Propaganda mesmo

Fotografia de  Daniel Rocha, Público.

Fotografia de Daniel Rocha, Público.

Entrou-lhe alguma coisa para o olho, pobrezinha.

Pacheco Pereira, as presidenciais e o Observador

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Parece que Pacheco Pereira na última Quadratura do Círculo terá manifestado preocupação por haver colunistas do Observador pouco entusiasmados com a perspectiva de uma vitória esmagadora de Marcelo Rebelo de Sousa logo à primeira volta nas presidenciais.

Percebo que Pacheco Pereira não esteja satisfeito com o panorama que se apresenta nestas presidenciais mas, independentemente disso, já era tempo de ultrapassar vícios antigos e aceitar o pluralismo de opiniões como algo normal e saudável numa sociedade aberta.

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Dúvidas sobre a licenciatura de Sampaio da Nóvoa (6)

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Uma semana depois de terem sido expostas publicamente dúvidas sobre a licenciatura de Sampaio da Nóvoa, o candidato e a sua equipa produziram isto:

Leitura complementar: Dúvidas sobre a licenciatura de Sampaio da Nóvoa; Dúvidas sobre a licenciatura de Sampaio da Nóvoa (2); Dúvidas sobre a licenciatura de Sampaio da Nóvoa (3); Dúvidas sobre a licenciatura de Sampaio da Nóvoa (4); Dúvidas sobre a licenciatura de Sampaio da Nóvoa (5); A direita e as presidenciais: alternativas de voto; Sampaio da Nóvoa e a liberdade: uma relação ambivalente.

“Tino”, o “povo” e a democracia portuguesa

Tino Para mal dos meus pecados, tenho estado, desde que Marcelo Rebelo de Sousa anunciou a sua candidatura à Presidência da República, a preparar um “ensaio” mais ou menos longo sobre a sua campanha e o que ela revela acerca da natureza da política moderna e do estado do país. Foi um grande erro que cometi. Devia ter escolhido, para tema da coisa, a campanha de Vitorino “Tino de Rans” Silva, pois a sua candidatura é de longe o fenómeno mais interessante e significativo desta eleição presidencial.

O debate de ontem na RTP, moderado por Carlos Daniel e Vitor Gonçalves, foi um bom exemplo. Como nenhum outro participante, “Tino” captou a atenção da audiência. Carlos Daniel perguntou-lhe sobre a sua ida a Bruxelas numa acção de campanha, e “Tino” começou a falar dos irmãos que tiveram de emigrar, e que por causa deles quis ir conhecer a realidade dos portugueses que vão trabalhar para outros países; pensava, disse ele, que iria encontrar “meia dúzia”, mas deparou-se com “ruas inteiras cheias de portugueses”, e queixou-se da impossibilidade de muitos dos portugueses habitantes na cidade belga mas recenseados em Portugal votarem nas eleições: “ligam para o Consulado”, presumivelmente para se informarem, “e o Consulado tem telefone e não tem ninguém a atender o telefone”; Carlos Daniel pergunta-lhe “e quem é que responsabiliza por isso?”, ao que “Tino” responde “oh pá, ponham um telefone mas ponham também uma pessoa a atender o telefone”, e a plateia se desmancha a rir e começa a bater palmas. O espectáculo continuou, com “o calceteiro mais famoso de Portugal” a dizer que havia “candidatos que jogam no pelado” (ele próprio, Jorge Sequeira, Cândido Ferreira, Henrique Neto, Paulo Morais) e “candidatos que jogam no relvado” (os outros), e que se “Messi é um grande jogador”, é porque “não dá chutos para longe, está sempre perto da bola”, e “quem está perto da bola está perto do golo” (não sei é uma citação do filósofo Jorge Perestrelo, mas se não é, parece), terminando depois dizendo que “eu também quero estar perto do golo, mas aí, passem-me a bola”, para novo grande gáudio de quem estava a assistir no estúdio.

O melhor, no entanto, estava ainda para vir. Vitor Gonçalves pedia a “Tino” para terminar. Este respondeu-lhe que ainda tinha tempo, e nem sequer ia precisar do “mesmo tempo de alguns aqui”, porque “não venho aqui para intrigalhadas”, e “há uma parte do debate que a mim não me interessa para nada, eu estou aqui e até estou a fazer bonequinhos”. Foi o delírio. Numa simples frase, “Tino” falou por – não duvido – uma parte significativa de quem se deu ao trabalho de assistir ao debate, e por todos aqueles que preferiram ocupar o seu tempo com outras distracções. Quando disse que, no dia anterior ao debate, tinha estado a dormir com um sem-abrigo, e que “os políticos seriam melhores políticos” se “fizessem o mesmo”, Tino apenas reforçou, na cabeça de quem estivesse a ver, a ideia de que só uma “pessoa simples” – alguém que não “um político” – faria e diria algo assim.

