Contas de La Palisse

Durante 2014, o défice comercial foi de 10,7 mil milhões de euros. Uma média mensal de 890 milhões de euros, portanto. Variou mensalmente entre 637 milhões, no melhor mês, até 1132 milhões, no pior. Por isso, um aumento de 1000 milhões “só no mês de Abril” não é nada de extraordinário.

A multiplicação do erro

Primeiro o Observador, depois o Notícias ao Minuto e por fim o Jornal de Negócios. Todos noticiam que de acordo com um relatório da MasterCard o turismo aumentou em Lisboa mas que as receitas diminuiram. O site Notícias ao Minuto até inclui a expressão bombástica de que os turistas «deixam cada vez menos dinheiro».

Sendo o dito relatório expresso em dólares americanos, cujo valor médio no primeiro semestre de 2014 foi de 0,72 euros e no primeiro semestre de 2015 de 0,89 euros, será que algum dos senhores jornalistas preocupou-se em corrigir o efeito de câmbio?

O tribunal decidiu, está decidido

RB

O Supremo Tribunal da Arábia Saudita confirmou a sentença ao blogger Raif Badawi. Caso sobreviva às mil chicotadas, terá que cumprir uma década na prisão por ter insultado o Islão em 2012 e pagar uma multa de mais de 191 mil euros.

Leituras complementares: Os bons ventos que sopram da Arábia Saudita; Ser Charlie na Arábia Saudita e na Câmara de Lisboa; Bloggar faz mal à saúdeDas religiões que são superiores aquilo da liberdade.

Adenda: Saudi Arabia hosts UN-backed human rights summit ‘on combating religious discrimination’

Saudi Arabia has hosted an international conference on human rights, attended by the president of the UN Human Rights Council, and resolved to combat intolerance and violence based on religious belief.

The kingdom convened the fifth annual meeting of the Istanbul Process as its Supreme Court prepared to rule on the case of blogger Raif Badawi, sentenced to 10 years in prison and 1,000 lashes for “insulting Islam through religious channels”. It later upheld the sentence.

The UN HRC recently faced criticism over Saudi plans to head up the council from 2016, in what critics said would be the “final nail in the coffin” for the international body.

The Man In The High Castle

Man in the High Castle – “Yeah, Tuesdays — they burn cripples, terminally ill…”

Here’s what America would be like if the Nazis and Japanese had won WWII

This weekend marks the 71st anniversary of the Allies’ D-Day landing at Normandy, France, which ultimately led to the liberation of France from Nazi control.

But what if the Allies had never launched their seaborne invasion, leaving Europe in the hands of Hitler and Nazi Germany?

Continuar a ler

Leitura dominical

Dias contados, a crónica de Alberto Gonçalves no DN.

Acabou a pouca-vergonha. Até agora, em qualquer lugar do país, qualquer meliante à frente de uma confeitaria vendia falsos pastéis de Chaves( R ) ao cliente sem escrúpulos que os requisitasse, colocando em risco a saúde pública e a própria coesão social. Mas a infâmia não se repetirá: a Comissão Europeia, que não dorme, concedeu ao dito folhado o estatuto de produto com indicação geográfica protegida. Daqui em diante, pastéis de Chaves( TM ) só fabricados em Chaves ou vendidos em Chaves. O crápula que, sem autorização, distribua a guloseima em Moimenta da Beira ou em Vieira do Minho terá as autoridades à perna e, desejo sinceramente, um futuro no calabouço ou nas galés. Não admira que o autarca e os comerciantes da cidade transmontana vivam desde há dias em pronunciado júbilo, a fazer as contas às exportações (de pastéis congelados) e ao turismo (em busca dos pastéis fresquinhos). Só falta criar uma confraria e duas fundações alusivas aos pastéis de Chaves( C ) e a Comissão Europeia alargar a justiça às iguarias de outras paragens, incluindo a fêvera de Alpiarça e o bacalhau de Sacavém. E esperar que ninguém repare no vazio legal que envolve as bolas-de-berlim. Nunca é boa ideia irritar os alemães.

