Compreender o putinismo XI

ARGENTINA-RUSSIA-KIRCHNER-PUTIN

Algo completamente inesperado e que ultrapassa o desinteressado apoio aos apoiantes.

In campaign against truth, Mr. Putin wields fear and economic force

(…)The autocrat’s success in walling off Russians from alternative sources of news and information, culminating now in his campaign against the country’s last independent television channel, provides a case in point. The channel TV Dozhd (meaning “rain”) was founded five years ago, when state television had become so soporifically subservient that “most people we knew had stopped watching,” as Mikhail Zygar, Dozhd’s 33-year-old editor in chief, recalled during a recent visit to The Post. Dozhd offered real news and balanced commentary. “Give TV one more chance” was its pitch. It soon built an audience of 20 million (in a nation of 142 million). (…)

Meanwhile, Mr. Zygar said, official propaganda has become less soporific and more engaging — moving from “North Korea-style” to “Fox Media-style,” he said. “Flames of hatred toward ‘Ukrainian fascists’ and ‘American aggressors’ can be seen in the eyes of every presenter, and it’s very effective. And there is no alternative, except for us.”

Mr. Putin keeps at the ready the possibility of methods harsher than advertising bans. Parliament extended the “anti-extremism” law this year in a way that allows prosecutors to charge pretty much any critic with a crime. “Hypothetically, if some news show guest says that Crimea should be returned to Ukraine, I could be thrown in jail for five years,” Mr. Zygar said. But, he noted, “It’s much easier to get rid of us with economic pressure.

 

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Ramiro Marques sobre Mário Nogueira

Reproduzo de seguida um texto enviado por Ramiro Marques:

O centralismo e o quase monopólio estatal criaram o poder de Mário Nogueira e da Fenprof sobre as escolas e os professores

Ramiro Marques
Professor Coordenador Principal no Instituto Politécnico de Santarém
Membro do Conselho Nacional da Educação

Mário Nogueira deu uma entrevista ao jornal i no dia 10 de novembro. É uma entrevista que merece análise não tanto por aquilo que o dirigente da Fenprof diz mas sobretudo pelo que se subentende das suas palavras. Os comunistas são mestres no disfarce. Sabem usar como ninguém o double speak e são peritos em deitar para cima dos outros as culpas pelo mal que fizeram. Têm o descaramento suficiente para se apresentarem à opinião pública como os detentores das soluções para os males que eles criaram. A história da educação em Portugal, nos últimos 40 anos, tem sido isso. Hoje controlam um dos maiores sindicatos do país – a Fenprof – com mais de 50 mil filiados de um total de 130 mil professores, com força e influência para impor aos alunos e às famílias uma greve em período de avaliação dos alunos durante 3 semanas e para boicotar a prova de avaliação de conhecimentos e competências, vulgarmente chamada de prova de ingresso na profissão docente.

À pergunta do jornalista “os professores não têm autoridade?”, Mário Nogueira responde:

“O discurso público é de uma desvalorização permanente dos professores. Há uma campanha que, quer queiramos quer não, passa para a opinião pública.”

Quando afirmo que os comunistas são mestres no disfarce e sabem usar como ninguém o double speak, apresentando-se à opinião pública como os detentores das soluções para os males que eles causaram e atribuíram a outros, é a isto que eu me refiro. Não acredito que exista alguém no país que mais tenha contribuído para a erosão da autoridade dos professores do que Mário Nogueira. Fá-lo com a mestria dos comunistas, uma mestria adquirida e treinada a partir do dia da formatura e da entronização como delegado sindical e, poucos anos depois, de dirigente sindical, num processo de formação prática que dura há 30 anos. Passaram por ele doze(1) ministros durante os 22 anos que leva como dirigente da Fenprof. Continuar a ler

Soltem os prisioneiros

Socrasmandela

Sem dúvida, a mesma luta contra a opressão.

O deputado socialista Fernando Serrasqueiro foi o primeiro a fazê-lo, no Facebook, evocando, de forma subliminar, o exemplo de resistência de Nelson Mandela, o mais famoso prisioneiro político do último século.

