Guião para a antecipação das legislativas

Três passos para antecipar as legislativas. Por David Dinis.

Chegado aqui, há três passos que deviam ser considerados para que este acordo se faça sem que seja entendido como uma manobra política.

– A antecipação deve ser por dois meses, para início de julho, que é quanto basta.
– A antecipação deve ser feita com um acordo entre partidos para mudar a Constituição e a lei eleitoral já no início da legislatura, alterando de vez os prazos para eleições (para que nada disto se tenha de discutir outra vez).
– E, já agora, deve ser feita num compromisso entre os principais partidos sobre os objetivos que devem ser cumpridos no próximo orçamento (e nos seguintes). O Governo terá de entregar um documento desses a Bruxelas em abril e talvez não fosse mau que ele e António Costa se entendessem nisso. Não é nas medidas, é só nos objetivos – e depois logo se via. É capaz de ser pedir demais, mas, enfim, sempre me ensinaram que a pedir nunca se é modesto. E quem sabe, se for o Presidente a fazê-lo…

About these ads

“A máquina de fazer comunistas”

É com alguma tristeza que assinalo (pelo que o jornal já representou para a cidade e para o país) que as crónicas de Jorge Fiel vão sendo uma das poucas razões que subsistem para ler o Jornal de Notícias: A máquina de fazer comunistas.

Houve um tempo, algures entre a adolescência e o início da vida adulta, em que descontente com o Estado Novo e entusiasmado pelas leituras de Marx, Engels, Lenine, Trotsky e Mandel, acreditei que a propriedade coletiva dos meios de produção era a condição para uma sociedade mais justa, em que cada um receberia de acordo com as suas necessidades e daria segundo as suas possibilidades. Já gordo, velho, careca e dependente de óculos de leitura, continuo a achar muito sedutora a ideia de uma sociedade sem exploradores nem explorados, mas, depois de Stalin, Mao e Fidel terem falhado catastroficamente as tentativas de levar à prática a generosa teoria marxista, converti-me à superioridade da economia de mercado.

Um documento de estratégia orçamental para a legislatura

Uma excelente sugestão, na linha desta outra do Rui A.: Senhores candidatos a PM: Queremos um DEO! Por António Carrapatoso.

Não podemos continuar com jogos florais: nas eleições os candidatos não podem ser vagos, devem apresentar um documento de estratégia orçamental para a legislatura. Detalhado, preciso, sem subterfúgios

PS 45%; PSD 28%; CDU 10%; BE 4%; CDS 4%

Sondagem da Católica coloca PS à beira da maioria absoluta

Assim, se as eleições fossem hoje – e respondendo já depois de António Costa assumir a liderança do PS – 45% dos inquiridos votariam no PS, percentagem que em anteriores cenários eleitorais já valeu ao PS uma maioria absoluta. No PSD votariam 28% da amostra e 4% no CDS-PP, o que representa para a atual coligação uma queda superior aos 10 pontos percentuais, face à última sondagem.

Continuar a ler

João Grancho apresentou a demissão

Um desfecho natural: Secretário de Estado do Ensino Básico e Secundário demite-se

O secretário de Estado do Ensino Básico e Secundário, João Grancho, demitiu-se esta sexta-feira, por “motivos de ordem pessoal”, avança o Ministério da Educação e Ciência em comunicado.

A demissão chega, apurou o Observador, na sequência da notícia do jornal Público desta sexta-feira, que dá conta que João Grancho plagiou dois textos académicos numa comunicação que apresentou num seminário espanhol quando era presidente da Associação Nacional de Professores, em 2007.

Entrevista a Alexandre Mota – Instituto Mises Portugal

Uma entrevista interessante dada por Alexandre Mota, o novo presidente do Instituto Ludwig Von Mises Portugal, ao jornal Vida Económica: O caminho para o progresso é o Estado “sair da frente”

Vida Económica – O que é o Mises Portugal, o que defende e o que pretende?
Alexandre Mota
– O Instituto Ludwig von Mises Portugal é um “think tank” liberal, português, na linha dos vários institutos Mises congéneres em todo o mundo. Temos como lemas a liberdade, a propriedade e a paz e pretendemos revolucionar as ideias em Portugal. É um objetivo difícil, mas de outra forma não seria tão excitante.

Continuar a ler

Ironias do destino…

be careful what you wish for. Por Rui A.

Há oito anos, na sequência da OPA lançada pela SONAE à PT, os trabalhadores da empresa, representados pelos sindicatos, manifestavam-se violentamente contra as pretensões de Belmiro de Azevedo, a quem chamavam, com fina ironia e desprezo aristocrático, “o tubarão das mercearias”. Oito anos depois, os trabalhadores e os sindicatos da mesma empresa, entretanto confiada a outro género de peixes de águas mais profundas e a vorazes animais de rapina, estão muito apreensivos com a possibilidade da sua empresa ser “vendida a retalho pela Oi”.

