Candidatura de Sampaio da Nóvoa: o PS estará assim tão mal? (2)

2010 (via Blasfémias):

Há pouco falava das corporações de universitários, da maneira como se protegiam. Há um poder que tinham e que não queriam dissipar. Claro que alguns professores têm poder.

Sinto-me uma pessoa mais do contra-poder do que do poder. A pergunta para mim é estranha. O único cargo onde poderia ter tido algum poder, mas foi um cargo de que gostei muito pouco, foi o de consultor do Presidente da República, do Dr. Jorge Sampaio. Não gostei daquele ambiente. Tenho uma extraordinária relação com o Dr. Jorge Sampaio, por quem tenho uma enorme admiração. Mas o lugar concreto de consultor…

11 de Dezembro de 2014: Sampaio da Nóvoa lidera gabinete da Universidade de Lisboa sobre políticas públicas

Universidade diz que tem o “dever de ajudar o país a ultrapassar a grave crise em que se encontra”. Sampaio da Nóvoa colaborou com António José Seguro e agora apoia António Costa. (…) De acordo com um despacho do reitor da Universidade de Lisboa publicado em Diário da República sobre a nomeação do director da iniciativa Políticas Públicas ULisboa, Sampaio da Nóvoa passa a exercer funções em regime de “dedicação exclusiva, ficando dispensado da prestação de qualquer outro serviço, pelo período de um ano”.

4 de Abril de 2015: Sampaio da Nóvoa: “Estar disposto a dar tudo pelo país, seja em que lugar for”

Sobre a candidatura à Presidência da República, assume que vai tomar uma decisão ainda em abril e critica quem deixar este tipo de decisão para outubro, depois das legislativas. “Não é sério dizermos que somos candidatos em outubro para umas eleições que acontecem dois meses depois”, diz Sampaio da Nóvoa. “Se decidir assumir esse gesto, terá de ser rapidamente. Tenho assistido com algum desconforto ao turbilhão das últimas semanas. Tem havido banalização, até uma certa ridicularização de um momento que é decisivo para os portugueses. Esse momento de brincar ao esconde-esconde tem de acabar, é preciso que as pessoas afirmem as suas decisões, as suas ideias para o país.” Como modelo de candidato, Sampaio da Nóvoa usa o General Ramalho Eanes, que na altura foi apoiado pela esquerda e pela direita. Admira-o por ter sido independente e por não pensar no cargo por interesses pessoais. E acrescenta: “Quem gosta muito de dinheiro deve afastar-se da política.” Outros presidentes em quem se revê são Mário Soares e Jorge Sampaio.

Hino de apoio a Sampaio da Nóvoa

Hino de apoio ao prof. Sampaio da Nóvoa

Sampaio, Sampaio da Nóvoa,
Vais em caminho direto
À glória de Belém
Sampaio, Sampaio da Nóvoa,
Apesar de tão discreto,
Se não vais tu não vai ninguém

Cristãos africanos não têm direito a ser Charlies (2)

O que é o al-Shabab e porque é que ataca o Quénia?
Papa condenou atentado “brutal” e “sem sentido” que matou 147 no Quénia
Estudante queniana conta como escapou à morte dentro de um roupeiro

Ancelotti e Ronaldo: causa e efeito?

Carlo Ancelotti reconhece que Messi está melhor do que Ronaldo: Treinador do Real Madrid diz que o português caiu de rendimento nos últimos dois meses
Real deu nove, Ronaldo marcou cinco

Sobre o veto do Presidente à lei da cópia privada

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O meu artigo de hoje no Observador: Lei da cópia privada: Presidente vetou rentismo

Leitura complementar: A nova Lei da Cópia Privada: uma mancha notável; A abominável Lei da Cópia Privada ataca de novo; Uma vitória para a AGECOP, uma derrota para o país.

E se Henrique Neto tivesse um espaço semanal de comentário na TV ?

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Relativamente às queixas que por vezes se fazem ouvir oriundas de figuras ligadas ao PS por o espaço de comentário televisivo (pelo menos em sinal aberto) ser dominado por figuras alegadamente alinhadas com o PSD, fico sempre na dúvida sobre se são para levar a sério.

