Aprendizagem crítica comunista

RitaBernardino

Afinal existem gulags na Coreia do Norte. Está criada a oportunidade para que a Rita Rato, com o inestimável apoio do camarada Bernardino possa estudar e ler algo sobre a matéria, de acordo com a cartilha oficial do PCP.

Leituras complementares: É melhor consultar primeiro o camarada BernardinoPor cá a Rita Rato disse o mesmo sobre o Gulag.

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É divertido ser liberal em Portugal*

Eu já sabia que ser liberal em Portugal é uma posição bastante solitária. É preciso lutar contra socialistas e conservadores, que se acham no direito de limitar os direitos dos outros só porque sim, e contra aqueles que não são uma coisa nem outra, apenas querem agarrar-se à mama do estado. Hoje aconteceu ser atacado pelos 3 grupos no mesmo dia.

Comecemos pelos mais dignos, embora pouco informados e pouco interessados em se informar, que se manifestam aqui contra a minha posição pró-vida na questão da maternidade de substituição. Bem sei que só chegaram a este tipo de argumentos por falta de outros melhores, mas, não, a minha posição a favor das barrigas de aluguer não significa que seja a favor da clonagem, da venda de crianças ou de outras coisas que por aqui escreveram. O que significa é que acho que um casal que seja capaz de conceber um embrião viável deve poder fazer os possíveis para transformar esse embrião numa criança. E, ao contrário de muitos, não acho que ajudá-los a viabilizar esse embrião coloque ninguém numa posição indigna.

Em seguida veio o Paulo Guinote no seu estilo bully habitual que tanto agrada à claque, mas sempre com pouco jeito para os números. Para alguém que tanto comenta sobre o sector da educação ignorar números básicos como o de alunos e o de funcionários do Ministério da Educação parece uma falha grave. Eu ajudo, caro Paulo: o número de funcionários está aqui e e o número de alunos aqui (para encontrar o número de “clientes” é dividir pela taxa de fertilidade e multiplicar por dois). Não tem de quê.

Finalmente, a parte mais divertida do dia. Um ser que assina como valupi, e que diz que tem a sorte de não me conhecer pessoalmente (confirmo, também não conheço pessoalmente ninguém chamado valupi) ficou irritado por eu relembrar um post seu de 2010 em que ele no mesmo texto ataca Pacheco Pereira por conspirar contra um governo, defende que António Costa deve sair da Quadratura do Círculo por uma questão de dignidade e diz que os deputados do PSD da altura estavam a atacar o bom nome de pessoas como Armando Vara, José Penedos ou José Sócrates. Comecei este parágrafo com a intenção de explicar porque é que relembrar aquele post tinha imensa piada, mas as boas piadas não se explicam.

Agora, força, aproveitem todos para exorcizar frustrações na caixa de comentários.

 

*assumidamente é mais divertido assistir a isto estando fora. Aceito que para os que não tenham essa posibilidade, o grau de diversão seja menor.

Seja patriota: faça amigos e fuja do sal

O meu texto de hoje no Observador.

‘Há dias li um texto de Anna Almendrala no Huffington Post sobre amizades. Dizia lá que, além das reconhecidas vantagens de ter amigos (companhia, diversão, cumplicidade, fuga da solidão, apoio em tempos problemáticos e mais trezentas e quarenta e sete vantagens), se comprova que ter amigos faz bem à saúde. A certa altura o artigo cita mesmo um estudo que equipara o risco de mortalidade de quem não tem uma rede social forte ao de quem fuma quinze cigarros por dia ou bebe diariamente seis bebidas alcoólicas.

Enquanto lia o texto pensei enviá-lo às minhas amigas mais chegadas, quiçá escrever um post sobre amizade, referindo como as minhas amizades de adolescência ainda são tão centrais na minha vida (tanto que vinte anos depois ainda contacto com frequência com a maioria, e jantamos e fofocamos e até engravidamos ao mesmo tempo), como incentivo os meus filhos a serem amigos dos filhos dos meus amigos, como nos últimos anos a blogosfera e o facebook permitiram que me tornasse amiga de pessoas que nunca conheceria (e que ninguém vilipendie estas novas redes ao pé de mim). Poderia até elabor

ar sobre as amizades femininas – as amizades entre mulheres são das relações humanas mais curiosas (e recompensadoras e cúmplices) que se podem estabelecer, e são tantas vezes desconsideradas por homens (os que não concebem não ser o centro de todas as relações femininas) e por mulheres (as sem arte para constituir estas deliciosas amizades). Com algum tempero de questões de género, desde logo como provocação amigável a quem se amofina com estes temperos.

