Manuel Champalimaud sobre a EDP e Artur Trindade

Pai do secretário de Estado da Energia é consultor da EDP

Manuel Champalimaud afirmou que a EDP soube defender-se “politicamente” da contribuição extraordinária do setor energético (CESE), ao contratar “recentemente” o pai do secretário de Estado da Energia.

Continuar a ler

Carvalho da Silva: o sociólogo sobre o sindicalista

Se o sociólogo Carvalho da Silva analisar a actuação da CGTP em tempos liderada por Carvalho da Silva sindicalista talvez fique a perceber as razões destes números. Por Helena Matos.

No Fio da Navalha

O meu artigo de hoje no ‘i’.

A esquerda que não existe

O interesse que a candidatura de Sampaio da Nóvoa à Presidência, contrariamente à de Henrique Neto, despertou entre a esquerda tem uma relevância que vai muito além de se saber se pode ou não ser vencedora.

O que mais ressalta da mensagem de Sampaio da Nóvoa é a proliferação de lugares- -comuns que a esvazia de qualquer conteúdo, tornando-a aceitável para uma grande parte do público que a escuta. À semelhança do que sucedeu com Manuel Alegre, parte da esquerda satisfaz-se com frases feitas que não têm qualquer aplicação prática.

O fenómeno explica-se porque o modelo de desenvolvimento com que a esquerda pretende vencer eleições tem um custo que nem o Estado nem os seus credores estão em condições de pagar. É assim que o regresso a uma realidade em que os cidadãos possam suportar as políticas de esquerda pressupõe austeridade. Precisamente aquilo contra que Sampaio da Nóvoa se insurge.

Porque fala de uma realidade impraticável, ou passada, consoante se prefira, Sampaio da Nóvoa utiliza uma linguagem o mais abstracta possível. Não é apenas um modo de agradar sem se comprometer. É também uma forma de alheamento a que parte da esquerda se junta de bom grado. Esta maneira de se opor sem que concretize permite que a esquerda subsista. Mas é um durar que não passa de manifestação verbal porque, no concreto, esta esquerda decidiu não existir.

“How small, of all that human hearts endure, that part which laws or kings can cause or cure”

readyforchildren Hoje à tarde, o Parlamento entregou-se a uma animada discussão sobre o apoio à natalidade. Se bem percebi, não houve grupo parlamentar que não tivesse apresentado alguma proposta que pretendesse “apoiar as famílias” e resolver a “crise demográfica” do país. E a maioria, pela boca de Luís Montenegro, até admitiu aceitar todas as propostas dos restantes grupos parlamentares, em nome do “consenso” que fica sempre bem nestas coisas. Pode parecer estranho que gente que se odeia e que passa os dias a acusar-se mutuamente de abrigar nos seus corações os mais pérfidos desejos e propósitos, encontre subitamente um tema em que, da “Esquerda” à “Direita” todos parecem poder abraçar-se calorosamente, ambicionando em igual medida que o país comece a multiplicar-se como coelhos. No entanto, é algo com que não nos devíamos espantar. Para o percebermos, basta percebermos como a classe política portuguesa, pela sua ignorância e para nossa desgraça, partilha – apesar do muito que entre si discorda acerca de como o fazer – a crença na capacidade da Política – da governação dos assuntos dos seres humanos por seres humanos – para resolver todo e qualquer problema.

Infelizmente, a Política é bastante limitada naquilo que consegue realizar. Pacheco Pereira escreveu em tempos que Eugénio de Andrade lhe costumava dizer que a Política não consegue resolver o problema de estar apaixonado por alguém e não ser correspondido. Problema mais grave que este não deve haver, e só mesmo os mais sortudos não terão como o reconhecer. Mas não é preciso ir tão longe. Ao contrário do que os senhores deputados e as senhoras deputadas parecem crer, o pouco empenho da população no esforço procriador que eles acham ser necessário a bem da Nação e do Estado-Providência só parcialmente se deve à legislação que sai do hemiciclo para o qual foram eleitos. Claro que uma carga fiscal mais baixa ou um mercado arrendamento que fizesse com que um jovem casal não tivesse que ser obrigado a endividar-se para a vida a comprar uma casa ajudariam. Mas a crise demográfica que afecta o nosso país não é um exclusivo do Portugal “austeritário”. É um fenómeno do mundo desenvolvido do “Ocidente” (em sentido lato), e é em grande medida resultado de uma profunda mudança cultural, que nenhuma iniciativa legislativa, por muito bem intencionada que seja, irá mudar.