Caso sejam, seria interessante que quem se queixa se manifestasse favoravelmente a que figuras como Henrique Neto, Francisco Assis ou mesmo António José Seguro tivessem um espaço semanal de comentário na TV.

George Galloway to Bradford Brewery: “You have been most unwise”

A democracia segundo uma das principais figuras da extrema-esquerda britânica e europeia…

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Cristãos africanos não têm direito a ser Charlies

A avaliar pela diferença de reacções no plano internacional, parece que os cristãos aricanos continuam infelizmente a ser vítimas de segunda categoria da barbárie terrorista…

Ataque de grupo islâmico armado faz 147 mortos em universidade no Quénia
Grupo islâmico Al Shabab ameaça fazer novos ataques no Quénia
Descoberta sobrevivente de ataque a universidade queniana dois dias após massacre

“António Costa fica na Câmara de Lisboa até às eleições legislativas”

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É caso para dizer que o desastre eleitoral do PS na Madeira, ainda que sem dimensão nacional, foi a cereja no topo de um bolo feito de resultados pouco entusiasmantes de António Costa nas sondagens…

António Costa: Derrota na Madeira “não tem dimensão nacional”
Direção do PS e seguristas em divergência sobre culpa da derrota na Madeira
António Costa renuncia quarta-feira ao mandato na Câmara de Lisboa
Costa “fez bem” em renunciar à Câmara de Lisboa, diz Francisco Assis

Obrigado, Rui Moreira

Quero acreditar que a peça do NYT sobre Lisboa só se tornou realidade porque o mayor da Invicta fartou-se de desbravar caminho pela imprensa internacional.

O imperialismo sem limites

Churrasco não islâmico patrocinado pela família Koch

Churrasco não islâmico patrocinado pela família Koch

Os irmãos Koch tentam envenenar a malta do Estado Islâmico com paletes de galinhas não-halal.

No Fio da Navalha

O meu artigo hoje no ‘i’, sobre o meu encontro com Agostilho da Silva e, de certa forma, com tudo a ver com a Páscoa.

Agostinho da Silva

Há alguns anos, andava eu pelo 10.o ano, entrevistei o professor Agostinho da Silva para a cadeira de Jornalismo. A minha mãe, que dava consultas perto do Príncipe Real e o via, antes de começar a trabalhar, quase todas as manhãs no café, pediu-lhe o número de telefone para que o seu filho o contactasse. Assim fiz e assim aconteceu um encontro que guardarei comigo para sempre.

Falámos da liberdade, que para Agostinho da Silva era a libertação do homem de si mesmo, e da natureza muito própria do português, indispensável para o zénite de uma vida pessoalmente realizada. Num ponto de vista mais terreno, salientaria a actualidade do que disse sobre o endividamento e os problemas que daí adviriam quando se descobrisse que não haveria modo de o pagar.

Passam, no início deste mês, 21 anos sobre o falecimento de Agostinho da Silva, um homem que, para a maioria dos que se recordam dele, não passou de um velhote simpático com barbas brancas que dizia coisas engraçadas mas irrealizáveis. Ou antes, difíceis, por opostas ao facilitismo que é, não direi desistir porque há quem não tenha sequer tentado, não impor a si mesmo a magnitude da sua essência.

Às tantas disse ele: “O que é preciso é não enjoar a bordo, até porque o balanço do navio vai ser uma coisa linda! E como é que nos aguentamos? Disse bem. Se perguntamos a um marinheiro, o marinheiro diz: ‘A única maneira é olhar para o horizonte.’ Então teremos de ter um horizonte em terra. Qual pode ser? O ideal que tivermos em vida. E assim nos mantemos.”

sócrates, o PS e o realismo mágico

O meu texto de ontem no Observador.

‘Começo por me penitenciar – antes que a justificada fúria dos leitores se abata sobre mim – por associar Sócrates a um género literário (o realismo mágico) perfeitamente respeitável, que deu dois prémios Nobel da literatura ao mundo e prazeres literários em abundância a milhões de ávidos leitores (eu incluída). Não há perdão por tão mau uso de boa literatura.

