Uma triste campanha

(Artigo publicado no Diário Económico de hoje)

Há dias, o Governo anunciou que não voltará a prolongar a redução de 50% do pagamento do trabalho em feriados e horas extra. A organização corporativa que defende os interesses dos donos de algumas empresas e a organização corporativa ligada ao PCP que zela pelos interesses dos trabalhadores nela inscritos dividiram-se quanto aos méritos da decisão. Mas méritos ou deméritos desta ou outra medida serão algo que ficará ausente do debate partidário, pois nenhuma será discutida pelas agremiações concorrentes em função de outra coisa que não a sua coreografia para a longa e triste campanha eleitoral que nos atormentará.

Já se percebeu que os meses que nos separam das eleições legislativas serão tudo menos edificantes. Falando de “caravelas”, “mexilhão” ou “donos disto”, Governo e oposição degladiam-se ferozmente, esforçando-se por se suplantarem no que à falta de seriedade diz respeito. E a tendência é para a coisa piorar: PSD e CDS precisam de dar uns rebuçados a um eleitorado cansado de austeridade e simultaneamente convencê-lo de que o “despesismo” do “punho erguido” será uma desgraça. O PS argumentará que “uma desgraça” foi o estado em que o Governo deixou Portugal, procurando que esse refrão não convença os eleitores de que a situação do país impedirá o PS de melhorar as suas vidas. Por outras palavras, PSD e CDS terão de mostrar que governaram bem, mas não “demasiado bem” ao ponto de tudo estar resolvido e ser seguro devolver S. Bento ao PS, e o PS precisa de mostrar que a crise continua, mas é possível voltar a viver como se ela nunca tivesse ocorrido. Ninguém de bom senso acreditará em qualquer um deles, claro, e o resultado será o “parlamento pendurado” que por aí se antecipa. Quanto aos problemas que realmente afectam os portugueses, nada será dito ou feito. Nada, também, que nos deva surpreender.

Da bestialidade e irracionalidade do terror

Foto de Mohammad Sajjad/AP

Foto de Mohammad Sajjad/AP

Taliban Attack on School in Pakistan Kills More Than 100.

Leitura complementar: O Público continua a chamar aos assassinos, “combatentes dos taliban paquistaneses “. Os tais bravos combatentes queimaram vivo um professor e decapitaram várias crianças.  Não são separatistas, são assassinos III.

Radicalismo ideológico

Das companhias aéreas “de bandeira” na chamada Europa ocidental temos:

  • Totalmente públicas: Portugal
  • Maioria de capital público: Finlândia (56%)
  • Minoria de capital público: Dinamarca* (14%), Espanha (5%), França (20%), Holanda (6%), Irlanda (25%), Itália (19%), Luxemburgo (49%), Noruega* (14%), Suécia* (21%)
  • Totalmente privadas: Alemanha, Áustria, Bélgica, Reino Unido, Suiça

* A SAS é a companhia “de bandeira” nos três países escandinavos, tendo os respectivos três governos 50% do capital entre eles

A TAP e o PEC IV

"Caravela portuguesa do século XIV em ascenção (198 kts) para Vera Cruz", Museu de Arte Contemporânea do Sindicato dos Pessoal de Quilha da TAP.

“Caravela portuguesa do século XIV em ascenção (198 kts) para Vera Cruz”, Museu de Arte Contemporânea do Sindicato dos Pessoal de Quilha da TAP.

Discute-se muito qual a interpretação correcta do MoU quanto à privatização da TAP, como se este fosse a Bíblia à luz da qual são interpretadas as vontades do PS. Ignorando o facto do próprio PS, sempre enquanto Governo, ter sugerido a sua privatização, atente-se ao PEC IV, que passo a citar:

“No quadro da programação plurianual das operações de privatização, continuará a promover-se, em geral, a alienação das participações integradas na denominada carteira acessória, contemplando-se, ainda, um conjunto de diversas empresas nas áreas da energia, construção e reparação naval, tecnologias de informação e comunicação, serviço postal, infra-estruturas aeroportuárias, transporte aéreo e transporte ferroviário, bem como a alienação de activos detidos fora do país.”

Debate na FEP

Embora esta casa acredite no exacto oposto, de que mais Estado implica menos liberdade, excepto se a adesão compulsória à Segurança Social, a capitalização forçada de companhias aéreas, o financiamento obrigatório de canais de televisão, ou um serviço público que obriga ao recurso a prestadores públicos, for mais liberdade. Nesse caso, concordamos com o mote. Seja como for, a presença de distintos e brilhantes professores como o Mário Graça Moura faz deste debate, a decorrer no dia 17 de Dezembro na sala 111 na FEP, um evento a não perder.

