Natal e Moedas

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Outrora, era normal encontrar espalhados – de forma caótica e perigosa – pelo parque os carrinhos de compras, apesar dos simpáticos avisos que indicavam onde deveríamos deixá-los. Até que um dia, para nossa surpresa, ao chegar ao estacionamento, encontramos os ditos bem alinhados em locais próprios.

Tal milagre deveu-se a um invento que permitiu ter o carrinho só depois de se inserir nele uma moeda que se recupera quando se encaixa o carrinho, vazio, em outro já arrumado e alinhado. Desta forma, a necessidade que o cliente tem do carrinho e o interesse em não ficar sem a moeda faz com que coopere na manutenção da “ordem”. Mostrando que a ligação do interesse próprio ao bem comum, é mais segura do que falsas dicotomias, como egoístas “versus” altruístas.

Para o problema dos carrinhos de compras abandonados nos parques de estacionamento, os privados encontraram uma solução simples e eficaz, que internaliza os incentivos económicos das pessoas. Fosse o Estado, e o abandono dos carrinhos de compras seria regulado, criminalizado, vigiado por câmaras de segurança, fiscalizado por agentes, autuado por agentes da autoridade e admoestado pelo socialista altruísta do bem comum. Tudo isto custando muito mais do que o prejuízo que gerava.

O resto está no excelente artigo do Prof José Manuel Moreira.

Cuba e os Estados Unidos

Agora que os Estados Unidos reataram as suas relações diplomáticas com a ditadura cubana, vale a pena ler o excelente artigo que o grande ensaísta americano John Jeremiah Sullivan publicou em 2012, sobre uma viagem à ilha com a sua mulher, para lá visitar a família dela:

The cook at the omelet station, when he asked where I was from and I told him, put up his fists like a boxer, as if we were about to have it out, then started laughing. He told me that he had family in the United States, in Florida. That’s what everyone says. You can’t understand the transnationally dysfunctional, mutually implicated relationship between Cuba and Miami, that defies all embargoes and policies of “definitive abandonment,” until you realize that the line often cuts through families, almost always, in fact. People make all sorts of inner adjustments. I told the man I hated the embargo (the blockade, as they call it) and thought it was stupid, which was both true and what he wanted to hear. He gave me a manly clap-grasp. I didn’t go on and say, of course, that I disliked the embargo most because it, more than anything, has kept the Castros in power for half a century, given them a ready-made Goliath for their David. Thanks to the embargo, when the Castros rail against us as an imperialist enemy, they aren’t really lying. We have in effect declared ourselves the enemy of the Cuban people and done it under the banner of their freedom, hitting Cuba in a way that, after all, makes only the people suffer, and far from punishing those in power, rewards them and buttresses their story. As for the argument that to deal with tyrants would render our foreign policy incoherent, we deal with worse every day — we’ve armed worse — and in countries that don’t have a deeply intimate history with ours, going back centuries. All this because a relatively small but highly mobilized exile community holds sway in a state that has the power to elect presidents. There was no way to gauge how much of this the man would agree with. We left it at mutually thinking the embargo sucked.

(…)On the way back to the hotel, Manuel asked what I did. When I told him I was a reporter, he said: “You’d hate it here. There is no freedom of expression here.”

He launched into a tirade against the regime. “It is basically a prison,” he said. “Everyone is afraid.”

The things he said, which I had heard many times before — that you can go to prison for nothing, that there’s no opportunity, that people are terrified to speak out — are the reason I can never quite get with my leftie-most friends on Cuba, when they want to make excuses for the regime. It’s simply a fact that nearly every Cuban I’ve ever come to know beyond a passing acquaintance, everyone not involved with the party, will turn to you at some point and say something along the lines of, “It is a prison here.” I just heard it from one of the men who worked for Erik, back in the hometown. I remarked to him that storefronts on the streets looked a little bit better, more freshly painted. It was a shallow, small-talky observation.

“No,” he said, turning his head and exhaling smoke.

“You mean things haven’t improved?” I said.

“There is no future,” he said. “We are lost.”