Mas eu teimo, afinal o ex-primeiro-ministro (e o PS) pretende por estes dias fazer-nos crer na normalidade dos atos mais absurdos e improváveis. E as pessoas que deles desconfiam são gente mesquinha, invejosa dos estilos de vida mais caros e vistosos, plenos de ressentimento perante o retumbante sucesso político de Sócrates (de modo nenhum o autor da bancarrota de 2011 e o presidenciável preferido de muito bom socialista).

Vejamos. Um ex-pm que vive faustosamente com dinheiro proveniente de empréstimos estratosféricos de um dedicado amigo. Empréstimos que foram – como faz o cidadão desprevenido, tanto o que empresta como o que pede emprestado, esperando-se cautelas adicionais num político mediático e com vários casos exóticos, para que desta vez ninguém acusasse de irregularidades – contabilizados, registados, com notas de dívidas emitidas? Claro que não: a amizade é muito bonita e não se contabiliza, ninguém tomou nota de quanto foi emprestado e aparentemente nem Santos Silva nem Sócrates fazem ideia do dinheiro que foi transferido de um para outro. Ah, mas o processo foi transparente, em transferências e cheques, assim em caso de dúvida de datas e montantes era só ir somar as várias tranches, porque quem não deve não teme e que mal faz um amigo emprestar dinheiro a outro? Também não, o dinheiro (perdão, ‘as fotocópias’ e ‘aquilo de que Sócrates gosta muito’) circulava em notas, com entregas feitas por terceiros, ou através da conta do motorista de Sócrates, que passava dinheiro para o patrão ou lhe pagava (num caso extremo de exploração patronal) as despesas da família. Santos Silva, empresário que subiu a pulso e propenso ao lucro, fez negócios imobiliários curiosos com a mãe e a ex-mulher de Sócrates, comprando-lhes apartamentos acima dos valores de mercado.’

O resto está aqui.

Olha olha

brainy
Presidente da República veta lei da cópia privada

«O Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, vetou hoje o diploma sobre “a compensação equitativa relativa à cópia privada”, defendendo uma reponderação legislativa mais conforme a uma adequada proteção dos direitos de autores e consumidores.»

O rublo desvalorizou um bocadinho

Clicar para aumentar a conversa do troll.

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Entrevista a um troll avençado pró-Kremlin. Aviso à navegação: pela causa, há turnos de 12 horas.

Vendedores da banha-da-cobra

snake_oil_ad_by_emptysamurai-d4sm7bi Não deve ser fácil, a vida de um político. Se quiserem ter um mínimo de sucesso na carreira, os praticantes desse mal-afamado ofício têm se sujeitar às mais variadas indignidades, desde passarem a flor da idade a agitar bandeirinhas da agremiação a que se juntaram, a percorrerem o célebre “circuito da carne assada” numa fase da vida em que certamente prefeririam o convívio com os filhos e (se tiverem tido sorte na sua escolha) o cônjuge. Se virem realizadas essas excelsas aspirações, têm de passar os anos que os separarão de um qualquer emprego mais ou menos semelhante a uma reforma a suportar a bajulação dos companheiros de profissão que sonham em substituí-lo, e a satisfazer as mais mesquinhas exigências daqueles que os alçaram ao trono e que lá os mantêm.

Esta deprimente lista nem inclui o pior: tal como uma qualquer estrela pop ou concorrente de um reality show, o seu sucesso depende da sua popularidade junto de pessoas que os conhecem única e exclusivamente dos curtos minutos de exposição televisiva que vão tendo aqui e ali. Não é por isso de espantar que, tal como as celebridades hollywoodescas e as obscuras personalidades que se vão revezando na Venda do Pinheiro, os políticos dos nossos tempos orientem as suas acções por um guião definido e indistinto, com receio de que o mínimo desvio daquilo que deles se espera provoque a censura da multidão espectadora. Resta que, para seu azar, a exibição ininterrupta de indivíduos a produzirem discursos indistinguíveis uns dos outros, longe de fazer nascer na audiência um infinito amor pelas personagens, sugere-lhes apenas a impressão de que “eles são todos iguais” e “dizem o que for preciso para agradar”.