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A queda do BES segundo Augusto Santos Silva

Está aqui um resumo precioso e preciso de como têm decorrido as audições na Comissão de Inquérito ao caso BES, sintetizando todas as perspectivas dadas até ao momento. Termina do jeito que é típico do autor, com acutilância e ironia, denunciando a forma como todos se escapam às suas responsabilidades: “Todos estão a falar na Comissão de Inquérito e é uma tristeza ver como declinam responsabilidades, fingem desconhecimento e passam culpas uns aos outros.”.

Quem assina é Augusto Santos Silva, que sempre reconheceu as responsabilidades do último Governo na precipitação da crise da dívida soberana; que sempre criticou os investimentos megalómanos, os elefantes brancos e as auto-estradas desertas que foram sendo construídas; e que sempre assumiu a culpa desse mesmo Governo, nunca tentando passar responsabilidades àqueles que vetaram o PEC IV.

Querida progressividade

O meu texto de dia 10 de dezembro, no Diário Económico, sobre a reforma do IRS e os desastres do PS com o coeficiente conjugal.

‘O Governo provavelmente fez bem em recuar na cláusula de salvaguarda, amedrontado, entre outras razões, com as dificuldades informáticas que adviriam se a mantivesse. O Governo não tem tido uma relação fácil com as fórmulas de cálculo. E se está disposto a arriscar atrasar o já lento tempo da justiça, deixar inúmeros alunos durante quase um trimestre inteiro sem aulas e desorganizar a vida de milhares de professores e das suas famílias, evidentemente que no que toca à recolha de impostos (a verdadeira função do estado para este Governo), venham todas as cautelas.

Claro que a cláusula de salvaguarda só era necessária porque aumenta o IRS de algumas famílias. Mas ao fim de tantos aumentos de impostos – deste governo e anteriores – já estamos anestesiados em demasia para continuarmos a protestar. Esta reforma do IRS não se recomenda. Não há significativa simplificação e continua a ver a classe média como se composta por nababos. Mas por causa de uma das poucas medidas boas que o Governo propôs – o coeficiente familiar – o PS lá entendeu rasgar as vestes. E mostrar o extremismo que por estes dias o assola. O coeficiente conjugal existente permite dividir por dois o rendimento de um casal.

Se um dos casados não trabalhar – mesmo sendo saudável e podendo – o Estado atende ao facto de o único gerador de rendimentos do casal ganhar para duas pessoas em vez de apenas para si. Mas o mesmo Estado que dá benefícios fiscais a um adulto casado que até pode não trabalhar por opção, deve arrancar os cabelos – como o PS por estes dias – se para cálculo de IRS atender ao facto dos um ou dois geradores de rendimento familiar o gerarem também para os filhos. Isto diz-nos muito sobre a política fiscal que o PS seguirá. Não terminarão a sobretaxa do IRS para todos os escalões, visto que, pela nova argumentação do PS, abandonar uma sobretaxa igual para todos implica regressividade fiscal. Acaso queiram reduzir IRS, não tirarão, por exemplo, 1% à taxa de cada escalão – para o PS isso é regressivo. Donde: se reduzirem o IRS, irão aumentar a progressividade do imposto – e tratar a classe média ainda mais como nababos, agora ao quadrado.
Estamos avisados.’

O Novo Regime Contributivo da Segurança Social

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Na semana passada surgiram notícias sobre os descontos para a Segurança Social nos recibos verdes que assustaram a maioria dos trabalhadores independentes e criaram uma enorme confusão. A meu pedido, este texto foi-me enviado por uma Técnica Oficial de Contas e é uma tentativa de ajuda aos ditos trabalhadores, na esperança de que os que nos lêem ainda vão a tempo de resolver os eventuais problemas que lhes tenham sido criados.

Um pequeno texto a propósito desta matéria, ainda muito confusa, quer para os contribuintes, quer para os próprios serviços da segurança social que, muitas vezes, não possuem conhecimentos adequados à correcta informação dos contribuintes.

Assim, em jeito de resenha, importa referir que o sistema contributivo especifico dos trabalhadores independentes sofreu enormes alterações nos últimos anos, nomeadamente desde 2010.

