Sou claramente uma criançofóbica 2

O João Miguel Tavares quer polemizar comigo e eu quero polemizar com o João Miguel. (Em ritmo lento do meu lado, que eu tenho a criançada de férias e pouco tempo disponível.) Tanto o João Miguel como eu queremos poder levar a criançada a restaurantes (que não de fast food) e a hoteis – e pela amostra que tive as crianças do João Miguel têm um nível de produção de ruído semelhante ao das minhas crianças (que quando surgiu este duelo entre o João Miguel e a Pipoca Mais Doce houve quem no facebook tentasse vender a ideia ‘os meus filhos portam-se sempre impecavelmente e não incomodam absolutamente ninguém’ e foram devidamente objeto do meu escárnio, tudo em prol da defesa da minha causa primeira – desde esse dia -, a saber o direito das crianças se portarem como crianças.) (Isto porque agora há quem se intitule ‘ativista pelos direitos humanos’ porque defendeu determinada minoria e eu ando a ver se também encontro maneira de ser ativista de alguma coisa igualmente pedante. Com a quantidade de vezes que eu já fui insolente para com os seguidores de Muhammad, à conta dos maus tratos às mulheres nos países e nas comunidades muçulmanas, juntando agora esta coisa das crianças e arranjando alguma etnia chinesa em apuros para ajudar, parece-me que posso já mandar imprimir cartões de visita com ‘Maria João Marques, ativista pelos direitos humanos’. Bom, regressando ao tema.)

Divergimos num ponto: o João Miguel acha que só consegue ir a restaurantes, enfim, normais, e passar férias e fins de semana em hoteis porque a lei obriga os restaurantes e os hoteis a aceitarem crianças; e eu acho que os restaurantes e os hoteis aceitam crianças porque os pais querem levar os filhos a almoçar e a jantar fora, e querem passar férias e fins de semana com os filhos e hoteis e restaurantes ficariam com poucos clientes se apenas restringissem os seus potenciais clientes a grupos de adultos; mas como felizmente procuram o vil lucro, aproveitam todas as oportunidades para vender os seus serviços. As famílias com crianças são um grande mercado e os proprietários e gestores de hoteis e restaurantes têm noção disso. Se os restaurantes não quisessem receber crianças, não teriam cadeirinhas para elas, estabeleceriam um consumo mínimo para quem ocupasse lugar à mesa, não criariam menus infantis,… E os hoteis, então, se quisessem enxotar crianças teriam boas soluções: camas de bebé e camas extra caríssimas, alimentação de crianças ao mesmo preço da dos adultos (e nada de oferecer pizzas e lasanhas e outras coisas de que as crianças costumam gostar; tudo nouvelle cuisine e com ingredientes estranhos, de propósito para desagradar aos palatos infantis), nada de kids clubs nem de animadores de crianças para quando os pais quiserem estar um bocadinho sossegados, nada de escorregas e baloiços e piscina para crianças, enfim, nada que se destinasse ao entretenimento e bem-estar das pestinhas abaixo da adolescência. Curiosamente, a grande maioria dos hoteis é concebida, desde os projetos de arquitetura, para acolher crianças. E, para vender quartos, com frequência fazem promoções em que não cobram diária às crianças menores de x anos, não cobram por camas de bebé ou por camas extra, não cobram pela alimentação de crianças pequenas, e um largo etc. de promoções com a finalidade de atrair famílias com crianças. Porque se não acolhessem crianças, e porque as famílias costumam levar os filhos para as férias, em vez de para hoteis iriam para apartamentos ou casas ou o que fosse onde uma família pudesse passar as férias junta. De resto, esta epidemia empresarial que teima em atrair famílias com crianças não atinge apenas hoteis e restaurantes, anda a minar toda a economia. Há grandes centros comerciais, só para dar um exemplo, que orientam todo o seu markting para captar as famílias com crianças, oferecendo atividades gratuitas destinadas às pequenas pestes.

