Nova oportunidade para os críticos de cartoons X

A survivor of the Copenhagen attack speaks: ‘If we should stop drawing cartoons, should we also stop having synagogues?’

O que distingue a Grécia da Venezuela?

Pequeno dicionário do nosso tempo mediático. Por Helena Matos.

O que distingue a Grécia da Venezuela? A crise humanitária. Ou seja, a Grécia vive, no dizer de muitos jornalistas portugueses, uma crise humanitária. Já a Venezuela, com as prateleiras vazias, presos políticos e uma criminalidade elevadíssima, que por sinal afecta e muito a comunidade portuguesa, vai vivendo com algumas dificuldades, nas quais se inclui aquela coisa mais ou menos folclórica de não terem papel higiénico e o facto de os preservativos custarem uma pequena fortuna.

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Como o socialismo real liberta os trabalhadores

North Korea has 100,000 labourers working abroad in a ‘state-sponsored slavery’ scheme: rights groups

Tens of thousands of North Koreans work long hours for little or no pay, toiling in Chinese factories or Russian logging camps, digging military tunnels in Burma, building monuments for African dictators, sweating at construction sites in the Middle East and aboard fishing boats off Fiji, according to former workers and human rights researchers.

Pablo Iglesias: o Podemos e a Venezuela como modelo

Pablo Iglesias: «Qué envidia de los españoles que viven en Venezuela, es un ejemplo democrático»

Pablo Iglesias en Venezolana de Televisión – Entrevista completa

Uma vitória para a AGECOP, uma derrota para o país

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Lamentavelmente – mas não surpreendentemente tendo em conta a força e influência política dos interesses beneficiados e também a postura lamentável do actual Secretário de Estado da Cultura – a nova lei da cópia privada foi aprovada: Lei aprovada. Taxa sobre smartphones e tablets será realidade

Deputado do CDS diz que foi aprovada uma “má lei” por parte da maioria. Consumidores vão ter de pagar taxa entre 0,05 cêntimos e 20 euros sobre equipamentos. (…) As verbas resultantes da cobrança daquela taxa (que é atualizada face à legislação anterior) serão geridas pela AGECOP – Associação para a Gestão da Cópia Privada e redistribuídas pelos detentores de direitos de autor.

Apesar de ter fracassado, não quero deixar de salientar aqui os esforços do Michael Seufert ao longo de todo este processo para pelo menos minorar os danos à economia e cultura em Portugal, assim como a sua coragem para votar, em coerência, contra a lei, no que foi acompanhado por João Rebelo, também do CDS. Lamentavelmente, não houve um único deputado do PSD a votar contra esta aberração económica e jurídica.

Leitura complementar: A nova Lei da Cópia Privada: uma mancha notável; A abominável Lei da Cópia Privada ataca de novo.

O meu artigo ontem no ‘i’. Por cada ingénuo que acredita no socialismo, há um cínico que disso tira vantagem.

Vaidade, virtude e política

Durante muitos anos, os Estados viveram com défices. Acumularam dívida. Foram antecipando o rendimento que esperavam receber no futuro. Claro que, para quem governou nesses tempos, os défices não significavam viver acima das possibilidades, endividar o país, mas investimento. Os Estados eram deficitários porque investiam para que se obtivesse um retorno mais tarde.

Desta maneira não se estaria a pôr em causa as gerações futuras, mas a proporcionar- -lhes um mundo melhor. Naturalmente que é preciso ser-se muito ingénuo, ou cínico, para se acreditar em algo deste género, mas foi o que o país considerou correcto durante mais de 30 anos.

O que está exposto em cima é o socialismo. Melhor: a forma como o socialismo justifica o seu financiamento. Não tenho quaisquer dúvidas de que muitos socialistas, ingenuamente, acreditaram que estavam a desenvolver o país, a criar condições para que, no futuro, se vivesse melhor.

Mas, por cada ingénuo que acredita, há um cínico que tira vantagem. Que percebeu que o modelo não funciona, que o Estado não investe, mas gasta. Que o Estado se deve limitar a assegurar a protecção das liberdades e a justiça, e não enredar-se numa política de negócios que o fragiliza e exige, depois, que as pessoas paguem a conta. A contenção política não deve dar espaço à vaidade, mas à virtude. Virtude, ética e política: algo que a Grécia Antiga ensinou, mas que até a moderna esqueceu.

