O Insurgente

Abril 13, 2013

O problema constitucional português visto pela Economist

Filed under: Economia,Justiça,Política,Política Fiscal,Portugal,socialismo,União Europeia — André Azevedo Alves @ 19:00

Portugal’s budget: Constitutional difficulties

A WEEK ago Pedro Passos Coelho, Portugal’s centre-right prime minister, faced the unpopular task of cutting public spending by €4 billion ($5 billion) over three years to comply with his country’s €78 billion bail-out programme. Then, on April 5th, the constitutional court struck down previously planned cuts in public-sector pay, pensions and benefits. He now has to find cuts worth €5.3 billion to keep the programme on track to end in May 2014. The court’s ruling raises doubts over whether that is now possible: in effect, might Portugal need a second bail-out?

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Mais tempo, mais juros, mais dívida, mais “austeridade” (2)

Em Fevereiro, o Governo ia apresentar medidas de cortes estruturais da despesa no valor de 4 mil milhões de euros.
A recente decisão do Tribunal Constitucional agrava a situação orçamental em cerca de 1,2 mil milhões de euros.
Logo, mesmo sem considerar outras derrapagens, o montante mínimo de cortes estruturais na despesa em falta é de 5,2 mil milhões de euros.

Assim sendo, não percebo este anúncio.

Moral da estória: enquanto continuar a haver financiamento, dificilmente haverá cortes estruturais na despesa.

Leitura complementar: Mais tempo, mais juros, mais dívida, mais “austeridade”.

The Germans and the euro

Filed under: Economia,Política,Política Fiscal,Política Monetária,socialismo,União Europeia — André Azevedo Alves @ 12:23

Don’t make us Führer: Germans are losing patience with being cast as the euro zone’s scapegoats

The Germans are not yet openly angry. That would be out of character in a people who have, since the second world war, been eager to atone for the past and be good European partners. In one recent poll, 34% of Germans even said they empathised with the wrath of the southern Europeans. But the mood is shifting. The southerners may see Germany as forcing excessive austerity on them and showing insufficient solidarity, but Germans have a different view.

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Mais tempo, mais juros, mais dívida, mais “austeridade”

Eu ainda sou do tempo (o longínquo ano de 2012) em que o Governo afirmava não ir pedir mais tempo nem mais dinheiro.

Prazos dos empréstimos europeus serão prolongados em sete anos
Troika em Lisboa na segunda-feira

Passos: “Não pediremos mais tempo nem mais dinheiro”

“Quero reafirmar que Portugal não pedirá a renegociação do programa que está a executar”, disse o primeiro-ministro português no final do encontro com Mariano Rajoy. “Não pediremos mais tempo nem mais dinheiro para concretizar o programa”, reforçou, ao falar em conferência de imprensa, em São Bento.

Abril 11, 2013

Remodelem o Bloco Central

As cartomantes do regime pediram férias dos surtos de astrologia que as vem caracterizando e decidirem, a pro bono, prestar serviços de acessoria ao primeiro-ministro. Esta insistência em tom autoritário numa remodelação do governo, mesmo com Relvas fora de jogo, está longe de ser um bom presságio. Os dinossauros do bloco central nunca conviveram bem com revoluções, apostando no reformismo sereno, aquele que se perde nos corredores dos ministérios e nos gabinetes das comissões parlamentares. Neste contexto, o Ministro da Economia é um alvo a abater, sendo que o tiro ao Álvaro se tornou património cultural de um eixo que vai de socratistas a cavaquistas, passando por uns quantos sem-abrigo partidários que sobrevivem às custas da caridade da comunicação social. As vozes que hoje exigem uma remodelação ou que evocam sebastianismos antigos lançando nomes como o de Silva Peneda ou o de Rui Rio para cima da mesa, não o fazem por nobres utopias quanto aos destinos da pátria mas pelo senso comum que dita que quando as vacas sagradas do regime correm risco de extinção é saudável acautelar a questão chamando figuras consensuais que apelem à moderação. E por moderação leia-se  a comunhão com os interesses instalados. O problema é que os nossos Montis vêm discursando como Berlusconis. Especialmente aqueles a quem o povo apelidou de barões, não por serem portadores de qualquer tipo de nobreza, mas por fazerem do país o seu feudo e da pilhagem o seu hábito.

Abril 10, 2013

Agora é que vão ser elas…

Filed under: Economia,Humor,Política,Política Fiscal,Portugal,socialismo — Ricardo Campelo de Magalhães @ 23:21
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Do Facebook de Nogueira Leite: “Muita conversa por aí. Factos: salários + pensões pagas pelo estado sao mais de 90% do total dos impostos. Com os juros passam dos 105%. Para que Portugal tivesse uma despesa publica comportável sem hipotecar ainda mais o futuro, teriam de desaparecer entre 8 e 9 mil milhões. Esta é a realidade. O resto, de uma forma ou de outra, serão um montão de sacrifícios. Digam o que disserem os comentadores.”

