… Perseverare Diabolicum

A aprovação de hoje da criminalização do “enriquecimento injustificado” é apenas mais uma instância da capacidade do governo de persistir em erros.

Primeiro foram os infâmes decretos lei 197 e 198 de 2012, recentemente reforçados com ainda mais kafkianas obrigações de comunicação regular, ou mesmo em tempo real, ao fisco de dados operacionais das empresas. Uma ideia peregrina originária do governo anterior, este controlo fiscal que excede tudo o que é razoável foi tomada a peito pela núncica criatura numa crescente teia que parece ter o objectivo de desencorajar qualquer alma incauta que ainda alvitra ter uma empresa.

Depois temos o extraordinário episódio da taxa parasita do estrumpfe dos óculos. Cavaco ainda vetou a monstruosidade, mas o governo conseguiu persistir no erro. A atitude de nem sequer mudar uma vírgula no idiótico diploma, dá corpo à ideia do dizer romano que dá título a este post.

Hoje temos a ideia de estimação da justiceira ministra a ser novamente votada apesar de ser gritantemente inconstitucional – para nada dizer sobre a ofensa que é à decência. As únicas alterações feitas sendo as de tornar o infâme conceito ainda mais difuso e arbitrário no sentido de tentar dar a volta ao Tribunal Constitucional.

Se não querem voltar a ser governo basta não se candidatarem. Tornar o país irrespirável para alcançar esse objectivo é totalmente desnecessário.

É a democracia, estúpido! Como a Segurança Social só é sustentável em ditadura

socialsecurityAlguns membros do Partido Socialista (por exemplo, o João Galamba aqui) têm afirmado que a Segurança Social deixou de ser sustentável devido à política económica deste governo. Vamos assumir então que isto é verdade. Vamos então fingir que tudo estava bem com a Segurança Social em 2011 quando o governo de Sócrates chegou perto de não ter dinheiro para pagar pensões. Vamos fingir também que a Segurança Social não tem obrigações a rondar os 200MM€, mas apenas 10MM€ em activos (menos de um ano de pensões) para cobrir essas obrigações futuras. Vamos fingir que nada disto é verdade e que, de facto, a segurança social era perfeitamente sustentável até este governo aparecer.

Se o PS acredita verdadeiramente nisto, só tem uma solução: defender a privatização do sistema de pensões. Se o PS acredita que basta uma má governação económica para colocar em causa décadas de descontos, deveria defender um sistema que protege os futuros pensionistas deste risco. Mas não, o PS continua a exigir aos portugueses que todos os meses depositem o correspondente a metade do seu salário líquido num sistema que assumem ser muito vulnerável. Em vez de devolver parte destes descontos para que os trabalhadores portugueses possam poupar para a sua reforma individualmente, comprando imobiliário, acções, depósitos, etc (até o falido GES tem mais activos para pagar as suas obrigações do que a segurança social), o PS quer continuar a obrigar os portugueses a contribuir para um sistema que consideram frágil.

Claro que há uma outra mensagem implícita no discurso do PS: a segurança social só é sustentável com o PS no governo. Ou seja, o problema não é o sistema em pirâmide da segurança social, o problema é a democracia.

E para temperar o guisado?

Estive a pensar muito, e cheguei à conclusão que uma verdadeira direita tem de ser de esquerda.

Estive a pensar muito, e cheguei à conclusão que uma verdadeira direita tem de ser de esquerda.

De uma forma preocupada e enternecedora, talvez galvanizado pelo dr Sampaio da Nóvoa, o dr Pedro Lains também pensou o país, em particular a direita, e fez o enorme favor de nos informar sobre qual deverá ser o nosso posicionamento político neste Portugal aberto e modernaço. Baliza, contudo, qualquer ousadia radical — nada que ultrapasse «Manuela Ferreira Leite no económico e social», pede-nos. Idealmente deveríamos ser todos uma espécie de Adriano Moreira. Não indo eu a tempo de servir sob Salazar e seguidamente renegar e converter-me ao social-centrismo, dou-me por excluído. Tudo somado, o dr Lains, na sua bela quimera, sonha com uma direita que no fundo é de esquerda, excepto quando se trata de retirar as cruzes das salas de aulas das escolas públicas — aí há margem para a direita ser direita.

