Adivinhem quem voltou (2)

Ferro Rodrigues agita plenário ao elogiar José Sócrates

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Agora é às claras. Está aí um novo PS, um Ps que se orgulha e defende o trabalho de Sócrates, e que aspira a fazer o mesmo. Louve-se a honestidade pré-eleitoral.

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Uma piada punk

Isto teve tanta piada quanto a relevância do estudo sociólogo sobre a cultura punk em Portugal, que conclui que estes são subpolíticos e hiperpolíticos, e que por sua vez tem tanto interesse quanto este “ensaio” sociológico para reflectir sobre “a frustração popular contra o grande capital e as políticas de austeridade”

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Aí está uma boa oportunidade…

… para o Bloco de Esquerda trazer de volta a discussão sobre a saída da NATO

Aviões russos intercetados na costa portuguesa
A Força Aérea Portuguesa intercetou esta quarta-feira dois bombardeiros russos Tupolev-95 a oeste da costa portuguesa que sobrevoavam águas internacionais e não chegaram a entrar no espaço aéreo português, apurou o Observador.

A informação foi divulgada, em comunicado, pela NATO que denunciou ter detetado “manobras aéreas incomuns” e de “grande escala” da Rússia no espaço aéreo sobre o Oceano Atlântico e os mares Báltico, do Norte e Negro, nos últimos dois dias.

Conferência Instituto Mises Portugal – 1 de Novembro no Porto

Conforme já por aqui foi publicitado várias vezes, realiza-se no próximo Sábado a partir das 14:00, no Porto (no Pólo da Foz da Universidade Católica), uma conferência organizada pelo Instituto Ludwig von Mises Portugal.

Pela minha parte, participarei num painel sobre finanças públicas, juntamente com José Bento da Silva (da Universidade de Warwick) e Ricardo Valente (da Faculdade de Economia do Porto), agendado para as 15:45.

Mais informações sobre a conferência estão disponíveis na página do evento no Facebook.

A entrada é livre, mas sujeita a inscrição aqui.

Breaking News: mais uma greve no Metro de Lisboa

Metro de Lisboa volta a parar a 13 de novembro

Os sindicatos dos trabalhadores do Metro de Lisboa marcaram uma nova paralisação de 24 horas, para o dia 13 de novembro, uma quinta-feira.

Leitura complementar: Pela libertação do Metro de Lisboa.

Não se pode fazer um programa europeu de troca de socialistas?

O Rui Carmo ontem já postou sobre o assunto, eu ontem também já disse umas coisas no facebook, mas apetece-me vir aqui também frisar o azar que temos com os socialistas que nos calharam. Houve umas criaturas tontas que saíram de Portugal para se juntar aos malucos que andam lá pelo Crescente Fértil, e desconfio que não o terão feito pela curiosidade com as paisagens do berço da civilização e por aí. Enquanto na Síria e no Iraque, terão feito o que os outros jihadistas fazem (ou já teriam provado em si próprios os mimos dos jihadistas mais convictos): matam gente, torturam, violam e escravizam mulheres não muçulmanas, aterrorizam as populações, degolam jornalistas e inocentes que foram para aquelas bandas para ajudar as pessoas.

Perante jihadistas que querem regressar, na Grã-Bretanha discute-se se se deve usar legislação da Idade Média para os julgar como traidores. Por toda a Europa se discute o que fazer com estes malucos que regressam e como lidar com o perigo que representam face à possibilidade de implementarem aqui as boas ideias terroristas que aprenderam no Levante.

Por toda a Europa? Não, há um pequeno recanto que resiste ainda e sempre ao bom senso e à sanidade. Situa-se no Largo do Rato, em Lisboa, na sede do Partido Socialista, onde aparentemente a preocupação não é com a população portuguesa que pode apanhar com as maluquices desta gente regressada, não é punir pessoas que se associaram a um bando criminoso inimigo da República Portuguesa. Não, no PS preocupam-se com a segurança das pessoas que prezam tanto a sua segurança que não se importam de matar e morrer em nome de Allah. As prioridades do PS, como de costume, estão em plena sintonia com os interesses dos portugueses.

O Governo que disse “Não” aos banqueiros

Banqueiros pediram a Maria Luís que injetasse dinheiro da troika no BES. Ministra disse que não

Na última semana de julho, cinco banqueiros pediram à ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque, para injetar dinheiro da linha da troika no BES, segundo a SIC. O “não” da ministra obrigou o Banco de Portugal a optar pela medida de resolução que, a 3 de agosto, dividiu o antigo BES em dois: Novo banco e bad bank.