(…)There was a time Mariana took me to Cuba, and we went to a town called Remedios, in the central part of the island. (…)At a certain moment, a woman appeared in the passageway that led from the front room into the main part of the house, a woman with rolls of fat on her limbs, like a baby, and skin covered in moles. She walked on crutches with braces on her knees. She had a beautiful natural Afro with a scarf tied around it. She was simply a visually magnificent human being. She told us the prices of her works, and we bought a little chicken carving. She said almost nothing otherwise — she had difficulty speaking — but when we stood up to leave, she lifted a hand and spoke, or rather delivered, this sentence. It was evidently the message among all others that she deemed most essential for U.S. visitors. “I know that at present there are great differences between our peoples,” she said, “but in the future all will be well, because we are all the sons and daughters of Abraham Lincoln.”

No Fio da Navalha

O meu artigo de hoje no jornal ‘i’ é sobre o financiamento da política autárquica.

Descentralização

A junta de freguesia do bairro onde moro, Alvalade, promoveu aquilo a que chamou “Mercado de Natal em Alvalade”. A iniciativa consistiu num conjunto de barraquinhas, espaços com artesanato e animação de rua, com vista a atrair gente para o comércio local.

A ideia foi engraçada e é difícil encontrar razões contra. Difícil, mas possível. Por princípio, faz-me confusão que uma freguesia se imiscua em assuntos privados. Na verdade, a promoção do comércio tradicional não tem de ser feito pelo poder público, quando são interesses privados, os dos comerciantes e habitantes duma determinada zona, que estão em causa. A interferência do poder político acaba por beneficiar alguns à custa dos demais cidadãos, cuja opinião não é pedida nem achada.

Dir-me-ão que se trata de solidariedade. O que não é o caso, pois não falamos de necessidade, mas de interesse comercial. O que está em causa é ajudar os lojistas. Algo meritório, mas que os próprios poderão fazer sem que se onere os contribuintes e se retirem fundos de causas sociais, essas sim, de manifesta importância.

Uma política correcta é, pois, não interventiva, mas permissiva. Não coloca entraves nem taxa iniciativas privadas de promoção do comércio. Implica uma descentralização verdadeira, porque também fiscal: uma freguesia gasta apenas o que recebe dos munícipes. Mais despesa implica mais imposto. Só assim se controla o poder, não se tolhem direitos e se incentiva a liberdade comercial.

Uma triste campanha

(Artigo publicado no Diário Económico de hoje)

Há dias, o Governo anunciou que não voltará a prolongar a redução de 50% do pagamento do trabalho em feriados e horas extra. A organização corporativa que defende os interesses dos donos de algumas empresas e a organização corporativa ligada ao PCP que zela pelos interesses dos trabalhadores nela inscritos dividiram-se quanto aos méritos da decisão. Mas méritos ou deméritos desta ou outra medida serão algo que ficará ausente do debate partidário, pois nenhuma será discutida pelas agremiações concorrentes em função de outra coisa que não a sua coreografia para a longa e triste campanha eleitoral que nos atormentará.

Já se percebeu que os meses que nos separam das eleições legislativas serão tudo menos edificantes. Falando de “caravelas”, “mexilhão” ou “donos disto”, Governo e oposição degladiam-se ferozmente, esforçando-se por se suplantarem no que à falta de seriedade diz respeito. E a tendência é para a coisa piorar: PSD e CDS precisam de dar uns rebuçados a um eleitorado cansado de austeridade e simultaneamente convencê-lo de que o “despesismo” do “punho erguido” será uma desgraça. O PS argumentará que “uma desgraça” foi o estado em que o Governo deixou Portugal, procurando que esse refrão não convença os eleitores de que a situação do país impedirá o PS de melhorar as suas vidas. Por outras palavras, PSD e CDS terão de mostrar que governaram bem, mas não “demasiado bem” ao ponto de tudo estar resolvido e ser seguro devolver S. Bento ao PS, e o PS precisa de mostrar que a crise continua, mas é possível voltar a viver como se ela nunca tivesse ocorrido. Ninguém de bom senso acreditará em qualquer um deles, claro, e o resultado será o “parlamento pendurado” que por aí se antecipa. Quanto aos problemas que realmente afectam os portugueses, nada será dito ou feito. Nada, também, que nos deva surpreender.

