Indícios sobre o funcionamento do “Estado de Direito” em Portugal:
1 de Junho de 2013: “Cândida Almeida diz que o seu processo será arquivado”
18 de Junho de 2013: “Processo disciplinar a Cândida Almeida arquivado”
Indícios sobre o funcionamento do “Estado de Direito” em Portugal:
1 de Junho de 2013: “Cândida Almeida diz que o seu processo será arquivado”
18 de Junho de 2013: “Processo disciplinar a Cândida Almeida arquivado”

Super Bock economics. Por João Miranda.
Salário mínimo mais elevado, menos impostos e mais despesa pública em salários e pensões. Ideias que nunca foram tentadas antes.
Relatório da comissão das PPP arrasa Sócrates, regulador e gestão da Estradas de Portugal:
Um dos principais problemas identificados pela comissão foi o facto de os estudos encomendados pelo Estado para suportar a celebração destes contratos assentarem “em cenários inflacionados e pouco realistas”. Mas a comissão vai mais longe e afirma que “o recurso excessivo às PPP teve por base a necessidade de os agentes políticos realizarem obra sem formalmente se endividarem”, por via de um “aproveitamento político pernicioso” que resultou do facto de este tipo de encargos não ter impacto na dívida pública, naquela altura.
O céu geralmente é azul e zero a dividir por qualquer número do conjunto real é sempre ainda zero podem ser outras conclusões inesperadas do relatório que vamos ficar a conhecer hoje, dia 18 de Junho. Tão incrível e inesperado como o 40º Capítulo do Acção Humana de Mises (dica: tem 39 capítulos), ao menos terá a vantagem de tornar o comentário Socrático no Domingo mais interessante.
Ocorrem-me vários adjectivos para qualificar isto – irrealista, irresponsável, desleal, demagógico, só para dar alguns exemplos – mas talvez o melhor seja mesmo: vergonhoso.
Até pode ser que apostar na ignorância e na falta de memória do eleitorado renda votos (espero sinceramente que não) ao ex-partido dos contribuintes mas, independentemente dos resultados eleitorais, há manchas que ficam para sempre: Dirigentes do CDS defendem subida do salário mínimo e recuperação do rendimento dos trabalhadores
Moção que Pires de Lima vai levar ao congresso do CDS defende a subida do salário mínimo nacional para 500 euros, “num calendário próximo”, bem como a definição de um calendário para anular os cortes implementados nas pensões e nos salários dos funcionários públicos.
Para grandes males, grandes remédios: Alunos que não fizeram exame podem tentar outra vez quando forem ministros
Ao indivíduo que repete constantemente uma mentira no anseio de que esta se transforme em verdade podemos chamar de demagogo ou de mentiroso mas não, necessariamente, de burro. Muito pelo contrário. A lenga-lenga da destruíção da Escola Pública, repetida em governos que vão do socialismo ao centro-direita – como aponta e bem o Henrique Monteiro – tem convencido dentro e fora da escola. E se é certo que muitos os há que contestaram o timing desta greve, poucos serão os que não estão convencidos da agenda fascista deste ministro, que certamente quer retornar os padrões de ensino à Idade das Trevas.
Eu bem sei que tudo isto é chato. É chato que esta greve tenha provado a eficiência do ensino privado sobre o público. Não admira que a FENPROF esnobe constantemente o ensino privado. Pode dar-se o caso de que alguém repare que a coisa funciona e os ponha realmente a trabalhar. E isso é capaz de ser chato. É chato que os professores, esses pilares da sabedoria, se vejam numa situação que não lembra a um trabalhar de um país civilizado: a possibilidade de serem despedidos.
Mas sobretudo, o mais chato é o povo, com a sua humildade intelectual, que não tendo sido alertado atempadamente para as virtudes da via revolucionária, se viu a votar neste conjunto de reformas tão contestadas. A democracia, essa coisa chata, parece não gostar dos professores.
Os valores de adesão que se vão anunciando, e o caos instalado no primeiro dia de exames nacionais, são o culminar e o confirmar de uma derrota em toda a linha do ministro da Educação Nuno Crato.
