A maçonaria está alertada

Arnaut alerta maçons para SNS em risco

António Arnaut voltou no dia 13 deste mês a falar para mais de 100 maçons na mesma sala do palácio do Grande Oriente Lusitano (GOL), no Bairro Alto, onde há 37 anos apresentou à maçonaria o seu projecto para a criação do Serviço Nacional de Saúde (SNS), antes mesmo de ser aprovado pelo Governo. Durante 40 minutos, o antigo ministro dos Assuntos Sociais alertou os actuais ‘irmãos maçónicos’ para a a iminente destruição desse mesmo SNS.

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Baralhar e dar de novo

O Luís Naves comentou as minhas considerações sobre o esgotamento do regime confundindo-as com o 25 de Abril. A contrário do que sugere o Luís, não escrevi que o 25 de Abril não serviu para nada. O que disse foi que os objectivos do 25 de Abril se esgotaram 12 anos depois, em 1986. Porquê? Simplesmente porque o regime saído de 1974 não foi capaz de evoluir. Claro que se vive melhor. Aliás, só não se viveria melhor se o país tivesse caído nas mãos do partido comunista. Uma verdade tão óbvia como a dos dados estatísticos que nos mostram os índices do crescimento económico durante a década de 60 e início dos anos 70.

Claro que não há presos políticos e cada um é livre de dar a sua opinião. Mas se a grande maioria pensar da mesma maneira isso não basta. E o Luís deve conhecer os malefícios do politicamente correcto que, aliás, utiliza no seu texto. Quando digo que não há debate, o Luís comprova-o, dirigindo a conversa para outro assunto, o 25 de Abril, e não o tema que referi, ou seja, a pouca evolução política do regime e das suas elites desde 1974.

Há um outro ponto, demasiado duro para que muitos o olhem de frente e antes prefiram baralhar e dar de novo: a melhoria de vida que se conseguiu nos últimos 40 anos, que foi impressionante e de saudar, não tendo sido acompanhada por um crescimento económico capaz de a financiar por muito mais tempo, forçou este governo, como forçará os próximos, a medidas que limitarão essa mesma qualidade de vida.

Confundir quem chama a atenção para isto com alguém que não valoriza nada é baralhar e dar de novo. Não é debater, porque não leva a lado nenhum. Pode tranquilizar a consciência por uns momentos, mas não muda nada.

Problemas no Montepio…

Começam a suceder-se as declarações e garantias públicas de que o banco “está sólido”: Montepio reforça capital com obrigações e unidades de participação

O presidente do Montepio diz que o banco está sólido mas vai reforçar o capital por duas vias: alterando as condições das emissões obrigacionistas e abrindo o capital a institucionais. Em Angola, a auditoria detetou problemas.

Varoufakis contra o mundo (cruel)

Varoufakis cita Roosevelt. “Eles odeiam-me. E dou as boas vindas ao seu ódio”

A citação de FDR, que data de 1936, pode traduzir-se da seguinte forma: “Eles são unânimes no seu ódio em relação a mim; e eu dou as boas vindas a esse ódio“. Yanis Varoufakis acrescenta um comentário em que diz que esta é uma citação “muito próxima do meu coração (e da realidade) por estes dias“.

UBS diz que saída da Grécia é gerível e sem grandes perdas para o banco

Axel Weber, que foi governador do banco central alemão entre 2004 e 2011, explicou que a tranquilidade face ao impacto da eventual saída da Grécia da zona euro é baseada no facto de o banco ter cortado os riscos de incumprimento da Grécia “há muito tempo”.

A entrevista de Weber surge numa altura em que cada vez mais se fala da possibilidade de a Grécia entrar em incumprimento financeiro e escolher sair da zona euro, perante o arrastar das negociações entre Atenas e os seus parceiros com vista à resolução do problema financeiro grego.