Neste sentido, o Ministro das Finanças proibiu novas despesas sem autorização, uma decisão sábia enquanto o mininistro está em Bruxelas a negociar a dívida e que Oliveira Martins diz transitória (como aliás era óbvio para todos… que não os alucinados deputados da extrema-esquerda Portuguesa no parlamento).

As reacções não se fizeram esperar. Por exemplo o insubstituível Bastonário dos Advogados disse que era retaliatório e vingativo. Os partidos na Assembleia nem comento. Mas por todo o lado, ainda no rescaldo da decisão do TC, acordaram os sanguessugas da sociedade, pouco dispostos a abandonar a presa .

Na educação, Sampaio da Nóvoa – o mesmo que tem um gosto refinado para “investimentos” em exposições de “arte” em Moçambique – que não tem mais onde cortar que não em salários e custas judiciais… (via Rui Albuquerque). Já a UMinho “pode ficar sem batatas ou tomates“. Enfim, está lançada a chantagem habitual.

A área da saúde também não se calou. O cómico Bastonário da OM já veio dizer que considera que “não há mais espaço para cortes na saúde” porque “irá dificultar o acesso de muitos doentes aos cuidados de saúde” e “há outras alternativas para fazer face à decisão do Tribunal Constitucional” mas que tomou a decisão de não enumerar. Claro que nunca referiu a possibilidade da descida dos salários dos médicos, referindo-se apenas às taxas moderadoras como forma de diminuir o encargo no sector para o país. Entretanto surgiu a dizer que “espera bom senso” da parte do governo – como eu esperei dele, mas mais uma vez sem sucesso.
Recorde-se que este é o mesmo que já em 2011 acusava o governo de ir “longe demais“, previsões catastrofistas que entretanto não se consubstanciaram, apesar dos cortes que o sector sofreu entretanto.
Relembro também que os médicos, depois de serem parte do problema e respectivas consequências, em Março insurgiram-se contra cortes e ao respectivo aumento de “doenças mentais e suicídios“.
Ana Jorge? Uma ministra ao nível do “a dívida pública não é para se pagar”, de facto.

Para não ficar atrás, os enfermeiros também “contestam mais cortes na saúde“, mesmo que sejam os que a Troika sugeriu (troca de médicos por enfermeiros em tarefas em que tal já acontece noutros países Europeus).

Opinião

O país precisa de saúde e realmente os hospitais já não são hoje a fonte de desperdício de materiais que foram no passado (embora ainda haja “desvios” de materiais em alguns lados). O problema hoje são os salários de muitos médicos. Conheço casos de milhares e milhares de Euros. Há neste país dezenas de milhares de médicos a ganharem pequenas fortunas (12.000 Euros, por alguns cirurgiões, por exemplo). E como dizia a Troika, há muitos médicos a fazerem funções que noutros países europeus são de enfermeiros.
Para já não falar das horas extraordinárias e do pagamento de horas de sono como extras, algo que o meu pai nunca recebeu quando fazia uma “operação stop” noturna – acordado, já agora.

Na educação, 90% da despesa do ministério são salários. Centenas de sindicalistas que já não sabem dar aulas, milhares de professores “de horário zero” – eufemismo para dizer que não fazem falta nenhuma. A haver cortes será nos salários (que subiram desproporcionalmente no tempo da Manuela Teixeira) e no número de professores. Lamento mas com os vossos salários pesados e com os impostos para os pagar, a carga tributária impediu os jovens de terem as crianças necessárias para vos empregar. E a educação não existe para pagar subsídios a inúteis.

Na justiça, mais uma vez a despesa é quase toda para salários, mais uma vez muitas vezes acima do salário médio nacional (777 Euros – e sim, é incrível quão pouco se ganha neste país por comparação com o resto da Europa… porque temos que pagar o Estado monstro que temos e já não aguentamos – ainda houve uma altura em que tínhamos pouco desemprego porque os salários no privado eram baixos mas agora já nem assim!). Juízes ganham milhares de Euros e dão-se ao luxo de se reformarem cedo e com 5.000 Euros de reforma, também muitas vezes acima da média nacional (409 Euros – mesmo com muitos casos inacreditáveis a puxar a média para cima). Há que descer um pouco à terra.

Este país é um país sem fraternidade: quem mama do Estado não aceita perder nada e quem não é privilegiado tem de viver na angústia da incerteza e do salário baixo. Quando se tenta cortar no exagero estatal, a reação está à vista. Mas eu não me preocupo. A realidade tem o hábito de se impor. Nem que seja à força. Porque não há mais e os cortes já não podem mais ser em “outros” (investimento, consumíveis, …) e vão mesmo ter que ser nos salários dos privilegiados do costume. Sorry guys.

Abril 9, 2013

Peter Schiff sobre Japão, Canadá, China…

Filed under: Economia,Internacional,Política Fiscal,Política Monetária,Videos — Ricardo Campelo de Magalhães @ 23:48
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Link. Boa noite.