Pensava eu o exposto acima, mas continuei a ler o texto e tive os inícios de um pequeno ataque de nervos. É que às tantas se passa de elencar os benefícios para as pessoas das suas amizades para passar a ponderar os benefícios para a saúde pública da existência das amizades. Chega mesmo a lamentar-se a necessidade de maior pesquisa neste campo antes de se fazerem ‘campanhas de saúde pública sobre relações’.’

O resto está aqui.

Insurgente memória

Sócrates diz que negócio PT/Telefónica foi acordo “excelente”

O primeiro-ministro considerou hoje, quarta-feira, que a Portugal Telecom conseguiu um excelente acordo com a Telefónica, alegando que defende os interesses estratégicos do país na área das telecomunicações.(…)
Com este acordo fica salvaguardada a dimensão internacional da PT“, considerou o líder do executivo, dizendo ainda que a entrada na brasileira “Oi” é da “maior importância” para a empresa de telecomunicações portuguesa como “ator global no mercado da América Latina“.

“Valeu a pena ter resistido às pressões dos mercados financeiros e dos interesses mais imediatistas”, declarou Sócrates numa referência à utilização da ‘Golden share’ por parte do Governo.

Para José Sócrates, a PT fez hoje “um excelente acordo para os acionistas e, principalmente, um excelente acordo em defesa do interesse estratégico de Portugal”.

“Com este acordo fica salvaguardado aquilo que era absolutamente essencial: a dimensão internacional da PT, a escala da PT, a presença da PT num mercado tão importante como o brasileiro e, sobretudo, confirma-se a vocação internacional da PT e a sua vocação para desenvolver projetos industriais e de inovação tecnológica neste setor”, salientou o líder do executivo.

Pro-life versus anti-choice (2)

VotePROLIFE

Situação 1
Uma mulher dá à luz uma criança. Por uma qualquer impossibilidade física não pode tomar conta dela no primeiro ano de vida. Entrega o recém-nascido a uma segunda mulher que durante um ano o amamenta, muda-lhe as fraldas, vai com ele para o hospital, passa noites sem dormir, enfim, suporta todos os sacrifícios físicos decorrentes de tomar conta de uma criança recém-nascida. No final desse ano devolve-a aos pais com o triplo do peso e o dobro da altura. Os pais biológicos agradecem, pagam pelo incómodo e tomam conta da criança o resto da sua vida.

Situação 2
Um mulher e um homem criam um embrião. Por uma qualquer impossibilidade física, a mulher não pode suportar a gravidez. O embrião com 5 dias é transferido para o útero de uma segunda mulher que durante 8 meses suporta os enjôos, inchaços e outros problemas de gravidez. No final dos 8 meses entrega a criança recém-nascida aos pais. Os pais biológicos agradecem, pagam pelo incómodo e tomam conta da criança o resto da sua vida.

Para alguns a situação 1 é perfeitamente moral, mas a 2 já não é eticamente aceitável. Alguns até defendem que a situação 2 é equivalente à transacção de crianças (!).
Há duas diferenças entre as duas situações que podem explicar esta mudança de opinião. A primeira é que na situação 1 os sacrifícios físicos acontecem com a criança fora do ventre, enquanto que na situação 2 acontecem com a criança dentro do ventre. As mulheres aqui saberão melhor comentar isto, mas pelo que vou sabendo, os sacrifícios passados durante a gravidez e o primeiro ano de vida não são assim de amplitude tão diferente (aqui aceito que talvez esteja errado, mas deixo ao cuidado das comentadoras). A segunda diferença está na fase de desenvolvimento da criança na altura da passagem de responsabilidades de cuidado: um recém nascido na situação 1 e um embrião de 5 dias na situação 2. Basear o argumento da imoralidade nesta diferença implica aceitar que um embrião de 5 dias é menos vida humana do que um recém-nascido, ou, em último caso, que não é efectivamente vida humana. Ou seja, é aceitar o argumento de quem defende a legalização do aborto de que a vida não começa no momento da concepção.