Numa campanha que tem sido pobre, e num debate que não destoou dessa pobreza, reacções simpáticas como as que “Tino” mereceu da plateia de ontem não são de espantar. E não foi a primeira vez que algo assim teve lugar. Há alguns dias, “Tino” foi ao Fórum TSF, e não faltaram telefonemas de gente a encorajá-lo, a louvá-lo pela sua iniciativa em candidatar-se, e até a prometer votar nele, por ser uma “pessoa comum” e “uma voz do povo” geralmente ausente das discussões políticas. Dias depois, esteve na TVI24, e o teor dos telefonemas foi semelhante. E por onde quer que faça uma “presença” (afinal, estamos a falar de um ex-concorrente do Big Brother) nesta campanha, “Tino” recebe uma quantidade de abraços e palavras de reconhecimento só superada pela que “o Professor Marcelo” consegue atrair, dando a entender que, à sua escala, “Tino” se prepara para ter um excelente resultado no próximo domingo.

Idealmente, a disputa política eleitoral deve ser uma competição entre diferentes forças partidárias ou candidatos para convencerem o maior número de eleitores da justeza das suas propostas: o que um político deve fazer é explicitar as suas convicções, e procurar mostrar a quem irá votar que elas são melhores para o país do que aquilo os seus adversários propõem. Infelizmente, não é isso que geralmente se passa. Infelizmente, a política transformou-se numa competição entre diferentes forças partidárias ou candidatos que tentam agradar mais ao maior número possível de eleitores, dizendo-lhes, não aquilo em que acreditam, mas o que julgam que esses eleitores querem ouvir. O resultado é aquele a que temos tido o azar de assistir: sentido a necessidade de nunca confrontar o eleitorado com propostas que o possam desagradar, os candidatos a cargos públicos escondem aos eleitores medidas impopulares que as circunstâncias (e a falta de vontade de realizar verdadeiras reformas) acabarão por tornar necessárias; quando a execução dessas medidas não pode mais ser adiada, os eleitores sentem-se enganados, e portanto menos dispostos a confiar nos políticos e nos “sacrifícios” que estes lhes exigem, o que por sua vez faz com que os políticos sintam uma ainda maior necessidade de esconder esses “sacrifícios” aos eleitores, num ciclo vicioso do qual parece ser impossível sair.

Esta transformação da política de uma competição de propostas numa competição de mentiras, e a percepção generalizada, por parte da população, de que “eles são todos iguais” e “não querem saber do povo para nada”, criou um terreno fértil para que esse “povo” tenha uma enorme simpatia por quem quer que apareça a “ser diferente”, e a dizer algo que que as pessoas sintam dizer respeito às suas vidas, e não apenas às “intrigalhadas” que enchem os telejornais e “o saco” do português comum. Já “Tino”, com as suas tiradas e até na demonstração da sua completa e visível inadequação ao palco político, representa mesmo a opinião de uma parte mais ou menos significativa dos portugueses; exprime efectivamente a mais ou menos mítica “voz” do “povo”, no seu melhor (quando, questionado por Vitor Gonçalves acerca de “qual é a qualidade que mais aprecia e a característica que mais deplora no ser humano?”, Tino diz que o que mais gosta é “ter saudades de casa” e que o ser humano devia “poder dar às asas para voar mas ter sempre alguém à espera”, e o que mais deplora é “fechar as portas a quem quer que seja”; ou quando, referindo-se ao facto de Cândido Ferreira ter dito que tratava “António Costa por tu”, se virou para Marisa Matias e disse “a partir de hoje trato a Marisa por tu”, é impossível não achar o homem adorável), e no seu pior (quando disse que os políticos deviam, “em vez de falarem de milhões”, falar “do zero”, “porque o zero é o ponto de partida e se soubermos onde estamos sabemos para onde podemos ir, e com isso a economia ia ganhar”, uma inanidade inqualificável que talvez passe por profundidade nos cafés de Rans mas que demonstra como o senhor tem pouca noção das coisas).

A simpatia que “Tino” tem conquistado é a maior condenação do estado a que o sistema político português chegou: é o reflexo de um número cada vez maior de portugueses confiar cada vez menos nas palavras de quem lhes pede um voto, ao ponto de se sentirem mais próximos de alguém que, mesmo não fazendo grande sentido, ao menos é “genuíno”. Que ninguém duvide: cada voto que “Tino” tiver no próximo domingo, quer daqueles que votaram nele meio a gozar e por exasperação com as alternativas disponíveis, quer os que genuinamente se revêem na sua simplicidade e “sabedoria popular”, será um voto de desconfiança na democracia portuguesa e em quem a tem conduzido. Por “Tino” ser uma figura essencialmente benévola e por não ter grande capacidade para explorar demagogicamente o sentimento de repulsa para com os políticos, desta vez o estrago não será grande. Mas talvez um dia apareça alguém com maior talento demagógico para cavalgar na onda populista que torna possível o fenómeno “do Tino”, e aí a cantiga será outra.

notícias da geringonça: faqueiros, notas e sucesso escolar

O meu texto de hoje no Observador.

