Ramiro Marques sobre Mário Nogueira

Reproduzo de seguida um texto enviado por Ramiro Marques:

O centralismo e o quase monopólio estatal criaram o poder de Mário Nogueira e da Fenprof sobre as escolas e os professores

Ramiro Marques
Professor Coordenador Principal no Instituto Politécnico de Santarém
Membro do Conselho Nacional da Educação

Mário Nogueira deu uma entrevista ao jornal i no dia 10 de novembro. É uma entrevista que merece análise não tanto por aquilo que o dirigente da Fenprof diz mas sobretudo pelo que se subentende das suas palavras. Os comunistas são mestres no disfarce. Sabem usar como ninguém o double speak e são peritos em deitar para cima dos outros as culpas pelo mal que fizeram. Têm o descaramento suficiente para se apresentarem à opinião pública como os detentores das soluções para os males que eles criaram. A história da educação em Portugal, nos últimos 40 anos, tem sido isso. Hoje controlam um dos maiores sindicatos do país – a Fenprof – com mais de 50 mil filiados de um total de 130 mil professores, com força e influência para impor aos alunos e às famílias uma greve em período de avaliação dos alunos durante 3 semanas e para boicotar a prova de avaliação de conhecimentos e competências, vulgarmente chamada de prova de ingresso na profissão docente.

À pergunta do jornalista “os professores não têm autoridade?”, Mário Nogueira responde:

“O discurso público é de uma desvalorização permanente dos professores. Há uma campanha que, quer queiramos quer não, passa para a opinião pública.”

Quando afirmo que os comunistas são mestres no disfarce e sabem usar como ninguém o double speak, apresentando-se à opinião pública como os detentores das soluções para os males que eles causaram e atribuíram a outros, é a isto que eu me refiro. Não acredito que exista alguém no país que mais tenha contribuído para a erosão da autoridade dos professores do que Mário Nogueira. Fá-lo com a mestria dos comunistas, uma mestria adquirida e treinada a partir do dia da formatura e da entronização como delegado sindical e, poucos anos depois, de dirigente sindical, num processo de formação prática que dura há 30 anos. Passaram por ele doze(1) ministros durante os 22 anos que leva como dirigente da Fenprof. Continuar a ler

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UKIP e SNP

Are all bets off after fresh UKIP by-election victory?
Mapping UKIP’s polling strength

Labour faces massive losses to SNP at UK general election, poll shows

O Natal socialista

“Natal chegou mais cedo”, diz Juncker
O presidente da Comissão Europeia disse hoje que “o Natal chegou mais cedo”, na apresentação do plano para a economia europeia, que cria um fundo estratégico para mobilizar 315 mil milhões de euros nos próximos três anos.

No Natal a sério, os pais compram uns brinquedos inúteis para agradar às crianças e pagam a conta no final do mês.

No Natal socialista, os políticos compram uns brinquedos inúteis para agradar aos pais e deixam a conta às crianças.

Reflexões de comunistas saudosistas

jeronimo_sousa

Jerónimo de Sousa, secretário-geral do PCP, no Económico (em entrevista à Lusa): “Mundo está pior” após a queda do muro de Berlim

 

Leituras complementares:

Tou-me cagando para o segredo de justiça

Recordar é viver, e o PS deveria recordar-se das palavras do seu líder parlamentar, Ferro Rodrigues, antes de debitar a lamúria de que o rei vai nú, ou na versão republicana, que o regime está a cair de podre.

“Tou-me cagando para o segredo de justiça”

O Julgamento

O Julgamento (Via Instituto Ludwig von Mises) :

O homem do betão e das PPPs, padrinho dos empreiteiros e das concessionárias que ainda hoje nos assaltam. Mentor do desgoverno financeiro que nos entregou aos credores, escudeiro do Estado forte, grande, ineficiente, metediço. Protagonista de um pós-bolivarianismo de tons ibéricos. Sócrates foi o último terramoto desde cataclismo que foi o regime nascido da Abrilada. Passos Coelho será, talvez, uma pequena réplica de mau gosto.

Mais que o julgamento, nos tribunais, de um dos homem que nos desgraçou a todos, este é o julgamento, público, do bando de abutres que nos vem pilhando desde sempre. Daqueles que nos ministérios e nas empresas defecaram na pouca dignidade que resta à nação, roubando – qualquer outra palavra é eufemismo – sem eira nem beira, perpetuando-se a si e aos seus no poder – político e económico. Este é o julgamento de uma terceira via, um capitalismo de socialistas caviar, um socialismo de capitais desviados. Este é o julgamento de um modelo de governação assente no compadrio, no suborno, na coerção, na corrupção aos mais altos níveis da sociedade.