Depois de meter todas as fichas numa estratégia de intransigência em relação a este processo, conjugada com garantias repetidas da realização dos exames, o cenário a que podemos assistir hoje de disrupção destes é o confirmar do falhanço total de uma estratégia, mas também o confirmar de dois problemas do titular da pasta.
O primeiro, um que partilha com o seu chefe de governo, é que o ministro é demasiado lesto a abrir a boca antes do tempo e a comprometer-se com questões cujo domínio os factos confirmam não estar ao seu alcance. Tornou-se aliás penoso assistir ao evoluir da situação durante o final da semana que passou (e que culminou no dia de ontem), com o ministro a desdobrar-se em aparições televisivas, com o recurso a argumentos de chantagem emocional tentando atingir pais e alunos, e até ao sucumbir da sua autoridade sobre o processo, ao deixar-se ultrapassar pelo anúncio em desespero do colega de governo Poiares Maduro de uma capitulação na vigésima quinta hora, bluff que, tendo sido chamado, agudizou ainda mais a posição do governo.
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A definição de “êxito” para João Louceiro, do secretariado nacional da Fenprof, parece ser a seguinte: Exames feitos com poucos professores, abandalhamento das regras e medidas de duvidosa legalidade.
Por aqui se vê, sem qualquer margem para dúvidas, como para a Fenprof os alunos e a educação estão sempre em primeiro lugar…
O mundo, de facto, dá muitas voltas: Sócrates: “Greve dos professores é justificada”
Nos seis anos em que foi primeiro-ministro, José Sócrates acumulou inúmeros conflitos com os professores. As suas políticas e da ministra Maria de Lurdes Rodrigues foram mesmo alvo de uma das maiores manifestações de sempre de docentes. Mas, desta vez, o antigo líder socialista compreende os motivos dos grevistas e considera que a paralisação desta segunda-feira é justificada.
Li a notícia, mas não quis crer que António José Seguro tivesse dito tamanho disparate: Seguro quer desemprego nos Estados-membros abaixo da média da UE em 2020
O secretário-geral do PS propôs hoje, em Paris, que a União Europeia (UE) estabeleça como objetivo que, em 2020, não existam países com uma taxa de desemprego superior à média europeia, atualmente nos 11%.
Apesar de não ter ouvido as declarações, face à magnitude do disparate imputado ao líder do PS, fiquei mais descansado quando li este post do LA-C:
Há pouco, ouvi as declarações dele na televisão. Não ouvi a declaração que o jornal lhe imputa. Apenas ouvi que Seguro propõe que quando um estado tem um desemprego acima da média, que parte dos subsídios de desemprego sejam financiados pelas instâncias comunitárias.
Mas há pouco, alertado por um amigo, descobri que no site oficial do PS consta a seguinte notícia e voltei a ficar preocupado: A criação de emprego tem de ser a “primeira das prioridades”
“Proponho que a UE estabeleça como objetivo para o ano 2020 que nenhum país possa ter uma taxa de desemprego superior à média europeia”, afirmou António José Seguro, na sua intervenção no Fórum dos Progressistas Europeus, que juntou na capital francesa líderes dos partidos socialistas de países do sul da Europa.
Em que ficamos?
Pela minha parte, gostaria de ser esclarecido, já que atribuo alguma importância a saber se o líder do PS – e possível futuro primeiro-ministro de Portugal – compreende ou não o conceito de média (continuo a querer acreditar que sim, mas como a notícia aparece no próprio site oficial do PS, parece-me perfeitamente legítimo colocar a dúvida).
Por outro lado, o facto de este caso não ter gerado até ao momento qualquer impacto mediático significativo parece-me um sinal evidente, na interpretação mais benigna, de que a maioria dos jornalistas – ou pelo menos dos jornalistas com responsabilidades editoriais – não compreende o conceito de média.