Compreender o putinismo XVII

Foto: SERGEI KARPUKHIN/REUTERS

Foto: SERGEI KARPUKHIN/REUTERS

E agora algo completamente inesperado.

A Moscow court late on Thursday jailed prominent Russian opposition leader Alexei Navalny for 15 days for breaching a law that restricts demonstrations, barring him from a planned rally on March 1.

Two days earlier another court had ended house arrest terms for Navalny and upheld a suspended three-and-a-half-year prison term for the protest leader over a theft case he says is politically motivated.

Navalny left the courthouse on Thursday evening handcuffed and was whisked away in a police car. He appealed nonetheless to his followers to turn up for the rally against President Vladimir Putin’s policies.

Finalmente fui posta no lugar

SAUDI-ARABIA-WOMENS-CONFERENCE

Venho aqui fazer um mea culpa (e estou mesmo a planear dormir esta noite numa cama de pregos, qual faquir, para me penitenciar). É que tenho a mania – descobri hoje que absurda – de que sei de uma forma que homem nenhum pode saber o que são as consequências do machismo e até da violência (efetiva, ameaçada, tentada, sugerida – não interessa, que são apenas graus) sexual. E, quando é o caso, não tenho problemas nenhuns em dizer ‘ganha juízo, não sabes do que falas, tem decência se faz favor’ a um homem que esteja a dizer alguma coisa sobre assuntos femininos ou de igualdade de género para a qual eu tenha pouca paciência. Mesmo com aqueles que têm a mania que são progressistas e modernos, e até se afirmam feministas e são grandes defensores do direito ao aborto. Oh quanto esquerdista aqui na blogosfera (já são muitos anos e de início era ainda mais humilde blogger do que sou hoje, e em Portugal há o bom hábito de desconsiderar quem se vê como um peão sem importância) me fez bullying de formas que só se faz a mulheres? Ainda hoje no meu texto do Observador falo das restrições de discurso que se aplicam às mulheres e que são das formas mais insidiosas de machismo dos dias de hoje. É uma forma dos homens manterem o high ground: os assuntos importantes são os que eles definem, a forma de os discutir é determinada pelo padrão masculino, as mulheres publicamente visíveis têm de ser perfeitas (qualquer pequeno defeito leva pancada ad eternum) enquanto aos homens a mediocridade basta, exige-se às mulheres uma especialização que nos homens é inexistente (uma mulher ou se interessa por política a tempo inteiro ou se perde uns minutos a discutir assuntos tradicionalmente femininos vê-se logo que é incapaz de organizar dois pensamentos sobre política), os homens perdem tempo infinito dizendo imbecilidades sobre futebol mas ai da mulher que diga ou escreva algo sobre carteiras. É ver-se o que se tem dito e escrito sobre A Barca do Inferno para perceber do que falo (e se não percebem, lá está ‘ganhem juízo, não sabem do que falam, tenham decência e etc.’).

Escrevo isto, mas hoje já não sou assim. Reformei-me. Com a polémica da crónica de Gabriel Mithá Ribeiro percebi que afinal não são as pessoas que vivem as situações que percebem mais delas e o que implicam. Gabriel Mithá Ribeiro, achava eu, tinha uma especial autoridade para falar do que é ser pobre precisamente por já ter sido pobre. Tal como estas mulheres corajosas (há mais uma aqui na Maria Capaz) tinham especial autoridade para falar do que é a violência sexual. E que estas últimas podiam dizer a qualquer homem ‘sabe lá do que fala quando fala de violações ou agressões sexuais’. Mas não. Afinal quem mais sabe sobre todos estes assuntos não é quem os vive, mas quem teoriza sobre eles e quem os usa para o discurso político.