Leitura complementar: O cenário do PS: entre Centeno e Varoufakis; Da espiral recessiva aos cantos do Syriza; Razões para ter esperança no Syriza; O socialismo europeu e o Syriza; A Grécia e o erro de Merkel.

Um bom negócio para o CDS

Leia a declaração conjunta da AD: Candidato presidencial único

Neste documento (que pode consultar em anexo do lado esquerdo), os dois partidos deixam claro que as listas de candidatos a deputados serão feitas com base nos resultados eleitorais de 2011. Nas eleições legislativas de 2011, os centristas tiveram 11,7% (24 lugares) e o PSD 38,6% (108).

PS desiste das “varoufakisses” ? (2)

O Miguel já aqui recomendou a entrevista de Vieira da Silva ao Observador, mas creio que vale a pena reforçar essa recomendação para compreender a situação actual do PS: Vieira da Silva: “Os custos de qualquer rutura com a UE são inaceitáveis”

“Do ponto de vista do debate político, há um período antes do programa eleitoral e um processo depois dele”.

Leitura complementar: O cenário do PS: entre Centeno e Varoufakis.

Foi uma festa bonita pá

25A 75. Por Gabriel Silva.

Apesar da imposição do totalitário Pacto MFA-Partidos que negava as liberdades e condicionava enormemente a escolha livre do povo, apesar das prisões arbitrárias, apesar dos presos políticos, apesar da proibição de vários partidos, apesar de muitos dos militares que conquistaram o poder considerarem, tal como Salazar, que o povo não estava preparado para a liberdade e para o voto, ainda assim, 91,5% dos eleitores registados foram votar livremente no dia 25 de Abril de 1975. E com esse acto, com essa festa da liberdade, derrotaram todos quantos se opunham à liberdade prometida um ano antes.

Foi uma festa bonita pá.

Michael Seufert: “Para a minha geração, mais dívida é menos liberdade”

PS desiste das “varoufakisses” ?

O meu artigo de hoje no Observador: O cenário do PS: entre Centeno e Varoufakis.

A tragédia grega em curso terá ajudado a silenciar as “varoufakisses”, mas é ainda assim cedo para formar uma opinião definitiva. António Costa já veio avisar que o relatório enquadrará mas não determinará o programa do PS e não há razões para acreditar que os entusiasmos syrizistas tenham desaparecido por completo do partido. Em qualquer caso, pelo menos de momento o cenário de radicalização irresponsável do PS parece afastado. É de lamentar (embora não surpreenda) a confirmação de que nenhum dos partidos portugueses apresentará um programa liberal, mas é uma boa notícia que o PS tenha para já desistido de seguir a mesma linha do Syriza.

O artigo pode ser lido na íntegra aqui.

Um plano B para a Grécia

Países de leste pedem plano B em caso de falta de acordo com a Grécia

Eslovénia levantou a questão no Eurogrupo e a Grécia não gostou, mas a Eslováquia e a Lituânia também querem discutir plano de contingência. França e Letónia também foram muito críticas da Grécia.

Leitura complementar: Da espiral recessiva aos cantos do Syriza; Razões para ter esperança no Syriza; O socialismo europeu e o Syriza; A Grécia e o erro de Merkel.

História política não é o forte dos socialistas…

Serviço público de Helena Matos: A AR não dá umas aulas aos deputados sobre a vida parlamentar em Portugal?

A questão do voto das mulheres é um daqueles assuntos em que a realidade não se compadece com a ficção socialisto-maçónica: O reconhecimento do direito de voto às mulheres surge em 1931 através do Decreto com força de lei n.º 19694 (5 de Maio de 1931).

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Lei Medeiros-Amorim-Correia não passa no visto prévio

Parece que a peculiar iniciativa legislativa hoje tornada pública não vai avante. Ainda bem.

