Sucessor de Costa na CML

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O sucessor de António Costa na Câmara Municipal de Lisboa, Fernando Medina, é economista e toca piano. Só falta acrescentar que esteve nos dois mandatos de José Sócrates e acha que este fez “coisas grandiosas” (sic). Deve estar a referir-se, presumimos, às grandiosas auto-estradas, ao grandioso esbanjamento do Parque Escolar e ao grandioso aeroporto de Beja. E também acha que não podíamos ter evitado esta crise, que nem o navio de Ulisses atraído pelas sirens nos poemas épicos de Homero.

Esta “renovação” do PS é um prelúdio do que implica a mobilização de António Costa. E valida o organograma já aqui apresentado.

No Fio da Navalha

Esta semana no ‘i’ meto-me com o Nuno Ramos de Almeida.

Mudar o mundo

Nuno Ramos de Almeida, que assina a coluna aqui do lado, escreveu na edição da passada terça-feira deste jornal sobre a não aceitação do mundo tal como ele se nos apresenta. Um esforço meritório da sua parte, que merece um comentário meu muito breve.

É que, ao contrário do que refere o Nuno, a não aceitação do mundo não pressupõe a sua transformação, mas a não conformação individual com este. Dito da forma o mais simples possível: se o Nuno Ramos de Almeida não gosta da realidade em que vive, deve procurar resistir-lhe, nos pontos em que tal lhe diga directamente respeito e nunca na medida em que afecte terceiros, satisfeitos que possam estar com essa mesma realidade.

Esta diferença, que pode parecer ténue – na verdade trata-se de formas de não aceitar a imposição que a maioria faz das regras do jogo -, não é tão pequena assim. Ela separa um revolucionário de um liberal clássico. Distingue alguém que quer construir tudo de cima a baixo, de outrem que, mesmo não apreciando a realidade tal qual esta se mostra, a compreende e respeita.

Não deve ser por acaso que o texto do Nuno está quase todo escrito na primeira pessoa do plural. O que não deixa de ser engraçado pois está assinado por ele e mais ninguém. Melhor ainda: não me inclui a mim, que, tal como o Nuno, não me costumo rever na maioria. É curioso como a não aceitação do mundo começa por não aceitar generalizações.

Notas sobre o duelo de cavalheiros (enfim, são o contrário disso)

Sobre Costa haverá muito a dizer. O sentimento de entittlement sobre a coisa pública que carrega, visível na suprema lata com que mantêm o cargo (e o ordenado) de presidente da CML enquanto passa quatro meses a passear-se pelo país em trabalho eleitoral das primárias do PS, ou como afirma que não devia ter dado oportunidades a Seguro, como se lhe coubesse permitir que Seguro (acaso fosse capaz) brilhasse. O seu percurso profissional, sempre feito na política e na traiçoeirice que esta proporciona, que nos garante desde já que teremos um pm que não faz a mais pequena ideia do que é, por exemplo, uma PME (daquelas, que são a maioria, que não vivem empoleiradas no dinheiro dos contribuintes, que essas Costa provavelmente conhece muito bem). A sua produção assustadora de banalidades, tanto mais grave quanto faz da política vida há décadas, revelando que é apenas um gestor de dinheiros e de tachos, que ideologia não tem nenhuma e é incapaz de alinhavar ideias que vão além de tonterias como ‘tenho visão estratégica’, ‘precisamos de uma agenda para a década’, o que faz falta ‘é aumentar a riqueza’. Mas isso fica para depois. Para agora uns pequenos apontamentos sobre as primárias e o PS segurista.

1. As primárias foram um sucesso, muitos simpatizantes votaram, saiu delas um vencedor com imensa legitimidade. Usemos mesmo um cliché: um lindo exercício de cidadania. Os simpatizantes que votaram estão de parabéns. Mas, como já referiu José Manuel Fernanades, por exemplo, votou muito menos gente proporcionalmente que noutros países. Porquê? Em minha opinião, pela mesma razão das vitórias pífias do PS (cuja culpa de facto não foi só de Seguro): o PS foi um partido despesista desde 1995 até 2011, ano em que se não fosse a troika teríamos falido. Os eleitores não são parvos (apesar de terem votado duas vezes em sócrates) e sabem perfeitamente quem nos trouxe até estes 3 anos de garrote.