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Jean-Baptiste Colbert está vivo!

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Colbert está vivo e encarnou os proponentes do movimento “Plataforma Não ao TIPP“. O argumentário contra o Tratado Transatlântico não tem nada de novo, ou pelo menos nada de novo em relação às práticas económicas mercantilistas que vão do século XV ao século XVIII. É a mesma iliteracia económica que levou Adam Smith a escrever um livro em 1776, mas que, quase três séculos volvidos, ainda não foi bem entendida. É o medo da “desregulação dos mercados”, como se os mercados financeiros já não fossem globais, as commodities compradas a anónimos, o capital apátrida e os fluxos de capitais livres; é a mentira sobre o aumento do preço dos medicamentos, ignorando o efeito de um aumento da quantidade produzida e vendida, que faz com que o preço decresça (economias de escala por diminuição dos custos fixos médios); é o proteccionismo às empresas ineficientes locais, em tudo semelhante à lei do condicionamento industrial que protegia indústrias consideradas estratégicas, como por exemplo a indústria dos fósforos; é a fobia ao fracking, técnica de extracção de gás natural que aliviou a pressão sobre o preço do petróleo e a dependência do mesmo de países da OPEP. É isto e muito mais, e com mais ou menos condimento, é mercantilismo revisitado.

Turistas em Lisboa: somos pobres mas esquisitos

‘O turista insistente devia perceber que está muito bem visitar países que participaram na conferência de Bandung (a de 1955) e que precisam de se sujeitar a estas tormentas. Ou cidades como Paris e Roma, cuja reconhecida penúria as faz aceitar milhões de turistas anuais. Porque ter tantos turistas é um atentado à dignidade lusitana. Gente nova e diferente na cidade? Pfff. E o turismo como setor estratégico? Queremos ser um país de camareiros e empregados de mesa? Era o que faltava, que nós estamos todos destinados a trabalhar em empresas de tecnologia de ponta (que as qualificações da maioria da população não se adequem, é um pormenor; não sejamos picuinhas).’

Aqui.

Dar a César o que é de César, e a Jobs o que é de Jobs

6a00d8341c145e53ef0128778d9974970c-800wiA máquina estatal nos países desenvolvidos controla uma grande parte da economia. Domina os sectores da defesa, segurança, transportes, educação, segurança social e saúde. Noutros sectores, como a banca e a energia, a regulação e as responsabilidades que toma para si são de tal forma elevadas que só no papel é que não são públicos. Mas há quem pense que não é suficiente, que mesmo os poucos sectores que têm vindo a seguir as leis do mercado precisam de uma maior intervenção estatal. É nesta linha que vem o livro de Mariana Mazucatto. A narrativa é a de que, sem a intervenção do estado, os maiores casos de sucesso nos sectores não controlados pelo estado (como tecnologia e informática) nunca teriam acontecido. E parte daí para recomendar uma maior intervenção do estado como forma de multiplicar os casos de sucesso e garantir mais inovação. E, claro, uma maior taxação para financiar essa intervenção.

Para o fazer, a autora lista um conjunto de ligações entre projectos estatais e alguns sucessos da economia de mercado (com especial relevo para a Apple). Como o estado, mesmo o americano, está em todo o lado, não é complicado encontrar ligações mais ou menos longínquas entre programas do estado e os produtos da Apple. Os ecrãs tácteis dos iPads nunca existiriam sem o trabalho de um funcionário público inglês dos anos 60 que desenvolveu o primeiro ecrã táctil; a internet, já se sabe, foi inventada como mecanismo de comunicação militar. Tudo isto é mais ou menos como dizer que o senhor que inventou a roda tem de alguma forma mérito no último Ferrari. Uma das ligações mais directas e que recebe maior destaque no livro é um empréstimo que a Apple obteve do SBIC (um fundo público para pequenas e médias empresas) no “princípio da sua existência”. Claro que este “princípio de existência” foi em 1980, já a Apple tinha 4 anos, o Apple III tinha sido lançado e a Apple tinha uma equipa de engenheiros e uma linha de produção. A Apple obteve 0,5 milhões de dólares do SBIC, num ano em que teve 117 milhões de dólares em receitas e 11 milhões de lucro. Em Dezembro desse ano, a Apple faria o seu IPO, o maior de sempre desde a Ford 24 anos antes. Portanto, a situação está longe da narrativa de uma empresa sem capacidade de se financiar que graças à habilidade do estado em vislumbrar potencial obteve um financiamento que lhe permitiu crescer. Não, a Apple procurava financiamento, obteve-o de váios fontes, esmagadoramente do mercado, e aproveitou mais um dos disponíveis, que calhou de ser de organismo público.

