipatória e o controlo marxista sobre o currículo escolar

Reproduzo de seguida um texto enviado por Ramiro Marques:

Desocultando a retórica pedagógica emancipatória e o controlo marxista sobre o currículo escolar

Ramiro Marques

“A metanarrativa da emancipação sustenta, por seu lado, a retórica pregnante das nossas sociedades pós-modernas baseada numa conceção socioconstrutivista da aprendizagem e assenta numa perspetiva reconceptualista que coloca a ênfase no formando e na sua experiência….O discurso pedagógico assumir-se-á como uma forma de política cultural, ao serviço da emancipação do sujeito que aprende” (Alves e Machado, 2011, pág. 63)

Esta afirmação consta de um capítulo de um livro publicado numa coleção da Porto Editora coordenada por José Augusto Pacheco. Afirmações de idêntico teor podem ser encontradas em quase todos os livros publicados na influente Coleção Educação e Formação da Porto Editora. Quase todos fazem a apologia acrítica do socioconstrutivismo e, em geral, das perspetivas neomarxistas em educação. Se cotejarmos as outras coleções de educação das restantes editoras  vocacionadas para a formação de professores, encontramos a hegemonia, o quase monopólio, de idênticas perspetivas. Os livros de texto, publicados em Portugal, sobre educação, pedagogia, didática e teoria curricular padecem, quase  todos, da mesma visão apologética, não deixando qualquer margem para que as perspetivas não marxistas tenham alguma visibilidade.

É fácil de ver qual o impacto que esta hegemonia editorial tem na formação inicial e contínua dos professores. Os jovens que estudam para serem professores são bombardeados até à exaustão com as perspetivas neomarxistas, sendo-lhes negado o contacto com quaisquer outras. O neomarxismo na educação e o socioconstrutivismo na pedagogia e na didática são apresentados como teorias validadas pela investigação científica, como se elas se afirmassem através de um processo de autoevidência que não carece de dados empíricos para validação. Continuar a ler

Questões relevantes sobre a taxa Costa

Contribuição de Vitor Cunha para este novo desígnio que irá certamente mobilizar os portugueses e os turistas para fora de Lisboa.

Contribuição de Vitor Cunha para este novo desígnio que irá certamente mobilizar os portugueses e os turistas para fora de Lisboa.

  • Sintra passará a ser o novo paraíso turístico fiscal?
  • Uma cadeia de hotéis que envie os seus hóspedes para um hotel em Loures poderá ser acusada de manter a sua contabilidade offshore e de evasão fiscal?
  • A taxa Costa é uma manobra para promover o aeroporto de Beja?
  • Se 1 Euro/noite não tem qualquer efeito na procura, porquê que os hotéis andam a desperdiçar esse potencial lucro?
  • Paris tem o Louvre, Florença o Santa Maria del Fiore, Veneza a Basílica de São Marcos, e Lisboa um posto de cobrança de 1 Euro?

Quaisquer outras questões são bem vindas. Podem deixá-las na caixa de comentários.

Entretanto, enquanto ninguém olha

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Enquanto a malta vai falando sobre o BES, a legionella e a taxa Costa, o governo prepara-se para aprovar discretamente, por via do orçamento de 2015, uma alteração ao pérfido decreto-lei 198/12. Esta alteração acrescenta, à já existente obrigação de comunicar electronicamente às Finanças documentos como facturas e guias de remessa, a obrigatoriedade de comunicar os inventários. À sombra do combate à evasão fiscal, numa lógica de que os fins justificam os meios, cria-se mais um mecanismo de controlo que só pode ser classificado de totalitário.

Lá vão dezenas de milhares de empresas ter de mudar processos e alterar o seu software de gestão corrente, incorrendo custos muitas vezes significativos. E desta vez nem sequer é preciso um decreto-lei, muda-se a coisa ao sabor dos orçamentos anuais que assim nem se gera grande debate público. Ninguém pára o Leviatã mais liberal de todos os tempos.