É portanto natural que, quando um qualquer exemplar da espécie surge diante das pessoas como alguém que “diz o que pensa” e “sem medo de ser impopular”, acabe logo sendo objecto de simpatias e dos mais rasgados elogios. Para não ir mais longe no tempo, a popularidade e o prestígio que alguém como John McCain gozou durante muito nos EUA se deve quase exclusivamente à percepção de que se tratava de um maverick sem receio de ir contra o seu partido ou de enfrentar este ou aquele interesse. No Reino Unido, Boris Johnson deve toda a carreira ao ar mal-arranjado que ostenta e à sua propensão para gaffes: merecida ou imerecidamente, os traços pelos quais McCain e Johnson são conhecidos contrastam-nos favoravelmente com os adversários arranjadinhos e ensaiados que conseguem falar sem dizer nada passível de crítica ou concordância.

ZeMaria3 Infelizmente, políticos desse género não abundam, e na maioria dos casos aqueles que parecem possuir essas características não passam disso mesmo: Como os concorrentes do Big Brother que dizem não estar a desempenhar um papel mas “a ser dentro da casa” iguais ao que são “lá fora”, mas que na realidade se limitam a desempenhar o papel de “concorrente que diz ser dentro da casa como é lá fora”, não faltam políticos que parecem não ter medo de ser impopulares, e que fazem desse papel que desempenham a sua forma de serem “iguais” aos “outros”, de “dizerem o que é preciso para agradar”. Portugal, para nosso azar, parece ter-se especializado na produção desta espécie de vendedores da banha-da-cobra que, no fundo, se vendem a si mesmos. Tivemos recente o caso do dr. Vitor Gaspar, que cultivava a sua aparente “falta de jeito” para “comunicar” e que dessa forma parecia diferente do resto da classe política, e que sob a capa de “não ter medo de ser impopular” e assim levar a cabo “medidas necessárias”, mudou tanto quanto possível na medida em que deixou tudo na mesma ao mesmo tempo que construiu para si uma reputação de possuidor de uma “coragem” que, na realidade, nunca demonstrou. Antes dele, já Cavaco Silva vivera do mesmo truque, e com consequências bem mais graves, José Sócrates tomou de assalto (meço bem as palavras) o país.

Ao que parece, estes exemplos não bastaram para que os portugueses aprendessem a lição e emendassem os erros. Vinda de uma destacada subalternidade ao dr. Gaspar, Maria Luís Albuquerque chegou a Ministra das Finanças e prepara-se para tentar, num futuro mais ou menos próximo, atingir patamares ainda mais altos. Os comentadores do Eixo do Mal, com a sobranceria e falta de juízo que não se cansam de exibir, acharam por bem gozar com uma eventual escolha de Maria Luís (nome artístico) para a liderança do PSD. Trata-se, asseguraram todos, de um “erro” enorme do PSD, pois conduziria, dizem, a uma derrota estrondosa nas eleições legislativas.

Ora, pelo contrário, Albuquerque é precisamente mais um exemplo de alguém extraordinariamente hábil nessa arte de parecer não ter medo de ser impopular, de parecer ter coragem, de vender de si uma imagem construída e falsa de quem não está a tentar vender de si uma imagem construída e falsa. Sendo claramente uma mulher inteligente e hábil, sabe debater com qualquer potencial adversário, o que, juntamente com o ar duro que ostenta, ajuda a confirmar na cabeça do eleitorado a ideia de que se trata de alguém sem medo de “enfrentar” o que quer que deseja e disposta a “fazer o necessário”. Mas basta olhar para a prática em vez da retórica para perceber como a política de Albuquerque denuncia o carácter enganador e fraudulento da imagem que ela quer passar de si própria: como Gaspar antes de si, Maria Luís não fez mais do que adoptar uma postura de quem faz “reformas”, e seguir uma política que nunca enfrentou os interesses instalados daqueles que a poderão apoiar na sua escalada política. Também eu acho que será um gigantesco “erro” do PSD escolher Maria Luís Albuquerque para sua futura líder, mas não por pensar que ela conduziria inevitavelmente a uma derrota eleitoral; seria um “erro”, precisamente porque Albuquerque tem características que lhe podem permitir ser extraordinariamente bem sucedida numa corrida eleitoral, mas que fariam dela (como já hoje fazem) uma péssima governante. A plausível eventualidade de não haver alternativas melhores não nos deve levar a esquecê-lo.