Nesta notícia de há dias, dando conta de que a Procuradoria Geral da República pedia a anulação do julgamento sumário do senhor condenado por insultar o PR - e não me interessa se o PR foi insultado ou não, em caso nenhum o dito senhor deveria ter sido acusado, julgado e condenado – há várias dúvidas que me ocorrem. Quem foi que determinou a acusação, que pediu um julgamento sumário e, em julgamento, que se ocupou de defender a acusação e, supõe-se, pediu a condenação? Não foi um magistrado do mesmo Ministério Público que diz agora ser ilegal realizar um julgamento sumário neste caso? E, se foi um delegado do MP que se envolveu num julgamento ilegal (e não parece que as polícias e os juizes tratem destes processos sozinhos), o que vai suceder a esse delegado do MP? Tem um processo disciplinar? Enviam-no para trabalhos agrícolas, já que a lei não conhece e, portanto, com a lei não pode trabalhar? Ou continua tudo como se nada fosse e o delegado do MP ainda corre o risco de ser promovido para abafar a incompetência?
E mais uma dúvida, porventura a mais importante: porque diabo a comunicação social se porta como um cordeirinho com o sistema judicial, em vez de questionar o que se passou e quais as consequências?
Sinto inequivocamente mais simpatia pela narrativa (para usar a linguagem da moda) representada pelo Martim Neves do que pela representada pela Inês Gonçalves, mas há algo de comum em ambas que me causa algum desconforto.
A procura e amplificação de porta-vozes jovens para posições políticas, embora compreensível numa cultura dominada por uma imagem mitificada da juventude, é algo preocupante e frequentemente fico com a impressão de que os jovens em causa são transformados numa espécie de mascotes politicamente correctas das respectivas causas.
Uma tendência deveras interessante numa sociedade – como a portuguesa – cada vez mais envelhecida e com cada vez menos jovens. Mas também uma tendência que me parece ser em si mesma simbólica do triunfo cultural do progressismo: mesmo os segmentos supostamente mais conservadores (ou “à direita”) valorizam a conduta e as opiniões de um jovem em boa parte pelo mero facto de ele ser jovem.
O empreendedorismo e a lucidez do Martim são estimáveis (oxalá se mantenham e não sejam pervertidos no futuro) e a propaganda e o activismo radical da Inês revelam empenho e várias qualidades (oxalá possam ser melhor empregues no futuro), mas não me parece que centrar o debate no Martim e na Inês (e no que eles supostamente simbolizam) seja o melhor caminho para a discussão pública de ideias.
Assim não vamos lá.
Embora partilhando boa parte das considerações políticas da Maria João, confesso-me – tal como o Miguel Madeira – em larga medida incapaz de comentar as considerações estéticas e de elegância, matéria na qual, como até o mais desatento observador facilmente verificará, a Maria João se encontra incomparavelmente mais qualificada do que eu.
Ainda assim, não deixo de registar a evidente duplicidade de padrões de alguma esquerda caviar, que não se coíbe de criticar nos opositores políticos aquilo que se escandaliza por criticarem em pessoas do seu campo.
Deixo também uma reflexão final: por muito más que sejam as camisolas da Catarina Martins, da Raquel Varela ou da Fernanda Câncio (só para dar três exemplos), as respectivas ideias políticas são muito piores.
D. Manuel Clemente, com o bom senso e ponderação a que nos habituou: D. Manuel Clemente apela à consciência dos professores
Fenprof: que se lhes faça justiça! Por Henrique Monteiro.
E antes, também no Governo de António Guterres e dos ministros Júlio Pedrosa, Augusto Santos Silva e Guilherme d’Oliveira Martins, os professores e a escola pública não deixaram nunca de ser atacados. Para não falar em Cavaco Silva, e Manuela Ferreira Leite, Couto dos Santos, Diamantino Durão, Roberto Carneiro, João de Deus Pinheiro e todos os outros ocupantes da 5 de Outubro, que num gabinete desse edifício matutaram na melhor maneira de destruir o ensino em Portugal.