2. Todos os métodos de escolha de líderes partidários serão certamente melhores do que as diretas aos militantes. Este tipo de eleições trouxe-nos sócrates e Passos Coelho. Ganhavam os líderes que melhor controlavam o aparelho – i.e., que mais prometiam e que maiores benesses tivessem possibilidade de ganharem para os aparelhistas. As diretas em si próprias eram a garantia que o estado continuaria a servir os interesses dos aparelhos partidários e, logo, continuariam mastodôntico, alarve, em processo de hiper-obesidade acelerada. Com as primárias a escolha do líder volta a fugir apenas destes critérios, porque os simpatizantes não votam com o cargo x em vista. É, para mim, uma gigantesca melhoria.

3. Claro que nenhum partido que quer governar pode ter um líder como Seguro. Quem vai votar com confiança num so called líder que afirma ter-se anulado durante vários anos? E depois de ter dito o disparate quando Costa lhe contestou a liderança, ainda veio repetir a imbecilidade nestas últimas semanas. Se o próprio garante que não se consegue afirmar, quem se daria ao trabalho de o contrariar? E a moção de censura do PCP, lembram-se da figura? E quem leva a sério o seu recém distanciamento face a sócrates se durante anos se fingiu orgulhoso da governação socialista que sempre isentou de culpas? Enfim, Seguro não precisa de inimigos quando se tem a si próprio.

4. Aparentemente há vida inteligente no PS, que entende – além das culpas do PS na crise de 2011 – o erro crasso que será dar a entender ao eleitorado que se pretendem coligações de governo com o PCP ou que a CRP é afinal um documento datado m algumas partes. Seguro e este PS que, pelos vistos, raciocinam podem bem questionar-se: não estaria o PS em píncaros nas sondagens se, e com este governo azelha que resolve tudo com mais um aumento de impostos, se tivesse em devido tempo distanciado de sócrates e mostrado que havia compreendido o que as políticas socráticas fizeram ao país? É que às vezes há recompensa por fazer o que está certo.

Podia-lhe ter dado para a solidariedade

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Alá falou-lhe ao neurónio e ele foi obrigado a decapitar uma colega de trabalho. Incidente que as autoridades logo se prontificaram a confirmar que não tinha nada a ver com o Islão.

O PS e António Costa depois das primárias

O debate sobre as primárias no PS em que participei hoje de manhã na Antena 1 pode ser ouvido integralmente aqui.

No dia seguinte às eleições primárias no PS cujo vencedor foi António Costa, o jornalista Nuno Rodrigues modera um debate com a participação do professor de Ciência Política da Universidade Católica André Azevedo Alves, com o comentador de assuntos políticos da Antena 1 Raúl Vaz e com a editora de Política da Antena 1 Maria Flor Pedroso.

Os desafios de António Costa

Os 14 desafios de António Costa. Por David Dinis.

Abrir portas no PSD para um futuro Governo: o novo líder terá de pedir a maioria absoluta, mas sabe que isso é difícil (só uma vez o PS o conseguiu, com Sócrates e contra Santana Lopes). Por isso, Costa saberá que tem construir pontos com futuros parceiros de coligação, para que governar a partir de 2015 (se vencer, claro) não seja uma missão impossível. Abrir portas e construir pontes com o PSD (com o de Rui Rio, ou de outros potenciais candidatos à substituição de Passos) pode ser crucial no ‘day after’. O difícil é conciliar isso com um discurso de campanha eleitoral, onde a crítica ao Governo será permanente. Há alternativas? Sim: o CDS, ou a esquerda (com quem Costa nunca se cruzou), ou os novos partidos (o de Marinho Pinto, entre eles). Mas não se sabe se os votos chegam – e se não é mais fácil estabelecer consensos ao centro.

Adivinhem quem voltou

Parece haver poucas dúvidas que António Costa sairá vitorioso. Está de parabéns António Costa e os seus seguidores. Em rigoroso exclusivo, o Insurgente apresenta aqui os primeiros cartazes do PS para as eleições legislativas do próximo ano.

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Um mau prenúncio… (2)

Um homem, aparentando ter mais de 50 anos de idade, foi transportado por uma ambulância do INEM para o Hospital de Braga, queixando-se de dores no peito e apresentando ferimentos, na sequência de uma rixa que opôs apoiantes de António Costa e de António José Seguro, na Escola Básica 2+3 André Soares, uma das maiores secções de voto nas primárias do PS do país. (…) O JN testemunhou o início do desacato, pelo que pode confirmar ter sido causado por disputas eleitorais. Apesar disso, agentes do Partido Socialista local insistiram em negar que a origem da cena de pancadaria fosse partidária.

Um mau prenúncio…

Pancadaria entre apoiantes de Seguro e de Costa em Braga

Vários apoiantes dos dois candidatos às primárias no Partido Socialista – António José Seguro e António Costa – envolveram-se numa cena de violenta pancadaria na Escola Básica 2+3 de André Soares, uma das maiores secções de voto do país.