Mas acima de tudo, este é o julgamento de um país e de um povo que gerou políticos à sua imagem. Das boleias e quotas pagas nas concelhias por uma conta mistério em vésperas de eleições. Dos clubes de futebol da terrinha e dos terrenos que vão andando de mão em mão. Este é o julgamento do chico-espertismo que tenta sempre passar à frente, no trânsito, na fila da repartição das finanças. Do menino que liga ao amigos do pai por causa daquela vaga na universidade, do pai que liga ao colega do secundário, que agora trabalha na Junta, para dar uma ajudinha ao colega que ficou desempregado. É o julgamento das garrafinhas de whiskey e dos bacalhaus pela consoada, para pagar favores do ano inteiro. Dos exames de condução feitos na marisqueira, dos vistos apressados no consulado, daquela licença para obras agilizada com uma sms ao senhor vereador.

(…)

O Zé – não o Sócrates ele mesmo – que é hoje deputado sem conseguir conjugar um verbo sem calinadas e entender-se com o sujeito e o predicado podia ser você, caro leitor. Com um pouco mais de esforço e afinco e se o André que brincava consigo e com os seus primos na casa de férias não tivesse perdido aquelas eleições, na federação académica ou na distrital. Se o Carlos, seu cunhado, não tivesse perdido aquela vaga na empresa, que até costumava fazer negócio com aquele ex-secretário de estado que agora está a “trabalhar” no ramo. O que o meu caro amigo teve não foi nem a ética nem a dignidade de cuja falta se acusam os nossos políticos de ter, como se abundasse na sociedade.

O que o meu amigo teve foi falta de sorte. Mas não se queixe. Ainda há uns meses conseguiu aldrabar umas facturas para “meter no IRS”. O empregado da Junta, que pôs a tijoleira lá em casa, deixa-o sempre estacionar lá o carro. O Mendes da esquadra deu um toquezinho relativamente àquela multa, mas também ninguém o mandou estacionar num lugar para inválidos. O meu amigo dê é graças a Deus por ter passado à frente nas urgências quando lhe deu aquela coisa no ano passado ou quiçá não estivesse aqui a terminar de ler este artigo. E não tenha vergonha. Todos o fazem. Se não fosse você, seria outro a aproveitar. E no que toca a benesses, antes nós que os outros.

Ensinem isto nas escolas, sff

O João Miguel Tavares escreve no Público um pequeno texto que toda a gente devia ler, muitos para ver se finalmente ganham juízo e aprendem que não existe democracia sem um feroz escrutínio à atividade dos políticos – e, já agora, dos juízes e magistrados. E a ver se páram com o disparate dos perigos do fim do regime, da democracia, da Via Látea, porque certamente não é quando as instituições do regime, até agora entorpecidas, estão finalmente a funcionar que se deve por em causa o regime.

‘Mas parece que neste respeitoso Portugal insistir em fazer perguntas óbvias passa por má educação. Perguntava-se uma vez e Sócrates não respondia. Perguntava-se duas vezes e Sócrates não respondia. E quando se perguntava a terceira vez já se estava a criticar o jornal por insistir na pergunta em vez de se criticar Sócrates por recusar a resposta.

Nem agora, após José Sócrates ter sido detido para interrogatório, essa sede de generalização parece saciada. Ele é preso e avançam de imediato as profecias apocalípticas: é o fim do regime que se aproxima; é a política, como um todo, que é atingida. Não, senhores, não. O regime tem imensas falhas e a política infindáveis problemas, mas Passos Coelho tem toda a razão quando afirma que nem toda a gente é igual. E José Sócrates, graças a Deus, não é igual a ninguém. Ele é o special one da indistinção entre verdade e mentira, pela simples razão de que nunca viu diferença entre uma e outra. A sua detenção não é o fim do regime. Pelo contrário: foi durante o seu consulado que o regime esteve quase morto. O que está agora a acontecer é o oposto disso: é o regime a funcionar outra vez.

E a funcionar apesar de todas aqueles que, confundindo mais uma vez as prioridades, estão muito preocupados com a detenção de Sócrates ao sair de um avião ou por a SIC ter filmado um carro a ir-se embora do aeroporto. Ai, meu Deus, que os jornalistas foram informados! Eu, de facto, preferia que os jornalistas não tivessem sido informados. Mas preferia muito mais que José Sócrates não tivesse sido – e a verdade é que ele foi escandalosamente informado e protegido pela justiça durante anos a fio. Num país onde quase não há busca sensível que seja feita sem que os visados estejam prevenidos, eu diria que há fugas de informação bem mais perniciosas do que aquelas que beneficiam a comunicação social. Andaram dez anos a fazer-nos passar por parvos. Se calhar já chega.’

