Syriza: a vacina com muitos efeitos secundários

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No ano passado estive de férias na Grécia. Com grande pena minha falhei as grandes e violentas manifestações da praça Syntagma, mas apanhei lá um desfile de orgulho gay, colorido e divertido, de que deixo aqui uma fotografia. Estive em Atenas (não muito tempo) e, como não sofro daquela aflição de tantos portugueses enfadados de só poder ir de férias para locais para onde tenham transporte aéreo sem escalas, alugámos um carro e fomos para uma praia a quatro horas de distância de Atenas.

A Grécia tem muito de parecido com Portugal. Os restaurantes e os hóteis, mesmo com crise e com resgate internacional, estavam com frequência abundante de gregos. As roupas e os carros não são assim tão diferentes dos nossos. Há, como se mostra acima, paradas LGBT. As aldeias perdidas longe de Atenas tinham as mesmas casas por pintar e muros só de cimento das aldeias perdidas longe de Lisboa, com as senhoras de idade vestidas de preto. E Atenas deve ter um presidente de câmara parecido com Costa, também às voltas com a recolha de lixo na capital, que acaba tornando os montes de lixo numa das features da cidade (fotografia abaixo, para verem como é igual).

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Mas também havia diferenças. Mais (ainda mais) casas com sinais de estarem à venda. Mais lojas fechadas (e bombas de gasolina e cafés) pelo meio de Atenas e pelas tais aldeias perdidas do que se vê por cá. A auto-estrada tinha com frequência trajetos em desuso ao lado, não de estradas nacionais substituídas pela auto-estrada mas de troços de auto-estrada substituídos por novos troços de auto-estrada – dando ideia do escrupuloso dinheiro dos contribuintes e dos credores que havia sido feito. Enfim, a nuvem da crise era mais opressora do que se notava em Portugal.

No meio disto tudo, o Syriza vai provavelmente hoje ganhar as eleições. E ou se hollandiza – e mostra em definitivo que o paleio da esquerda radical só serve mesmo para enganar os tolos – ou provocará o fim do financiamento à Grécia com a consequente calamidade económica, com ordenados e pensões e demais compromissos do estado grego por pagar. Claro que a vitória do Syriza pode ser a vacina que os europeus precisam para se relembrarem dos efeitos económicos das políticas da extrema-esquerda, e tirar as veleidades dos partidos de esquerda dos outros países, mas eu não sou cínica a ponto de desejar esta clarificação sacrificando um país e os gregos que não votam no Syriza.

Por cá é divertido sobretudo ver como não só no partido-irmão do Syriza, o BE, há entusiasmo por esta esperada vitória. O PS costista está carregado de gente com olhos arregalados de satisfação. O que diz muito do que é atualmente o PS – e como não percebem o país (Portugal, mesmo) nem o mundo.

Costa, Seguro e as sondagens

Sondagens: Costa e Seguro, duas faces da mesma moeda?

Janeiro de 2014: António José Seguro era líder do PS e os socialistas dominavam as sondagens com vantagens entre 8 e 13 pontos sobre o PSD. Janeiro de 2015: António Costa é líder do PS e domina as sondagens com vantagem para o PSD entre 6 e 11 pontos. A diferença é que Seguro à data era líder do partido há 26 meses, enquanto Costa o é há dois meses, mas, mesmo assim, os socialistas começam a olhar para a curva dos números com preocupação.

Leitura complementar: O Hollande de Lisboa?; Nuvens no horizonte de António Costa…; Dias difíceis no PS…

Compreender o putinismo XIII

Foto: AP

Foto: AP

Na Rússia, a fome voltou a ser patriótica.

Russian Deputy Prime Minister Igor Shuvalov, speaking at the World Economic Forum in Davos, on Friday warned the West against trying to topple President Vladimir Putin and said that Russians are ready to sacrifice their wealth in Putin’s support.

