je suis estátua romana com nu

O meu texto de hoje no Observador.

‘Já tinha um texto escrito, só a precisar de revisão e apuro do tom cáustico e irónico, a verberar os moralistas anti-abstenção que atacam em cada ato eleitoral, e a explicar como a abstenção é, algumas vezes, mesmo aquilo que os políticos e os partidos merecem e de forma nenhuma um desinteresse pela política e pela participação. Mas não estava destinado a ser, porque de repente apanhei no twitter a notícia de que o governo italiano tinha coberto as estátuas de nus do Museu Capitolini para que estas não ofendessem o suscetível presidente do Irão, pelas Europas em visita oficial.

E depois de se ter dissipado o encarnado que tomou conta do meu campo de visão com esta notícia, lá me decidi que afinal devia escrever sobre os governantes que temos que teimam em esterilizar – ou, se calhar, deformar seria melhor palavra – a realidade em que vivemos na prossecução dos seus objetivos progressistas.

Neste caso do presidente do Irão versus as estátuas de nus romanas, há que ser taxativa.

1) Cabe-nos defender e orgulharmo-nos da cultura europeia, e proclamar que é, até ver, a mais justa, decente e (sim, não tenho medo da palavra) civilizada que o mundo produziu. O facto de ter falhas e imperfeições e potencial de ser melhorada não nos pode levar a um relativismo amoral de fazer equiparar – ou, em alguns casos, denegrir – a nossa cultura ocidental aos barbarismos mais ou menos declarados de outras zonas do globo. E se dizia no outro dia que para defender a Europa temos de defender o Natal, também é verdade que temos de defender as esplendorosas estátuas de nus renascentistas que o génio europeu produziu. É degradante cobrirmos as expressões artísticas da nossa cultura e da nossa História para agradar a um visitante.

2) Se o presidente do Irão não consegue conviver mantendo a sanidade (supondo que a tem) com estátuas de nus, que fique no Irão. Ou, querendo fazer negócios com os europeus e mante relações diplomáticas, engole os puritanismos e aprende a desviar os olhos das partes baixas das estátuas italianas. Ou – já que os progressistas barra lunáticos apreciam tanto ensinar os outros – destaca-se um guia para ensinar ao presidente Rouhani que o mal das estátuas está todo, afinal, no conservador iraniano. Há dois anos estive em Florença com as minhas crianças, que também aproveitaram para se escandalizar (e rir) muito com as estátuas renascentistas de pessoas despidas pelas ruas da cidade. E lá levaram a necessária lição de que os meus filhos querem-se cosmopolitas e não puritanos. Forneço com gosto o conteúdo dos ensinamentos para crianças sub 10 que ofereci às minhas, que aparentemente aproveitaria ao presidente iraniano.’

O resto está aqui.

Nova oportunidade para os críticos televisivos

Zuhair Kutb foi condenado a quatro anos de prisão (dois serão efectivos). Está impedido de escrever durante década e meia e de sair da Arábia Saudita por um período de cinco anos. Foi ainda multado em mais de 26 mil dólares. O crime do escritor saudita? Ter defendido na televisão a transformação da Arábia Saudita numa monarquia constitucional.

 

Síria: back to basics XXVI

assadandfriend

Vale a pena ler o artigo The West’s Dilemma: Why Assad Is Uninterested in Defeating Islamic State, de Christoph Reuter.

In the fight against Islamic State, the West is considering cooperating with the Syrian army. There’s a hitch though: Assad’s troops aren’t just too weak to defeat IS — they also have no interest in doing so.

(…) Elsewhere, attacks by Assad supporters and by Islamic State have likewise taken place with astonishing temporal and geographic proximity to each other. Near the northern Syrian city of Tal Rifaat in early November, for example, an IS suicide attacker detonated his car bomb at an FSA base, though without causing much damage. Just half an hour later, two witnesses say, Russian jets attacked the same base for the first time.

