A inenarrável TSF e as eleições no Reino Unido

Sempre é melhor do que ter de falar sobre o SMS enviado por António Costa: Telechavismo adolescencial. Por FNV.

A inenarrável TSF, supostamente feita por jornalistas, não escondeu a raiva. Entrevistou um homem da rua desempregado e encolerizado com o resultado, outro apenas desapontado, um terceiro que prefere the devil you know e, por último, um que diz que Cameron fez batota . Só ouvido ( noticiário das 10.00h) , contado não se acredita.
Um tipo fica a pensar que a democracia é mesmo um sistema frágil.

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kafka2Esta semana no Diário Económico escrevi sobre o mesmo assunto que o André Amaral.

Num país onde impera o “capitalismo de favor” ou “capitalismo de estado”, o que é uma “instituição independente”? Num sítio onde tudo depende da vontade do poder político e burocrático podem existir instituições independentes?

O resto aqui

 

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A celebração: “Esta foi a vitória mais doce de sempre!”

Perante os seus colaboradores mais próximos, David Cameron, primeiro-ministro britânico e líder dos Conservadores, celebrou a “vitória mais doce de sempre”. E não esqueceu os críticos.

Diário de imprensa no dia a seguir a uma vitória da direita num dos mais importantes países europeus

Numa reviravolta surpreendente, os Conservadores (único partido inglês a favor da austeridade) ganharam no Reino Unido. Ficam aqui as capas dos 3 principais jornais diários com enfoque em temas políticos. Para efeitos de comparação, podem ver à esquerda a capa do mesmo jornal no dia a seguir à vitória do Syriza na Grécia.

DN

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JN

Agora tirem as vossas conclusões.

No Fio da Navalha

A vitória incompleta

O meu artigo no ‘i’ de hoje.

Faz hoje 70 anos que a Alemanha nazi assinou a sua rendição, que se tornou efectiva no dia seguinte. Oito de Maio é considerado, no Ocidente, o Dia da Vitória, pois, para os soviéticos, essa data foi sendo celebrada, devido à diferença horária, a 9 de Maio.

No entanto, e apesar do grande alívio que representou a capitulação de Berlim, a Europa não se libertou, nessa altura, do jugo das ideologias totalitárias. Se, a oeste, os países europeus recuperaram ou estabeleceram as suas liberdades, não só a nível político e económico, mas também individual, de pensamento e do rumo a dar à sua vida, no leste, a verdade seria outra.

A divisão que se seguiria, o novo conflito a ser travado não significou apenas a condenação de milhões de pessoas a uma vida sem a liberdade mais básica, que é a de poder escolher onde viver, o que fazer, o que dizer e o que pensar. O direito de poder viver com o fruto do seu trabalho. O comunismo, como uma das ideologias mais sanguinárias da história, sobreviveu à II Guerra Mundial porque esta não foi travada para o derrotar.

O comunismo continuou, nos países do leste europeu e noutras partes do mundo, a despedaçar a vida de milhões de pessoas. Até entre aqueles que a este escaparam, muitos não evitaram os seus ditames, vendo-se intelectualmente envolvidos num raciocínio social e económico contra o qual, ainda hoje, longe que vão os tempos das ditaduras, tolhe o entendimento de tantos que, em nome dos mais desfavorecidos, defendem políticas que os prejudicam.

Fernando Alexandre e a luta contra a corrupção no MAI

Não faltam razões para lamentar a demissão de Fernando Alexandre do Governo:

Diretor-geral do MAI alvo de inquérito e demitido (23 de Fevereiro de 2014)

Fonte autorizada do gabinete do secretário de Estado adjunto Fernando Alexandre, que tutela a Direção-Geral de Infraestruturas e Equipamentos (DGIE) – que organizava toda a gestão do património, infraestruturas e equipamentos das polícias -, confirmou ao DN a “perda de confiança” em João Alberto Correia, “proporcional à retirada de competências” de que foi alvo há cerca de uma semana.

Corrupção e maçonaria. Ex-diretor do MAI acusado de 32 crimes (7 de Maio de 2015)

João Correia, ex-diretor-geral de Infraestruturas e Equipamentos do Ministério da Administração Interna foi acusado de 32 crimes de corrupção passiva. Ligações à maçonaria no centro da investigação.

O pai, o filho, a maçonaria e as suspeitas

João, pai, foi grão-mestre do Grande Oriente Lusitano, o maior ramo maçónico português. O filho é membro de uma loja com peso histórico, a 25 de Abril. A sua nomeação para o Ministério da Administração Interna deve-se a outro maçon, também do GOL, Rui Pereira, na altura ministro, que se orgulhava, numa entrevista à SIC, de nunca ter sido “proposto ou nomeado para nenhum cargo por um maçon”.