Leitura dominical

O que eles inventam, a opinião de Alberto Gonçalves no DN.

Não importa que as diferenças que as separam (a imigração, só e só até certo ponto) sejam muito menos do que as semelhanças (a aversão ao capitalismo, à liberdade, aos EUA, a Israel e no fundo ao Ocidente em geral): ao contrário das vitórias ou meias-vitórias da extrema-esquerda, que prometem sempre regenerar a Europa, as vitórias ou meias-vitórias da extrema-direita ameaçam sempre destruir a Europa.

Porém, este nem sequer é o maior mistério com que se deparam os infelizes que seguem a actualidade pelos “telejornais”. Enigma a sério é o facto de os eleitores inquiridos nas televisões jamais terem votado no partido “racista” e “xenófobo” que acaba de conseguir vinte ou trinta por cento nas urnas. Veja-se por exemplo o recente caso francês, no qual cada transeunte surgido nos noticiários se mostra preocupadíssimo com a ascensão da Frente Nacional, aliás iminente para aí desde 2002. Onde estão os cidadãos que possibilitaram a dita ascensão? À semelhança do Yeti, nunca ninguém os viu, ou se os viu é incapaz de provar a respectiva existência.

Das duas, uma: ou os simpatizantes da FN habitam em catacumbas, saindo à luz do dia exclusivamente para depositar o voto, ou todos os actos eleitorais favoráveis à extrema-direita são uma gigantesca fraude, que por insondáveis motivos as autoridades deixam passar impune. Também há a hipótese de boa parte do jornalismo andar de rastos, mas isso já me parece demasiado rebuscado.

Um beco com saída

Talvez assim Merkel perceba o seu erro: Negociações entre Atenas e credores estão num beco sem saída

Participantes nas negociações entre Atenas e os credores internacionais afirmam que a lista de medidas prometida pelo Governo grego é vaga, não em credibilidade e não é escrutinável.

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Recordar o que foi escrito sobre o Syriza

Dois meses depois da vitória eleitoral do Syriza, é uma boa altura para recordar algumas das enormidades escritas sobre o partido. O João Miranda começa, e muito bem, pelos disparates escritos por Miguel Esteves Cardoso sobre o Syriza.

Leitura complementar: Da espiral recessiva aos cantos do Syriza; Razões para ter esperança no Syriza; O socialismo europeu e o Syriza.

O ruidoso silêncio sobre a tragédia socialista em curso na Venezuela

Vargas Llosa lamenta el silencio de América Latina ante Venezuela

El escritor peruano también reprochó el silencio de otros Gobiernos latinoamericanos. “Es natural que Cuba o Nicaragua no protesten, ¿pero cómo se puede explicar o aceptar que Gobiernos que han nacido en elecciones democráticas se nieguen a condenar al Gobierno venezolano y a mostrarse activamente solidarios con los millones de venezolanos que solo quieren para Venezuela lo que tenemos en nuestros países? Perú, Chile, Colombia, Uruguay: ¿dónde están las protestas de esos Gobiernos, cómo es posible que miren para el otro lado y actúen en complicidad con quienes están destruyendo a Venezuela convirtiéndola en una segunda Cuba?”, cuestionó.

“A través de ustedes, a todos los resistentes venezolanos les pido perdón por esa inconducta de los Gobiernos democráticos latinoamericanos, por sus muy débiles convicciones democráticas cuando no una secreta complicidad con la dictadura venezolana. Cuenten con nosotros, movilicemos a las conciencias sensibles de nuestra América, que son muchas, tan mal representadas por esos Gobiernos incapaces de mostrarse a la altura de esa democracia que los ha llevado al poder”, añadió Vargas Llosa.

Revolução francesa

O meu artigo de hoje no Diário Económico.