O facto de o estado colocar à disposição um conjunto de recursos e ferramentas que agentes racionais não poderiam desperdiçar, não dá ao estado qualquer mérito daquilo que os privados consigam atingir. O caso da Apple é paradigmático. A Apple precisava de financiamento para crescer, o financiamento do Estado era o mais fácil e barato, a Apple aproveitou. Será que isto, por si só, dar algum tipo de mérito ao estado pelo que a Apple atingiu depois, ou até para justificar a existência do fundo? Não. Este tipo de fundos continuam a ser um desperdício, mesmo que existam alguns casos de sucesso. Por detrás destes bons investimentos, está um conjunto ainda maior de maus investimentos que desviaram recursos da economia, impedindo que florescessem outros projectos.

Os agentes estatais, políticos e burocratas, não têm os mesmos incentivos que os empresários. Um burocrata não vai à falência se um investimento não der certo, nem fica milionário se der. Um político não ganha eleições se fizer investimentos com retorno a 5 anos, nem as perde se o investimento correr mal. Por isso, um burocrata tenderá a ajudar as empresas daqueles que lhe são próximos ou, se for honesto, a seguir critérios processuais demasiado rígidos para um ambiente empresarial. Políticos não têm incentivos a escolher os projectos certos, mas sim aqueles que lha garantam uma maior visibilidade e votos. Nenhum dos agentes do estado tem incentivos a escolher a tecnologia ou o processo empresarial certo. A intervenção do estado não só será negativa por desviar recursos de agentes que têm os incentivos certos (empresários) para aqueles que não têm (burocratas), como tem ainda um efeito pernicioso adicional: o de distorcer os incentivos dos empresários. Quanto maior for o papel do estado na inovação empresarial, mais estes tenderão a alterar as suas opções devido a esse papel. Uma empresa privada pode deixar de prosseguir o investimento numa tecnologia, se o estado estiver a desviar recursos para uma tecnologia concorrente, mesmo que esta seja inferior. Se o estado tiver um papel importante no financiamento, empresários tenderão a desviar recursos de projectos rentáveis para projectos que lhes dêem mais hipóteses de obter fundos estatais.

O estado tem um papel no sucesso das empresas: o de garantir um ambiente seguro, o cumprimento de contratos e um nível mínimo de regulação que mantenha o sector a funcionar. Não cabe ao estado escolher vencedores no mercado ou liderar a inovação empresarial, sob o risco de deixarmos de a ter.

Faz-se sentir o pulsar do novo PS

É claramente um partido que apoia as verdadeiras causas que importam. Num só fôlego, o partido liderado por António Costa quer criar o dia/noite contra a homofobia e a transfobia e defende de forma intransigente a segurança dos cidadãos portugueses que combatem ao lado do Estado Islâmico.

Fascismo levado à prática: DL 166/2013

kafkaTranscrição da conversa telefónica (fictícia) entre o Ministro da Economia e eu um destes dias. Não o conheço de lado nenhum, nem me apetece. Mas por ter tido responsabilidades de gestão em empresas (e imagino que não começou como CEO) tem a obrigação de não embarcar nos sonhos húmidos d@s colegas.  Isto aqui ao lado é um desenho de Franz Kafka muito apropriado ao assunto.

 

A conversa (atenção às almas sensíveis: vernáculo abundante)