Rússia em modo vintage

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Crise, qual crise? Está proibida, a crise.

Authorities in the Central Russia’s Kaluga Region have banned the use of the word ‘crisis’ in public and the measure is already helping to attract investors, according to the local governor.

It is possible that the crisis exists, but we forbid the use of this word,” the Russian News Service (RSN) radio quoted Anatoly Artamonov as saying on Tuesday.

The governor added that the Kaluga Region authorities were not planning a policy response to the current “inconvenient moment,” but instead chose to hold a major internal audit of the investment policy and legislation in order to create a better business environment.

Da bestialidade e irracionalidade do terror

Foto de Mohammad Sajjad/AP

Foto de Mohammad Sajjad/AP

Taliban Attack on School in Pakistan Kills More Than 100.

Leitura complementar: O Público continua a chamar aos assassinos, “combatentes dos taliban paquistaneses “. Os tais bravos combatentes queimaram vivo um professor e decapitaram várias crianças.  Não são separatistas, são assassinos III.

Radicalismo ideológico

Das companhias aéreas “de bandeira” na chamada Europa ocidental temos:

  • Totalmente públicas: Portugal
  • Maioria de capital público: Finlândia (56%)
  • Minoria de capital público: Dinamarca* (14%), Espanha (5%), França (20%), Holanda (6%), Irlanda (25%), Itália (19%), Luxemburgo (49%), Noruega* (14%), Suécia* (21%)
  • Totalmente privadas: Alemanha, Áustria, Bélgica, Reino Unido, Suiça

* A SAS é a companhia “de bandeira” nos três países escandinavos, tendo os respectivos três governos 50% do capital entre eles

A TAP e o PEC IV

"Caravela portuguesa do século XIV em ascenção (198 kts) para Vera Cruz", Museu de Arte Contemporânea do Sindicato dos Pessoal de Quilha da TAP.

“Caravela portuguesa do século XIV em ascenção (198 kts) para Vera Cruz”, Museu de Arte Contemporânea do Sindicato dos Pessoal de Quilha da TAP.

Discute-se muito qual a interpretação correcta do MoU quanto à privatização da TAP, como se este fosse a Bíblia à luz da qual são interpretadas as vontades do PS. Ignorando o facto do próprio PS, sempre enquanto Governo, ter sugerido a sua privatização, atente-se ao PEC IV, que passo a citar:

“No quadro da programação plurianual das operações de privatização, continuará a promover-se, em geral, a alienação das participações integradas na denominada carteira acessória, contemplando-se, ainda, um conjunto de diversas empresas nas áreas da energia, construção e reparação naval, tecnologias de informação e comunicação, serviço postal, infra-estruturas aeroportuárias, transporte aéreo e transporte ferroviário, bem como a alienação de activos detidos fora do país.”

Debate na FEP

Embora esta casa acredite no exacto oposto, de que mais Estado implica menos liberdade, excepto se a adesão compulsória à Segurança Social, a capitalização forçada de companhias aéreas, o financiamento obrigatório de canais de televisão, ou um serviço público que obriga ao recurso a prestadores públicos, for mais liberdade. Nesse caso, concordamos com o mote. Seja como for, a presença de distintos e brilhantes professores como o Mário Graça Moura faz deste debate, a decorrer no dia 17 de Dezembro na sala 111 na FEP, um evento a não perder.

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A queda do BES segundo Augusto Santos Silva

Está aqui um resumo precioso e preciso de como têm decorrido as audições na Comissão de Inquérito ao caso BES, sintetizando todas as perspectivas dadas até ao momento. Termina do jeito que é típico do autor, com acutilância e ironia, denunciando a forma como todos se escapam às suas responsabilidades: “Todos estão a falar na Comissão de Inquérito e é uma tristeza ver como declinam responsabilidades, fingem desconhecimento e passam culpas uns aos outros.”.