Finalmente se lê alguma coisa no Aventar que, pelo menos, tenta o humor. E nestas coisas – do humor e do resto – eu sou partidária de esquecer que as pessoas chegaram tarde para relevar o facto de terem chegado. Assim, esclareça-se (tudo coisas muito importantes):
1) O senhor que já não é sisudo chama-se António Fernando Nabais e não ‘Fernandes’ como eu por lapso referi. Peço imensa desculpa, e só tenho a dizer em minha defesa que sou uma pessoa distraída (para certas coisas, que uma carteira ou uns sapatos bonitos nunca escapam à minha atenção). Em todo o caso, fica reposta a verdade sobre o nome de quem, afinal, até tem sentido de humor (em desenvolvimento, mas estamos esperançosos).
2) Estou muito desiludida. Eu escrevi dois posts em que, lá está, me supus ser engraçada; no primeiro, parodiava a anulação do indivíduo nas sociedades comunistas; no segundo, exercitava a ironia (tão só) a propósito de um António FernandO Nabais ainda pré-sentido de humor. Não obstante estes dois objectivos comezinhos, pensava eu que estes dois posts eram todo um ideário político e estava mesmo a ponderar enviá-los para CDS e PSD como proposta de novo programa partidário (aquele que lhes pegasse primeiro estava bem para mim, que há que fazer pela vida, há carteiras caras para comprar, etc.). Afinal, fiquei a saber que os dois posts não chegam para, pelo menos, constituirem um programa de governo. Estou prostrada com a desilusão.
3) Fico um bocadinho mortificada (pelo António FernandO Nabais) pela necessidade que teve em dizer, para me pôr no lugar, que não me leva a sério. Pensaria eu que era evidente que tal é, enfim, indiferente vindo de alguém em cujo nome eu nem acerto. Em todo o caso, só para ficar satisfeito, fingirei que sim, por cinco minutos.
4) Fico satisfeita por fazê-lo rir, que umas boas gargalhadas são o melhor que nos dá a blogosfera.
5) O mais importante. Vá lá, esforce-se, não seja preconceituoso e não pense em conselhos meus sobre um pullover pelos ombros: é possível alguém não apreciar as camisolas de Catarina Martins e, ainda assim, ser apreciadora de looks masculinos informais e pouco compostinhos.
6) Para terminar num registo sério (não sei se me perdoarei), tenha lá cuidado nas (tres)leituras, que eu em lado nenhum chamei ‘políticas socialistas à corrupção do Estado’ (nem sequer falei de corrupção do estado). Em todo o caso não resisto a dizer-lhe que as políticas socialistas, por passarem as decisões do indivíduo para os burocratas do estado, são precisamente o caldinho que propicia e faz florescer a corrupção do estado.
Transcrevo aqui uma conversa verídica tida ontem com uma professora de ensino especial (crianças com deficiência) a leccionar no ensino público que, tanto quanto sei, é uma excelente profissional. Teve recentemente de leccionar em Sintra (reside no Norte) na sequência do regime de mobilidade especial.
— “Eu acho muito bem que os professores se estejam a manifestar! É inaceitável o que está a acontecer. Acho muito bem esta greve!”
— MAL: “Então? O que é que reivindicas?“
— “As 35 horas e o regime de mobilidade especial. Mandar os professores de um lado para o outro!”
— MAL: “As 35 horas é uma questão de equidade entre funcionários públicos. À luz da lei deveremos ser, efetivamente, iguais. Mas vocês só trabalham 35 horas?”
— “35? Trabalhamos bem mais do que isso. Temos aulas para preparar e exames para corrigir.”
— MAL: “Então, na verdade, isso não vos faz qualquer diferença. Se já trabalham mais de 35 horas, certamente que a alteração para 40 é meramente estética. É uma questão de princípio. De equidade.”
— “É… mas o regime de mobilidade especial é inaceitável!”
— MAL: “Eu concordo contigo. Até vou mais longe. O atual sistema público de educação é inadequado, antiquado e injusto. O sistema deveria ser descentralizado, experimentalista, e as escolas deveriam ter total autonomia, podendo decidir que professores contratar e despedir, como leccionar as aulas e ainda que conteúdos leccionar, com algumas bases em comum, naturalmente. Mais, o financiamento seria entregue aos encarregados de educação e não às escolas, permitindo assim que alunos pobres possam ter as mesmas oportunidades de acesso às melhores escolas. Hoje em dia, eles são obrigados a frequentar uma determinada escola, por muito má que ela seja. Não me parece justo. E assim diminuíam também os mismatches na mobilidade. Um professor que vai de Lisboa para o Porto ao mesmo tempo que um do Porto vai para Lisboa, quando ambos poderiam provavelmente permanecer na sua cidade.”
