Boicote e consequência

ScarlettJohansson

The Palestinians never miss the opportunity to miss an opportunity,”

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Parabéns ao Observador

Mais uma distinção a juntar-se à mais importante – o reconhecimento dos leitores – para um projecto que, nestes poucos meses de existência, tem conseguido provar que é possível fazer algo diferente para melhor no panorama mediático português: Observador ganha prémio de “Lançamento do Ano”

Liberdade e as encruzilhadas da Europa

O meu artigo quinzenal no Diário Económico. Este é inspirado em Václav Klaus, o ex-presidente e ex-primeiro-ministro da República Checa.

Liberdade

Em Setembro deste ano, a revista “The Spectator” publicou uma pequena entrevista a Václav Klaus. Ex-presidente e ex-primeiro-ministro da República Checa, Klaus é um liberal clássico que, por diversas vezes, reconheceu a influência intelectual que Friedrich Hayek teve na sua vida política e na sua resistência ao comunismo.

Klaus foi também um dos principais opositores à adesão da República Checa à moeda única. Devido a ele, o debate sobre o euro centrou-se, não no saudosismo da moeda nacional, como sucedeu em Portugal, mas nos riscos económicos que uma moeda forte, e abrangendo economias tão diversas, acarreteria para os checos. Václav Klaus chamou a atenção que uma moeda única implicaria uma mesma política monetária, as mesmas taxas de juros e uma só taxa de câmbio para os países aderentes. Referiu ainda que, pelo contrário, no mercado de dívida, as taxas de juro não podiam ser únicas, mas variariam de acordo com os países emissores.

É sabido que Portugal se encontra numa encruzilhada, para a qual há poucas soluções: ou saímos ou continuamos no euro; continuando na moeda única, ou se reestrutura o estado, com um forte corte na despesa, ou se mantém a política de austeridade com impostos altos e cortes continuados nos salários e nas pensões, além de cortes graduais nas prestações sociais. Nenhuma é fácil e todas são dolorosas.

A entrevista referida em cima é importante, não só porque Klaus acertou onde outros falharam, ou não quiseram saber, mas também porque nos dá pistas para o futuro. E a ideia-chave de Klaus é que a Europa está em guerra com a liberdade. Uma União Europeia, burocrática, politicamente centralizada, não escrutinada democraticamente e que procura evitar a todo o custo que o mercado se exprima sobre as decisões políticas. O mercado, que mais não são que as escolhas dos consumidores; das pessoas. As nossas decisões.

É nessa medida que sugere para a Europa o modelo de uma organização de comércio livre sem que tenha em vista uma integração política. É a tal separação entre a política e a economia, para que não haja confusões entre as duas e as correcções do mercado sejam imediatas e não esmagadoras.

O modelo apresentado, não só abre portas para o crescimento económico que tantos políticos querem forçar, e precisamente por isso não acontece, como, e aqui está uma parte muito interessante do seu raciocínio, pressupõe o fortalecimento do próprio estado. Klaus opõe-se à ideia de um governo global ou transnacional, porque não democrático. Vê no estado, principalmente no estado-nação, o garante último da democracia liberal, a partir do qual se faz a integração económica que o projecto europeu inicialmente visava. A revista Britânica conclui que a Europa precisa de políticos assim, claros e que apresentem alternativas. Portugal também.

Adivinhem quem voltou (2)

Ferro Rodrigues agita plenário ao elogiar José Sócrates

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Agora é às claras. Está aí um novo PS, um Ps que se orgulha e defende o trabalho de Sócrates, e que aspira a fazer o mesmo. Louve-se a honestidade pré-eleitoral.

Uma piada punk

Isto teve tanta piada quanto a relevância do estudo sociólogo sobre a cultura punk em Portugal, que conclui que estes são subpolíticos e hiperpolíticos, e que por sua vez tem tanto interesse quanto este “ensaio” sociológico para reflectir sobre “a frustração popular contra o grande capital e as políticas de austeridade”

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Tanto rasgar de vestes

GB

Não se aguenta.

A Syrian army helicopter dropped two barrel bombs on a displaced persons camp in the northern province of Idlib, camp residents said on Wednesday, and video footage appeared to show charred and dismembered bodies.