Mais: quem viveu a pobreza e a agressão sexual nem sequer sabe – segundo as estrelas brilhantes da esquerda portuguesa – o que é a pobreza (e, presume-se, a agressão sexual e o machismo) se o relato que faz da sua experiência não se enquadrar no discurso inflexível da esquerda. (E não, não é nada degradante e vil e soez desvalorizar estas experiências de vida das pessoas – desde que esta desvalorização seja feita por gente de esquerda; se for por gente da direita, são, claro, umas criaturas animalescas sem o mais básico respeito pelos seres humanos que viveram tempos difíceis.)

É que parece que Gabriel Mithá Ribeiro fala com sobranceria dos outros pobres e orgulha-se em excesso do seu feito de pelos seus méritos ter saído de uma situação de pobreza. Como se sabe, a sobranceria e o desprezo pelos semelhantes é património da esquerda. Só a gente pomposa sem qualquer talento próprio que deve tudo o que tem e o que é à situação confortável da sua família é que tem direito a sentir orgunho nas suas conquistas, mesmo que inexistentes. Ainda: era o que faltava alguém usurpar o hábito da esquerda de tentar determinar que assuntos quem (concretamente, a direita) pode referir e usar publicamente. E Gabriel Mithá Ribeiro, não sendo de esquerda, tem de ser perfeito (é como as mulheres); se demonstra uma qualquer paixão humana, ora centremo-nos nessa paixão e desqualifiquemos tudo o que diz.

Mas, como disse, estou reformada, vou começar a pedir licença aos meus melhores sobre o que dizer do machismo ou de algum apalpão no metro de que me recorde. Vejo agora que há homens que sabem muito mais disso do que eu e penitencio-me por ter gozado já por várias vezes no facebook com os generosos homens sauditas que participaram na conferência sobre direitos das mulheres onde as mulheres se notabilizaram pela completa ausência. Mas só tontas (como eu era antes) supunham que das experiências femininas percebiam mais as mulheres do que os homens. Eu estava enganada e o homens sauditas – e os seus espelhos nacionais: os que sabem melhor que GMR o que é ser pobre – certos.

(Um dia destes escrevo sobre o poder que estes relatos na primeira pessoa têm – não é por acaso que a esquerda em peso correu a atacar GMR – e sobre a falta de decência básica que é nem permitir a uma pessoa que conte a sua história, como todas enviesada pela sua subjetividade.)

Entretanto na Argentina

Cientos de miles de personas marchan en todo el país en homenaje al fiscal Nisman

La marcha del 18F. Bajo una lluvia torrencial, se movilizan desde el Congreso a Plaza de Mayo unas 260.000 personas, según cálculos de la Policía Metropolitana. La multitud es encabezada por fiscales y familiares de Nisman. Además, hay multitudinarias concentraciones en ciudades del Interior como Rosario, Córdoba, Santa Fe y Mar del Plata.

 

Leituras complementares: Calote Argentino, Calote Argentino IIAcima de qualquer suspeita (edição argentina) e Uma estranha epidemia na Argentina.

Compreender o putinismo XVI

Foto de Andrey Borodulin-AFP

Foto de Andrey Borodulin-AFP

Mineiros independentistas lançam mísseis Grad em Horlivka (Ucrânia), comprados em mercado local, dentro do espírito dos acordos de Minsk I e Minsk II, dando continuidade às populares campanhas dos referendos que, espera-se, tenham continuidade na cidade-natal de.Ludwig von Mises. Quando  o princípio da secessão, um dos mais queridos valores liberais, chegar a Lviv por forma a implantar uma república popular, boa parte do caminho destes mineiros estará feito.

CrimeiaEscocia

Bruno de Carvalho contrata ex-assessores de José Sócrates

Uma parceria interessante: Sporting contrata WL Partners para evitar “episódios tristes”

Bruno de Carvalho quer mais estratégia e elevação. “Episódios tristes” que culminaram no blackout estão na origem da decisão. WL Partners é de Luís Bernardo, ex-assessor de Guterres e Sócrates. (…) Segundo o Público, o gabinete de comunicação do Sporting será coordenado por João Morgado Fernandes, um antigo jornalista e também ele ex-assessor de Sócrates e Mário Lino, que até abril dirigiu a comunicação do grupo José de Mello Saúde.