Está completo aqui.

Soltem os prisioneiros

Socrasmandela

Sem dúvida, a mesma luta contra a opressão.

O deputado socialista Fernando Serrasqueiro foi o primeiro a fazê-lo, no Facebook, evocando, de forma subliminar, o exemplo de resistência de Nelson Mandela, o mais famoso prisioneiro político do último século.

Serrasqueiro, ex-secretário de Estado e amigo pessoal de Sócrates, manifestou a sua solidariedade através de um poema, intitulado Invictus, famoso por ter servido de apoio ao activista político Mandela, nos anos que passou na prisão-ilha de Robben Island. E reproduziu-o, sem comentários, duas horas depois do despacho do juiz Carlos Alexandre que enviou o ex-primeiro-ministro do PS para uma prisão em Évora.

Haverá pontos de contacto entre Mandela, prisioneiro político do regime racista sul-africano durante 27 anos, e Sócrates, detido por corrupção, branqueamento de capitais e fraude fiscal? Há pelo menos um exemplo de resistência na adversidade, que Serrasqueiro quer transmitir ao amigo e camarada de partido.

Mandela disse que lia o poema Invictus (traduzindo: jamais derrotado) para encontrar força e apaziguar o sofrimento, superando momentos de dúvida. “Sob as garras cruéis das circunstâncias / eu não tremo e nem me desespero / Sob os duros golpes do acaso / Minha cabeça sangra, mas continua erguida”, lê-se na segunda estrofe do poema vitoriano.

(Agradeço ao leitor JP a indicação do assunto).

Atenção aos direitos humanos no continente e ilhas

Luís Filipe Meneses.

O Ministério Público confirmou a investigação ao antigo autarca por suspeitas de corrupção para enriquecimento pessoal. Já foi pedido o levantamento do segredo bancário do autarca.

 

Alberto João Jardim.

O presidente do Governo Regional da Madeira escreveu esta terça-feira no Jornal da Madeira que a mediatização da detenção do ex-primeiro-ministro José Sócrates (sem referir o seu nome) reflecte uma “situação preocupante dos Direitos Humanos em Portugal”.

“O que vimos nos últimos dias, à volta de um caso inaceitavelmente mediatizado com o maior desrespeito e falta de caridade, também põe em causa o aparelho de Justiça e a comunicação ‘social’ que temos em Portugal, porque parece estarmos ante mais uma demonstração da preocupante situação dos Direitos Humanos no nosso País”, escreve Alberto João Jardim na sua coluna de opinião no Jornal da Madeira (JM).

 

Soares preocupado com Sócrates

SS

O antigo Presidente da República escreve, hoje, no Diário de Notícias que sábado, dia de detenção de José Sócrates, «o país foi confrontado com um acontecimento que deixou os democratas imensamente preocupados».

No Fio da Navalha

O meu artigo de hoje no ‘i’.

Sócrates

Como é que um homem que saiu do governo com um pedido de resgate do Estado ainda gera tanta controvérsia? Talvez haja entre os que o apoiam a crença de que estivesse certo e entre os que o desprezam o medo de que tivesse razão. Afinal a grande maioria do país, quase toda a classe política portuguesa, só acordou para o desastre financeiro em que Sócrates nos meteu quando não havia outra solução.

A Sócrates faltou o tacto político que compensou com excesso de confiança, direi mesmo arrogância. Tirando essa cobertura, que mais não é que um sinal de personalidade, politicamente não governou de forma diferente do que faria outro governante.

Durante seis anos nenhum político no activo foi capaz de dizer porque discordava da sua orientação governativa: em 2011 o PSD discutia ainda se fazia ou não a regionalização. Nenhum alertou para os juros excessivamente baixos: o CDS chegou a defender a redução das taxas do BCE para incentivar o consumo. Poucos referiram os perigos de um défice público demasiado alto.

Tirando no fim, e apenas quando os mal-afamados mercados internacionais passaram a ter o Estado português debaixo de olho, ninguém dele diferiu que não fosse no estilo. Até Ferreira Leite, que em 2009 disse que o Estado devia reduzir os gastos, perdeu as eleições porque não apresentou uma estratégia de governo que fosse alternativa. No fundo, Sócrates não é a classe política, mas ideologicamente a classe política não difere muito dele.