Passos Coelho: Propostas socialistas são um “caminho arriscado e perigoso”
Paulo Portas diz que preza “muito a liberdade de imprensa”
Visto prévio: António Costa soube hoje e trava deputada socialista
Constitucionalistas do PS e PSD: visto prévio “é uma ideia altamente perigosa”

Vou explicar devagarinho, a ver se os senhores deputados entendem

Depois de travada a lei, importará tentar garantir, na medida do possível, que os deputados Carlos Abreu Amorim (PSD), Telmo Correia (CDS) e Inês de Medeiros (PS) não reincidam.

Compreender o putinismo XXIII

ss

O mais importante papel de Vladimir Putin. No entanto, desconfio que a criatura do Kremlin desconhece o poder que o Steven Seagal tem nos canais televisivos nacionais.

Neo-socialismo

O meu artigo no Diário Económico de hoje.

Neo-socialismo

O PS apresentou esta semana o seu programa económico para a próxima legislatura. Este visa dinamizar a economia através da procura com medidas como a descida do TSU dos trabalhadores e o estímulo dado às actividades que o modelo keynesiano considera de efeito multiplicador mais rápido, como a restauração e a construção. Bem esmiuçadas, as medidas não são novas e a filosofia subjacente é idêntica à seguida pelos últimos governos socialistas.

O programa do PS parte do princípio que o dinheiro para pagar o Estado e os interesses que à volta deste se reuniram não é do povo. A intervenção da ‘troika’, se teve algo de proveitoso, foi a percepção de que o dinheiro é das pessoas e que o Estado não pode existir à custa da antecipação do rendimento dos cidadãos. Infelizmente, a crise tem tantas variantes que não se resolve com a mera percepção desta realidade.

Que a despesa pública não deve ser superior à receita é algo que finalmente se compreende. É por isso que, apesar do actual nível de impostos, os partidos do governo até podem ganhar as eleições. Na verdade, sendo difícil descer a despesa há quem prefira pagar. É claro que impostos elevados destroem o crescimento. Os impostos são a transferência do dinheiro de uma parte da população para outra e, principalmente quando atinge os níveis actuais, desencoraja quem os paga de produzir e de criar empregos.

Para colmatar esta realidade, e porque não é fácil ganhar eleições com sacrifícios, o PS promete incentivar a procura. Ora, como o Estado não tem dinheiro e as projecções de crescimento são meras manifestações de vontade, a esperança socialista depende do BCE aumentar a base monetária. A ideia é tirar o dinheiro da poupança e gastá-lo. Sucede que, como o problema é a falta de capital, o que não é equivalente a pouco dinheiro, esta política monetária irá apenas aumentar a procura de capital ao mesmo tempo que se reduz a sua oferta, ou seja, a poupança.

Com esta distorção, aumento artificial da procura de capital e redução da sua oferta, a forma de compensar tal falta será através da actividade especulativa. Algo que já aconteceu no passado com os resultados que conhecemos e que irá suceder novamente. É assim que ouvimos incoerências como as daqueles que entendem que o problema da economia é a descapitalização das empresas ao mesmo tempo que defendem políticas conducentes à redução do capital.

E vejamos ainda este aspecto tão interessante: são precisamente os que entendem que é preciso proteger as pessoas, e os Estados, do mundo financeiro que defendem políticas que levam à especulação como forma de se encontrar capital capaz de dar resposta ao incremento da procura que agrada aos grandes grupos económicos. A este fenómeno chama-se neo-socialismo.

Coisas geniais

Como refere o Miguel Noronha aqui em baixo, Paulo Trigo Pereira afirmou, em declarações à Renascença, que

«A proposta que está no [Cenário Macroeconómico apresentado pelo PS] é substituir o consumo presente em relação ao consumo futuro. As pessoas consomem mais no presente e consumirão menos no futuro. A necessidade disto é porque estamos numa situação em que é necessário relançar a procura agregada em Portugal.»