Em primeiro lugar, não se crê, no mundo “ocidental”, na existência de Deus como em tempos se acreditou, e como tal, “crescer e multiplicar” não surge para muita gente como algo imperioso, como surgirá, julgo (não me conto entre os que fazem parte de qualquer um dos grupos), a quem acredita na existência do Senhor, seja qual for a denominação que segue. Não é certamente coincidência que seja nos países com maior adesão religiosa no “Ocidente” que a crise demográfica menos se faz sentir, e Portugal não é um deles: muita gente se diz “católica”, mas fá-lo apenas por confundir a simples fé na existência de Deus com a (coisa diferente) pertença a essa particular forma de adorar o Dito, que implica a aceitação das regras ditadas pelo Chefe da Igreja Católica Apostólica Romana, regras essas (principalmente as que dizem respeito ao sexo, ao uso de contraceptivos e tudo aquilo a que se costuma chamar de “costumes”) que os “católicos”-em-nome-apenas ignoram olimpicamente. Para complicar as coisas, o mundo mudou mesmo em 1960 com o aparecimento da pílula: permitiu às mulheres terem sexo (uma coisa geralmente aprazível, dependendo das circunstâncias e do parceiro) sem necessariamente correrem o risco de engravidar (com todos os custos que a condição acarreta), e portanto, “ter filhos” passou a ser essencialmente uma escolha. Escolha essa que, por razões ligadas a uma série de coisas que melhoraram as nossas vidas nas últimas décadas, é exercida cada vez menos vezes: as mulheres passaram a “integrar o mercado de trabalho” (perdoe-se o abominável jargão), o que lhes deu maior independência e as fez ter menos tempo disponível para dar à luz uma prole muito extensa (excepto, claro, as que têm dinheiro para contratar outras mulheres que cuidem das crianças); o alargamento da educação a todos os estratos sociais e o aumento da escolaridade obrigatória fazem com que um filho seja um encargo para (pelo menos) 18 anos, e num número cada vez maior de casos, para 20, 25 ou 30 anos, quando antes ter um filho era, para muita gente, ter mais uma fonte de rendimento; e um pouco de tudo isto faz com que as pessoas comecem uma família cada vez mais tarde (no meu caso concreto, a razão está mesmo em nenhum Governo me arranjar uma jovem disposta a aturar-me para o resto da vida e a perpetuar os meus fracos genes). Por muito que custe à “Direita”, as “Famílias” têm hoje menos filhos porque já não aceitam a velinha sociedade do Portugal arcaico do século passado e o que ela implicava. E por muito que desagrade à “Esquerda”, nascem menos criancinhas hoje, não por causa da “austeridade”, mas porque vivemos em tempos mais prósperos e melhores do que vivíamos há 50 ou 60 anos atrás.

Num século já há muito deixado para trás, quando a qualidade de vida hoje ao alcance da maioria de nós era um exclusivo de reis e membros da sua corte (e mesmo esses sem alguns confortos que hoje encaramos quase como direitos naturais), um senhor inglês disse que “de tudo aquilo que os corações humanos suportam, é pequena a parte que leis e reis causam ou curam”. Como se vê pela forma como falam dos “incentivos” e “apoios” à “natalidade”, os senhores e as senhoras que nos pastoreiam não compreendem esta simples evidência. Claro está que se pode sempre argumentar que esta chuva de propostas se deve, não a uma genuína crença na capacidade de resolver o problema demográfico, mas a uma incansável vontade dos nossos representantes de fingirem estar muito preocupados com o assunto, e assim obterem uns quantos votos, aqui e ali, de quem se deixar comover. Mas não sei se, a ser verdade, isso deveria absolvê-los. Afinal, entre serem lunáticos sem noção dos seus limites, ou hipócritas sem vergonha que os impeça de explorar assuntos sérios, não sei qual a alternativa pior.

Manuel Braga da Cruz e a importância de um Presidente que não vá “rumo ao socialismo”

Numa altura em que está na ordem do dia a possível candidatura predidencial de um ex-Reitor, pela minha parte, acho que a Presidência da República ficaria muito bem entregue ao ex-Reitor da Universidade Católica Portuguesa Manuel Braga da Cruz e este seu artigo só veio reforçar a minha convicção: O Presidente, a estabilidade e a legitimidade democráticas. Por Manuel Braga da Cruz.