E esta coisa do mercado funciona tão bem que o único hotel em Portugal, que eu tenha conhecimento, que não aceita crianças até 3 anos – um hotel no vale do Douro, que é (não admito discussão) a zona mais bonita de Portugal e onde eu vou (à zona, não ao hotel porque, lá está, não aceita crianças pequenas) sempre que consigo – está (ou esteve, ainda há pouco tempo) com grandes dificuldades financeiras, apesar de o Turismo ser um setor que tem florescido. Claro que as dificuldades poderão dever-se a muitos outros fatores, mas não deixa de ser uma coincidência curiosa. Já restaurantes nunca encontrei nenhum que recusasse crianças, ainda que conheça vários cujo ambiente é propício a tudo menos a refeições com crianças pequenas.

Em suma, enquanto as famílias quiserem levar crianças para hoteis e restaurantes, haverá hoteis e restaurantes que aceitam crianças. Pelo melhor motivo de todos (não, não é cumprir a lei): as empresas, para sobreviverem e prosperarem, fazem por agradar aos clientes. E se o mercado resolve – e bem, porque incorporando as decisões livres de consumidores, empresários e gestores – o problema, então o legislador só tem de ficar quieto e não incomodar.

About these ads

Tubarões sobre o momento actual

Para quem acompanha o Shark Tank na Sic Radical, fica aqui um vídeo com eles num intervalo. Interessante saber o que eles pensam sobre o aumento do Estado (negativo), quão difícil é conseguir crédito nesta economia (muito, mesmo com potencial), o aumento da burocracia (enorme), quem merece apoio a construir o seu negócio (corporativistas vs pequenos empreendedores), quem cria valor (burocratas vs empreendedores), …
Pena o som, mas conteúdo muito interessante.

Sou claramente uma criançofóbica.

Eu começo por apresentar o meu protesto pela sucessão vertiginosa de assuntos que envolvem a criançada que têm aparecido nos blogues e jornais, nem dando tempo para uma mãe com compulsão opinativa vir aqui dizer de sua justiça.

Começando pelo mais recente. Daniel Oliveira escreve outro texto exemplar (isto começa a ser preocupante) sobre a mania irresponsável de muitos pais recusarem vacinar os filhos e do ressurgimento de doenças a que isso tem levado (ainda há pouco tempo houve um surto de sarampo em Nova Iorque). De facto este é um assunto que está na fronteira entre aquilo que deve ser a proteção do estado às crianças e o espaço de decisão dos pais no que aos filhos diz respeito e aceito que as opiniões sejam diferentes. Eu estou pela obrigatoriedade da vacinação. Não tanto pelos benefícios coletivos que isso traz, mas pela proteção às crianças. E não vejo que isto belisque o liberalismo; os pais não devem poder tomar decisões que sejam altamente lesivas para os seus filhos, como é claramente o caso da recusa da vacinação. Por muito elitistas que sejam, não deve ser permitido aos pais pôr deliberadamente em risco a saúde dos filhos.