Eu: Tou? Então meu, tá tudo?
O Ministro: ……
Eu: tudandar, na mesma. E se não anda empurra-se. E os teus putos, tão fixes?
O gajo:……..
Eu:….. Boa. Olha, liguei-te por causa daquela merda que tu e os teus colegas aprovaram há um ano, o DL 166/2013. Lembras-te? Desde hoje de manhã estou a receber mails de clientes preocupados com os papéis.
O gajo:…..
Eu: Claro que lembras pá, não te faças esquecido. Aquele da regulação das transacções comerciais, meu. Foda-se! Já te esqueceste?
O gajo:…..
Eu: Não, caralho! Aquele do não sei quê das práticas restritivas ao comércio….sim, esse. Como é que aprovaste aquela cagada, meu?
O gajo:……
Eu: Tou farto de avisar que essa merda de fumar ganza marada durante os Conselhos de Ministros dá asneira. Já te disse que te arranjo da boa, é só dizeres quanto e quando. Mando-te isso e depois pagas-me, não é problema. Mas olha, voltando ao DL 166/2013…
O gajo:…..
Eu: quero lá saber dessa merda. Se não te aguentas e não podes fazer grande coisa demite-te ora essa. Tu assinaste aquilo pá, não me fodas!
O gajo:….
Eu: ouve….
O gajo:….
Eu:…ouve! Lá que a tua colega da agricultura tenha sonhos húmidos c’o Mussolini é problema dela. Que vá mas é tratar das crias em casa. Que a não sei quantos von Haffe tenha batido com a cabeça quando era pequenina, ela que vá chatear quem lhe fez as orelhas, o Pedro que se dedique a cuidar do vice dele que bem precisa e a Maria Luís devia ter mais com que se entreter em vez de andar atrás de quem a faz fazer boa figura. Ou achas que quem faz diminuir o desemprego são vocês?…
O gajo:….
Eu: o caralho, pá! Que eles aprovem aquela merda não me espanta, sabem lá alguma coisa de alguma coisa? Não sabem nada de coisa nenhuma. Nem eles nem o marido da Cavaca que o promulgou. Outro…
O gajo:……
Eu: …já te disse há um bocado que não quero saber dessa merda pra nada. Que os gajos aprovem, percebo. Eles é que não percebem nada de coisa nenhuma. Agora tu pá? Como é que aprovas uma cagada daquelas?
O gajo: …….
Eu: ouve….tu andas nisto das empresas há décadas. Foda-se! Já geriste uma quantas, sabes como é que as coisas funcionam e o que nos custa. Tás a gozar comigo não estás?
O gajo:….
Eu: olha, ó Toni, diz-me que raio de negócios é que fazias quando gerias empresas? Queres ver que às tantas não gerias merda nenhuma?
O gajo:…..
Eu: gerias, os tomates. Queria ver-te fazer negócios de acordo com aquilo. Hahahahahahaha. Não me lixes. Quer dizer, ainda por cima se um gajo for multado por não cumprir aquela cagada vocês decidiram que uma pequena empresa pode levar com coimas entre 3.000€ e 150.000€ e 20% reverte para o fiscalizador que é logo a ASAE. Tás mesmo a ver o que é que isso vai dar, não estás?
O gajo:……
Eu: tou a perder tempo contigo, já vi. Olha, pelo andar da carruagem tu e o teu Partido inteiro mais três quartos do PSD deviam era fundir-se com a ala alegrista-galâmbica do PS. Olha, que te nasça um pessegueiro nos entrefolhos e aos teus colegas um silvado e um monte de urtigas também! Tchau!

Troika, troika e mais troika

Como habitualmente estive esta terça-feira na Edição das 12 do Económico TV a comentar o tema de sempre: dívida, dívida e mais dívida.

No Fio da Navalha

O meu artigo no ‘i’ desta terça-feira.

A normalidade

Em três meses, dois gigantes usados por Sócrates, sabe-se lá para quê, caíram. No entanto, BES e PT não são vítimas. Foram empresas que cresceram na sombra do Estado, ao serviço do Estado, que favoreceram (e foram favorecidas) por governos. Agora, sinal dos tempos, descambaram.

Sejamos precisos nesta matéria: a queda destas empresas não é positiva por si só. O que é de louvar é o fim da sua utilização num esquema que não só não as favorecia, como prejudicava o país. As empresas, quaisquer que elas sejam, estejam em que mercado estiverem, existem para serem livres. Independentes do poder político. Se isso não suceder, prejudicam-se.

Claro que é tentador gerir uma grande empresa com o beneplácito do poder político. Este garante não só o acesso privilegiado ao mercado nacional, mas também a accionistas com boas ligações ao poder que estão prontos a colaborar num projecto comum. A droga é demasiado boa para não ser viciante. Os bons resultados surgirão facilmente, sumindo-se apenas quando, algo em que os homens de poder nunca acreditam ser possível, o mercado, apesar de viciado pelos governos, repõe a normalidade.

E a normalidade pressupõe que os negócios se afastem da política. Fora disto, ou temos ideologia (que os políticos de agora já não têm) ou mera necessidade de lugares empresariais para distribuir a amigos, pagando favores no meio de uma degradação que se quer privada, mas feita com contactos públicos e o dinheiro dos cidadãos.

Destruição de valor

O meu artigo de sexta-feira passada no DE.

«O caminho seguido pela PT foi reduzindo o leque de opções estratégicas que esta tinha, numa demonstração clara dos perigos da intromissão política na gestão de empresas, até que a sua falta de liquidez (e dos seus acionistas) ditou a inevitabilidade da sua entrega a novos donos. Um negócio trágico, que na melhor das hipóteses foi um erro de cálculo monumental; e na pior, um conto do vigário de proporções épicas.»