Sobre a contratação de Jorge Jesus pelo Sporting

jorge_jesus_sporting

O meu artigo de hoje no Observador: Jesus e a tentação de Bruno.

Ora, se Benfica e FC Porto enfrentam dificuldades e um inevitável processo de ajustamento, isso é ainda mais notório no caso do Sporting, como aliás o respectivo presidente até muito recentemente não se cansava de relembrar. A contratação por valores estratosféricos de Jorge Jesus entra em frontal contradição com esse discurso e com essa prática de gestão. Mesmo que a entrada de novos capitais venha a proporcionar alguma folga no curto prazo, é difícil conceber que o Sporting se possa dar ao luxo de gastar muito mais que Benfica e FC Porto com uma equipa técnica e manter uma gestão equilibrada e sustentável.

O artigo pode ser lido na íntegra aqui.

Desemprego e Grécia

O objectivo de um governo não é criar emprego, mas ter contas públicas que não assustem quem investe e trabalha. – Os meus comentários hoje no Económico TV.

Os bons ensinamentos de Sepp Blatter

PutinBlatter

Alguns dias após Vladimir Putin ter vindo em defesa da máfia FIFA, alertando a humanidade contra o imperialismo norte-americano, o britânico Socialist Unity informa, de entre outros igualmente bons apontamentos,  que a re-eleição do Presidente da FIFA é uma lição para a democracia. A realidade supera a melhor comédia.

Blatter has played a key role in driving forward these efforts, which is why he’s earned the respect and loyalty of FIFA member associations throughout the developing world, and is why they refuse to participate in the campaign of demonization that has been waged against him over the past few years, What ‘they’ dismiss as patronage, others call the redistribution of resources and funds from the developed nations to the undeveloped nations, providing the latter with the ability to compete on the international stage. Even more important is how it has kept alive the dream in the hearts of millions of impoverished kids of a route out of poverty for them and their families via football.

The growing controversy over the decision to grant Qatar the privilege of hosting the 2022 World Cup cannot be denied, giving rise to legitimate questions over the bidding process and procedures. The abuse of migrant labour, employed on the construction of stadia and infrastructure for the 2022 tournament, is a matter of deep concern and unless strong action is taken by FIFA in response will undeniably leave a stain on the organization and international football. But here the West has little credibility also. Qatar, along with the other Gulf States, has long been guilty of such human rights abuses, while remaining close allies of the US, Britain, and France. The word for this state of affairs is hypocrisy.

What took place in Zurich was an attempt to seize the leadership of FIFA. It was an attempt driven less by justice and more by geopolitics.

Sadly for them, however, it failed. Sepp Blatter was re-elected. In the end democracy won.

Adenda: O mal voltou a fazer estragos: Sepp Blater demite-se quatro dias depois de ter sido eleito.

 

Da pena santificada de Mário Soares

soares

Continuam a sair, escritos absolutamente inéditos.

 

No passado dia 29 de maio estive, pela sexta vez, na prisão de Évora a visitar o meu amigo José Sócrates. Fiquei muito impressionado com a sua resistência e dinamismo ao fim de seis meses de prisão sem nunca ter sido ouvido pela justiça nem ter sido formalmente acusado do que quer que seja.

Ao fim de seis meses de prisão sem provas e sem qualquer fundamento que a justifique, é caso para nos interrogarmos porque é que o juiz Carlos Alexandre e mesmo o procurador Rosário Teixeira o mantêm preso, uma vez que não apresentam provas para o poder acusar e, muito menos ainda, para o manter em prisão preventiva. É também caso para o juiz Carlos Alexandre e o procurador Rosário Teixeira pararem para pensar e porem termo a esta situação.