Sobre os tais cortes na Educação

Concordando com o Relatório do FMI no que toca à Educação, devo acrescentar que não admito que o Governo mexa nas propinas sem antes tratar dos professores, seja na quantidade, seja na remuneração A raison d’être do sistema de ensino é, em primeiro lugar, a formação, não o emprego dos formados.

O custo médio de um aluno nos ensinos básico e secundário, que ronda os 4415 euros, deve servir de base para uma reforma estrutural, que reduza custos, aumente a concorrência e, sobretudo, a autonomia e a competência das escolas. O mesmo vale para o ensino superior onde, a serem aumentadas as propinas, não poderão deixar de ser criados/reforçados mecanismos – envolvendo ou não a banca privada – que possibilitem a todos o acesso. Se é verdade que uma visão estritamente social condenou a geração presente, uma visão estritamente tecnocrata nesta área poderá vir a condenar a geração futura.

Abril 8, 2013

Um poço sem fim

Filed under: Comentário,Insurgentes nos media,Política,Política Fiscal,Portugal — André Abrantes Amaral @ 12:10

O meu artigo de hoje no Diário Económico sobre a decisão do Tribunal Constitucional.

Somos escravos de uma Constituição que não se coaduna com a realidade. Que sendo interpretada da forma que foi pela maioria dos juízes do Tribunal Constitucional, acentua as desigualdades entre aqueles que, trabalhando no sector privado, podem perder o posto de trabalho e os que, estando no sector público, têm emprego para a vida.

Somos escravos de uma Constituição que não se coaduna com a realidade. Que sendo interpretada da forma que foi pela maioria dos juízes do Tribunal Constitucional, acentua as desigualdades entre aqueles que, trabalhando no sector privado, podem perder o posto de trabalho e os que, estando no sector público, têm emprego para a vida. De uma Constituição baseada em preconceitos ideológicos, impregnada de um socialismo tacanho que já não só nos está a empobrecer, mas também a destruir. A destruir tudo o que foi feito desde 1974/75.

 
A decisão do Tribunal Constitucional, porque dificulta o pequeno esforço até agora feito para reduzir a despesa pública, não deixa ao Governo outra alternativa que não seja a redução do número de funcionários públicos. Se não se tomar esta medida drástica, cujas consequências sociais se vão agravando à medida que é adiada e se torna mais premente, não é apenas o estado social que acaba, mas também o próprio regime. Por muito que a esquerda bata palmas e o PS se diga pronto para governar, já não há mais dinheiro de terceiros para pagar as políticas socialistas. Infelizmente, e como a experiência comprova, mais que a actividade empresarial do estado, quem vai sofrer serão aqueles que mais precisam das medidas de carácter social.

 
Caso não se reduza fortemente a despesa pública, a única hipótese que resta ao país é a saída da moeda única. Ora, a saída do euro, marcará o fim do projecto europeu que fez o regime. Todo o esforço feito desde o 25 de Abril, da descolonização à adesão à CEE; da adesão à livre circulação de bens, serviços, pessoas e capitais, e posteriormente ao euro, é posta em causa. Sem isso, o regime perde o norte e deixa de ter rumo. Reduzir-se-á a um manual de sobrevivência político, através do qual vamos gerindo o empobrecimento continuado dos portugueses que, entretanto, não se forem embora.

 
Sempre acreditei, que batendo no fundo do poço o país acordava. Infelizmente, o poço parece não ter fim.

Abril 7, 2013

E se o Governo tivesse caído?

Cuidado com o que desejam.

Reparem, com a queda do governo e a completa incapacidade de Tó-Zero para combater o défice, as bancarrotas parciais acabariam numa bancarrota completa do Estado Português. A esta bancarrota seguir-se-ia certamente uma Ditadura.

Se essa ditadura fosse de Esquerda, seria provisória. Como diria Thatcher, o Socialismo só dura enquanto há dinheiro dos outros. O Estado já não tem e quem o tem já o colocou fora, por isso rapidamente uma série de convulsões e a ausência de uma clientela (no money, no money-suckers) derrubariam essa ditadura.

A ditadura seria então de direita. Liderada por um ministro das Finanças forte.
A vantagem de ser Português, é que a nossa história é já longa e com exemplos de um pouco de tudo. Neste caso, o exemplo histórico é óbvio. Alguém emergeria desse caos para ser um Salazar light, que ignorasse a parte social (hoje os valores da igreja têm muito menos força social…) e que tivesse a confiança do próximo presidente para liderar as finanças e, através destas, a economia do país.

Convençam-se que é melhor alguém que equilibre as contas neste quadro institucional do que ir atrás de miragens e acabar com um novo ditador. Muito cuidado com aquilo que desejam. Pode ser que seja que o que vocês queiram seja o 1º passo para algo muito pior. E não falo de algo Liberal, mas sim de uma ditadura como são as ditaduras (com intervenção estatal, muitas vezes punitiva…).