Agora a polémica que opôs o João Miguel Tavares à Pipoca Mais Doce, com contributo da Inês Teotónio Pereira. E estou do lado da Pipoca. Mas claro que os hoteis devem poder não aceitar crianças, segundo a sua política comercial. Tal como devem poder aceitar só casais (há muitos hoteis por esse mundo fora que estão especializados em férias românticas e não aceitam pessoas sozinhas, nem trios, nem, lá está, crianças, só mesmo casais). E o mesmo digo para restaurantes. Imaginem um restaurante que se especializa em despedidas de solteira e só aceita grupos de mulheres para lá tomarem as suas refeições. Também não pode? Tem de aceitar homens e crianças? Tal como há hoteis que se especializam em férias (ou fins de semana) para pessoas com mais de 15 anos e, por isso, não aceitam crianças, também os há – e em muito maior número – que se destinam ao imenso mercado das famílias. Não estamos propriamente num cenário em que os pobres pais não conseguem encontrar um hotel que acolha os seus rebentos. Temos mesmo de começar com conversa de discriminação à conta disto? E porque paramos nos hoteis? Ou nos restaurantes? Porque não aplicar esta mania não-discriminatória a tudo? Por exemplo um spa. Tendo as vantagens das massagens para bebés sido bastante difundidas nos últimos anos, fica claro que um spa não se pode destinar apenas a tratamentos de bem-estar para adultos; é obrigatório que faça massagens a crianças. Um spa geralmente tem um ambiente relaxado e silencioso que combina mal com o barulho dos bebés? Pois temos pena, discriminar os bebés é que não pode ser. E as residências para idosos que têm aparecido pelo país? Presumo que qualquer lar de terceira idade deva ser obrigado a aceitar um rapaz de 40 anos de boa saúde que lá queira passar uma temporada, não? E uma loja de roupa? Porque diabo uma loja de roupa de crianças pode existir nas versões atuais? Ficamos quedos perante esta discriminação de adultos? E os cabeleireiros para adultos onde nāo há quem saiba cortar o cabelo a crianças irrequietas? É fechar. E aquelas fotógrafas que se especializam em grávidas e discriminam as restantes mulheres? Inaceitável.  Mais uma – esta tem muito potencial fraturante -, e as lojas de roupa feminina que só têm números para mulheres magras?

O passo lógico a seguir a isto tudo? Registar na constituição como direito fundamental a dormida em hoteis, idas aos spas e aos restaurantes e por aí fora.  E fazer um pronunciamento de inconstitucionalidade para as orientaçōes comerciais das empresas que se destinam a nichos de mercado. Em Portugal, uma empresa ou serve toda a gente ou vá para países amigos da discriminaçāo comercial (e do bom senso).

Coisas tão devastadoras quanto o ébola

Acho sempre piada quando alguns liberais ou os que para aí gostam de se inclinar – mesmo aqueles que não se converteram à religião gaspárica, assente, como se sabe, em aumento de impostos para ‘sanear’ as contas públicas (que esses estão way round the bend) – confundem liberalismo com defesa intransigente das empresas. Quando são uma espécie de socialistas – que pensam que para minorar os efeitos nefastos da ação desses trastes que são os indivíduos há que pôr em ação os trastes dos indivíduos que trabalham para o estado, como se o estado tivesse poderes mágicos de purificação daqueles que agem em seu nome – ao contrário. Há liberais para quem uma empresa (e os seus empresários, gestores ou administradores), sobretudo se for lucrativa, is without fault. Em vez do estado, para os socialistas, é o lucro, para alguns liberais, que purifica a ação individual. E quem questionar estas empresas, ai jesus que são inimigos do lucro e da iniciativa privada. Isto ganha especial potencial de divertimento quando é feita a defesa de empresas que atuam em setores que, seja pelas barreiras à entrada seja pela legislação, atuam em contexto longe da concorrência. O preço da gasolina é igual ao cêntimo em todas as marcas? Ora isso são acasos da mais perfeita concorrência e, quando muito, culpa daquela ideia socrática de pôr cartazes nas auto-estradas com indicação dos preços; cartelização e combinação de preços? vade retro, criatura satânica que difama desta forma empresas respeitáveis. Os bancos inventam taxas, uns atrás dos outros, para cobrar aos clientes que respiram dentro das suas agências? é a concorrência em ação e quem não gosta que guarde o dinheiro debaixo do colchão.

Isto para dizer que nas empresas também há bons patifórios, e estas empresas que funcionam perigosamente perto do estado são um chamariz para os patifórios que se dão bem a tirar proveito da influência tanto quando estão a soldo das empresas como quando estão a soldo do estado. Logo, não merecem ser defendidas com grande paixão.