Um bom “furo”

Se um jornal conseguisse provar que os membros do governo tinham votado a decisão relativa à resolução do BES em benefício próprio, isso seria um “furo” jornalístico. Diria mesmo uma notícia bombástica. Parece, no entanto, que os factos não vão de encontro a essa ideia. Nada que tenha impedido o Público de tentar passar essa ideia através de insinuações rasteiras indignas de um jornal supostamente sério: Uma notícia cheia de disparates e um editorial deliberadamente obscuro que tenta retirar uma lição de moral de factos supostos.

Em primeiro lugar, dizer «Membros do Governo tinham mais de um milhão de euros no GES quando decidiram o seu futuro» é uma frase manhosa. Lendo a notícia, percebe-se que o «mais de um milhão» é o total de investimentos no GES de 16 membros do governo. Uma média de pouco mais de 62 mil euros cada um. Nada de espantoso, portanto. Aparentemente o grosso deste milhão pertencerá a apenas três membros do governo. Poderiam este três ter beneficiado da resolução do governo? Como veremos adiante, não.

Em segundo lugar, a listagem de bens detidos pelos membros do governo no GES sugere que se estes foram afectados pela a decisão do governo, isso foi mais no sentido negativo e não positivo. Investimentos em obrigações do Espírito Santo Financial Group ou do Espírito Santo Banque Privée perderam com a falência dessas entidades. No limite, a passagem do BES a Novo Banco poderá ter diminuido ainda mais as possibilidades de recuperação dos investimentos, uma vez que o banco era o principal activo do grupo. Aparentemente, metade de toda a exposição dos membros do governo ao GES eram investimentos deste género. Isto para não dizer nada das acções do próprio banco, que passaram a valer (muito) perto de zero.

Em terceiro lugar, ter investimentos num banco e ter depósitos num banco não é a mesma coisa. Depósitos são passíveis de ser perdidos em caso de falência do banco. Outros investimentos podem ser recuperados ou não dependendo da sua natureza. Acções, fundos de investimento e outros títulos de entidades terceiras estão no banco apenas para ser guardadas. Todos estes títulos são dos seus donos não do banco. Se este entrar em insolvência, os títulos continuam lá. Já os depósitos são usados para conceder crédito a outros clientes, pelo que no caso de prejuízos – e se as reservas do banco forem insuficientes – podem ser perdidos.

Quando a notícia do Público liga a questão dos depósitos acima de 100 mil euros com os membros do governo que tinham mais de 100 mil euros no banco, está deliberadamente a confundir as coisas: Não eram mais de 100 mil em depósitos. Eram mais de 100 mil na carteira completa, incluindo títulos diversos que não têm nada a ver com a questão dos depósitos. «Deliberadamente» porque a associação feita é negada pelos próprios factos relatados na notícia.

Por fim, o que ocorreu no Chipre foi bastante diferente do caso BES/GES. Os dois maiores bancos do Chipre tinham activos totais que eram 400% do PIB do país. E tiveram prejuízos que em termos relativos foram o dobro dos prejuízos do BES. No Chipre não houve outro remédio que não o “bail-in”. O Banco de Portugal e o governo não impuseram um “bail-in” no BES porque quiseram evitar esse estigma. Não por ser do interesse particular deste ou daquele membro do governo. Até podemos questionar se esse caminho não teria sido melhor, tanto para os bancos do Fundo de Resolução como para os contribuintes, via CGD, mas não neste contexto desonesto de tentar mostrar algo que parece ser o contrário da realidade.

“Carlos Moedas tem cabeça de liberal e não apoia intervenções do Estado, pensa como Passos Coelho”

Houve um tempo em que teria bastado a Ricardo Salgado telefonar a 2 ou 3 pessoas e o problema do GES teria sido resolvido em silêncio. A Caixa primeiro e o BCP depois teriam tratado dos problemas de financiamento. Se algumas perdas daí resultassem, um aumento de capital da Caixa Geral de Depósitos (o nome que se dá ao bail-out quando o banco é público) teria resolvido o problema. O GES continuaria vivo, como se nada fosse. A PT continuaria a ser uma empresa de bandeira com gestores de categoria internacional. E entre os 70 mil milhões de impostos pagos todos os anos, estes 4 ou 5 passariam despercebidos.

O PSD poderia ter feito muito melhor enquanto governo, e certamente que a falta de dinheiro e a supervisão internacional ajudam a fugir a tentações destas, mas vale a pena ler este excerto de uma excelente peça do Público para perceber as diferenças entre este governo e os que o antecederam:

“(…) Este é um período sombrio na vida de Salgado, com o grupo à beira da falência. E é obrigado a sair do seu casulo para pedir ajuda ao Estado. Dispara, então, nas várias direcções. Todos o ouvem, mas ninguém se compromete. Vai sozinho a Belém falar com Cavaco Silva, seu convidado de casa, que lhe terá dito: pouco posso fazer.