— “Oh, mas isso demora muito tempo a implementar. Não seria para agora.”
— MAL: “Ok. No curto prazo. Coloca-te no papel do Nuno Crato. Que farias? Existem três hipóteses. 1) Despedir mais uns milhares de professores; 2) Continuar a atribuir horários zero; 3) Transferir professores para onde eles são necessários.”
— “Horários zero, nem pensar. Deprime ficar sem fazer nada.”
— MAL: “Então, que farias?”
— “Pois, não sei.”
A conversa terminou subitamente, tendo-se desvanecido o tom exasperado com que se iniciara. Não sei se a convenci, mas tentei transmitir a perspectiva de quem está de fora. É compreensível que os professores — e qualquer outra pessoa, especialmente pais e alunos — estejam descontentes com as recentes reformas da educação. Mais burocracia e mais trabalho improdutivo que acrescenta zero à formação dos alunos. O objectivo do brilhantismo estatístico, para que Portugal figure num percentil bacano nas estatísticas europeias. Uma enorme entropia introduzida no sistema, que mina o trabalho dos professores, a aprendizagem dos alunos e a paciência dos pais. Pais que não podem escolher o futuro dos seus alunos. Em boa verdade, todos deveriam estar a fazer greve, mas por outros motivos.
O Estado deles. Por Helena Matos.
Parte do orçamento deste fundo que apenas se destina aos ”trabalhadores da administração direta e indireta do Estado” provém da Segurança Social para onde desconta a generalidade dos mouros sem direito a qualquer um destes benefícios:
A desculpa da Inês Gonçalves para os disparates que defende é ter 18 anos. Qual é a do Mário Nogueira ?
Menos manifestantes, mas o mesmo entusiasmo do líder da Fenprof. Tudo isto numa altura em que o bigode de Mário Nogueira parece assumir um crescente protagonismo.
Parece que um senhor chamado António Fernandes Nabais se zangou pelas possibilidades que eu aventei sobre a agora famosa Inês pró-grevistas Gonçalves. E parece também que a esquerda pode gozar com o português rústico de Cavaco Silva, com a sua falta de elegância a comer bolo-rei em frente às câmaras de televisão, com o sotaque e tudo o resto do rapaz do programa do Relvas de cujo nome já não me recordo, com o Martim do prós e prós, mas ai Jesus se alguém ousa ironizar sobre a gente do bloco, almas maiores cujos meros mortais não devem presumir poder ridicularizar. (Também parece que está muito bem insultar bloggers, mas alto lá quanto à falta de reverência pela alegada camisola da Catarina Martins. Critérios.) Além de falta de sentido de humor – típico do bloco, que prefere o estilo inquisitorial ao irónico – há que reconhecer que outras falhas ficam evidentes.
Em primeiro lugar, excelentíssimo e sisudíssimo senhor Nabais, lamento que não tenha percebido que o meu post não era nem pretendia ser uma resposta à alegada ou real Inês. Era mesmo para lembrar, à boleia do texto do Vítor Cunha (que tinha também piada), e pegando nos preparos em que a Catarina Martins se apresentava na AR e nos atentados totalitários contra a liberdade individual existentes em todos os países e partidos com ideologia próxima do bloco, onde nos leva a ideologia da extrema-esquerda. E por isso não vale a pena responder-lhe na linha do que pacientemente fez o Vítor.