Sobre as garantias e os arguidos

Como é normal nestas coisas, anda-se por aí a dizer que as garantias dos arguidos não são respeitadas pelos tribunais. Não deixa de ser engraçado que os comentadores (alguns, pelo menos) se lembrem das garantias dos cidadãos perante o estado, quando está em causa uma personalidade política. No entanto, sejamos claros: além da lei penal que regula as detenções e os subsequentes interrogatórios dos arguidos, ter sido aprovada, como é de esperar num estado de direito, pelo poder legislativo, não houve até agora (que se saiba, mas os advogados estão lá para evitar isso mesmo) nenhuma violação das regras processuais penais.

Sócrates, Vistos, Justiça e Política

Nos últimos dias tenho ouvido de comentadores e, principalmente, de políticos que, em relação à detenção de José Sócrates por suspeita de branqueamento de capitais, se deve separar este caso de justiça da política. Tretas!!!

Este acontecimento judicial está ligado à política por inseparável “cordão umbilical”. José Sócrates é – caso alguém se tenha esquecido – político profissional, ou seja, toda a sua carreira foi desenvolvida por via do exercício de vários cargos políticos. Logo, quando o mesmo é detido para averiguações criminais por ter despesas inadequadas aos rendimentos anteriormente declarados, a conclusão mais óbvia é que, a existir enriquecimento ilícito, a sua proveniência será da prática de corrupção (que, como explicam os economistas insurgentes, é bastante mais difícil de investigar). Aliás, (re)lembro que Al Capone nunca foi condenado por homicídio, tráfico ou associação criminosa, mas sim por evasão fiscal.

A suspeita da prática de corrupção de um ex-governante (mesmo que seja só indirectamente “provada” pela condenação por branqueamento de capitais) é, que eu saiba, assunto de Política. Tal como tem sido a prisão dos responsáveis pelos vistos “gold”.

Assim como se deve discutir a responsabilidade dos actuais governantes PSD/CDS pela falta de transparência e escassez de checks & balances no caso dos vistos “gold” também convém tentar perceber como os governantes do PS, liderados por Sócrates, não detectaram/evitaram eventuais práticas de favorecimento político por parte do então primeiro-ministro, com especial atenção para António Costa, Ministro da Administração Interna entre 2005 e 2007. A haver uma acusação criminal a José Sócrates, o PS (e o seu actual secretário-geral) serão certamente, por muitos portugueses, politicamente implicados.

Os casos dos vistos “gold” na semana passada e agora o de Sócrates têm uma relevância política acima do horizonte dos partidos políticos da governância e, até, de todos os restantes partidos parlamentares. Em maior ou menor grau, a ideologia socialista da classe política deveria levar-nos a considerar/discutir os perigos da forte inter-relação entre o peso do Estado e a probabilidade de ocorrerem casos de corrupção.

Se a maioria dos eleitores portugueses decidem retirar liberdade de escolha a milhões de compatriotas delegando o poder de decisão a alguns “eleitos”, temos de reconhecer que haverá sempre quem queira beneficiar de uma relação privilegiada com a classe política governante (e qualquer que seja o partido no poder!; veja-se o exemplo das “democracias” comunistas em que uns privilegiados camaradas vivem muito acima da pobreza generalizada). Em termos políticos, pelo menos para mim, os acontecimentos recentes apontam naturalmente para a seguinte evidência: uma sociedade mais liberal será indubitavelmente menos corrupta.

Breakfast in America

A liderança política de Obama continua de vento em popa. Depois de ter apanhado uma sova dos republicanos, despede Chuck Hagel, provavelmente o mais republicano dos seus Secretários.

Entretanto, o neo-falcão candidato presidencial Rand Paul pretende que seja formalmente declarada guerra ao Estado Islâmico.

O bom rigor português

www.tvi24.iol

Cumprindo a ancestral tradição portuguesa, o milimétrico rigor português surge em hora e momento particular, e em doses nunca inferiores ao prato a transbordar. Ao avião que se despenha, causando vítimas e destroços, urge apurar se o serviço de catering fora servido a tempo e horas, com a classe executiva sempre a preceder a turística, e o suminho da Compal a acompanhar a sande. Que o avião já vinha em rota descendente há muito, que havia escapado despenhar-se já por diversas vezes, detalhes de pérfida gente que quer julgamentos sumários em praça pública.