Aproveitando a senda altruísta do dr Lains, que se preocupa em pensar a direita, o que aliás faz dele uma figura presidenciável, gostaria de lhe pedir conselhos também para o guisado de borrego que estou a preparar. Em particular, sobre o tempo de colocação da noz-moscada. No início ou no final da cozedura? No início provavelmente inflará demasiado os seus sabores profusos na comida, no final perderá o saveur — e nós não queremos que perca o saveur, pois não, dr Lains? Já agora, e se o seu enorme altruísmo ainda não tiver esgotado, queira por favor indicar-nos se o single malt é com uma ou duas pedras, ou com dois dedos de água das pedras. Há quem jure, algures nas maravilhosas destilarias escocesas e irlandesas (curiosamente, o melhor whisky do ano é japonês), que leva quantidade de água equivalente à de whisky. Quer o dr Lains pensar sobre o assunto e elucidar-nos? Eu, e no geral a «direita», ficaríamos imensamente gratos.

Nota: o dr Lains editou o artigo e retirou, com muita pena nossa, as referências intelectuais de qualquer aspirante de direita, a Manuela Ferreira Leite e, em particular, Adriano Moreira.

Haja fé no Marinho e Pinto

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O Partido Democrático Republicano  (partido unipessoal do ex-jornalista e ex-bastonário da ordem dos advogados) vive momentos animados. Espero que num futuro próximo surjam vários movimentos antagónicos que defenderão a necessidade da existência e da unidade verdadeiramente diferenciadora do partido de Marinho e Pinto.

Confusão na assembleia de filiados do PDR. Marinho Pinto impugna votações

José Alberto Carvalho e a apologia do terrorismo progressista na TVI (2)

TV Buíça: Apologia do regicídio em prime time. Por João Vacas.

Leitura complementar: Observador: um ano de serviço público.

Além da “verdade a que temos direito”…

O meu artigo de hoje no Observador: Observador: um ano de serviço público.

Leitura complementar: José Alberto Carvalho e a apologia do terrorismo progressista na TVI; Diário de imprensa no dia a seguir a uma vitória da direita num dos mais importantes países europeus.

O FMI e o triste fado português

Lacunas nacionais. Por Pedro Braz Teixeira.

É lamentável que tenham de ser instituições externas, como o FMI, a apontar o caminho das reformas para a nossa saúde económica.

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Os tabus no nosso reformismo

“The economy, stupid”. Por Mário Pinto.

Dentro da famigerada «reforma do Estado», que quase toda a gente defende, a reforma do «Estado social» é contudo muito mais urgente do que a reforma do «Estado Democrático» (o «Estado de Direito» não tem estado felizmente em causa) — porque a reforma do Estado social é mais «económica» (reforma da sua economicidade) e a reforma do Estado Democrático é mais «política». Mas toda a gente prefere falar da reforma institucional-política, e não da reforma social-económica. Há portanto tabus no nosso reformismo.

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António Costa aprendeu com tontices do Syriza?

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António Costa. “Vitória do Syriza é um sinal de mudança que dá força para seguir a mesma linha” (Janeiro de 2015)

“Temos de travar um combate na UE de forma inteligente, não de forma tonta como o Syriza” (Maio de 2015)

Leitura complementar: O socialismo europeu e o Syriza; O cenário do PS: entre Centeno e Varoufakis; Da espiral recessiva aos cantos do Syriza; Razões para ter esperança no Syriza; O socialismo europeu e o Syriza; A Grécia e o erro de Merkel.

Alberto João Jardim na RTP

Caro Rui, ressentir é sentir duas vezes e o bom entretenimento faz-se com muito sentimento: a brigada do ressentimento.