Compreender o putinismo XV

Há que prestar a devida homenagem aos soldados russos que caíram na defesa da Ucrânia Hungria em 1956.

António Costa e as sondagens: descubra as diferenças

Maioria absoluta mais difícil para o PS (13 de Fevereiro de 2015)

O sonho de uma maioria absoluta manifestada pelo líder do PS, António Costa, está mais difícil. Segundo uma sondagem CM/Aximage, a intenção de voto nos socialistas, a oito meses das eleições legislativas, caiu de 36,9%, em Janeiro, para 36,7% este mês (menos 0,2 pontos percentuais).

O PSD também desceu, de 30,9% em Janeiro para 30,2% em Fevereiro (menos 0,7 pontos), mas, em caso de coligação com o CDS, que obtém nesta sondagem 5,3% (mais 0,6 pontos percentuais), a diferença entre o PS e o PSD/CDS, é agora de apenas 1,2 pontos percentuais.

António Costa diz que sondagem demonstra urgência de nova liderança no PS (12 de Julho de 2014)

O candidato à liderança do PS António Costa considerou hoje que as últimas sondagens, com a descida do partido, demonstram a urgência de uma nova direcção.

“A sondagem [do Correio da Manhã] aproxima-se dos maus resultados que o PS teve nas eleições europeias e é uma demonstração de como é urgente o PS vencer esta página e poder concentrar-se naquilo que é necessário”, declarou aos jornalistas.

Num contexto cada vez mais difícil para a afirmação da sua liderança, não espanta que António Costa ache agora necessário vir a público afirmar que a prioridade do PS são as eleições legislativas e não as presidenciais

Leitura complementar: Da espiral recessiva aos cantos do Syriza; O Hollande de Lisboa?; Nuvens no horizonte de António Costa…; Dias difíceis no PS…

Maduro: a última vítima da “direita pelo direito à blasfemia”

 

CartoonSemana

O Presidente da Venezuela é a mais recente aquisição da glamourosa equipa dos críticos de cartoons.

Fonte: Semana.

António Costa e o Benfica (3)

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Filhos e enteados. Por Helena Matos.

O perdão fiscal agora concedido ao Benfica pela Câmara Municipal de Lisboa levanta-me as maiores reservas, tanto mais que ele acontece num momento em que os cidadãos portugueses vivem sob uma tremendíssima carga fiscal. Nada lhes é perdoado. (…) Em 2015 vivemos sob uma carga insuportável de impostos. Cada vez somos menos cidadãos e mais contribuintes. A obsessão com a cobrança de impostos leva a que o Governo (graças a Deus o mais liberal de sempre. O que seria se não fosse), que adia tanta coisa para um momento financeiramente mais adequado, não se tenha esquecido de criar uma carreira especial para os técnicos do Ministério das Finanças. Cada um de nós é tratado pelo seu Estado como um provável infractor fiscal. A nível municipal ainda recentemente a autarquia de Lisboa entendeu por bem taxar o simples facto de se aterrar ou desembarcar em Lisboa. Ora neste quadro parece-me injustificável avançar com um perdão fiscal (a que obviamente se seguirá, por parte dos outros clubes, a reivindicação de tratamento similar) para um clube a quem não faltam receitas, muito menos sócios, equipamentos e meios.

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Leitura recomendada

O haraquíri por Mario Vargas Llosa, no DN.

(…) O haraquíri não é uma especialidade terceiro-mundista, também a civilizada Europa o pratica de vez em quando. Hitler e Mussolini chegaram ao poder por vias legais e um bom número de países centro–europeus atiraram-se nos braços de Estaline sem escrúpulos de maior. O caso mais recente parece ser o da Grécia, que, em eleições livres, acaba de levar ao poder – com 36% dos votos – o Syriza, um partido demagógico e populista de extrema-esquerda que se aliou para governar a uma pequena organização de direita ultranacionalista e antieuropeísta. O Syriza prometeu aos gregos uma revolução e o paraíso. No estado catastrófico em que se encontra o país que foi o berço da democracia e da cultura ocidental, talvez seja compreensível esta catarse sombria do eleitorado grego. Mas, em vez de superar as desgraças que os assolam, estas poderão recrudescer agora se o novo governo se empenhar em pôr em prática o que prometeu aos seus eleitores.