Em segundo lugar, e muito importante. Ri-me imenso com o uso que dá ao adjetivo ‘fútil’. Sou uma feroz defensora do direito das mulheres à futilidade (e dos homens). Não tenho nada contra mulheres fúteis. As mulheres que eu não suporto são mesmo aquelas que se levam demasiado a sério para dispensarem uns minutinhos do dia a pensar no que vão vestir e calçar de forma a não acabarem fazendo as figuras que Catarina Martins fazia, demasiado preocupadas com coisas importantes para aplicarem um gloss nos lábios, demasiado ocupadas com a revolução que há-de vir para fazerem uma manicure. E dos homens que não percebem que uma mulher pode cuidar da aparência, ser vaidosa e ainda assim emitir opiniões políticas mais acertadas do que os sisudos do bloco, tenho a dizer que são burros. E, além de burros, machistas.
Em terceiro lugar, lamento que a Catarina Martins se apresentasse daquela forma descuidada na AR e ainda permitisse que as televisões a entrevistassem. De facto também não imagino o que lhe passou, e durante tanto tempo, pela cabeça. Fazia figura de quem acordava, vestia uma camisola (tricotada em casa por alguém sem talento para o tricot) que estivesse enrolada nos pés da cama e pronta que estava para a AR, mas, lá está, a culpa não é minha. E já que estamos na imagem da Catarina Martins, deixe-me que lhe diga que a imagem atual, ui, que sensaborona, indicia uma personalidade pouco imaginativa e também não é lá muito apelativa. Não há uma cor mais viva a realçar os seus olhos bonitos, um colar que surpreenda, um corte mais atrevido, parece uma avó (sem ofensa para as avós). Olhem que estão a ser ultrapassados pelo PCP, que tem a Rita Rato e a Raquel Varela, que são muito visíveis. Para ver como eu sou caridosa e não gosto que outras senhoras não explorem o seu potencial, aqui vão para Catarina Martins umas sugestões de reinterpretações de vestidos chineses, algo que ficaria sempre bem numa extremista de esquerda e lhe daria um ar, enfim, que não fizesse lembrar uma arca de cânfora.
Por último, agradeço-lhe a referência à Pepa Xavier e à carteira Chanel (novamente como se fossem insultos, escapa-me a razão), mas eu já passei a idade em que achava que tinha de me vestir de forma sóbria para me levarem a sério no trabalho; agora, que já provei o que tinha a provar, sou bem mais descontraída e, nessa linha, prefiro carteiras coloridas e, de preferência, com sentido de humor (sim, há carteiras com mais sentido de humor do que os bloquistas). Uma carteira Chanel 2.55 ficaria lindamente na senhora minha Mãe, mas eu prefiro carteiras nesta linha:
(da Anya Hindmarch, e só a título de exemplo, que os impostos que me cobram para pagar as políticas socialistas dificultam estas compras).
Incrível como estes movimentos dão tiros nos pés… Tanta atenção aos que estão bem de vida – ao ponto de falar na aposentação – e nem uma palavra para os contratados. Que estes sejam despedidos aos magotes, tudo bem. Agora, que toquem nas pensões irreais e para as quais eles não descontaram metade…
Independentemente da questão ideológica, estes sindicatos nem para eles são bons.
Devia estragar o equilíbrio do cartaz imagino… Continuar a ler

Uma pessoa provavelmente humana pode ser do Bloco de Esquerda mas fica sempre melhor passar por independente.
Um doce (não conventual) para quem adivinhar onde está a Inês Gonçalves a Coordenadora Nacional de Estudantes do Bloco de Esquerda e quem – entre contributos valorosos de outras pessoas comuns mas com vozes participativas- ajudou a encerrar o programa (clicar na imagem) de partilhas sob a temática Da Escola ao Call Center: pode existir o futuro?
Leituras complementares: Não julgareis as adolescentes do bloco segundo os padrões burgueses; Inês Gonçalves e o Síndrome de Estocolmo; Uma carta à Inês.
Agradecimentos ao Vítor Cunha pois sem a sua colaboração ainda que involuntária, este post não teria sido possível.
Adenda: É oficial: a revolução percorre vários trilhos comunicacionais revolucionários. Se não dá pelo esquerda net, a malta da esquerda net com espaço merdiático finge que não tem nada a ver com o berloque. São sacrífícios por um bem maior.