Ficou a compreender-se melhor o sentido original do poder de demissão do governo, atribuído ao Presidente da República, vertido por influência do MFA posteriormente na Constituição, em 1976. O rumo ao socialismo, que o preâmbulo da Constituição consagra, devia fazer-se democraticamente. Podia, porém, a democracia possibilitar a escolha de governos não socialistas. Lá estaria o Presidente da República para corrigir o rumo, demitindo esse governo. O que não se admitia é que o Presidente da República não prosseguisse, também ele, esse rumo.

Continuar a ler

Franco Atirador 7

Estive em mais um Franco Atirador, um programa semanal de debate sobre a actualidade política e social portuguesa, moderado por Joana Amaral Dias e Nuno Ramos Almeida.

Assim vai a liderança de António Costa…

antoniojoseseguro_1_Lusa_pagina

Coligação PSD/CDS empata com o PS

Segundo uma sondagem CM/Aximage, realizada nos 4 a 8 deste mês, o PS recolhe 36,9% das intenções de voto, mais 0,8 pontos percentuais do que no mês passado (36,1%). Contudo, o PSD cresceu mais do que os socialistas, passando de 28,9% em março para 30,5% agora em abril (mais 1,6 pontos percentuais). A distância entre os dois principais partidos é agora 6,4 pontos percentuais favoráveis ao PS. O CDS manteve-se na casa dos 6% (6,1% em março, contra 6% em abril). Juntos, os social-democratas e os democratas-cristãos somam 36,5% das intenções de voto, contra os 36,9 dos socialistas. Ou seja, um empate a seis meses de eleições. Valores que favorecem a continuidade da coligação governamental e afastam cada vez mais o PS da maioria absoluta.

Na confiança para primeiro-ministro, António Costa continua à frente de Passos Coelho: 42,7% contra 35,7%, sendo agora a diferença de 7 pontos percentuais. Em Outubro do ano passado, quando António Costa foi eleito líder do PS, a sua confiança para primeiro-ministro era de 56,2% e a de Passos Coelho 31,1%. Ou seja, em sete meses Costa perdeu 13,5 pontos percentuais, e Passos ganhou 4,6 pontos percentuais. [destaque meu]

Paulo Guinote em entrevista ao i

Uma entrevista que vale a pena ler, independentemente da concordância que possam ou não merecer cada uma das opiniões expressas: Paulo Guinote. “Em alguns momentos, achei que estava a correr riscos muito altos para o meu próprio bem”

A confiança do PS em Sampaio da Nóvoa (2)

António Costa nega ter garantido apoio do PS a Sampaio da Nóvoa.

Leitura complementar: O PS vai desistir das presidenciais?.

Continuar a ler

Uma receita para o desastre

mushroom1 Sentado à frente da televisão, a saltar de canal em canal (há que fazer exercício para manter a linha), esbarro num anúncio do Prós e Contras da RTP e fico a saber que o programa desta semana será dedicado às “Presidenciais”. É natural: com a candidatura de Henrique Neto, as notícias sobre Sampaio da Nóvoa e o PS, a relutância em avançar de Guterres, o diário pingar de candidatos folclóricos, e claro, a infindável novela de Marcelo e Santana (que seria um excelente nome para uma dupla sertaneja), as classes conversadoras deste país abraçaram o tema com um incansável vigor. No entanto, não faltam, do Governo a Jerónimo de Sousa, passando por Pacheco Pereira e Ferro Rodrigues, vozes que tentam chamar essa gente à razão, explicando que as atenções de todos deveriam centrar-se fundamentalmente nas eleições legislativas de Setembro ou Outubro.

Longe de mim discordar dessas opiniões, de uma sensatez evidente. Mas, sendo os dois actos eleitorais tão próximos um do outro, e dada a cultura política dos principais intervenientes na vida política – os políticos propriamente ditos e os jornalistas que os cobrem – era previsível que as “Presidenciais” desviassem das legislativas as atenções mediáticas.