A questão aqui é que fazer isto continuadamente é empurrar o problema com a barriga para a frente. Chega uma altura em que não se tratará de “consumir menos”, será mesmo “não consumir”. O que foi feito até ao início do programa de ajustamento foi isso mesmo: Antecipação de consumo. É essencial entender que a redução de consumo que sofremos é a consequência do excesso de consumo anterior. Tal como que défices presentes (ou passados) implicam mais impostos futuros (ou presentes). Não há, realisticamente no nosso contexto, crescimento da economia que consiga mitigar esta realidade.

O Estado e as heresias secularizadas

Fomentar o mal. Por José Manuel Moreira.

Custa crer como, num tempo em que os voos ‘low cost’ puseram mais a nu o parasitismo de quem destrói empresas e denuncia a sua venda, ainda se faz fé no discurso do Estado como empreendedor e motor da inovação. Dando asas a uma narrativa baseada em promessas de solução para todos os problemas – da pobreza ao crescimento – para ganhar votos. Um populismo que se preocupa pouco se as leis propostas solucionam os problemas ou os piorem. E menos ainda com a infiltração do aparelho de Estado e dos partidos pelo crime organizado.

O Partido Comunista Chinês e os multimilionários

China “precisa de mais multimilionários”, defende Partido Comunista Chinês

Um jornal do Partido Comunista Chinês (PCC) defendeu esta quinta-feira que “a China precisa de ter mais multimilionários”, argumentando que “a acumulação privada de riqueza não é incompatível com a justiça social” preconizada pelo sistema socialista.

“Se um dia metade dos mais ricos do mundo forem chineses, isso evidenciará os enormes sucessos alcançados pela China no seu processo de desenvolvimento económico e social”, disse o Global Times, jornal de língua inglesa do grupo do Diário do Povo, o órgão central do PCC.

Hillary’s Russian connection

O “cash” dos Clinton. Dinheiro russo na Fundação?

A candidata presidencial norte-americana Hillary Clinton está a ser acusada de ter facilitado a compra, por parte da agência atómica da Rússia, de uma empresa de capitais canadianos que controla um quinto do urânio dos EUA. A empresa em causa, chamada Uranium One, foi vendida no início de 2013, um negócio que teve de ser aprovado pelo governo dos EUA, dadas as questões de segurança associadas a este recurso natural estratégico. Muitos dos homens que criaram, fizeram crescer e, em 2013, venderam a Uranium One aos russos têm feito donativos generosos à Fundação Clinton, uma história que é contada num livro polémico que sai na próxima semana.

Lógica do PS

A: António Costa diz que «Passos Coelho, Paulo Portas e Cavaco Silva são a Troika»

B: Com a proposta para a baixa da TSU, o PS vai além da do Governo

O termo Governo pode ser substituído por «Troika», por indução de A (Passos Coelho, Paulo Portas e Cavaco Silva pertencem/representam o Governo/Estado). Substituindo em B obtemos:

C: PS vai além da Troika.

No Fio da Navalha

O meu artigo no ‘i’.

A TAP

O governo está a tentar novamente vender a TAP. Como seria de esperar são muitos os problemas num processo que dura há anos. Se por um lado estão os trabalhadores, entre eles os pilotos, que querem deter entre 10 % a 20% da companhia, por outro deparamo-nos com os potenciais compradores que, quando se detêm sobre o que se passa na empresa, repensam a sua estratégia e mostram-se reticentes na sua aquisição.

Há dias foi anunciado o fecho das contas de 2014 que se saldaram num prejuízo de mais de 80 milhões de euros. No seu todo o Grupo TAP tem uma dívida de mais de mil milhões de euros. Ora, estes resultados surgem num momento em que o preço do petróleo está baixo e já não explica prejuízos anteriores, como os de 2008 em que o preço do crude atingiu valores recorde.