Em boa verdade, aos executivos nem compete morrer, excepto se crime de sangue em flagrante delito — que lesa-pátria ou corrupção é para a classe turística —, ou pelo menos assim entende João Soares. Já Clara Ferreira Alves, que se vê forçada a interromper o seu ganha-pão, o de decorar citações espúrias ao metro linear, critica o expediente escolhido para a detenção. Certamente que sim, José Sócrates deveria ter sido avisado de antemão para que pudesse remarcar o seu voo por forma a que a detenção não calhasse numa fatídica 6ª Feira à noite. E, justiça o permita, com estágio no Heron Castilho, não fosse o apartamento estar em pantanas e necessitar de uma limpeza prévia à visita dos inspectores, esses pulhas que estão a por a justiça e o regime em causa. Queixa-se também de Felícia Cabrita, recordando que se trata da biógrafa de Passos Coelho. Convém desde logo descredibilizar o mensageiro, e a pena de Felícia é o toque de Midas invertido. Ou seja, até prova em contrário, Sócrates é inocente, já o mesmo não devemos dizer de Felícia Cabrita e, já agora, de Passos Coelho, que convém desde já associar a potenciais violações do segredo de justiça.

E porque a angústia a impele, Clara Ferreira Alves afirma ainda que uma cadeia de televisão havia sido convidada. Dado que os outros três suspeitos tinham sido presos no dia anterior, certamente ocorrerá a alguém que Sócrates também possa ser detido assim que volte de Paris. Não poderá ter ocorrido a estes jornalistas? As fontes, Clara? A ética jornalística que falta a Felícia Cabrita? É uma pena que a ética, jornalística e não só, não venha com as citações coladas a cuspe. Clara Ferreira Alves seria um poço dela.

Com igual preocupação, Pedro Adão e Silva queixa-se da justiça destes últimos quatro anos. Três anos e cinco meses Pedro, que, em bom rigor, este Governo só tomou posse em Junho. E com toda a razão. Todos certamente nos recordamos dos tempos idos mas perfeitos de 2007, em que a justiça não andava, deslizava, com escutas anuladas por interferência dos irmãos-padroeiros de malhete, esquadro e avental. Bons velhos tempos, em que o nome de José Sócrates esquivava-se dos processos com precisão quântica. O tal rigor que nunca foi questionado então pelos que agora se indignam.

Que se indignam e que choram, porque é disso que se trata. Sanity checks à justiça podem e devem ser feitos com muita frequência, pilar fundamental de qualquer Estado de Direito. Que sejam feitas quando um amigo é detido, não confundamos as coisas, não é rigor, não é exigência, não é preocupação com o regime e com as instituições, é a mais primitiva das emoções humanas: o sofrimento gerado pela perda de alguém que nos é querido. O meu voto de pesar.

A longa marcha gramsciana, versão portuguesa

O meu artigo desta semana no Observador: Os saudosos do Muro de Berlim.

É aliás interessante constatar que, 25 anos depois da queda do Muro de Berlim e da libertação da Europa de Leste do totalitarismo comunista, o marxismo puro e duro subsiste e prospera no sistema educacional e universitário, onde abundam os aspirantes a planeadores, em especial na área das ciências sociais. É certo que não raras vezes se trata de um marxismo mais duro do que puro – já que as graves lacunas teóricas em alguns departamentos de ciências sociais e políticas por esse país fora não dão para mais – mas ainda assim é uma realidade que deveria merecer maior reflexão, dentro e (especialmente) fora das Universidades.

O artigo pode ser lido na íntegra aqui.

Não tem implicações políticas? Gargalhada.

Os comentadores enamorados por josé sócrates, que António Costa herdou, bem se esforçam para não contaminar o PS com o caso sócrates.

Vamos lá ver: mesmo que nada se prove – que os tais 20 millhões foram acumulados por sócrates e vindos de onde ou que, existindo os 20 milhões, eram do seu amigo e nada tinham a ver com sócrates – resta sempre o facto político. A prisão? Não. Que sócrates criou (enquanto Costa fazia parte do governo) regimes especiais de transferência de capitais para Portugal (fiscalmente muito apelativos e extinguindo implicações criminais) que os seus grandes amigos correram a aproveitar. Isto na possibilidade mais benigna.

Também será interessante de saber como o António-Costa-da-esquerda-da-esquerda-do-PS justificará um imposto de 5% sobre milhões de euros (decidido pelos governos de que fez parte) quando não se compromete com redução fiscal para famílias de classe média. Tanto mais que a entrada de dinheiro do país, só por si, não interessa a ninguém e não é ‘investimento produtivo’ – pelo menos é o que têm dito a propósito dos vistos gold.