Serrasqueiro, ex-secretário de Estado e amigo pessoal de Sócrates, manifestou a sua solidariedade através de um poema, intitulado Invictus, famoso por ter servido de apoio ao activista político Mandela, nos anos que passou na prisão-ilha de Robben Island. E reproduziu-o, sem comentários, duas horas depois do despacho do juiz Carlos Alexandre que enviou o ex-primeiro-ministro do PS para uma prisão em Évora.

Haverá pontos de contacto entre Mandela, prisioneiro político do regime racista sul-africano durante 27 anos, e Sócrates, detido por corrupção, branqueamento de capitais e fraude fiscal? Há pelo menos um exemplo de resistência na adversidade, que Serrasqueiro quer transmitir ao amigo e camarada de partido.

Mandela disse que lia o poema Invictus (traduzindo: jamais derrotado) para encontrar força e apaziguar o sofrimento, superando momentos de dúvida. “Sob as garras cruéis das circunstâncias / eu não tremo e nem me desespero / Sob os duros golpes do acaso / Minha cabeça sangra, mas continua erguida”, lê-se na segunda estrofe do poema vitoriano.

(Agradeço ao leitor JP a indicação do assunto).

Atenção aos direitos humanos no continente e ilhas

Luís Filipe Meneses.

O Ministério Público confirmou a investigação ao antigo autarca por suspeitas de corrupção para enriquecimento pessoal. Já foi pedido o levantamento do segredo bancário do autarca.

 

Alberto João Jardim.

O presidente do Governo Regional da Madeira escreveu esta terça-feira no Jornal da Madeira que a mediatização da detenção do ex-primeiro-ministro José Sócrates (sem referir o seu nome) reflecte uma “situação preocupante dos Direitos Humanos em Portugal”.

“O que vimos nos últimos dias, à volta de um caso inaceitavelmente mediatizado com o maior desrespeito e falta de caridade, também põe em causa o aparelho de Justiça e a comunicação ‘social’ que temos em Portugal, porque parece estarmos ante mais uma demonstração da preocupante situação dos Direitos Humanos no nosso País”, escreve Alberto João Jardim na sua coluna de opinião no Jornal da Madeira (JM).

 

Soares preocupado com Sócrates

SS

O antigo Presidente da República escreve, hoje, no Diário de Notícias que sábado, dia de detenção de José Sócrates, «o país foi confrontado com um acontecimento que deixou os democratas imensamente preocupados».

Breakfast in America

A liderança política de Obama continua de vento em popa. Depois de ter apanhado uma sova dos republicanos, despede Chuck Hagel, provavelmente o mais republicano dos seus Secretários.

Entretanto, o neo-falcão candidato presidencial Rand Paul pretende que seja formalmente declarada guerra ao Estado Islâmico.

A longa marcha gramsciana, versão portuguesa

O meu artigo desta semana no Observador: Os saudosos do Muro de Berlim.

É aliás interessante constatar que, 25 anos depois da queda do Muro de Berlim e da libertação da Europa de Leste do totalitarismo comunista, o marxismo puro e duro subsiste e prospera no sistema educacional e universitário, onde abundam os aspirantes a planeadores, em especial na área das ciências sociais. É certo que não raras vezes se trata de um marxismo mais duro do que puro – já que as graves lacunas teóricas em alguns departamentos de ciências sociais e políticas por esse país fora não dão para mais – mas ainda assim é uma realidade que deveria merecer maior reflexão, dentro e (especialmente) fora das Universidades.

O artigo pode ser lido na íntegra aqui.

prevenção anti-totalitária

animal farm

Esta foi a minha introdução ao Animal Farm, a Orwell, aos totalitarismos, à corrupção do poder, à treta do igualitarismo (que acaba sempre no ‘todos os animais são iguais, mas uns são mais iguais que outros’). Vi o filme vezes sem conta em criança numa cassete de vídeo, sem perceber evidentemente todas as metáforas e analogias que continha.

(A minha segunda introdução a Orwell foi com o 1984, livro que o meu irmão mais velho leu em 1984 e que eu folheei e li páginas avulsas, entusiasmada por haver um livro com o título daquele ano. Percebendo ainda menos a mensagem de Orwell do que com o filme O Triunfo dos Porcos.)

