Uma nota sobre o conflito Israelo-Palestiniano

Quando o Império Ottomano se dissolveu, fruto da derrota das potências centrais na I Grande Guerra, esta foi a distribuição do território por entre os países aliados:

MapCarvingUpOttomanEmpire1916

Nem Arábia Saudita, Síria, Jordânia, Israel, Palestina ou Líbano existiam. O território era e continuou a ser, pelo menos até 1946, protectorado inglês e francês. Da mesma forma, também a dissolução do Império Austro-Húngaro levou a que outros países anexassem territórios que não lhes pertenciam, como a Sérvia, expansão que posteriormente conduziu à Jugoslávia.

First-World-War-before1914

É importante recordar que a definição das actuais fronteiras foi um processo dinâmico e contínuo, fruto de conflitos militares, e que com excepção de Portugal, ainda há nem 60 anos se voltaram a redefinir. É também relevante relembrar que até 1991 a Europa do Leste não dispunha de soberania, a Alemanha estava dividida em duas repúblicas, e as suas fronteiras eram meramente virtuais na composição da União Soviética, e não fosse a dissolução da USSR, ainda hoje existiria RDA.

O objectivo desta contextualização não se prende com defender a expansão dos colonatos em Israel pós-1967. É apenas derrubar a tese de que o Estado de Israel não tem direito a existir por apropriação indevida de território, que aliás pertencia ao Reino Unido. Um ponto de ordem importante num momento em que o anti-semitismo tende a ressurgir, e em que moderados ocidentais começam a adoptar o discurso anti-sionista que apela à erradicação do Estado de Israel, e que, poucas dezenas de anos desde a última tentativa ainda não passaram, do povo de Israel. E ainda mais importante sabendo que a ordem dos jihadistas é a de que as fronteiras se redefinam uma vez mais, desta feita todos muçulmanos.

article-2674736-1F46221200000578-100_634x381

Nota: este artigo beneficia magnanimamente com a leitura destes três artigos e respectivos comentários:

About these ads

(Des)Amor com (des)amor se paga

Israel – como tudo na vida – não está acima de críticas. Nem na atual guerra com o Hamas em Gaza nem nos intervalos das erupções violentas. E tem lá dentro os intoleráveis judeus ultra-ortodoxos que são tão agradáveis para o género feminino (dou três exemplos) como as gentis almas que compõem o Hamas. Mas confesso que me espanta como há tanta gente que tem bitolas tão distintas para os dois lados. Israel não pode atacar (como faz agora e em resultado de ataques sofridos) mas também não se pode defender preventivamente (ai Jesus que construiram o muro); Israel não pode atacar mas ninguém se lembra que do tempo em que iam mandar os judeus ao mar (propósito que ainda tem o Hamas), das guerras que o lado palestiniano provocou e dos boicotes a qualquer tentativa de uma paz negociada – e tudo em prol de jogos de poder entre Hamas e OLP (e dentro de cada um), da manutenção de esquemas de corrupção que enriqueceram os líderes da OLP e para distrair os palestinianos da negligência e incompetência e corrupção dos governos de OLP e Hamas.

Já com o Hamas a complacência é total. A indignação com as mortes civis (e sobretudo de crianças) dirige-se toda para o exército israelita, mas o facto do Hamas preferir o apelo propagandístico das mortes de crianças e civis pelos israelitas, localizando-se onde faz mais mossa à população civil em caso de ataque, em vez de proteger os civis de Gaza já é de todo irrelevante e não lhe atribui nenhuma culpa na morte dos referidos civis. A pobreza em Gaza não interessa, os desrespeito pelos direitos humanos das mulheres likewise. E para o que acontece ao mesmo tempo na Síria e nos locais controlados pelo ISIS olha-se para o lado, que não é conveniente haver outros concorrentes à indignação que se quer oferecer toda a Israel.

Eu, se tiver de escolher lados, fico com Israel. Tem erros, tem exageros, tem mão militar pesada. Mas não festeja as vítimas do outro lado, não sacrifica vidas civis do seu lado à propaganda, não só não tem um total desrespeito pelas vidas do lado inimigo como não pretende provocar o maior número de vítimas – é isto o Hamas. Que, além disso, defende coisas que me são aberrantes. Aprecio tanto o Hamas como lá valorizam o que eu sou e represento: uma mulher ocidental independente.

Uma boa leitura para estes dias – e porque os dramas humanos naquela zona não começaram agora – é o Oh Jerusalem, da dupla Larry Collins e Dominique Lapierre. (Livro sobre o qual escrevi no primeiro jornal que deu guarida a textos meus – o Notícias do CUPAV – depois do assassinato de Ytzhaz Rabin, que era referido no livro nos seus tempos do Palmach, a 4 de novembro de 1995. Lembro-me perfeitamente de ter sabido desta notícia numa área de serviço da A1, já bem de noite no regresso de Coimbra, onde tinha ido à festa de 20 anos do CUMN.)

oh jerusalem

Assim vai o Iraque…

Fundamentalistas destroem túmulo de Jonas

O túmulo do profeta que, na Bíblia, sobreviveu três dias na barriga de um peixe, no fundo do mar, foi destruído numa onda de ataques do grupo de terroristas do Estado Islâmico.