A cura?

Tal como a Operação Labirinto, a detenção de José Sócrates é um sinal de que as instituições funcionam. Investigações deste género são normais em democracia (veja-se os exemplos em Israel e em França) e, mal seria se, perante os casos de corrupção em causa, não fossem levadas a cabo.

Mariana Mortágua, deputada do BE, disse que o regime está a cair de podre. Um regime não cai porque são feitas detenções. Podridão foi a lábia (ou narrativa, se preferirem) de Sócrates lhe ter permitido ser primeiro-ministro duas vezes. Isso sim, deve ficar na história.

Será que estamos perante o início do processo de cura do regime?

 

Porque é que ninguém é preso por corrupção em Portugal?

O Economista Insurgente

Porque é que ninguém é preso por corrupção em Portugal?
A corrupção é um crime complicado de ser provado em qualquer país. A parte que é prejudicada tem pouca visibilidade sobre o crime em si e o prejuízo é muito diluído, pelos milhões de cidadãos, enquanto o benefício é concentrado nos corrompidos e corruptores. Quem está por dentro do ato tem poucos ou nenhuns incentivos para denunciar ou aportar com factos que contribuam para a condenação. Os agentes da justiça têm de estar particularmente empenhados em identificar os casos de corrupção e reunir as provas necessárias para conseguir uma condenação.

Em Portugal, as leis dão muitas garantias aos acusados, mas, mais do que isso, é o próprio processo judicial que é muito pesado e sujeito aos mais variados expedientes que por vezes atrasam os processos até à prescrição. Se somarmos a isto a falta de meios, temos as razões oficiais para a dificuldade do combate à corrupção.

Olhando para as características do nosso sistema judicial, uma coisa salta à vista: Privilegiamos a prova testemunhal, que no caso da corrupção é muito difícil de obter, na medida em que as vítimas do crime não o presenciaram. É um crime sem rosto.

Também não ajuda que a separação de poderes entre o executivo e o judicial não seja a mais eficaz, com o orçamento da justiça a depender do orçamento do Estado e com a seleção e nomeação de juízes do Supremo Tribunal a sofrerem influencia do poder político. De igual modo, existem demasiadas ligações políticas entre o executivo e o Ministério Público, nomeadamente na seleção do seu responsável máximo. O Ministério Público português até têm, no papel, uma independência formal relativamente ao executivo, comparando com alguns países desenvolvidos, onde chega a ser um departamento do governo. No entanto, o envolvimento político dos seus magistrados é notório; possivelmente em consequência da turbulenta passagem do Estado Novo para a democracia. Temos assim que muitas vezes as pessoas investigadas estão informadas, por fugas de informação conseguidas por correligionários seus dentro da estrutura da justiça, sobre as investigações, podendo agir por forma a frustrá-las.

A separação de poderes tem como principal razão a efetividade da fiscalização de uns poderes pelos outros. A dependência da justiça em relação à política, por um lado, e a falta de controlo pelos cidadãos da justiça, pelo outro, tem como efeito lateral uma fraca fiscalização do poder político, especialmente do executivo, pelo poder judicial.

(in O Economista Insurgente, Esfera dos Livros)

2014

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Em entrevista ao jornal i, o ex-presidente da República foi questionado sobre o que queria dizer quando recentemente, num programa da RTP, disse que quando Ricardo Salgado falasse “as coisas iam ficar de outra maneira”. Mas Mário Soares não concretizou, nem foi mais longe. Disse apenas que “Ricardo Salgado, de quem sou amigo, está calado e muito bem”

Chamar o Putin pelo nome

E com eles no sítio.

Lithuania’s President Dalia Grybauskaite has called Russia a ‘terrorist state’ and warns that the current conflict in Ukraine could spread further if not stopped.

“Lithuania is one of the countries that recently walked a difficult road towards the restoration of independence. We know that today Ukraine is fighting for peace in Europe, for all of us,” Grybauskaite told national radio.

“If a terrorist state that is engaged in open aggression against its neighbor is not stopped, then that aggression might spread further into Europe.”

The head of state emphasized that every country has a right to choose its own destiny. Lithuania and the Baltics have played key roles in the Ukraine crisis after sending tens of thousands of euros in aid to Kiev and agreeing to treating wounded Ukrainian soldiers.

António Costa existe mesmo?

O meu texto de hoje no Observador.

‘Venho aqui confessar: não vislumbro o que pretende António Costa com a estratégia política que tem seguido e os temas em que tem martelado.