Ainda há pouco tempo, em resposta às intermináveis perguntas das minhas crianças sobre os filmes, os brinquedos, as aulas e, enfim, TUDO da minha infância, lhes falei do filme (que é bom endoutrinar o anti-comunismo desde pequeninos) e lhes contei o que queria dizer. A criança mais nova claro que me ignorou e a mais velha fez-me saber, mais uma vez, que não gosta de conversas sobre política. Mas agora que foi relançado o filme, terão mais dificuldade em escapar ao dvd do que ao youtube.

(E eu, aparentemente, sou um bocadinho produto da CIA.)

Chamar o Putin pelo nome

E com eles no sítio.

Lithuania’s President Dalia Grybauskaite has called Russia a ‘terrorist state’ and warns that the current conflict in Ukraine could spread further if not stopped.

“Lithuania is one of the countries that recently walked a difficult road towards the restoration of independence. We know that today Ukraine is fighting for peace in Europe, for all of us,” Grybauskaite told national radio.

“If a terrorist state that is engaged in open aggression against its neighbor is not stopped, then that aggression might spread further into Europe.”

The head of state emphasized that every country has a right to choose its own destiny. Lithuania and the Baltics have played key roles in the Ukraine crisis after sending tens of thousands of euros in aid to Kiev and agreeing to treating wounded Ukrainian soldiers.

António Costa existe mesmo?

O meu texto de hoje no Observador.

‘Venho aqui confessar: não vislumbro o que pretende António Costa com a estratégia política que tem seguido e os temas em que tem martelado.

As eleições antecipadas em 2015. Mesmo depois do Presidente da República ter dito que as eleições serão na data prevista, o PS lá teve de reincidir no tema a propósito da demissão de Miguel Macedo. E antes de o PR ter dado a opinião sobre o assunto, toda a gente que costuma usar os neurónios sabia que Cavaco nunca iria antecipar as eleições. Porque considera – e muito bem – que a data das eleições não tem de andar a reboque das conveniências eleitorais do PS e porque deu em 2013 oportunidade ao PS de haver eleições antecipadas. O PS recusou e claro que Cavaco terá todo o gosto em oferecer ao PS aquilo que o próprio partido escolheu.

Era evidente que Costa perderia esta batalha da antecipação das eleições. (E se para a direção do PS não era evidente, aconselho que se demitam em bloco e se retirem para uma vida de contemplação num mosteiro nepalês.) Para que a escolheu, então? Para ter assunto, já que claramente não faz ideia – ou faz e não quer contar – de como resolverá os urgentes problemas do país, os de financiamento do estado? Mas ao político que se apresenta como conseguindo por Merkel no lugar de germânica causadora de duas guerras mundiais que deve desculpas e compensações ao mundo, será que esta imagem de bulldozer que arrasa todos no interesse de Portugal é beneficiada com o facto de nem o Presidente conseguir convencer?’

O resto aqui.

O Insurgente goes to Mais Mulher

Aqui fica o vídeo do programa Mais Mulher, na SIC Mulher, de 17 de novembro onde o André Abrantes Amaral, o Bruno Alves e eu estivemos à conversa com Ana Rita Clara. Sobre o blog e sobre o que se pode esperar do governo até às eleições legislativas. (Somo o último segmento da 1ª parte.)

Resultados do putinismo

Putincoala

A diplomacia energética russa continua a dar os seus frutos.

Estonian Prime Minister Taavi Rõivas and his Finnish counterpart, Alexander Stubb, reached an agreement on Monday to build two liquefied natural gas (LNG) terminals, connected by a pipeline, in both countries by 2019.

The project is called ‘Balticconnector’, and if it succeeds, it would increase the energy diversification of the two nations, in light of the unpredictable behavior by Russia, currently the main gas provider for both countries. The project is likely to get financial support from the European Union.

 

Leitura complementar: O ar da Rússia cura a homossexualidade, de Rui Ramos.

Praticar e louvar o terror

Faz parte da natureza do Hamas.

