O que António Costa anda a fumar?

Como o Bruno Alves ontem muito bem caracterizou, António Costa teve o seu “momento Marie Antoinette”. Do Económico (meu destaque):

António Costa defendeu ainda que “todos aqueles que trabalham, ganham relativamente ao ano anterior” e, a propósito dos impostos indirectos que sobem, aconselhou os portugueses a usarem “mais transportes públicos”, a deixarem de fumar e a moderarem” o recurso ao crédito.

Ao contrário do que aconselha aos portugueses, podemos tomar como certo que o primeiro-ministro, seus ministros, secretários de Estado, adjuntos e assessores não vão usar transportes públicos. Também, a julgar pela maior preocupação no aumento dos rendimentos dos funcionários públicos do que no valor do défice, não haverá moderação no recurso ao crédito. Sendo assim, só nos resta questionar: o que António Costa anda a fumar?

AntonioCosta

Uma black list para os filmes com fumadores já!

Venho aqui dar os meus parabéns à OMS pela proposta de marcar como filmes para adultos e com uma infame bolinha encarnada os filmes com cenas exibindo esse comportamento indecoroso que é fumar (um clérigo muçulmano seria mesmo capaz de dizer que fumar provoca, pelo menos, avalanches). Mas não basta ficarmos por aqui. E os filmes todos, muitos deles ditos clássicos, onde há abundância de atos de fumo, ostentação de cigarros e cigarreiras, que podem contaminar as almas dos jovens deste mundo? Eu estou neste momento a deitar fora uma boa carga de dvds, que não quero que os meus filhos sejam expostos a estas indecências. A pornografia que certamente verão na internet tem um décimo do potencial destrutivo da cena do Anatomy of a Murder (um dos filmes que estava nos meus preferidos, mas que hoje foi proscrito) em que se vê o juiz – o juiz! logo uma figura de autoridade destas – a fumar. Outro filme que é para banir já é o Notorious, de Hicthcock, que eu também, no meu passado de mau discernimento, reverenciava. Deixo aqui o início do filme. Além de ter o Cary Grant a fumar, vê-se Ingrid Bergman a guiar alcoolizada. Parece-me razão mais que suficiente para extirpar o realizador da sua estrela em Hollywood Boulevard e garantir por todos os meios que esta poluição espiritual não tem contacto com as mentes impressionáveis abaixo dos 25 anos.

E o que dizer desta inacreditável transmissão de micróbios?

Aquela parte do Anatomy of a Murder em que o juiz e os advogados (todos sem fumar, thank god) falam com desconforto das ‘panties’ da mulher do acusado pode manter-se. Sempre nos lembra que os puritanos existem e são iguais em todas as décadas.

Nova oportunidade para os críticos de cartoons XV

Os desenhos de Hadi Heydary são uma ameaça ao regime iraniano

Os desenhos de Hadi Heydary são uma afronta à segurança do regime iraniano

Desenhar a Torre Eiffel e mostrar solidariedade às vítimas dos atentados de Paris dá direito a prisão. No Irão moderado.

Nova mesquita de Lisboa: as “marcas de abertura”

Custam dinheiro. Como aparentemente houve “dificuldade em mobilizar meios financeiros”, o contribuínte paga tudo. Tudo? Não. “Caberá à comunidade muçulmana fazer os acabamentos.” A bem da sacrossanta abertura.

 

Compreender o putinismo

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O putinismo mostra a sua cientificidade perante a academia russa. A produção científica, antes que acabe em conferências ou revistas, é avaliada e pode ser vetada pelos serviços secretos russos

Russian secret service to vet research papers

A biology institute at Russia’s largest and most prestigious university has instructed its scientists to get all research manuscripts approved by the security service before submitting them to conferences or journals.

The instructions, which come in response to an amended law on state secrets, appear in minutes from a meeting held on 5 October at the A. N. Belozersky Institute of Physico-Chemical Biology at Lomonosov Moscow State University (MSU).

The Russian government says that the amendment is not designed to restrict the publication of basic, non-military research. But scientists say that they believe institutes across the country are issuing similar orders.

“This is a return to Soviet times when in order to send a paper to an international journal, we had to get a permission specifying that the result is not new and important and hence may be published abroad,” says Mikhail Gelfand, a bioinformatician at MSU. (…)

However, in May, President Vladimir Putin used a decree to expand the scope of the law to include any science that can be used to develop vaguely defined “new products”. The amendment was part of a broader crackdown that included declaring the deaths and wounding of soldiers during peacetime a secret; this was prompted by accusations that Russian soldiers are involved in conflict in Ukraine.