As eleições antecipadas em 2015. Mesmo depois do Presidente da República ter dito que as eleições serão na data prevista, o PS lá teve de reincidir no tema a propósito da demissão de Miguel Macedo. E antes de o PR ter dado a opinião sobre o assunto, toda a gente que costuma usar os neurónios sabia que Cavaco nunca iria antecipar as eleições. Porque considera – e muito bem – que a data das eleições não tem de andar a reboque das conveniências eleitorais do PS e porque deu em 2013 oportunidade ao PS de haver eleições antecipadas. O PS recusou e claro que Cavaco terá todo o gosto em oferecer ao PS aquilo que o próprio partido escolheu.

Era evidente que Costa perderia esta batalha da antecipação das eleições. (E se para a direção do PS não era evidente, aconselho que se demitam em bloco e se retirem para uma vida de contemplação num mosteiro nepalês.) Para que a escolheu, então? Para ter assunto, já que claramente não faz ideia – ou faz e não quer contar – de como resolverá os urgentes problemas do país, os de financiamento do estado? Mas ao político que se apresenta como conseguindo por Merkel no lugar de germânica causadora de duas guerras mundiais que deve desculpas e compensações ao mundo, será que esta imagem de bulldozer que arrasa todos no interesse de Portugal é beneficiada com o facto de nem o Presidente conseguir convencer?’

O resto aqui.

Tudo a perder

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O dia das eleições primárias do PS foi o ponto de inflexão de António Costa, momento em que a auspiciosa aura de nevoeiro que o acompanhava se começou a desvanecer. Do alto do prado do largo do Rato o imponente Costa, qual Ghandi de Lisboa travestido de Salvador da Pátria, assume-se então como ele inegavelmente é, negando o que pretende ser. Uma estratégia política digna de distinção por um Machiavelli moderno, não fosse um pequeno pormenor. As eleições são daqui a um ano. E, até lá, Costa só tem a perder.

Senão vejamos. No plano de estratégia política interna, se António Costa quiser recuperar o lesivo legado de José Sócrates & Cia., como aliás tem feito até ao momento, perderá todos os socialistas que, não obstante o seu alinhamento ideológico, rejeitam Sócrates. Caso reverta a estratégia de apoio a José Sócrates arrisca-se a perder a confiança da ala socrática, confiante que isso expiasse os pecados do passado, acantonando-os então nos movimentos, uniões e plataformas que pululam nas ávidas avenidas da esquerda, três anos longe das manivelas do Estado, uma eternidade no calendário do sonho socialista.

O mesmo se passa com as uniões à esquerda. Ou à direita. Se calhar as uniões com a esquerda anti-capitalista são perigosas. A crise é má, a coisa piorou, mas no fundo António Costa sabe que com a extrema-esquerda seria bem pior. Ao prometer alianças à esquerda aliena o centro e o centro-direita, receoso de ver um Rui Tavares perto da coisa, quanto mais à frente da coisa. Já quando se chega ao outro lado perde implicitamente o apoio dos intransigentes da esquerda, muitos do próprio PS, resolutos em afastar a direita do poleiro de que se julgam donos. Talvez excepto o Daniel Oliveira, que esse é versátil.

Em termos de políticas económicas a coisa é ainda mais gravosa. Os sonhadores que julgavam ser possível resolver o sério problema das finanças públicas sem reduzir despesa e/ou aumentar impostos ficaram agora a saber que entre o sonho e a realidade está a Câmara Municipal de Lisboa, que preparou taxas e taxinhas para continuar a pagar os 114 sociólogos que emprega. Mais ainda, o sonhador que infortunadamente não resida em Lisboa fica também a saber que António Costa está disposto a direccionar taxas de um aeroporto que é infraestrutura nacional, que ocupa áreas pertencentes a dois municípios, e que aliás já paga derramas municipais, para um município em particular, o de Lisboa. Centralismo no seu apogeu, certamente digno de salvas da cova do sr. Sebastião José, Marquês de Pombal.

As promessas, políticas ou económicas, também se esfumam. O PS diz que os salários dos funcionários públicos serão integralmente repostos assim que o PS ganhar as eleições. António Costa diz que afinal não será bem assim. Serão eventualmente repostos, precisando esse momento com o rigor de um bom procrastinador: algures, um dia. E a sê-lo, nunca explicando de onde vem a verba. Retirada a outra rúbrica de despesa? Ou de mais aumentos de impostos? Seja como for, não colherá grande entusiasmo entre os funcionários públicos que achavam que com ele é que é, ou com ele é que era.