A maçonaria é um ponto central na vida de João, filho. Integrou o conselho editorial da Revista de Segurança e Defesa, tal como consta do seu currículo, com um restrito grupo de maçons influentes, como Ângelo Correia e o próprio António Vitorino, que há 18 anos acusara o seu pai.

Uns sms são mais importantes que outros

Para o Expresso online interessa dar, aos visitantes, grande destaque ao facto do irrevogável ter-se demitido por sms em 2013 (que, por eufemismo, foi “formalizado” por carta). Sobre o sms-ataque de António Costa à liberdade do jornalista João Vieira Pereira… nada.

Um prémio à brutalidade

AT No pico da violência em Baltimore, o The Marshall Project entrevistou David Simon, o criador da extraordinária série The Wire sobre essa cidade americana, para saber a sua opinião acerca do que estaria por detrás do sucedido, e o estado das relações entre a polícia e a população locais. A dada altura da entrevista, Simon, um antigo jornalista do Baltimore Sun e autor do livro Homicide: A Year on the Killing Streets (sobre o ano que passou integrado na brigada de Homicídio da Polícia de Baltimore, e que daria origem a outra série bastante boa), argumenta que muito da relação conflituosa entre a polícia e a população se deve à forma como a primeira tende a agir de forma abusiva nas detenções, levando para “uma noite ou duas” na esquadra gente que noutros (e segundo ele, melhores) tempos seria deixada em paz, e que essa tendência se deve à cultura de incentivos promovida por quem manda na Polícia da cidade:

How do you reward cops? Two ways: promotion and cash. That’s what rewards a cop. If you want to pay overtime pay for having police fill the jails with loitering arrests or simple drug possession or failure to yield, if you want to spend your municipal treasure rewarding that, well the cop who’s going to court 7 or 8 days a month — and court is always overtime pay — you’re going to damn near double your salary every month. On the other hand, the guy who actually goes to his post and investigates who’s burglarizing the homes, at the end of the month maybe he’s made one arrest. It may be the right arrest and one that makes his post safer, but he’s going to court one day and he’s out in two hours. So you fail to reward the cop who actually does police work. But worse, it’s time to make new sergeants or lieutenants, and so you look at the computer and say: Who’s doing the most work? And they say, man, this guy had 80 arrests last month, and this other guy’s only got one. Who do you think gets made sergeant? And then who trains the next generation of cops in how not to do police work? I’ve just described for you the culture of the Baltimore police department amid the deluge of the drug war, where actual investigation goes unrewarded and where rounding up bodies for street dealing, drug possession, loitering such – the easiest and most self-evident arrests a cop can make – is nonetheless the path to enlightenment and promotion and some additional pay.

Vem isto a propósito da recente notícia de que o Estado atribui 5% do montante obtido pelo Fisco em “cobranças coercivas” a “um fundo que complementa salários dos funcionários” da Autoridade Tributária. Vivemos num país em que o Fisco se comporta de forma arbitrária e tirânica, agindo sem qualquer respeito pelos direitos dos cidadãos; em que a AT/ex-DGCI (ou a Segurança Social) gosta de enviar notificações sobre situações fiscais de incumprimento que não correspondem à realidade do contribuinte ameaçado, na esperança de que ou a incompreensão do que lhe está a ser exigido (o português dessas notificações é deliberadamente ilegível) ou o receio dos custos inerentes a um longo processo no tribunal o levem a pagar sem protestar; em que, na prática, a AT/ex-DGCI declara o cidadão culpado até prova em contrário, e espera que por ignorância ou medo, o coitado admita a culpa ou não tente sequer provar a inocência, e se limite a “pagar e calar”, de forma a que o Estado vá conseguindo amealhar uns tostões aqui e ali para alimentar o “monstro” em que se tornou; em que, como explicou Tiago Caiado Guerreiro numa entrevista que merece ser vista, se abriram o ano passado cerca de mais 16 500 processos por evasão fiscal do que no muito mais populoso território dos EUA, e em que “o Estado comete ilegalidades todos os dias”. Vivemos num país assim, e o Governo, que apoiantes e críticos gostam, em igual medida e com igual falta de razão, de classificar de “liberal”, gosta que vivamos num país em que as liberdades dos cidadãos são brutalmente violadas pelo Estado, pois nada faz, antes pelo contrário, para inverter os incentivos a esse comportamento.