Até então, a base de incidência contributiva, isto é, valor sobre o qual eram pagas as contribuições, era “escolhido” pelo próprio trabalhador independente, não cabendo aos serviços da segurança social qualquer responsabilidade na definição daquele valor, estando definido por escalões, e que poderiam sofrer alterações, a pedido do próprio trabalhador independente, 2 vezes no ano.

Por outro lado, havia também 2 regimes, e consequentemente 2 taxas contributivas – o regime obrigatório e o regime alargado – sendo a grande diferença o direito a baixa médica de que beneficiava o trabalhador independente que optasse pelas contribuições no regime alargado.

Com a aprovação do Novo Regime Contributivo da Segurança Social, o principio da igualdade levou a legislador a condicionar a base de incidência contributiva aos rendimentos efectivamente auferidos pelo trabalhador independente, aproximando este do regime habitual do trabalhador por conta d’outrém.

Isto significa que, na pratica, anualmente, durante o mês de Novembro, a Segurança Social fixa oficiosamente o escalão sobre o qual o trabalhador independente deverá contribuir nos 12 meses seguintes.

E hoje em dia, como é efectuado esse posicionamento? Com base no IRS do ano anterior!

Ora, considerando os valores declarados no anexo B da modelo 3 do ano de 2013, o trabalhador independente, poderá saber desde logo, qual será o escalão sobre o qual irá ser “obrigado” a contribuir a partir de Novembro de 2014. Para tal, basta aplicar os seguintes coeficientes:

- 70% do valor da prestação de serviços anual;

- 20% do valor das vendas de mercadorias anual;

- 20% do valor da prestação de serviços do sector de restauração e bebidas e similares;

Assim, chegados ao valor do rendimento relevante anual, facilmente encontramos o duodécimo mensal que caberá num dos seguintes escalões, com a correspondente contribuição mensal:

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O que vimos acontecer recentemente e que tanta azáfama jornalística causou, não foi mais, do que os serviços a cumprirem, ainda que tardiamente, a sua função: fixação da base de incidência, com base no rendimento relevante apurado através dos rendimentos declarados no IRS de 2013 de cada um dos trabalhadores independentes. Nada de novo. Continuar a ler

Testemunho de um accionista da TAP

Este accionista gostava de voar para fora da TAP.

Este accionista gostava de voar para fora da TAP.

Escrevo-vos na qualidade de accionista da TAP, que herdei não sei bem quando. Ao contrário daquela casa em Santa Marta de Penaguião que herdamos de um primo distante cuja vida lhe foi agreste e que nem sequer sabíamos que existia, nesta herança tudo é ao contrário: chega na hora do nascimento, tem um efeito líquido negativo na minha conta bancária, mas faz-se acompanhar de tristeza idêntica. É o pior dos dois mundos.

Desconheço a razão para me terem feito accionista da TAP. Não trago qualquer experiência ou competência ao sector da aviação, ou desejo sequer fazê-lo. Dizem-me que é pelo superior interesse estratégico nacional, o que geralmente significa que sofre a já escanzelada carteira, que paga os arbítrios destes interesses estratégicos, confecção mole para caprichos de empedernidos socialistas que julgam que o país lhes pertence.

Pior ainda, sou um sócio minoritário sem presença nas Assembleias Gerais, que não pode aprovar, vetar decisões, ou sequer vender a sua participação, e que nunca recebeu qualquer dividendo. Mas que já foi convidado de forma compulsória a lá injectar dinheiro.

Mas serão tudo más notícias? Desde há uns tempos que viajo para Faro a preços irrisórios numa companhia de bandeira, e a partir de Março poderei visitar os Açores também numa companhia de bandeira a preços muito acessíveis. Vendo bem, até poderia não ser assim tão mau, não fossem as bandeiras de origem irlandesa e britânica, respectivamente, dado que a TAP está demasiado ocupada a assegurar o superior interesse estratégico nacional.

E assim, não tendo eu nada para oferecer à TAP e não tendo a TAP nada para me oferecer a mim, solicito que, seja porque o MoU assim o diz, seja porque é o desejo incandescente desses perigosos neoliberais, seja porque o PS faria exactamente o mesmo caso estivesse no Governo, a privatizem o quanto antes, voltando eu à condição única de cliente voluntário da empresa caso esta me agrade, condição que me apraz a mim, mas apraz fundamentalmente à carteira de todos nós.