‘A geringonça funciona em velocidade de cruzeiro. À moda das geringonças, bem entendido. Podíamos exemplificar com as atividades do ministro Santos Silva, pessoa reconhecidamente encantadora, que achou que era a época adequada para gastar cerca de cem mil euros num faqueiro de prata e mais de cinquenta mil euros num serviço de porcelana oficial. Afinal os contribuintes existem mesmo para isto: suportar gastos sumptuários do estado, incluindo em alturas de austeridade (para os contribuintes) – como os socialistas costumam dizer nestas ocasiões, não sejamos miserabilistas nem invejosos, o que são cento e cinquenta mil euros?, há a dignidade do estado a manter, e além de tudo o resto o toque da prata portuguesa é bem mais apelativo do que o do aço inoxidável.

Também poderia referir as sua investigação de sonho: a experiência sociológica de assistir a um concerto do Tony Carreira. Possivelmente esta alternativa estava empatada com o estudo dos hábitos de antropofagia de alguma tribo recôndita da Amazónia, mas o amor do ministro à pátria é tanto que escolheu os ignaros que vão aos concertos de Tony Carreira e até ponderou – imagine-se – misturar-se por umas horas com eles.

Mas valores mais altos – critérios de geringonça – se levantaram. O ministro da educação Tiago Brandão Rodrigues causou-me o que à vista exterior se poderia caracterizar como ataques de nervos ao perceber a que irresponsável político está entregue nos próximos anos a escolaridade dos meus filhos (agora nos anos impressionáveis do primeiro ciclo).’

O resto está aqui.

Em 2016 a vergonha é de esquerda

O meu artigo no Diário Económico de hoje.

Em 2016 a vergonha é de esquerda

Marcelo Rebelo de Sousa quer ser presidente da República com os votos da direita, mas fingindo-se de esquerda. Espera ganhar contrariando o que aconteceu nas autárquicas de 1989 quando, afirmando-se de direita, perdeu para o esquerdista Jorge Sampaio.

A derrota serviu-lhe de lição e há erros que não quererá repetir. Mas será um erro um político dizer-se de direita? Será que 2016 é igual a 1989? Ou será que, no tempo que medeia entre uma eleição e outra, a falência do modelo de desenvolvimento seguido pelo regime serviu para que aprendêssemos alguma coisa?

Em 1989 a direita tinha vergonha por não ter sido activa na oposição ao Estado Novo. Além disso, a social-democracia impunha o Estado como coadjutor do desenvolvimento do país e poucos se importavam com os défices das contas públicas e as consequências que adviriam do endividamento do Estado. Ora, a realidade em 2016 é muito diferente. Não só o socialismo pôs em causa a sustentabilidade financeira do Estado, como qualquer culpa que a direita pudesse sentir anteriormente não existe agora.

Em 2016, a maioria dos eleitores de direita nasceu perto ou depois do 25 de Abril. A minha geração não tem qualquer complexo de inferioridade por ser de direita. Da minha parte afirmo e repito as vezes que forem precisas: não peço desculpa por ser de direita, por acreditar no mercado livre, por considerar que o intervencionismo e dirigismo económico do Estado é nocivo para as pessoas e que a defesa das liberdades individuais passa pelo fortalecimento dos laços que esses mesmos indivíduos vão estabelecendo uns com os outros, seja através da família ou das relações profissionais, de amizade, associativas e até mesmo de vizinhança. Não me constrange defender que a luta pela liberdade passa por um maior controlo e fiscalização do exercício do poder público.

Essencialmente, não tenho de pedir autorização a cúmplices de regimes comunistas, nem a quem já levou o Estado à bancarrota e se prepara para repetir a façanha, para dizer ou escrever o que penso. Na verdade, nunca fiz o que Marcelo faz em 2016. Porque das duas, uma: ou Marcelo tem medo de dizer o que pensa ou não pensa nada. Não tem programa. Qualquer uma das possibilidades é impensável nos dias que correm; inadmissível para um eleitorado que os acontecimentos dos últimos anos deveria ter tornado exigente.

Marcelo até pode ganhar à primeira volta. O problema vem depois. Embaraçado na teia que ele próprio armou, Marcelo ver-se-á preso pelo que não disse, porque nada se espera dele que não seja silêncio. A estratégia pode ser boa para ganhar a presidência, mas é má para exercê-la. Principalmente, quando, e ao contrário do que por aí se diz, o próximo Presidente vier a ter um importante papel nos equilíbrios políticos que se vão criar daqui por diante.

O zingarelho

kafka2Eu, no Diário económico de hoje

Grande parte do problema da baixa produtividade de que padecemos é explicável pela falta de capital. Não é por acaso que há pouca absorção de doutorados pelas empresas ou que, sendo os portugueses que, na Europa, passam mais tempo no local de trabalho, menos produzem.

Adenda: já sei a réplica que alguns vão experimentar. Força nisso, a tréplica já está escrita

 

Colónia e o mulherio perfumado e descascado

Sami Abu-Yusuf, o imã da mesquita Al Tawheed, situada nos arredores da cidade alemã de Colónia.