Since then, rumours have emerged that Russian universities and institutes are demanding that manuscripts be approved before submission to comply with the amendment. The minutes from the Belozersky Institute meeting confirm this. “Be reminded that current legislation obliges scientists to get approval prior to publication of any article and conference talk or poster,” they say. They note that the rules apply to any publication or conference, foreign or national, and to all staff “without exception”.

Scientists will need to seek permission from the university’s First Department — a branch of the FSB that exists at all Russian universities and research institutes, says Viacheslav Shuper, a geographer at the Russian Academy of Sciences in Moscow and MSU. He says that MSU geographers have been given similar instructions. (…)

Tiques ditatoriais na Turquia

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A liberdade é um bem escasso na Turquia. Bülent Keneş, o editor do jornal Zaman foi preso por insultar o Presidente Tayyip Erdogan no Twitter.

Os críticos dos cartoons têm um peso considerável na Turquia. Em Março último, dois cartoonistas foram condenados a 11 meses de prisão mas acabaram com uma multa, graças à boa conduta em Tribunal. Deu-se como provado o insulto a Erdogan por sugerirem que o Presidente era gay.

Em 2014, a lei turca alargou as competências das actividades dos serviços secretos. O novo enquadramento legal permite às agências de segurança interceptar conversações telefónicas, aceder a dados pessoais armazenados em instituições privadas e públicas e fornece aos agentes do estado uma imunidadade legal alargada.

A lei prevê ainda a aplicação de penas de prisão até 10 anos para os jornalistas que ousem publicar informação considerada como confidencial. A urgência legislativa foi apenas a última das medidas das autoridades turcas que incluem um controlo apertado da comunicação social, da internet e das redes sociais.

Em 2013, recorde-se, a Turquia alcança a proeza de ultrapassar o Irão e a China no número de jornalistas presos. Os mais indesejados foram mesmo acusados de terrorismo e por outros crimes contra o Estado.

 

 

A capital das taxinhas

O executivo do Presidente Medina continua a boa tradição socialista. Desta vez, a Câmara de Lisboa aponta a protecção civil como desculpa para chular  os lisboetas.

Coisas que realmente “mexem” com as pessoas

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Da Chechénia, com amor e decência.

The capital of the majority-Muslim Russian republic of Chechnya has banned cake cutting and “indecent” dance moves from traditional Chechen weddings as being too “Western”.

The acts are among several prohibited by an order of the Grozny mayor’s office to “safeguard the spiritual and moral development” of young Chechens from what it sees as increasingly Western influences, The Moscow Times reports. Other rules specify that dance partners must be held at arms length, with the bride not even allowed to dance at all. Guests should also not show up drunk at weddings, or be dressed in a way “that does not conform with the Chechen mentality”.

The move has drawn mockery on social media, with one wondering whether Russia is still a secular state. Another has more practical concerns: “How am I supposed to eat the cake now – just bite into it?” But the mayor’s office is standing firm. “Some have the impression that this is a human rights violation, but this is not the case,” culture department head Dina Shagidayeva tells Russian news agency RIA Novosti. She says the rules are needed because of people’s failure to stop “our traditions collapsing or our nation decaying”, and may be extended to other social events, such as birthdays and anniversary celebrations. Since the bans were unveiled, “wedding raids” have already been carried out and monitoring teams deployed to Grozny weddings, the Tass news agency reports.

A Face Totalitária do PAN

De forma a continuar esta rubrica dedicada a esclarecer os nossos leitores acerca do novo partido na AR, aqui vai mais uma ideia genial:pana
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Directamente do Programa Eleitoral.

Continua longa a marcha da revolução cultural

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Chinese Authorities Ban Muslim Names Among Uyghurs in Hoten.

Chinese authorities have issued a ban on 22 Muslim names among Uyghur residents of Hoten prefecture in northwestern China’s troubled Xinjiang Uyghur Autonomous Region to discourage extremism, threatening to forbid children with such names from attending school unless their parents change them, according to local police and residents.