O banqueiro chega à Praça do Comércio para uma audiência com a ministra das Finanças, acompanhado de José Manuel Espírito Santo e de José Honório. Os três têm grande urgência e tentam convencer Maria Luiz Albuquerque a autorizar a CGD a emprestar 2500 milhões à Rioforte para suavizar a dívida de curto prazo. O envolvimento do banco estatal ajudava a que o BCP viesse a colaborar também. Pedem juros generosos. Maria Luís Albuquerque torce o nariz e terá notado que “não dispõe de instrumentos” para apoiar o GES (não financeiro).

No caminho está agora o primeiro-ministro. Quando entra em São Bento, Salgado não se sente confortável. Sabe que Pedro Passos Coelho não sente empatia por ele, mas acredita que o pode sensibilizar, pois a queda do GES terá impacto no BES (e na PT). E admite que os efeitos colaterais se farão sentir. O banqueiro é afirmativo: a situação é crítica, daí o pedido já endereçado de viva voz à ministra. De pouco servirá o encontro, pois Passos Coelho é vago, não tem nada para lhe dizer. E vai dar instruções políticas a Maria Luiz Albuquerque para manter a recusa.

Entre outros dirigentes políticos e governamentais com quem Salgado falou naquele período, mais de uma vez, está Carlos Moedas, na época secretário de Estado adjunto de Passos (e agora comissário europeu). “O Moedas, o Moedas! Eu punha já o Moedas a funcionar.” Foi a frase de José Manuel Espírito Santo (gestor do BES) que incentivou o banqueiro, pela segunda vez, a ligar ao secretário de Estado para que ajudasse a encontrar um plano de salvamento do grupo. Carlos Moedas ia a conduzir quando o atendeu e lembra-se de ter pensado: “Está assustadíssimo.” O Sol já relatou: “Carlos, está bom? Peço desculpa por estar a chateá-lo a esta hora. Tivemos agora uma notícia muito desagradável. Tem a ver com a procuradoria no Luxemburgo [onde a ESI e a Rioforte têm as sedes], que abriu inquérito a empresas. Temos medo que possa desencadear um processo complicado sobre o grupo. Porventura temos de pedir uma linha através de uma instituição bancária. Seria possível dar uma palavrinha ao José de Matos [presidente da CGD], para ver se recebia a nossa gente da área não financeira? Temos garantias para dar.”

    Carlos Moedas tem cabeça de liberal e não apoia intervenções do Estado, pensa como Passos Coelho

. Já veio garantir que “o tema morreu ali”, não passou do telefonema. É a sua versão.

As diligências feitas pelo clã terão chegado a José Luís Arnaut, amigo de Barroso, e a Paulo Portas. O vice-primeiro-ministro chama a atenção de Passos para “a gravidade de deixar cair o GES” e recebe um chega para lá. Ao presidente do BES restam agora poucos amigos. Um deles é Durão Barroso, com quem fala várias vezes. Barroso ainda se movimentou (por Lisboa e Luxemburgo) mas, do ponto de vista de Salgado, depois de tudo o que terá feito pelos amigos, Barroso [a quem o BES pagou um curso nos EUA] não se empenhou o suficiente e, hoje, o sentimento é de desconforto. É a síndrome de quem deixa a crista da onda. Este terá sido, provavelmente, um dos primeiros momentos em que Salgado sentiu que a idade, 70 anos, e o ambiente não lhe permitiram “brandir a varinha mágica”. Fecham-se todas as portas que interessam. O banqueiro já não tinha flexibilidade para manter e gerar conivências. (…)

Este é o retrato de um presidente sem poderes, um governo sem a abertura a que Ricardo Salgado estava habituado, de um vice-primeiro-ministro há demasiado tempo nos círculos de poder, e de um grupo empresarial do regime a cair de podre (como o próprio).

Sem stress

lemmingsSaíram hoje os resultados dos testes de stress aos bancos europeus. Vinte cinco bancos chumbaram. Dos três (sim, apenas 3) bancos portugueses que cumpriam os critérios para fazer parte do teste, apenas dois passaram: a Caixa (bem capitalizada graças às intermináveis injecções de dinheiro dos contribuintes) e o BPI. O BCP foi um dos 25 que falhou.