A quase todos une um passado comum de desilusões político-partidárias, que eles tomaram como desconsiderações pessoais, e com as quais quase sempre fazem pautar a «isenção» dos seus comentários. É, por isso, com naturalidade e sem surpresa, que vemos o Dr. Jardim a engrossar este já muito vasto pelotão do ressentimento. Seja, pois então, muito bem-vindo à brigada.

Estranho é que ninguém convide António José Seguro para um espaço de comentário próprio e regular. Por que será?

José Alberto Carvalho e a apologia do terrorismo progressista na TVI

De televisão da igreja católica a televisão da carbonária. Por Helena Matos.

Via Corta fitas cheguei a este video do telejornal da TVI apresentado do Museu dos Coches. A finalizar o dito bloco informativo José Alberto Carvalho mostrou o landau onde viajava D. Carlos no dia do regícidio. Aí começa uma singular peça jornalística de apologia do assassínio em nome da República.

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Os oportunistas

O meu artigo no Diário Económico de hoje.

Os oportunistas

Antes que continue a leitura deste artigo gostaria de informar o leitor das minhas reservas quanto ao actual rumo da União Europeia (UE). A minha análise assenta numa crítica à transformação do projecto europeu num monstro burocrático e planificador em vez de um mercado único, sem fronteiras e liberalizado, que permita aos cidadãos dos Estados-Membros trocarem livremente os seus produtos e serviços. A UE, procurando regulamentar a todo o custo os negócios e sendo dependente de uma estrutura política centralizada, tornou-se inimiga do comércio e colocou entraves ao crescimento económico, dando azo a um elevado nível de desemprego que atinge o continente.

Esta é, em linhas gerais, a crítica que também os britânicos dirigem a Bruxelas e que forçou David Cameron a encetar negociações para reformar União e a referendar a continuação do Reino Unido naquela estrutura. No entanto, nos últimos anos foi surgindo outro tipo de crítica às instituições europeias acusando-as de falta de solidariedade. Durante anos, Portugal aceitou sem pestanejar as directivas vindas de Bruxelas. Se analisarmos as vantagens de outrora e os defeitos de hoje, mais parece que a Europa solidária se reduzia ao envio de dinheiro que ajudava a fechar os olhos. É preciso não esquecer que os fundos vinham de Bruxelas para que a classe política os distribuísse, concedendo a esta um espaço de manobra ímpar. Sabíamos à época, como sabemos ainda melhor agora, que não da melhor forma: a par dos interesses que se tinham de preencher, o próprio conceito de estímulo económico subjacente aos subsídios europeus não ajudou.

Quando de Bruxelas passaram a vir medidas impopulares, acompanhadas de uma ‘troika’ que tutelava a aplicação das mesmas e o pagamento das contas, parte do país passou a olhar a Europa de lado. É muito interessante este ponto porque revela o que se tem entendido por solidariedade europeia. Houve um momento, durante o processo de integração, em que o fito da comunidade deixou de ser o da criação de um espaço comunitário, de entendimento pacífico entre os povos, para ser um meio de mero envio e recepção de fundos em troca de soberania nacional.

Pela parte que me toca gostaria que Portugal e a Europa fossem mais que a simplificação oportunista com que alguns pretendem governar. O centralismo político converteu a outrora comunidade num lugar asfixiante porque a boa vontade individual dos homens, que compram e vendem, foi trocada por um conceito de solidariedade que, dizendo-se colectiva, não existe. Olhar para o projecto europeu de uma forma séria e ambiciosa não é fácil. Na verdade, haverá algo mais ambicioso que a construção de um espaço de trocas comerciais, de liberdade, e de reduzida intromissão política?

A Constituição de 1976 não é inócua

uma estranha visão da democracia. Por Rui A.