O crescimento é a última preocupação do país

Mais um excelente e corajoso artigo de João César das Neves: O mistério do crescimento.

Por que motivo a economia não cresce? A recessão acabou no início de 2013, perdendo 8,7% desde 2008, 5,2% com a troika. Ao fim de ano e meio, o PIB sobe 0,9%, quase estagnação. Porque não descola?

Não há aqui qualquer mistério. As várias causas podem resumir-se numa só: não existe crescimento em Portugal porque essa parece ser a última preocupação do país.

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O problema da não esquerda em Portugal

Os donos da História e das palavras. Por Helena Matos.

O problema da não esquerda em Portugal é que não tem nome, não tem discurso, não marca a agenda e lá no fundo, no dia em que as contas o permitirem, gostava mesmo era de ser socialista.

António Costa, o legado de Sócrates e o modelo de Hollande

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O meu artigo de hoje no Observador: Os sete trabalhos de António Costa.

Chegar a líder do Partido Socialista não garante que se consiga chegar ao poder. Mas chegar ao poder também está longe de garantir que se consiga governar à altura das expectativas criadas. O caso de Hollande aí está para nos recordar. E António Costa faria bem em reflectir seriamente sobre ele.

Uma admissão de fracasso

F is for FailureQuestionado acerca da possibilidade do Orçamento do Estado para 2015 apresentar cortes de impostos, o Primeiro-Ministro Passos Coelho afirmou que tem “dúvidas” de que o Governo tenha “espaço para fazer coisas dessas”. Sendo o jornalismo português o que é, logo toda a comunicação social pegou nestas declarações para falar do latente conflito entre o PSD “austeritário” e o CDS da “moderação fiscal” (mas que faz parte do mesmo governo). Ignorou assim o que de mais significativo teve o desabafo de Passos Coelho: foi uma admissão do fracasso da governação dos últimos três anos.

Não há ninguém com juízo em Portugal que deixe de reconhecer que a carga fiscal em vigor no país é excessiva e prejudicial para a saúde da economia e da sociedade. O Primeiro-Ministro certamente se conta entre os muitos que entendem a necessidade de baixar impostos e assim sobrecarregar menos os portugueses menos do que até aqui. Se não o fizer não será certamente por razões eleitoralistas, mas por ter consciência que uma descida de impostos minimamente significativa implicaria uma imediata subida do défice orçamental português, algo que poderia pôr em risco a credibilidade do país junto dos seus parceiros europeus e dos mercados internacionais de títulos de dívida pública. Ora, uma descida de impostos na medida em que seria útil adoptar só causaria um brutal aumento do nível do nosso défice porque a despesa pública continua a ser excessivamente elevada. E se assim é, é por o Governo ter sido incapaz (ou não ter tido vontade) de a cortar na medida necessária. Se as “dúvidas” de Passos Coelho se confirmarem, e não houver “espaço” para “fazer coisas dessas”, é porque o Governo não fez as outras “coisas” que era preciso “fazer” para que “coisas dessas” fossem possíveis.

O dr. Portas, esse, não confessa fracassos nem exibe “dúvidas”, apenas a hipocrisia que o caracteriza: correu para os telejornais para afirmar o compromisso do CDS com a tal “moderação fiscal”. Pensa talvez que se Passos vier a admitir descidas de impostos, o CDS receberá o crédito, e se o contrário se verificar, se poderá apresentar junto do eleitorado como alguém que se opôs a essa opção. Mas depois da saga da demissão “irrevogável”, os únicos que se deixam convencer por estas acrobacias são os que à partida já estão convencidos dos méritos do homem, tão excelsos aos seus olhos como invisíveis aos dos restantes.