Quem assina é Augusto Santos Silva, que sempre reconheceu as responsabilidades do último Governo na precipitação da crise da dívida soberana; que sempre criticou os investimentos megalómanos, os elefantes brancos e as auto-estradas desertas que foram sendo construídas; e que sempre assumiu a culpa desse mesmo Governo, nunca tentando passar responsabilidades àqueles que vetaram o PEC IV.

Querida progressividade

O meu texto de dia 10 de dezembro, no Diário Económico, sobre a reforma do IRS e os desastres do PS com o coeficiente conjugal.

‘O Governo provavelmente fez bem em recuar na cláusula de salvaguarda, amedrontado, entre outras razões, com as dificuldades informáticas que adviriam se a mantivesse. O Governo não tem tido uma relação fácil com as fórmulas de cálculo. E se está disposto a arriscar atrasar o já lento tempo da justiça, deixar inúmeros alunos durante quase um trimestre inteiro sem aulas e desorganizar a vida de milhares de professores e das suas famílias, evidentemente que no que toca à recolha de impostos (a verdadeira função do estado para este Governo), venham todas as cautelas.

Claro que a cláusula de salvaguarda só era necessária porque aumenta o IRS de algumas famílias. Mas ao fim de tantos aumentos de impostos – deste governo e anteriores – já estamos anestesiados em demasia para continuarmos a protestar. Esta reforma do IRS não se recomenda. Não há significativa simplificação e continua a ver a classe média como se composta por nababos. Mas por causa de uma das poucas medidas boas que o Governo propôs – o coeficiente familiar – o PS lá entendeu rasgar as vestes. E mostrar o extremismo que por estes dias o assola. O coeficiente conjugal existente permite dividir por dois o rendimento de um casal.

Se um dos casados não trabalhar – mesmo sendo saudável e podendo – o Estado atende ao facto de o único gerador de rendimentos do casal ganhar para duas pessoas em vez de apenas para si. Mas o mesmo Estado que dá benefícios fiscais a um adulto casado que até pode não trabalhar por opção, deve arrancar os cabelos – como o PS por estes dias – se para cálculo de IRS atender ao facto dos um ou dois geradores de rendimento familiar o gerarem também para os filhos. Isto diz-nos muito sobre a política fiscal que o PS seguirá. Não terminarão a sobretaxa do IRS para todos os escalões, visto que, pela nova argumentação do PS, abandonar uma sobretaxa igual para todos implica regressividade fiscal. Acaso queiram reduzir IRS, não tirarão, por exemplo, 1% à taxa de cada escalão – para o PS isso é regressivo. Donde: se reduzirem o IRS, irão aumentar a progressividade do imposto – e tratar a classe média ainda mais como nababos, agora ao quadrado.
Estamos avisados.’

Testemunho de um accionista da TAP

Este accionista gostava de voar para fora da TAP.

Este accionista gostava de voar para fora da TAP.

Escrevo-vos na qualidade de accionista da TAP, que herdei não sei bem quando. Ao contrário daquela casa em Santa Marta de Penaguião que herdamos de um primo distante cuja vida lhe foi agreste e que nem sequer sabíamos que existia, nesta herança tudo é ao contrário: chega na hora do nascimento, tem um efeito líquido negativo na minha conta bancária, mas faz-se acompanhar de tristeza idêntica. É o pior dos dois mundos.

Desconheço a razão para me terem feito accionista da TAP. Não trago qualquer experiência ou competência ao sector da aviação, ou desejo sequer fazê-lo. Dizem-me que é pelo superior interesse estratégico nacional, o que geralmente significa que sofre a já escanzelada carteira, que paga os arbítrios destes interesses estratégicos, confecção mole para caprichos de empedernidos socialistas que julgam que o país lhes pertence.

Pior ainda, sou um sócio minoritário sem presença nas Assembleias Gerais, que não pode aprovar, vetar decisões, ou sequer vender a sua participação, e que nunca recebeu qualquer dividendo. Mas que já foi convidado de forma compulsória a lá injectar dinheiro.