Do lado da União Europeia, será a altura para deixar de apoiar o terrorismo. Esse papel continuará a ser desempenhado pelo Qatar e por eméritos doadores públicos e privados. Em Maio último, o Qatar ofereceu cinco milhões de dólares ao governo islamista do Hamas. A solidariedade pretendeu apoiar os esforços de reconciliação com a Fatah (com os brilhantes resultados que se conhecem), partido que lidera a Autoridade Palestiniana na Cisjordânia. De acordo com Ismail Raduan, Ministro das Doações e Assuntos Religiosos do Hamas, a oferta do governo do país do Golfo Pérsico pretendeu apoiar a “reconciliação comunitária” e está destinada a apoiar as famílias que perderam os seus entes queridos nas quase eternas lutas armadas que opõem a Fatah e o  Hamas.

Em Março deste ano,  no seguimento da ilegalização da Irmandade Muçulmana, um tribunal egípcio baniu toda e qualquer actividade do Hamas no país e confiscou todos os seus bens. O Hamas  é acusado de interferir nos assuntos internos egípcios e, na altura, alguns dos seus líderes tinham Cairo como base. As autoridades egípcias acreditam que a organização terrorista do Hamas que governa a Faixa de Gaza, desempenha um papel importante no aumento da violência vivida na Península do Sinai.

Desde Julho que o exército do Egipto destruíu mais de 100 túneis que ligam Gaza ao Egipto e que servem para contrabandear alimentos, materiais de construção mas também armas e terroristas. A lua-de-mel entre o Hamas e o Egiptou acabou de forma abrupta quando os militares removeram o Presidente Morsi e acabaram com o governo da Irmandade Muçulmana. Hoje o Hamas que é visto como é um apoiante dos atentados terroristas, um risco acrescido para as forças de segurança e civis, procura defender-se das acusações como um ataque à causa palestiniana e um favor a Israel.

A demissão de Miguel Macedo

Face à gravidade do caso, a demissão de Miguel Macedo, assumindo as suas responsabilidades políticas, é uma decisão compreensível e louvável. Seria importante agora que quem nomeou inicialmente os principais envolvidos no caso também assumisse publicamente as suas responsabilidades.

Quanto ao Governo, trata-se de uma baixa significativa, mas tanto fora como dentro do próprio executivo há quem possa preencher a posição dando garantias de competência e seriedade.

A propósito de hollandices…

PS perde fôlego em Novembro, PSD recupera

Os partidos reflectem esta tendência. Dos 40,2% de intenções de voto que reunia em Outubro, o PS passou para 38,5%. No PSD, o comportamento foi inverso: o partido de Passos Coelho subiu de 27,4% para 31,1%.

Leitura complementar: O Hollande de Lisboa?

Costa e Hollande

O meu artigo de hoje no Observador: O Hollande de Lisboa?

Na sequência da vitória de António Costa nas primárias do PS, o jornal indiano Hindustan Times dedicou ao edil de Lisboa uma entusiástica peça congratulando-se com a perspectiva de um político de ascendência indiana se poder tornar a curto-prazo primeiro-ministro de Portugal e louvando as suas muitas qualidades. Para ilustrar a sua popularidade e o seu carácter, o dito jornal informou até os seus leitores de que António Costa é conhecido como o “Gandhi de Lisboa”, devido ao seu “estilo de vida espartano”. Fora da comunidade jornalística portuguesa, a comparação poderá ser sentida como algo hiperbólica, mas se Costa poderá não ser um novo Gandhi, arrisca-se a ser uma versão lusitana de Hollande.

O resto do texto pode ser lido aqui.

Che Economics aplicado na Venezuela

MaduroChavez

Está cada vez mais eficiente a gestão do governo e do processo socialista, garantindo ao povo o seu bem-estar e  desenvolvimento espiritual. Nesse sentido, o combate à opulência chegou à Zara.

(…)La nueva mercancía de Inditex en Venezuela fue adquirida con las denominadas divisas nacionales del Gobierno de Maduro, a una tasa de cambio que ronda los 12 bolívares por dólar, cuando el precio real en el mercado negro supera los 100 bolívares por dólar.

Por esta razón, el precio de los artículos es artificialmente bajo, ya que está subvencionado, lo que contribuye a engordar las ingentes colas que se forman en los establecimientos, generando una enorme escasez y el consiguiente racionamiento.