Não é difícil perceber porquê. As limitações inerentes ao cargo de Presidente e a natureza unipessoal da candidatura a Belém são particularmente convidativas à discussão em torno de se Fulano se candidata ou não, se Sicrano o apoiará, quais serão os restantes candidatos, que “hipóteses” terá cada um deles, se haverá ou não segunda volta, e qual será a atitude de cada um dos candidatos perante o previsível “Parlamento pendurado” que sairá das legislativas, caso para sorte do sujeito venha a ser escolhido para residir no Palácio de Belém. Por outras palavras, o facto do Presidente da República não ter responsabilidades governativas e o de os candidatos concorrerem em nome próprio ao cargo conspiram para que a campanha presidencial seja discutida da forma que mais agrada aos nossos jornalistas, assente em “cenários”, leituras vagamente conspirativas, próprias de quem vê House of Cards e, na mediocridade da coisa, descortina qualidade e um retrato realista da política, vista como um desporto em que a única coisa que importa é quem ganha e quem perde, e não o conteúdo do que se propõe e quais as suas consequências para o futuro dos portugueses.

Já as legislativas, apesar de tudo, implicam pela natureza do que está em causa – a governação propriamente dita – a discussão de questões substantivas, com consequências na vida das pessoas, e que exigem, mesmo que da forma superficial a que estamos habituados em Portugal, um tratamento de assuntos de economia, finanças, educação, saúde, justiça, política europeia. Enfim, coisas sérias, que implicam algum conhecimento, e para as quais os jornalistas não estão preparados, e pelas quais os políticos não têm interesse, formados que foram na intriga partidária e empenhados que parecem estar em dar razão aos jornalistas que vêem em House of Cards um documentário sobre a natureza do Poder.

O resultado de tudo isto também não é difícil de antever: as “Presidenciais” abafarão a campanha para umas legislativas decisivas para o futuro – imediato e a longo prazo – do país, e esta será dominada por tudo menos pelo essencial, que será discutido, e mais tarde implementado, à nossa revelia. Independentemente do resultado das eleições de Setembro ou Outubro, as políticas a que os portugueses serão sujeitos – uso a expressão no seu sentido pleno – em grande medida, estarão elas próprias carentes de legitimidade. Por isso, quando forem aplicadas, serão encaradas como ilegítimas por parte de uma população que, na realidade, não as terá escolhido nem consentido. O cozinhado que se irá preparar ao longo dos próximos meses está a seguir uma infalível receita para o desastre. Que ninguém se espante, se e quando ele ocorrer.

Foi para isto que se fez o 25 de Abril

25abril

O camarada não tem nada de verdadeiramente interessante para fazer cumprir o ideal do 25 de Abril? Marque já na sua agenda, um romaria solidária a Évora. Incluí a realização de um cordão humano cujo mote é JOSÉ SÓCRATES sempre!

Pão e Circo

Depois da “festa” da Parque Escolar e das noites em branco à porta do E.P. de Évora, o PS traz agora “música e animação para toda a família”. Sempre é mais fácil do que apresentar um plano concreto de governação.

842015164950

O PS e as presidenciais

O meu artigo de hoje no Observador: O PS vai desistir das presidenciais?.

Sampaio da Nóvoa não é um incapaz. Mesmo sem considerar outras das suas realizações, chegar a Reitor da Universidade de Lisboa exige certamente substancial traquejo institucional e habilidade política. Mas isso não invalida que alguns dos grandes impulsionadores e arquitectos da candidatura de Nóvoa possam ter em vista, mais do que um plano de vitória traçado a régua e esquadro, um compasso de espera face a uma situação interna difícil à esquerda. E que possam até não estar excessivamente preocupados com a possibilidade de a referida candidatura não ser bem sucedida.

A confirmação da auto-exclusão de António Guterres, amplamente reconhecido como o candidato com mais potencial à partida, vem deixar tudo indefinido à esquerda. Soma-se o facto de aqueles que seriam dois candidatos alternativos plausíveis do PS a Presidente da República estarem indisponíveis: um, António Costa, por ocupar actualmente a liderança do partido, onde tem tido até ao momento um desempenho decepcionante (que sugere que avançar para uma candidatura a Presidente poderia ter sido uma opção mais adequada); outro, José Sócrates, sem dúvida a mais marcante e carismática figura do PS nas últimas duas décadas, por se encontrar indiciado por vários crimes e preso preventivamente.

O artigo pode ser lido na íntegra aqui.

Sobre os repetidos falhanços do Banco de Portugal

Senhores deputados, ajudem o Banco de Portugal a reformar-se. Por Paulo Ferreira.