Se só o destino de Portas estivesse em jogo, não haveria grandes motivos para preocupação. Infelizmente, a pouco invejável posição em que o Governo se colocou garante apenas que entregará o poder de bandeja ao PS, que, igualmente desprovido de uma política que implique uma descida da despesa pública que permita a muito necessária descida de impostos, alegremente pastoreará o país sem o desviar do rumo de apodrecimento que em tempos nos lançou. É por isso que este fracasso do Governo é tão grave: significa não só que, nestes últimos anos, se mantiveram os problemas do país, como também que se diminuíram drasticamente as condições de os resolver por muitos dos anos que hão-de vir.

Os Presidentes da República que a extrema-esquerda quer apagar da fotografia

Quem quer apagar a memória? Por Rui Ramos.

A esquerda republicana, quando no poder entre 1910 e 1926, também censurou, também organizou fraudes eleitorais, também prendeu, também torturou e também matou — mas ninguém se indignou com os bustos dos seus presidentes, eleitos aliás da maneira menos democrática que se pode imaginar. É verdade que o salazarismo praticou as suas atrocidades por mais tempo e mais recentemente. Mas não há nenhuma força política neste parlamento que aspire a restaurar esse regime – como nunca houve depois de 1974. A direita democrática portuguesa jamais deixou dúvidas sobre o seu repúdio da ditadura e a sua identificação com a democracia pluralista, ao contrário da extrema-esquerda, sempre fiel a Estaline, a Trotsky e aos pequenos déspotas que aqui e ali sobrevivem da bancarrota comunista. Por que razão havíamos de ter medo de um busto de Carmona numa galeria de presidentes?

Leitura complementar: A história segundo Rita Rato, deputada do PCP.

Os Sócrostistas

Estrela Serrano queixa-se aqui da associação que tantos andam a fazer de António Costa a José Sócrates. De facto, há poucos motivos para fazer estas associações, afinal Costa foi apenas o número dois de Sócrates. Mas o que surpreende nos comentários de membros do clã Sócrates é a implícita consideração de que uma associação a Sócrates será negativa para Costa. Porque rejeitam a associação de Costa ao líder do melhor governo português de sempre, que lançou as energias renováveis (e respectivas PPPs), que teve uma política activa de obras públicas (e respectivas PPPs) e que apostou forte no Estado Social (e respectiva dívida pública)?

A história segundo Rita Rato, deputada do PCP

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Rita Rato, funcionária do PCP e deputada desde 2009.

Não é por estar escondido atrás da ignorância e de uma cara bonita que a ameaça do totalitarismo é menos perigosa. Antes pelo contrário.

Chumbado requerimento para suspender exposição de bustos de presidentes da República

O requerimento apresentado pela deputada Rita Rato do PCP para suspender a exposição de bustos foi chumbado pela comissão de Educação, com votos contra do PSD, CDS-PP e PS.

Entrevista de Rita Rato ao Correio da Manhã (2009):

- Como encara os campos de trabalhos forçados, denominados gulags, nos quais morreram milhares de pessoas?
– Não sou capaz de lhe responder porque, em concreto, nunca estudei nem li nada sobre isso.

- Mas foi bem documentado…
– Por isso mesmo, admito que possa ter acontecido essa experiência.

- Mas não sentiu curiosidade em descobrir mais?
– Sim, mas sinto necessidade de saber mais sobre tanta outra coisa…

(entrevista da deputada Rita Rato via João Miranda)

BES, submarinos, Tecnoforma e sinais vários

Passos Coelho disse ter dúvidas que haja “grande espaço” para baixar o IRS em 2015
PS quer encontrar o “6º homem” na comissão de inquérito ao BES
PSD conclui que não há “qualquer prova ou indício” de ilegalidades nas compras militares
Passos Coelho vai dar mais respostas sobre Tecnoforma ao Parlamento

Os bustos de que a extrema-esquerda não gosta

O mistério dos bustos aparecidos. Por Michael Seufert.

Sobre o branqueamento da história, convenhamos que os reclamantes têm mais experiência que nós. Estaline inaugurara a arte de esconder compagnons de route caídos em desgraça das fotos do regime soviético. Quem ia para o Gulag não aparecia ao lado do camarada Zé. Fácil e eficaz que os soviéticos podiam não saber dar de comer ao povo, mas tinham jeito com o pincel. Não se devia portanto fazer o mesmo com os presidentes que estiveram com os maus?