Uma sociedade que não vota em quem fala verdade, está condenada a ser liderada por
ditadores ou mentirosos

Chumbo constitucional: “privatização” da CGD

Filed under: Política Fiscal,Portugal — BZ @ 15:39

A necessidade de encontrar, este ano, alternativas ao corte nos subsídios de férias dos funcionários públicos pode/deve passar pela privatização da Caixa Geral de Depósitos (CGD). Para apressar o processo (e – como muitos sempre defendem – garantir a manutenção do banco público sob controlo português) o Governo criaria um imposto especial em que todos trabalhadores receberiam acções em troca de um (ou dois!) salários confiscados. Depois, a opção de venda dos títulos em bolsa caberia à vontade de cada um. Se, eventualmente, a CGD ficar nas mãos de algum banco estrangeiro isso dependerá apenas do arbítrio de cada português confiscado.

Abril 6, 2013

Endireitem-se!

Filed under: Diversos,Nanny State Watch,Política,Política Fiscal,Portugal — Ricardo Lima @ 18:57

A Direita portuguesa já deu a extrema unção ao país. Primeiro, comporta-se como se a decisão do TC não fosse já espectável.  Segundo, apresenta-nos um discurso de fim de linha, de ausência de alternativas, quando ela própria as vem propondo ao longo dos últimos anos. A Direita – os seus comentadores, os seus militantes e os seus políticos – deve reconduzir o seu latim de uma birra que, apesar de justificada, soa às mesmas birras do PS pós-PEC IV e começar a propor verdadeiros cortes na despesa, como sempre fez, não faltando por aí esbanjamento do erário público não protegido pela magna-carta do luso-socialismo. Qual é o valor do prejuízo do Sector Empresarial do Estado (incluindo RTP e transportes) ? Qual é o custo do que ficou por cortar na subsidiação das fundações, observatórios, institutos, etc ? Qual é o valor do orçamento para a Cultura ? Que pode ser feito com a ADSE ? Qual é o prejuízo acumulado da totalidade das Empresas Municipais ? E por aí adiante, sem chegar a referir as grandes reformas, na Saúde, na Educação e na SS, que eventualmente serão o próximo passo e a única maneira de atacar os infames 4 mil milhões (que serão mais que isso). Entristece-me que a Direita portuguesa, que sempre teve as soluções, esteja perto de adoptar uma posição derrotista e comece a falar em aumentar a carga fiscal como uma eventualidade, o que equivale a um harakiri na economia do país. Espanta-me que esta decisão do TC seja chocante, mas que o pesado aumento da carga fiscal que consta neste orçamento venha passando ao lado dos críticos. No dia em que a Direita capitular à retórica da coligação – que cada vez mais  se assemelha à dos baronetes de Sócrates – bem podemos entregar a terra às bestas e esperar um país, não de reformistas, mas de reformados, aos 40.

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Abril 5, 2013

Até dava para rir se não fosse trágico

Filed under: Comentário,Economia,Media,Política,Política Fiscal,Portugal,socialismo — Miguel Botelho Moniz @ 10:17

Neste artigo no Guardian, às tantas a Marina Costa Lobo escreve: «Since [2011], however, there have been persistent failures in meeting the economic objectives, despite the fact that the government has implemented an extremely ambitious cuts agenda

Please. A única agenda ambiciosa deste governo é no lado da receita. E isso é que tem falhado, porque, olha a surpresa, a economia ressentiu-se do “enorme aumento de impostos”. Give me a break.

Nota: Parece que também há uma agenda ambiciosa de promoção da queca e de valorização do polvo.

Março 31, 2013

Qual a melhor formação ideal para trabalhar nos mercados financeiros ?

Filed under: Economia,Educação,Política,Política Fiscal,Política Monetária,socialismo,Teoria — André Azevedo Alves @ 21:04

Uma conclusão algo triste para quem, como eu, se licenciou em Economia, mas também uma conclusão da qual não consigo discordar: Qual a formação ideal para quem quer ingressar no mercado financeiro? Por Fernando Ulrich.

4 — Economia: dado o currículo do curso de Economia no Brasil (e em grande parte do mundo), tenho que relegar a faculdade de Economia à última opção. Ressalvo que, fosse o currículo do curso baseado na Escola Austríaca de economia ou menos Marxista e Keynesiana, esse curso poderia ser mais proveitoso. Embora você possa aprender conceitos válidos, e nem todas as faculdades do Brasil serão completamente Marxistas e Keynesianas, certamente você passará alguns meses estudando teorias descabidas que desperdiçarão o seu precioso tempo. Pior ainda, precisará aprender por conta própria os conceitos corretos de economia. Não tenho dúvida que muitas corretoras, bancos, assessores financeiros, etc., divergirão da minha opinião quanto ao curso de economia. Muitos deles certamente passaram por essas faculdades.