Para além do banco que mais dinheiro sacou aos contribuintes nos últimos anos (a Caixa Geral de Depósitos), apenas um banco está suficientemente sólido no país para passar os testes de stress. Por coincidência, ou não, um banco com sede no Porto e o que mais se tem mantido afastado dos jogos de poder. O BPI conseguiu, para já, travar antes do penhasco.

O chumbo do BCP no teste de stress

BCP um dos 25 bancos da zona euro a chumbar testes de stress com rácio de 3% no cenário adverso
Défice tarifário da EDP ditou “chumbo” do BCP
BCP: Carência de capital relevada no teste de stress “já se encontra suprida”

O enviesamento de esquerda dos jornalistas

Os jornalistas são preguiçosos ou serão todos de esquerda? Por Helena Matos.

O que temos como elemento redutor e distorcivo de boa parte das notícias é uma outra coisa. Uma outra coisa que faz com que o problema não esteja no que escrevem sobre Passos, mas sim no que não escreveram sobre Sócrates. Ou que em algumas redacções tal só tenha acontecido por absoluta impossibilidade de evitar o assunto. Tal como o problema não é o que escrevem sobre os cortes nos salários, mas sim que em quarenta anos de democracia se contem pelos dedos das mãos as reportagens dignas desse nome sobre os sindicatos – de que vivem; quantos trabalhadores representam ou como são realmente escolhidos os seus dirigentes – ou sobre o mundo paralelo das empresas públicas.

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Na hora H, as pernas que tremeram foram as dos deputados do PS

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Dezembro de 2011
Pedro Nuno Santos: “Os alemães que se ponham finos ou não pagamos a dívida” e se o fizermos “as pernas dos banqueiros alemães até tremem”.

Março de 2014
Manifesto assinado pelos deputados do PS Ferro Rodrigues (líder da bancada), João Galamba (futuro secretário de estado do tesouro), Eduardo Cabrita, Pedro Nuno Santos e Pedro Delgado Alves: Deixemo-nos de inconsequentes optimismos: sem a reestruturação da dívida pública não será possível libertar e canalizar recursos minimamente suficientes a favor do crescimento, nem sequer fazê-lo beneficiar da concertação de propósitos imprescindível para o seu êxito

Hoje
PS embaraçado com o manifesto da dívida
Com António Costa, a reestruturação da dívida pública deixou de ser uma prioridade do PS. As dificuldades de entrar num processo de negociação internacional contribuíram para os socialistas recuarem em relação aos objectivos que o Manifesto dos 74 (…) ‘Entalados’ por um projecto do BE, que também foi a votos esta quinta-feira, com um texto idêntico ao do Manifesto dos 74, os socialistas tentaram não ser apanhados em contradição e optaram por se abster na votação do projecto bloquista

Ainda não começou, e o regresso da ala socrática ao poder já é divertido.

Manuel Pinho, Ricardo Salgado e o BES

Manuel Pinho exige mais de dois milhões de euros ao BES

O ex-ministro Manuel Pinho vai avançar com um processo judicial contra o Banco Espírito Santo para receber uma reforma antecipada que lhe terá sido prometida por Ricardo Salgado. Em causa está um valor superior a dois milhões de euros.

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“já podemos outra vez gastar mais, já?”

Excelente intervenção de Rui Rio: Rui Rio contra o “já podemos outra vez gastar mais, já?”

“A sociedade portuguesa acha que a crise é económica. Eu acho que a crise é política e a crise económica é filha da política”, disse, antes de desenvolver a tese de que se tem de “caminhar para orçamentos equilibrados”.

Num discurso em que falou também da reforma dos regimes políticos, Rio disse que “40 anos a pedir emprestado deu uma dívida gigantesca” a Portugal, defendendo a necessidade de repetir esta ideia “muitas vezes”. “O que é preciso é repetir isto porque a noção que eu tenho é que à primeira folga que possa haver não vão faltar vozes em Portugal a pedir ‘agora sim já podemos outra vez gastar mais, agora sim já podemos?’, afirmou.

Leitura complementar: O Tribunal Constitucional, o BES, o Orçamento 2016.

António Costa, a EMEL, Angola e Cabo Verde

PSD e Helena Roseta unem-se contra Costa

Reunião de câmara aprovou esta semana alteração aos estatutos que permitem à Emel ter negócios em Angola e Cabo Verde. Oposição une-se para suspender decisão, que em 2011 tinha sido travada.