Um accionista que deseja deixar de o ser,

As greves nos transportes e o “serviço público” (3)

Corporativismo e desestatização. Por Manuel Villaverde Cabral.

Por um lado, é certo que a primeira motivação dos actuais sindicatos é preservar os privilégios corporativos do pessoal, evitando a todo o custo a privatização das empresas estatais, praticamente todas falidas. Basta ver que há muitos anos só há greves de alguma importância nas ditas empresas estatais. Esta é a tarefa da CGTP. Por outro lado, o PCP, que nunca está longe daquele género de movimentações sindicais, tem interesses mais vastos: arruinar as empresas, aumentar a dívida pública, sair do euro e, como remate, apresentar a sua alternativa à nossa cambaleante democracia eleitoral…

Leitura complementar: Esta semana há greve nos transportes públicos.

As greves nos transportes e o “serviço público” (2)

Greve da PGA com adesão total, mas sindicato pondera novas formas de luta

Leitura complementar: Esta semana há greve nos transportes públicos.

Mais um contributo para a união da extrema-esquerda

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Movimento Juntos Podemos pode dar lugar a um novo partido

O Juntos Podemos pode transformar-se num novo partido para concorrer às próximas legislativas. Nada está fechado. “A fórmula organizativa vai ser discutida e aprovada democraticamente”, afirma ao i Joana Amaral Dias, uma das promotoras da assembleia do Juntos Podemos, um movimento que se inspira no Podemos espanhol.

Monty Python – Life of Brian – PFJ Splitters

As greves nos transportes e o “serviço público”

O meu artigo de hoje no Observador: Esta semana há greve nos transportes públicos.

Curiosamente, um motivo omnipresente nas tentativas de justificação das greves por parte dos sindicatos é a defesa do “serviço público” de transportes. É no mínimo estranho que a defesa do “serviço público” de transportes passe pela negação sistemática do serviço de transportes ao público. Mas além de assinalar a notória incoerência argumentativa dos sindicatos nas suas tentativas de legimitar o boicote sistemático dos serviços de transportes, importa perguntar por que é que o sector dos transportes é um alvo prioritário e recorrente para greves.

O resto do artigo pode ser lido aqui.

CP, TAP e “serviço público”

Doenças: CP ou TAP são questões de ‘patalogia não de ‘ideologia’. Por João Pereira Coutinho.

E quem fala na CP, fala na TAP, que prepara greve nos dias 27, 28, 29 e 30 de Dezembro. As datas comentam-se a si próprias. O que não se comenta é o estranho motivo que leva alguns comediantes a considerar estas empresas públicas como empresas de ‘serviço público’. Há quem fale em ‘ideologia’. Eu prefiro ‘patologia’. Se os defensores da CP ou da TAP tivessem o hábito recorrente de usar os respectivos serviços, a doença nacionalista passava-lhes depressa.

Abordo também o tema das empresas de “serviço público” de transportes – mas focado na questão das recorrentes greves – no meu artigo de amanhã no Observador.

O próximo primeiro-ministro

CostaSondagem da Eurosondagem para o Expresso e a SIC relativa ao mês de Dezembro:

  • PS:         37,5%
  • PSD:      25,2%
  • CDU:      10,1%
  • CDS/PP:  7,3%
  • BE:           3,3%
  • PDR:        2,2%
  • Livre:        1,7%

 

Esperemos pelo programa eleitoral. Claro que o programa de Governo será, depois das eleições, à semelhança do programa do PSD/CDS, muito diferente.

À esquerda

O meu artigo de hoje no Diário Económico sobre a viragem do PS à esquerda.

O PS virou à esquerda. Mas fê-lo, não para piscar o olho aos partidos daquela área política, nem em reacção à prisão preventiva de José Sócrates. O PS de António Costa vira à esquerda porque a nova geração de socialistas é de esquerda e visa a conquista do poder para aplicar um programa de esquerda.

Há muitas razões que explicam o fenómeno. Por um lado a lição retirada do Partido Socialista francês, que arrisca a divisão interna por não se ter posicionado atempadamente. Com Manuel Valls a puxar para o lado direito e Arnaud Montebourg para o esquerdo, dificilmente o PSF tem condições de se apresentar unido para defender Hollande em 2017.