Decidido o curso de graduação, onde aprender sobre economia de verdade e como o mundo dos investimentos funciona? Enquanto não temos uma faculdade dedicada ao tema, com certeza a melhor fonte de informação é o Instituto Mises Brasil (www.mises.org.br) e o Ludwig Von Mises Institute (www.mises.org). Não há necessidade de devorar todos os livros de Mises. Afinal de contas, você não quer se tornar um acadêmico, mas sim um investidor de sucesso. Para isso, você deve focar principalmente nos materiais sobre ciclos econômicos, teoria monetária e bancária, e similares. Acredite ou não, mas apenas o domínio do funcionamento dos bancos centrais e como a política monetária afeta os mercados já farão de você um investidor diferenciado. Dicas específicas de leitura? Veja o artigo do Helio Beltrão.

O Memorando de Entendimento com a Troika é inconstitucional

é só escolher. Por Rui A.

O Memorando de Entendimento sobre as Condicionalidades da Política Económica do estado português, documento que determina, desde o dia 17 de Março de 2011, as regras pelas quais se tem de pautar a governação de Portugal, durante um período de três anos, é manifestamente inconstitucional.

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Março 27, 2013

Consequência da saída do euro

De acordo: Saída do euro. Por João Miranda.

Dos que não se derem ao trabalho de explicar, concluo que ou não estão a sério quando defendem a saída do euro, ou estão a sério mas não fazem a mínima ideia de quais são as consequências.

Março 26, 2013

Reféns do Estado Social

Filed under: Economia,Política Fiscal,Portugal,socialismo — BZ @ 08:57

No passado dia 11 de Março, Margarida Corrêa de Aguiar, convidada do programa “Olhos nos Olhos”, proferiu a seguinte declaração sobre a sustentabilidade da Segurança Social (minuto 60:15 do segundo segmento):

Nós não podemos prescindir das contribuições para pagar as pensões. (…)
Nós não podemos optar por um sistema em que as contribuições fossem canalizações para fundos de pensões ou PPRs porque precisamos desse dinheiro para financiar as pensões.
Nós não estamos em condições de prescindir de contribuições e, por exemplo, emitir dívida para pagar pensões.
Neste momento está fora de questão outras opções que passem por uma capitalização pura, isto é, colocar o dinheiro nos mercados financeiros.

Ora, “não se pode emitir dívida” mas a promessa de pagamento futuro de pensões, em troca das contribuições actuais, é isso mesmo: DÍVIDA (apesar de não titularizada).

A solução de Margarida Corrêa de Aguiar passa por criar “contas individuais” na Segurança Social com “rendimento/taxa de juro que reflita o desempenho da economia”. Medina Carreira traduziu perfeitamente esta opção: pagar pensões futuras apenas com o que se pode produzir. Ou seja, num futuro próximo, tendo em conta as alterações demográficas e baixo crescimento económico, as pensões terão necessariamente de ser reduzidas.

Mas porquê reduzir apenas as pensões futuras e não começar já pelas actuais? As “contas individuais” dos nossos pais/avós afinal também não renderam assim tanto como muitos políticos quiseram, no passado, fazer crer…

Março 25, 2013

O Chipre como vacina para a zona euro ? (2)

Chipre, uma cobaia de Merkel para impor bail-ins aos PIIGS? Por Hélio Beltrão.

Leitura complementar: O Chipre como vacina para a zona euro ?

Março 24, 2013

Chipre, Rússia e União Europeia (2)

With Russia “Demanding Cyprus Out Of The Eurozone” Here Is A List Of Possible Russian Punitive Reprisals

As has been made abundantly clear on these pages since the breakout of the latest Cyprus crisis, the Russian policy vis-a-vis its now former Mediterranean offshore deposit haven-cum-soon to be naval base, has been a simple one: let the country implode on the heels of the Eurozone’s latest humiliating policy faux pas, so that Putin can swoop in, pick up assets (including those of a gaseous nature, much to Turkey’s chagrin) for free, while being welcome like the victorious Russian red army saving Cyprus from its slavedriving European overlords (a strategy whose culmination Merkel has very generously assisted with).

O Chipre e o balanço do BCE

Why Cyprus Matters (And The ECB Knows It)

I have been asked, with some frequency, why the bondholders have not been tagged in the Cyprus fiasco. That answer is simple. Most of Cyprus’s bonds are pledged as collateral at the ECB or in the Target2 financing program.

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Março 23, 2013

O Chipre e os bancos falidos

Um bom artigo de Ricardo Reis: Chipre ou o cúmulo da confusão.

O que está em causa não é se os bancos devem ser sempre resgatados. Não devem, e uma das causas do problema europeu é este trauma pós-Lehman que paralisa os governantes sempre que se fala em fechar um banco falido. No Chipre, dois bancos estão falidos, depois de investirem muito na Grécia, e devem fechar as portas. Devem ser fechados, quer porque o buraco nas contas é demasiado grande para ser absorvido pela economia cipriota quer porque quem faz más apostas tem de perder numa economia de mercado justa e eficiente.