Este “prémio” pago aos funcionários do Fisco premeia essa brutalidade e diz, de forma bem clara, que quem trabalha na Autoridade Tributária deve continuar a violar a lei e a aterrorizar (meço bem as palavras) os cidadãos, e que o devem fazer porque vão pessoalmente lucrar com essa conduta, pois quanto mais se obtiver em cobranças coercivas (levadas a cabo da forma sem critério em que costumam ter lugar), maior será o “complemento” recebido pelos funcionários do Fisco. Como os polícias de Baltimore são incentivados, não a investigar, mas a prender pessoas de forma mais ou menos arbitrária, também os funcionários da Autoridade Tributária são incentivados a cobrar o mais possível a todo e qualquer contribuinte, independentemente dos fundamentos – ou ausência deles – da cobrança em si. Em vez de um sistema fiscal eficaz, continuaremos a ter um sistema fiscal que cobra muito, mas de forma indiferenciada, independentemente das pessoas efectivamente deverem ou não, em parte porque o Estado, através do Governo dos partidos que momentaneamente o ocupam, premeia e incentiva a arbitrariedade e a violência. Que ninguém se espante quando os casos de agressões a trabalhadores do fisco começarem a crescer como cogumelos. Como se viu em Baltimore, e como qualquer pessoa que tenha visto The Wire percebe, a arbitrariedade da autoridade (policial ou tributária) não provoca nada de bom naqueles que a ela estão sujeitos.

Eleições, TAP & Grécia

Como é habitual à terça-feira, estive com o Marco Capitão Ferreira a debater os temas em cima da mesa, desta vez a data das eleições, a TAP e a Grécia.

Ricardo Costa ainda é director do Expresso?

Em título sim, continua a ser o principal responsável daquele semanário. Moralmente, penso que não. Isto ainda a propósito do surpreendente sms que António Costa enviou ao director-adjunto, João Vieira Pereira [JVP].

O irmão de António Costa afirmou na sua conta do Twitter que a resposta de JVP, no seu habitual artigo de opinião (suplemento Economia, página 3), “foi tudo decidido em equipa”. Portanto, decidiram que o sms-ataque foi ao autor e não ao jornalista. E isso não merecia grande destaque…

Julgo, porém, que o Ricardo Costa tenha lido o artigo de JVP antes de ser publicado (já agora, se não compraram o jornal, aconselho que procurem na snack-bar ou pastelaria local e leiam-no). Pequeno excerto (meus destaques):

” (…) assumi o ónus de revelar uma situação que considero um ataque inadmissível à minha liberdade profissional.

(…)

Enquanto jornalista, editor e diretor de jornais escrevi centenas de notícias e outras tantas crónicas. Nunca fui atacado ou me senti tão condicionado por alguém com responsabilidades políticas ou públicas. Nem à esquerda nem à direita.”

Não vejo aqui qualquer posição colectiva do Expresso (“nós”) mas sim uma resposta individual (“eu”). Na minha opinião, perante a leitura de tais palavras, Ricardo Costa teria a obrigação ética e moral de mudar imediatamente a linha editorial da publicação do passado dia 1 de Maio, de forma a não deixar isolado um seu colaborador. Uma resposta forte teria assegurado a todos os colegas jornalistas que não haveria qualquer tolerância a ataques à sua liberdade de expressão e de imprensa, mesmo com potenciais custos familiares. Não o fazendo enviou um claro sinal sobre as suas prioridades.

Quando António Costa foi eleito secretário-geral do Partido Socialista, Ricardo Costa colocou o seu cargo no Expresso à disposição, por possíveis conflitos de interesses. A administração achou que ele conseguiria separar o pessoal do profissional e recusou a oferta. Hoje confirmo que errou naquela decisão.

Ficam, assim, algumas dúvidas: Teria António Costa enviado o sms se o seu irmão não estivesse à frente do Expresso? A resposta do semanário seria diferente caso o remetente do sms fosse outro qualquer político? Qual será a futura linha editorial respeitante a notícias sobre Partido Socialista? Pensa Ricardo Costa que mantém a autoridade para exercer o cargo que ocupa?