Según explican numerosos compradores por medio de las redes sociales,las colas de clientes comienzan ya a las seis de la mañana. “Dado nuestro interés por garantizar el acceso a estos bienes a la mayor cantidad de usuarios posible, hemos establecido las siguientes pautas para la comercialización: máximo cinco prendas por persona, sólo tres prendas superiores y dos inferiores. No se hacen apartados”, reza un cartel en una de las tiendas de Zara en Caracas.

Los pasos para poder comprar en las tiendas de Inditex en Venezuela son los siguientes:

1.- Es requisito indispensable presentar la cédula de identidad para poder comprar en estas tiendas. Una vez tomados los datos, te anotan en una lista y te asignan un número para entrar.

2.- Solo puedes comprar cinco prendas de vestir de la marca. Y de querer volver a comprar, deberás volver a esperar un mes más para adquirir alguna otra de cualquiera de las tiendas de la cadena, pues quedas registrado con tu número de cédula en el sistema de los establecimientos.

3.- Del máximo de cinco piezas por persona, solo tres pueden ser prendas superiores: camisas, franelas, chaquetas; y dos inferiores: pantalones o bermudas.

Mentira, a génese do comunismo

End of communism and the victory of truth over lies, de Daniel Johnson.

Of the three categories of relativism moral, cultural and epistemological — it is the last that is most subversive of humanity. Once truth and lies are indistinguishable, it is child’s play to excuse the inexcusable. Defeating communism meant defeating lies

Nova Cidadania 54

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A Nova Cidadania 54 está à venda nas livrarias Alêtheia, Almedina, Bulhosa, Coimbra Editores, Europa-América, Férin, Wook e também na Universidade Católica Portuguesa (Lisboa, Porto e Viseu).

Neste número, recordo John Blundell (1952-2014) e Gary Becker (1930-2014). Destaco também especialmente o artigo “Liberalismo e Cristianismo”, em que Leonard Liggio explicou a relevância do livro O lugar da Religião na Filosofia Liberal de Constant, Tocqueville e Lord Acton, de Ralph Raico.

Mais informações aqui.

Na busca espiritual da saúde grátis

O terroristaAhmed Kabir; Fotografia: Newsweek-RUI VIERA/PA

O terroristaAhmed Kabir; Fotografia: Newsweek-RUI VIERA/PA

Inside the Mind of a British Suicide Bomber, uma reportagem de James Harkin na Newsweek

He insisted that ISIS was providing much-needed services to the people under its control. “There is free medical and dental and eye care, the doctors are all absolutely free,” he said. “And patients are given a stamp from ISIS which they take to the pharmacy to get free prescriptions. There is even free housing benefit: the poor are given an allowance of 10,000 lira a month towards housing costs: so if you pay 15,000, then you only have to pay 5000 from your own pocket. For orphans, widows and fighters it is completely free. These allowances are irrespective of whether you are a Muslim or a. Christian. It is justice for everyone.”

Do partido com telhados de vidro

O PCP e o sentido da história, de Paulo Tunhas.

(…)Esta reabilitação actual, a propósito do acontecimento simbólico da queda do muro, de uma doutrina que não se alterou quase um milímetro desde a sua primeira formulação, conta, é verdade, com a excitação empírica motivada pela recente política de Putin. A situação presente do mundo lembra ao PCP a de há 25 anos atrás. A União Europeia professa políticas “neoliberais, federalistas e militaristas”, notórias sobretudo nos actuais confrontos com a Rússia de Putin. “A situação que hoje se vive na Ucrânia, nomeadamente com a ascensão ao poder de forças fascistas, a perseguição anticomunista e a escalada de confrontação com a Rússia é o desenvolvimento lógico da «cavalgada» do imperialismo para Leste que se seguiu às derrotas do socialismo na RDA e noutros países socialistas.”

Esta motivação empírica é potente, e reata com o velho amor do “Sol da terra” (expressão de Álvaro Cunhal), a extinta União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (“quatro palavras, quatro mentiras”, dizia o filósofo Cornelius Castoriadis). Putin não pode deixar de fazer sonhar no capítulo. Apesar de tudo, o antigo funcionário do KGB também sofre de nostalgia da URSS, e se, que eu saiba, ainda não se serve do vocabulário “científico” do marxismo-leninismo, nada o impede, se tal ajudar ao nacionalismo da Grande Rússia, de futuramente o utilizar.