Unsurprising Cooperation

Was it a coincidence? Likely not. There have been dozens of cases since 2014 in which Assad’s troops and IS have apparently been coordinating attacks on rebel groups, with the air force bombing them from above and IS firing at them from the ground. In early June, the US State Department announced that the regime wasn’t just avoiding IS positions, but was actively reinforcing them.

Such cooperation isn’t surprising. The rebels — in all their variety, from nationalists to radical Islamists — represent the greatest danger to both Assad and IS. And if the two sides want to survive in the long term, the Syrian dictator and the jihadists are useful to each other. From Assad’s perspective, if the rebels were to be vanquished, the world would no longer see an alternative to the Syrian dictator. But the rebels are also primarily Sunni, as are two-thirds of the Syrian populace — meaning that, from the IS perspective, once the rebels were defeated, the populace would be faced either with submission and exile, or they would join IS. (…)

Almas gémeas

Putin e Erdoğan quando estavam disponíveis para o amor e a paz.

Putin e Erdoğan quando estavam disponíveis para o amor e a paz.

As relações entre a Rússia e a Turquia após o abate de avião de guerra russo vivem um momento teen. A Santa Mãe Rússia protesta e bloqueia as importações de vegetais, galinhas e, imagina-se, de perús de origem turca. Um dos elos queixa-se que ele não devolveu a minha chamada. O outro continua à espera do pedido de desculpas. O primeiro faz birra e magoado avisa que o amor não pode brincar com o fogo. Longe vai o paraíso.

Leitura complementar: As voltas que o mundo dá.

As voltas que o mundo dá

Russia

A Ucrânia deixou de ser o inimigo número 1 da santa mãe Rússia. Em menos de 24 horas, a Ucrânia foi substituída em todas as notícias que vêm da Rússia. Deputados, governantes, especialistas e trolls vários quase que desprezam a Ucrânia. Aparentemente a ladaínha dos nazis mais o golpe fascista da Ucrânia apoiado pelos EUA entrou em hibernação.

Nova oportunidade para os críticos de cartoons XV

Os desenhos de Hadi Heydary são uma ameaça ao regime iraniano

Os desenhos de Hadi Heydary são uma afronta à segurança do regime iraniano

Desenhar a Torre Eiffel e mostrar solidariedade às vítimas dos atentados de Paris dá direito a prisão. No Irão moderado.

Paris, Teerão e os eternos culpados

Substituam Estado Islâmico por Israel e encontrarão o culpado pelos atentados no mundo, esclarece Mohammad Reza Naqdi.

Substituam Estado Islâmico por Israel e encontrarão o culpado pelos atentados no mundo, esclarece Mohammad Reza Naqdi.

Esqueçam Churchill, as cruzadas, o Jesus, a saga Guerra das Estrelas, as constantes viagens de Star Trek e da Lua no Espaço 1999 bem como as mudanças que levaram ao fim dos impérios e à extinção dos dinossauros. A culpa do terrorismo é do imperialismo americano, de Israel e da islamofobia.

“If we write the word Israel instead of ISIL, the behind the scene of the recent events in France will come into light; the ISIL is the infantry unit of the US and the usurper Zionist regime since they don’t have fighters today anymore and have lost power to fight, and they have created the ISIL by making investment on the fools,” Naqdi said on Wednesday.

“Such events should happen in Europe in order for the US and its hirelings to be able to justify their presence in the region and escape from criticisms,” he added.

Naqdi also described Saudi Arabia as the dealer of the recent incidents, and said Riyadh has founded the ISIL stream and as long as the US is unable to fill the banking accounts of its arms companies with the Saudis’ money, these wars and cruel massacres will continue.

He also warned that the western states seek to spread Islamophobia in Europe and the US by creating fear and horror among the European and American people.

In relevant remarks on Saturday, Deputy Chief of Staff of the Iranian Armed Forces Brigadier General Massoud Jazzayeri warned Washington and its European allies not to replay the September 11 theatre to pressure and attack Muslims by misusing the Friday night’s terrorist events in Paris.

Jazzayeri made the remarks after a series of bombings and shootings in the French capital left over 150 people dead and scores of others injured following which certain western media attempted to blame all Muslims for the attacks.