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Março 22, 2013

Eu também não

Filed under: Economia,Política,Política Fiscal,Política Monetária,Portugal,socialismo — André Azevedo Alves @ 13:30

Quem pensa que basta sair do euro para melhorar a situação do país está enganado. Tragicamente enganado: Lamento, mas não confio nas nossas elites. Por Carlos Novais.

Portugal com moeda própria não promete muito melhor. Um país pequeno com moeda própria acaba sempre a ter problemas nas reservas em divisas. O que vai dar ao mesmo, mais tarde ou mais cedo, a ajuda internacional torna-se inevitável por falta de divisas para pagar empréstimos externos. Faço parte dessa minoria em crescimento (não sei se já repararam) de ortodoxia na moeda. Sim, o euro ajudou a prolongar a bolha. Mas países com moeda própria também conseguiram prolongar essa mesma bolha. Para outra moeda, só se for em liberdade monetária de circulação da moeda-mercadoria tradicional, ou seja, maior ortodoxia.

Para alimentar ilusões que salários não têm de descer, que despesa é necessária ao estímulo do crescimento, passo.

É dar-lhes o que pedem

Filed under: Economia,Política,Política Fiscal,Portugal,socialismo — Maria João Marques @ 00:24

A confirmar-se um chumbo do TC a medidas de redução de despesa pública para o OE 2013, o governo só tem de fazer uma coisa, que de resto já devia ter feito aquando do primeiro chumbo do TC ao corte dos subsídios aos funcionários públicos: demitir-se. É tempo de deixar que os outros responsáveis pela crise financeira/orçamental/económica/política/moral/whatever sejam devidamente acarinhados pelos eleitores. Como se viu pela reacção ao novo comentador da RTP, não somos tão parvos como nos tomam.

Março 21, 2013

Uma banda gástrica na despesa e idas ao mcDonalds nos impostos

Filed under: Economia,Política,Política Fiscal,Portugal,socialismo — André Azevedo Alves @ 13:30

Rescisões no Estado chegam tarde e a más horas. Por António Costa.

O destino deste processo de rescisões no Estado – mesmo em condições que são generosas em comparação com os processos no sector privado – dificilmente será de sucesso. E é também esta suspeita que evidencia que o Governo perdeu uma oportunidade única, porque tinha o dinheiro e a cobertura política, externa e interna, para o fazer. Agora, percebe-se, o Governo nunca quis reformar o Estado, optou sempre pelas soluções mais fáceis, uma banda gástrica na despesa e idas ao mcDonalds nos impostos.

O Chipre como vacina para a zona euro ?

A conjunção destas notícias com estas sugere que há quem esteja a pensar utilizar o caso do Chipre como uma espécie de vacina para os restantes países da zona euro.

Não nego que uma vacina possa ser útil mas ao ser induzida desta forma torna-se uma jogada de muito alto risco. Como escrevi em Maio de 2012 numa breve análise sobre a situação grega para o Institute of Economic Affairs, o melhor (ou menos mau) que podia ter acontecido para a zona euro nas eleições gregas teria sido uma vitória do Syriza seguida de uma saída tão ordeira quanto possível da Grécia da moeda única.

Entretanto, o impasse manteve-se e a situação política, económica e social na zona euro agravou-se. Seja qual for o caminho agora, será mais complicado e perigoso.

Março 20, 2013

Capital controls in Cyprus ?

Filed under: Economia,Política,Política Fiscal,Política Monetária,socialismo,União Europeia — André Azevedo Alves @ 23:38
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Cyprus, ECB Officials Working on Capital-Control Plans

Cypriot authorities are working with officials from the European Central Bank to develop contingency plans, including capital control measures, to stem potential capital outflows when banks on the island reopen, three officials with knowledge of the situation said Tuesday.

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The ECB and Cyprus: the plot thickens…

Analysis: ECB prepared to let Cyprus go, protect others

The European Central Bank is prepared to cut off funding to Cyprus and let the Mediterranean island succumb to financial meltdown if it has to, confident it has unlimited firepower to protect the rest of the euro zone.

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Defensores do confisco de depósitos em Portugal

Filed under: Economia,Política,Política Fiscal,Portugal,socialismo — André Azevedo Alves @ 20:22

Uma oportuna pergunta do João Miranda: Quem defende impostos sobre os depósitos?

Entre outros, e sob variadas formas, Francisco Louçã, Daniel Oliveira, Miguel Cadilhe e Pacheco Pereira.

Leitura complementar: Os depósitos bancários estão seguros ?

Março 19, 2013

Mudar o mínimo necessário para que tudo fique na mesma

Filed under: Economia,Política,Política Fiscal,Portugal,socialismo — André Azevedo Alves @ 20:19

Mudar o mínimo necessário para que tudo fique na mesma e sacar ao máximo do contribuinte para pagar o status quo não é grande “transição” que se apresente: custos de transição ou de manutenção? Por Rui A.