Não venho aqui defender maior regulação, que não tenho grande fé nos que fiscalizam. Dê-se o exemplo das agências de regulação em Portugal, que são risíveis; existem para defender a posição destas empresas de setores protegidos dos malvados consumidores; e para acrescentar variedade à carreira profissional daqueles que se passeiam pelos meandros governativos, reguladores da área que tutelaram e empresas da área que tutelaram e fiscalizaram. Venho mesmo só constatar que o estado de coisas atual sucks. Um estado gordo e anafado e um sistema judiciário de faz de conta são uma combinação mortal. Isto tudo não só por causa das prescrições do caso BCP – e vale a pena ler, além do André, o José Meireles Graça sobre estas iguarias político-jurídicas aqui e aqui – como por, só um exemplo que deve ter sido a maior escandaleira de tráfico de favores feito à vista de toda a gente, termos a CGD a fazer empréstimos com risco mal medido a Berardos e a Finos que, depois e enquanto accionistas do BCP, votaram a solução do governo para a administração daquele banco.

Duas notas finais. A primeira é para lembrar que, para compensar a largueza nos setores que frequentemente lesam consumidores e contribuintes, os legisladores aplicam a sua fúria controleira nos setores onde os empresários não são amigos dos governantes e as empresas não têm dimensão para verem as suas queixas aparecerem nos jornais. Nos produtos mais, digamos, simples, as empresas apanham multas pesadíssimas se não chamam estúpidos aos consumidores através de avisos que são obrigados a fazer, por exemplo informando que não se deve acender uma vela em local acessível a crianças ou animais de estimação (nunca se tinham lembrado disto, pois não? pois é, é para isso que cá está o papá protetor estado).

A segunda é para avisar os leitores mais quadriculados que não tenho nada contra o lucro, sobretudo se for meu, nem contra os bancos nem o lucro dos bancos, sobretudo quando pagam dividendos.

Salazar

O Carlos aponta um erro no meu artigo pegando numa frase retirada de contexto. Na verdade, o que se refere nesse artigo é que o esforço de Salazar para conseguir excedentes orçamentais, quando chegou a ministro das finanças em 1928, foi feito à custa do empobrecimento do país. Salazar pretendeu que o estado tivesse excedentes orçamentais para atrair investimento estrangeiro, o que não conseguiu por razões várias, muitas delas de índole internacional (estamos em 1928/29, novamente como menciono no artigo). Sem crédito, restaram os excedentes que Salazar quis manter a todo o custo e à custa de um país que não tinha meios para enriquecer, mas pagava esses mesmos excedentes.

Aliás, o quadro que apresenta comprova isso mesmo: um afastamento em relação às economias mais avançadas no final dos anos 20, uma aproximação durante a 2.ª guerra mundial (o que é natural, pois Portugal manteve-se neutral) e uma retracção logo a seguir. A aproximação às economias mais desenvolvidas a que alude, situa-se entre 32-35, principalmente porque os efeitos da depressão foram muito menos acentuados em Portugal que nessas economias utilizadas para comparação com a portuguesa (aliás, a queda no quadro a partir de 35 dever-se-à à recuperação, pelo menos relativamente à quabra sucedida em 29/30, das referidas economias), e na década de 60, principalmente na segunda metade. Trata-se de um desenvolvimento que Salazar tolerou, porque, apesar de o ter adiado ao máximo, não o podia evitar. A guerra do Ultramar, bem como a própria sobrevivência do regime assim o exigiam. Salazar pretendia um país que se bastasse, fosse equilibrado mas não rico e, isso, pressupunha proteccionismo e condicionamento industrial, o que sucedeu até à decada de 60. Sucede que, controlar uma economia nos anos 30/40/50 é uma coisa; fazê-lo nos anos 60, outra completamente diferente.