Primárias no PS: optimismo e confiança

No final do dia de hoje, alguém estará muito desiludido…

Costa: “Estou obviamente otimista”
Seguro: “Estou muito, muito confiante no resultado destas eleições”

Primárias no PS: Seguro apresenta queixa contra Costa

Seguro apresenta queixa contra Costa

Em causa está um sms que a candidatura de António Costa terá enviado este domingo, dia de eleições, a apelar ao voto. A Comissão Eleitoral já notificou Costa, que diz ter sido um “erro processual”.

Notas sobre as eleições do PS

1. António José Seguro não percebe o problema que afecta o PS. Durante toda esta campanha, nunca se cansou de dizer que António Costa “abriu uma crise” no PS depois das eleições europeias, quando o PS já estava em crise antes e o resultado dessas eleições apenas veio pôr a nu a sua gravidade. Mais até que a parca quantidade de votos que o PS recolheu, foi a sua qualidade que mostra como Seguro fracassou por completo na liderança dos socialistas: excluindo os fiéis e os clientes, quem votou no PS fê-lo por repulsa do Governo, não por genuína convicção de que o PS mudará o país nos próximos anos. E não é difícil de perceber porquê

O governo de Sócrates pôs-nos no estado em que estamos, e a actual liderança nunca viu grande mal nessa política. Agora que diz ter “saído da gaiola”, Seguro encena uma ruptura, mas a política que propõe em nada se distingue da que o “engenheiro” entendeu seguiu durante os tempos de “festa”. Acresce que existe na generalidade da população a percepção – certa ou errada, suficiente para que ninguém preste grande atenção ao que diz e muito menos confie nas suas palavras – de que por muito que Seguro critique o Governo e prometa gritar com a “sra. Merkel” para que a Alemanha nos subsidie, não irá, caso receba as chaves de São Bento e do governo do país, conduzir uma política muito diferente da “austeridade” que Passos Coelho tem seguido. Como escrevi após às europeias, a única solução política que poderia sair deste impasse seria a chamada à governação, em simultâneo, do poder decrépito e da alternativa ainda em gestação. “Solução” essa que não solucionaria grande coisa. Em vez de produzir um poder forte, conseguiria apenas trazer duas fraquezas para a sua sede, que não juntariam outra coisa além do desprezo generalizado de uma população que já o nutre em abundância por ambas as partes, e que tenderia a acentuá-lo se fizessem um cozinhado deste género. Além de que, o que não é irrelevante, traria para dentro do governo um conflito político que deveria estar fora dele, no parlamento e na sociedade em geral. Esta “solução” seria assim apenas provisória, e com a agravante de degradar as já de si muito precárias condições de exercício do poder num país com cada vez maior desconfiança na classe política. O “Bloco Central” pode ter servido em 83/85, mas convém não esquecer que a seguir veio a adesão à CEE e os seus abençoados fundos, um verdadeiro maná caído dos céus berlinenses que permitiu camuflar os nossos males internos e as querelas insanáveis que eles tendem a produzir. Mas em 2016 ou 2017 não virão fundos, antes exigências de “austeridade” e de medidas impopulares.

Assim, é evidente para quem queira ver que uma mudança de liderança no PS – e no PSD, e no CDS – é mais do que necessária.

2. António Costa percebe este problema (e por isso avançou), mas não será uma verdadeira solução para ele. Como já aqui escrevi, nas nossas democracias modernas, que enfrentam uma crise de sustentabilidade do Estado Social, os eleitores votam, em grande medida, não a favor de uma qualquer das alternativas à disposição, mas contra quem estiver no Governo, com o propósito de não perderem o que ainda não lhes foi tirado; chegado ao poder, qualquer partido tem logo de aplicar medidas de consequências duras e impopulares, e logo o descontentamento que arrumou com o antecessor se vira contra o novo poder, e com tanta mais força quanto foi dito aos eleitores que os sacrifícios anteriores eram excessivos ou escusados.