O diário de António Costa

Texto publicado hoje no jornal i:

“25 de abril de 2015, de cravo ao peito como todos os “Homens de Abril”, depois de um dia pleno de magníficos discursos entre sonoros vivas e urras à Liberdade, António Costa, a pensar na sua autobiografia, chega a casa, pega na pena e acrescenta no seu “Diário das Legislativas”: 
 
     “Querido diário, saberás que, em tempos, a política foi um exercício digno, próprio de gente séria e culta. Hoje, a coberto de egos insuflados apoiados na confusão entre liberdade de expressão e imunidade de vigarizarão, essa ocupação – sim, a política não é uma profissão! – é degradada por desqualificados incapazes de terem uma opinião e de discutirem as dos outros e que têm de recorrer à promessa vã e reles para preencher o espaço anteriormente preenchido por ilustres. Mas quem sou eu para jugar o caráter de quem nem conheço? 
Como não tenho tempo para me confessar, escrevo estas linhas para não criar ilusões a mim próprio. O teu, sempre, António Costa” 
 
       Seriam estas as linhas de um homem moralmente corajoso e intelectualmente articulado? Provavelmente. Costa não é nada disso. Por isso, em vez de as escrever, enviou um vergonhoso SMS a um jornalista, cuja opinião divergia da sua, procurando disfarçar a sua enorme insegurança com a sua minúscula superioridade moral. Nestes tempos pós modernos, de medo e incerteza, os políticos de carreira são seres particularmente vulneráveis, apenas equiparáveis a divas de Hollywood.

       41 anos depois de abril e da sua apropriação pela esquerda, continuam a aparecer bons exemplares da arrogância esquerdista. Não é de estranhar: Costa deseja um mundo ordeiro, onde todas as vozes falam com igual tom e igual conteúdo, sem discordar do grande líder. Para o caso, faltou-lhe em elegância e  eloquência o que lhe sobrou em arrogância e mau gosto. Para os portugueses, de resto, fica certeza, de que esta gente não aprendeu nada, o que seria patético se não fosse trágico.”

Descoberto mais um inédito do “pai da democracia”

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Os discursos de Passos Coelho, a ajuizada opinião sénior de Mário Soares.

O mundo está perigoso e extremamente difícil. Como antes talvez nunca tenha acontecido. No plano da natureza, com os tufões, os tremores de terra, os incêndios e a queda violenta das águas, como voltou a acontecer no Chile. Mas não só.

As guerras desenvolvem-se em vários continentes com o fundamento em divergências entre as religiões. No Oriente, os muçulmanos não deixam de fazer estragos, e Israel, sob a direção do ditador insuportável e perigoso, Benjamin Netanyahu, radicaliza posições. (…)

É necessário e urgente que os geólogos e outros cientistas intervenham, impondo-se também o apoio dos políticos e dos governantes que queiram defender a Terra contra os mercados usurários.

É preciso combater os efeitos decorrentes das ações agressivas contra a natureza que favorecem fenómenos como o que ocorreu no Nepal, onde morreram até hoje cerca de sete mil pessoas, afetando mais de oito milhões de pessoas. (…)

Fashion victims no Irão

Graças a Deus, os homens criaram a regulação dos cortes de cabelo.

Jagged haircuts have become fashionable among all strata of Iran’s youthful population in recent years, but have divided opinion and been deemed by the authorities as western and un-Islamic.

“Devil worshipping hairstyles are now forbidden,” said Mostafa Govahi, the head of Iran’s Barbers Union, cited by the ISNA news agency.

“Any shop that cuts hair in the devil worshipping style will be harshly dealt with and their licence revoked,” he said, noting that if a business cut hair in such a style this will “violate the Islamic system’s regulations”.

As well as tattoos being banned, solarium treatments and the plucking of eyebrows – another rising trend among young Iranian males – will not be tolerated, the report said.

Mr Govahi blamed unauthorised barbers for offering the spiky hairstyles and other treatments.

“Usually the barber shops who do this do not have a licence. They have been identified and will be dealt with,” he said.

Pior que o SMS de António Costa é o silêncio sobre o SMS de António Costa…

O SMS de António Costa é inaceitável. Por Alexandre Homem Cristo.

Nos últimos anos, muitos casos foram severa e justamente criticados nos jornais e na opinião pública enquanto atentados à liberdade de imprensa. À excepção de um: o SMS de António Costa.

Leitura complementar: Até quando durará o silêncio de Ricardo Costa sobre o sms enviado pelo irmão?; O padrão Estrela Serrano de “regulação” da comunicação social.

Dia de limpezas no Expresso…

Os desqualificados. Por Vitor Cunha.

Leitura complementar: Até quando durará o silêncio de Ricardo Costa sobre o sms enviado pelo irmão?; O padrão Estrela Serrano de “regulação” da comunicação social.