Pois com Costa é que vai ser, que Costa não é Hollande!, Costa não é Renzi!, Costa é Costa!, e quem o conhece sabe disso, surreal mas real testemunho de Edite Estrela, como a própria. Aqui a coisa também não está famosa. Os indigentes defensores da renegociação da dívida, os que se estão a lixar para a dívida, os Pedros Nunos Santos — entre tantos outros Pedros, gente de arfada argumentação mas hábil ofício no secretariado do PS, agora mascarados de comentadores de coisas — tecem a desolação. Afinal Costa não vai bater com o pé pois não existem soluções messiânicas para a dívida, pelo menos segundo as palavras de um dos homens que veio regenerar e mobilizar com sangue novo o PS, Vieira da Silva.

À medida que a névoa se esfuma António Costa irá, com a inevitabilidade da realidade que encarou os sonhadores do terceiro parágrafo, perder parte dos seus apoios. De Pedro Passos Coelho sabemos o que sabemos, e o espaço é limitado para eu elencar tudo de que discordo. De António Costa vamos descobrindo, e o que temos descoberto é que António Costa é um, mais um, como aliás todos os outros de outrora, de hoje e de amanhã, e que até Outubro tem tudo a perder.

O Insurgente goes to Mais Mulher

Aqui fica o vídeo do programa Mais Mulher, na SIC Mulher, de 17 de novembro onde o André Abrantes Amaral, o Bruno Alves e eu estivemos à conversa com Ana Rita Clara. Sobre o blog e sobre o que se pode esperar do governo até às eleições legislativas. (Somo o último segmento da 1ª parte.)

Resultados do putinismo

Putincoala

A diplomacia energética russa continua a dar os seus frutos.

Estonian Prime Minister Taavi Rõivas and his Finnish counterpart, Alexander Stubb, reached an agreement on Monday to build two liquefied natural gas (LNG) terminals, connected by a pipeline, in both countries by 2019.

The project is called ‘Balticconnector’, and if it succeeds, it would increase the energy diversification of the two nations, in light of the unpredictable behavior by Russia, currently the main gas provider for both countries. The project is likely to get financial support from the European Union.

 

Leitura complementar: O ar da Rússia cura a homossexualidade, de Rui Ramos.

O princípio da confiança

Questão: como não violar o princípio da confiança da Constituição da República Portuguesa, tal como interpretada pelo actuais magistrados do Tribunal Constitucional, num contrato que pressupõe a existência de unicórnios?

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Nota: imagem retirada de um excelente trabalho da Nova Finance Center sobre a sustentabilidade da Segurança Social.

Praticar e louvar o terror

Faz parte da natureza do Hamas.

Do lado da União Europeia, será a altura para deixar de apoiar o terrorismo. Esse papel continuará a ser desempenhado pelo Qatar e por eméritos doadores públicos e privados. Em Maio último, o Qatar ofereceu cinco milhões de dólares ao governo islamista do Hamas. A solidariedade pretendeu apoiar os esforços de reconciliação com a Fatah (com os brilhantes resultados que se conhecem), partido que lidera a Autoridade Palestiniana na Cisjordânia. De acordo com Ismail Raduan, Ministro das Doações e Assuntos Religiosos do Hamas, a oferta do governo do país do Golfo Pérsico pretendeu apoiar a “reconciliação comunitária” e está destinada a apoiar as famílias que perderam os seus entes queridos nas quase eternas lutas armadas que opõem a Fatah e o  Hamas.

Em Março deste ano,  no seguimento da ilegalização da Irmandade Muçulmana, um tribunal egípcio baniu toda e qualquer actividade do Hamas no país e confiscou todos os seus bens. O Hamas  é acusado de interferir nos assuntos internos egípcios e, na altura, alguns dos seus líderes tinham Cairo como base. As autoridades egípcias acreditam que a organização terrorista do Hamas que governa a Faixa de Gaza, desempenha um papel importante no aumento da violência vivida na Península do Sinai.

Desde Julho que o exército do Egipto destruíu mais de 100 túneis que ligam Gaza ao Egipto e que servem para contrabandear alimentos, materiais de construção mas também armas e terroristas. A lua-de-mel entre o Hamas e o Egiptou acabou de forma abrupta quando os militares removeram o Presidente Morsi e acabaram com o governo da Irmandade Muçulmana. Hoje o Hamas que é visto como é um apoiante dos atentados terroristas, um risco acrescido para as forças de segurança e civis, procura defender-se das acusações como um ataque à causa palestiniana e um favor a Israel.