Purged by ISIS, Iraq’s Christians appeal to world for help

Iraqi Christians are begging for help from the civilized world after Mosul, the northern city where they have lived and worshiped for 2,000 years, was purged of non-Muslims by ISIS, the jihadist terror group that claims to have established its own nation in the region.

Rand Paul sobre Israel

Rand Paul rebukes White House in pro-Israel column

Kentucky Sen. Rand Paul blasted the White House’s response to a kidnapping and killing of three Israeli teenagers in a strongly worded column designed to highlight his pro-Israel credentials.

Paul, a potential GOP presidential contender who is often leery of interventionist foreign policy, has been highly critical of the more hawkish wing of the GOP, most recently in the debate over what to do in Iraq. But Paul also has been trying to show the Republican establishment that his overall approach to foreign affairs is not out of the mainstream, and his tough rhetoric in the National Review op-ed could be seen as another overture.

Continuar a ler

Campeonato do Mundo, visto do Iraque

O campeonato do Mundo de futebol é um evento verdadeiramente global. No Iraque, por exemplo, apesar da falta de bons talentos locais, o futebol é o desporto-rei. Senão veja-se as imagens de soldados iraquianos (imagens gentilmente cedidas pela ISIS).

(cuidado, imagens chocantes, de pouco interesse futebolístico) Continuar a ler

Tudo rapazes encantadores, amigos do seu amigo, ajudam as senhoras de idade a atravessar a rua e por aí adiante

«To celebrate the Persian New Year on Friday, Iran’s Supreme Leader Ali Khamenei decided it was an opportune time to again deny the existence of the Holocaust. Speaking in Mashhad, he declared that “the Holocaust is an event whose reality is uncertain and, if it happened, it’s uncertain how it happened.”»

«In what many Twitter users in Turkey called a “digital coup”, Telecom regulators enforced four court orders to restrict access to Twitter on Thursday night, just hours after the prime minister, Recep Tayyip Erdogan, vowed to “eradicate” the microblogging platform in an election speech.

The disruption followed previous government threats to clamp down on the social media and caused widespread outrage inside and outside Turkey.»

A guerra surreal de Assad & co

Link permanente da imagem incorporada

Síria cria uma agência espacial.

Three years into its bloody, unending civil war, the Syrian government has deciced to approve the creation of a space agency “with the goal of using space technology for exploration and observing the earth.” The Syrian Space Agency, according to state-run news service SANA, will do work “of a scientific research nature.”

Alguém antecipa os resultados de Genebra III?

Link permanente da imagem incorporada

O número de flotilhas repletas de ajuda humanitária diversificada, combatentes pessoas solidárias que usam o lenço palestiniano como acessório de protesto, pacifistas em geral e irmãos de fé, que estará a ser preparada para rumarem à Síria com urgência é uma incógnita.

Solidariedade entre grandes familias e maiores líderes

AssadMaduro

President Bashar al-Assad expressed Syria’s support to the approach of the Venezuelan President, Nicolas Maduro in running Venezuela ”that he draws from the world heritage principles and the historical legacy of Latin America’s great leaders.”  In a letter he sent to the Venezuelan President on Wednesday, President al-Assad expressed the Syrian people’s solidarity with President Maduro and the Venezuelan people in the face of the “ferocious onslaught that is replayed today in several safe and stable countries, in an attempt to whip up chaos, spread foreign hegemony and seize the riches of these countries and their sensitive geopolitical positions.”

SANA.

Síria: resultados dos primeiros nove dias da conferência Genebra II

Dry Bones,cartoon, Israel, Syria, war,  Terrorism, violence, Arabs,Sunni, Shia, Alawite,Iran, al Qaeda,  Hezbollah, Syria, war, golan, peace, hezbollah, civil war,apple, iphone, samsung, android,

The first round of talks in Geneva ended on Friday without making progress towards ending the civil war and also failed to achieve more modest aims, like an agreement to allow aid convoys into the central city Homs where thousands of civilians have been trapped for months.

Leitura complementar: Síria: a antecipação dos resultados da conferência Genebra II.

Cartoon: The Dry Bones Blog.

Sucesso internacional

É quando  se alcança 4,1% (em 100). A Síria, a região e o mundo estão finalmente seguros.

Syria has given up less than five percent of its chemical weapons arsenal and will miss next week’s deadline to send all toxic agents abroad for destruction, sources familiar with the matter said on Wednesday.

The deliveries, in two shipments this month to the northern Syrian port of Latakia totaled 4.1 percent of the roughly 1433 metric tons of toxic agents reported by Damascus to the Organization for the Prohibition of Chemical Weapons (OPCW), said the sources, who spoke on condition of anonymity.

A realidade nas redes sociais de um país em guerra

Syria: President Assad’s Instagram feed vs reality.