Até ao dia 9 de junho devem ser reexaminados os pressupostos da prisão preventiva. Esse reexame, que a lei impõe, é uma excelente oportunidade para, dentro da normalidade processual, se pôr termo a uma situação que prejudica o país no plano nacional e internacional, que perturba a convivência democrática e constrange o lançamento e o desenvolvimento de projetos de investimento estrangeiro de que Portugal precisa urgentemente

“reductio ad observadorum”

Discordo em vários aspectos da proposta de revisão constitucional apresentada, mas recomendo a leitura deste artigo: A Constituição fechada e os seus amigos. Por Tiago Fidalgo de Freitas.

(…) o facto de a iniciativa ter sido publicitada pelo Observador num quadro mais amplo de debate constitucional contaminaria, inevitavelmente, a eventual (ainda que sempre duvidosa, claro) bondade de qualquer das propostas. E isto porquê? Porque o Observador é o ‘bicho papão’ do neoliberalismo e o cavalo de Tróia de toda a ‘maldade direitista’. O Observador seria, no fundo, uma Medusa dos tempos modernos: quem com ele colaborasse seria imediatamente transformado em pedra e proscrito para todo o sempre do debate público.

Ora, esta reductio ad observadorum – uma variante low cost da reductio ad hitlerum, com menos imaginação, menos piada e, definitivamente, muito menos substância – é, a todos os títulos, inaceitável. Para mais, quando foram convidadas personalidades de todos os quadrantes políticos e ideológicos para debaterem estas ideias nas Conferências Constituintes e se lhes endereçaram convites para publicarem textos sobre a matéria, preferencialmente críticos, na página do Observador. Se nenhum outro meio de comunicação social o fez até agora, e se os partidos políticos ainda menos o fazem, ainda bem que o Observador tomou a dianteira. Trata-se de um debate que interessa a todos os cidadãos portugueses e em que todos deviam participar.

Leitura complementar: Portugal precisa de uma Constituição não socialista.

O multiplicador keynesiano e a betoneira

O meu artigo de hoje no Observador: O Estado empreendedor, o multiplicador e a betoneira.

Apesar de o país ainda estar a pagar o último ciclo de “estímulos” desta natureza (e de o ir continuar a pagar por muitas décadas), as lições desse passado recente parecem já estar a cair no esquecimento. Convém a este propósito recordar que na primeira década deste milénio o Estado português incorreu sistematicamente em défices significativos, recebeu e gastou milhões e milhões de euros de fundos europeus e apostou em inúmeros projectos com supostos efeitos multiplicadores. Resultado final: uma década perdida em termos de crescimento económico e um país na iminência da bancarrota.

As obras públicas foram tantas que o multiplicador keynesiano terá provavelmente sido engolido por alguma betoneira ao serviço do Estado empreendedor.

O artigo pode ser lido na íntegra aqui.

Compreender o putinismo XXVI

VP2

Já se sabia que ao serviço da Santa Mãe Rússia há soldados que não existem. Parece que passou a ser crime falar, escrever ou apenas procurar pelos soldados mortos ou feridos em gloriosos tempos de paz e prosperidade.

Russia has made it a crime to speak, write or broadcast about Russian troop losses in peacetime and about people co-operating with Russian foreign intelligence, in what critics said was a Kremlin attempt to stop all information about Moscow’s involvement in the war in Ukraine.

President Vladimir Putin signed a decree on Thursday spelling out more than 20 additions to Russia’s state secrets law, including “information which reveals personnel losses in times of war and in peace time while a special operation is being conducted”. The new censorship rules mean families of Russian soldiers killed fighting in Ukraine or activists researching Moscow’s clandestine campaign risk prison sentences of up to eight years.

“It appears that the position of just denying there are Russian soldiers fighting in Ukraine cannot last any longer,” said Kirill Koroteev, a lawyer with Memorial, the human rights group.

Earlier this month, associates of the murdered opposition politician Boris Nemtsov published adamning report that said at least 220 active Russian soldiers had died fighting in Ukraine.

Days before he was shot in central Moscow in February, Nemtsov said he intended to enlighten the Russian people, starting with families of military and security officials, that Mr Putin was dragging the country into war.

“Now people will go to prison for searching for data about our fallen soldiers,” Ilya Yashin, one of Nemtsov’s closest associates and co-author of the report, wrote on Twitter.