O artigo no i refere ainda as gerações seguintes que foram prejudicadas. E não foram? Salazar chegou ao governo em 1928. De imediato, apresentou um orçamento equilibrado. Saiu em 1968 (três anos depois do início do salto comparativo constante no quadro que o Carlos nos trouxe). Foram 40 anos. Afirmar que Salazar foi amigo do desenvolvimento económico porque este existiu nos últimos anos da sua governação permite que se conclua o mesmo da democracia porque entre os anos de 85-95 essa mesma aproximação ás economias mais ricas também se deu.

Independentemente da análise que se possa fazer sobre o enriquecimento ou empobrecimento do país o que se pretendeu salientar foi a concepção económica dos dois regimes (Estado Novo e Democracia) a qual assenta no estado como motor económico. Crendo nisso, os dois puseram o país a trabalhar para o estado. Salazar, pretendeu que o país pagasse os excedentes orçamentais; o actual regime que o país sustenta uma dívida. Tudo porque, tanto antes como depois do 25 de Abril, se entende que o estado deve fazer os investimentos económicos vitais, estando a diferença no modo como se arranja o dinheiro.

Para terminar, faço apenas um pequeno reparo: não caio no erro de diabolizar Salazar porque sim. Compreendo bastante bem, o que não é igual a concordar, a sua postura e as razões que o levaram a agir como agiu. Salazar caiu no mesmo erro que o actual regime: pôs o estado à frente do país ou, para sermos mais correctos, das pessoas. Salazar entendeu que apenas o estado podia curar, ou salvar, ou compor, como preferirem, a país. A actual classe política acha que o país não se desenvolve sem um empurrão do estado.

Esta gente gives me the creeps

Depois de resolvido o magno problema das retretes e dos urinóis, a malta da UE decidiu dedicar-se a outro problema que causava fome e mortandade pelo mundo e cuja resolução era inadiável: a diversidade de carregadores para os telemóveis. Eu espero que, em prol do bem dos mais pobres e desfavorecidos, os carregadores universais não se fiquem por telemóveis e routers, mas abranjam também outros bens essenciais, como equipamentos elétricos de depilação e de massagens. E depois de solucionado em definitivo este transtorno dos carregadores, a UE pode dedicar-se a outros problemas prementes e, sobretudo, a necessitar de uniformização. Assim de repente, estou a lembrar-me dos ganchos para pendurar cortinados (que vêm num número imoral de formas e materiais) ou as quantidades das latas de chá em folha (dá uma trabalheira comparar preços, que umas latas têm 100g de chá, outras 125g e outras têm só 75g); também não seria mal pensado regular de forma a que a circunferência das laranjas comercializadas na UE se adeque às máquinas espremedoras de citrinos.

(A gente que me causa arrepios não são só os legisladores sociopatas da UE, são também os idiotas úteis que agradecem a legislação dos sociopatas.)

No Fio da Navalha

O meu artigo de hoje no i. Salazar empobreceu o país para pagar os excedentes orçamentais que visavam financiar a economia; este regime empobrece-nos para pagar o endividamento que visou financiar a economia. Quando é que paramos?

Os filhos de Salazar

A biografia “Salazar”, de Filipe Ribeiro de Meneses, descreve a difícil situação financeira que Salazar encontrou no seu mandato nas finanças e a solução que propôs ao país. Para Salazar, estamos em 1928, o problema era de índole financeira, económica, social e política, ordem pela qual deveria ser resolvido.

Já com o orçamento equilibrado, Salazar entendia que o crescimento económico passava pelo aumento das exportações, a disponibilidade do crédito e o investimento em infra-estruturas vitais, como portos e estradas (p. 75). Tirando o défice, veja-se como a receita é em tudo idêntica à da actual classe política, que visa um acordo sobre os investimentos públicos para assegurar o crescimento económico, e do manifesto dos 70, que querem reestruturar a dívida pública por entenderem ser o Estado o motor da economia.