“The French people paid the price for their government’s support for the ISIL and the Takfiri terrorism,” he said. (…)

Leitura complementar: Alcançado o inovador patamar de moderação.

 

Avisos ao Bataclan

Paris’ Bataclan Theater was BDS and terrorist target for years.

Adenda: Pascal Laloux, um dos antigos proprietários do Bataclan, revela que vendeu a casa em Setembro e zarpou para Israel.

Assad e Estado islâmico separados à nascença

Cartoon de David Simonds/The Observer

Cartoon de David Simonds/The Observer

Bashar al-Assad afirmou que os ataques a Paris são o resultado da política externa francesa. Por mais que procure não encontro as declarações do ditador em que diz que o abate do avião comercial russo no Egipto foi a consequência esperada da política externa russa.

 

Rei Saudita nunca ouviu falar de wahhabismo

Emigrantes afegãos sensibilizados pelo Irão a defender floresta síria

Foto de Mujtaba Jalali.

Foto de Mujtaba Jalali.

O Irão descobriu um filão uma nova utilidade para os refugiados que acolhe.

Afghan refugees in Iran being sent to fight and die for Assad in Syria

Exclusive: Photographs of funerals for Afghans killed in Syria reveal refugees recruited into Iran’s effort to save its ally

Fogo que arde à vista de todos

Palestinianos atearam fogo ao túmulo de José em Nablus.” A notícia só pode estar errada. A culpa é sempre dos imperialistas norte-americanos, dos sionistas e da transferência do Jesus para o Sporting. Está no livro de estilo.

Na Indonésia, a influência da Mossad também se faz sentir.

Nova oportunidade para os críticos de cartoons XIV

AtenaFarghadani

Cartoonista iraniana, Atena Farghadani, condenada a 12 anos e 9 meses de prisão foi forçada a realizar um teste de virgindade e outro de gravidez pelas autoridades do Irão por ter apertado a mão ao advogado. Sopra uma brisa de abertura  e outra, mais forte, de mudança no regime iraniano.

Na quinta do mártir

HH

O general iraniano Hossein Hamedani alcançou na Síria o abençoado estatuto de mártir. Hossein Hamedani ficou conhecido a nível internacional pelo desempenho brutal na repressão das manifestações realizadas contra os resultados das eleições presidenciais iranianas de 2009, proezas reconhecidas pela comunidade internacional, através da aplicação de sanções ineficazes.

Se o currículum de atrocidades é marcante, a cobertura mediática (em persa – não encontrei o equivalente no site em inglês) em “directo” e de dentro do lar do militar, revela uma assinalável “big brotherização” da propaganda iraniana. São outros valores que se levantam.

 

Síria: back to basics XXV

siria

Cartoon de Akram Raslan.

Os trabalhos do grande líder sírio. Ou tão só algumas das razões da revolta.

‘They were torturing to kill’: inside Syria’s death machine

Coincidências russas

NYT

A correcção refere-se ao artigo do NYT, Russia Carries Out Airstrikes in Syria for 2nd Day.

Uma palavra especial de esperança e conforto aos pacifistas que não calam as suas vozes e que em gestos de grande coragem e maior coerência se têm manifestado a apoiar a guerra, a intervenção à distância e por via aérea da Santa Mãe Rússia na Síria. Todos sabemos que a Síria atacou primeiro a Rússia.

Imagem de duas senhoras chechenas a regressarem das compras em Grosny. O ambiente que as envolve é o resultado da experiência e capacidade de Putin a decidir pacíficos ataques cirúrgicos.

Imagem de duas senhoras chechenas a regressarem das compras em Grosny. O ambiente que as envolve é o resultado da experiência e capacidade de Putin a decidir pacíficos ataques cirúrgicos na segunda guerra da Chechénia.