Sami Abu-Yusuf, o imã da mesquita Al Tawheed, situada nos arredores da cidade alemã de Colónia.

Estão avisadas, mulheres. Para não serem violadas. só têm de cumprir os preceitos do senhor Sami Abu-Yusuf.

Warning women against “adding fuel to the fire”, the Imam of a Salafist Cologne mosque has said the victims of the New Year’s Eve attacks in that city were themselves responsible for their sex assault, by dressing inappropriately and wearing perfume.

Speaking to major Russian channel REN TV, Imam Sami Abu-Yusuf’s remarks came during a 12 minute segment bringing Russians up to date with the latest developments in the migrant invasion of Europe. Sandwiched between eyewitness-footage of migrantrampages in Cologne, women being sexually assaulted by apparently Arab gangs, and a segment on a surge of interest in self defence courses in Germany the Imam told the interviewer: “we need to react properly, and not to add fuel to the fire”.

Explaining in the view of Salafist Islam why hundreds of women found themselves groped, sexually assaulted and in some cases raped by gangs of migrant men in cities across Germany the Imam said: “the events of New Year’s Eve were the girls own fault, because they were half naked and wearing perfume. It is not surprising the men wanted to attack them. [Dressing like that] is like adding fuel to the fire”.

Dúvidas sobre a licenciatura de Sampaio da Nóvoa (4)

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Vida académica e pessoal embaraçam Nóvoa

(…) Sampaio da Nóvoa foi desafiado pelo adversário Cândido Ferreira a esclarecer como obteve a licenciatura com o curso Formação de Professores de Educação Pela Arte, na Escola Superior de Teatro e Cinema de Lisboa, e o médico não desiste de obter respostas.

“Vou solicitar ao Ministério da Educação que esclareça com urgência e em tempo útil a validade da referida licenciatura do professor Sampaio da Nóvoa, para que dúvidas não subsistam sobre a sua idoneidade”, afirmou ao CM Cândido Ferreira. Já fonte da Escola Superior de Teatro e Cinema explicou que o curso já não existe e que na década de 70 não conferia o grau de licenciatura.

Leitura complementar: A direita e as presidenciais: alternativas de voto; Sampaio da Nóvoa e a liberdade: uma relação ambivalente.

Dúvidas sobre a licenciatura de Sampaio da Nóvoa (3)

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O candidato presidencial Cândido Ferreira anunciou hoje que vai requerer ao ministério da Educação esclarecimentos sobre a validade da licenciatura de Sampaio da Nóvoa, justificando com a recusa do também candidato a Belém em fornecer respostas “válidas”.

Cândido Ferreira voltou a exigir explicações ao ex-reitor da Universidade de Lisboa, alegando que “continua a não existir prova” de que o curso superior de Teatro (1973-1976) tenha sido “equiparado a licenciatura” tal como Sampaio da Nóvoa “afirma na página 103” do seu livro Política de Vida.

“Também ao contrário do que o candidato afirma, não está provado que alguma vez tenha concluído esse curso, que é de quatro anos, sendo certo que bastaria a apresentação do respetivo diploma”, frisou o médico e ex-presidente da federação de Leiria do PS.

“Das duas uma, ou é feita prova em contrário e eu aceito que possa haver qualquer confusão ou então compete ao ministério da Educação dizer como é que é”, disse Cândido Ferreira à agência Lusa, à margem de um visita ao concelho de Cantanhede, distrito de Coimbra.

“Agora, não pode é haver dúvidas sobre rumores que têm vindo a surgir insistentemente e que denotariam uma falta de caráter que é incompatível com a função de Presidente da República. Acho que o professor Sampaio da Nóvoa deve estar agradecido por poder explicar ao país esta situação e provar que aquilo que escreveu no seu currículo, nos livros que tem vindo a publicar, nas entrevistas que tem vindo a dar, é verdade”, afirmou.

Cândido Ferreira defendeu ainda que os currículos dos candidatos a Presidente da República deviam ser “altamente escrutinados”, mas que em Portugal o hábito consiste em eleger as pessoas “e depois no fim é que rebentam os problemas”.

Leitura complementar: A direita e as presidenciais: alternativas de voto; Sampaio da Nóvoa e a liberdade: uma relação ambivalente.

Leitura dominical

Qualquer coisa que não seja de esquerda, a crónica de Alberto Gonçalves no DN.

É um disparate achar-se que o governo só atende a ordens do PCP. E do Bloco de Esquerda. E dos sindicatos. E de economistas gregos. E de visionários bolivarianos. E de astrólogos devidamente habilitados. Ao que tudo indica, o governo também obedece a comentadores de futebol.

Veja-se o caso do popular Eduardo Barroso, o qual tem o poder de anular decisões do ministro da Saúde. Este havia feito determinados convites para a direcção de um hospital lisboeta. Por razões decerto imperiosas, as escolhas não agradaram ao dr. Barroso, pelo que, segundo os jornais, o ministro naturalmente voltou atrás e optou por nomes simpáticos ao fervoroso adepto do Sporting.