As desgraças são uma dívida pública vertiginosa de 317 mil milhões de euros para com a União Europeia e o sistema financeiro internacional que resgataram a Grécia da falência e que equivale a 175% do produto interno bruto. Desde o início da crise, o PIB da Grécia caiu cerca de 25% e a taxa de desemprego chegou quase aos 26%. Isto significa o colapso dos serviços públicos, uma queda atroz dos níveis de vida e um crescimento canceroso da pobreza. Se ouvirmos os dirigentes do Syriza e o seu inspirado líder – o novo primeiro–ministro, Alexis Tsipras – esta situação não se deve à inépcia e à corrupção desenfreada dos governos gregos ao longo de várias décadas, que, com uma irresponsabilidade delirante, chegaram a apresentar balanços e relatórios económicos forjados à União Europeia para dissimular os seus prejuízos, mas sim às medidas de austeridade impostas pelos organismos internacionais e a Europa à Grécia para a resgatar da impotência a que as más políticas a haviam conduzido.

O Syriza propunha acabar com a austeridade e com as privatizações, renegociar o pagamento da dívida na condição de que houvesse um “perdão” (ou cancelamento) importante da mesma e reativar a economia, o emprego e os serviços com investimentos públicos sustentados. Um milagre equivalente ao de curar um doente terminal fazendo-o correr maratonas. Deste modo, o povo grego recuperaria uma “soberania” que, ao que parece, a Europa em geral, a troika e o governo da senhora Merkel em particular, lhe teriam arrebatado.

O melhor que poderia acontecer era que estas bravatas da campanha eleitoral fossem arquivadas agora que o Syriza já tem responsabilidades de governação e, como fez François Hollande em França, reconheça que prometeu coisas enganosas e impossíveis e retifique o seu programa com espírito pragmático, o que, sem dúvida, provocará uma deceção terrível entre os seus ingénuos eleitores. Se não o fizer, a Grécia enfrenta a bancarrota, a saída da União Europeia e o afogamento no subdesenvolvimento. Há sinais contraditórios e ainda não é claro se o novo governo grego fará marcha atrás. Acaba de propor, em vez do cancelamento da dívida, uma fórmula picaresca e enganadora que consiste em converter aquela em dois tipos de títulos, uns reais, que se iriam pagando à medida do crescimento da sua economia, e outros fantasmas, que se iriam renovando por toda a eternidade. França e Itália, vítimas também de grandes problemas económicos, manifestaram não ver com maus olhos semelhante proposta. Sem dúvida que ela não vingará porque ainda nem todos os países europeus perderam o sentido da realidade.

Em primeiro lugar, e com muita razão, vários membros da União Europeia, além da Alemanha, recordaram à Grécia que não aceitam “perdões”, nem explícitos nem dissimulados, e que os países devem cumprir os seus compromissos. Os que foram mais severos a esse respeito foram Portugal, Espanha e Irlanda, que depois de grandes sacrifícios estão a sair da crise após cumprirem escrupulosamente as suas obrigações. A Grécia deve à Espanha 26 mil milhões de euros. A recuperação espanhola custou sangue, suor e lágrimas. Porque teriam os espanhóis de pagar dos seus bolsos as más políticas dos governos gregos, além de já estarem a pagar pelas dos seus?

A Alemanha não é a culpada de que um bom número de países da Europa comunitária tenham a sua economia em escombros. A Alemanha teve governos prudentes e competentes, austeros e honrados e, por isso, enquanto outros países se destruíam, ela crescia e fortalecia-se. E não podemos esquecer que a Alemanha teve de absorver e ressuscitar um cadáver – a Alemanha comunista – a custo, também, de formidáveis esforços, sem se queixar nem pedir ajuda a ninguém, apenas mediante o empenho e o estoicismo dos seus cidadãos. Por outro lado, o governo alemão da senhora Merkel é um europeísta decidido e a melhor prova disso é a maneira generosa e constante como apoia, com os seus recursos e iniciativas, a construção europeia. Apenas a proliferação dos estereótipos e mitos ideológicos explica esse fenómeno de transferência freudiana que leva a Grécia (não é a única) a culpar o mais eficiente país da União Europeia pelos desastres que foram provocados pelos políticos que, durante tantos anos, o povo grego mandou para o governo com os seus votos e que o deixaram nas condições pavorosas em que se encontra.