Mas além do posicionamento táctico, há uma nova geração de socialistas, profundamente marcada pela queda do muro de Berlim e que, ironia do destino, viu nesse feliz acontecimento, não a confirmação dos erros do socialismo, mas a percepção de que a experiência merecia um acerto. Que, devidamente analisados os erros, se repetisse a dose, com as necessárias correcções. Refiro-me a pessoas que, em 1989, eram demasiados jovens para deitarem fora o sonho de mudar o mundo à sua imagem e que seguiram o seu caminho até ao último congresso do PS.

Na semana que antecedeu esse congresso, o Público deu espaço a um artigo de um militante socialista, Tiago Barbosa Ribeiro, que, criticando Francisco Assis, definiu o que o PS não pode ser. Neste, além da referência à queda do muro, dizia-se que o PS não pode entender-se com o PSD, mas sim virar-se para o Bloco e para o Livre. Não foi por acaso que, dias depois, Assis se tenha afastado dos órgãos dirigentes do PS.

E é precisamente Francisco de Assis que, nesse mesmo jornal e após esse mesmo congresso, nos alerta para o que denomina de esquerda proclamatória, porque sem ideias. Acrescento apenas, e recordando o artigo que escrevi nestas páginas a 3 de Outubro último intitulado “Um PS anti-Europa?”, onde aviso para o risco do PS vir a colocar em causa o projecto europeu que sustenta o presente regime, que a aclamação idealista dos extremistas está já a influenciar o partido socialista e ditará os termos do seu futuro programa político.

Os argumentos desta esquerda são fáceis de expor: recusam a dívida e a inevitabilidade das suas consequências. Por outro lado, é muito difícil encontrar políticos que defendam a redução do Estado e o fortalecimento das liberdades individuais. Logo, esta esquerda beneficia de um discurso populista enquanto a direita do espectro partidário, favorável que é à existência de um estado forte, protector e interventivo, fica presa à austeridade que é única forma de o salvar. É bem possível que o PS vença as próximas eleições. Estaremos, nesse caso, em condições de ver o nosso futuro e de concluir que o que nos aguarda, é tudo menos bonito.

Portugal com terceira maior subida do emprego da UE

Mais uma boa notícia relativamente à evolução recente do emprego em Portugal: Emprego em Portugal com terceira maior subida da UE ao crescer 1,4% no 3.º trimestre

Portugal registou, no terceiro trimestre do ano, a terceira maior subida da taxa de emprego na União Europeia, com um crescimento de 1,4% face ao trimestre anterior, segundo dados do Eurostat. (…) Já face ao mesmo trimestre do ano passado, o emprego aumentou 0,6% entre os países que partilham a moeda única e 0,9% no conjunto da UE, no terceiro trimestre. Neste caso, o crescimento do emprego em Portugal foi de 1,9%.

Henrique Leitão vence Prémio Pessoa

Um prémio justamente atribuído: Investigador Henrique Leitão vence Prémio Pessoa

Com 50 anos completos há pouco mais de um mês, o físico têm dedicado os últimos anos à investigação da história da ciência em Portugal. “Um interesse antigo, que se foi intensificando depois de finalizar o doutoramento”, contou ao Observador Henrique Leitão, acrescentando que se dedica a esta área a tempo inteiro desde 2002. Trabalhando na história da ciência como um todo, sobretudo nos séculos XV, XVI e XVII, o investigador valoriza sobretudo a história portuguesa. “O passado científico português é muito mais vivo do que se pensa.”

O Corporações sobre o caso BES

Finalmente, os 7 alter-egos que compõem a personagem pessoniana Miguel Abrantes, três dos quais o João Galamba, mais 4 que vieram como reforço de inverno após a vitória de António Costa, pronunciaram-se sobre o caso BES/Ricardo Salgado.

Em suma, tal como no caso Sócrates, é bom que Justiça/Governo/PSD/Cavaco/Passos Coelho/PGR que não Pinto Monteiro/Presidente do STJ que não o maçon Noronha Nascimento/todos excepto o cabecilha se pronunciem sobre o caso, revelando se tinham informação privilegiada sobre o BES, porque certamente que Ricardo Salgado desconhecia tudo, o pobre incauto.

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As trapalhadas de Costa não pagam taxa

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Contra o bota-abaixismo, a Taxa turística avança em Lisboa apesar das trapalhadas.

Leitura complementar: A longa marcha da Taxa Costa.

Os sindicatos da TAP

Tive alguma dificuldade em perceber como se organizam os 12 sindicatos da TAP. Como auxílio a essa árdua tarefa construí este diagrama de Venn, ilustrando assim sindicatos que sindicalizem sindicados em comum. Imagino que possa vir a ser útil a mais gente.