A Uyghur woman named Turakhan who lives in a suburban village of Niya (in Chinese, Minfeng) county in Hoten (Hetian) prefecture told RFA’s Uyghur Service on Wednesday that the village chief and police had informed all residents about “the list of forbidden Muslim names.”

“My daughter’s name is Muslime, so the village police came to our house and told us that we must change our daughter’s name as soon as possible,” she said. “The police explained to us that a name such as Muslime was officially forbidden. Under such circumstances, we were forced to change our daughter’s name.”

The police also told Turakhan: “It is the decision of the township and village authorities. Don’t ask any foolish questions.”

Later Turakhan found out that authorities were forbidding children whose parents did not change their names from attending kindergarten and elementary school, she said.

A photo of the official announcement banning 15 popular Muslim first names for males and seven for females first appeared on Sina Weibo, China’s version of Twitter, and was widely circulated via the messaging app WeChat.

The announcement was issued by the Tokhola (Tuohula) Village Communist Party Committee and village administration in Hoten prefecture.

The banned male names are Bin Laden, Saddam, Hussein, Arafat, Mujahid, Mujahidulla, Asadulla, Abdul’aziz, Seyfulla, Guldulla, Seyfiddin, Zikrulla, Nesrulla, Shemshiddin and Pakhirdin.

The banned female names are Amanet, Muslime, Mukhlise, Munise, Aishe, Fatima, Khadicha.

Razões bárbaras

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Foram culturais as razões apontadas pelos censores sauditas para impedirem a distribuição e venda da edição da revista National Geographic que tem como capa o Papa Francisco, fotografado na Capela Sistina.

Natal e Páscoa socialistas com comemorações oficiais

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Gobierno ordena conmemorar en colegios muerte y nacimiento de Chávez

(…)El Ministerio para la Educación publicó las Normas sobre Efemérides en el Calendario Escolar a través de la Gaceta Oficial N° 40.739 en las cuales establece como fechas conmemorativas el 28 de julio de 1954, como el natalicio del presidente Hugo Chávez y el 5 de marzo de 2013, en conmemoración de su fallecimiento.(…)

En el artículo 8 del Decreto se indica que la estrategia pedagógica para la celebración o conmemoración consta de tres partes: presentación del tema, personajes y fecha durante la semana de su celebración o conmemoración; realizar actividades alusivas tanto en la institución o centro educativo y con la comunidad e incorporar los proyectos pedagógicos de las distintas efémerides establecidas en la resolución. (…)

Notícias frescas da revolução

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“Chávez nosso que estás no céu, na terra, no mar e em nós, santificado seja o teu nome, venha a nós o teu legado para o levarmos aos povos. Dá-nos hoje a tua luz para que nos guie todos os dias, não nos deixes cair em tentação do capitalismo e livrai-nos da maldade da oligarquía, do crime do contrabando porque nossa é a pátria, a paz e a vida.”

A revolução venezuelana encontra-se numa fase de velocidade de cruzeiro que exige cada vez mais formação nos valores do Messias Chávez no combate diário nas ruas, lojas, mercados, criando, construindo e fazendo a revolução.

Sin alimentos, ni medicinas

Caracas: once horas para comprar carne

Para el cierre de 2015 la inflación en el país latinoamericano podría llegar a 200%

El sueldo mínimo en la patria de Nicolás Maduro ronda los 7.200 bolívares (1.072 euros)

La mayoría de la comida la importa el Gobierno, pues casi no hay producción nacional

Los productos que escasean en Venezuela solo pueden comprarse una vez a la semana

Las colas para comprar comida y las peleas entre los clientes afectan a los comerciantes

 

Medina ajuda os carenciados

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Câmara de Lisboa dá a mão à Fundação Ricardo Espírito Santo.

Para nos lembrarmos que  a função do estado – poder central e local – é  ajudar as fundações.

Direito à opção

Cidadão recusou ligar-se à água de Paços de Ferreira. O tribunal deu-lhe razão.

“a sentença proferida pelo tribunal determina que nenhum cidadão é obrigado a ligar-se à rede pública de água da concessionária Águas de Paços de Ferreira (AGS), tratando-se de uma relação jurídica de natureza privada”.
“nenhum consumidor pode contra a sua vontade ser obrigado a manter um serviço que não deseja, cabendo ao consumidor denunciar o contrato se nisso tiver interesse”.

Esta regra básica de Liberdade aplicada a muitos outros setores teria certamente resultados interessantes.