Ainda recentemente, na Quadratura do Círculo, Costa dizia – com razão – que o actual Governo foi parar ao poder dizendo que iria cortar nas “gorduras do Estado”, para logo descobrir que as “gorduras” não eram assim tantas, e que só atacando os problemas estruturais da despesa pública se poderia controlá-la. Mas, analisando o discurso de Costa, o que tem dito ele, senão exactamente o mesmo que critica no actual governo? Costa tem dito insistentemente que o governo foi demasiado longe na sua “austeridade”, e que haveria outras maneiras de cortar na despesa. A não ser que mude radicalmente de discurso, Costa talvez consiga ir morar para São Bento, mas apenas para logo quebrar as promessas explícitas ou implícitas que fará para lá chegar. É por isso que duvido António Costa, mesmo que pretenda vir a realizar reformas que pudessem contribuir positivamente para o futuro do país, venha a ter condições para as realizar. A única forma de ultrapassar o problema posto pelo “Síndroma de Hollande” só poderá passar por não esconder aos eleitores as dificuldades que os esperam, e convencê-los da sua necessidade. Sem o fazer – e nada até hoje mostra que António Costa tenha vontade de o fazer – Costa repetirá o destino de Holande, e nunca será mais que um pequeno interregno da crise do sistema político português, não a sua solução.

3. Ganhe quem ganhar amanhã, a peixeirada não vai ficar por aqui, pois o formato das “primárias” socialistas está repleto de problemas. Em primeiro lugar, na sua abertura aos “simpatizantes” do partido, uma figura nebulosa que permite aos caciques locais das “federações locais” tornearam os cadernos eleitorais dos seus militantes e, através das artes que melhor dominam, arregimentar uns quantos “carneiros” à boa velha maneira oitocentista e pô-los a votar no seu candidato preferido. Assim, sob a capa de uma abertura do partido ao país e de uma retirada de poder do “aparelho”, dar-se-ia a este última carta branca para as suas mais típicas tropelias. Se, por exemplo, António José Seguro ganhar, António Costa poderá sempre alegar que o processo eleitoral foi pouco claro, e não aceitar o resultado como legítimo.

Ao mesmo tempo, se ganhar, António Costa não acederá logo ao poder no Rato. António José Seguro continuará a ser o Secretário-Geral. É verdade que disse que se demitiria caso Costa o derrotasse, mas nada garante que cumprirá a promessa, e também ele poderá alegar irregularidades no processo eleitoral, ou pura e simplesmente não ter vergonha na cara (e se algo ficou evidente nos últimos meses é que não tem nenhuma). E mesmo que cumpra a promessa, ainda terão que haver eleições directas para Secretário-Geral e um Congresso para eleger os órgãos do partido, e portanto ainda alguns meses passarão até que a guerra civil com que se têm entretido nos últimos tempos seja resolvida.

4. Enquanto isto, o país vai apodrecendo, e a tendência é para piorar. Mas pelos vistos, isso é coisa que pouco importa para aqueles lados.

O posicionamento ideológico de António Costa

Estes tipo de testes deve ser encarado com cautela – e o Political Compass tem além disso algumas fragilidades específicas – mas este é ainda assim um exercício interessante: Costa mais à esquerda que Tsipras e que Dalai Lama.

É pena que António José Seguro não tenha respondido. Seria ainda mais interessante comparar os resultados dos dois.

Pedro Passos Coelho e a Tecnoforma

Tecnoforma era o “principal mecenas” da ONG de Passos Coelho, mas não diz quanto dava
Passos: pagamento de despesas sim, salários não
Passos explicou-se. Pena ter demorado tanto
Passos “prestou todos os esclarecimentos”, diz Cavaco
As 17 frases de Passos sobre o caso Tecnoforma

Quem te avisa…

Dois importantes avisos a António Costa.

1. Ser Presidente da um município não é compatível com ser Secretário Geral de um partido, dada a enorme exigência de agenda. Quem dá o aviso é o próprio António Costa, versão 2012.

2. As obras na rotunda no Marquês tinham tudo para correr mal. Iriam causar cheias e, pior ainda, obrigar a uma nova intervenção, com isso desperdiçando o dinheiro dos contribuintes. Quem dá o aviso é um senhor com a 4ª classe, embora com mais bom senso que muitos graduados.

Festa é festa

Maduroaolhar

Na Venezuela a escassez de alimentos, as dificuldades económicas e a perseguição política teimam em persistir. No entanto, nem tudo é péssimo no paraíso terreno: Caracas vai dançar ao som de cinco orquestras cubanas.

Servos das já-não-tão-belas artes

O meu texto de ontem no Observador, ainda sobre a cópia privada.

‘Na sexta feira a lei da cópia privada foi aprovada na generalidade por PSD e CDS. Isso, ao contrário do que algumas pessoas malévolas – e, evidentemente a soldo dos mais obscuros interesses que corroem subterraneamente a sociedade portuguesa e sabe-se lá se não mesmo financiadores do ISIS – afirmam, será ótimo para o país. Explico porquê.