PT, BES e o nacionalismo da esquerda

O nacionalismo económico

O PS está-se a iniciar no caminho trilhado já pelo PCP do apelo primário ao nacionalismo. Primário porque irracional, como se gostar de Portugal fosse pretexto para escolher mal. Pior: como se o amor a Portugal fosse pretexto para dar, aos decisores políticos, carta branca para decidir da pior forma possível.

Não é a primeira vez que tal sucede. O Estado Novo foi construído nessa premissa. É interessante reparar como, à medida que o actual regime se vai embrulhando em problemas cada vez mais complexos, a tentação do nacionalismo, nomeadamente de cariz económico, sobe de tom.

Não há português que não goste de Portugal. Mas gostar de um país, não é o mesmo que destruí-lo à conta da irracionalidade. Não será, certamente, confundi-lo com uma classe política que mistura o governo do Estado com o rumo de Portugal. Que não distingue limites na sua função enquanto agentes políticos que visam alcançar o poder.

Gostar de um país é sentirmo-nos em casa nele. É a ligação instantânea, próxima e imediata que cada um de nós sente uns pelos outros apesar de não nos conhecermos e, o mais provável, nunca nos cruzarmos nesta vida. É algo que permite que um Estado de Direito, e a lei que dele emana, seja por todos aceite; seja por todos recebida como um ganho e não uma perda de liberdade.

No entanto, aquilo a que a esquerda se está alicerçar, e que temo o PS venha a abraçar, não é este sentimento salutar. É antes algo que alimenta a desconfiança perante o exterior, entende independência como isolacionismo e separação. Vê na troca de experiências, não um ganho, mas um prejuízo. Um dano não só para a sua ideologia e dogmas político-económicos, mas para o país, cujo destino poucos separam das suas crenças particulares.

Foi o nacionalismo económico que publicamente justificou a oposição política de Sócrates à OPA, que Belmiro de Azevedo lançou em 2006, contra a PT, e que prejudicou seriamente aquela empresa, sem falar nos consumidores. Foi esse nacionalismo que cegou o país para a utilização política que se fez de uma empresa que, não devendo ter outro papel que a satisfação dos seus clientes, se destruiu ao aceitar que a política se sobrepusesse à economia.

Porque é disto que se trata: de política e de economia. De dirigismo central versus decisões individuais tomadas em liberdade. De seguidismo e inteligência. Os episódios do BES e da PT, a instrumentalização que o primeiro fez do poder político por falta de credenciais económicas, possível por inexistência de um mercado livre, é um alerta. Mas será também um teste. Um teste à nossa capacidade enquanto povo, pessoas que partilham o mesmo espaço cultural, de resistir à confusão populista que é o nacionalismo, de aprender com o passado e não cometer os mesmos erros no futuro.

O multiplicador keynesiano em acção

Um caso estranho – entre muitos – em que o popularmente famoso multiplicador keynesiano não parece ter funcionado, apesar de uma forte e inequívoca aposta no investimento público: Câmaras com a corda na garganta

Um dos municípios mais desequilibrados do ponto de vista financeiro, com cerca de 20 milhões de euros em dívida, Vila Nova de Poiares é um local sui generis. Tem piscina municipal, centro cultural, parque de desportos radicais, uma imponente “Alameda” onde se realizam eventos ao ar livre, uma enorme cruz no centro da localidade, um jardim com estátuas que evocam profissões tradicionais da região e um sem número de outras coisas vistosas. Mas não tem saneamento básico. Em média, cada um dos 7200 habitantes deve 2776 euros mas a Câmara só recolhe receitas de 890 euros por munícipe.

“Se forem reeleitos, que orçamento é que conseguem fazer para 2016?”

Andar num labirinto e não encontrar saída. Por David Dinis.

Este Governo chegou ao seu último orçamento adiando os problemas. Sem meios, sem imaginação, sem ousadia. Espero que quem vier perceba que a história não acabou aqui: ela ainda mal começou.

Continuar a ler

O bloqueio do Governo e do país

Quatro anos depois, quase no mesmo ponto. Por José Manuel Fernandes.

Quatro anos depois, a despesa corrente vale exactamente o mesmo: 44,6% do PIB. É como se, depois de tantas batalhas, tivéssemos voltado à estaca zero. Diz muito sobre o bloqueio do país – e do Governo

Continuar a ler

Os economistas de António Costa

Aí está, aparentemente, a equipa de conselheiros económicos de António Costa:

Dentro da sala estavam pelo menos cinco são ex-governantes de José Sócrates. Trata-se de Emanuel dos Santos, ex-secretário de Estado do Orçamento, Sérgio Vasques, ex-secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, Costa Pina, ex-secretário de Estado do Tesouro e Finanças, Fernando Medina, ex-secretário de Estado do Emprego, Luís Campos e Cunha, ex-ministro das Finanças.