Grécia: O que o “desamparo aprendido” nos pode ensinar

Desamparo apreendido / Learned helplessness pode ensinarmos muito sobre a esquerda em geral e a esquerda grega em particular. Especialmente interessante é a experiência com cães feita por Seligman e Maier:

A experiência consistia em prender e tratar de forma diferente três grupos de cães.
No grupo 1, os cães simplesmente foram presos por uns tempos e depois foram libertados (grupo de controle).
Nos grupos 2 e 3, os cães eram colocados em pares.
Um cão no grupo 2 seria intencionalmente submetido a choques elétricos, podendo pará-lo pressionando um botão.
Um cão no grupo 3 foi ligado ao cão respetivo no grupo 2, recebendo choques de intensidade e duração igual (pois eram parados pelo cão do grupo 2), mas o seu botão não impedia que os choques elétricos.
Para um cão no grupo 3, parecia que o choque terminava de forma aleatória, parecendo que o choque era “inevitável”.
Nos grupos 1 e 2, os cães recuperaram rapidamente da experiência. Contudo, no grupo 3, os cães tinham aprendido a ser indefesos, e apresentaram sintomas semelhantes a depressão clínica crónica.

O povo precisa de ilusões. Como por ex, que pode apoiar o Nepal sem custo, só com um Like no Facebook – para sentir que fez alguma coisa numa situação que à partida o incomodava e que não podia influenciar. Ou por ex, que pode melhorar a sua situação financeira com um voto.
É por isso que os políticos mentem: porque a população se sente melhor assim.

shocks

Dicas de verdadeira poupança

Foto: AFP/Pauline Froissart. É tempo de acabar com a obsessão burguesa pelo dinheiro.

Foto: AFP/Pauline Froissart. É tempo de acabar com a obsessão burguesa pelo dinheiro.

O Povo é quem mais ordena. Na Grécia, onde  o Povo grego não presta vassalagem aos escravos hipnotizados pelo vil metal de cariz neo-liberal e tudo o que com ele é capaz de comprar corromper, nomeadamente açúcar, farinha e arroz.

Câmara Municipal de Lisboa a inovar

mulher

Na forma como gastar o inesgotável dinheiro dos contribuíntes.

A Câmara de Lisboa apresentou queixa à Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género contra uma barbearia lisboeta que proíbe a entrada a mulheres, apesar de o responsável do estabelecimento negar fazer essa restrição.

O vereador dos Direitos Sociais, João Afonso, disse à Lusa que a apresentação da queixa surgiu na sequência do “descontentamento de muitas pessoas” em relação ao anúncio de impedimento à entrada das mulheres na barbearia lisboeta e foi manifestado durante a 16ª Marcha do Orgulho LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transgénero).

“No exercício diário da sua atividade o referido estabelecimento, conhecido como Figaro’s Barbershop, proíbe exclusivamente a entrada de pessoas do sexo feminino”, lê-se na queixa apresentada na terça-feira pela Câmara de Lisboa à Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género, a que a Lusa teve acesso.

“Existe à porta, segundo tivemos conhecimento, um sinal que anuncia que é permitida a entrada a homens e a cães, mas não a mulheres, equiparando estas últimas a animais”, acrescenta.

O responsável pela Figaro’s Barbershop, Fábio Marquês, garantiu à Lusa que “a barbearia não proíbe a entrada a mulheres”, explicando que “o que acontece é que não existem serviços para senhoras”.

Respeitinho superior

O líder a conferir as perguntas. Imagem Wikipedia.

O líder a conferir as perguntas. Imagem Wikipedia.

Por decreto divino a junta militar que governa a Tailândia vai formar jornalistas. O objectivo da formação é dotar os escribas de capacidade para colocarem questões inofensivas ao deus na terra, o general Prayuth Chan Ocha. A entidade formadora, tem demasiado tempo livre.

La junta militar de Tailandia ‘enseñará’ a los periodistas a no hacer preguntas ofensivas  La junta militar que gobierna Tailandia desde el golpe de estado de mayo de 2014 se reunirá con un grupo de 200 periodistas para enseñarles cómo hacer preguntas que no ofendan al general Prayuth Chan Ocha, la máxima autoridad del país.