(…) a ineficácia da supervisão bancária portuguesa é uma evidência que nos entra pelos olhos dentro e da mesma forma que não é uma andorinha que faz uma Primavera também não é a mudança do chefe da casa que, só por si, vai alterar este estado de coisas.

Vìtor Constâncio falhou no BPN e Carlos Costa falhou no BES. O BPN, nacionalizado, transformou-se num assalto sem paralelo aos bolsos dos contribuintes. Se o BES não foi pelo mesmo caminho não foi porque a acção da supervisão o tenha evitado, mas antes porque a legislação europeia e nacional instituiu entretanto o mecanismo de resolução que transfere para o sistema bancário os custos potenciais da falência de uma instituição.

Olhando para tudo o que se sabe sobre o comportamento do Banco de Portugal nestes casos é legítimo suspeitar que se mais não falhou é porque mais não houve onde pudesse falhar.

Leitura complementar: BES: o bom, o mau e o vilão; O Banco de Portugal falhou. Outra vez.

Champallimaud e João Martins Pereira

Champallimaud e João Martins Pereira. Quem tinha razão?

Nestes recortes de revista Vida Mundial de finais de 1974 e início de 1975 mostra-se o que pensava essa esquerda e o que dizia e pensava o próprio Champallimaud.

Preparando já o assalto às empresas privadas e grupos económicos que ocorreu após o 11 de Março de 1975, João Martins Pereira, falecido há relativamente pouco tempo e que era uma espécie de guru dos Louçãs e companhia esquerdista habitual, questionava na revista, no número de 5.12.1974, a Siderurgia de Champallimaud.

Que líder socialista disse isto sobre Portugal?

“O desemprego baixou, as exportações aumentaram, as finanças públicas melhoraram, Portugal beneficia da confiança dos investidores, resultados que advêm das reformas e são claramente fruto dos sacrifícios dos portugueses”

Pistas:
– Não foi um líder socialista português a falar para chineses
– É o primeiro-ministro do país que os socialistas achavam que ia mudar a Europa há 3 anos

Resposta aqui.

Deputados

Porque é que a qualidade dos deputados decaiu? O meu artigo de hoje no Diário Económico.

Deputados

A 7 de Maio próximo o Reino Unido vai a eleições. O comentador político Danny Kruger considera-as as mais entusiasmantes e, ao mesmo tempo, aborrecidas das que se recorda. Entusiasmantes, porque tudo pode acontecer; aborrecidas, porque a diferença entre os partidos é de pormenor. Tal como cá, o debate político, atenuadas as diferenças entre os maiores partidos, resume-se a insultos, truques de retórica e a questões menores.

Julia Langdon é uma jornalista britânica que tem escrito sobre política desde 1971. Em Fevereiro deste ano apresentou um estudo, cujo conteúdo divulgou no The Guardian, sobre o quanto a Câmara dos Comuns mudou desde o ano em que começou a trabalhar e o presente. E o que Julia nos conta é que o actual Parlamento é o menos representativo desde que foi atribuído o direito de voto às mulheres. Enquanto, em 1971, os deputados eram advogados, professores, mineiros, engenheiros, ou seja, das mais diversas profissões, actualmente proliferam os políticos de carreira, pessoas com cursos superiores, mas que cresceram dentro dos respectivos partidos e, a maioria deles, sem nunca ter exercido uma profissão fora da política.

É assim que dentro dos partidos com assento no Parlamento desapareceu a diversidade social, cultural, educacional e profissional. Dizem todos o mesmo, porque são todos o mesmo e querem todos ser a mesma coisa, ou seja, membros do governo. Fechados na redoma em que se criaram, limitam-se aos insultos, aos truques de retórica e às questões menores. Não representando o povo, porque não o entendem, não discutem os seus problemas, mas as questiúnculas menores que a ninguém interessa e que não colocam em causa a essência que os mantém à tona.

O problema britânico é, como se vê, semelhante ao português e não se resolve facilmente. As razões nos trouxeram a esta realidade são inúmeras. Julia Langdon refere os baixos salários dos deputados britânicos que empurram os mais esforçados e inteligentes para profissões onde se ganha bem melhor. Em Portugal o vencimento é uma questão, mas não a principal, tal como não é a única no Reino Unido.