Footage posted on YouTube showed corpses of women, children and burning tents while people scrambled to save the wounded. “It’s a massacre of refugees,” a voice off camera said.

“Let the whole world see this, they are displaced people. Look at them, they are civilians, displaced civilians. They fled the bombardment,” the man’s voice said.

A man in another video of the Abedin camp, which houses people who had escaped fighting in neighboring Hama province, said as many as 75 people had died.

 

Mesmo.

Egyptian authorities on Tuesday ordered residents living along the country’s eastern border with the Gaza Strip to evacuate so they can demolish their homes and set up a buffer zone to stop weapons and militant trafficking between Egypt and the Palestinian territory, officials said.

The measure comes four days after Islamist fighters attacked an army post, killing at least 31 soldiers in the restive area in the northeastern corner of the Sinai Peninsula. After the attack, Egypt declared a state of emergency and dawn-to-dusk curfew there. Authorities also indefinitely closed the Gaza crossing, the only non-Israeli passage for the crowded strip with the world.

The buffer zone, which will include water-filled trenches to thwart tunnel diggers, will be 500 meters (yards) wide and extended along the 13 kilometer (9 mile) border.

 

 

 

Aí está uma boa oportunidade…

… para o Bloco de Esquerda trazer de volta a discussão sobre a saída da NATO

Aviões russos intercetados na costa portuguesa
A Força Aérea Portuguesa intercetou esta quarta-feira dois bombardeiros russos Tupolev-95 a oeste da costa portuguesa que sobrevoavam águas internacionais e não chegaram a entrar no espaço aéreo português, apurou o Observador.

A informação foi divulgada, em comunicado, pela NATO que denunciou ter detetado “manobras aéreas incomuns” e de “grande escala” da Rússia no espaço aéreo sobre o Oceano Atlântico e os mares Báltico, do Norte e Negro, nos últimos dois dias.

Breaking News: mais uma greve no Metro de Lisboa

Metro de Lisboa volta a parar a 13 de novembro

Os sindicatos dos trabalhadores do Metro de Lisboa marcaram uma nova paralisação de 24 horas, para o dia 13 de novembro, uma quinta-feira.

Leitura complementar: Pela libertação do Metro de Lisboa.

O Governo que disse “Não” aos banqueiros

Banqueiros pediram a Maria Luís que injetasse dinheiro da troika no BES. Ministra disse que não

Na última semana de julho, cinco banqueiros pediram à ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque, para injetar dinheiro da linha da troika no BES, segundo a SIC. O “não” da ministra obrigou o Banco de Portugal a optar pela medida de resolução que, a 3 de agosto, dividiu o antigo BES em dois: Novo banco e bad bank.

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Dar a César o que é de César, e a Jobs o que é de Jobs

6a00d8341c145e53ef0128778d9974970c-800wiA máquina estatal nos países desenvolvidos controla uma grande parte da economia. Domina os sectores da defesa, segurança, transportes, educação, segurança social e saúde. Noutros sectores, como a banca e a energia, a regulação e as responsabilidades que toma para si são de tal forma elevadas que só no papel é que não são públicos. Mas há quem pense que não é suficiente, que mesmo os poucos sectores que têm vindo a seguir as leis do mercado precisam de uma maior intervenção estatal. É nesta linha que vem o livro de Mariana Mazucatto. A narrativa é a de que, sem a intervenção do estado, os maiores casos de sucesso nos sectores não controlados pelo estado (como tecnologia e informática) nunca teriam acontecido. E parte daí para recomendar uma maior intervenção do estado como forma de multiplicar os casos de sucesso e garantir mais inovação. E, claro, uma maior taxação para financiar essa intervenção.