Muito mais do que um gesto de Putin

síria
Na altura em que a Rússia é ameaça real à Europa, pela anexação de parte da Ucrânia e bulling aos países bálticos e à Polónia, tenho as maiores reservas sobre a intervenção russa na Síria..
Em traços gerais, Obama admitiu na ONU o falhanço da sua Administração em organizar uma estratégia vencedora que eliminasse o Estado Islâmico. Do resto do discurso ficou também a promessa que os EUA estão preparados para trabalhar com qualquer país, incluindo a Rússia e o Irão para resolver o conflito. A ver vamos.
Este falhanço norte-americano deu oportunidade a Putin para ganhar protagonismo e iniciativa. Não adivinho o que o futuro reserva, muito menos na Síria mas desconfio que a Rússia não terá um sucesso militar muito diferente na Síria do atingido pelos EUA, sem colocar botas no terreno. Mas esta última opção tem um preço que a opinião pública russa não parece estar disposta a pagar.
Creio que algo que os EUA aprenderam na última década é que não é tarefa fácil impor estabilidade em território estrangeiro. A Rússia irá voltar a aprender, até porque a Arábia Saudita já ditou a única regra do jogo: não há futuro para Assad. Estará a Rússia preparada para deixar cair Assad em troca da manutenção do regime ou de alguns protagonistas?
Sobre o poder de Assad, uma pergunta/dúvida: se de acordo com os relatos da propaganda do regime sirio desde há quatro anos que a vitória está eminente, o que torna necessário a intervenção de uma potência mundial como a Rússia e a participação de potências regionais como o Irão e o Hezbollah para o manter?
 A verdade é que se Putin não socorrer Assad, ele e o regime serão destruídos. E Putin, a par com o Irão, o maior apoiante, será visto como perdedor. A Rússia não tem naquela região muitas oportunidades de intervir. E Putin está a aproveitar a falta de clareza e firmeza dos EUA na Síria, o único país em que do ponto de vista russo “faz sentido” defender.
Sem dotes de adivinhação, desconfio que a Rússia não terá um sucesso militar muito diferente na Síria do atingido pelos EUA. Do ponto de vista pragmático seria óptimo que o Ocidente visse a Rússia como um aliado no combate ao fundamentalismo islâmico, mas não será essa a ideia de Putin. Quer pelos aliados seleccionados por Putin (o Partido de Deus libanês e a Guarda Revolucionária iraniana), quer pela permissa que aponta para que a única forma de acabar com a guerra na Síria é apoiar a criatura que matou sete vezes mais gente do que os facínoras do Estado Islâmico, que está bem alimentado por combatentes do Cáucaso. .
Uma nota final: as políticas internacionais da Rússia e dos EUA nunca deixaram de ser complementares.e não deixa de ser curioso que as duas maiores potências do mundo estejam cada vez mais envolvidas e manipuladas na guerra entre sunitas e xiitas.

Adenda: Putin in Syria: Russian Airstrikes Begin, But ISIS Is Not Primary Target.

Futebol total é no Irão

Iran's girls' football team pose for a group picture before the start of Turkey versus Iran girls' preliminary match of the Singapore 2010 Youth Olympic Games (YOG) played at the Jalan Besar Stadium in Singapore, Aug 12, 2010. Photo: SPH-SYOGOC/Seyu Tzyy Wei

Para lá das dúvidas, esta é uma Imagem das “raparigas” iranianas. Crédito: SPHYOGOC/Seyu Tzyy Wei

A burka, o género e a cor das chuteiras são claramente uma questão de e para estilistas.

Eight players from Iran’s female team ‘not fully women’

“[Eight players] have been playing with Iran’s female team without completing sex change operations,” Mojtabi Sharifi, an official close to the Iranian league, said during an interview with the Iranian website Young Journalists Club. The proportion of players in the team who were born men was not known. (…)

Sharifi, who did not mention the name of the players, but said that some of them have played as men their entire career but only revealed their gender on the last day of their duty. (…)

No ano passado, existiram algumas dúvidas maldosas.

Nova oportunidade para os críticos de cartoons XII

Akram Raslan

Cartoonista Akram Raslan morto. Os créditos são do regime sírio.