Winthai Suvaree, portavoz del autoproclamado Consejo Nacional para la Paz y el Orden, ha afirmado que la reunión tendrá lugar la próxima semana con un grupo de 200 periodistas locales y extranjeros para generar “entendimiento” con ellos y enseñarles cómo hacer preguntas que no incomoden al general, que hace varios meses llegó a amenazar con “ejecutar” a los reporteros que no digan la verdad.

O deus na terra Prayuth Chan-ocha, protagonizou a 22 de Maio de 2014 um golpe de estado que congelou os protestos anti-governamentais. Prometeu reformar o sistema político antes da celebração de novas eleições. A Tailândia vivia desde 2006 uma grave crise política causada pelo antigo Primeiro-Ministro Thaksin Shinawatra, que vive no exílio por forma a evitar cumpir a pena de prisão de dois anos a que foi condenado por crimes de corrupção. Os seus opositores acusaram-no também de dirigir o governo (chefiado pela sua irmã). Naquele período, os sucessivos governos eleitos apostaram na divisão profunda do país e apesar de terem vencido as eleições, sempre contaram com a oposição de parte da população, da elite monárquica e militar.
Pouco depois de tomar o poder político, numa operação de relações públicas, a Junta Militar explicou os motivos do golpe de estado. O destinatário da explicação foi a União Europeia (UE). O Conselho Nacional para a Paz e a Ordem – o nome oficial da Junta Militar – aproveitou uma reunião dos ministros dos Negócios Estrangeiros da UE, na qual foi abordada a situação tailandesa, para justificar a necessidade da sua acção como a única forma de colocar um fim na espiral de violência e de reformar o sistema político da Tailândia e de caminho as perguntas dos jornalistas.

 

O tribunal decidiu, está decidido

RB

O Supremo Tribunal da Arábia Saudita confirmou a sentença ao blogger Raif Badawi. Caso sobreviva às mil chicotadas, terá que cumprir uma década na prisão por ter insultado o Islão em 2012 e pagar uma multa de mais de 191 mil euros.

Leituras complementares: Os bons ventos que sopram da Arábia Saudita; Ser Charlie na Arábia Saudita e na Câmara de Lisboa; Bloggar faz mal à saúdeDas religiões que são superiores aquilo da liberdade.

Adenda: Saudi Arabia hosts UN-backed human rights summit ‘on combating religious discrimination’

Saudi Arabia has hosted an international conference on human rights, attended by the president of the UN Human Rights Council, and resolved to combat intolerance and violence based on religious belief.

The kingdom convened the fifth annual meeting of the Istanbul Process as its Supreme Court prepared to rule on the case of blogger Raif Badawi, sentenced to 10 years in prison and 1,000 lashes for “insulting Islam through religious channels”. It later upheld the sentence.

The UN HRC recently faced criticism over Saudi plans to head up the council from 2016, in what critics said would be the “final nail in the coffin” for the international body.

Compreender o putinismo XXVI

VP2

Já se sabia que ao serviço da Santa Mãe Rússia há soldados que não existem. Parece que passou a ser crime falar, escrever ou apenas procurar pelos soldados mortos ou feridos em gloriosos tempos de paz e prosperidade.

Russia has made it a crime to speak, write or broadcast about Russian troop losses in peacetime and about people co-operating with Russian foreign intelligence, in what critics said was a Kremlin attempt to stop all information about Moscow’s involvement in the war in Ukraine.

President Vladimir Putin signed a decree on Thursday spelling out more than 20 additions to Russia’s state secrets law, including “information which reveals personnel losses in times of war and in peace time while a special operation is being conducted”. The new censorship rules mean families of Russian soldiers killed fighting in Ukraine or activists researching Moscow’s clandestine campaign risk prison sentences of up to eight years.

“It appears that the position of just denying there are Russian soldiers fighting in Ukraine cannot last any longer,” said Kirill Koroteev, a lawyer with Memorial, the human rights group.

Earlier this month, associates of the murdered opposition politician Boris Nemtsov published adamning report that said at least 220 active Russian soldiers had died fighting in Ukraine.

Days before he was shot in central Moscow in February, Nemtsov said he intended to enlighten the Russian people, starting with families of military and security officials, that Mr Putin was dragging the country into war.

“Now people will go to prison for searching for data about our fallen soldiers,” Ilya Yashin, one of Nemtsov’s closest associates and co-author of the report, wrote on Twitter.

Olga Romanova, a journalist and rights activist, wrote on her Facebook page: “These things mean that a blogger will be criminally prosecuted for writing about a young widow . . . crying after she received a coffin from Donbass.”