Além dos ex-governantes de Sócrates, estão também nomes como Brandão de Brito, Eduardo Paz Ferreira, Fernando Medina, ex-secretário de Estado do Emprego, João Cravinho, também ex-ministro socialista, João Leão, Luís Nazaré, Manuel Caldeira Cabral, Paulo Trigo Pereira, Pedro Lains, Ricardo Cabral, que assinou em julho uma proposta de reestruturação da dívida com Pedro Nuno Santos e Francisco Louçã. A comitiva conta também com as economistas e eurodeputadas Maria João Rodrigues e Elisa Ferreira.

Além dos 17 economistas apontados, estavam também reunidos com Costa e Ferro Rodrigues os deputados Pedro Nuno Santos, Vieira da Silva, e João Galamba, também economistas.

Propostas orçamentais pormenorizadas para 2016 e 2017

uma proposta. Por Rui A.

Nas próximas eleições legislativas de 2015, em vez de apresentarem ao eleitorado os tradicionais programas de governo e declarações de princípios, papelada com patuá mais do que gasto e a quem já ninguém liga nenhuma, que tal avançarem com propostas orçamentais pormenorizadas para, pelo menos, 2016 e 2017, considerando as contas conhecidas (e auditadas pelos serviços da troika) do estado e as políticas de cada partido?

Então e o crescimento?

António Costa começa a treinar o discurso da inevitabilidade. Ser-lhe-à útil quando se tornar primeiro-ministro.

Costa: “Não existe solução para as inundações”

No debate sobre o estado da cidade na Assembleia Municipal, Costa recusou que as inundações tenham resultado “de falta de limpeza de sarjetas” ou de “um colapso do sistema”. “Temos de ter a humildade de perceber que o ser humano não tem capacidade para controlar tudo”, disse, ainda cá fora, aos jornalistas. Já na reunião, enfatizou a ideia: “Não vale a pena depositar um excesso de confiança” na “capacidade humana” para fazer face à Natureza.

Das profundezas (ou será das superficialidades?) da memória

Aparentemente houve um alucinado do PS que veio comparar este governo ao ‘pior’ do governo de Santana Lopes.

É só para avisar a gente do PS que quando o governo de Santana Lopes caiu – por muitas objeções que tal governo levantasse ou por mais défices orçamentais inexistentes tenha inventado Vítor Constâncio – não foi necessário um resgate financeiro internacional do FMI. Já quando o governo de sócrates se demitiu…

O PS aparentemente ainda não percebeu a gravidade do que fez ao país. Mas os eleitores, podem estar descansados lá pelo PS, perceberam. Nem percebeu o PS que os eleitores sabem bem atribuir a culpa destes 3 últimos anos, por muito que estejam insatisfeitos com o governo atual.  E pela razão mais elementar: estão a pagar do seu bolso o que o PS fez ao país.

Mobilizar Portugal [Telecom]

Muito gostam os socialistas de mobilizar. Agora é Murteira Nabo, antigo presidente da PT, a sugerir que o estado deve mobilizar “um conjunto de empresário portugueses” para comprar a PT.

Que grande ideia! Que tal irem ter com os empresários que a CGD “mobilizou” durante o governo Sócrates para comprarem acções da PT, resistirem à OPA da Sonae e tomarem a posição da Telefónica?

Carlos Moedas, o país e a Europa

O meu artigo de hoje no Observador: O Comissário Moedas, Portugal e a Europa.

O que se pode criticar na escolha de Moedas é o desperdício para o país de “direccionar” alguém com o seu valor – que daria um excelente ministro das Finanças – para o coração da burocracia europeia

Bel’Miró

bel-miro
Auto-retrato de Bel’Miró por Bel’Miró

Hoje é um grande dia para a Cultura n’O Insurgente.

Não obstante os ocasionais contributos culturais da Maria João Marques, da Graça Canto Moniz, do Rodrigo Adão Da Fonseca e do Carlos M. Fernandes, entre outros, a verdade é que esta sempre foi uma área marginalizada n’O Insurgente.

A falta de apoios estatais, assim como por parte da SPA, explica em parte esta lamentável situação, mas não pode isentar um meio de grandes audiências das suas responsabilidades Culturais perante a Comunidade.