O padrão Estrela Serrano de “regulação” da comunicação social

Se a existência de uma entidade como a ERC numa sociedade livre já é difícil, em si mesma, de justificar, então com os padrões desta escola de regulação independente nem se fala:

Estrela Serrano sobre o sms enviado por António Costa a João Vieira Pereira, director-adjunto do Expresso (1 de Maio de 2015): António Costa e as virgens ofendidas

É bom lembrar que a liberdade de imprensa existe para garantir a liberdade de expressão não apenas dos jornalistas mas também dos cidadãos, sejam políticos ou simples cidadãos. Fazer de virgem ofendida quando se dispõe de toda a liberdade para escrever e dizer o que se quer não se coaduna com vir depois protestar se alguém responde na mesma moeda. Lá diz o ditado “Quem vai à guerra dá e leva”.

Sobre o caso envolvendo Miguel Relvas e o Público (22 de Maio de 2012): Caso Público/Relvas: porque é que um ministro perde assim as estribeiras?

Seja qual for o desfecho deste caso, há uma lição que o Governo deve tirar: por muito poderoso que um ministro seja e por muitas simpatias e amizades de que disponha no meio jornalístico (e dispõe, nem é preciso dizer nomes basta ver, ouvir e ler…) não é (felizmente) possível “ameaçar” jornalistas, como o Público alega que Relvas fez, sem provocar escândalo.

(via João Miranda: Estrela Serrano faz doutrina)

Leitura complementar: Até quando durará o silêncio de Ricardo Costa sobre o sms enviado pelo irmão?

Autocensura?

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É curioso que jornalistas tão ávidos de notícias quentes não tenham pegado no caso do óbvio ataque à liberdade de opinião do director-adjunto do Expresso (Ricardo Costa, director daquele semanário, por razão familiar, tem mantido o silêncio). Notáveis excepções são os artigos online do Observador, jornal i e Correio da Manhã.

Claro que a decisão sobre o que publicar é opção editorial de cada entidade. Talvez pensem realmente não ser do interesse público ou sejam mais tolerantes por políticos com quem partilham ideologias. Ainda pior (especialmente hoje, Dia Internacional da Liberdade de Imprensa), pode ser que tenham receio de futuras represálias, caso Costa seja nomeado primeiro-ministro nas próximas eleições legislativas.

Felizmente, nesta era digital, a informação já não consegue ser facilmente “esquecida” numa qualquer gaveta da redacção.

Até quando durará o silêncio de Ricardo Costa sobre o sms enviado pelo irmão?

É compreensível o desconforto de Ricardo Costa com toda a situação, mas não é aceitável que o director do Expresso permaneça em silêncio face ao teor do sms enviado por António Costa a João Vieira Pereira, director-adjunto do Expresso: Um momento broeiro e a reputação de um jornal. Por Vitor Cunha.

É sabido que Ricardo Costa colocou o lugar à disposição quando António Costa foi aclamado vencedor na operação “bandarilhar o Seguro”. Agora parece evidente que António Costa interpretou este “colocar o lugar à disposição” como “estou à tua disposição”, uma interpretação típica em megalómanos heliocêntricos. Senão, como justificar a ausência de uma nota da direcção sobre o SMS do candidato a Primeiro-Ministro que destrata um jornalista e director-adjunto, caracterizando-o como pessoa que não é séria, um covarde desqualificado, inculto, reles insultador e ilegítimo opinador?

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O novo presidente da Associação Portuguesa de Analistas Financeiros

O Plano Insurgente para a Dominação Global prossegue a bom ritmo, agora com a eleição do Manuel Puerta da Costa como novo presidente da Direção da Associação Portuguesa de Analistas Financeiros.

A coligação PSD/CDS, a contabilidade eleitoral e o desempenho do PS

O meu artigo de hoje no Observador: A coligação PSD/CDS soma ou subtrai?

(…) a prudência aconselha a que, além dos argumentos de pura contabilidade eleitoral apresentados, seja ponderado também o risco de uma parte do eleitorado potencial dos dois partidos ter menos propensão a votar na coligação do que teria caso o seu partido preferencial se apresentasse a votos autonomamente. Se por um lado a coligação poderá favorecer a dinâmica interna da campanha (por exemplo evitando ataques entre PSD e CDS que seriam inevitáveis num contexto de candidaturas autónomas), não é menos verdade que a candidatura conjunta se torna num alvo mais fácil e será um ponto focal para todos os ataques externos.