Vital Moreira, um dos progenitores da Constituição de 1976, escreveu ontem um notável artigo em defesa da sua cria, no qual argumenta, em favor da sobrevivência da mesma, que ela já pouco, ou nada, tem a ver com o que foi parido nesse ano longínquo em que viu a luz do dia. (…) Na verdade, a Constituição de 76 não é tão inócua como ele parece fazer crer. Descontando o artefacto histórico do preâmbulo que mantém o destino histórico «socialista» de Portugal, o que a todos (inclusivamente, ou principalmente, aos socialistas) deveria envergonhar, os constituintes de 76 impuseram um conjunto de limites às futuras revisões da Constituição muito pouco, ou nada, democráticos. Um deles, «a forma republicana do governo» (do «estado», talvez?); um outro, tão ambíguo e equívoco que dá para todos os chumbos do Tribunal Constitucional, «os direitos dos trabalhadores»; um terceiro, a «existência de planos económicos no âmbito de uma economia mista», sendo a dita «economia mista» um modelo económico onde predomina a estatização. Para além destes expressos limites materiais às revisões da Constituição, o texto é abundante em princípios e normas equívocas que permitem declarar inconstitucionais todas as reformas profundas do estado, mormente aquelas que mexem nos interesses instalados da administração pública.

Leitura complementar: Portugal precisa de uma Constituição não socialista.

E se o fantasma da troika não for suficiente?

Porque é que só Cavaco Silva e Evans-Pritchard estão preocupados? Por Rui Ramos.

O regime não está incomodado. Já ninguém lê os relatórios do FMI. Por enquanto, há dinheiro barato. E para o futuro, os sábios esperam que as perspectivas difíceis descritas por Evans-Pritchard, só por si, imponham responsabilidade e disciplina aos partidos do chamado “arco da governação”. No fundo, confia-se no fantasma da troika, isto é, na pressão externa sobre uma pequena economia aberta. A oligarquia não imagina outra base de governo em Portugal. A questão é esta: para aquilo que é preciso fazer, bastarão o medo e o cinismo? Não serão precisos também alguma visão, alguma esperança?

Leitura complementar: O guião do regresso ao passado.

Pré-aviso acerca da privatização da distribuição de água

Já sei que vos ireis queixar que o preço da água sobe. Por agora, cá na empresa consumimos 1,82€ de água em Abril. O valor total da factura são 18,75€, ou seja, 90,3% da dita são taxas e impostos (as que chama tarifas não passam de taxas disfarçadas).

factura

Um oportunista

Márinho No site Coffee House, da revista britânica The Spectator, um artigo escrito por Molly Guinness dedica-se a demonstrar que a “política da inveja” é algo que desagrada ao eleitorado e garante a derrota nas urnas a quem a promover. Guinness olha para a história britânica e argumenta que, embora os “tories” tenham de ter cuidado para não serem vistos como um partido cruel e desinteressado do bem-estar das pessoas comuns, sempre que um partido (particularmente o Labour) achou por bem encavalitar-se numa retórica promotora do ressentimento contra “os ricos” e que se esquecesse de que “a riqueza precisa de ser criada antes de ser distribuída”, essas mesmas pessoas comuns não depositariam a sua confiança nele. Embora sedutora, a ideia de Guinness não corresponde totalmente à verdade. Primeiro, porque apesar de nas várias ocasiões em que algo semelhante ocorreu não ter de facto havido gente a confiar no Labour em número suficiente para alçar o seu líder ao Nº10 da Downing Street, não deixa de ser também verdade que em todas essas ocasiões houve um número bastante grande de pessoas que confiou no Labour e nos seus candidatos a deputado nos respectivos círculos. E em segundo lugar, porque se a tal “política da inveja” talvez não seja suficiente para satisfazer as ambições de quem quer chegar a Primeiro-Ministro ou Presidente de um país minimamente desenvolvido e civilizado, é certamente o bastante para quem, num partido mais pequeno, almeja apenas um lugarzinho de deputado ou numa qualquer secretaria de Estado, e que para isso depende da promoção da sua pessoa através da comunicação social.