Porém, “transitar” significa passar de uma coisa para outra, e no caso português significaria reformar profundamente o estado, de modo a que ele deixasse de ser deficitário e passasse a ter contas equilibradas. (…) Na prática, infelizmente, o dinheiro dos nossos impostos, das nossas reformas e dos nossos subsídios de férias tem servido, não para reformar o estado socialista, mas para o alimentar. É por isso que continuamos a acumular passivo sobre passivo nas contas públicas e que a troika se desentendeu com o governo português na sua última passagem por aqui. O estoiro vai ser grande.

Uma oportunidade perdida pelo PSD e pelo CDS que o país e os portugueses vão pagar muito caro.

Leitura complementar: A responsabilidade de Pedro Passos Coelho e Paulo Portas; A responsabilidade de Vítor Gaspar e a sua falta de peso político no Governo; A responsabilidade da Troika e dos credores internacionais; Rescisões na função pública: quem se lixa é o mexilhão…

Ao intervalo, no Chipre: Putin 1 – Merkel 0

Parlamento cipriota recusa taxa sobre depósitos

O Parlamento de Chipre recusou nesta terça-feira a taxa extraordinária sobre depósitos, com 36 votos contra e 19 abstenções. Nenhum deputado votou a favor e um esteve ausente, adianta a Reuters.

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Os depósitos bancários estão seguros ? (2)

Uma análise discutível mas interessante: Sobre o assalto cipriota. Por Gary North.

Minha opinião: creio que tudo isso é deliberado. Eles sabiam que toda essa reação, com ameaça de corrida bancária e tudo mais, iria ocorrer. Os eurocratas estão enviando um recado para todos os outros políticos dos PIIGS: “Salvem vocês os seus próprios bancos. Caso contrário, preparem-se para uma corrida bancária igual à do Chipre”. O objetivo deles é justamente gerar uma corrida bancária no Chipre. Eles querem enviar uma mensagem para todos os outros governos da zona do euro que estão acomodados e tranquilos, operando sob a pressuposição de que a zona do euro irá sempre socorrer suas dívidas ou socorrer seus bancos. Não irá. Não tem como. Ela não tem o dinheiro. Os eleitores dos países mais solventes não permitirão que seus respectivos governos transfiram seu dinheiro para o governo dos países mais pródigos.

Os eurocratas escolheram o Chipre para servir de exemplo porque se trata de uma ínfima nação insular, responsável por apenas 0,2% do PIB europeu. Se os bancos do Chipre quebrarem, e daí? Se seus políticos resolverem sair da zona do euro, e daí? Uma crise bancária no Chipre é exatamente o que os banqueiros do norte precisam para enviar um recado: “Não haverá mais tolerância. Coloquem suas contas em ordem. Cuidem de seus bancos”.

Leitura complementar: Os depósitos bancários estão seguros ?

Uma questão de iniciativa

Está fora de questão. A menos que, por iniciativa dos governantes portugueses actuais ou futuros, passe a estar em questão. Tranquilizador? O que é certo é que se criou um precedente: Gaspar diz que foi Chipre a propor a taxa, mas defende a medida

Ministro das Finanças garante que medida semelhante em Portugal “está fora de questão”.

(…)

O ministro não respondeu directamente à pergunta de como é que Portugal votou a aplicação da medida na reunião do Eurogrupo, mas defendeu a taxa como forma de manter a estabilidade financeira. “Em termos de participação de Portugal no Eurogrupo, a nossa posição foi sempre a necessidade de preservar a estabilidade financeira e prevenir efeitos de contágio e ter uma estratégia viável e que funcione para Chipre. O desenho a aplicar e o pacote são naturalmente da iniciativa e da responsabilidade desse país”, afirmou.

Leitura complementar: Os depósitos bancários estão seguros ?

Contra a parede

Filed under: Comentário,Insurgentes nos media,Política,Política Fiscal,Portugal,socialismo — André Abrantes Amaral @ 10:08

O meu artigo no Diário Económico de hoje, sobre a 7.ª avaliação da troika.

O Governo foi encostado à parede. A 7ª avaliação da ‘troika’ exige que o Estado, que continua gravemente deficitário, comece a cortar na despesa pública. Se assim for, finalmente. Por fim, o Governo será forçado a desistir de equilibrar as contas públicas unicamente do lado da receita. Apenas carregando nos frutos de quem trabalha, investe e arrisca. Foi preciso que a economia caísse mais de 2% e o desemprego no sector privado subisse acima dos 18%, para que o Governo se deixasse convencer. É tarde, mas mais vale tarde que nunca.

Dizem os principais comentadores que a austeridade está para continuar. Infelizmente, é mais que isso: a austeridade, que significa perder ou poder vir a perder o emprego, vai-se alargar ao sector público. A austeridade, que significa fechar departamentos, institutos, desistir de projectos e da concretização de objectivos, vai-se alargar ao Estado. O desemprego vai subir, a insatisfação atingir o rubro mas, e porque fomos adiando a reforma do Estado até se tornar dolorosa, esta é a única forma de sairmos deste poço que parece não ter fundo. O Estado não pode continuar a consumir e gastar os rendimentos de quem trabalha.