Russia has for the past year been sliding into recession amid a slump in its energy export prices as well as Western sanctions against Moscow’s role in the conflict in Ukraine that has claimed more than 5,000 lives. Questions have been raised in Russia and abroad whether the price that ordinary Russians are having to pay for the annexation of Crimea is too high.

Shuvalov, who is believed to be one of the richest men in the government, said that what he considers the West’s attempts to oust Putin will only unite the nation further.

“When a Russian feels any foreign pressure, he will never give up his leader,” Shuvalov said. “Never. We will survive any hardship in the country — eat less food, use less electricity.”

Shuvalov’s comments triggered pithy remarks on Russia social media including an opposition activist who posted photos of Shuvalov’s Moscow, London and Austria homes to illustrate where the deputy prime minister would experience the hardships he described.

Críticos da Sétima Arte em alta

AE

Apesar da confusão do crítico oriundo da Coreia do Norte, a crítica ao filme “A Entrevista” não pode deixar de ser clara.

O filme A Entrevista já rendeu muita dor de cabeça à Sony, por provocar a ira do regime norte-coreano e de hackers que invadiram o sistema de segurança da empresa em novembro passado. Agora, o longa é responsável por tirar o sono dos organizadores do Festival de Cinema de Berlim, já que o governo de Kim Jong-un acredita que o filme terá sua estreia em Berlim durante o festival, porque ambos acontecem no mesmo dia, 5 de fevereiro. “Esse filme claramente instiga o terrorismo“, diz um trecho do comunicado em tom de ameaça emitido pela emissora estatal norte-coreana, que também afirma que se A Entrevista for para a Berlinale, a Alemanha será vista como uma aliada dos Estados Unidos. Entretanto, o evento já divulgou a sua lista de filmes, e A Entrevista não está entre eles.

Dúvidas sobre a próxima tragédia grega

  1. Vai o Syriza conseguir maioria absoluta nas eleições de 25 de Janeiro?
  2. Obtendo apenas maioria relativa vai o Syriza coligar-se com outro partido ou tentar governar sozinho?
  3. Sendo a economia grega apenas 2% da Zona Euro, conseguirá o Syriza ter suficiente poder negocial para manter-se no euro e, ao mesmo tempo, reestruturar a dívida do país?
  4. Em caso de reestruturação da dívida grega (por outras palavras, incumprimento) que investidores privados estarão dispostos a financiar novos défices?
  5. Poderá o Quantitative Easing do Banco Central Europeu ajudar o financiamento do novo governo grego? E se este programa limita a compra a 33% da dívida de cada Estado-membro, onde irá a Grécia financiar os restantes 67%?
  6. Terá Alexis Tsipras suficiente margem de manobra financeira para cumprir as promessas eleitorais de maior despesa pública ou seguirá o caminho de François Hollande?
  7. Estará António Costa, secretário-geral do PS, à espera para ver o que acontece na Grécia para, só mais tarde, apresentar definitivas propostas eleitorais para as eleições legislativas portuguesas?