Assim, é com muito gosto que anuncio que, após longas e complicadas negociações com o Artista e os seus agentes e advogados, O Insurgente passa a partir de hoje a contar com a colaboração do Grande Bel’Miró (ou, como ele mesmo modestamente prefere designar-se, Bel’Miró, o Magnífico), uma inegável referência Cultural nacional e internacional.

Bel’Miró será o comentador Cultural residente d’O Insurgente, não ignorando contudo que, para um verdadeiro Artista, toda a Cultura é Política e toda a Política é Cultura.

SOS Soares

Mário Soares, o defensor dos oprimidos e fracos continua a não ter amigos capazes de o proteger e cuidar.

 “Foi um grande presidente de câmara e considero que foi injustiçado”, disse Soares, interrogando-se: “Quando há pessoas que roubam milhões e estão soltas, como é que ele foi preso sem razão nenhuma?”

Soares não foi a casa de Isaltino, mas Isaltino foi assistir à palestra de Soares. E no final houve mais do que um abraço. E todos calorosos.

Transparência e decência

Transparência? Por José Manuel Moreira.

Sujeitar a escrutínio redobrado quem tem esses “poderes e cargos” é prudente, mas já temos melhor: verdade, honestidade, coerência e cumprimento da palavra dada. Expressões de decência que perderam para o tique da transparência, que vingou, em especial, na vida política: dos submarinos ao BPN e ao BES, do Freeport à Tecnoforma, que serviu a Seguro para desafiar Passos a autorizar o levantamento do sigilo bancário.

Política Económica e Finanças Públicas em Portugal – Sábado, 18:30, no Porto

No próximo Sábado, pelas 18:30 no Porto, falarei sobre Política Económica e Finanças Públicas em Portugal.

Academia_Sa_Carneiro

A iniciativa é do PSD-Porto, mas são bem-vindos social-democratas de todos os partidos.

Aprendizagem crítica comunista

RitaBernardino

Afinal existem gulags na Coreia do Norte. Está criada a oportunidade para que a Rita Rato, com o inestimável apoio do camarada Bernardino possa estudar e ler algo sobre a matéria, de acordo com a cartilha oficial do PCP.

Leituras complementares: É melhor consultar primeiro o camarada BernardinoPor cá a Rita Rato disse o mesmo sobre o Gulag.

É divertido ser liberal em Portugal*

Eu já sabia que ser liberal em Portugal é uma posição bastante solitária. É preciso lutar contra socialistas e conservadores, que se acham no direito de limitar os direitos dos outros só porque sim, e contra aqueles que não são uma coisa nem outra, apenas querem agarrar-se à mama do estado. Hoje aconteceu ser atacado pelos 3 grupos no mesmo dia.

Comecemos pelos mais dignos, embora pouco informados e pouco interessados em se informar, que se manifestam aqui contra a minha posição pró-vida na questão da maternidade de substituição. Bem sei que só chegaram a este tipo de argumentos por falta de outros melhores, mas, não, a minha posição a favor das barrigas de aluguer não significa que seja a favor da clonagem, da venda de crianças ou de outras coisas que por aqui escreveram. O que significa é que acho que um casal que seja capaz de conceber um embrião viável deve poder fazer os possíveis para transformar esse embrião numa criança. E, ao contrário de muitos, não acho que ajudá-los a viabilizar esse embrião coloque ninguém numa posição indigna.

Em seguida veio o Paulo Guinote no seu estilo bully habitual que tanto agrada à claque, mas sempre com pouco jeito para os números. Para alguém que tanto comenta sobre o sector da educação ignorar números básicos como o de alunos e o de funcionários do Ministério da Educação parece uma falha grave. Eu ajudo, caro Paulo: o número de funcionários está aqui e e o número de alunos aqui (para encontrar o número de “clientes” é dividir pela taxa de fertilidade e multiplicar por dois). Não tem de quê.

Finalmente, a parte mais divertida do dia. Um ser que assina como valupi, e que diz que tem a sorte de não me conhecer pessoalmente (confirmo, também não conheço pessoalmente ninguém chamado valupi) ficou irritado por eu relembrar um post seu de 2010 em que ele no mesmo texto ataca Pacheco Pereira por conspirar contra um governo, defende que António Costa deve sair da Quadratura do Círculo por uma questão de dignidade e diz que os deputados do PSD da altura estavam a atacar o bom nome de pessoas como Armando Vara, José Penedos ou José Sócrates. Comecei este parágrafo com a intenção de explicar porque é que relembrar aquele post tinha imensa piada, mas as boas piadas não se explicam.

Agora, força, aproveitem todos para exorcizar frustrações na caixa de comentários.

 

*assumidamente é mais divertido assistir a isto estando fora. Aceito que para os que não tenham essa posibilidade, o grau de diversão seja menor.