Daqui em diante, é de admitir que algumas decisões governamentais aguardem pelo aval de Rui Santos, daquele sujeito forte que gosta do Benfica e de dizer “Ó Sousa Martins!” e do rapaz do Porto que canta numa banda de tributo aos Pearl Jam. Desde que, escusado acrescentar, todos possuam competências técnicas reconhecidas, como uma relação de parentesco com Mário Soares ou assim.

A palavra final a Ana Catarina Mendes, senhora vista com assiduidade nas imediações de António Costa: “O PS mostrou em apenas um mês que é possível governar de forma diferente.” Se alguém conseguir desmentir tamanha evidência merece um lugar no Conselho de Ministros ou no Trio d”Ataque.

Dilemas progressistas do “tempo novo” (2)

Transgender women ‘attacked in the street’ by north African teenagers in Germany

Three teenagers have been arrested after two women said the youths attacked them when they realised they were transgender

Dilemas progressistas do “tempo novo”

A escolha de Sofiactivista. Por José Diogo Quintela.

Sucede que os bandos de predadores sexuais coincidem com os grupos de pobres refugiados. O que faz com que as mulheres vítimas de ataque coincidam com os membros da sociedade ocidental que, de forma preconceituosa e apesar da galderice da indumentária que indicaria outra disposição, se recusaram a participar no divertido pagode multicultural.

E agora? Ou o activista pugna pelos refugiados e é machista, ou pugna pelas mulheres e é racista. Que discriminador discriminar? Julgo que a forma justa de desempatar é descobrir quem emite menos CO2. Caso persista o empate, é decidir pelo grupo que tem maior rácio de vegans.

Devemos ter compaixão. Não pelas mulheres, que não tinham nada de estar ali a provocar. Nem pelos emigrantes, que exageraram na intensidade dos rituais de acasalamento. Compaixão pelos activistas, forçados a uma escolha que os traumatizará para sempre. Os militantes politicamente correctos jamais olvidarão o dia em que foram obrigados a optar por um histerismo e a renegar outro. Essa data viverá para sempre na infâmia. Impossível esquecer a Mágoa de Colónia.

Dúvidas sobre a licenciatura de Sampaio da Nóvoa (2)

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Cândido Ferreira desafia Nóvoa a esclarecer percurso académico

Falando na Universidade de Aveiro, onde hoje foi recebido pelo respetivo reitor, Manuel Assunção, Cândido Ferreira disse não estar a fazer acusações, mas sim perguntas, a que o candidato Sampaio da Nóvoa deve responder para que “não fique a suspeita de qualquer mácula sobre o seu currículo académico”

“Faço perguntas, baseado em rumores que têm vindo a surgir desde há dois meses, que não foram respondidos, e perante as dúvidas que suscita o livro que o próprio candidato assinou”, declarou referindo-se ao autobiográfico de Sampaio da Nóvoa intitulado “Política de Vida”.

Hoje mesmo a candidatura de Cândido Ferreira lançou uma “Nova carta aberta a Sampaio da Nóvoa”, em que o confronta com dúvidas sobre a sua carreira, alegando que o curso “Formação de Professores de Educação pela Arte”, que Nóvoa terá frequentado na Escola Superior de Teatro e Cinema, “não confere licenciatura” e que o certificado obtido “apenas o credenciou enquanto professor primário”.

Pergunta ainda como é que, “aparentemente sem qualquer outra licenciatura, terá conseguido obter as equivalências na Suíça, que lhe permitiram frequentar um curso pós-graduado e ascender na carreira universitária”, sendo que “terá tido acesso à cátedra, sem que a sua tese estivesse reconhecida por qualquer universidade”.

Leitura complementar: A direita e as presidenciais: alternativas de voto; Sampaio da Nóvoa e a liberdade: uma relação ambivalente.

Como votará a direita nas presidenciais?

O meu artigo de hoje no Observador: A direita e as presidenciais: alternativas de voto.

Em 2006, nas últimas eleições presidenciais em que não havia um incumbente, mais de 61% dos eleitores inscritos votaram. Veremos quantos votarão no próximo dia 24 de Janeiro.

Miguel Pinheiro é o novo director do Observador

Miguel Pinheiro será o novo director do Observador, substituindo David Dinis que passa para a TSF, depois de ter feito um excelente trabalho no Observador, em especial na sua rápida afirmação como referência no âmbito dos temas de política nacional.

Creio que o projecto fica em boas mãos com a passagem para o Miguel Pinheiro, a quem desejo o maior sucesso nas funções, continuando o muito que está bem e, se possível, melhorando o que pode ser melhorado.

O chavismo é um sinal de mudança que dá força para seguir a mesma linha

Maduroinfo

A revolução encontra-se numa fase que exige cada vez mais formação nos valores de Chávez, no combate diário nas ruas, criando, construindo e fazendo a revolução. Depois aparecem os resultados.