Olga Romanova, a journalist and rights activist, wrote on her Facebook page: “These things mean that a blogger will be criminally prosecuted for writing about a young widow . . . crying after she received a coffin from Donbass.”

Technically, Russia’s state secrets law only covers certain institutions or persons. But legal experts said the new rules could easily be applied more broadly to silence families of Russian soldiers killed in Ukraine, activists distributing or publicly discussing such information and all media reports about Russian involvement in the war.

Compreender o putinismo XXV

VP

A oposição ao Deus-no-Céu-Putin-no-Kremlin faz mal à saúde.

The wife of a prominent Russian opposition activist who mysteriously fell ill in Moscow this week is seeking his evacuation to Europe or Israel for toxicology tests, saying his condition has not improved.

Vladimir Kara-Murza Jr., a former political ally of slain Russian opposition leader Boris Nemtsov, lost consciousness in Moscow on May 26 and was hospitalized with what his wife calls “symptoms of poisoning.”

“His condition has not improved since; he has not regained consciousness,” his wife, Yevgenia, said in an e-mail to RFE/RL and other media outlets.

She said the hemodialysis he underwent to treat kidney failure “has not had any effect” and asked that he be evacuated by plane from Russia “to a medical center in Europe or Israel where full toxicology testing and treatment can be done.”

Adenda: Os reptilianos querem minar Blatter.

Russian President Vladimir Putin has said the US could be selfishly motivated for its own gain, as was the case with Edward Snowden and Julian Assange.

“Unfortunately our American partners are using these methods in order to achieve their own selfish gains and it is illegal to persecute people. I would not rule out that in regards to FIFA, the same thing could be happening, though I do not know how it will end,” he said.

“However, the fact that this is happening right on the eve of the FIFA presidential elections, gives one this exact impression.”

Putin added this is an obvious attempt to expand Washington’s jurisdiction in other countries.

“This is yet one more attempt to try and impose their law against other states. I am absolutely sure that this is an attempt to try and stop Blatter from being re-elected as FIFA president, which is a grave breach of the principles of a functioning international organization.”

 

Diagnosticaram-me ideologia

O meu texto de ontem no Observador.

‘Ideologia’ foi uma doença muito avistada depois de PSD e CDS ganharem as eleições de 2011. Todas as pessoas decentes do país se queixaram, nos primeiros seis meses do governo, que a malvada coligação queria implementar um ‘programa ideológico’. Acabar com as golden shares foi ‘ideológico’, as alterações da legislação laboral tresandaram a’ ideologia’, o corte dos subsídios aos funcionários públicos esteve carregadinho do pecado ‘ideológico’, os cortes na despesa nos vários setores (de resto menores do que os negociados pelo PS no memorando de entendimento) foram o cúmulo da ‘ideologia’.

Com a proximidade das eleições, os diagnósticos de ‘ideologia’ têm explodido outra vez nos lados dos técnicos de saúde política afetos ao PS. Eu nos últimos tempos já fui objeto de vários diagnósticos de ‘ideologia aguda’ no twitter, na sua forma declarada e incurável. Às vezes pondero se não seria melhor (para bem da saúde pública) acoplar uma campainha à minha carteira para avisar quem se cruza comigo desta debilitante condição liberal em que me encontro.

Claro que quem se queixa de ‘ideologia’ tem muita razão. Os partidos – todos – apresentam uma ideologia aos eleitores através das suas propostas políticas nos programas eleitorais; e os eleitores decidem para que combinação ideológica estão mais virados em cada momento eleitoral. Na verdade, os partidos menos ideológicos que por cá temos são PSD (cuja grande ambição da maioria dos seus militantes é ser de esquerda) e CDS (que ainda não se arrumou o socialismo beato).