Mas serão tudo más notícias? Desde há uns tempos que viajo para Faro a preços irrisórios numa companhia de bandeira, e a partir de Março poderei visitar os Açores também numa companhia de bandeira a preços muito acessíveis. Vendo bem, até poderia não ser assim tão mau, não fossem as bandeiras de origem irlandesa e britânica, respectivamente, dado que a TAP está demasiado ocupada a assegurar o superior interesse estratégico nacional.

E assim, não tendo eu nada para oferecer à TAP e não tendo a TAP nada para me oferecer a mim, solicito que, seja porque o MoU assim o diz, seja porque é o desejo incandescente desses perigosos neoliberais, seja porque o PS faria exactamente o mesmo caso estivesse no Governo, a privatizem o quanto antes, voltando eu à condição única de cliente voluntário da empresa caso esta me agrade, condição que me apraz a mim, mas apraz fundamentalmente à carteira de todos nós.

Um accionista que deseja deixar de o ser,

As greves nos transportes e o “serviço público” (3)

Corporativismo e desestatização. Por Manuel Villaverde Cabral.

Por um lado, é certo que a primeira motivação dos actuais sindicatos é preservar os privilégios corporativos do pessoal, evitando a todo o custo a privatização das empresas estatais, praticamente todas falidas. Basta ver que há muitos anos só há greves de alguma importância nas ditas empresas estatais. Esta é a tarefa da CGTP. Por outro lado, o PCP, que nunca está longe daquele género de movimentações sindicais, tem interesses mais vastos: arruinar as empresas, aumentar a dívida pública, sair do euro e, como remate, apresentar a sua alternativa à nossa cambaleante democracia eleitoral…

Leitura complementar: Esta semana há greve nos transportes públicos.

A crise política na Suécia

Sweden in Crisis. Por Carl Bildt.

After decades of adherence to more or less stable rules and predictable patterns, Swedish politics has entered uncharted territory in recent weeks. Many are shocked that the government collapsed and had to call a new election only two months after taking office. After all, Sweden had been a rare beacon of success in Europe in the years since the 2008 global financial crisis. So what happened?

Continuar a ler

As greves nos transportes e o “serviço público” (2)

Greve da PGA com adesão total, mas sindicato pondera novas formas de luta

Leitura complementar: Esta semana há greve nos transportes públicos.

Mais um contributo para a união da extrema-esquerda

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Movimento Juntos Podemos pode dar lugar a um novo partido

O Juntos Podemos pode transformar-se num novo partido para concorrer às próximas legislativas. Nada está fechado. “A fórmula organizativa vai ser discutida e aprovada democraticamente”, afirma ao i Joana Amaral Dias, uma das promotoras da assembleia do Juntos Podemos, um movimento que se inspira no Podemos espanhol.

Monty Python – Life of Brian – PFJ Splitters

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Pus eu como cover photo no facebook uma fotografia da série Yes, Prime Minister (é sempre conveniente revisitarmos Jim Hacker, Sir Humphrey Appleby e Bernard Wolley) e logo a seguir vejo que a Carla Quevedo tinha colocado Emmeline Pankhurst como cover. E, por associações evidentes, lembrei-me daquela reunião dos secretários permanentes dos ministros que se mostram muito favoráveis ao princípio da inclusão de mais mulheres em cargos políticos desde que não no seu ministério concreto. No fundo, favoráveis a procedimentos que levassem a que, como diz Sir Humphrey, se escolha sempre ‘the best man for the job, regardless of sex’. Muitos destes clichés já estão datados, mas olhando para os minsitérios que o PS atribui às suas ministras, desconfia-se que mantém muitos dos preconceitos de Appleby e Cia.

As greves nos transportes e o “serviço público”

O meu artigo de hoje no Observador: Esta semana há greve nos transportes públicos.

Curiosamente, um motivo omnipresente nas tentativas de justificação das greves por parte dos sindicatos é a defesa do “serviço público” de transportes. É no mínimo estranho que a defesa do “serviço público” de transportes passe pela negação sistemática do serviço de transportes ao público. Mas além de assinalar a notória incoerência argumentativa dos sindicatos nas suas tentativas de legimitar o boicote sistemático dos serviços de transportes, importa perguntar por que é que o sector dos transportes é um alvo prioritário e recorrente para greves.