(…)

Na prática, há ainda um outro factor que será decisivo para as possibilidades de sucesso da coligação: o desempenho do PS. A este respeito, os últimos meses têm sido francamente favoráveis ao PSD e ao CDS. Em última análise, o melhor aliado da coligação poderá mesmo vir a ser a dificuldade do PS em afirmar-se como alternativa governativa credível aos olhos de grande parte do eleitorado.

O artigo pode ser lido na íntegra aqui.

Costa é o Sócrates 2.0?

[via Observador] No passado dia 25 de Abril, João Vieira Pereira [JVP], director-adjunto do Expresso, escreveu naquele semanário um artigo de opinião sobre as propostas económicas apresentadas pelo PS (intitulado “Perigosos desvios do PS à direita”), de qual, julgo, a parte mais dura é a seguinte:

A grande mais-valia do estudo é que centra o debate político em políticas económicas, de onde nunca deveria ter saído. Só que ao estilo PS. (…) Uma espécie de “vai andando que eu já lá vou ter”. A política do tubo de ensaio. Cheia de falta de coragem e reveladora da ausência de pensamento político consistente.

A isto, António Costa, líder do Partido Socialista, decidiu enviar o seguinte SMS ao jornalista:

Senhor João Vieira Pereira. Saberá que, em tempos, o jornalismo foi uma profissão de gente séria, informada, que informava, culta, que comentava. Hoje, a coberto da confusão entre liberdade de opinar e a imunidade de insultar, essa profissão respeitável é degradada por desqualificados, incapazes de terem uma opinião e discutirem as dos outros, que têm de recorrer ao insulto reles e cobarde para preencher as colunas que lhes estão reservadas. Quem se julga para se arrogar a legitimidade de julgar o carácter de quem nem conhece? Como não vale a pena processá-lo, envio-lhe este SMS para que não tenha a ilusão que lhe admito julgamentos de carácter, nem tenha dúvidas sobre o que penso a seu respeito.
António Costa

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JVP tornou público o referido SMS e responde hoje no semanário Expresso: “É a liberdade, António Costa”

Este e o recente caso da proposta de novas regras para a cobertura jornalística das campanhas eleitorais, bem como a relação conflituosa que Sócrates tinha com a comunicação social que dele discordava é claro indício do quanto os políticos respeitam a liberdade de imprensa.

Nota: foto do fogo retirada do flickr (broombesoom).

Vasco Pulido Valente explica

No Público de hoje, Vasco Pulido Valente explica bem qual o problema (um deles, pelo menos) da candidatura de Sampaio da Nóvoa:

“Desde 2011 que nenhuma sondagem dá maioria absoluta ao Partido Socialista. Donde se segue que para aguentar um governo minoritário – principalmente um que se pretende reformista – é preciso um Presidente cúmplice, muito mais cúmplice do que foi Cavaco com o CDS e o PSD. Mas para ser elegível esse Presidente não pode ter a mais leve animosidade do PC, do Bloco e da poeira dos pequenos grupos da extrema-esquerda. Ora, como ao fim de 40 anos não há gente dessa, a franja radical do PS acabou por inventar uma não-pessoa, um saco vazio onde venha donde vier qualquer militante ou simples simpatizante não se importará de meter o seu voto: no caso o sr. Sampaio da Nóvoa.(…) O candidato, esse, não conta.(…) Promete (imaginem só) não se “resignar” à “destruição do Estado Social”, à pobreza, ao desemprego, à “exclusão” ou à mais leve força que “ponha em causa a dignidade humana”. Como tenciona fazer isto, não confessa. Promete “agir” com “integridade e honradez”, coisa que deve tranquilizar a populaça já com muito pouco para espremer. E promete, para nossa perplexidade e espanto, não assistir “impávido” à “degradação da nossa vida pública”. Não percebe ele que a sua própria candidatura, fabricada por meia dúzia de maiorais do PS, à revelia dos portugueses (que nem o conhecem), é o mais grave e humilhante sinal da “degradação da nossa vida pública”?”

Como seria de esperar em que já escreveu que “talvez António Costa e os seus conselheiros pensem que o manto de “independente” com que o putativo candidato se cobrirá lhe permita esconder a inexistência de qualquer qualidade, lhe dê hipóteses de lutar pela vitória, e que sendo o candidato quem (e como) é, o PS seja agraciado depois com um Presidente dócil e disposto a ser bem-mandado por um Governo rosa.” ou que Sampaio da Nóvoa “é um candidato em quem não se pode confiar”, eu não poderia concordar mais.