Adelino Vera Cruz Pinto

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Brasil descobre foragido em festa de Costa

Adelino Vera Cruz Pinto, ex-vice-cônsul de Portugal em Porto Alegre, acusado de ter desviado 2,5 milhões de reais (788 mil euros) da Arquidiocese da Igreja Católica da Capital, é notícia no Brasil, depois de ter sido visto ao lado de António Costa nas comemorações da vitória do presidente da Câmara Municipal de Lisboa nas eleições primárias do PS.

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O Dogma da Infalibilidade Fiscal

O meu artigo de hoje no Diário Económico.

Ou seja, elevando-se o limite de recurso de 1.250 para 5.000 euros, condenam-se os pequenos contribuintes a derimirem as suas questões com instâncias administrativas – e o Fisco tende a ser parcial. Esta alteração, na prática, levará a que milhares de pequenos contribuintes, de parcos recursos e sem grande voz, fiquem limitados a “cale-se e pague!”.

(…)

O que se está aqui a instalar aos poucos é um dogma: o Dogma da Infalibilidade Fiscal. E este é um precedente perigoso para a democracia portuguesa.

Leitura complementar: Justiça “desconhecia o limite ao recurso aos tribunais”.

António Costa: um hayekiano inconsistente

Interesses Impróprios. Por José Manuel Moreira.

A este propósito regista-se com agrado a afirmação de pendor hayekiano de António Costa sobre as cheias de Lisboa: “temos de ter humildade de perceber que o ser humano não tem capacidade para controlar tudo.”

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Socialismos dos partidos dos taxistas

Fotografia do Público

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Depois dos dilúvios que afectam a cidade de Lisboa sempre que chove, situações de desastre que apenas acontecem porque os serviços camarários não são avisados, o CDS de Lisboa decide que importa regulamentar a actividade dos tuk tuk na capital.

O CDS quer que a actividade dos tuk tuk em Lisboa passe a estar limitada a um conjunto de circuitos pré-definidos e se restrinja ao período diurno, “por forma a compatibilizar os interesses e necessidades” de quem vive na cidade, de quem a visita e “de quem dela depende para desenvolver os seus negócios”.

Nesse sentido, o vereador do CDS na Câmara de Lisboa vai apresentar esta quarta-feira uma moção, na qual recomenda ao município que avance com a regulamentação da actividade destes triciclos motorizados. Em declarações ao PÚBLICO, João Gonçalves Pereira sublinha que essa regulação deve ser vista por todos os agentes como “algo positivo, não negativo”, assente na ideia de que “qualquer país e cidade deve proteger aqueles que neles investiram”.

Na sua moção, há essencialmente três aspectos relativamente aos quais o autarca centrista defende que a câmara deve definir regras, depois de ouvir os empresários do sector: a tomada e largada de passageiros, os circuitos e os horários.

Em sentido contrário ao das várias propostas de regulamentação da actividade turística, apraz-me recordar as palavras de Adolfo Mesquita Nunes,

“A liberalização da economia resulta. Quando o Estado dá espaço às empresas, as empresas respondem, e respondem com criação de emprego e crescimento.” Redução de taxas, liberdade de acesso e redução de custos para as empresas foram os três pontos de viragem. “Costumo dizer que há que desamparar a loja. Ninguém cria uma empresa, de animação turística ou outra qualquer, se tiver de percorrer um calvário de licenciamentos e pagar um amontoado de taxas. (…) Sendo constituída por micro e pequenas empresas, muitas delas resultado de empreendedorismo, a animação turística é um dos sinais e exemplos do relevo do turismo na criação de emprego. “

Como moral da história, aos interessados, aconselho a leitura do certeiro artigo do Alexandre Homem Cristo no Observador, Tuk-tuks: mudança ou ameaça?

(..) A história em si não tem nada de surpreendente. A incapacidade de adaptação aos tempos, a inveja pelo sucesso dos outros, a obsessão pelo proteccionismo, a exigência que o Estado esteja sempre lá para decidir, regulamentar e, sobretudo, preservar a rentabilidade de sectores empresariais que deixaram de ser rentáveis. Tudo isso é Portugal. E é, aliás, por essa razão que este caso é tão interessante – porque ultrapassa a luta específica de um sector e representa, na verdade, o confronto entre a concretização da mudança e o país que somos. Um país que pede essa mudança mas que não gosta quando ela acontece. Um país que se orgulha de ser um destino turístico de excelência, mas que vê o sucesso das empresas do sector como uma ameaça. Um país que quer ser mais livre e próspero mas que não consegue ultrapassar a sua dependência do Estado.

No fundo, é isto: um país que não aprende com os seus erros e onde os bons exemplos de sucesso e de governação parecem nunca ser suficientes para impor a mudança. Um país onde o socialismo parece vencer sempre.