Resumindo. Na RDA não havia a Stasi, não havia uma terrível miséria no plano da sociabilidade, não havia gente disposta a arriscar a morte para fugir de lá. A linguagem utilizada para o dizer é intemporal, situa-se fora do tempo, como nos grandes mitos. É uma história sem história e, por isso, sem atenção ao sofrimento humano. Ou melhor: o sofrimento humano encontra-se antecipadamente justificado pela necessidade férrea das míticas leis da história. (…)

Turismo médico progressista

Médicos cubanos com passagem pela Venezuela assentam arraiais nos EUA.

Cada semana una media de quince médicos cubanos intentan fugarse de Venezuela y huir al «mundo capitalista», habitualmente Estados Unidos. La salida de médicos se acelera de mes en mes, y en el último año han salido del país 700 facultativos. «A veces tenemos semanas en las que recibimos más de cien solicitudes de ayuda para escapar», aseguró Julio César Alfonso, presidente de Solidaridad Sin Fronteras, una ONG con sede en Miami que ofrece asistencia a los cooperantes de la isla que desean abandonar las misiones médicas cubanas en el exterior.

Esta misma ONG señala que, en total, han desertado de Venezuela y otros países unos 3.000 profesionales encuadrados en losprogramas sociales auspiciados por La Habana en el exterior. Eldeterioro de la situación económica en Venezuela, la inseguridad, los bajos sueldos y la incertidumbre política contribuyen a acelerar la fuga de facultativos y profesionales. La devaluación del bolívar, un sueldo medio de 100 dólares mensuales al cambio oficial y las escasas perspectivas de desarrollo profesional, son otros tantos motivos para la huida.

 

Beleza, segredo da felicidade. Ou não.

O meu texto de hoje no Observador.

‘Há quem retire imenso prazer de uma vida austera e com poucas necessidades a desorganizar a rotina. Quem arquive os extratos bancários das suas contas bem recheadas com o mesmo enlevo que outros guardam as jóias herdadas da avó. Quem goste de adquirir objetos para ostentar prosperidade e quem prefira bens preciosos e únicos que apenas uns poucos (os eleitos) reconhecerão. Não estou nada segura que haja apenas uma maneira de usar o dinheiro em prol da felicidade de cada um.

E as experiências que são mais prazenteiras do que os bens materiais? Habituamo-nos, dizem, aos objetos que possuímos e deixamos de lhes dar valor. Como os James cantam ‘if I hadn´t seen such riches, I could live with being poor’. Ora eu duvido.’

Tudo aqui.

A longa marcha da Taxa Costa

António Costa, Wikipédia.

António Costa, Wikipédia.

A propósito da mudança de ideias do candidato a Primeiro-Ministro e actual Presidente da Câmara de Lisboa, convém (re)lembrar o contraditório percurso de António Costa nesta matéria. É caso para afirmar que o caminho faz-se, taxando. Para o final deixo um apelo: em forma de dúvida: alguém nota alguma contradição ou é apenas impressão minha?
Em Agosto de 2013, a propósito de um aumento de taxas no aeroporto de Lisboa, a Associação de Turismo de Lisboa (ATL), presidida pelo António Costa, dizia o seguinte:
“A Associação do Turismo de Lisboa (ATL) diz que a gestora aeroportuária ANA está a destruir a competitividade do turismo na capital. (…)
A Associação Turismo de Lisboa, que representa mais de 650 entidades privadas e públicas da Região, vem denunciar mais esta medida que penaliza uma das poucas actividades que contribui positivamente para a economia nacional – o Turismo.De facto, as autoridades políticas e administrativas […] parecem apostados em destruir a competitividade dos hotéis, restaurantes, comércio e, agora, das companhias aéreas que contribuem para a oferta turística da Região de Lisboa.”