O erro da taxa Costa

lisboa-turistasUm dos principais métodos de anastesia fiscal é nomear como pagador da taxa ou imposto a entidade que menos empatia cria no eleitorado. Por exemplo, ninguém se preocupa muito com o IRC porque é uma taxa sobre “empresas” e ninguém vai para os copos com uma empresa. Seria mais difícil manter uma elevada taxa sobre IRC, se o eleitorado tivesse a noção de que é um imposto sobre trabalhadores, aforradores e empresários. O truque foi usado recentemente com a taxa da cópia privada que supostamente seria paga pelos vendedores (juraram-nos a pés juntos que os clientes não iriam pagar nada). Com a taxa Costa o que convém é afirmar exactamente o oposto: que será totalmente paga pelos clientes, na sua maioria estrangeiros. Quem é que irá levantar um dedo para defender uma taxa paga por espanhois e alemães? Claro que qualquer um que tenha lido um livro de economia saberá que a taxa é sobre o sector do turismo e que será paga drecta ou indirectamente pelos hotéis, pelos seus trabalhadores e, também, pelos turistas. No curto prazo, dado que a oferta de alojamento é rígida, é provável que sejam precisamente os hotéis e os seus trabalhadores a suportar quase todo o impacto.

Perceber isso ajuda também a esclarecer a outra mentira que tem sido espalhada pelos defensores da taxa Costa: a de que é uma taxa sobre o peso do turismo nos recursos públicos. O sector do turismo já paga IVA, IRC, IRS e várias taxas e taxinhas que certamente compensarão, em muito, a carga adicional que os turistas trazem ao país. Mais do que isso, os turistas pagam por serviços públicos para os quais o seu custo marginal é efectivamente zero, como a defesa.

A somar a isto, existe o problema de esta ser uma nova taxa, o que irá acrescentar uma camada de burocracia que imporá um custo acrescido aos agentes turísticos e serviços da cobrança. E aqui a questão do alojamento local não pode ser esquecida. Se a Câmara cobrar a taxa aos detentores de alojamento local, o acréscimo de burocracia e o risco de multas poderá levar muitos pequenos arrendatários a simplesmente abandonarem o mercado, reduzindo a oferta. Se não cobrar, os empresários do sector poderão, com razão, queixar-se de desigualdade de tratamento e concorrência desleal. É um beco sem saída.

Infelizmente, o governo tem pouca credibilidade para criticar a criação desta taxa. Ao contrário do que o Ministro Pires de Liima balbuciou na Assembleia da República, o governo não resistiu à criação de taxas e taxinhas. Lançou muitas sobre os mais diversos sectores, a começar pela sua colega de partido, a vermelhona Cristas.

Numa fase em que a economia ainda está a necessitar de transformar o seu tecido produtivo dos sectores de não transaccionáveis para transaccionáveis, o Turismo tem um papel essencial. É o sector exportador cujo perfil de produção mais se assemelha ao do sector não-transaccionável e, por isso, aquele sector onde o ajustamento será menos doloroso. Transformar centros comerciais em fábricas de sapatos demorará anos de desaproveitamento de infraestrutura e desemprego, mas transformar prédios de habitação residencial em alojamento turístico faz-se de forma rápida. Ninguém sonharia nesta fase de ajustamento lançar uma taxa sobre exportações de mercadorias (por exemplo, 1 euro por cada par de sapatos exportados ou 100 euros por cada automóvel da AutoEuropa), mas é isto que está a ser feito com o turismo. Fazê-lo, poderá ser um erro histórico e mais um travão no ajustamento económico que o país tanto necessita. Infelizmente a necessidade de nova receita, o populismo que a taxa “sobre estrangeiros” inspira e a falta de credibilidade de PSD/CDS no capítulo fiscal parecem ingredientes para o desastre. Mais um.

No Fio da Navalha

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O meu artigo de hoje no ‘i’ é sobre a memória.

Memória

Celebra-se hoje o Remembrance Day. Às 11 horas do dia 11 do mês 11 daquele ano de 1918, a Primeira Guerra Mundial terminava e as pessoas passavam a lembrá-la. Lembrar a guerra mais estúpida que todas as outras, porque imprudente, emocional e ilógica, tanto na sua origem como no seu prosseguimento até à exaustão das nações europeias. Estúpida porque destruiu a Europa; estúpida porque matou gente que nada tinha que ver com aquilo.