Nova oportunidade para os críticos de cartoons IX

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O evento intitulado “Arte, Blasfémia e Liberdade de Expressão” que visava discutir aqueles temas foi interrompido pelo participante Omar Abdel Hamid El-Hussein, nascido e criado no Reino da Dinamarca, que dentro da sua liberdade decidiu responder aos tiros, assassinando o realizador dinamarquês Finn Norgaard. Guiado pela natural insatisfação humana, o crítico expôs os seus pontos de vista à porta de uma sinagoga, assassinado Dan Uzan, membro daquela comunidade judaica. Pelo caminho, dentro da sua liberdade feriu mais cinco pessoas. O crítico de arte – variante cartoons – foi abatido pelas forças repressivas dinamarquesas.

Uma vez mais e ao contrário das vítimas,  os afamados críticos dos cartoons têm a oportunidade para se exprimirem em liberdade. De preferência através da caixa de comentários.

Alberto João Jardim: «Je suis Syriza»

Bate certo: Alberto João Jardim declara-se: «Je suis Syriza»

O presidente cessante do Governo Regional da Madeira, Alberto João Jardim, manifestou este sábado a sua solidariedade com o povo grego ao usar um chapéu de folclore da Grécia na tribuna onde viu o cortejo alegórico de Carnaval.

«Hoje estou numa atitude de protesto e de solidariedade. Trouxe um chapéu grego para exprimir a minha solidariedade com o Syrizae, por isso, levanto a minha voz: não pagamos, não pagamos!», cantou aos jornalistas, no Funchal.

Uma multidão de algumas dezenas

Cerca de meia centena de pessoas está concentrada no Largo de Camões, na baixa lisboeta, numa manifestação de solidariedade com a Grécia.

Poucos minutos depois das 15.00, hora marcada para início da manifestação, algumas dezenas de pessoas marcavam presença no Largo de Camões e um grupo de jovens da Plataforma 15 de Outubro seguravam um cartaz com as bandeiras de Portugal e da Grécia com a mensagem “Juntos Contra a ‘Troika’”, escrita em português e em grego.

Cerca das 15.15 surgiu um outro grupo de pessoas empunhando uma tarja que dizia “O Medo Mudou de Lado”.

Os deputados bloquistas Luís Fazenda e Mariana Mortágua, a médica Isabel do Carmo ou o realizador de cinema António Pedro Vasconcelos são algumas das personalidades presentes nesta iniciativa convocada pelas redes sociais.

Leitura complementar: Da espiral recessiva aos cantos do Syriza; Razões para ter esperança no Syriza; O socialismo europeu e o Syriza.

Leitura dominical

Os portugueses que nos querem ver gregos, a opinião de Albertto Gonçalves no DN.

Nada detém o sucesso da revolução bolivariana. Na Venezuela já escasseavam os preservativos, as lâminas de barbear, o champô, os absorventes íntimos e o papel higiénico, entre outros símbolos do consumismo desenfreado. Agora faltam também as fraldas, produto cuja compra passa a depender da apresentação da certidão de nascimento dos bebés. Mais uma vez, o capitalismo é derrotado.

Anos após Chávez ter decretado o duche de meio minuto, e ao contrário do que sucede nas sociedades subjugadas à selvajaria dos mercados, os venezuelanos, adultos e crianças, libertaram-se enfim das grilhetas burguesas do banho e do asseio em geral. Hoje, um indígena levanta-se da cama onde acabou de encomendar o oitavo filho e, a julgar pelo aspecto e pela fragrância, encontra-se prontíssimo para participar numa manifestação de apoio ao Sr. Maduro. E os que criticam a ausência de leite para empurrar o pão com manteiga do pequeno-almoço referem-se a um falso problema, visto ser dificílimo conseguir pão, manteiga ou, de resto, qualquer refeição decente. Se o capitalismo julgava alienar as massas pelo estômago, enganou-se de novo.