A razão para a pouca representatividade dos deputados está na irrelevância actual do Parlamento. Tanto no Reino Unido, como em Portugal, o poder passou do legislativo para o executivo. É no Governo, e não na Assembleia, que se tomam decisões. Os deputados não decidem, pelo que não debatem verdadeiramente; porque não são ouvidos, já nem sequer escrutinam o governo. Ser deputado já não é uma vocação, uma aspiração, mas um lugar que se ocupa à espera de melhor oportunidade.

A expansão do Estado levou a uma impaciência no agir que não dá espaço a que se debata. A força do Parlamento, que passa pela contenção do poder político, é apenas mais uma vítima do fim do conceito do poder limitado como algo benéfico para os cidadãos. Muito pouco mudará enquanto não surgirem deputados com vontade de inverter a presente situação.

Choque de narrativas

aqui tinha apontado a singularidade do ano 2014. Foi o primeiro ano em democracia em que o país cresceu sem se endividar (o país, não o estado que cresce e endivida-se todos os anos). É um feito macroeconómico que já veio (muito) tarde e que, infelizmente, só foi atingido porque Portugal esteve a ser gerido por entidades externas.
Na altura o deputado João Galamba tratou de apontar um problema. Segundo ele, sendo verdade que o país cresceu e que a balança comercial foi positiva, foi menos positiva do que em 2013. Na sua opinião, isso quereria dizer que se o país continuasse a crescer, e a relação linear se mantivesse, então a balança comercial voltaria a apresentar saldo negativo. Ou seja, seria inevitável o país voltar a endividar-se para crescer. Os primeiros meses de 2015 vieram contradizer essa teoria: o país continua a crescer, o saldo da balança comercial continua positivo e a aumentar.
Perante estes dados, João Galamba contra-argumenta com a variação de existências em 2014. Segundo ele, em 2014 houve um excesso de importações que fez aumentar os stocks, e que estariam a ser exportados agora. No fundo, um aumento artificial das importações em 2014 estaria agora a alimentar um aumento artificial das exportações. É possível que isto seja verdade: a variação de existências em 2014 terá sido cerca de 2 mil milhões de euros e, segundo o banco de Portugal, com uma forte componente de importações.
Mas é aqui que as duas narrativas entram em choque. A ser verdade que o valor das importações foi artificialmente aumentado em 2014 pela variação de existências, então o contributo da procura externa líquida para o crescimento de 2014 foi menos negativo ou mesmo positivo (basta que metade da variação de existências tenha resultado de importações). Ou seja, uma das narrativas tem que estar incorrecta: ou Portugal cresceu em 2014 com contribuição positiva da procura externa líquida ou está a fazê-lo em 2015. Tanto uma como outra deitam por terra a teoria de que o crescimento económico não é hoje mais sustentável do que até 2011.

Bandos predatórios

Lá de cima. Por José Manuel Moreira.

É isso que se vai tornar mais difícil depois do despenhamento de um Airbus da Germanwings contra um pico nos Alpes. Com um tal Andreas a julgar-se senhor da vida das suas 149 vítimas. Falta só perceber a semelhança deste gesto suicida-homicida com as políticas predatórias que, mesmo quando não levam países inteiros ao desastre, transformam cidadãos em vítimas da burocracia e alvos do saque fiscal. Políticos tarados que insistem tanto no gasto público e no endividamento de futuras gerações como no ambientalismo fanático. (…) Bandos predatórios que se dão tão bem com os abusos e devassas do Fisco como com as contínuas e criminosas greves em empresa falidas – da TAP ao Metro e CP – a mando de interesses instalados que vivem à custa de infernizar e destruir a vida quotidiana de milhões de cidadãos e contribuintes. Bandos agora virados para o turismo e para o saque a quem vai ter menos tempo para olhar pela janela por se ter de concentrar mais no ‘cockpit’ e nos custos de aterrar.

Sampaio da Nóvoa e o júri que chumbou Saldanha Sanches

Sampaio da Nóvoa Presidente. Por João Taborda Gama.

Foi sempre no espaço público que Saldanha Sanches interveio, por si, republicano sem-cerimónia e sempre presente – e não presença constante nas cerimónias da república, ou sequer mestre de cerimónias de presidentes da república. Saldanha Sanches esteve sempre nas discussões sobre o Portugal concreto, participou, discutiu, lutou, indicou caminho. Preferiu sempre dar a cara por ideias suas a emprestar a pose a aforismos de outros.