O Remembrance Day, que começou a ser celebrado na Commonwealth desde o fim da Primeira Guerra Mundial, estende-se hoje a diversos países, entre os quais Portugal não se inclui. O nosso país, que na Primeira República enviou milhares de homens para o desastre certo, prefere esquecer.

No Reino Unido este evento serve de alerta para que a estupidez não se repita. Todos os anos a reflexão é feita e a lição devidamente sentida. Talvez porque em Portugal o que estava em causa fosse o regime e o esforço inglório, como se confirmaria mais tarde, de manter o ultramar, nada se faz.

Hoje aquele confronto está longe e o regime é outro. A memória não é apenas um dever. É um acto de respeito. É a garantia de que também nós seremos lembrados. Respeitados. Acolhidos no futuro. Queridos.

“If we break faith with us who die, we shall not sleep, though poppies grow

In Flanders fields”. (“In Flanders Fields”, John McCrae, 1915).

Lembrar é manter a fé nos que morreram e reafirmá-la nos que hão-de vir. Não o esqueçamos.

A queda do Muro de Berlim e as concepções de democracia

1974/1989: A redescoberta do modesto conceito de democracia. Por João Carlos Espada.

Ontem, o mundo livre comemorou os 25 anos da queda do Muro de Berlim e o fim da tirania comunista na Europa central e de Leste. Entre nós, o jornal Avante, do PCP, escrevia o seguinte: “Mais do que a ‘queda do muro de Berlim’ o que as forças da reacção e da social-democracia celebram é o fim da República Democrática Alemã (RDA), é a anexação (a que chamam de ‘unificação’) da RDA pela República Federal Alemã (RFA) com a formação de uma ‘grande Alemanha’ imperialista, é a derrota do socialismo no primeiro Estado alemão antifascista e demais países do Leste da Europa e, posteriormente, a derrota do socialismo na URSS.” (O artigo completo pode ser lido em http://www.avante.pt/pt/2136/internacional/132905).

Esta “pérola” do autoritarismo comunista pode ser útil para recordar que as ditaduras comunistas de Leste se reclamavam também elas da democracia, a chamada democracia popular. Também é frequentemente esquecido que durante o chamado PREC, em Portugal, os comunistas procuraram impedir a consolidação de uma democracia de tipo ocidental — e que se opuseram a ela em nome de uma democracia socialista, ou popular. Finalmente, é hoje frequentemente ignorado que também Mussolini reclamava que o regime fascista italiano era “mais democrático do que as oligarquias capitalistas”, que ele atribuía sobretudo às democracias inglesa e americana.

Leitura complementar: A queda do Muro, o PCP e a comunicação social portuguesa; Um Certo Excesso de Intelectualidade.

O modelo de governação de António Costa

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Além do reconhecimento implícito do sucesso das políticas de Adolfo Mesquita Nunes no sector do Turismo, as novas taxas anunciadas por António Costa apontam o caminho em termos de modelo de governação socialista.

É altamente pedagógico e clarificador que este aumento de taxas seja feito com António Costa ainda na presidência da Câmara. Desta forma, nenhum eleitor se deverá mostrar surpreendido por ver a mesma receita aplicada ao país caso António Costa vença as eleições.

Leitura complementar: Uma política diferente para o país; Matem o mensageiro, mas não se esqueçam da mensagem.

A queda do Muro, o PCP e a comunicação social portuguesa

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Curiosamente (ou talvez não), creio que até agora na comunicação social portuguesa apenas o Observador deu algum destaque ao extraordinário editorial do Avante!: A “chamada queda do Muro de Berlim” foi uma anexação forçada, diz PCP

Leitura complementar: Um Certo Excesso de Intelectualidade.

Ensaio visual sobre a queda do Muro

Neste caso, como será fácil de constatar, trata-se de um ensaio visual não publicado na Análise Social: 25 anos depois da queda. Um Ensaio Visual. Por Luís Aguiar-Conraria.