Revolução francesa

A França tem sido muito criticada pela sua imobilidade económica e política. É muito comum dizer-se que os franceses estagnaram perante os desafios que os assolam há vários anos. Paralisados, entorpecidos com a crueldade de um mundo que não se revê neles, os franceses enfiaram a cabeça na areia e ignoram o que se passa à sua volta, mesmo quando dentro das suas fronteiras. Mas isso já não é verdade.

Pelo menos desde há uns tempos a esta parte, a França está a reagir. E o rumo dessa reacção tem tanto de interessante quanto de relevante para o debate político português. Na verdade, a cultura política do nosso actual regime, e da geração que o moldou à sua imagem e semelhança, deve muito da sua essência à experiência, percepção e modo de pensar francês.

São vários os exemplos dessa mudança, desde as continuadas provocações de Éric Zemmour que culminaram com a publicação, em 2014, do seu último livro, Le Suicide français, no qual o autor culpa a geração de 68 pelo declínio do Estado francês e pelos problemas sociais, e raciais, que assolam aquele país. Mas também o filósofo Alain Finkielkraut com as suas críticas ao relativismo, ao progressismo e, novamente, ao Maio de 68.

A revista Le Point, cujos editoriais do seu director Franz-Olivier Giesbert têm um forte pendor liberal, fez há semanas primeira página deste assunto. Não se limitou a referenciar os líderes mais mediáticos deste fenómeno, mas apresentou outras individualidades que fazem a nova geração, bem como outras tendências dentro do, podemos defini-lo assim, movimento. Porque é disso que se trata: de uma verdadeira deslocação do discurso político francês para a direita.

Os partidos de direita, neste caso a UMP e o UDI, este fundado há pouco mais de dois anos por Jean-Louis Borloo, ainda não encontraram a melhor forma de integrar no seu discurso político o novo pensamento da direita. Mas será uma questão de tempo. O certo é que a força motora do debate político francês já não se joga à esquerda. A França do Maio de 68 acabou.

Não se espere, no entanto, grande originalidade. Afinal, trata-se da França especialista em revoluções que, sabemos também por experiência própria, mudam pouca coisa ou quase nada. Tirando alguns sector mais liberais, os intelectuais franceses que estão a levantar a voz em nome da direita, apelam ao conceito de um Estado forte que se imponha a todos.

As consequências em Portugal são evidentes, pois muito brevemente a esquerda portuguesa ficará politicamente órfã. Talvez por isso, o que se passa em Paris não seja notícia em Lisboa, o que revela o quanto esta nova realidade afectará o nosso regime. Aliás, se há político francês que interessa seguir é Manuel Valls. É que, ou o PS de António Costa deriva à esquerda, ou o líder do PSF é um bom prenúncio das escolhas ingratas que terão de ser tomadas no Largo do Rato.

Palavras e ventos de paz

IRAN-TURKEY-DIPLOMACY-KHAMENEI-ERDOGAN 

Turkey’s Erdogan says can’t tolerate Iran bid to dominate Middle East

Turkish President Tayyip Erdogan accused Iran on Thursday of trying to dominate the Middle East and said its efforts have begun annoying Ankara, as well as Saudi Arabia and Gulf Arab countries.

Turkey earlier said it supports the Saudi-led military operation against Houthi rebels in Yemen and called on the militia group and its “foreign supporters” to abandon acts which threaten peace and security in the region.

“Iran is trying to dominate the region,” said Erdogan, who is due to visit Tehran in early April. “Could this be allowed? This has begun annoying us, Saudi Arabia and the Gulf countries. This is really not tolerable and Iran has to see this,” he added in a press conference.

 

Entretanto, as reformas continuam a ser implantadas a bom ritmo.

Barrigas e peitos de aluguer

O meu texto de ontem no Observador sobre maternidade e amamentação de substituição.