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No Fio da Navalha

O meu artigo no ‘i’ que, a partir desta semana, sai à quinta-feira.

O confronto que se segue

Milhares de pequenos empresários franceses manifestaram-se, no dia 1 de Dezembro, nas ruas de Paris e Toulouse, contra as políticas do governo que estão a estagnar a economia francesa. Há um mês, Karine Charbonnier-Beck, uma pequena empresária francesa, dona de um negócio familiar, confrontou em directo na TF1 o presidente Hollande. Em causa, a elevada carga fiscal e a excessiva burocracia que tiram competitividade às empresas e são responsáveis pelo desemprego, que se mantém acima dos 10.

A ânsia socialista de fiscalizar todo o movimento empresarial através, entre outras, da lei Hamon para o desenvolvimento da economia social e solidária (quanto maior o nome, maior a atrocidade), está a entravar as empresas com requerimentos, formulários e pedidos de autorizações que atrofiam, não só a economia, mas a própria capacidade de funcionamento de uma empresa e a motivação de quem trabalha.

Como referiu a sra. Charbonnier-Beck, a divisão já não se faz entre patrões e trabalhadores, mas entre quem trabalha, sejam empresários ou assalariados, e o Estado. É que, perante a estagnação económica, a classe política apostou em sobrecarregar o trabalho, como se um castigo fosse, em troco de popularidade eleitoral.

A doença continua, mas os anos passam e as carreiras políticas vão-se desenrolando pacificamente. E quando, por uma ou outra vez, os problemas vêm ao de cima, nada mais fácil que apertar o cerco em prol, é tão fácil dizê-lo, do bem comum, que mais não é que uma mão-cheia de nada.

Paguem, suiços!

Em 2012 aterraram no aeroporto de Lisboa 6,7 milhões de passageiros estrangeiros, dos quais 4,2 oriundos da União Europeia. Não é provável que a União Europeia permita discriminação entre cidadãos portugueses e de outros países da União Europeia, pelo que estes provavelmente não pagarão a taxa. Dos restantes 2,5 milhões, haverá alguns que são residentes no país e fazem múltiplas viagens durante o ano, pelo que também estarão isentos. Estimativas por alto, deverão sobrar cerca de 2 milhões de passageiros pagantes. Dois milhões de Euros não darão sequer para pagar a isenção oferecida ao Rock in Rio este ano.

Se fossem outros os protagonistas, certamente por esta altura já se classificaria tudo isto de trapalhada. Mas é António Costa, o Hollande português.

Taxas e taxinhas, excepções e excepçõezinhas

Depois da taxinha, vem a excepçãozinha:
Os passageiros com domicílio fiscal em território português vão ficar isentos do pagamento da Taxa Municipal Turística, que a Câmara de Lisboa pretende cobrar a quem aterrar no Aeroporto Internacional de Lisboa a partir de Abril de 2015.
Em relação a essa última vertente, o vice-presidente do município, Fernando Medina, tinha dito que não pagariam a taxa de um euro por noite as crianças e as pessoas que realizassem “estadias prolongadas” que comprovadamente não tivessem fins turísticos.

Com a excepçãozinha virá, claro, burocraciazinha, o jeitinho e, a quem não fizer bem a coisa, a multinha. A hiperactividade socialista irresponsável no seu esplendor.

Por favor não me ajudem, pensará ele

socratesO primeiro autor de um pedido de habeas corpus foi um jurista conhecido por ameaçar imolar-se num sofa regado com gasolina em protesto contra a sua universidade. O segundo apresentou o pedido em fotocópias de jornal. O terceiro é um sucateiro condenado por violência doméstica e envolvido em leilões manhosos com o badalado Manuel Godinho.

Não faz diferença, o que interessa é o Draghi

É bom recordar àqueles cujo conhecimento de economia é inversamente proporcional à forma aguerrida e proselitísta com que juravam que o yield das obrigações da dívida pública nada tinha a ver com a percepção do risco ou com os défices orçamentais, este simples gráfico. Um deles foi agora recentemente promovido ao secretariado nacional do PS, imagino que como recompensa pela sua acutilância económica.

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Yield até à maturidade das obrigações a 10 anos da Grécia e de Portugal, cabalmente demonstrando o efeito Draghi-dual, em que uma mesma acção pode gerar dois efeitos completamente distintos.