Vem isto a propósito da recente entrevista do dr. “Márinho e Pinto”, que terá dito ao Observador que o partido que fundou após explorar os pobres ingénuos que o aceitaram nas suas listas ao Parlamento Europeu estava a “estudar a possibilidade” de “instituir um salário máximo nacional”. Segundo nos garante o dr. “Márinho”, ele e os seus correligionários ficam muito chocados com “as desigualdades em Portugal” (“eliminar” as ditas, assegura, é “um dos objectivos fundamentais de um partido republicano”), e “o que é escandaloso”, explica o advogado coimbrão, “nem é tanto os baixos salários que se praticam”, mas, “em alguns casos”, os “altos salários com que as elites se remuneram a si próprias.”

Convém começar por recordar que o dr. “Márinho” se trata do homem que, quando foi eleito Bastonário da associação corporativa que tem como função controlar a entrada de novos profissionais da advocacia no mercado (e dessa forma tornar mais proveitosos os rendimentos dos que nele já operam) conhecida como “Ordem dos Advogados”, tratou logo de se atribuir a si próprio um belo salário, algo que os seus antecessores (alguns deles gente pouco recomendável) tinham dispensado. Ou seja, quando “Márinho e Pinto” fala dos “altos salários com que as elites se remuneram a si próprias”, sabe bem do que fala, e com conhecimento de causa.

Mas isso é apenas um detalhe. Aqui no Insurgente, o Luís Tribuna criticou “Márinho” por este não estar aparentemente preocupado com a pobreza que afecta boa parte dos portugueses, e em procurar que as condições de vida de quem se encontra nessa infeliz situação possam melhorar, mas em (como escreveu o Luís) “nivelar por baixo”, criando esse tal “salário máximo” que nada faria para melhorar a vida de quem recebe pouco, mas que garantiria que quem é rico o seria um pouco menos. Percebo a indignação do Luís, mas não me parece que se deva criticar o actual eurodeputado por este parecer pensar que o grande problema de Portugal é o facto de existirem ricos em vez de haver gente muito pobre. Porque isso seria atribuir a “Márinho e Pinto” uma ideia e um pensamento coerentes e inteligíveis acerca da pobreza e da “justiça distributiva”, coisa que ele manifestamente não tem.

As declarações do mentor do Partido Democrático Republicano (uma alusão nada abonatória ao agrupamento mais ou menos terrorista de um senhor que ficou conhecido como “racha sindicalistas” e que foi governando Portugal durante uns anos sem grande benefício que não o de alguns seus amigos) e a brilhante ideia do “salário máximo nacional” não são fruto de uma concepção ideológica estatista que queira controlar a vida de todos ao mais ínfimo pormenor. Poderia resultar numa acção política com essas características se chegasse ao poder, mas não parte de uma concepção pensada e coerente. Nasce, isso sim, da compreensão por parte do dr. “Márinho” de que há uma parte da sociedade portuguesa a quem a tal “política da inveja” aparece como sedutora, e da sua ambição pessoal de garantir para si um lugarzinho entre as tais “elites” que diz desprezar, mas às quais nunca perde uma oportunidade de se juntar, especialmente se com isso vem uma oportunidade de “se remunerar a si próprio”. Tratar “Márinho e Pinto” como um perigoso ideólogo radical é atribuir-lhe uma credibilidade e dignidade que ele não merece, pois pura e simplesmente não passa de um oportunista espertalhão que sabe bem a quem se dirigir e o que dizer para se promover. Claro que isso não o torna menos perigoso. Apenas (ainda) mais indigno.

Mais um que não engana

Marinho Pinto em entrevista ao Observador:

Nós no PDR estamos a estudar a possibilidade de instituir um salário máximo nacional.
Admite que possa haver pessoas numa empresa e que ao fim do ano recebam dois milhões de euros? Um dos objetivos políticos fundamentais de um partido republicano é eliminar as desigualdades em Portugal. E o que é escandaloso nem é tanto os baixos salários que se praticam. O que é obsceno em alguns casos são os altos salários com que as elites se remuneram a si próprias.
Pessoas que recebem num ano o que as pessoas que recebem mil euros (ao mês) receberiam em 180 ou 200 anos. Eles não acrescentam valor que justifique essas remunerações.