Para o fazer, a autora lista um conjunto de ligações entre projectos estatais e alguns sucessos da economia de mercado (com especial relevo para a Apple). Como o estado, mesmo o americano, está em todo o lado, não é complicado encontrar ligações mais ou menos longínquas entre programas do estado e os produtos da Apple. Os ecrãs tácteis dos iPads nunca existiriam sem o trabalho de um funcionário público inglês dos anos 60 que desenvolveu o primeiro ecrã táctil; a internet, já se sabe, foi inventada como mecanismo de comunicação militar. Tudo isto é mais ou menos como dizer que o senhor que inventou a roda tem de alguma forma mérito no último Ferrari. Uma das ligações mais directas e que recebe maior destaque no livro é um empréstimo que a Apple obteve do SBIC (um fundo público para pequenas e médias empresas) no “princípio da sua existência”. Claro que este “princípio de existência” foi em 1980, já a Apple tinha 4 anos, o Apple III tinha sido lançado e a Apple tinha uma equipa de engenheiros e uma linha de produção. A Apple obteve 0,5 milhões de dólares do SBIC, num ano em que teve 117 milhões de dólares em receitas e 11 milhões de lucro. Em Dezembro desse ano, a Apple faria o seu IPO, o maior de sempre desde a Ford 24 anos antes. Portanto, a situação está longe da narrativa de uma empresa sem capacidade de se financiar que graças à habilidade do estado em vislumbrar potencial obteve um financiamento que lhe permitiu crescer. Não, a Apple procurava financiamento, obteve-o de váios fontes, esmagadoramente do mercado, e aproveitou mais um dos disponíveis, que calhou de ser de organismo público.

O facto de o estado colocar à disposição um conjunto de recursos e ferramentas que agentes racionais não poderiam desperdiçar, não dá ao estado qualquer mérito daquilo que os privados consigam atingir. O caso da Apple é paradigmático. A Apple precisava de financiamento para crescer, o financiamento do Estado era o mais fácil e barato, a Apple aproveitou. Será que isto, por si só, dar algum tipo de mérito ao estado pelo que a Apple atingiu depois, ou até para justificar a existência do fundo? Não. Este tipo de fundos continuam a ser um desperdício, mesmo que existam alguns casos de sucesso. Por detrás destes bons investimentos, está um conjunto ainda maior de maus investimentos que desviaram recursos da economia, impedindo que florescessem outros projectos.

Os agentes estatais, políticos e burocratas, não têm os mesmos incentivos que os empresários. Um burocrata não vai à falência se um investimento não der certo, nem fica milionário se der. Um político não ganha eleições se fizer investimentos com retorno a 5 anos, nem as perde se o investimento correr mal. Por isso, um burocrata tenderá a ajudar as empresas daqueles que lhe são próximos ou, se for honesto, a seguir critérios processuais demasiado rígidos para um ambiente empresarial. Políticos não têm incentivos a escolher os projectos certos, mas sim aqueles que lha garantam uma maior visibilidade e votos. Nenhum dos agentes do estado tem incentivos a escolher a tecnologia ou o processo empresarial certo. A intervenção do estado não só será negativa por desviar recursos de agentes que têm os incentivos certos (empresários) para aqueles que não têm (burocratas), como tem ainda um efeito pernicioso adicional: o de distorcer os incentivos dos empresários. Quanto maior for o papel do estado na inovação empresarial, mais estes tenderão a alterar as suas opções devido a esse papel. Uma empresa privada pode deixar de prosseguir o investimento numa tecnologia, se o estado estiver a desviar recursos para uma tecnologia concorrente, mesmo que esta seja inferior. Se o estado tiver um papel importante no financiamento, empresários tenderão a desviar recursos de projectos rentáveis para projectos que lhes dêem mais hipóteses de obter fundos estatais.

O estado tem um papel no sucesso das empresas: o de garantir um ambiente seguro, o cumprimento de contratos e um nível mínimo de regulação que mantenha o sector a funcionar. Não cabe ao estado escolher vencedores no mercado ou liderar a inovação empresarial, sob o risco de deixarmos de a ter.

Faz-se sentir o pulsar do novo PS

É claramente um partido que apoia as verdadeiras causas que importam. Num só fôlego, o partido liderado por António Costa quer criar o dia/noite contra a homofobia e a transfobia e defende de forma intransigente a segurança dos cidadãos portugueses que combatem ao lado do Estado Islâmico.

Compreender o putinismo X

putin

Outros tempos, outras vontades.