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Em Portugal tudo é possível…

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Isto não está a acontecer. Por Helena Matos.

Na SIC N decorre a Quadratura do Círculo com o actual líder do PS lá sentado como se fosse a coisa mais natural do mundo o líder de um partido ser comentador político.

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Um PS anti-Europa?

O meu artigo no Diário Económico desta sexta-feira.

Um PS anti-Europa?

Esta semana ficou marcada pela euforia no PS. Ora, e tendo em conta o passado ainda não muito distante, qualquer pessoa sensata, qualquer pessoa que não recolha benefícios directos e imediatos do que possa advir dessa euforia socialista, deveria estar apreensivo, e atento.

António Costa venceu as primárias no PS e vai liderar aquele partido nas próximas legislativas. Algo até aqui normal e trivial, não fosse Costa nada ter dito sobre como tenciona governar, até como forma de agregar debaixo do seu guarda-chuva, o maior número possível das esquerdas que este país tem. Pior: ter dito e repetido à exaustão, quando inquirido sobre como iria equilibrar as contas públicas, que a sua estratégia seria de longo prazo. Uma frase feita, que geralmente significa governar sem constrangimentos que, a longo prazo, ou seja, noutra legislatura que não a sua, alguém pagará as consequências.

O novo líder do PS não gosta da austeridade. E quem é que a aprecia? É que, não gostar não basta para fazer diferente. Não chega para mudar a realidade. E o facto é que, a partir do momento em que surgiu o euro, o projecto de construção europeia é baseado nele. Concorde-se ou não com a opção seguida há algumas décadas, o projecto europeu depende da continuação da moeda única que implica, porque economias diferentes com a mesma moeda assim o exigem, défices públicos muito reduzidos, necessidade traduzida, aliás, no Pacto Orçamental Europeu.

Antes de continuarmos, é importante não esquecer que os défices e as dívidas públicas devem ser controlados, não porque o Pacto Orçamental Europeu assim o dispõe, mas este o diz porque, caso os estados europeus não reduzam o endividamento público, as diferenças entre as economias da zona euro não permitirão a continuação desta moeda. Dizendo de outra forma: sem disciplina não há euro, sem euro não há Europa.

É perante esta realidade que Costa se defende afirmando que há que ser inteligente e, falando de igual para igual com os parceiros europeus, negociar uma interpretação simpática do referido Pacto. Não será original. Hollande tentou o mesmo e deu no que deu. É legítimo, pois, perguntar: o que é que Costa tem mais que Hollande? Ou antes: o que é que Portugal tem mais que a França para convencer Angela Merkel? Pois é: nada.

Ou seja, Costa quer negociar o tratado orçamental mas não tem um plano ‘B’ para depois de ouvir o “não” europeu às suas políticas eleitoralistas. Restar-lhe-ão duas opções: ou governa como o PSD/CDS fazem desde 2011, ou se vira contra a Europa. François Hollande cedeu, segurou-se em Manuel Valls e partiu o PS francês. Qual será a escolha de Costa? O silêncio dele não nos diz muito. Uma coisa é certa: o futuro do país e do PS não será risonho.

O governo afinal quer promover as importações

Eu uso diariamente um certo produto que costumo comprar nas farmácias ou nas parafarmácias. Lá no meio do verão pretendi reabastecer-me de mais umas tantas caixinhas (são pequeninas e adoráveis) e, para meu choque e horror, informaram-me que tinha sido retirado do mercado ‘pelas autoridades’ por causa de um dos materiais que são usados para a sua embalagem e perfeita conservação enquanto os fiéis consumidores não os usavam. Propuseram-me na farmácia um substituto de outro material sem o proto-assassino componente (que por acaso manteve e embalou o dito produto sem que qualquer dano me tivesse feito durante os últimos quinze anos) que eu, embora amuada, comprei e experimentei.