De regresso à normalidade lunática II

Foto: Maan Images

Foto: Maan Images

Hamas e Fatah de costas voltadas. E ontem estavam tão bem. Em Julho do ano passado, uma vez mais, os dois principais movimentos palestinianos apesar de terem acordadado na construção de um governo de unidade nacional palestiniano regressam aos confrontos políticos. Na altura, um dos principais líderes do Hamas em Gaza, acusou o governo de unidade palestiniano de ignorar a Faixa de Gaza e reafirmou o que era esperado – é possível que o Hamas volte a retomar o controlo político e militar da área. O autor das ameaças foi Abu Marzouk, dirigente político do Hamas que negociou o acordo de reconciliação nacional com a Fatah. Abu Marzouk responsabilizou também o Presidente Mahmoud Abbas pelo agudizar do conflito.
Sete anos após a última guerra civil palestiniana, a 23 de Abril último, o movimento islamista Hamas e a Autoridade Palestiniana assinaram o acordo de reconciliação nacional que instituíu a 2 de Junho um governo de unidade nacional transitório formado por seis meses, composto por tecnocratas cujos obejectivos maiores passam por incrementar a economia local e preparar as eleições, prevista para… Janeiro de 2015.
De regresso ao mundo real, o que desplotou na altura as critícas do Hamas foram os incumprimentos financeiros aos mais de 50 mil funcionários públicos afectos ao Hamas na Faixa de Gaza que deixaram de receber os seus salários, anteriormente pagos pelos islamistas. O Hamas pediu ainda a demissão dos quatro ministros do governo de unidade nacional que se encontram colocados no território da Faxa de Gaza  em protesto pela falta de pagamentos e pelo facto de Mahmoud Abbas nunca ter visitado Gaza após o acordo de constituição do governo de unidade nacional.
A História tem todas as condições para voltar a repetir-se. Hoje um carro explodiu. já tinha acontecido este espisódio, Terça-feira.

No Fio da Navalha

O meu artigo de hoje no ‘i’.

A Grécia está tramada

A Grécia vai ter eleições legislativas neste domingo, mas a Europa já não sustém a respiração por isso. É que, ao contrário do que aconteceu no passado, desta vez o trabalho de casa foi feito e o risco de saída da moeda única por parte da Grécia é menor.

Nos últimos anos, enquanto os gregos foram fazendo pequenos, embora dolorosos, ajustes nas contas do Estado, o financiamento vindo da troika serviu para comprar tempo e proteger os credores não institucionais da Grécia. Se antes seriam os bancos a perder com o incumprimento grego, agora o prejuízo já será suportado por instituições como o Mecanismo Europeu de Estabilização Financeira, o BCE e o FMI, que detêm cerca de 3/4 da dívida pública grega.

Há risco, mas o efeito dominó está controlado. Falando mal e depressa, a Europa tramou a Grécia. No fundo, e se tivermos em conta a forma como a Grécia falseou as contas públicas, podemos dizer que lhe pagou na mesma moeda. Agora os gregos estão em maus lençóis. Por muito que o líder do Syriza, Alexis Tsipras, ameace, o certo é que os países nórdicos, com a Alemanha à cabeça, já não se assustam.

É que os gregos não têm grande alternativa: ou perdem ficando no euro, com a política de austeridade em cima, ou perdem muito mais, saindo da moeda única e sofrendo com uma drástica desvalorização da moeda nacional, uma inflação galopante e a pobreza repentina de milhões de pessoas. Se houver sensatez, e tanto se tem ouvido dizer que ela paira no Syriza, a vitória deste vai mudar pouca coisa.

União de facto

Quando os meios justificam os fins: a esquerda radical perante a jihad, a opinião de Rui Ramos no Observador.

Para uma parte da esquerda radical europeia, os jihadistas são o elemento de confronto violento necessário para destruir a democracia liberal e o capitalismo. São os Baader-Meinhof com o Corão. (…)

À esquerda, o radicalismo assentou sempre no culto da violência, concebida como o grande recurso emancipador (George Sorel, em 1908, explicou o que havia a explicar a esse respeito). Fechada a loja dos Baader-Meinhof e das Brigadas Vermelhas, esse culto pôde parecer — como em Violence, de Slavoj Zizek (que, curiosamente, nunca cita Sorel) — um mero devaneio intelectual, sem passagem para a acção: uma espécie de American Psycho (ou, neste caso, Marxist Psycho). O fanatismo armado da jihad mudou tudo, como no poema de Yeats (“a terrible beauty is born”…). Zizek ainda espera substituir o Corão por Marx no bolso dos jihadistas. Mas isso seria apenas um bónus. O que o excita, no caso do Charlie Hebdo, é que, finalmente, há “paixão” contra a democracia liberal. Não são os “bons” (a esquerda radical doutorada em Marx e em Lacan) que manifestam essa paixão? Algumas das suas vítimas são até camaradas de radicalismo? Paciência. Sigamos a paixão, neste caso: o jihadismo. (…)

o governo liberal, parte 3658ª

Este Moreira da Silva é uma estirpe letal de um virús estupidificante com que por algum grande azar Portugal se contaminou.