Em larga medida, a Venezuela já desbravou o caminho que na Europa a Grécia (onde o Syriza assume a influência de Caracas) se limita a apontar. O socialismo grego ainda tenta sobreviver com o dinheiro alheio; o socialismo venezuelano mostra o que é viver sem dinheiro nenhum. Nem sequer os 11 mil milhões desviados pelos sobas locais para o HSBC da Suíça. O capitalismo está de rastos.

António Costa e o Benfica (2)

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Isenção de taxas ao Benfica “é politicamente incorrecta” mas “sensata”

O vereador do Urbanismo da Câmara de Lisboa admite que a proposta que fez para que o Benfica ficasse isento do pagamento de taxas municipais no valor de cerca de 1,8 milhões de euros “é politicamente incorrecta”, mas defende que “faz sentido”. “Estamos permanentemente a aprovar subsídios para instituições que fazem o que o Benfica faz”, justifica Manuel Salgado, lembrando o trabalho realizado pelo clube em várias modalidades “amadoras” e “o papel social relevante” da Fundação Benfica.

Leitura complementar: António Costa e o Benfica.

Margarida Martins: um exemplo de transparência na gestão autárquica socialista…

Margarida Martins nega actas da junta de Arroios ao PSD

A presidente da Junta de Freguesia de Arroios, em Lisboa, Margarida Martins, recusou-se no mês passado, a entregar aos eleitos do PSD as actas do executivo autárquico por eles requeridas.

Em resposta escrita a um requerimento da bancada social-democrata na assembleia de freguesia, a autarca socialista diz que a junta “não pactua com iniciativas que possam interferir com o exercício das suas competências próprias”.

A natureza pública das actas das reuniões dos órgãos autárquicos é “inequívoca”, afirmou ontem o jurista Pedro Delgado Alves, deputado do PS, presidente da junta do Lumiar e membro da Comissão de Acesso aos Documentos Adminitrativos (CADA), a quem o PÚBLICO pediu um comentário sobre o assunto.

(…)

O pedido das actas teve origem na divulgação de várias notícias acerca da contratação pela junta, como avençados, de vários pessoas próximas de Margarida Martins, designadamente o presidente da associação Abraço, que lhe sucedeu nessas funções, e o marido da presidente da assembleia de freguesia. “Que esconderá em tais documentos [actas] a presidente da junta?”, perguntam os eleitos do PSD.

Austeridade, deflação e crescimento

O meu artigo de hoje no Observador: Da espiral recessiva aos cantos do Syriza.

2014 foi o primeiro ano de crescimento económico em Portugal desde 2010 e isso verificou-se em condições de “austeridade” e com deflação, contrariando todas as previsões de “espiral recessiva”.

Costa, Seguro e as sondagens (2)

Costa e as sondagens: o fenómeno que tarda… Por Henrique Monteiro.

A sondagem que hoje o Expresso e a SIC divulgam é esclarecedora: o PS à frente, como sempre esteve – e estava nos tempos de Seguro – mas ainda longe da maioria absoluta. O PSD e o CDS a perder, mas a resistir. Não, o problema do PS não era do líder, mas das políticas alternativas que não são – e do meu ponto de vista não podem ser – claras.

A propósito de alternativas claras: PCP defende necessidade de preparar país para eventual saída do euro.

Leitura complementar: O Hollande de Lisboa?; Nuvens no horizonte de António Costa…; Dias difíceis no PS…

Calote argentino II

CristinaKirchner

Argentine President and Foreign Minister Charged Over Cover-Up of Iran’s Role in AMIA Atrocity

The Argentine Federal Prosecutor appointed to examine the accusation that the Argentine government attempted to cover up Iran’s role in the 1994 bombing of the AMIA Jewish center in Buenos Aires has announced that he will be pursuing the country’s top leadership over the charge, in a major endorsement of the claims advanced by Special Prosecutor Alberto Nisman on the eve of his death last month in suspicious circumstances.