O Estado na base do país. Ou da nação, porque, tirando o nome, estamos onde estávamos em 1928. Para ter crédito, Salazar reformou a Caixa Geral de Depósitos (CGD) que se tornou numa instituição que financiava investimento público. CGD ou banco de fomento, a lógica não difere.

A única diferença é que, se para ter dinheiro Salazar empobreceu o país, a actual classe política faz o mesmo, endividando-o. O que une os dois regimes é a pobreza. Pobre, o país não se desenvolveu com Salazar, prejudicando as gerações futuras. Endividado, Portugal empobrece, deixando uma pesada factura aos nossos filhos. Os nossos, porque os de Salazar estão nos partidos desta democracia.

No Fio da Navalha

O meu artigo de ontem no i, sobre a dívida americana e a América que deixou de ser a América.

Regresso ao passado

O Congresso norte-americano aprovou a suspensão do tecto da dívida pública até Maio de 2015, no que é visto como um passo na direcção do crescimento económico e da melhoria de vida dos cidadãos. Infelizmente, esta comprova que o que se vê nos EUA é a vitória de uma classe política presa por interesses particulares que, à semelhança do que sucede em Portugal, tomou o estado de assalto. Na verdade, a suspensão do tecto da dívida significa que os EUA vão contrair dívida para pagar a dívida contraída e ainda uma maior centralização política na figura do presidente.

A liberdade individual implica que as escolhas não estejam condicionadas por motivos que não sejam de natureza ética ou moral. Assim, é importante que as pessoas não se endividem. Da mesma forma, a liberdade individual pressupõe um governo forte na defesa dessa mesma liberdade, só possível quando esse governo é independente de interesses particulares e não esteja endividado.

Aquando da fundação dos EUA entendia-se que um governo limitado protegia os indivíduos. Por isso o governo devia ser contido. Com o crescimento do Estado e, consequentemente, da dívida, seguiu-se um controlo do poder político em virtude do aprisionamento a interesses particulares. Veja-se a incongruência: ao deixarmos crescer o Estado para proteger as pessoas, os governos ficaram presos a interesses que ultrapassam o cidadão comum e ninguém consegue conter. Digam-me lá se às vezes não parece que a história volta ao ponto de partida?

Bem prega Frei Tomás… (Juízes e seus amores pela Igualdade)

Juízes exigem blindagem dos seus vencimentos:

Magistrados propõem à ministra autonomizar o seu estatuto remuneratório face à Função Pública. Admitem cortes, mas apenas transitórios, nunca por mais que um ano e nunca superiores a 3%.

Os juízes pediram à ministra da Justiça que blinde o seu estatuto remuneratório para que possam receber um salário correspondente às suas funções e livre de mudanças por lei orçamental. Numa proposta enviada a Paula Teixeira da Cruz esta semana, a que o Económico teve acesso, a Associação Sindical dos Juízes Portugueses (ASJP) exige que o Estatuto dos Magistrados Judiciais seja revisto no sentido de o separar de qualquer remissão para o regime da Função Pública e dos titulares de cargos político, de forma a ter um regime autónomo. “A Constituição ou o estatuto devem blindar o regime remuneratório dos juízes”, disse ao Económico o presidente da ASJP, Mouraz Lopes.

Uma atitude inqualificável. Mostra  bem a (falta de) qualidade da justiça em Portugal, o corporativismo reinante no sector e a atitude face ao princípio da igualdade.

São uns vendidos, peseteiros e um bom exemplo de como chegamos aqui. Tenho dito.

O Presidente explica

The national and international bourgeois media are accomplices of the fascist gangs, but the truth will always triumph in our homeland.

Fonte:Twitter Nicolás Maduro.

Thought Police – um pequeno passo, por Obama

Via Fox News: Thought Police: Firms must swear ObamaCare not a factor in firings:

Firms will be required to certify to the IRS – under penalty of perjury – that ObamaCare was not a motivating factor in their staffing decisions. To avoid ObamaCare costs you must swear that you are not trying to avoid ObamaCare costs. You can duck the law, but only if you promise not to say so.