Vejam bem onde chegámos: as empresas de grande distribuição planearam as suas compras de consumíveis para os seus negócios sem pedir autorização ou sem dar cavaco às políticas imbecis do ministro do ambiente.

E agora, aparentemente em nome da proteção ambiental que a fiscalidade verde pretende trazer, milhões de sacos de plástico já produzidos vão ficam a envelhecer num qualquer armazém porque já não podem ser usados. O ambiente que se lixe – bem como os recursos que foram gastos a produzir e, eventualmente, a destruir estes sacos de plástico não usados – o que interessa é a taxinha daquele ser vivo de espécie indeterminada que preside ao ministério do ambiente.

Alemanha vs. Grécia – Modelos de desenvolvimento

Outra nota à análise de ontem de Miguel Sousa Tavares (MST) na SIC, desta vez sobre as eleições gregas, a austeridade e a Alemanha. MST comparou, não foi o primeiro a fazê-lo, a dívida da Grécia à da Alemanha no final da segunda guerra mundial, como pretexto para a necessidade de a Europa ser mais complacente com os gregos.

Dito assim parece lógico. Mas não é. Entre os dois casos há uma diferença abissal. A dívida alemã foi fruto das guerras que marcaram a primeira metade do século XX. Já a dívida grega é fruto do modelo de desenvolvimento da Grécia. A dívida alemã foi paga porque a Alemanha se desenvolveu. A dívida na Grécia foi contraída porque a Grécia se desenvolveu.

Ou seja, há algo de errado no modelo de desenvolvimento grego que não havia no alemão. É isto que tem de ser analisado e corrigido. É isto que deve ser exigido aos gregos e não aos alemães.

Um pavão egocêntrico

pav_o_coloridoUma coisa que tem piada nesta fabricada indignação com algo que o Secretário de Estado do Turismo não disse é que nos dá a oportunidade de ver o egocentrismo de um pavão a funcionar. Juntamente com a sua sarcástica gargalhada facebookiana, Rui Moreira coloca quatro recortes de jornal onde supostamente aparece a promover a cidade do Porto. Os artigos sucedâneos que têm surgido mencionam esse facto, como prova inequívoca do mérito do presidente da CMP na promoção da cidade.

Acontece que uma olhadela mais cuidada sobre os quatro artigos em causa mostra que os mesmos nada promovem a cidade. Três são das semanas que se seguiram às eleições autárquicas e noticiam o facto inédito de um independente ter ganho a câmara do Porto. São os do (International) New York Times, do Libération e do El País. O quarto, da revista Monocle, é de Abril de 2014, sendo na essência uma “vanity piece” que nos dá a conhecer o ego de Moreira; e este deve realmente ser bastante grande, pois para apresentar estes artigos como exemplos do seu papel na promoção da cidade, ele terá de achar que a sua eleição é suficiente para trazer turistas a rodos para a cidade. Ou então que os 75 e picos mil leitores da Monocle ficarão tão impressionados com o seu perfil que farão uma incansável campanha word-of-mouth a promover o Porto.

Mais um bode expiatório

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Se há arte em que o português é exímio, é a arte de culpar o outro. O aumento dos juros da dívida soberana? Culpa dos especuladores. A austeridade? Culpa da Merkel. A mulher espancada? Culpa do Benfica que perdeu o jogo. O ataque terrorista? Culpa da austeridade, da Merkel e da liberdade de expressão, e provavelmente ainda sobrará espaço para culpar os especuladores, através de um intrincado raciocínio ao nível da Ana Gomes.