VLADIMIR PUTIN: The first question regarding the possibility of Ukraine joining the European Union does not concern us directly, although we do, of course, have our views on this matter. We always took a negative view of NATO expansion because we do not believe that this expansion can help neutralise the modern threats we face. As for enlargement of the EU, we have always seen this as a positive process. Certainly, enlargement gives rise to various issues that have to be resolved, and sometimes they are easy to resolve, sometimes not, but both sides have always shown a desire to find mutually acceptable solutions and we do find them. If Ukraine wants to join the EU and if the EU accepts Ukraine as a member, Russia, I think, would welcome this because we have a special relationship with Ukraine. Our economies are closely linked, including in specific areas of the manufacturing sector where we have a very high level of cooperation, and having this part of indeed our economy become essentially part of the EU would, I hope, have a positive impact on Russia’s economy. Since we were aware of the European Union’s position that Ukraine’s accession would be unlikely any time over the next decade, we began taking steps in two directions, On the one hand, we are creating the Common Economic Space in a large part of the former Soviet Union, including Russia, Ukraine, Belarus and Kazakhstan. On the other hand, we are building a common economic space with the European Union, and we believe this is in the interests of both Russia and the European Union countries and will harmonise our economic ties with Europe. But these projects are not in contradiction with the possibility of any country joining the European Union, including Ukraine. On the contrary, the possibility of new members joining the EU makes our projects only more realistic. But I repeat that other countries’ plans to join the EU are not our direct affair.

Que são explicáveis pelo Professor Alexander Dugin.

Troika, troika e mais troika

Como habitualmente estive esta terça-feira na Edição das 12 do Económico TV a comentar o tema de sempre: dívida, dívida e mais dívida.

No Fio da Navalha

O meu artigo no ‘i’ desta terça-feira.

A normalidade

Em três meses, dois gigantes usados por Sócrates, sabe-se lá para quê, caíram. No entanto, BES e PT não são vítimas. Foram empresas que cresceram na sombra do Estado, ao serviço do Estado, que favoreceram (e foram favorecidas) por governos. Agora, sinal dos tempos, descambaram.

Sejamos precisos nesta matéria: a queda destas empresas não é positiva por si só. O que é de louvar é o fim da sua utilização num esquema que não só não as favorecia, como prejudicava o país. As empresas, quaisquer que elas sejam, estejam em que mercado estiverem, existem para serem livres. Independentes do poder político. Se isso não suceder, prejudicam-se.

Claro que é tentador gerir uma grande empresa com o beneplácito do poder político. Este garante não só o acesso privilegiado ao mercado nacional, mas também a accionistas com boas ligações ao poder que estão prontos a colaborar num projecto comum. A droga é demasiado boa para não ser viciante. Os bons resultados surgirão facilmente, sumindo-se apenas quando, algo em que os homens de poder nunca acreditam ser possível, o mercado, apesar de viciado pelos governos, repõe a normalidade.

E a normalidade pressupõe que os negócios se afastem da política. Fora disto, ou temos ideologia (que os políticos de agora já não têm) ou mera necessidade de lugares empresariais para distribuir a amigos, pagando favores no meio de uma degradação que se quer privada, mas feita com contactos públicos e o dinheiro dos cidadãos.

Charles Murray sobre Ayn Rand

Um excelente artigo de Charles Murray: How Ayn Rand Captured The Magic Of American Life: Ayn Rand was a philosophical hypocrite, but a magical novelist.

In 1991, the book-of-the-month club conducted a survey asking people what book had most influenced their lives. The Bible ranked number one and Ayn Rand’s “Atlas Shrugged” was number two. In 1998, the Modern Library released two lists of the top 100 books of the twentieth century. One was compiled from the votes of the Modern Library’s Board, consisting of luminaries such as Joyce Carol Oates, Maya Angelou, Edmund Morris, and Salman Rushdie. The two top-ranked books on the Board’s list were “Ulysses” and “The Great Gatsby.”

The other list was based on more than 200,000 votes cast online by anyone who wanted to vote. The top two on that list were “Atlas Shrugged” (1957) and “The Fountainhead” (1943). The two novels have had six-figure annual sales for decades, running at a combined 300,000 copies annually during the past ten years. In 2009, “Atlas Shrugged” alone sold a record 500,000 copies and Rand’s four novels combined (the lesser two are “We the Living” [1936] and “Anthem” [1938]) sold more than 1,000,000 copies.