Maduro decreta el «estado de emergencia económica» durante sesenta días en Venezuela

El nuevo ministro de Economía, Luis Salas, ha anunciado que el Ejecutivo podrá dictar «las medidas económicas que considere convenientes», saltándose el poder otorgado a la mayoría opositora de la Asamblea

El Gobierno de Nicolás Maduro ha declarado este viernes el «estado de emergencia económica» en Venezuela para enfrentar la «guerra económica» que supuestamente sufre el país caribeño orquestada desde sectores de la derecha nacional e internacional. La Asamblea Nacional tendrá ocho días a partir del lunes para analizar el decreto.

«El Ejecutivo nacional podrá dictar las medidas que considere convenientes. Podrá asignar recursos extraordinarios a proyectos presentes o no en el presupuesto», ha asegurado el ministro de Economía, Luis Salas, en rueda de prensa.

La Gaceta Oficial ha publicado el decreto 2.184 por el cual el Palacio de Miraflores declara el «estado de emergencia económica» en todo el territorio venezolano durante 60 días para contrarrestar «una verdadera guerra económica».

Maduro ha denunciado desde su llegada al poder, en 2013, la existencia de un plan internacional para asfixiar económicamente a Venezuela y provocar así la caída de su Gobierno.

Venezuela sufre desde hace años una crisis económica, agravada por la caída del precio del petróleo en el mercado internacional, que ha desabastecido de productos básicos los comercios y ha disparado la inflación.

Debate sobre as eleições presidenciais no Porto Canal

Mais logo, a partir das 22:30, estarei num Especial Informação no Porto Canal para discutir as eleições presidenciais.

O meu artigo de amanhã no Observador tratará do mesmo tema, focado na perspectiva das alternativas de voto à direita.

Dúvidas sobre a licenciatura de Sampaio da Nóvoa

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Cândido Ferreira tem dúvidas sobre a formação académica de Sampaio da Nóvoa

Na carta aberta dirigida a Sampaio da Nóvoa, o antigo líder da distrital socialista de Leiria explica que o curso frequentado por Sampaio da Nóvoa na Escola Superior de Teatro e Cinema, nos anos 70, não é equiparado a uma licenciatura. Mas não é só isso o que está em causa.

Também há a questão da “conclusão ou não conclusão do curso e como é que alguém que saiu daqui aparentemente sem um curso de repente aparece a tirar um curso superior” na Suíça. Pode ter havido alguma equivalência, mas era conveniente que tudo isso fosse explicado”.

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“Big Show Marcelo”

Marcelo na Cristina

Marcelo a Presidente ou a sabonete? Por Bernardo Ferrão.

Emídio Rangel, mítico diretor da SIC e antes da TSF, disse um dia (de forma metafórica) que uma televisão vende tudo – tanto um Presidente da República como um sabonete.

Marcelo está a levá-lo à letra. Vende-se todos os dias às 8 da noite e nos canais de notícias. E fá-lo melhor do que os outros.

O candidato, e os seus conselheiros, acreditam que as eleições se ganham nas televisões. São elas que informam o grosso dos portugueses. O problema é que as televisões, que hoje passam por dias menos positivos, já não registam os históricos “shares” (audiências) de 50%, como acontecia com a SIC quando Rangel falou dos Presidentes e dos sabonetes. E também não é líquido que a popularidade de Marcelo, construída na tv, se converta em votos de forma automática.

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Gregos descobrem como acabar de vez com a austeridade

TspirasMarisa

E revelam ao mundo um caminho nunca trilhado.

Eurogroup chief Jeroen Dijsselbloem on Thursday said Greece had “fully accepted” that the International Monetary Fund take a role in its third bailout programme despite Athens earlier saying the fund is no longer needed.

“(Finance Minister Euclid) Tsakalotos confirmed to me that the Greek government accepts that the IMF needs to be part of the process,” said Dijsselbloem, who is also Dutch finance minister, as he arrived for talks with his eurozone counterparts.

“It was absolutely clear to him, it was part of the agreement this summer,” he said, referring to Greece’s 86 billion euro ($92 billion) rescue programme.

António Costa declarou que a “Vitória do Syriza é um sinal de mudança que dá força para seguir a mesma linha”

Os bandidos do Podemos

Los diputados «estrella» de Podemos

Un asesor del régimen de Chávez, un ex miembro de ETA y un encausado por agredir a un policía son algunos de los perfiles de los cargos públicos del partido de Iglesias.