Claro, a Fox News é a Fox News. Mas ainda assim, acho que para a administração americana é um novo ponto baixo. Nunca tanta incompetência foi mascarada com tanto afinco e determinação.

Contra-revolucionários na Venezuela

Em complemento ao artigo do homem que segue com minudência os avanços milenares no progresso do socialismo e do humanismo na Venezuela, Rui Carmo, uma foto de um enviado especial a Caracas. Provavelmente pertence ao Bilderberg e provavelmente estará a conspirar contra si — caso seja pobre — formas ainda mais inteligentes de o roubar.

Assim é a marcha do progresso. Aos que ousem interceder, aos contra-revolucionários, não menos do que o fim da vida. Patria o muerte. O Governo estima que estejam 7 pessoas em manifestação, todos eles patronados pelo grande capital. Com o fotógrafo, também ele dissidente, serão 8. Aguardamos pelos cálculos dos geógrafos de manifestações.

BgST9iWIUAA-jDc

No Fio da Navalha

O meu artigo desta semana no i é sobre os quadros de Miró.

Os quadros de Miró não são estado social

A malograda venda dos 85 quadros de Miró deu pano para mangas na imprensa portuguesa. Tanto o poder político, com os deputados do PS à cabeça, como o judicial – o Ministério Público intentou duas providências cautelares para evitar a sua venda – têm feito tudo por tudo para que os quadros não saiam do país. A elite que Eça tão bem definiu há mais de cem anos mostrou-se na sua máxima magnificência.

E nós vimo-la, ouvimo-la, lêmo-la. Não tivemos outra hipótese senão estar atentos às lições de arte que foram lançadas por aí. Isabel Salema, jornalista do “Público” e formada em História de Arte, chegou mesmo a explicar-nos, naquele jornal, que Miró é um dos mais importantes pintores do século xx e que a colecção só poderá ser vendida depois de classificada como património nacional.

Ninguém questiona a importância de Miró. Apesar de não ter formação na área, gosto de estar, na medida do possível, a par e de visitar museus. Sou parte daquele público que pessoas como Isabel Salema gostariam que fossem em maior número. A questão não é essa.

A questão é que o que se deve discutir não é a qualidade dos quadros de Miró, algo inquestionável, mas se cabe ao Estado ter uma colecção de arte. Saber se cabe ao Estado, ao mesmo tempo que corta na educação, na saúde e nos subsídios de desemprego, ter uma colecção de arte, maravilhosa, disso não tenhamos dúvidas, para agradar a uma minoria que, não sofrendo privações de maior, tem influência. É isto o Estado social?

Presidente sensacionalista acaba com o sensacionalismo

Link permanente da imagem incorporada

Mérida, Venezuela.

De uma só vez o progressista Nicolás Maduro, não quer estrangeiros como proprietários de empresas de comunicação social, propõe normas para acabar com o sensacionalismo e a propaganda (!) e curar a Venezuela dos anti-valores do capitalismo.

No Fio da Navalha

O meu artigo no i sobre o fecho do cinema Londres e a prepotência da câmara municipal de Lisboa. As minhas salas de cinema eram o São Jorge, o Londres, o Star, o Império, o Roma, o Quarteto e o King. A última vez que fui ao Império, com um amigo, o porteiro abriu-nos a porta e disse-nos, perante uma sala vazia, que era toda nossa. Naquela noite de sexta-feira não havia mais ninguém. Tirando o Alvalade, que reabriu com 4 salas, as restantes fecharam ou, no caso do São Jorge, deixaram de existir. Tenho pena porque ir ao cinema é, em parte, ir a cinemas de ruas. Mas se lamento que as pessoas prefiram ver filmes num tablet a servir-se deles como motivo para sair, não posso aceitar que a minha desilusão sirva de pretexto para violar um direito fundamental que é o de propriedade. O direito de uma pessoa, neste caso o dono do espaço do cinema Londres, fazer o que bem entender com o que é seu.