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Destruição de valor

O meu artigo de sexta-feira passada no DE.

«O caminho seguido pela PT foi reduzindo o leque de opções estratégicas que esta tinha, numa demonstração clara dos perigos da intromissão política na gestão de empresas, até que a sua falta de liquidez (e dos seus acionistas) ditou a inevitabilidade da sua entrega a novos donos. Um negócio trágico, que na melhor das hipóteses foi um erro de cálculo monumental; e na pior, um conto do vigário de proporções épicas.»

“Carlos Moedas tem cabeça de liberal e não apoia intervenções do Estado, pensa como Passos Coelho”

Houve um tempo em que teria bastado a Ricardo Salgado telefonar a 2 ou 3 pessoas e o problema do GES teria sido resolvido em silêncio. A Caixa primeiro e o BCP depois teriam tratado dos problemas de financiamento. Se algumas perdas daí resultassem, um aumento de capital da Caixa Geral de Depósitos (o nome que se dá ao bail-out quando o banco é público) teria resolvido o problema. O GES continuaria vivo, como se nada fosse. A PT continuaria a ser uma empresa de bandeira com gestores de categoria internacional. E entre os 70 mil milhões de impostos pagos todos os anos, estes 4 ou 5 passariam despercebidos.

O PSD poderia ter feito muito melhor enquanto governo, e certamente que a falta de dinheiro e a supervisão internacional ajudam a fugir a tentações destas, mas vale a pena ler este excerto de uma excelente peça do Público para perceber as diferenças entre este governo e os que o antecederam:

“(…) Este é um período sombrio na vida de Salgado, com o grupo à beira da falência. E é obrigado a sair do seu casulo para pedir ajuda ao Estado. Dispara, então, nas várias direcções. Todos o ouvem, mas ninguém se compromete. Vai sozinho a Belém falar com Cavaco Silva, seu convidado de casa, que lhe terá dito: pouco posso fazer.

O banqueiro chega à Praça do Comércio para uma audiência com a ministra das Finanças, acompanhado de José Manuel Espírito Santo e de José Honório. Os três têm grande urgência e tentam convencer Maria Luiz Albuquerque a autorizar a CGD a emprestar 2500 milhões à Rioforte para suavizar a dívida de curto prazo. O envolvimento do banco estatal ajudava a que o BCP viesse a colaborar também. Pedem juros generosos. Maria Luís Albuquerque torce o nariz e terá notado que “não dispõe de instrumentos” para apoiar o GES (não financeiro).

No caminho está agora o primeiro-ministro. Quando entra em São Bento, Salgado não se sente confortável. Sabe que Pedro Passos Coelho não sente empatia por ele, mas acredita que o pode sensibilizar, pois a queda do GES terá impacto no BES (e na PT). E admite que os efeitos colaterais se farão sentir. O banqueiro é afirmativo: a situação é crítica, daí o pedido já endereçado de viva voz à ministra. De pouco servirá o encontro, pois Passos Coelho é vago, não tem nada para lhe dizer. E vai dar instruções políticas a Maria Luiz Albuquerque para manter a recusa.

Entre outros dirigentes políticos e governamentais com quem Salgado falou naquele período, mais de uma vez, está Carlos Moedas, na época secretário de Estado adjunto de Passos (e agora comissário europeu). “O Moedas, o Moedas! Eu punha já o Moedas a funcionar.” Foi a frase de José Manuel Espírito Santo (gestor do BES) que incentivou o banqueiro, pela segunda vez, a ligar ao secretário de Estado para que ajudasse a encontrar um plano de salvamento do grupo. Carlos Moedas ia a conduzir quando o atendeu e lembra-se de ter pensado: “Está assustadíssimo.” O Sol já relatou: “Carlos, está bom? Peço desculpa por estar a chateá-lo a esta hora. Tivemos agora uma notícia muito desagradável. Tem a ver com a procuradoria no Luxemburgo [onde a ESI e a Rioforte têm as sedes], que abriu inquérito a empresas. Temos medo que possa desencadear um processo complicado sobre o grupo. Porventura temos de pedir uma linha através de uma instituição bancária. Seria possível dar uma palavrinha ao José de Matos [presidente da CGD], para ver se recebia a nossa gente da área não financeira? Temos garantias para dar.”