Nem só os jovens costistas das redes sociais e do comentário político se preocupam com este surto infeccioso. António Costa também parece estar baralhado com o vírus ideológico. Por exemplo, em março, Costa ‘criticou o Governo por ter abdicado de uma abordagem pragmática na resolução dos problemas do país “por puro preconceito ideológico”’ (Expresso, 17/3/2015). Em abril, Cassete Costa afirmou: ‘Este Governo nunca olhou para os problemas de uma forma pragmática, olha sempre para os problemas com preconceito ideológico’ (RR, 12/4/2015).

O resto está aqui.

On Debt and Taxes

No Portuguese Insurgent: On Debt and Taxes.

The stated objective of The Economist’s piece is to make the case for eliminating incentives to excessive leverage that undermine the financial system. This ignores the simple fact that the system’s instability stems from its design rather than from the amount of credit it grants. Over the last hundred years, the total leverage of the financial system – particularly banking – has increased constantly as required reserves progressively decreased; to the point where at the beginning of the ongoing crisis many of the world’s largest banks, especially in America, had reserve ratios close to 2%.

Haja fé no Marinho e Pinto

marinho

O Partido Democrático Republicano  (partido unipessoal do ex-jornalista e ex-bastonário da ordem dos advogados) vive momentos animados. Espero que num futuro próximo surjam vários movimentos antagónicos que defenderão a necessidade da existência e da unidade verdadeiramente diferenciadora do partido de Marinho e Pinto.

Confusão na assembleia de filiados do PDR. Marinho Pinto impugna votações

Leitura dominical

Uma tragédia evitável, a crónica de Alberto Gonçalves no DN.

Apesar de lamentar a balbúrdia cometida por adeptos da bola no centro de Lisboa, António Costa lembrou, a título de consolo, que actividades semelhantes também acontecem “noutros locais”. Para mim, que moro a centenas de quilómetros do Marquês de Pombal, chega. Para os lisboetas, sobra. Para todos os portugueses, eis uma amostra da liderança serena que o Dr. Costa se prepara para aplicar ao país em peso, logo que as sondagens comecem a traduzir a real vontade do eleitorado e retirem o PS de fundilhos antes justificáveis pela brandura de António José Seguro: qualquer maçada, problema ou cataclismo devem ser relativizados sob o imbatível argumento de que, algures, já houve igual ou pior.

Se, por exemplo, um dia funesto Condeixa–a-Nova for bombardeada pelo inimigo, o Dr. Costa recordará Dresden e Pearl Harbor. Se três quartos do Alto Minho desaparecerem graças a um vírus maligno, o Dr. Costa não demorará a evocar a sida em África e a gripe espanhola. Se um surto de canibalismo irromper no Barlavento algarvio, o Dr. Costa acalmará as hostes mediante comparações com o Donner Party e a fome soviética de 1932. É para isto que serve um líder.

Quanto a um candidato a líder, serve para apresentar um “projecto de programa eleitoral”. Dividido em quatro capítulos, 21 pontos e incontáveis alíneas, o projecto de programa é um sítio tão bom quanto outro qualquer para o PS semear palavras que acha cativantes (flexibilidade, proximidade, agilidade, qualidade, sustentabilidade, valências, alavancagem, dicotomia, etc.). Ao longo de 134 páginas que se lêem com o prazer com que se arranca um dente, oscila-se sem surpresas entre os grandes conceitos (a liberdade, a democracia, o sol, o vento e a água) e o detalhe maníaco (melhorar a “qualidade das emissões da RTP Internacional”). Ou entre promessas lindas (a “eficiência do Estado”) e a sua contradição imediata (a criação da essencial “Unidade de missão para a valorização do Interior”). Ou entre promessas esquisitas (os direitos de “reserva da intimidade da vida privada e do bom nome”) e a sua contradição imediata (a “conciliação dos mecanismos da vigilância electrónica com os de teleassistência no apoio a vítimas de violência doméstica”). Ou entre o ocultismo (“construção de equipamento e navios de suporte para O&G e Mining Offshore”) e, literalmente, a arte de encher chouriços (há um “programa integrado de certificação e promoção de produtos regionais”). Ou entre a comédia farta (um “Programa subtemático para o setor [sic] do leite”) e a retórica vazia (“Um mundo que nos devolva o lugar da comunidade, valorizando a vida quotidiana”). Ou entre os sintomas de amnésia (a “consolidação das contas públicas”) e o orgulho no currículo (as garantias de apoios a tudo o que mexa – e principalmente não mexa – são infinitas). Por pudor, não desenvolvo “o equilíbrio de género no patamar dos 33% nos cargos de direção para as empresas cotadas em bolsa”. Por estupefacção, não comento a abolição da austeridade através de decreto.