It is with great sorrow that the Gulf Centre for Human Rights (GCHR) has received news of the killing of Syrian human rights defender and cartoonist Akram Raslan. Raslan, the Cartoonists Rights Network International (CRNI)’s 2013 winner of the Award for Courage in Editorial Cartooning, died under torture in a government detention center a few months after being arrested in October 2012 at his workplace in Hama. There had been no confirmed news until today of Raslan’s whereabouts since he was detained three years ago.

After he was severely tortured, Raslan’s health reportedly deteriorated suddenly and as a result, he was transferred to a hospital for treatment. It is reported that he died at that time and a witness has confirmed it today.

GCHR believes that Raslan was tortured due to his human rights work and for exercising his right to freedom of expression. He was well known for his courageous cartoons, which accompanied the early developments of the Syrian conflict, highlighting the violations against the Syrian people, which he published in several journals and websites.

 

Pândega na ONU

A Arábia Saudita foi eleita para presidir à Comissão dos Direitos Humanos da ONU.

The United Nations has appointed Saudi Arabia representative Faisal bin Hassan Trad as head of a key human rights panel that is tasked with naming experts that determine global human rights standards. Among those criticising the UN for the appointment is non-governmental watchdog UN Watch and Ensaf Haidar, the wife of the imprisoned blogger Raif Badawi, who has been flogged in public in Saudi Arabia.

Haidar claimed that this will lead to Saudi being able to flog Badawi again. UN Watch has called upon US ambassador to the UN Samantha Power and EU foreign minister Federica Mogherini to condemn the appointment.

UN Watch director Hillel Neuer said that the choice is scandalous, saying that the country has beheaded more people in 2015 than the Islamic State has. “Petro-dollars and politics have trumped human rights,” he said. “Saudi Arabia has arguably the worst record in the world when it comes to religious freedom and women’s rights, and continues to imprison the innocent blogger Raif Badawi.

“This UN appointment is like making a pyromaniac into the town fire chief, and underscores the credibility deficit of a human rights council that already counts Russia, Cuba, China, Qatar and Venezuela among its elected members.”

Sunitas versus xiitas explicado às pacíficas criancinhas

alNimr

Ali Mohammed al-Nimr, tinha 17 anos quando em 2012 participou numa manifestação anti-governamental na Arábia Saudita. A acusação alega que al-Nmir tinha em sua posse uma arma de fogo – algo nunca visto no Médio Oriente e muito menos no reino saudita. A condenação à morte será finalizada através de crucificação. Mas se pensam que a condenação é bárbara, estão errados… porque antes, al-Nim será decapitado por quem de direito.

Falta acrescentar que Ali Mohammed al-Nimr é xiita e familiar de um clérigo xiita Nimr al-Nimr, entretanto preso e também ele condenado à morte por conspiração externa. Agora imagine-se se sunitas e xiitas estivessem em guerra milenar o que seria do Médio Oriente, do resto do mundo árabe e claro de Israel, o eterno culpado..

Segredos porreiros do pan-arabismo

Em relação às vagas de refugiados, o esforço dos países árabes representados pela Liga Árabe é… secreto.

El secretario general de la Liga Árabe, Nabil al Arabi, defendió hoy la contribución de los países de la región en la crisis de los refugiados sirios y rechazó algunas críticas en este sentido, en una rueda de prensa en la sede del organismo en la capital egipcia.

“Los esfuerzos de los países árabes no se conocen”, dijo Al Arabi haciendo referencia a las críticas aparecidas recientemente en medios de comunicación internacionales, sobre todo respecto a la falta de iniciativa de la Liga Árabe y también de los ricos países del Golfo pérsico, que no han recibido a sirios con estatus de refugiados.

 

Sermos histéricos não ajuda os refugiados

O meu texto desta semana no Observador.

‘Uma vez, num texto de The Spectator, Alexander Chancellor declarou que era old-fashioned em algumas coisas e dava exemplos que o provavam: acreditava em pontuação e em frases com verbos. Isto funcionou como declaração de interesses num texto que passou a explicar como já via desatualizado o conceito de palavras ‘U’ e ‘non-U’ (de upper-class e non-upper-class) celebrizado por Nancy Mitford e o linguista Alan C. S. Ross no inacreditavelmente delicioso livro que é Noblesse Oblige.