Technically, Russia’s state secrets law only covers certain institutions or persons. But legal experts said the new rules could easily be applied more broadly to silence families of Russian soldiers killed in Ukraine, activists distributing or publicly discussing such information and all media reports about Russian involvement in the war.

Pela marcha patriótica do aumento da produção socialista

Maduro

O governo bolivariano expande a planificação socialista em todas as empresas do estado. Um sonho tornado realidade, graças ao superior empenho do camarada/presidente Maduro.

Google, Twitter e Facebook em russo

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É do interesse universal que parem de violar a censura as leis russas. A santa mãe Rússia deu-se ao trabalho de os avisar, antes do envio dos “homens verdes”.

Adenda: Pavel Durov explica o processo de “nacionalização” da sua empresa.

A câmara de Lisboa associou-se de vez ao crime organizado?

homer x rayNão tenho nada contra uma realidade que se encontra em inúmeros desses países bárbaros que compõem a União Europeia, a saber uma tarifa fixa nos táxis desde o aeroporto até à cidade mais importante que o aeroporto serve (desde que, evidentemente, se possa optar pela tarifa normal dependente dos quilómetros do percurso). Geralmente garante que não somos (muito) enganados por taxistas que se põem a dar voltas desnecessárias antes de chegar ao destino para conseguir percursos mais caros. Faz tanto mais sentido optar-se por uma tarifa fixa quanto os aeroportos são geralmente longe da cidade, com percurso de estrada e de autoestrada, que incluem portagens. E também não tenho nada a obstar a que se cobre pela entrada dos carros no aeroporto – táxis e outras variantes – ou pela permanência de mais de 10 minutos.

Mas claro que a associação da ANTRAL, da ANA e da inevitável Câmara Municipal de Lisboa (agora presidida pelo delfim de António Costa) só podia magicar ‘soluções’ que não são mais formas de saque legalizadas, com esta proposta de pagamento de 20€ desde o aeroporto da Portela até, no máximo, 14 km de distância – que, depois, pagam-se os 20€ e os quilómetros que acrescem.

Eu moro ao pé do rio, no lado oposto, em Lisboa, ao do aeroporto, e não me lembro de pagar mais de 15€ para ir para o (ou vir do) aeroporto, incluindo a marcação ou o pedido telefónico do táxi e as malas. Se vou do aeroporto da Portela para casa dos meus pais (em Alvalade, e onde às vezes deixo o meu carro), o mais provável é o taxista encontrar forma de me insultar, ou vai a arfar durante todo o percurso, porque é um percurso pequeno e barato (não pago sequer 10€).

À parte a parvoíce da taxa de 1€ para a ANA, e a bacoquice do motorista fardado, agradeço que a Câmara Municipal de Lisboa – que, ao contrário da ANTRAL que defende os interesses dos seus associados, supostamente, alegadamente, teoricamente defende os interesses dos lisboetas – me explique, como se eu tivesse 5 anos, de que forma é que pagar quase o dobro (para minha casa; ou mais do dobro no caso dos meus pais) por viagem de táxi do aeroporto está a defender os meus interesses? Onde é que isto é diferente de sancionar um saque aos clientes de táxis? Será que o vírus que causa estupidez tem concentrações anormalmente elevadas nos edifícios da CML?

Fashion victims no Irão

Graças a Deus, os homens criaram a regulação dos cortes de cabelo.

Jagged haircuts have become fashionable among all strata of Iran’s youthful population in recent years, but have divided opinion and been deemed by the authorities as western and un-Islamic.

“Devil worshipping hairstyles are now forbidden,” said Mostafa Govahi, the head of Iran’s Barbers Union, cited by the ISNA news agency.

“Any shop that cuts hair in the devil worshipping style will be harshly dealt with and their licence revoked,” he said, noting that if a business cut hair in such a style this will “violate the Islamic system’s regulations”.

As well as tattoos being banned, solarium treatments and the plucking of eyebrows – another rising trend among young Iranian males – will not be tolerated, the report said.

Mr Govahi blamed unauthorised barbers for offering the spiky hairstyles and other treatments.

“Usually the barber shops who do this do not have a licence. They have been identified and will be dealt with,” he said.

Compreender o putinismo XXIV

Maus é mau.

Maus é mau.

Putin apoia a cultura.