O Londres e a liberdade

Inicio esta crónica informando que o Cinema Londres era uma das minhas salas de eleição. Por ser mais do meu agrado, dou primazia às salas de rua, não integradas num centro comercial. Vem isto a propósito de a Câmara Municipal de Lisboa (CML) querer impedir que o dono do espaço do antigo Cinema Londres o arrende a uma loja de produtos chineses.
Como referi, lamentei o fecho daquele espaço pelo prazer que tinha de lá ir. Mas estou chocado com a leviandade com que a CML procura base legal para impedir que o proprietário use do seu direito de propriedade como quiser. Entendamos o seguinte: bem procurado, há sempre um diploma qualquer para servir de base aos desejos da autarquia. O que não há, não pode haver, é fundamento justo que justifique a arbitrariedade do poder.

De acordo com a imprensa, o vereador do Urbanismo e da Reabilitação Urbana, Manuel Salgado, terá mesmo considerado que o proprietário do espaço terá de esperar que alguém se proponha arrendar o local por um preço simbólico. Ora, peço desculpa pela franqueza das palavras, isto é pior que imoral. É querer ganhar protagonismo político à custa do sacrifício dos outros. É um atentado a um dos direitos mais básicos da pessoa numa sociedade: o uso livre do que é seu sem interferências do livre arbítrio do poder político. Como é que o fecho de um cinema se torna uma questão de direitos fundamentais? Porque prezamos mais a hipocrisia que a liberdade. Porque não estamos a ter cuidado.

Venezuela: economia socialista aplicada

Parece que os venezuelanos não aguentam por muito mais tempo tanta festa justiça.

On aisle seven, among the diapers and fabric softener, the socialist dreams of the late Venezuelan president Hugo Chávez looked as ragged as the toilet paper display. Employees at the Excelsior Gama supermarket had set out a load of extra-soft six-roll packs so large that it nearly blocked the aisle. To stock the shelves with it would have been pointless. Soon word spread that the long-awaited rolls had arrived, and despite a government-imposed limit of one package per person, the checkout lines stretched all the way to the decimated dairy case in the back of the store.  “This is so depressing,” said Maria Plaza, 30, a lawyer, an hour and a half into her wait. “Pathetic.” Depressing, in an otherwise bright, modern supermarket that sells $100 bottles of Spanish wine, Jack Daniel’s whiskey and organic rice puffs. Pathetic, in a country with the world’s largest petroleum reserves and oil prices at nearly $95 a barrel, yet unable to supply basic goods because of its crumbling local currency and a shortage of U.S. dollars. “Soon we’ll be using newspaper, just like they do in Cuba!”

Leitura complementar: Argentina e Venezuela: foi bonita a festa, pá!

Resultado tão esperado como preocupante

The end of free speech in Europe.

(…) Again, while the aims may be noble in part, this ‘framework’ will undoubtedly end up being a cudgel to silence people. Holocaust denial today, Stalinists tomorrow, UKIP and immigration sceptics the day after. Will being an EU-doubter be a criminal offence too? Will denying anthropogenic climate change be proscribed?

What makes the EU most terrifying is its lack of democratic accountability: an unelected President, Commission, and Comitology (unelected pen pushers setting policy).

This is why Britain leaving the EU must be seen as a priority.

George Washington, whose great-grandfather was a Brit, said “If the freedom of speech is taken away, then dumb and silent we may be led, like sheep to the slaughter.”

Avanços medicinais turcos

O que seria das pessoas sem as necessárias aprovações governamentais?

A controversial medical bill that makes it a crime for doctors to provide emergency first aid without government authorization came into force in Turkey on Saturday despite an outcry from rights groups.

Under the legislation that was approved by President Abdullah Gul on Friday, those convicted could be imprisoned for up to three years and face fines of nearly $1 million.