President Cristina Fernández de Kirchner and Foreign Minister Héctor Timerman are the most prominent names in Gerardo Pollicita’s complaint, described by the Buenos Aires Herald as giving “a green light” to the charges originally made by Nisman before he died. As The Algemeiner reported earlier today, there is a growing conviction in both Argentina and Israel that Iran was also behind Nisman’s death, which the Argentine government is officially treating as a suicide.

In addition to Fernández de Kirchner and Timerman, Pollicita also charged several of their main political allies, including Luis D’Elia, a former member of the cabinet of Néstor Kirchner (Fernández de Kirchner’s late husband and predecessor in office) Andrés Larroque, a parliamentarian, former prosecutor Héctor Yrimia and Allan Bogado, a suspected member of Argentina’s state intelligence service.

 

Leitura complementar: Calote argentino.

António Costa e o Benfica

Estranhamente, a decisão de António Costa de perdoar uma dívida de 1,8 milhões ao Benfica parece não ter gerado qualquer vaga de indignação, nem sequer pedidos de esclarecimento à autarquia.

Deve ser tudo normal…

antonio_costa_benfica

Como bem assinala Helena Matos:

Não vou discutir (por agora) a bondade da decisão. Nem sequer as implicações que ela tem nas reivindicações de tratamento identicamente favorável por parte dos outros clubes. Mas a falta de discussão em torno de uma decisão destas revela como se aceita no mundo do futebol o que se questiona nos outros.

Soberania

O meu artigo no Diário Económico de hoje sobre a Grécia e a soberania.

Soberania

Um dos cavalos-de-batalha do governo grego é de que a Grécia não pode continuar a ser humilhada; que a Grécia deve recuperar a sua soberania e, pondo de parte as exigências da troika e da União Europeia, agir de acordo com a vontade da maioria dos eleitores gregos. Podemos dizer que a humilhação é a Grécia ter chegado ao ponto em que se encontra. Podemos argumentar o que quisermos, mas águas passadas não movem moinhos e o que agora interessa é discutir o que temos em cima da mesa, ou seja, no que consiste a soberania.

Para Salazar esta significava estar orgulhosamente só. Um entendimento de que o governo grego parece comungar. Claro que a Grécia tem um o plano B que inclui a Rússia e a China. Mas também não deixa de ser claro, a quem se dê ao cuidado de dar uma vista de olhos ao que se passa por esse mundo fora, que andar de braço dado com Moscovo e Pequim não é agradável. Atenas pode querer reinventar a Europa como inventou o Ocidente, mas não será, com certeza, virando as costas a Estados democráticos e abraçando autocracias e ditaduras comunistas.

No mundo de hoje soberania não significa necessariamente possuir forças militares que possam esmagar países vizinhos; nem deter empresas públicas, ou uma forte influência sobre empresas privadas, que dominem ou tenham uma palavra a dizer sobre como funcionam os mercados. Num mundo global, soberania começa, porque estamos a falar de Estados, por ter contas públicas sem défices, de preferência excedentárias. Começa, porque esse é o ponto de partida; excedentárias, não com vista a um Estado independente do financiamento externo, mas porque cria condições para que haja verdadeiro crescimento económico. Verdadeiro, porque não baseado na antecipação de rendimentos futuros e à custa das gerações seguintes.

É com orçamentos equilibrados e não deficitários que se descem os impostos; que há estabilidade e justiça fiscal que cativa o investimento estrangeiro que interessa e não o dos que compram a saldo; se poupa e junta capital, ao invés de se incrementar o consumo como base de um crescimento que mais não é que uma bolha especulativa, porque não real.

É com orçamentos não deficitários, e com poupança, que se tira partido de uma moeda forte como o euro. Como os alemães o fazem sem medo da deflação, sem medo da concorrência, sem medo da abertura das fronteiras; sem medo de outra coisa que não seja a existência de parceiros que não percebem que vivem num mundo global. Soberania pressupõe um Estado previsível, politicamente contido pelo Parlamento em nome do povo. Em nome de um poder político forte, porque influente; respeitado, porque credível. Soberania implica abertura ao exterior porque há confiança e meios para tirar partido da globalização. Significa não confundir os interesses de um país com os de uma facção ideológica que domina o Estado.