Mas não é só o Governo que foi encostado à parede. A oposição também. A ideia engenhosa de que a economia cresce por se distribuir entre os privados o dinheiro que anteriormente lhes é retirado, só não será posta de parte se nos deixarmos levar pela falsidade do imposto camuflado que é a impressão de moeda.

O socialismo está intimamente ligado ao consumo: é preciso gastar, para que se invista. Por isso, a importância dada à procura que se incentiva, ao invés da poupança e do investimento, que se taxam. Apenas o tempo dirá se o resultado da 7ª avaliação da ‘troika’ é positivo. Os condicionalismos são muitos e tudo depende de o Governo conseguir cortar na despesa pública e todos os portugueses, trabalhem no público ou no privado, passarem a ser verdadeiramente iguais.

Cortinas de fumo criadas por pessoas de quem se esperaria que criassem cortinas de fumo

Filed under: Economia,Política,Política Fiscal,Portugal — Maria João Marques @ 00:15

A reforma do estado, a tal que permitiria reduzir estruturalmente a despesa e prometida em campanha eleitoral, não vai ser feita não porque PPC a tenha ingenuamente adiado tempo de mais mas porque PPC e o PSD que o apoiou nunca quiseram fazer qualquer reforma do estado e perder o seu ganha-pão. Sempre foi muito evidente que um PSD liderado pelo Pedro nunca poderia ter qualquer ímpeto reformista do estado. Claro que a fazer-se uma eliminação de serviços do estado e de funcionários públicos tal teria de ser feito nos primeiros meses de governo para aproveitar não só o estado de graça como o consenso nacional existente sobre a necessidade de diminuição da despesa pública (agora já ninguém pensa na despesa pública, de tão aflitos que estamos com a possibilidade de continuarmos com a nossa despesa privada). A reforma não foi feita atempadamente porque não era para fazer, preferindo-se a via de aumentos de impostos que destrói a economia mas deixa o estado incólume. A meio da legislatura lançaram esta cortina de fumo dos quatro mil milhões que teriam de ser reduzidos na despesa pública só porque esperavam que já não houvesse qualquer aceitação da medida tanto de eleitos como de eleitores e pretendem agora desculpar-se com falta de condições políticas e económicas para mais cortes de despesa pública (que já começaram a ser adiados e mais dia menos dia serão cancelados). E os cidadãos, que dantes pediam redução de despesa, agora que pagam impostos em níveis confiscatórios impensáveis muito legitimamente não aceitam que com este confisco o estado ouse deixar de gastar dinheiro com os cidadãos e empresas fornecedoras do estado; se pagam mais, têm direito a pelo menos continuar a receber o mesmo do estado.

Eu sei que é muito bonito dizer que se devem discutir ideias e não pessoas mas isso no que toca a governantes é uma treta. É tempo de começarmos a avaliar os políticos em que votamos também pelas pessoas que são e pelos percursos de vida que seguiram. Se não interessa se um político/a dormiu com a/o secretária/o ou com a/o cunhada/o, ou as notas que têm os filhos, ou se a mulher se enxarca em xanax ou o marido em cognac, já tem de interessar, e muito, como correu a vida académica e profissional de alguém em quem vamos votar. Se primeiro votámos num semi-engenheiro, que assinou uns projectos dumas casinhas lindas cujos clientes nunca o viram, que comprou uma casa por valor muito abaixo do declarado pelos seus vizinhos que estavam isentos de pagamento de siza, que fez carreira apenas dentro do PS, sem qualquer experiência do mundo real e a seguir votámos num eterno jovem que depois de viver na jota e no partido se sustentou em empresas para onde foi graças aos conhecimentos políticos e que geravam receitas graças a contratos estatais e aos mesmos conhecimentos políticos, pergunta-se: estamos à espera de quê de diferente tendo em conta a má qualidade da gente em que votámos? Óbvio: se queríamos alguém que reformasse o estado não podíamos ter votado em alguém que sempre viveu do estado.

Março 18, 2013

A responsabilidade da Troika e dos credores internacionais

É hoje claro que foi um erro grave ter dado um cheque em branco ao Governo português na expectativa de que o comprometimento de Vítor Gaspar com o programa de ajustamente gerasse, por si só, resultados. Não gerou e, por si só, é agora claro que não gerará.

Como há outras variáveis políticas em jogo, não sei se estão ou não dispostos a continuar a entregar dinheiro ao Estado português sem garantias adicionais, mas uma coisa é certa: sem reformas estruturais no Estado, mais tempo e mais dinheiro equivalem apenas a mais margem para a irresponsabilidade política e a problemas mais graves no futuro.

Leitura complementar: A responsabilidade de Pedro Passos Coelho e Paulo Portas; A responsabilidade de Vítor Gaspar e a sua falta de peso político no Governo.

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