Não gostei; a qualidade do produto que as nossas queridas autoridades autorizam por cá é assaz deficitária. Valeu-me no entanto vivermos num continente de bárbaros e ignorantes que ainda não se regem pelos apertados padrões civilizacionais do nosso país (provavelmente nem sequer têm uma ASAE treinada em técnicas antiterroristas, os rústicos) e continuam a vender o radioativo produto aos desprevenidos que o querem comprar. Fui à net, há sites e mais sites a vender aqueles perigosos exterminadores da humanidade e eu acabei a encomendar um número considerável de caixas à Amazon britânica.

Não sei se esta bonita decisão de banir um produto procurado teve mão do omnipresente (em tudo o que é imbecilidade governativa vagamente relacionada com o corpo e a mente) Leal da Costa, mas seja quem for o autor de tão iluminada decisão, o resultado é este: em vez de comprarmos cá, vamos agora comprar lá fora.

O dinheiro dos políticos sem dinheiro

‘Há aqueles políticos que entram na vida política profissional com pouco mais do que a roupa que têm no corpo – para começarmos o texto com imagética pitoresca – e que lá para os cinquenta e picos anos se retiram da política profissional possuidores de casas na Quinta da Marinha e/ou na Quinta do Lago, gordas carteiras de investimentos, enfim, com o ar próspero de quem teve rendimentos mais generosos do que os relativamente modestos ordenados dos políticos. E há também – e igualmente curiosos – os políticos que saem (geralmente obrigados por derrotas) da política ou que por lá continuam sem que constituam magras poupanças ao alcance da classe média. Há quem os elogie; no entanto a mim deixam-me inquieta.

Vejamos o caso de Marcelo Rebelo de Sousa, saltitante entre a política e a sua atividade profissional fora da política, que, como bem nos lembraram quando MRS foi presidente do PSD, lhe trazia largos rendimentos que perdeu com estas funções. Estes largos rendimentos – vindos dos pareceres caros, da universidade, dos comentários… – levar-nos-iam a pensar que MRS acumulou já um simpático património. Ora há uns anos, no Conversas Improváveis com Marcelo Rebelo de Sousa e Ricardo Araújo Pereira, afirmou o político/celebridade mediática que antes da presente crise económica gastava o que ganhava, já havia avisado os filhos que não teriam herança e que apenas com a crise percebera a necessidade de mudar os hábitos.’

O resto aqui.

Compreender Alpoim Calvão

Alpoim Calvão: Homem de guerra e português do Império. Por Jaime Nogueira Pinto.

Nascido em Chaves em Janeiro de 1937 e logo a seguir levado para Moçambique, Calvão fizera o Curso da Escola Naval e frequentara especialidades de Mergulho e Combate na Grã-Bretanha. Oficial Fuzileiro, fizera várias comissões de serviço na Guiné, nas quais se distinguira como combatente e comandante e que lhe valeriam as mais altas condecorações nacionais, entre elas a Torre e Espada.

Alpoim Calvão era, como Jaime Neves e Heitor Almendra, um militar – homem de guerra, com uma mistura rara de inteligência operacional, coragem física, iniciativa e sobretudo um carisma único de levar os homens – os seus homens, o seu pessoal – para onde quisesse, até às portas e labirintos do Inferno, se preciso fosse.

Depois da revolução do 25 de Abril tentou, na medida do possível – medida que hoje sabemos que era curta – salvar o que podia ser salvo do Império e do país. Calvão conhecia a maioria dos revolucionários do MFA, as suas folhas de serviços e capacidades e por isso tinha-os na devida (não muito elevada) consideração. Mas não desistiu.

Alpoim Calvão (1937-2014)

Morreu Alpoim Calvão, o comandante da “operação Mar Verde” na Guiné

Capitão de mar e guerra foi o militar que comandou “operação Mar Verde” durante a guerra colonial na Guiné. Marinha elogia “brilhante estratega” e “referência” dos fuzileiros. Velório é nos Jerónimos.

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António Costa, o “Gandhi de Lisboa”

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A comparação que faltava: Jornal indiano chama “Gandhi de Lisboa” a António Costa

O Hindustan Times, um dos jornais em inglês com maior circulação naquele país, encontrou uma designação curiosa para descrever o também candidato socialista a primeiro-ministro, a quem chama “Gandhi de Lisboa”, devido à sua vida espartana.

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