Leitura complementar: De Estaline, Hitler, Hugo Chávez,  Kim-jong-un a Pabo Iglésias: o uso dos petizes na propaganda política.

pablo

Keeping up with Marcelo

candidatos Mais por obrigação do que por vontade, assisti a quase todos os debates entre os vários candidatos presidenciais, e a todos aqueles em que participou Marcelo Rebelo de Sousa. Talvez por se achar vários furos acima de todos os seus opositores (e talvez tendo razão), Marcelo disse e repetiu que estaria disponível para todos os debates que quisessem fazer, e pelo menos tanto quanto se sabe, assim foi. De Paulo Morais a Maria de Belém, todos tiveram o seu frente-a-frente com “o Professor”. Mas de todos, o mais interessante (porque mais revelador) foi logo o primeiro, em que Marcelo se sentou à mesma mesa com três candidatos marginais e praticamente desconhecidos: Cândido Ferreira, um médico militante do PS, o palrador motivacional Jorge Sequeira, e Vitorino “Tino de Rans” Silva, que só não é desconhecido porque se tornou famoso como “comic relief” de um Congresso do PS há uns anos.

Cândido Ferreira abriu as festividades com a leitura monocórdica de um discurso escrito, declarando que iria abandonar imediatamente o debate por não estar a ser posto em plano de igualdade com outros candidatos mais relevantes. Seguiu-se Jorge Sequeira, que “acompanhou” as preocupações do candidato leiriense, mas “sem a veemência” do seu predecessor – ou seja, sem abdicar dos seus trinta minutos de fama. O que depois teve lugar foi um autêntico lovefest entre Marcelo e “Tino”: sentados lado a lado, não pararam de tocar no braço um do outro de cada vez que um deles intervinha – sempre com o outro a interjeitar uma qualquer graçola ou elogio -, transformando a discussão numa amigável conversa do tipo que poderiam ter duas pessoas acabadas de se conhecer fechadas numa casa repleta de câmaras para entretenimento dos (cada vez menos)telespectadores com paciência para assistir à coisa.

Assim, este debate acabou por ser um microcosmos da própria “corrida para Belém”: um longo tempo de antena de Marcelo em que até os seus opositores participam, em que nenhuma ideia é discutida mas a sua personalidade é exposta para todos os eleitores verem e admirarem – “uma pessoa normal”, como “Tino” lhe chamou – tão confortável na companhia de Primeiros-Ministros e dignitários internacionais como ao lado de um calceteiro, a compararem alturas e tamanho do pé (felizmente, não abordaram as dimensões de outras partes do corpo), alguém que todos conhecem e com quem estão à vontade. Mas talvez esta familiaridade, de longe a principal força de Marcelo, seja também o seu principal problema.

Como já escrevi, Marcelo é uma espécie de irmã Kardashian ou de Castelo Branco, alguém que entra em nossa casa há anos e no entanto ninguém realmente o conhece.Nas noites de domingo, lá o víamos fazer o seu número, disparando isto ou aquilo sobre a actualidade, mas sempre fazendo de si próprio o centro de tudo. Não fazia comentário político; protagonizava um ‘reality show’ sobre um aspirante a candidato presidencial, que demorou 15 anos a ter o seu desfecho. E agora que parte para uma nova (e mais complicada) vida, não temos ideia do que possa vir a fazer dela. O político que outrora foi, até teve méritos, e talvez – talvez – pudesse ser um bom Presidente. Mas só conhecemos “O Professor” dos domingos à noite, e esse é apenas uma personagem.

Se há crítica que os adversários e críticos de Marcelo têm feito nestes últimos tempos é a de que ele já disse tudo e o seu contrário. Não é verdade: se exceptuarmos os três anos em que foi líder do PSD, em que foi contra a regionalização, e defendeu apolíticas como privatização da CGD ou da RTP, Marcelo anda há mais de quatro décadas a não dizer nada. Nos seus comentários, por entre achegas sobre futebol ou sobre se “a pequena Maddie” será ou não encontrada (Marcelo, “um optimista”, acredita que sim), “o professor” reproduzia declarações de outros que no fundo eram meras opiniões como sendo um facto (veja-se por exemplo, a forma como pegou nas declarações do Governador do Banco de Portugal acerca da saúde do sistema financeiro, aceitando-as acriticamente e agora as vê coladas a si como se tivesse ele próprio analisado a questão), e os seus comentários não passavam de uma análise da “eficácia” com que os “agentes políticos” conseguiam “passar” a sua “agenda”, independentemente dos méritos qualitativos das políticas propriamente ditas: recorde-se como elogiou rasgadamente Nuno Morais Sarmento (outro grande exemplo de como em Portugal o sucesso de alguém é inversamente proporcional à vergonha com que se foi abençoado) pela forma como este foi capaz de propor a privatização de um canal da RTP e depois acabar por criar um outro que não existia até então (a actual RTP3, que o foi sempre mesmo quando o nome era outro) – ou seja, não pela política que propôs, mas pela habilidade com que se safou. O problema do “Professor” não é o de ter muitas opiniões contraditórias, é o de as opiniões que se lhe conhecem ao longo da maior parte dos anos de vida pública que leva serem sobre tudo menos aquilo que interessa. Resta-nos esperar que os 5 ou 10 anos que passará em Belém se assemelhem mais aos três em que foi líder do PSD do que aos quarenta em que foi comentador.