Site descritivo do programa “Pulseira Estou Aqui!“
Começa sempre pelas crianças…
PS: Não estou a criticar quem quiser usufruir do serviço. Cada um sabe de si e quem sou eu para criticar os pais que se sentem na necessidade deste serviço. Mas é difícil, para mim, não ver o lado Orwelliano da coisa…
O ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros anunciou nesta
sexta-feira a concessão de incentivos fiscais a 11 novos projectos de
empresas nacionais e estrangeiras que vão investir na economia
portuguesa 280 milhões de euros. O montante máximo dos incentivos pode
chegar a 34 milhões de euros e estão envolvidas empresas de sectores
como a aeronáutica, produtos médicos, indústrias de embalagens,
mineração, componentes automóveis e têxteis.Em causa estão contratos de investimento analisados e aprovados pela
Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP) e
pelo IAPMEI, a agência para a competitividade e inovação, que prevêem
a criação de 700 novos postos de trabalho e a manutenção de 4387
empregos nas empresas abrangidas pelos apoios.
De alguns contribuintes escolhidos a dedo, bem entendido.
Diz o Vitor Cunha sobre a menina que, aparentemente, anda a agitar o Facebook, exatamente com a idade certa para ser prejudicada pela greve aos exames mas que, ainda assim, defende apaixonadamente a causa dos professores grevistas: ‘Inês Gonçalves não gosta de música, TV, bikinis, motas ou verniz garrido para as unhas. Não gosta de rapazes, malta da televisão, actores de cinema ou praias.‘
Bom, há que dizer que – relembrando aqueles sacos tricotados que Catarina Martins levava para a AR, antes de ser sei lá o quê no BE com o João Semedo, e a que só bondosamente se poderiam chamar camisolas – talvez se deva assumir que para as adolescentes do bloco usar bikini, interessar-se por rapazes (em vez de pela causa) e, acima de tudo, usar vernizes de cores garridas são comportamentos burgueses; de adolescentes do sexo femino não emancipadas e que não entenderam ainda que agirem como objecto de desejo dos adolescentes masculinos é degradante para qualquer adolescente do sexo femino, um comportamento verdadeiramente feudal; que são próprios de gente descerebrada que coloca interesses individuais (como namorar) acima dos interesses colectivos (derrubar o regime existente e implementar o socialismo, se preciso for pela luta armada); que mostrar a sua própria fotografia no facebook é um imperdoável pecado de individualismo. E, portanto, tudo hábitos a serem erradicados. Mesmo antes da verdadeira implementação do socialismo e do surgimento do homem novo.
Não que a hipótese de trabalho do Vítor – tratar-se afinal de um trintão bigodudo – deva ser descartada. Mas temos de ter o espírito aberto e não fechar a porta a outras alternativas também elas prováveis. Como, só mais um exemplo, a Inês Gonçalves ser uma cábula que quer mais uns dias para fingir que estuda para os exames. Até porque, como acontecia na boa revolução cultural maoísta, os alunos entravam na universidade por mérito político (seu e dos seus pais) e não pelos burgueses critérios académicos – e não estudar para os exames deve ser encarado não como preguiça mas como luta pela adoção de boas práticas já testadas noutros países.
Ora vamos lá a um pequeno exercício de argumentação, com um pouco de humor para estimular a leitura. Original a negrito.
Estudo no 12º ano, tenho 18 anos. Sou uma entre os 75 mil que têm o seu futuro a ser discutido na praça pública. – Não. O teu futuro vai ser decidido por ti. Dentro de algumas semanas, frente a várias folhas de exame. Isso que estás a tentar fazer chama-se “desresponsabilização” e apesar de provavelmente estares rodeada por uma miríade de pessoas que te incutem esse espírito também é tua responsabilidade aprenderes a assumires que o teu destino está nas tuas mãos. Chama-se a isso “crescimento”. Um dia compreenderás. Espero.
Dizem que sou refém! Dizem que me estão a prejudicar a vida! Todos falam do meu futuro, preocupam-se com ele, dizem que interessa, que mo estão a prejudicar… – Qualquer pessoa que te reduza as tuas opções te está a prejudicar. Mas a questão aqui é que é intencional. Basicamente, tu perdes para eles poderem fazer chantagem com outros num processo em que eles têm muito a ganhar (ou a não perder) e tu és apenas um objecto de arremesso. Vou elaborando mais ao longo do texto.