A atentar pelos comentadores profissionais que à 3ª comentam a bola mas à 4ª são especialistas em tudo, a nova senda na arte de expiar culpas é o brasileiro. A PT? Culpa dos brasileiros. A TAP? Culpa dos brasileiros. Alguém em Portugal decidiu comprar 1/4 de uma empresa da segunda liga das telecomunicações brasileiras pelo seu então valor de mercado? Culpa dos brasileiros. Alguém em Portugal aceita uma fusão, que, em boa verdade, foi uma absorção da PT pela congénere brasileira? Já sabemos de quem é a culpa. Alguém em Espanha decide comprar a Vivo por um valor exorbitante, inundando a PT de capital que foi posteriormente muito mal aplicado? Esta era para enganar. Culpa dos espanhóis, certamente. Se ao menos não tivessem comprado a Vivo. Alguém em Portugal decidiu comprar uma empresa de manutenção terrestre no Brasil que estava à beira da falência e com uma alavancagem de quase 5x o valor da empresa? Culpa dos brasileiros.

Esta falta de reflexividade e de auto-crítica é característica de quem não tem a humildade para assumir os seus erros e responsabilizar-se por isso. Porque, esse sim, é um exercício custoso, só ao alcance dos mais dignos.

Correia de Campos e Paulo Macedo: descubra as semelhanças

Excelente análise de Luís Aguiar-Conraria: Um novo Correia de Campos?

Isto é extraordinário. Nos anos anteriores, nunca ninguém morria nas urgências. O que também era extraordinário. Isto é tudo tão extraordinário que nem sei o que é mais extraordinário.

Isto faz lembrar os últimos tempos de Correia de Campos como Ministro da Saúde. Se bem me lembro, de um momento para o outro, as mulheres começaram a parir em barda nas ambulâncias. Penso que até houve um bebé que nasceu num helicóptero a caminho de uma maternidade. O mais fantástico deste fenómeno foi que mal o ministro caiu as mulheres deixaram de ter filhos nas ambulâncias. Uma explicação possível é a queda de natalidade.

Entretanto, no que diz respeito a notícias com base em dados estatiscamente significativos, a realidade é esta: Nunca morreram tão poucas crianças em Portugal

Em 2014 registaram-se em Portugal 238 mortes infantis, até ao primeiro ano de vida, o valor mais baixo de sempre em números absolutos.

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PT: de intervenção em intervenção até ao colapso final ?

PT: CMVM vai pedir mais informação à PT SGPS a três dias da assembleia geral
Ações da PT tocam mínimo histórico a três dias da assembleia-geral de acionistas

Notícias sobre o futuro do euro

Depois de a Suíça se ter tornado, na prática e por iniciativa própria, no primeiro país a “sair” do euro, vale a pena salientar também a continuação deste movimento: Bundesbank repatriou 120 toneladas de ouro em 2014

O Bundesbank, o banco central alemão, repatriou para Frankfurt 120 toneladas de ouro em 2014, procedentes das caixas-fortes no estrangeiro e mantém a intenção de ter em 2020 metade das reservas de ouro nas suas próprias caixas-fortes.

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Prophýlaxisghk

Do grego prophýlaxisghk, profilaxia é um termo clínico que significa um tratamento preemptivo para conter uma doença. Com 7 p.p. de vantagem sobre o Nova Democracia, o Syriza será o melhor tratamento profilático para Portugal e para o resto da Europa. Queira António Costa que o partido da extrema-esquerda radical perca as eleições, pois todo o argumentário anti-austeridade se esgotará nos primeiros seis meses de Alex Tsipras. Tsipras não é Hollande. Assim que a Grécia colapsar poucas desculpas restarão, e a inevitabilidade de ter contas públicas em ordem e um orçamento equilibrado tornar-se-á, mais do que um imperativo económico e financeiro, um imperativo político.

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Syriza na frente com quase 7 p.p. de vantagem. É caso para António Costa estar preocupado.