Messi

Por imprudência dos responsáveis do site britânico These Football Times, publico hoje um artigo sobre Lionel Messi, David Foster Wallace e razão pela qual vemos futebol (para grande pena minha, sem o título que originalmente lhe dei, “Messi as Religious Experience”, uma indisfarçada referência ao célebre “Roger Federer as Religious Experience” – algumas das citações, após edição, não ficaram devidamente indicadas com aspas), que para além de tentar descrever a forma como o Barcelona joga, argumenta que “in this media-drowned culture we live in, one simply cannot separate the experience of watching an athlete’s performance from the narrative that is built around him and his persona. One necessarily colors and informs the other. The performance frames the content of the narrative, and the narrative frames our interpretation of what we see. Messi may be “impossible”, but his narrative leads us to believe he is not, without diminishing his greatness in any way. Messi is uniquely able to be simultaneously transcendent and relatable.”

Um optimista, é o que é

kafka2

No Diário Económico

Desde 1850 que vivemos o peak oil, o medo do fim do petróleo e da energia barata que nos permite o nível de desenvolvimento que temos. Esse medo vem, não de certezas científicas mas, da ignorância.

Análises sobre as presidenciais

Artigo publicado hoje no Jornal de Notícias com comentários meus, de André Freire (ISCTE) e de Luís Salgado Matos (ICS): Presidenciais: Governação e crise na campanha.

Também sobre as presidenciais, mas já com alguns dias, aqui fica um outro artigo, este da Lusa, com comentários meus e de António Costa Pinto (ICS): Pré-campanha das presidenciais apagada e contaminada pelas legislativas.

Leitura dominical

Sampaio da Nóvoa é Portugal, a crónica de Alberto Gonçalves no DN.

Apesar de ser apoiada por Eanes, Soares e o outro Sampaio, a candidatura do professor doutor Sampaio da Nóvoa possui inegáveis virtudes. O candidato presidencial médio exibe, no máximo, uma ou duas “causas”. O professor doutor Sampaio da Nóvoa, que evidentemente não compreende o cargo a que concorre, avança com vinte – as quais “podiam ser cinquenta ou cem”, diz ele. Ou oitocentas e sessenta e duas, digo eu. Há “causas” para todos os gostos, da “Cidadania Sénior” à “Cultura”, da “Juventude” às “Alterações Climáticas”, da “Língua” à “União Europeia”, da “Diáspora” ao “Mar”. Faltam, que me lembre, o “Humanismo”, a “Solidariedade”, o “Sol” e as “Bicicletas”.

 

Não faltam dois mandatários para cada “causa”, um de cada sexo porque o professor doutor Sampaio da Nóvoa preza a “igualdade, a igualdade de género, todas as igualdades”. Aqui, temos figuras de peso como a actriz Maria do Céu Guerra, a filha de Adriano Moreira, o pai da medicina António Arnaut, a romancista Lídia Jorge, a viúva Pilar del Río e o especialista em aeronáutica António Hífen Pedro Vasconcelos. Acima de todos, ou ao lado por conta das igualdades, temos a grande pianista Gabriela Canavilhas e o grande sindicalista Carvalho da Silva no papel de “coordenadores de causas”, não fosse alguma “causa” extraviar-se na confusão.

Que mais querem? Dado que no próximo dia 26 tenciono levantar-me tarde, assistir a dois jogos do campeonato turco e dar literalmente banho aos cães, em princípio não poderei votar. Porém, nada me impede de recomendar o voto no professor doutor Sampaio da Nóvoa. Será um bom chefe de Estado? Fora de brincadeiras: será uma anedota sem precedentes (e os precedentes já não eram desprovidos de piada), mas não é isso que deve desmotivar os cidadãos a fintar as sondagens e consagrar o homem. Se a Constituição atribui ao presidente a função de representar a República, julgo que, na infeliz ausência de Fernando Nobre, poucos a representariam com a competência do professor doutor Sampaio da Nóvoa.

Embora as campanhas de quase todos os restantes candidatos sejam realizadas em nome do bom povo, é o professor doutor Sampaio da Nóvoa quem, se calhar sem querer, melhor personifica parte dele. Ele é o vazio das “ideias”. Ele é a jactância dos simples. Ele é a superioridade moral erguida sobre ar morno. Ele é a infantilidade do discurso. Ele é o fervor dos beatos. Ele é a crença primitiva na magia do lirismo. Ele é o sentimentalismo vulgar. Ele é a redução da liberdade a uma palavra que se mastiga. Ele é o suave apelo da loucura. Ele é a parlapatice do feirante. Ele é a irresponsabilidade dos inimputáveis. Ele é a prosápia transformada em prestígio pelos pares. Ele é o radical desprezo pela noção de ridículo. Ele, o professor doutor Sampaio da Nóvoa, é não só certa esquerda: é também certo Portugal.

 

Ninguém, nem sequer o Sr. Vitorino de Rans, conduziria tão cabalmente o país ao destino que o espera. Se, conforme tudo indica, vamos a caminho de nos esborracharmos no chão, merecemos um timoneiro à altura.