Em suma, pacotes, iniciativas, medidas, apostas, comissões, siglas e delírios, muitos delírios, as coordenadas exactas do embuste. Pura política? Sem dúvida, e sobretudo puro PS. Corre por aí que o Dr. Costa contratou especialistas de marketing para perceber o que vai na cabeça dos portugueses. A vantagem dos portugueses é saberem de antemão o que vai na cabeça do Dr. Costa, um seguidor confesso do interessante Syriza. Se depois elegerem o PS pode sempre dizer-se que, de Mário Soares a José Sócrates, já houve desastres iguais. Duvido que tenham sido piores: a luz ao fundo do túnel é o TGV.

Há gravações mas não há dinheiro…

Mentiras e vídeo. Yanis Varoufakis confirma que gravou reunião de Riga
“Não há dinheiro” para pagar ao FMI em junho, diz ministro do Interior

Leitura complementar: O cenário do PS: entre Centeno e Varoufakis; Da espiral recessiva aos cantos do Syriza; Razões para ter esperança no Syriza; O socialismo europeu e o Syriza; A Grécia e o erro de Merkel.

José Alberto Carvalho e a apologia do terrorismo progressista na TVI (2)

TV Buíça: Apologia do regicídio em prime time. Por João Vacas.

Leitura complementar: Observador: um ano de serviço público.

Além da “verdade a que temos direito”…

O meu artigo de hoje no Observador: Observador: um ano de serviço público.

Leitura complementar: José Alberto Carvalho e a apologia do terrorismo progressista na TVI; Diário de imprensa no dia a seguir a uma vitória da direita num dos mais importantes países europeus.

Alberto João Jardim na RTP

Caro Rui, ressentir é sentir duas vezes e o bom entretenimento faz-se com muito sentimento: a brigada do ressentimento.

A quase todos une um passado comum de desilusões político-partidárias, que eles tomaram como desconsiderações pessoais, e com as quais quase sempre fazem pautar a «isenção» dos seus comentários. É, por isso, com naturalidade e sem surpresa, que vemos o Dr. Jardim a engrossar este já muito vasto pelotão do ressentimento. Seja, pois então, muito bem-vindo à brigada.

Estranho é que ninguém convide António José Seguro para um espaço de comentário próprio e regular. Por que será?

José Alberto Carvalho e a apologia do terrorismo progressista na TVI

De televisão da igreja católica a televisão da carbonária. Por Helena Matos.

Via Corta fitas cheguei a este video do telejornal da TVI apresentado do Museu dos Coches. A finalizar o dito bloco informativo José Alberto Carvalho mostrou o landau onde viajava D. Carlos no dia do regícidio. Aí começa uma singular peça jornalística de apologia do assassínio em nome da República.

Continuar a ler

Google, Twitter e Facebook em russo

logos

É do interesse universal que parem de violar a censura as leis russas. A santa mãe Rússia deu-se ao trabalho de os avisar, antes do envio dos “homens verdes”.

Adenda: Pavel Durov explica o processo de “nacionalização” da sua empresa.

No Fio da Navalha

O meu artigo de hoje no jornal ‘i’.

A doença europeia

Depois da sua vitória eleitoral, David Cameron pretende cumprir o prometido e permitir que os britânicos referendem a continuidade do Reino Unido na União Europeia. Os alarmes soaram em Bruxelas, já a braços com a possível saída da Grécia da zona euro, ao mesmo tempo que se deseja que o referendo britânico, com uma vitória do “não”, ponha um ponto final na indecisão e insatisfação britânica.