‘A vida moderna está cheia de perigos. Isto é o que deve ter pensado Carrie Bradshaw, a personagem da série televisiva O Sexo e a Cidade, quando, num encontro casual nas ruas de Nova Iorque com um casal de gays, estes lhe propuseram o fornecimento de um óvulo. Queriam ter filhos, de espermatozóides não tinham falta, a barriga de aluguer já estava contratada e Carrie, achavam, produzia óvulos de boa qualidade. A proposta terminou com a entrega a Carrie do cartão de um deles: a escritora que lhes ligasse se afinal resolvesse alinhar.

Bom, tanto pragmatismo no meio da azáfama nova-iorquina tira romantismo à ideia de produção de descendência. Tal como as notícias dos profícuos dadores de esperma que acabam transmitindo o seu sorriso a largas dezenas de filhos. Ou a clínica de esperma dinamarquesa que tem exportado ‘bebés vikings’ para todo o mundo. Ou os filhos do esperma anónimo (no caso da Grã-Bretanha, não anónimo) que em adultos vão à procura de quem lhes deu metade do DNA.

Mas, em boa verdade, uma gravidez resultante de um preservativo que se rompeu num caso de uma noite também não é romântica. E um casal com problemas de fertilidade que se dedica mês após mês ao método tradicional de conceção de crianças acaba usando mais teimosia e voluntarismo do que desejo ou romantismo. Mais: o casamento por amor é uma realidade com pouco mais de um século e sempre houve numerosos filhos fora do casamento; não vale a pena exigirmos agora purismos às conceções que quantas vezes ocorreram distantes do ideal.’

O resto está aqui.

 

No Fio da Navalha

O meu artigo de hoje ‘i’.

A defesa da Europa

Foi há poucos dias, e perante a Comissão Europeia, que Manuel Valls apelou a que os 28 países da União Europeia (UE) se unissem e comparticipassem no custo da luta contra o terrorismo. Perante o esforço que o governo francês para fazer frente a esta ameaça, o primeiro–ministro francês chegou mesmo a dizer que “l’armée européenne existe, c’est la France”.

Quem diria. Quem diria há 15 anos que ouviríamos a França falar deste modo, chamando atenção para a necessidade de a Europa financiar a sua defesa. Na verdade, não é só o terrorismo que a ameaça. Os EUA têm outros desafios na Ásia e no Pacífico e a Rússia está novamente a levantar um muro que a separa do velho continente.

Sem esquecermos a Grécia, que, saindo do euro, cairá num limbo para o qual arrastará aquela zona do Mediterrâneo e afastará a Turquia do Ocidente. Não é por acaso que Obama se preocupa com a situação grega e apela a que a UE reconsidere  a cobrança da dívida daquele país.

Aquilo que os europeus estão a começar a perceber é que o guarda-chuva norte-americano já não é suficiente. A Europa precisa de fazer por si. O que cria um desafio militar acrescido, pois implica um aumento da despesa pública, precisamente quando a maioria dos estados europeus estão fortemente endividados. Como é que países com já tão pouca margem de manobra vão financiar o tão necessário armamento, aumentando o orçamento no sector da defesa? Como é que uma Europa atulhada em despesa investe na defesa?

Primavera persa, parte enésima

Youness Asakeree

Youness Asakeree

Iranian vendor dies after setting himself on fire

Youness Asakere, an Iranian fruit vendor who set himself on fire in front of the Khoramshahr municipality in protest after his fruit stand was confiscated by authorities, died March 22. His death, and the lack of broader attention by Iranian society, has stirred many questions among activists and analysts on social media.

Os amigos são para as ocasiões

Reforma do Mapa Judiciário

A lista VIP de Pinto Monteiro.

O novo presidente do Sindicato dos Magistrados do Ministério Público (SMMP) ainda não tomou posse, mas lança já uma forte acusação. António Ventinhas diz que Pinto Monteiro não apoiava investigações a pessoas poderosas.

É uma acusação direta ao antigo Procurador-Geral da República Pinto Monteiro.

O recém-eleito presidente do Sindicato dos Magistrados do Ministério Público, António Ventinhas, diz que o antigo PGR não apoiava investigações a pessoas poderosas e que muitos procuradores envolvidos em processos mediáticos enfrentavam processos disciplinares.