    Carlos Moedas tem cabeça de liberal e não apoia intervenções do Estado, pensa como Passos Coelho

. Já veio garantir que “o tema morreu ali”, não passou do telefonema. É a sua versão.

As diligências feitas pelo clã terão chegado a José Luís Arnaut, amigo de Barroso, e a Paulo Portas. O vice-primeiro-ministro chama a atenção de Passos para “a gravidade de deixar cair o GES” e recebe um chega para lá. Ao presidente do BES restam agora poucos amigos. Um deles é Durão Barroso, com quem fala várias vezes. Barroso ainda se movimentou (por Lisboa e Luxemburgo) mas, do ponto de vista de Salgado, depois de tudo o que terá feito pelos amigos, Barroso [a quem o BES pagou um curso nos EUA] não se empenhou o suficiente e, hoje, o sentimento é de desconforto. É a síndrome de quem deixa a crista da onda. Este terá sido, provavelmente, um dos primeiros momentos em que Salgado sentiu que a idade, 70 anos, e o ambiente não lhe permitiram “brandir a varinha mágica”. Fecham-se todas as portas que interessam. O banqueiro já não tinha flexibilidade para manter e gerar conivências. (…)

Este é o retrato de um presidente sem poderes, um governo sem a abertura a que Ricardo Salgado estava habituado, de um vice-primeiro-ministro há demasiado tempo nos círculos de poder, e de um grupo empresarial do regime a cair de podre (como o próprio).

Dilma reeleita Presidente do Brasil

No Brasil, ganhou a candidata de esquerda e perdeu o candidato do Partido da Social Democracia Brasileira, que defendia a “reestatização” da Petrobras e a ampliação do programa Bolsa Família: Dilma Rousseff reeleita presidente do Brasil

Dilma conseguiu 51,56% dos votos, Aécio Neves 48,43%. Minas Gerais, o segundo maior círculo eleitoral do país, e terra de Aécio, acabou por ser decisivo: Dilma venceu lá.

Sobre os testes de stress do BCE

ECB Announces Stress Test Results: Here Are The 25 Banks That Failed

The central bank’s punchline: “[the] Exercise delivers high level of transparency, consistency and equal treatment. Rigorous exercise is milestone for the Single Supervisory Mechanism starting in November.”

And this is what it’s all about from Vítor Constâncio, Vice-President of the ECB. “This unprecedented in-depth review of the largest banks’ positions will boost public confidence in the banking sector. By identifying problems and risks, it will help repair balance sheets and make the banks more resilient and robust. This should facilitate more lending in Europe, which will help economic growth.” Or, as Bloomberg called it, “The ECB has staked its reputation on Monday’s stress test results”… what reputation?

(…)

Some quick observations: not a single major bank failed the stress test and the cumulative capital shortfall among the 25 failures is precisely €25 billion, less than the €27 billion shortfall reported during the 2011 stress test when 20 banks failed, and when Banco Espirito Santo, Dexia and Bankia all passed with flying colors. Oh, and just in case it was lost the first time, the Bank of Cyprus supposedly passed.

O enviesamento de esquerda dos jornalistas

Os jornalistas são preguiçosos ou serão todos de esquerda? Por Helena Matos.

O que temos como elemento redutor e distorcivo de boa parte das notícias é uma outra coisa. Uma outra coisa que faz com que o problema não esteja no que escrevem sobre Passos, mas sim no que não escreveram sobre Sócrates. Ou que em algumas redacções tal só tenha acontecido por absoluta impossibilidade de evitar o assunto. Tal como o problema não é o que escrevem sobre os cortes nos salários, mas sim que em quarenta anos de democracia se contem pelos dedos das mãos as reportagens dignas desse nome sobre os sindicatos – de que vivem; quantos trabalhadores representam ou como são realmente escolhidos os seus dirigentes – ou sobre o mundo paralelo das empresas públicas.

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Na hora H, as pernas que tremeram foram as dos deputados do PS

Prometemos5

Dezembro de 2011
Pedro Nuno Santos: “Os alemães que se ponham finos ou não pagamos a dívida” e se o fizermos “as pernas dos banqueiros alemães até tremem”.