O resto do artigo pode ser lido aqui.

Candidaturas IEP-UCP – Semestre de Primavera

Estão abertas candidaturas aos programas de MA in Governance, Leadership and Democracy Studies e de Mestrado e Doutoramento em Ciência Política e Relações Internacionais do Instituto de Estudos Políticos da Universidade Católica Portuguesa.

No semestre académico que se iniciará em Fevereiro, leccionarei a unidade curricular de Global Political Economy, obrigatória no MA in Governance, Leadership and Democracy Studies e opcional nos programas de Mestrado e Doutoramento em Ciência Política e Relações Internacionais.

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CP, TAP e “serviço público”

Doenças: CP ou TAP são questões de ‘patalogia não de ‘ideologia’. Por João Pereira Coutinho.

E quem fala na CP, fala na TAP, que prepara greve nos dias 27, 28, 29 e 30 de Dezembro. As datas comentam-se a si próprias. O que não se comenta é o estranho motivo que leva alguns comediantes a considerar estas empresas públicas como empresas de ‘serviço público’. Há quem fale em ‘ideologia’. Eu prefiro ‘patologia’. Se os defensores da CP ou da TAP tivessem o hábito recorrente de usar os respectivos serviços, a doença nacionalista passava-lhes depressa.

Abordo também o tema das empresas de “serviço público” de transportes – mas focado na questão das recorrentes greves – no meu artigo de amanhã no Observador.

O próximo primeiro-ministro

CostaSondagem da Eurosondagem para o Expresso e a SIC relativa ao mês de Dezembro:

  • PS:         37,5%
  • PSD:      25,2%
  • CDU:      10,1%
  • CDS/PP:  7,3%
  • BE:           3,3%
  • PDR:        2,2%
  • Livre:        1,7%

 

Esperemos pelo programa eleitoral. Claro que o programa de Governo será, depois das eleições, à semelhança do programa do PSD/CDS, muito diferente.

Derrame de Leite na TAP

MFLeiteManuela Ferreira Leite, no seu habitual comentário na TVI24 (video 0:40″), afirma que a “privatização da TAP avança na base da ignorância”, referindo-se à notícia sobre a alternativa da ajuda do Estado à empresa aérea não estar totalmente excluída pela União Europeia:

A comissária europeia da Concorrência, Margrethe Vestager, disse esta quinta-feira que a capitalização de uma companhia aérea pelo Estado é sempre uma matéria «delicada», mas que há «possibilidades», ao ser questionada sobre a TAP.

Sendo assim, a Sra. Leite diz estar “em total desacordo com a privatização da TAP” porque o Governo defendeu esta opção sempre no pressuposto de não ser possível recorrer a aumento de capital pelo Estado. Conclui-se que prefere a opção socialista do controlo estatal. Pelo contrário, o Governo de Passos Coelho prefere a privatização porque 1. até gostaria de meter dinheiro na TAP mas não fez o necessário trabalho de casa (incompetência) ou 2. acredita que essa injecção de capital iria apenas adiar o problema – meu ponto 7. no post anterior -, não querendo explicar porque seria melhor a gestão privada (desonestidade).

Está de parabéns o pequeno Napoleão do Kremlin

Google Pulls Out Of Russia

Google is going to close its engineering office in Russia, the Financial Times says.

Russian authorities have been cracking down on internet activity throughout 2014.

In Russia, a new law forces tech companies to keep all data about Russians inside the country’s borders.

 

Os cartoons prejudicam a saúde

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Indonesian police accused the top editor of a leading English-language newspaper of blasphemy after the paper published a cartoon depicting the flag of the Islamic State of Iraq and Al-Sham that allegedly insulted Islam.

À esquerda

O meu artigo de hoje no Diário Económico sobre a viragem do PS à esquerda.

O PS virou à esquerda. Mas fê-lo, não para piscar o olho aos partidos daquela área política, nem em reacção à prisão preventiva de José Sócrates. O PS de António Costa vira à esquerda porque a nova geração de socialistas é de esquerda e visa a conquista do poder para aplicar um programa de esquerda.