No trato era verdadeiro, direto, desafiador. Tinha a característica inata de repelir a mediocridade, o lambebotismo e a cobardia – outros têm o dom exatamente inverso – e a particularidade de acreditar que a universidade deve apenas obedecer a critérios de mérito na atribuição de graus – e não a graus de outras obediências.

Em finais de junho de 2007, Saldanha Sanches apresentou-se a provas de agregação na Universidade de Lisboa. A composição do júri não deixava dúvidas sobre o que se ia julgar, não era o seu currículo académico nem as suas obras, ambos irrepreensíveis – era a sua liberdade. Talvez devesse ter ficado em casa, ir passar uma semana à Suíça, tão agradável no início do verão. Mas Saldanha Sanches não fugia. Chumbaram-no. De forma vil. Nos júris académicos, como nos países, há um presidente, alguém cimeiro que normalmente não deve intervir, só apenas em casos-limite, para impedir a injustiça. Alguém que tem de ter coragem para repor a ordem justa das coisas, sempre que esta falte. Uma espinha dorsal e moral sobressalente, de reserva. O júri que reprovou José Luís Saldanha Sanches tinha António Sampaio da Nóvoa como presidente.

Em defesa de Sampaio da Nóvoa, é justo recordar que o presidente do júri tem nestes casos um poder bastante limitado, mas nem por isso a componente factual do artigo deixa de ser verdadeira e merecer reflexão.

Sobre o assunto, vale pena ler também este artigo do Observador: Sampaio da Nóvoa acusado de falta de “coragem” por ter permitido chumbo a Saldanha Sanches.

Mais exportações, menos importações

Exportações sobem, importações descem em Portugal

Segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE), no período em análise, o défice da balança comercial diminuiu 735,5 milhões de euros, para 2.123,1 milhões de euros, e a taxa de cobertura cresceu 4,7 pontos percentuais (p.p.) para 84,5%.

A CRESAP e os seus concursos

CRESAP_corrupção

Para além da investigação e apuramento de eventuais ilícitos criminais (sempre difícieis de provar neste tipo de concursos, em especial quando os protagonistas possuem vasta experiência na matéria), esta é mais uma boa oportunidade para reflectir sobre o desastre que foi a criação e implementação da CRESAP: Caso vistos gold. Saiba como os concursos para a administração pública são manipulados

Ministério Público encontrou mensagens e telefonemas que mostram que o ex-presidente do IRN terá tido acesso às regras do concurso a que se candidatou. Mas há outros favorecidos

O Ministério Público suspeita que a ex-secretária-geral da Justiça, Maria Antónia Anes, e António Figueiredo, ex-presidente do Instituto dos Registos e Notariado (IRN), detidos no caso Vistos Gold, manipularam concursos da CRESAP – entidade que selecciona e recruta candidatos para cargos de direcção superior na Administração Pública.

Telefonemas e mensagens escritas trocadas entre os dois altos quadros indiciam que António Figueiredo e Maria Antónia Anes chegaram mesmo a violar as regras do concurso em que o primeiro era candidato a presidente da IRN e de outro em que colegas seus concorriam ao cargo de vice-presidente daquele instituto.

Leituras complementares: CRESAP: uma receita para (agravar) o desastre (2); CRESAP: uma receita para (agravar) o desastre; CRESAP, uma comissão à medida.

E vergonha, não?

kafka2A história abaixo é só mais uma das que cada vez mais vão sendo publicadas nas redes sociais. O que nos resta é perguntar se a tutela política da Autoridade Tributária, a liderança da mesma e respectivos funcionários, bem como os imberbes alapados na AR não têm vergonha disto? Não há esperança que a tenham, todos estão confortáveis, para eles não passamos de um incómodo e toleram-nos apenas enquanto nos conseguirem espremer. Isto exigiria vernáculo sólido, mas falta-me o fôlego.

Via Aventar

A história de uma família de Massamá, com três crianças, que está a ver a vida virada do avesso por conta da cobrança no IVA de recibos verdes desde 2008. O casal fez um pagamento de 5 mil euros da dívida numa repartição (possuem recibos a comprovar) e, oito meses depois, as finanças só dão como pagos 2.800 euros. Os salários estão penhorados e a casa deve ir a leilão.

Mário Pereira & Andreia Dias Continuar a ler