Quando se compra uma empresa, se herda um bem, ou se recebe o quer que seja, importa ter em conta não só o activo mas também o passivo. E o que se passa com a TAP é que o passivo, que não é apenas a dívida da empresa, mas também as obrigações e limitações a que o interesse político a sujeitou, supera muito o seu activo.

O problema da TAP já não é a mera perda de valor, mas o não valer quase nada. Pode ser chocante para muitos, mas uma empresa não se avalia pela emoção, menos ainda quando aqueles que com ela se comovem não gastariam nela um euro que fosse. É, aliás, por isso que são contra a sua privatização. Querem uma empresa, mas o povo que pague por ela.

Estratégia do PS

forca-ps-pan-web— Querida, os salários são muito baixos em Portugal. Vamos pagar à empregada de limpeza €50/hora!
— Bom, a empregada vai ficar contente. Mas como raio é que isso vai ajudar toda a gente?
— Não leste Keynes, querida. Quando a empregada de limpeza recebe €50/hora, outros irão exigir mais, assim como todos os que trabalham no Continente e no Pingo Doce. Os trabalhadores vão pressionar as empresas e os salários irão subir. Daqui a uns tempos toda a gente vai receber mais 50€ por hora!
— Hmm.. essa ideia não me parece lá muito brilhante. Mas, já agora, onde é que nós vamos arranjar os €50/hora para pagar à empregada?
— Essa é a parte incrível! Quando todos os salários subirem €50/hora, nós também iremos ganhar mais €50/hora, e basta passá-los à empregada.

***

Embora a lógica aqui reflita o efeito de um aumento da procura agregada através do círculo virtuoso keynesiano da despesa que gera rendimento que gera despesa, o príncipio é transponível para o cenário macroeconómico do PS, onde existe, julgam, um efeito multiplicador da despesa pública que acelera o investimento que faz crescer o PIB e disparar a receita fiscal, o défice baixar e a dívida colapsar. Agora percebe-se porquê que um dos outdoors do PS são jovens a rezar. É preciso ser muito crente.

para o PS o mundo não pára de mudar

wormHá tanto para criticar no coelho que ontem o PS tirou da cartola que terá de ficar para depois. Mas porventura o que mais me impressionou naquilo tudo foi a indigência ideológica com que os programas (e o tal coelho da cartola prepara-se para ser uma porção importante do programa eleitoral do PS, ainda que não admire mais um flip-flop de Costa nestes assuntos económicos) são feitos nos partidos políticos portugueses que estão habituados a governar. Chamam uma dúzia de ‘especialistas’ para darem os seus contributos, estes têm umas ideias mais ou menos malucas e, preferencialmente, completamente desgarradas da realidade (no melhor dos casos, são ideias inúteis e inócuas) e, tchantchantchan, tornam-se bandeira dos programas de governo como se fossem A solução para o país. Independentemente de serem potenciais criadoras de mais problemas ou, sequer, consistentes com as posições políticas anteriores do partido.

Isto não mostra só como os líderes políticos de PS (e PSD, onde se passam processos iguaizinhos) são uns basbaques que engolem a primeira tolice que ‘os especialistas’ lhes vendem – porque, lá está, são pessoas que além dos meandros traiçoeiros da política de nada percebem -; no fundo são ideologicamente tão consistentes como uma minhoca das couves.

Tomem por exemplo a proposta dos ‘especialistas’ do PS para a descida da TSU para empresas e trabalhadores. Por princípio, não tenho nada contra – desde que se assuma que isto implicará, no futuro, pensões muito pequenas. Claro que isto tresanda ao ‘choque fiscal’ que foi o trunfo de Durão Barroso em 2002 – e não é preciso lembrar que não só não houve choque fiscal nenhum como Manuela Ferreira Leite correu a aumentar ‘temporariamente’ o IVA para 19%, pois não? Mas o mais curioso é que esta baixa da TSU aparentemente vai ser proposta pelo partido que há muito poucos anos criou o novo código contributivo, que alargava a base de incidência dos descontos para a SS a tudo e mais alguma coisa que os trabalhadores recebessem, aumentando escandalosamente o montante de contribuições para a segurança social. Implicou mais custos para as empresas e foi uma redução significativa nos ordenados líquidos dos trabalhadores. Para os que trabalham a recibos verdes, foi mesmo um assalto com arma branca (vieram outros a seguir deste governo, sim).