Há muitas razões que explicam o fenómeno. Por um lado a lição retirada do Partido Socialista francês, que arrisca a divisão interna por não se ter posicionado atempadamente. Com Manuel Valls a puxar para o lado direito e Arnaud Montebourg para o esquerdo, dificilmente o PSF tem condições de se apresentar unido para defender Hollande em 2017.

Mas além do posicionamento táctico, há uma nova geração de socialistas, profundamente marcada pela queda do muro de Berlim e que, ironia do destino, viu nesse feliz acontecimento, não a confirmação dos erros do socialismo, mas a percepção de que a experiência merecia um acerto. Que, devidamente analisados os erros, se repetisse a dose, com as necessárias correcções. Refiro-me a pessoas que, em 1989, eram demasiados jovens para deitarem fora o sonho de mudar o mundo à sua imagem e que seguiram o seu caminho até ao último congresso do PS.

Na semana que antecedeu esse congresso, o Público deu espaço a um artigo de um militante socialista, Tiago Barbosa Ribeiro, que, criticando Francisco Assis, definiu o que o PS não pode ser. Neste, além da referência à queda do muro, dizia-se que o PS não pode entender-se com o PSD, mas sim virar-se para o Bloco e para o Livre. Não foi por acaso que, dias depois, Assis se tenha afastado dos órgãos dirigentes do PS.

E é precisamente Francisco de Assis que, nesse mesmo jornal e após esse mesmo congresso, nos alerta para o que denomina de esquerda proclamatória, porque sem ideias. Acrescento apenas, e recordando o artigo que escrevi nestas páginas a 3 de Outubro último intitulado “Um PS anti-Europa?”, onde aviso para o risco do PS vir a colocar em causa o projecto europeu que sustenta o presente regime, que a aclamação idealista dos extremistas está já a influenciar o partido socialista e ditará os termos do seu futuro programa político.

Os argumentos desta esquerda são fáceis de expor: recusam a dívida e a inevitabilidade das suas consequências. Por outro lado, é muito difícil encontrar políticos que defendam a redução do Estado e o fortalecimento das liberdades individuais. Logo, esta esquerda beneficia de um discurso populista enquanto a direita do espectro partidário, favorável que é à existência de um estado forte, protector e interventivo, fica presa à austeridade que é única forma de o salvar. É bem possível que o PS vença as próximas eleições. Estaremos, nesse caso, em condições de ver o nosso futuro e de concluir que o que nos aguarda, é tudo menos bonito.

Portugal com terceira maior subida do emprego da UE

Mais uma boa notícia relativamente à evolução recente do emprego em Portugal: Emprego em Portugal com terceira maior subida da UE ao crescer 1,4% no 3.º trimestre

Portugal registou, no terceiro trimestre do ano, a terceira maior subida da taxa de emprego na União Europeia, com um crescimento de 1,4% face ao trimestre anterior, segundo dados do Eurostat. (…) Já face ao mesmo trimestre do ano passado, o emprego aumentou 0,6% entre os países que partilham a moeda única e 0,9% no conjunto da UE, no terceiro trimestre. Neste caso, o crescimento do emprego em Portugal foi de 1,9%.

O Corporações sobre o caso BES

Finalmente, os 7 alter-egos que compõem a personagem pessoniana Miguel Abrantes, três dos quais o João Galamba, mais 4 que vieram como reforço de inverno após a vitória de António Costa, pronunciaram-se sobre o caso BES/Ricardo Salgado.

Em suma, tal como no caso Sócrates, é bom que Justiça/Governo/PSD/Cavaco/Passos Coelho/PGR que não Pinto Monteiro/Presidente do STJ que não o maçon Noronha Nascimento/todos excepto o cabecilha se pronunciem sobre o caso, revelando se tinham informação privilegiada sobre o BES, porque certamente que Ricardo Salgado desconhecia tudo, o pobre incauto.

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As trapalhadas de Costa não pagam taxa

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Contra o bota-abaixismo, a Taxa turística avança em Lisboa apesar das trapalhadas.

Leitura complementar: A longa marcha da Taxa Costa.