O PCP, 25 anos depois da queda do Muro de Berlim (5)

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No Avante: 25 anos depois: A chamada «queda do muro de Berlim»

Hostilizada e caluniada pela reacção internacional, a RDA, pelas suas notáveis realizações nos planos económico, social e cultural e pela sua política antifascista e de paz, impôs-se e fez-se respeitar no concerto das nações como Estado independente e soberano e tornando-se depois de anos de duro combate membro de pleno direito da ONU (1973) em simultâneo com a RFA. Mas o imperialismo nunca desistiu das suas tentativas de liquidar a RDA socialista acabando em 1989 por alcançar a vitória, conseguindo que manifestações, nomeadamente em Leipzig, que na sua essência reclamavam o aperfeiçoamento do socialismo e não a sua destruição, ganhassem a dinâmica contra-revolucionária que conduziu à precipitação dos acontecimentos e à anexação forçada da RDA pelo governo de Helmut Kohl.

(via Rui Carmo: O muro a que temos direito!, um quarto de século depois)

Leitura complementar: Um Certo Excesso de Intelectualidade.

O PCP, 25 anos depois da queda do Muro de Berlim (4)

avante

No Avante: 25 anos depois: A chamada «queda do muro de Berlim»

É necessário desmascarar a hipocrisia daqueles que, clamando contra o muro erguido em Berlim pelas autoridades da RDA, têm construido e continuam a construir barreiras do mais variado tipo (sociais, raciais, religiosas e outras) por esse mundo fora, incluindo muros físicos, intransponíveis de que o exemplo mais brutal é o muro erguido por Israel para cercar e aprisionar o povo palestiniano na sua própria pátria, a que se juntam os muros erguidos pela Coreia do Sul na Península da Coreia dividida, por Marrocos contra a luta libertadora do povo sahauri, pelos EUA na fronteira com o México e outros.

(via Rui Carmo: O muro a que temos direito!, um quarto de século depois)

Leitura complementar: Um Certo Excesso de Intelectualidade.

O PCP, 25 anos depois da queda do Muro de Berlim (3)

avante

No Avante: 25 anos depois: A chamada «queda do muro de Berlim»

Ao contrário do que então foi apregoado por um capitalismo triunfante, a «queda do muro de Berlim», a anexação da RDA, as derrotas do socialismo no Leste da Europa, não contribuíram para a segurança e a paz na Europa e no mundo. Pelo contrário.

Continuar a ler

O PCP, 25 anos depois da queda do Muro de Berlim (2)

avante

No Avante: 25 anos depois: A chamada «queda do muro de Berlim»

A criação da RDA socialista, herdeira das heróicas tradições revolucionárias do movimento operário e comunista alemão (de que, na sequência de Marx e Engels, são símbolos Rosa Luxemburgo, Karl Liebknecht e Ernest Thalmann) é inseparável da vitória sobre o nazi-fascismo na 2.ª Guerra Mundial e produto das aspirações do martirizado povo alemão à liberdade, à paz e ao progresso social.

(via Rui Carmo: O muro a que temos direito!, um quarto de século depois)

Leitura complementar: Um Certo Excesso de Intelectualidade.

Sobre o surto de Legionella

Legionella já fez uma vítima mortal. Há mais 70 vítimas infetadas
Surto não é habitual dada a magnitude e gravidade, afirma Francisco George
Ministério da Saúde já abriu inquérito epidemiológico sobre surto
Como é que a bactéria da Legionella se transmite

O PCP, 25 anos depois da queda do Muro de Berlim

avante

No Avante: 25 anos depois: A chamada «queda do muro de Berlim»

Mais do que a «queda do muro de Berlim» o que as forças da reacção e da social-democracia celebram é o fim da República Democrática Alemã (RDA), é a anexação (a que chamam de «unificação») da RDA pela República Federal Alemã (RFA) com a formação de uma «grande Alemanha» imperialista, é a derrota do socialismo no primeiro Estado alemão antifascista e demais países do Leste da Europa e, posteriormente, a derrota do socialismo na URSS.

(via Rui Carmo: O muro a que temos direito!, um quarto de século depois)