 

“O Turismo de Lisboa repudiou hoje o aumento de taxas no aeroporto da Portela, anunciado pela ANA – Aeroportos. […] Em declarações à Lusa, o diretor geral da ATL, Vítor Costa, criticou duramente a medida, que classificou de “ganância”, e disse esperar que a ANA recue.
[…]
“O Governo, agora, mesmo antes de assinar o contrato [com a Vinci, que adquiriu a ANA], está a legitimar um ataque desta natureza ao setor do turismo na região de Lisboa, Centro e Alentejo. Há aqui uma falta de cuidado, uma ganância, [com a ideia de que] ‘está tudo a correr bem, há mais turistas, vamos sacar mais dinheiro’“.
[…]
A medida, acrescentou o diretor geral da ATL, “vai afetar dramaticamente a competitividade de Lisboa” e poderá ditar a saída de companhias ou de ligações aéreas da Portela.”

“Vítor Costa confirma que o turismo em Lisboa está com “grande pujança”, mas sublinha que não pode deteriorar-se por causa de uma “vontade cega de aumentar taxas e impostos“. E acrescenta: “Não é ilegal, mas estão a matar a galinha dos ovos de ouro“.
Passados alguns meses, o mundo mudou. Em Novembro de 2014, a Câmara de Lisboa, presidida pelo António Costa, introduz uma taxa de 1 euro de sobre passageiros que desembarquem na cidade, com os seguintes objectivos:
 
  • “Atingir dez milhões de dormidas de turistas estrangeiros”;
  • “Alcançar receitas globais da hotelaria de oitocentos milhões de euros”;
  • “Melhorar o índice de satisfação dos visitantes em dois pontos percentuais”;
  • “Aumentar de modo significativo a notoriedade do destino junto dos mercados emissores que lhe são prioritários”.
Hoje, dia de São Martinho,  António Costa desafia Portas a esclarecer quanto cobra o Governo por passageiro e por dormidas em Lisboa. A este propósito, cito o dono da LPM na página de Facebook, “Engraçado: a Comunicação da CML acordou agora”. Parece que já veio tarde e não dará para remediar a realidade. A infografia do Jornal de Negócios será capaz, por si só, de responder às dúvidas da comunicação e do sinuoso candidato socialista a Primeiro-Ministro.

No Fio da Navalha

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O meu artigo de hoje no ‘i’ é sobre a memória.

Memória

Celebra-se hoje o Remembrance Day. Às 11 horas do dia 11 do mês 11 daquele ano de 1918, a Primeira Guerra Mundial terminava e as pessoas passavam a lembrá-la. Lembrar a guerra mais estúpida que todas as outras, porque imprudente, emocional e ilógica, tanto na sua origem como no seu prosseguimento até à exaustão das nações europeias. Estúpida porque destruiu a Europa; estúpida porque matou gente que nada tinha que ver com aquilo.

O Remembrance Day, que começou a ser celebrado na Commonwealth desde o fim da Primeira Guerra Mundial, estende-se hoje a diversos países, entre os quais Portugal não se inclui. O nosso país, que na Primeira República enviou milhares de homens para o desastre certo, prefere esquecer.

No Reino Unido este evento serve de alerta para que a estupidez não se repita. Todos os anos a reflexão é feita e a lição devidamente sentida. Talvez porque em Portugal o que estava em causa fosse o regime e o esforço inglório, como se confirmaria mais tarde, de manter o ultramar, nada se faz.

Hoje aquele confronto está longe e o regime é outro. A memória não é apenas um dever. É um acto de respeito. É a garantia de que também nós seremos lembrados. Respeitados. Acolhidos no futuro. Queridos.

“If we break faith with us who die, we shall not sleep, though poppies grow

In Flanders fields”. (“In Flanders Fields”, John McCrae, 1915).

Lembrar é manter a fé nos que morreram e reafirmá-la nos que hão-de vir. Não o esqueçamos.

A queda do Muro de Berlim e as concepções de democracia

1974/1989: A redescoberta do modesto conceito de democracia. Por João Carlos Espada.

Ontem, o mundo livre comemorou os 25 anos da queda do Muro de Berlim e o fim da tirania comunista na Europa central e de Leste. Entre nós, o jornal Avante, do PCP, escrevia o seguinte: “Mais do que a ‘queda do muro de Berlim’ o que as forças da reacção e da social-democracia celebram é o fim da República Democrática Alemã (RDA), é a anexação (a que chamam de ‘unificação’) da RDA pela República Federal Alemã (RFA) com a formação de uma ‘grande Alemanha’ imperialista, é a derrota do socialismo no primeiro Estado alemão antifascista e demais países do Leste da Europa e, posteriormente, a derrota do socialismo na URSS.” (O artigo completo pode ser lido em http://www.avante.pt/pt/2136/internacional/132905).