Da minha parte, a resposta à primeira questão é sim, claro que sim. Mas só em empresas privadas, já que nas públicas não confio que o estado/governo assegurasse que o proveito extraído do trabalho dessa pessoa seria superior à remuneração paga. Em empresas privadas, esse controle é naturalmente exercido por accionistas/credores que, achando disparatado, não investem/financiam.
Para além de carregado de chavões populistas (as elites, o ganhar num ano o que os pobres trabalhadores ganham em 200), o discurso de Marinho Pinho não consegues esconder o socialismo/estatismo que consciente ou inconscientemente o guia. Ele está presente na vontade de eliminar as desigualdades nivelando por baixo, na preocupação com o que os privados fazem entre si de livre vontade e na arrogância com que se julga saber mais e melhor do que os envolvidos.

O Jorge Jesus que se cuide…

PS: Informo que segui à risca o referido pelo próprio no site do PDR: “Nunca acredites no que dizem que eu disse, mas acredita sempre, naquilo que me ouviste dizer…” (vírgulas de acordo com o original)

Católica Lisbon School of Business and Economics sobe no ranking do “Financial Times”

Está mais uma vez de parabéns toda a equipa da Católica Lisbon School of Business and Economics, um notável (e infelizmente raro) caso de sucesso no ensino superior em Portugal, conseguido sem financiamento estatal, com os resultados que estão à vista, nos rankings e muito além deles: Católica Lisbon é a 38ª no ranking do Financial Times

A Católica Lisbon School of Business and Economics escalou sete lugares no ranking de 2015 do Financial Times sobre a formação de executivos. Esta escola de gestão ocupa, este ano, o lugar 38 do ranking global, que resulta do 51.º lugar numa outra tabela ligada a programas customizados, isto é, de formação específica para empresas, e da prestação nos programas abertos, dirigidos a qualquer aluno, onde obtém o 38.º melhor desempenho.

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A câmara de Lisboa associou-se de vez ao crime organizado?

homer x rayNão tenho nada contra uma realidade que se encontra em inúmeros desses países bárbaros que compõem a União Europeia, a saber uma tarifa fixa nos táxis desde o aeroporto até à cidade mais importante que o aeroporto serve (desde que, evidentemente, se possa optar pela tarifa normal dependente dos quilómetros do percurso). Geralmente garante que não somos (muito) enganados por taxistas que se põem a dar voltas desnecessárias antes de chegar ao destino para conseguir percursos mais caros. Faz tanto mais sentido optar-se por uma tarifa fixa quanto os aeroportos são geralmente longe da cidade, com percurso de estrada e de autoestrada, que incluem portagens. E também não tenho nada a obstar a que se cobre pela entrada dos carros no aeroporto – táxis e outras variantes – ou pela permanência de mais de 10 minutos.

Mas claro que a associação da ANTRAL, da ANA e da inevitável Câmara Municipal de Lisboa (agora presidida pelo delfim de António Costa) só podia magicar ‘soluções’ que não são mais formas de saque legalizadas, com esta proposta de pagamento de 20€ desde o aeroporto da Portela até, no máximo, 14 km de distância – que, depois, pagam-se os 20€ e os quilómetros que acrescem.

Eu moro ao pé do rio, no lado oposto, em Lisboa, ao do aeroporto, e não me lembro de pagar mais de 15€ para ir para o (ou vir do) aeroporto, incluindo a marcação ou o pedido telefónico do táxi e as malas. Se vou do aeroporto da Portela para casa dos meus pais (em Alvalade, e onde às vezes deixo o meu carro), o mais provável é o taxista encontrar forma de me insultar, ou vai a arfar durante todo o percurso, porque é um percurso pequeno e barato (não pago sequer 10€).