Henrique Neto, Sampaio da Nóvoa e as televisões

Na sua página no Facebook, o candidato presidencial Henrique Neto queixou-se da falta de destaque mediático que a sua candidatura tem merecido, especialmente em comparação com a de Sampaio da Nóvoa. Escreve Neto que até agora, nenhum dos principais canais de televisão portuguesa o convidasse para uma entrevista em que explicasse o que propõe, enquanto que depois de ter transmitido integralmente o anúncio da candidatura de Sampaio da Nóvoa, a SIC o convidou logo no dia seguinte para a entrevista em horário Nobre que Neto lamenta não ter ainda tido.

Ao contrário de Henrique Neto, não acho que as televisões privadas (a RTP é diferente, e só não seria se, como defendo, deixasse de ser pública) tenham de tratar todos os candidatos por igual. Primeiro, porque eles não são todos iguais. O “ninja” de Gaia ou Manuel João Vieira, “o Coelho da Madeira” ou “o taxista do burro”, tendo os mesmos direitos que qualquer outro candidato, não são iguais a eles. Um candidato como, por exemplo, Marcelo Rebelo de Sousa, ou como Jaime Gama, mereceria mais atenção e destaque pelo simples facto de ser encarado por qualquer cidadão como um candidato mais sério que qualquer um dos exemplos acima citados. E em segundo lugar, acho que as televisões têm todo o direito de descriminarem os candidatos da forma que muito bem entenderem, submetendo-se assim ao nosso julgamento como espectadores acerca das suas opções. E portanto, se a SIC dá todas as atenções a Sampaio da Nóvoa, negligenciando Henrique Neto, está no seu direito, e resta-nos a todos nós ter uma opinião acerca dessa opção.

Ora, essa é uma opção que diz mais acerca do carácter dúplice da candidatura de Sampaio da Nóvoa do que de um enviesamento da SIC. Explico-me: na realidade, por muito que simpatize com a pessoa de Henrique Neto (confesso que conheço mal o que propõe, e por isso digo que simpatizo com a pessoa, e não – pelo menos por enquanto – com a candidatura), que teve o mérito de criticar Sócrates a tempo, a sua candidatura é objectivamente menos importante que a de Sampaio da Nóvoa, pela simples razão de que sendo um candidato sem apoio dos partidos, Henrique Neto dificilmente poderá ganhar, e Sampaio da Nóvoa, sendo visto como o candidato do PS, aparece com legítimas expectativas de ser eleito. Porque ninguém duvida que Sampaio da Nóvoa tem o destaque que tem tido, não pela sua amplamente desconhecida pessoa, mas pelo facto de se ter criado de si a ideia de que será o candidato oficial do PS. E aqui está o carácter dúplice da sua candidatura, mais um elemento que não augura nada de bom para uma sua eventual eleição. Sampaio da Nóvoa apresenta-se como independente, gozando assim dos mais rasgados elogios dos media por vir “de fora”. Mas ao mesmo tempo, goza dela a atenção que só alguém que vem “de dentro”, que só um candidato apoiado por um dos partidos com assento no parlamento, poderia gozar. Hipócrita e deliberadamente, Sampaio da Nóvoa apresenta-se como “independente” enquanto depende da presunção de que será candidato oficial de um dos dois maiores partidos portugueses para ter uma maior cobertura mediática. Por muito que custe a Henrique Neto – pessoa que, repito, me merece a maior simpatia e respeito, e se depois de conhecer as suas opiniões e delas tiver uma opinião positiva, talvez o meu voto – a SIC tem toda a razão em dar mais destaque ao candidato socialista Sampaio da Nóvoa. O candidato socialista Sampaio da Nóvoa é que mostra, com a duplicidade com que finge ser independente ao mesmo tempo que goza efectivamente dos benefícios de ser um candidato partidário, que não merece ser eleito Presidente da República.

Os magos

O meu texto de ontem no Observador.

‘Não deixa de ser reconfortante para os que não apreciam a imprevisibilidade na natureza humana que nem perante as maiores calamidades os maluquinhos parem de produzir os seus disparates.

Estava o mundo inteiro ainda em choque com o terramoto do Nepal e a mortandade e destruição de casas e monumentos que trouxe quando já a cantora turca e ativista dos direitos dos animais Leman Sam informava o mundo sobre as causas do sismo. Claro que há pessoas sensaboronas e crédulas que acreditam na verdade oficial de ter sido um embate de placas tectónicas, com a placa indiana a deslizar mais do que o costume para baixo da placa euro-asiática. Mas Leman Sam sabe melhor. E, para nosso gáudio, contou-nos.