Março de 2014
Manifesto assinado pelos deputados do PS Ferro Rodrigues (líder da bancada), João Galamba (futuro secretário de estado do tesouro), Eduardo Cabrita, Pedro Nuno Santos e Pedro Delgado Alves: Deixemo-nos de inconsequentes optimismos: sem a reestruturação da dívida pública não será possível libertar e canalizar recursos minimamente suficientes a favor do crescimento, nem sequer fazê-lo beneficiar da concertação de propósitos imprescindível para o seu êxito

Hoje
PS embaraçado com o manifesto da dívida
Com António Costa, a reestruturação da dívida pública deixou de ser uma prioridade do PS. As dificuldades de entrar num processo de negociação internacional contribuíram para os socialistas recuarem em relação aos objectivos que o Manifesto dos 74 (…) ‘Entalados’ por um projecto do BE, que também foi a votos esta quinta-feira, com um texto idêntico ao do Manifesto dos 74, os socialistas tentaram não ser apanhados em contradição e optaram por se abster na votação do projecto bloquista

Ainda não começou, e o regresso da ala socrática ao poder já é divertido.

Manuel Pinho, Ricardo Salgado e o BES

Manuel Pinho exige mais de dois milhões de euros ao BES

O ex-ministro Manuel Pinho vai avançar com um processo judicial contra o Banco Espírito Santo para receber uma reforma antecipada que lhe terá sido prometida por Ricardo Salgado. Em causa está um valor superior a dois milhões de euros.

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Rand Paul, o novo falcão IV

Uma vez mais, o discurso do próprio, repleto de pós de realismo.

Rand Paul: The Case for Conservative Realism.

Leituras complementares: Rand Paul, o novo falcão III;

Rand Paul and ISIL;

Rand Paul, o novo falcão II;

Rand Paul, o novo falcão.

 

 

 

Esticar até rebentar…

Relativamente ao Reino Unido, a política actual da União Europeia parece ser a de esticar a corda até rebentar. Não antevejo um final feliz para o orçamento “comunitário”: Fatura de 2,1 mil milhões de euros deixa Governo britânico em polvorosa

A confirmarem-se estas contas, os maiores prejudicados serão certamente o Reino Unido e a Holanda. E, por isso mesmo, ambos os países já fizeram sentir a sua indignação.

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“já podemos outra vez gastar mais, já?”

Excelente intervenção de Rui Rio: Rui Rio contra o “já podemos outra vez gastar mais, já?”

“A sociedade portuguesa acha que a crise é económica. Eu acho que a crise é política e a crise económica é filha da política”, disse, antes de desenvolver a tese de que se tem de “caminhar para orçamentos equilibrados”.

Num discurso em que falou também da reforma dos regimes políticos, Rio disse que “40 anos a pedir emprestado deu uma dívida gigantesca” a Portugal, defendendo a necessidade de repetir esta ideia “muitas vezes”. “O que é preciso é repetir isto porque a noção que eu tenho é que à primeira folga que possa haver não vão faltar vozes em Portugal a pedir ‘agora sim já podemos outra vez gastar mais, agora sim já podemos?’, afirmou.

Leitura complementar: O Tribunal Constitucional, o BES, o Orçamento 2016.

Fidel Castro e o tráfico de droga “revolucionário”

Patria o Muerte: Livro de memórias envolve Fidel Castro em redes de tráfico de droga

No livro “A Face Oculta de Fidel Castro”, Juan Reinaldo Sánchez afirma que em 1988 ouviu inadvertidamente através do circuito interno de vigilância e gravação o presidente cubano a autorizar a proteção temporária de um traficante sul-americano (“lanchero”) no país a troco de 75 mil dólares.

“Foi como o céu me caísse em cima. Aturdido, incrédulo, petrificado, queria acreditar que ouvira mal ou que estava a sonhar, mas, infelizmente, era a realidade. Em poucos segundos, todo o meu universo, todos os meus ideais caíram por terra”, escreve Juan Reinaldo Sánchez, que a partir desse momento viu desmoronar-se a imagem que tinha de Fidel Castro.

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