A esquizofrenia original pode ser visitada aqui.http://instagram.com/syrianpresidency. Em Novembro de 2012, parte da Síria encontrava-se neste estado. Dois anos depois, a guerra ou os seus efeitos não se faz sentir.

Momento do gabinete de estudos de género do Insurgente

Momento surripiado ao facebook do Rui Carmo. ‘Saudi men believe women are to blame for the rising cases involving molestation of females on the grounds they are seduced by women’s excessive make up.‘ É caso para perguntar: quem mais haveria de ser culpada por ser assediada se não a própria da libidinosa mulher que entende maquilhar-se (nos olhos, que é a única parte do corpo e da cara visível) para atormentar os pobres coitados dos homens, que bem tentam resistir-lhes mas, hélas, não conseguem? Isto lembra-me de uma desavergonhada que uma vez vi em Nova Delhi. A tentadora estava de véu integral, mas nem isso a detinha na senda de desestabilizar os inocentes homens que com ela se cruzavam: as bainhas da sua fatiota preta estavam ornamentados de vidrilhos, os olhos cheios de kolh, as unhas das mãos pintadas de escarlate e os pés (tremo a descrever tamanha indecência) em sandálias de tirinhas e exibindo a mesma cor. Lembra-me também um qualquer livro do Amin Maalouf, onde uma personagem feminina se cobria com o véu quando queria ser sedutora. Nem os véus nem as burkas conseguem conter a nossa ruindade. Em todo o caso, o gosto das muçulmanas pela maquilhagem, seja em Delhi ou em Riad, numa clara subversão do objetivo daquilo que vestem, é uma evidência do gosto das mulheres muçulmanas por andarem tapadas. Isto dito porque há maluquinhos (até na Europa) que afiançam que as mulheres muçulmanas gostam muito das suas indumentárias e são as próprias que escolhem vestir-se com elas.

Um pouco de crítica literária

A man inspects burnt books on January 4, 2014 in north Lebanon's majority Sunni city of Tripoli a day after a decades-old library owned by a Greek Orthodox priest was torched after "a pamphlet was discovered inside one of the books that was insulting to Islam and the prophet Mohammad" said a source, who spoke to AFP on condition of anonymity. (AFP Photo)

Quando o livro Fahrenheit 451 compete com a realidade.

Two-thirds of a historic collection of 80,000 books have gone up in smoke after a library was torched in the Lebanese city of Tripoli amid sectarian tensions. The blaze was started after a pamphlet insulting Islam was reportedly found inside a book.

Firefighters struggled to subdue the flames as the decades-old Al-Saeh library went up in smoke on Friday in the Serail neighborhood of Tripoli. Despite firefighters’ best efforts, little of the trove of historic books and manuscripts was recovered from the wreckage.

“Two thirds of some 80,000 books and manuscripts housed there,” a security source told Agence France Press, referring to the items destroyed. The source added that the blaze was started after a manuscript insulting the Prophet Mohammed was found hidden in the pages of one of the library books.

A demonstration had been planned in Tripoli after the pamphlet was found but was reportedly called off after the library’s Greek Orthodox owner spoke with Muslim leaders. Lebanese news outlet Naharnet also reported that one of the library workers was shot and wounded Thursday night.

 

Dos poderes da propaganda

Emanam situações estranhas.: a mesma família que sucumbiu às bombas dos homens de Assad, foi a mesma que morreu vítima das forças armadas de Israel. É, no mínimo, caso para dizer que o que sobra em grandeza, falta em misericórdia divina.

Entre a Reuters e a al-Qaida

Molhem Barakat

A morte mas principalmente a vida de Molhem Barakat levantam muitas questões.

Barakat leaves us with a lot of questions. A few of the more obvious ones already asked by Pein:

• Why did Reuters not mention Molhem’s age in its report on his death? If the agency did not know his true age, why not?

• Who besides the named editor reviewed the report on his death before publication? Was it reviewed by lawyers? [What about the statement published in response to the BBC’s questions?]

• Was he provided with any equipment from Reuters? What type? Did Reuters offer him a bulletproof vest, helmet or eye protection? A satellite phone?

• Was he provided with safety training? Was he provided with any training whatsoever?

• If he might have been deemed too inexperienced or unqualified to gain a staff job, why was he deemed fit to submit work from an immensely challenging, complex and dangerous environment?

I have a few questions of my own:

  1. To what extent did his Al-Qaida sympathies color his work for Reuters?
  2. Was Reuters at least aware that Barakat sought to become a suicide bomber? If yes, why did it feel comfortable hiring him? If not, why not?
  3. Are Western news services employing minors in Israel and the PA too? How difficult would it be to take advantage of an aspiring kid with a knack for camera work?
  4. How concerned should we be about Palestinian stringers with terrorist sympathies? What does this say about Israeli restrictions on Palestinian journalists?
  5. Were journalists injured during Israeli army operations adequately trained and equipped for personal safety? Do news services share culpability for incidents typically blamed on the IDF?
  6. What does the news industry’s heavy reliance on local stringers say about news coverage of Syria? How comparable is this to coverage of Israel and the PA

Leitura complementar: Não são separatistas, são assassinos III.