Na entrevista à jornalista da Antena 1 Cristina Santos, António Ventinhas afirma que o Ministério Público tem agora mais apoio por parte da Procuradoria. Algo que não acontecia no tempo de Pinto Monteiro.

 

YDreams: uma estória empresarial portuguesa

Porque falhou a YDreams? As explicações de António Câmara

Conta que houve o falhanço de expectativas que não teve a adequada resposta. A conjuntura também não ajudou. Estávamos em 2009 e as expectativas de vendas chegaram a ser de 20 milhões de euros. Estava tudo contratado e adjudicado. Principal cliente: o Estado.

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Leitura dominical

Agitação social, a opinião de Alberto Gonçalves no DN.

Exagera-se muito quando se acusa os portugueses de falta de consciência cívica. Só esta semana houve três admiráveis exemplos da nossa apetência para colocar o dedo na ferida, pôr os pontos nos is e repetir clichés. O primeiro foi o Congresso da Cidadania, Ruptura e Utopia, organizado pela Associação 25 de Abril, para pensar o estado do país. Naturalmente, pensou-se que o país vai mal. Entre os participantes, brilharam nomes como Marinho e Pinto (é um único indivíduo), Sampaio da Nóvoa (autodesignado “presidenciável”), o Sr. César dos Açores, o penteado de Paulo Morais e aquele rapaz do partido Livre. Melhor é difícil. Mas não impossível: o tal Dr. Nóvoa confessou dever a Abril tudo o que é (?) e declarou chegado “o tempo da coragem e acção”. Garcia Pereira, aplaudido com entusiasmo, mostrou–se contra a prisão de José Sócrates. E Vasco Lourenço, promotor da coisa, exigiu a “autoridade moral de quem nos dirige” e prometeu pela enésima ocasião nova insurgência, armada ou não. Em suma, ou o povo desata a votar nas sugestões deixadas pelo Congresso da Cidadania, Ruptura e Etc., ou o povo será endireitado à força. Se a democracia não aprendeu os democráticos valores de Abril, a democracia precisa assaz compreensivelmente de uma lição.

O segundo exemplo de indignação justa prende-se com o movimento Não Tap os Olhos, trocadilho que diz tudo e que só por si merecia um prémio de criatividade. O movimento juntou no Coliseu dos Recreios artistas que se opõem à privatização da companhia aérea. Uma fadista explicou que a TAP não pode ser privatizada porque é um “valor de bandeira”. Um fadista esclareceu que a TAP não pode ser privatizada porque um cunhado dele trabalhou lá. Carlos Mendes, Jorge Palma e Sérgio Godinho desfilaram sucessos. Maria do Céu Guerra cometeu a leitura de um poema. António-Pedro Vasconcelos falou em “delapidação do património”, ficando por apurar se se referia ao património da TAP ou ao dos contribuintes que a financiam indirectamente e ao dos passageiros que directamente pagam várias vezes o preço de um bilhete low cost. Certo é que cabe a cada português assegurar que os artistas citados não descem à ignomínia de viajar em empresas estrangeiras. Caso contrário, os artistas juntam-se aos restantes e hipotéticos 75 mil subscritores de uma petição à AR e, de modo a provar que não brincam com o dinheiro alheio, compram a TAP só para eles.

Porém, o maior exemplo de levantamento popular e espontâneo, até pela grandeza da causa, é o menos noticiado. Falo evidentemente do Movimento Cívico José Sócrates, Sempre, com vírgula e tudo. O MCJS,S foi fundado por um reformado da PSP, uma funcionária autárquica, uma antiga professora e o inevitável empresário da Covilhã, cujos filhos andaram, julgo que de livre vontade, ao colo do ex-primeiro-ministro. O grupo convenceu-se de que Sócrates é um “preso político”, encarcerado por um “plano da direita” e mantido fechado por “forças ocultas”. Nem de propósito, respondem com um hino de apoio que inclui versos tão belos quanto: “Liberdade não morre/Nem silêncio pesado/De um povo a entristecer/Por te saber tão magoado”.

Afinal, sob as grilhetas da troika e a opressão reaccionária, Portugal agita-se. E só um desmancha-prazeres diria que, para isto, mais valia estar quieto.