Numa entrevista esta semana ao “Guardian”, Graeme MacDonald, chefe-executivo da JCB, uma multinacional britânica que é a terceira maior fabricante mundial de equipamentos para construção, defendeu a saída do Reino Unido da União Europeia, se Cameron falhar a negociação para reduzir a burocracia europeia que prejudica as empresas britânicas.

Admitindo ser, por vezes, mais fácil vender para a América do Norte do que dentro da própria Europa, MacDonald bate num ponto essencial: a União Europeia foi criada para derrubar barreiras, não para as erguer. E o que se passa é que o projecto europeu, tendo sido mais político que económico, tem ido ao desencontro do seu objectivo inicial, que é a criação de um mercado comum, logo aberto.

Claro que os riscos são imensos. Mas estes não advêm apenas de uma possível saída do Reino Unido, mas da dificuldade que é reformar a União. A teia burocrática é de tal forma gigantesca e contorcida que uma diferença natural entre os povos facilmente se torna uma disparidade crónica entre os Estados.

Adolescentes à deriva

O meu texto de hoje no Observador.

‘Dentro dos temas de que fujo está a conversa ‘a juventude de hoje está perdida’ e todas as variações de ‘antes o mundo era maravilhoso e agora está um descalabro’.

Ora bem: antes o mundo não era maravilhoso e agora não está um descalabro. Ou, se está um descalabro, pelo menos está menos do que costumava estar. Como o meu objetivo não é provar este ponto (e estou com pressa de chegar aos adolescentes), deixo-vos os argumentos de outros, um de 2012, um de 2013 e outro de 2014. Até britânica e conservadora The Spectator e a americana e esquerdista Slate concordam que o mundo não está condenado. Por isso, caro leitor pessimista, lamento informá-lo, mas não, a humanidade não caminha para o apocalipse. Habitue-se.

É bom recordar os progressos nestes dias em que se tornou mantra nacional declarar que a sociedade está doente, ou, pelo menos, os jovens estão doentes, estamos a criar monstros, levemos as mãos à cabeça que famílias e escolas estão a falhar e o futuro que aguarda os menores é uma distopia que nem Orwell previu.

É certo que a realidade espicaçou. Primeiro o bullying de um adolescente por várias raparigas. Houve os que gozaram com o bullying e acham que deve ser à antiga, um rapaz enrijece se levar pancada e quem dá relevância a estes incidentes só incentiva a mariquice nacional. E os que prometeram violências ainda mais atrozes às agressoras – enquanto viam e partilhavam furiosamente o vídeo, expondo as identidades de agredido e agressoras, tornando-se assim participantes e agravando a agressão que tanto repudiavam.’

O resto está aqui.

George Galloway à fartazana

Galloway numa animada actividade da organização de caridade Viva Palestina

Galloway numa animada actividade da organização de caridade Viva Palestina

George Galloway referred to police by MP expenses watchdog after complaint by former PA

George Galloway’s use of parliamentary funds has been referred to the police by an expenses watchdog following a complaint by his former assistant.

The Independent Parliamentary Standards Authority (Ipsa), which oversees MPs’ business costs and their use of public money, has investigated claims made by Aisha Ali-Khan.

She had lodged an official complaint alleging that while she worked for Mr Galloway, she spent a large amount of time on non-parliamentary duties including underwear shopping, making preparations for his wedding and helping the Viva Palestina charity.

Não correu como o esperado

Arrested for reporting on Qatar’s World Cup labourers

O esforço de relações públicas das autoridades do Qatar. Também nesta área, não existem soluções mágicas e se existem, são de desconfiar.

O jornalista da BBC Mark Lobel foi convidado a vistar o país do Médio Oriente que organizará o Campeonato do Mundo de futebol de 2022 e que tem tido alguns problemas de imagem provocados pelas más condições de trabalho dos imigrantes envolvidos na preparação do evento.  Mark Lobel (e o resto da equipa) acabou por ser preso por se ter aventurado em fazer o  trabalho por sua conta e risco, fora do controlo das autoridades.