E atenção: este novo código contributivo não se justificou com a necessidade de austeridade que a criatura socrática iniciou; a justificação foi inteiramente a de quererem assegurar a sustentabilidade da segurança social. Foi defendido por Elisa Ferreira, João Galamba, Vieira da Silva e António Costa – os mesmos que agora defendem redução da TSU e redução das pensões.

Que credibilidade se pode atribuir a gente assim?! É que, lamento, mas posições sobre a fórmula da segurança social, se as pensões devem apenas ser um garante contra uma situação de pobreza (eventualmente complementado com produtos privados) ou permitir continuar um nível de vida aproximado ao que se tinha enquanto se trabalhava, que tipos de rendimentos devem ser abrangidos, e por aí adiante, não podem ser posições circunstanciais e conjunturais nem opiniões que mudam com o vento. Num assunto crucial como a Segurança Social, o que o PS disse ontem é que é uma maria vai com as outras, sem espinha dorsal e sem qualquer princípio norteador. O que, em boa verdade, não é novidade.

Perca peso já!

miracle

As medidas e “cenário macroeconómico” que o PS apresentou ontem são piores que aqueles produtos dietéticos que têm uma nota em letra pequena a dizer «obterá melhores resultados se mantiver uma alimentação equilibrada». É que o processo milagroso através do qual surgirão receitas fiscais para colmatar o aumento de despesa nem sequer é semi-claro, como a dita «alimentação equilibrada».

Isto não podia ser inventado

juiz

Como bom servo do Estado, não serve, serve-se.

O Tribunal Constitucional foi auditado pelo Tribunal de Contas, tendo-se apurado um conjunto vasto de ilegalidades. Em causa estão complementos de salário a mais, uso abusivo (uso pessoal) das viaturas do Estado, avaliação dos funcionários por fazer, etc. Laconicamente, o Tribunal Constitucional respondeu que não se tratam de ilegalidades, mas antes de uma «outra interpretação das leis em vigor». Derrida tomou o Palácio Ratton de assalto.

Isto não poderia ser inventado.

 

#PoliticaEmCartaz

Já há algum tempo que estamos em pré-campanha mas a menos de seis meses das eleições legislativas achei que seria interessante fazer-se uma recolha de imagens dos cartazes políticos. De forma a ser o mais exaustiva possível podem contribuir com as vossas fotos usando a hashtag #PoliticaEmCartaz no Twitter, Instagram ou Facebook (publicações têm de ser públicas). Comecemos pelo PSD:

 

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“Acima de tudo Portugal”. Uma forma menos grosseira que o marketing político encontrou para dizer: “que se lixem as eleições, o que interessa é Portugal”.

O maior partido do Governo quer fazer-nos crer que as medidas implementadas foram uma necessidade premente à “salvação” do país, não por programada doutrina ideológica de que, muitas vezes, é acusado (olhando para as políticas do Governo francês de Hollande, será difícil de discordar). Mas, na minha opinião, salvar Portugal também não foi o objectivo. Para isso ter-se-iam realizado as imprescindíveis reformas do Estado. Ficaram-se por um guião.

Claro que estando o Estado, em 2011, numa situação de pré-insolvência, a solução teria de passar por um mínimo de sacrifícios das clientelas e esperar até a conjuntura económica se inverter. Os empréstimos da troika e os “estímulos” do BCE nisso têm ajudado o Governo de Passos Coelho. Torna-se evidente que o fim de qualquer partido no Governo é “Acima de tudo PODER”.