Esta “pérola” do autoritarismo comunista pode ser útil para recordar que as ditaduras comunistas de Leste se reclamavam também elas da democracia, a chamada democracia popular. Também é frequentemente esquecido que durante o chamado PREC, em Portugal, os comunistas procuraram impedir a consolidação de uma democracia de tipo ocidental — e que se opuseram a ela em nome de uma democracia socialista, ou popular. Finalmente, é hoje frequentemente ignorado que também Mussolini reclamava que o regime fascista italiano era “mais democrático do que as oligarquias capitalistas”, que ele atribuía sobretudo às democracias inglesa e americana.

Leitura complementar: A queda do Muro, o PCP e a comunicação social portuguesa; Um Certo Excesso de Intelectualidade.

A queda do Muro, o PCP e a comunicação social portuguesa

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Curiosamente (ou talvez não), creio que até agora na comunicação social portuguesa apenas o Observador deu algum destaque ao extraordinário editorial do Avante!: A “chamada queda do Muro de Berlim” foi uma anexação forçada, diz PCP

Leitura complementar: Um Certo Excesso de Intelectualidade.

O PCP, 25 anos depois da queda do Muro de Berlim (5)

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No Avante: 25 anos depois: A chamada «queda do muro de Berlim»

Hostilizada e caluniada pela reacção internacional, a RDA, pelas suas notáveis realizações nos planos económico, social e cultural e pela sua política antifascista e de paz, impôs-se e fez-se respeitar no concerto das nações como Estado independente e soberano e tornando-se depois de anos de duro combate membro de pleno direito da ONU (1973) em simultâneo com a RFA. Mas o imperialismo nunca desistiu das suas tentativas de liquidar a RDA socialista acabando em 1989 por alcançar a vitória, conseguindo que manifestações, nomeadamente em Leipzig, que na sua essência reclamavam o aperfeiçoamento do socialismo e não a sua destruição, ganhassem a dinâmica contra-revolucionária que conduziu à precipitação dos acontecimentos e à anexação forçada da RDA pelo governo de Helmut Kohl.

(via Rui Carmo: O muro a que temos direito!, um quarto de século depois)

Leitura complementar: Um Certo Excesso de Intelectualidade.

Por ocasião do 25º aniversário da queda do Muro de Berlim

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O triunfalismo ocidental em relação ao acontecimento histórico significa que os países que saíram do defunto bloco de Leste podem escolher o caminho que entendem por melhor e que está nas suas mãos decidirem qual o rumo que pretendem seguir. Neste capítulo está incluída a livre associação a todas as organizações internacionais.

Vladimir Putin ao considerar que tudo o que o rodeia não passa de mais uma humilhação para a Rússia, tem feito um bom trabalho em recordar ao Ocidente o quão importante foi o seu lado ter pedido a Guerra Fria. 

Vladimir Putin says there was nothing wrong with Soviet Union’s pact with Adolf Hitler’s Nazi Germany

Russian president says he sees nothing wrong with treaty with Nazi Germany that led to the carve-up of Poland – and blames Britain for destroying any chance of an anti-fascist front

O PCP, 25 anos depois da queda do Muro de Berlim (4)

avante

No Avante: 25 anos depois: A chamada «queda do muro de Berlim»

É necessário desmascarar a hipocrisia daqueles que, clamando contra o muro erguido em Berlim pelas autoridades da RDA, têm construido e continuam a construir barreiras do mais variado tipo (sociais, raciais, religiosas e outras) por esse mundo fora, incluindo muros físicos, intransponíveis de que o exemplo mais brutal é o muro erguido por Israel para cercar e aprisionar o povo palestiniano na sua própria pátria, a que se juntam os muros erguidos pela Coreia do Sul na Península da Coreia dividida, por Marrocos contra a luta libertadora do povo sahauri, pelos EUA na fronteira com o México e outros.

(via Rui Carmo: O muro a que temos direito!, um quarto de século depois)

Leitura complementar: Um Certo Excesso de Intelectualidade.