How Putin Got Russians to Start Censoring Themselves

Anxious to comply with a law against Nazi propaganda, bookstores in Moscowhaving been pulling copies of the comic book Maus. Art Spiegelman’s Pulitzer Prize-winning book, which uses cats and mice to depict the horrors of the Holocaust, is not exactly pro-Nazi, but it does feature a swastika on its cover, and the store owners pulling it say they didn’t want to run afoul of a government directive mandating the removal of fascist symbols from the city ahead of the May 9 Victory Day celebrations, which commemorate the defeat of Nazi Germany.

 

No Fio da Navalha

O meu artigo no ‘i’.

A TAP

O governo está a tentar novamente vender a TAP. Como seria de esperar são muitos os problemas num processo que dura há anos. Se por um lado estão os trabalhadores, entre eles os pilotos, que querem deter entre 10 % a 20% da companhia, por outro deparamo-nos com os potenciais compradores que, quando se detêm sobre o que se passa na empresa, repensam a sua estratégia e mostram-se reticentes na sua aquisição.

Há dias foi anunciado o fecho das contas de 2014 que se saldaram num prejuízo de mais de 80 milhões de euros. No seu todo o Grupo TAP tem uma dívida de mais de mil milhões de euros. Ora, estes resultados surgem num momento em que o preço do petróleo está baixo e já não explica prejuízos anteriores, como os de 2008 em que o preço do crude atingiu valores recorde.

Quando se compra uma empresa, se herda um bem, ou se recebe o quer que seja, importa ter em conta não só o activo mas também o passivo. E o que se passa com a TAP é que o passivo, que não é apenas a dívida da empresa, mas também as obrigações e limitações a que o interesse político a sujeitou, supera muito o seu activo.

O problema da TAP já não é a mera perda de valor, mas o não valer quase nada. Pode ser chocante para muitos, mas uma empresa não se avalia pela emoção, menos ainda quando aqueles que com ela se comovem não gastariam nela um euro que fosse. É, aliás, por isso que são contra a sua privatização. Querem uma empresa, mas o povo que pague por ela.

“How small, of all that human hearts endure, that part which laws or kings can cause or cure”

readyforchildren Hoje à tarde, o Parlamento entregou-se a uma animada discussão sobre o apoio à natalidade. Se bem percebi, não houve grupo parlamentar que não tivesse apresentado alguma proposta que pretendesse “apoiar as famílias” e resolver a “crise demográfica” do país. E a maioria, pela boca de Luís Montenegro, até admitiu aceitar todas as propostas dos restantes grupos parlamentares, em nome do “consenso” que fica sempre bem nestas coisas. Pode parecer estranho que gente que se odeia e que passa os dias a acusar-se mutuamente de abrigar nos seus corações os mais pérfidos desejos e propósitos, encontre subitamente um tema em que, da “Esquerda” à “Direita” todos parecem poder abraçar-se calorosamente, ambicionando em igual medida que o país comece a multiplicar-se como coelhos. No entanto, é algo com que não nos devíamos espantar. Para o percebermos, basta percebermos como a classe política portuguesa, pela sua ignorância e para nossa desgraça, partilha – apesar do muito que entre si discorda acerca de como o fazer – a crença na capacidade da Política – da governação dos assuntos dos seres humanos por seres humanos – para resolver todo e qualquer problema.

Infelizmente, a Política é bastante limitada naquilo que consegue realizar. Pacheco Pereira escreveu em tempos que Eugénio de Andrade lhe costumava dizer que a Política não consegue resolver o problema de estar apaixonado por alguém e não ser correspondido. Problema mais grave que este não deve haver, e só mesmo os mais sortudos não terão como o reconhecer. Mas não é preciso ir tão longe. Ao contrário do que os senhores deputados e as senhoras deputadas parecem crer, o pouco empenho da população no esforço procriador que eles acham ser necessário a bem da Nação e do Estado-Providência só parcialmente se deve à legislação que sai do hemiciclo para o qual foram eleitos. Claro que uma carga fiscal mais baixa ou um mercado arrendamento que fizesse com que um jovem casal não tivesse que ser obrigado a endividar-se para a vida a comprar uma casa ajudariam. Mas a crise demográfica que afecta o nosso país não é um exclusivo do Portugal “austeritário”. É um fenómeno do mundo desenvolvido do “Ocidente” (em sentido lato), e é em grande medida resultado de uma profunda mudança cultural, que nenhuma iniciativa legislativa, por muito bem intencionada que seja, irá mudar.