(E aqui aproveito para congratular o leitor que foi a correr para os alfarrabistas da net procurar Noblesse Oblige, subtítulo An Enquiry Into the Identifiable Characteristics of the English Aristocracy. Tem lá o ensaio U and Non-U de Ross – que explicará, entre outras coisas, porque ficou a Duquesa de Grantham, de Downton Abbey, indignada com a palavra weekend. Um ensaio da Nancy Mitford sobre a aristocracia inglesa. Um texto de Evelyn Waugh chamado An Open Letter to the Hon. Mrs Peter Rodd (Nancy Mitford) on a Very Serious Subject – título que provoca suspiros em qualquer adorador de Waugh. Um texto, que não muda vidas, de Christopher Sykes, o antecessor da autora de chick lit Plum Sykes. E umas rimas de John Betjeman. Que melhor uso um amante de livros pode dar ao seu dinheiro?)

Bom, não gosto nada de me descrever como old-fashioned, mas às vezes sinto-me como Alexander Chancellor. Parece que as coisas mais básicas – racionalidade a olhar para a realidade, um ténue resquício de sensatez, uma pitada de prudência – estão já fora de moda e quem as aconselha é, na melhor das alternativas, uma relíquia vintage.

Isto, claro (foram avisados no título), a propósito das reações ao acolhimento dos refugiados da Síria e do Norte de África na Europa. Para que fique claro, informo que também estou fora de moda em algumas coisas: acredito em, podendo, ajudarmos aqueles que precisam ou que estão momentaneamente desamparados. Pelo que sim, parece-me que deve a UE acolher os refugiados possíveis. E, aos que não puder acolher de forma permanente, deve acolher temporariamente, alimentar, proteger do frio até que possam regressar ao seu país quando (se?) houver paz ou possam viajar para outras paragens.’

O resto está aqui.

Curiosamente há 14 anos, mais ou menos por esta hora, estava a entrevistar uma ucraniana que me tinha sido enviada pelo Jesuit Refugee Service / Seviço Jesuíta aos Refugiados para trabalhar em minha casa como empregada doméstica. Conto isto para lembrar que há organizações que trabalham com refugiados (também por cá) há muitos anos, apesar dos histéricos (e são tantos) que agora botam moralismo por todo o lado só terem descoberto estas honoráveis organizações no verão de 2015. Antes tarde, não é?

Razões bárbaras

NG

Foram culturais as razões apontadas pelos censores sauditas para impedirem a distribuição e venda da edição da revista National Geographic que tem como capa o Papa Francisco, fotografado na Capela Sistina.

Jihadismo Global – Felipe Pathé Duarte

Um lançamento de um livro sobre um tema que continua infelizmente a estar na ordem do dia por parte do meu ex-colega – no Instituto de Estudos Políticos da Universidade Católica Portuguesa – Felipe Pathé Duarte.

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O mundo não acabou mas a Síria vai mudar

homensverdes

Vladimir Putin: “We are already giving Syria quite serious help with equipment and training soldiers, with our weapons,” he said during an economic forum in Vladivostok on Friday, according to the state-owned RIA Novosti news agency.”

Ficam no ar duas dúvidas: estes homens aparentemente russos serão simplesmente reconhecidos como condutores de tractores e maquinaria agrícola pesada pró-Assad?Alguém sabe da manif da Stop the War Coalition?

Leitura complementar: O mundo não acabou ontem mas a Síria mudou hoje

O Dilema dos Refugiados

As pessoas são costumam ser muito racionais. As pessoas são sentimentais. Pensam com o coração, sentem com o coração e o cérebro faz mais vezes greve que os maquinistas da CP.