À parte a parvoíce da taxa de 1€ para a ANA, e a bacoquice do motorista fardado, agradeço que a Câmara Municipal de Lisboa – que, ao contrário da ANTRAL que defende os interesses dos seus associados, supostamente, alegadamente, teoricamente defende os interesses dos lisboetas – me explique, como se eu tivesse 5 anos, de que forma é que pagar quase o dobro (para minha casa; ou mais do dobro no caso dos meus pais) por viagem de táxi do aeroporto está a defender os meus interesses? Onde é que isto é diferente de sancionar um saque aos clientes de táxis? Será que o vírus que causa estupidez tem concentrações anormalmente elevadas nos edifícios da CML?

Teodora Cardoso sobre o cenário macroeconómico do PS

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Em declarações públicas, Teodora Cardoso, responsável pelo Conselho de Finanças Públicas, afirmou que «as medidas de estímulo à procura interna não são a solução para os problemas do país. Estão, aliás, na base dos problemas do país». Em particular, Teodora refere que «simples políticas de estímulo à procura, avaliadas estritamente pelo seu impacto de curto prazo, já demonstraram a sua ineficácia: não só não garantiram o crescimento da produtividade e a competitividade da economia, como, ao aumentarem o peso do endividamento, público e privado, comprometeram o seu crescimento». E reforça: «foi por ter levado longe demais o estímulo orçamental à procura que Portugal perdeu competitividade e capacidade autónoma de financiamento da dívida».

Embora o CFP não contemple nos seus estatutos a análise de cenários macroeconómicos de partidos políticos, tal como o do PS, Teodora Cardoso acabou de o fazer de forma tácita. Um golpe devastador no cenário macroeconómico do Partido Socialista, que procura replicar o modelo que nos trouxe até aqui: consumo interno assente em endividamento externo, resultando na apoplexia da competitividade externa, numa balança comercial desequilibrada e numa economia assente em bens não-transaccionáveis, tudo isto enquanto agudiza a sustentabilidade da segurança social. Quatro anos volvidos e o PS nada aprendeu.

O disparate de canalizar recursos públicos para novos centros de congressos

Subscrevo a preocupação e também espero que prevaleça o bom senso e não se avance para a construção de mais elefantes brancos: Europarque é do Norte. Por Emídio Sousa.

É com base nessa moderação e bom senso que me preocupam as notícias sobre novos centros de congressos. Aconselho os decisores políticos a refletirem. Manter e recuperar o que já está construído parece-me bem. Sem bairrismos bacocos, construir novos centros de congressos parece-me um perfeito disparate e espero que em momento algum o Estado ou os fundos comunitários financiem esse tipo de despesa.

António Costa sobre a privatização da TAP em 2012 e 2015

Fevereiro de 2012: António Costa defende integração da TAP numa grande companhia latino-americana

“Tenho dito e repito que a privatização da TAP é a mais crítica que está em cima da mesa, assim como a privatização da ANA, e acho que era útil para o país do ponto de vista estratégico uma estratégia de fusão por integração entre a TAP e uma grande empresa e a integração da ANA com os aeroportos brasileiros”, acrescentou.

Uma tal opção permitiria, considerou, “captar investimento e consolidar” essa centralidade atlântica”.

Maio de 2015: Privatização. António Costa espera que nada de irremediável aconteça na TAP

Questionado pelos jornalistas sobre a entrega de três ofertas vinculativas para a compra da companhia aérea, António Costa sublinhou que a TAP “é uma condição essencial da nossa soberania” e pediu cautela.

O PS, repetiu, “fará tido para que o Estado não perca o controlo da empresa”, manifestando a esperança que de alguns candidatos tenham feito ofertas para menos de 50% do capital. Mas tal não terá acontecido, porque isso levaria à exclusão do candidato, tendo em conta as exigências do caderno de encargos.

(via João Miranda: António Costa indeciso entre Avianca e Azul)

Leitura complementar: O guião do regresso ao passado; TAP: privatização ou falência?