Em primeiro lugar, não se crê, no mundo “ocidental”, na existência de Deus como em tempos se acreditou, e como tal, “crescer e multiplicar” não surge para muita gente como algo imperioso, como surgirá, julgo (não me conto entre os que fazem parte de qualquer um dos grupos), a quem acredita na existência do Senhor, seja qual for a denominação que segue. Não é certamente coincidência que seja nos países com maior adesão religiosa no “Ocidente” que a crise demográfica menos se faz sentir, e Portugal não é um deles: muita gente se diz “católica”, mas fá-lo apenas por confundir a simples fé na existência de Deus com a (coisa diferente) pertença a essa particular forma de adorar o Dito, que implica a aceitação das regras ditadas pelo Chefe da Igreja Católica Apostólica Romana, regras essas (principalmente as que dizem respeito ao sexo, ao uso de contraceptivos e tudo aquilo a que se costuma chamar de “costumes”) que os “católicos”-em-nome-apenas ignoram olimpicamente. Para complicar as coisas, o mundo mudou mesmo em 1960 com o aparecimento da pílula: permitiu às mulheres terem sexo (uma coisa geralmente aprazível, dependendo das circunstâncias e do parceiro) sem necessariamente correrem o risco de engravidar (com todos os custos que a condição acarreta), e portanto, “ter filhos” passou a ser essencialmente uma escolha. Escolha essa que, por razões ligadas a uma série de coisas que melhoraram as nossas vidas nas últimas décadas, é exercida cada vez menos vezes: as mulheres passaram a “integrar o mercado de trabalho” (perdoe-se o abominável jargão), o que lhes deu maior independência e as fez ter menos tempo disponível para dar à luz uma prole muito extensa (excepto, claro, as que têm dinheiro para contratar outras mulheres que cuidem das crianças); o alargamento da educação a todos os estratos sociais e o aumento da escolaridade obrigatória fazem com que um filho seja um encargo para (pelo menos) 18 anos, e num número cada vez maior de casos, para 20, 25 ou 30 anos, quando antes ter um filho era, para muita gente, ter mais uma fonte de rendimento; e um pouco de tudo isto faz com que as pessoas comecem uma família cada vez mais tarde (no meu caso concreto, a razão está mesmo em nenhum Governo me arranjar uma jovem disposta a aturar-me para o resto da vida e a perpetuar os meus fracos genes). Por muito que custe à “Direita”, as “Famílias” têm hoje menos filhos porque já não aceitam a velinha sociedade do Portugal arcaico do século passado e o que ela implicava. E por muito que desagrade à “Esquerda”, nascem menos criancinhas hoje, não por causa da “austeridade”, mas porque vivemos em tempos mais prósperos e melhores do que vivíamos há 50 ou 60 anos atrás.

Num século já há muito deixado para trás, quando a qualidade de vida hoje ao alcance da maioria de nós era um exclusivo de reis e membros da sua corte (e mesmo esses sem alguns confortos que hoje encaramos quase como direitos naturais), um senhor inglês disse que “de tudo aquilo que os corações humanos suportam, é pequena a parte que leis e reis causam ou curam”. Como se vê pela forma como falam dos “incentivos” e “apoios” à “natalidade”, os senhores e as senhoras que nos pastoreiam não compreendem esta simples evidência. Claro está que se pode sempre argumentar que esta chuva de propostas se deve, não a uma genuína crença na capacidade de resolver o problema demográfico, mas a uma incansável vontade dos nossos representantes de fingirem estar muito preocupados com o assunto, e assim obterem uns quantos votos, aqui e ali, de quem se deixar comover. Mas não sei se, a ser verdade, isso deveria absolvê-los. Afinal, entre serem lunáticos sem noção dos seus limites, ou hipócritas sem vergonha que os impeça de explorar assuntos sérios, não sei qual a alternativa pior.

Compreender o putinismo XXII

Brejnev

Não se aguenta tanto totalitarismo.

“Kiev used truly totalitarian methods, attacking freedom of the press, opinion or conscience,” the Russian foreign ministry said in a statement, also accusing Ukraine of “rewriting history”. Ukraine’s parliament voted on Thursday to ban communist-era and Nazi symbols in a bid to break with the country’s past.