Eu recordo-me perfeitamente do Kony 2012. Um vídeo chocante, umas quantas fotos e do nada vi gente que poderia jurar a pés juntos que o Nelson Mandela era o Presidente de Timor e a única causa política pela qual desperdiçou mais de três letras foi a legalização da canábis desfazer-se em posts de facebooks, conversas de café, apelos desesperados. Fui, na altura, aqui no Insurgente, das primeiras pessoas em Portugal a desmascarar a farsa do movimento Kony, semanas antes da comunicação social e as redes sociais o começarem a fazer. Estávamos a falar de um conflicto em que Kony era apenas um dos senhores da guerra envolvidos e em que os organizadores da campanha era parceiros de um dos seus adversários. Acho que isto diz tudo. Porquê ? Porque quando as pessoas vêm uma imagem chocante, um vídeo que impressiona, uma mensagem que fica, o cérebro desliga e o raciocínio vai de férias, dispensando-se a reflexão e a pesquisa necessárias a tomar uma posição E dão-se à causa, sem se aperceberam que estão a ser usadas como peões. A crise humanitária que vivemos não é linear, está longe de ser simples. E lançar-se de braços abertos a uma causa sem conhecimento da mesma numa altura em que esse conhecimento está à distância de um clique é uma imbecilidade. Esta questão não é simples porque de facto a Europa tem culpas no cartório. No entanto acho curioso ver gente que acha que os cidadãos não devem estar a pagar as dívidas derivadas das políticas económicas desastrosas dos seus governantes a clamarem para que se paguem as dívidas das políticas militares desastrosas dos mesmos.

Continuar a ler

Uma tragédia e uma farsa

O meu texto de ontem no Observador.

‘Começo com a farsa. Eu percebo que os eleitores já tenham adquirido imunidade à campanha eleitoral do PS. É verdade que já tivemos os cartazes que prometiam combater a precariedade ao mesmo tempo que não pagavam às pessoas que exibiam. Também sei que depois das cartas que querem descobrir as Índias e Brasis que há em mim, pessoa irrepetível e que não sou nenhuma fração (adicionalmente não sou, esclareço, um integral ou um número imaginário), despedindo-se António Costa de mim com um ‘afetuoso abraço’ aparentemente não havia (cogitava eu ingenuamente) margem para maiores sustos. Esperava, no máximo, que na semana antes das eleições Costa se despedisse com um beijinho repenicado.

Estava enganada. Na segunda feira viu o PS por bem informar-me que, e cito, ‘António Costa e Fernanda Tadeu casaram há 28 anos. Não houve festa mas sim um hambúrguer rápido no Abracadabra na Rua do Ouro com os padrinhos Diogo e Teresa Machado, antes de seguirem para Veneza em lua-de-mel. António sempre soube gerir a sua vida pessoal e profissional e Fernanda tem sido o seu maior apoio.’ Na imagem, Costa confessa-se utilizador de bolsas de cintura. Não contentes, o jornal de campanha do PS entrevistou Fernanda Tadeu, onde a senhora avisou que tinha identidade (não pensássemos nós que era uma raiz quadrada) e deu informações políticas relevantes sobre o marido como o gosto por terrines.

Bom, cada um dará a importância que entender ao hambúrguer de Costa, mas eu trago o assunto para aqui por uma razão que me provoca menos risos. Vamos lá ver: Fernanda Tadeu não tem qualquer interesse para o eleitorado senão por estar casada com um candidato a primeiro-ministro. Então, como conciliar estas aparições da senhora com os ataques vis que pessoas ligadas ao PS têm feito às fotografias de Laura Ferreira na comunicação social desde que está doente com cancro (e exibe corajosamente a sua cabeça sem cabelo)?

De cada vez que há uma fotografia de Laura, logo socialistas têm corrido a acusar Passos Coelho de usar a doença da mulher para fins eleitorais. O conselheiro preferido de Costa, Porfírio Silva (candidato a deputado e membro do secretariado nacional do PS), escreveu mesmo no twitter ‘Usar a doença de uma Pessoa para dourar a pílula eleitoral de alguém… é do domínio do abjeto’ (a 9/7/2015, às 14h56).’

O resto está aqui.

Do imperialismo chega o golfinho

golfinho

O mamífero marinho foi apanhado pelo Hamas em plena actividade subversiva. Terá sido presente a juíz e aguarda a presença de um tradutor.

Leitura complementar: Do imperialismo chega o cisne.