 

Um atentado à portuguesa

Sim, temos de tirar os esqueletos do armário e exorcizar fantasmas daquela coisa podre que Mário Soares chama democracia. Para podermos, de facto, ter uma democracia.

‘E de facto, tudo o que é revelado no Correio da Manhã, mais o que consta há muito tempo, configura não só um padrão de actuação, mas uma filosofia: a de alguém para quem o essencial da política não é persuadir os cidadãos e debater com os adversários, como nas democracias, mas acumular meios de controle, manipulação e impunidade, como nas ditaduras.

Perante tudo isto, não basta tratar o Correio da Manhã como um jornal “sensacionalista”, e confundir estas notícias com as revelações sobre o fim do namoro do Ronaldo, de que não se fala nos salões bem-pensantes. Também não basta dizer que há uma investigação judicial a decorrer, e que não se pode tomar conhecimento do que transpira na imprensa. O regime tem a obrigação de esclarecer se o que corre sobre alguém que liderou um dos maiores partidos portugueses e governou este país durante seis anos – e que, no que é politicamente relevante, vai muito para além da chamada “Operação Marquês” — é ou não é verdade.

Se for verdade, teremos de reconhecer que a democracia portuguesa enfrentou uma verdadeira conspiração a partir do poder, e que só a crise financeira de 2010-2011, ao arruinar o socratismo, poupou o regime ao domínio de uma facção sem escrúpulos e à confrontação política que fatalmente resultaria desse domínio. Desde há 40 anos, ensinaram-nos a reconhecer um golpe de Estado: o parlamento fechado com tanques à porta, e um general de óculos escuros, na televisão, a anunciar a proibição dos partidos e a censura à imprensa. Ninguém nos preparou para outra hipótese: a degradação por dentro do próprio regime, através de combinações entre os oligarcas para diminuir de facto a liberdade e a transparência da vida pública.’

Rui Ramos, num texto a ler completo aqui.

Quem paga impostos em Portugal?

A Direcção Geral do Orçamento publica dados interessantes sobre a colecta de impostos na sua apresentação do Orçamento de Estado, dados esses úteis para desmistificar a ideia falsa, muito propagada pela esquerda, de que os ricos não pagam o que deviam.

1. Quem paga o IRS em Portugal?

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Como é fácil de constatar, o top 9% da distribuição de rendimentos paga 70% de todo o IRS. E o top 1% é responsável por 28%, um quarto de toda a receita fiscal proveniente do IRS.

2. Quem paga o IRC em Portugal?

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De forma ainda mais acentuada é o top 9% das empresas que paga a parte mais substancial do IRC, o que neste caso vai até aos 83%. Convém recordar que uma empresa, não obstante ter figura jurídica, não existe: não come, não dorme, não fala. E, no entanto, paga impostos por duas vias: taxando os lucros, um péssimo desincentivo ao reinvestimento; taxando os seus accionistas, através dos dividendos. Esta percentagem refere-se somente ao IRC, sendo que os dividendos estão incorporados no IRS.

3. O que é ser rico em Portugal?

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Segundo a distribuição de rendimentos, alguém que aufira 1600€ por mês (+ de 20 000€ por ano) está no top 20% dos mais ricos de Portugal (medida em % dos rendimentos e não da riqueza).

4. E o IVA?

Não é tão fácil determinar quem paga o IVA por escalão de rendimento, mas um simples exercício teórico poderá ajudar a elucidar. Consideremos uma família pobre de parcos rendimentos que consome, sujeito a IVA, cerca de 400€/mês, e paga um aluguer de 500€/mês. Embora a maior parte desse consumo seja em bens de primeira necessidade, sujeitos à taxa mínima de 6%, consideremos que a média é de 13%. Assim sendo, essa família pagará de IVA, no final do mês, cerca de 52€ do consumo mais cerca de 115€ do arrendamento. Totaliza 167€ mensais, aproximadamente.