Em primeiro lugar, o óbvio: vamos ter um novo imposto, mais 15 a 20 milhões de euros a passar dos privados para o estado e deste para várias organizações burocráticas que representam os artistas (todos – menos aqueles que não representam). Mais uma maravilha deste governo viciado em impostos.

Em segundo, inauguramos o tempo do Estado inventar impostos, assim como na embaixada de D. João V a Roma se lançavam moedas, de cada vez que um negócio se torna obsoleto. Como um bom senhor disse no programa Prós e Contras de 15 de setembro, as vendas de música em cd têm decrescido. É certo que não se entende o que estas estatísticas têm a ver com a cópia privada – que pretende regular a cópia daquilo que anteriormente se adquiriu – porque qualquer criança entende que se não se adquire nada, então também não se tem a possibilidade de copiar. Mas deixemos essas lógicas elaboradas para outras áreas da governação menos importantes, como a Educação ou a Justiça.’

O resto está aqui.

O título é um tanto injusto para as Belas Artes, que se eu fosse multimilionária seria com certeza colecionadora de pintura, mas é para dar o efeito que os artistas rentistas têm no azedar do que é bom.

A Escócia, o Reino Unido (sem aspas) e Portugal

Piada “verde”. Por José Manuel Moreira.

Vitória que pode ser tida como sinal de mais confiança num Reino Unido (UK) como “União de Nações” do que numa UE que é cada vez mais uma “União de Estados” capturada por tecno-burocratas que inventam impostos, taxas e controlos que tolhem a vida dos povos. Basta ver como a legalização da cópia privada no UK contrasta com a obscena lei aprovada pelo PSD e CDS por iniciativa de um SE da Cultura mais preocupado em servir lobbies e seguir directivas europeias do que com os prejuízos à economia e aos consumidores. Mas talvez o melhor exemplo de seguidismo em relação à UE seja a anunciada reforma fiscal verde: justificada com a promessa de baixar outros impostos. Trata-se, como se diria em Espanha, de um “chiste verde”: uma piada obscena. Com graça acrescida quando se olha para a forma como os filhos da geração que gastou a herança dos avós (e se tornou incansável no esforço para deixar dívidas aos descendentes) acolhem – em nome da salvação do Planeta – o novo saque da fiscalidade verde e a treta da neutralidade.

Sobre a aprovação da absurda nova Lei da Cópia Privada (3)

Servos das já-não-tão-belas artes. Por Maria João Marques.

Parecendo que não, esta ideia de que as empresas e consumidores podem ser (ainda mais) sangrados para sustentar artistas que não vendem e burocratas das áreas culturais, e de recompensar a inércia, é mais mortífera do que os 20 milhões da taxa.

Leitura complementar: A nova Lei da Cópia Privada: uma mancha notável.

Bloco anedótico

Sem dúvida que duas cabeças de vento pensam melhor do que apenas uma.

Um ano depois de ter trazido o piropo para a discussão pública com uma primeira intenção de o criminalizar, o Bloco de Esquerda insiste no assunto. O partido leva esta quarta-feira à discussão no plenário do Parlamento uma proposta que classifica como crime o assédio sexual – onde se inclui o assédio verbal – e outra para perseguição. (…)

O BE cita posições e estudos da APAV, UMAR e CITE para argumentar que a tipificação do crime de assédio sexual é importante para servir como efeito dissuasor. Por assédio sexual entende-se a proposta reiterada de “favores de natureza sexual” ou “comportamento de teor sexual indesejado, verbal [onde se inclui o piropo] ou não verbal, atentando contra a dignidade da pessoa humana”, lê-se no texto bloquista.

Entre os exemplos estão situações de assédio sexual “entre professores e alunos, passando pela agressão a que as jovens e mulheres estão sujeitas nas ruas”, que provocam “custos no desenvolvimento da personalidade de jovens adolescentes, vítimas privilegiadas destes comportamentos”.

O tema foi trazido para a ribalta na rentrée do Bloco, no Fórum Socialismo 2013, com a mesa-redonda “Engole o teu piropo” em que as organizadoras – duas feministas, uma delas militante bloquista – defenderam que o piropo devia ser criminalizado. E estalou a polémica. Depois, vieram justificar que pretendiam apenas “levantar a discussão sobre o assunto” e não protagonizar qualquer iniciativa de proibir o piropo. (…)

 

Leitura complementar: Bloco insiste em punir o Piropo: Portugueses dizem “é boa, seus tesudos”. 

Adenda: Insatisfeito com a falta de alcance proibicionista do “Engole o teu piropo”, uma cabeça bloquista aposta tudo contra o anúncio do Euromilhões, exigindo um pedido público de desculpas. (obrigado à Tucha pela indicação).