Ando há 12 anos na escola, na escola pública. – Os processadores de texto modernos permitem apagar repetições. Estou certo que um rapaz que perceba de computadores te pode explicar como o fazer.
Durante estes 12 anos aprendi. – Aprenderias mesmo que não estivesses na escola. Se tiveste filosofia como eu, podes concluir que esta minha chamada de atenção torna o teu argumento logicamente inútil.
Aprendi a ler e a escrever, aprendi as banalidades e necessidades que alguém que não conheci considerou que me seriam úteis no futuro. – Na verdade, teria sido melhor se essas decisões fossem descentralizadas. Para que percebas vou só dar um exemplo: se todos tivessem que ter o mesmo telemóvel ou a mesma roupa não achas que, mesmo que esse alguém fosse o mais sapiente do mundo, nunca acertaria no mais acertado para todos os teus colegas simultaneamente? Decisões centralizadas nunca serão as óptimas para todos.
Já naquela altura se preocupavam com o meu futuro. – Quem te disse isso? As pessoas movem-se por outros motivos. Repara: o que as pessoas querem é ter as suas necessidades satisfeitas. De amor, de sexo, de saúde, de serviços dos mais diversos. Algumas dessas coisas obtém-se por interacção livre e espontânea com outras pessoas. Outras delas exigem dinheiro. As pessoas que se “preocupam” (na verdade, os teus pais é que se preocupam) contigo fazem-no por 2 motivos: brio profissional e salário. Portanto cuidado com esse sentimento de que podes confiar em estranhos: só no dia em que realmente precisares de ajuda vais descobrir quem realmente se preocupa contigo. Espero que nunca venhas a estar nessa situação, pois garanto-te que não é uma sensação agradável. Continuar a ler
Continua a estranha saga relacionada com a mudança da administração da Caixa Geral de Depósitos: Pedro Reis afinal não vai para a Caixa Geral de Depósitos
Embora Pedro Reis fosse assumir apenas funções de administrador não executivo na CGD, parece-me pertinente e saudável que se levantem objecções à acumulação de funções desta natureza. Aliás, a excessiva permissividade com acumulações de funções potencialmente geradoras de situações de promiscuidade e/ou conflitos de interesse são um dos piores vícios de que o país padece.
A outro nível, tudo isto vem reforçar por que razão, seja qual for o Governo em funções, o controlo do Estado sobre a CGD (e não só…) é considerado estratégico e inalienável…
Leitura complementar: O surreal processo de mudança da administração da Caixa Geral de Depósitos.
Relatório do FMI fala de cortes de 4700 milhões até 2014
Barroso critica agências de rating por não melhorarem classificação de Portugal
FMI diz que choques adversos “plausíveis” podem levar dívida pública aos 140% do PIB
FMI admite deixar cair TSU sobre pensões em troca de medidas equivalentes
FMI alerta para consenso político e social “significativamente mais fraco”
Leitura complementar: Inevitável.
A nova data chave é 15 de Julho: Governo compromete-se a concluir cortes na despesa até 15 de Julho
De acordo com o FMI, o Governo pretende avançar tanto quanto possível com leis gerais e não incluir as medidas nos orçamentos anuais, bem como justificar as reformas com a necessidade de cumprir as regras de sustentabilidade orçamental europeias.
A greve. Por João Miranda.
Os sindicatos dos professores convocaram uma greve para o dia do exame de português de dia 17 de Junho. O objectivo óbvio é impedir que o exame se realize. Quando o ministro anunciou que o exame continuaria marcado para dia 17, e que não há nova data, os mesmos sindicatos ficaram muito indignados. Ficaram indignados porque precisam de fazer greve para ela ter realmente algum efeito.
Troika para drogados. Por Vitor Cunha.
Sobre matéria relacionada, recordo o meu artigo publicado ontem no Diário Económico: Inevitável.