Agora consideremos uma família abastada que adquire um Mercedes Classe S no valor de 120 000€. Pagará de IVA aproximadamente 27 600€. Ora, serão precisos quase 14 anos para que a família pobre pague tanto de IVA quanto pagou a família abastada numa só compra, excluindo todas as outras despesas.

Palhaços

pav_o_coloridoNão ia voltar ao assunto do pavão desossado  até porque a paciência para animais esgota-se-me em casa com o Ozzy (cruzado de griffon e labrador, um simpático e um querido) e com as duas  gatas (a Mimi e a Angelina Jolie) que partilham o escritório comigo. Mas não há maneira, animal que é animal volta à carga e não nos deixa alernativa.

Desta vez é um mamífero (?) no JN que também não sabe sequer ouvir. Já não se pede que saiba ler, ou que consiga pensar e cagar ao mesmo tempo. Na entrevista do Secretário de Estado do Turismo que o bípede refere, este distribui louros por toda a gente excepto a si próprio que, com a excepção dos privados envolvidos, merece mais que ninguém. Mas pronto, há sempre cavalgaduras dispostas a fazer fretes, Tenho para mim que estas inanidades vêm escritas da sede concelhia do PS, escritas pelos miúdos a cheirar a mijo. É a vida.

Charlie e nós

Charlie e eu. Por P. Gonçalo Portocarrero de Almada.

Se amanhã alguém metralhar uma sinagoga judia, eu serei, com eles e por eles, judeu. Se uma milícia massacrar os alunos de uma escola palestiniana, norte-americana ou paquistanesa, eu serei um desses estudantes. Se algum fanático matar, em nome de qualquer ideologia ou religião, uma prostituta, um toxicodependente, um sem-abrigo, um travesti, um pagão ou um fiel de outra religião, eu serei tudo isso, sem deixar de ser cristão. (…) Não faço minhas as declarações dos católicos que, por se considerarem justos, dão graças a Deus por … não serem Charlie. Eu também não o sou, mas estaria disposto a sê-lo, para defender a liberdade das vítimas, sejam ou não mártires. Não apesar de ser cristão mas, precisamente, porque o sou.

Dias difíceis no PS…

Além das sondagens (que insistem em não confirmar as expectativas criadas por altura da vitória que removeu António José Seguro da liderança do PS) e dos primeiros sinais públicos de contestação interna à liderança de António Costa, agora é o lançamento de António Vitorino na corrida presidencial a sugerir que se vivem dias difíceis e de crescente incerteza interna no PS.

“socialismo é liberdade e abundância”

Tal como na Venezuela, na Coreia do Norte também não prestam a devida atenção a investigadores como Raquel Varela e por isso ainda não descobriram que “socialismo é liberdade e abundância”: Falta de comida e dinheiro estão a levar norte-coreanos a atravessarem fronteira com a China

Pode ser encarado como reflexo de desespero. A China enfrenta uma onda de assaltos violentos, que resultaram em algumas mortes, e os autores são, alegadamente, soldados norte-coreanos que estão a atravessar a fronteira em busca de comida e dinheiro. O fenómeno está a levar muitos chineses a abandonarem as localidades onde vivem.

Leitura complementar: Raquel Varela, o Povo e os porcos.

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Nuvens no horizonte de António Costa… (2)

maioria silenciosa? Por Rui A.

O que me parece é que os portugueses não são parvos, ou não há tantos parvos como alguns julgam, e que existe uma significativa percentagem de eleitores que sabe muito bem o que aconteceu neste país, para os quais não são suficientes dois dedos de conversa para ficarem convencidos de que, afinal, nada de muito grave se passou antes do governo de Passos Coelho. Se esse número de eleitores silenciosos é uma maioria ou uma minoria, logo se verá. Mas desconfio que esta relutância do PS em falar claro aos portugueses sobre o que lhes aconteceu e sobre como lhes poderá assegurar que não voltará a acontecer, lhe irá sair caro.

Leitura complementar: Nuvens no horizonte de António Costa…