No final de 2014 ocorreu no Nepal o festival em celebração da deusa hindu Gadhimai, sendo sacrificados largos milhares de búfalos, cabras e pombos. Ora como é evidente – e a cantora turca notou – o terramoto não se tratou de mais do que a deusa hindu reclamar igual sacrifício dos humanos que sacrificaram os animais. Uma espécie de reposição do equilíbrio cósmico, se quiserem. À parte ficar por esclarecer se a deusa que fez tremer a terra foi Gadhimai outra vez, ou se foi Kali (que tem reputação de destruidora), todos vemos que o tweet da senhora turca tem uma lógica inabalável.

Um tanto desnecessário o tweet, no entanto, porque a causa dos terramotos já havia ficado estabelecida em 2010, quando um clérigo iraniano nos elucidou: é o sexo extraconjugal (provocado, por sua vez, pelas vestimentas insinuantes das mulheres pouco castas) que causa os terramotos. E como parece que o clérigo iraniano é dado à literalidade, os terramotos que referia não eram os sensoriais nem as consequências sísmicas nas relações humanas; não: eram mesmo aqueles que fazem as casas tremer e os edifícios desabarem.

(Mário Soares – suspiremos – apresentou também uma explicação alternativa, dando ideia de que as placas tectónicas são reativas à usura dos mercados.)’

O resto está aqui.

No Fio da Navalha

O meu artigo hoje no ‘i’, sobre gerações, avós e netos.Gerações

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Estou a ler “Les souvenirs” de David Foenkinos, o autor de “La délicatesse”. Sendo Foenkinos da minha geração, há algo que me toca neste seu livro que nos descreve as recordações que o narrador tem dos seus avós.

Quando fica viúva, os filhos convencem a mãe a ir para um lar. É aqui que o neto, moído com sentimentos de culpa, a visita sempre que pode. E o que mais o fere emocionalmente é a avó, querendo protegê-lo, garantir-lhe que tudo vai bem quando ele sabe que não é verdade.

Para quem não o conhece, Foenkinos consegue, com poucas palavras, descrever uma imagem como se fosse uma fotografia. Fá-lo quando nos conta como a avó, na II Guerra Mundial, deixou a escola que os pais não podiam mais pagar e os colegas ficaram junto ao portão, para se despedirem dela. Uma imagem que a velha senhora, então menina, guardou consigo como um retrato dos amigos, mas onde já não estava.

É numa das visitas ao lar, enquanto passeiam pelos seus corredores com vários quadros de gosto duvidoso pendurados nas paredes, que reparam num com uma vaca. Sendo o mais feio de todos, fá-los rir. E quando nada têm para dizer, quando ele sente que a ela lhe custa fazer a representação a que se habituou, é esse o quadro que vão ver. Olhando-o, falam e riem como se não estivessem naquele sítio, mas em casa. Tendo sido ela, conta-nos ele, que lhe transmitiu o sentido estético, foi perante a falta deste que encontraram a forma de viver o que não queriam.

O Soares continua fixe

Foto de LUÍS PARDAL/GLOBAL IMAGENS

Foto de LUÍS PARDAL/GLOBAL IMAGENS

Mário Soares continua em grande forma. Entre muitas outras preciosidades repetidas semanalmente, o meu destaque vai para a revolta da Natureza provocada pelos mercados usurários. Depois não se queixem dos vulcões cuspirem fogo e dos sismos abanarem a crosta terrestre um pouco por todo o lado, com consequências verdadeiramente desastrosas. Tragédias à parte, as opiniões do pai da democracia.são de leitura obrigatória e deviam constar do plano nacional de leitura.

O mundo está cada vez pior. A natureza está a revoltar-se contra as agressões sobre a Terra que os mercados usurários lhe estão a causar.

O que se passou recentemente no Chile é um exemplo de grande gravidade. Mas não só no Chile, também agora no Nepal, com repercussões na Índia, China e Bangladesh, onde um sismo de grande proporções vitimou milhares de pessoas.

Não podemos ver estes factos como meros fenómenos naturais. Mas atenção, se não se agir contra, a Terra, a nossa Casa Comum, corre grandes riscos…

Compreender o putinismo XXIV

Maus é mau.

Maus é mau.

Putin apoia a cultura.

How Putin Got Russians to Start Censoring Themselves

Anxious to comply with a law against Nazi propaganda, bookstores in Moscowhaving been pulling copies of the comic book Maus. Art Spiegelman’s Pulitzer Prize-winning book, which uses cats and mice to depict the horrors of the Holocaust, is not exactly pro-Nazi, but it does feature a swastika on its cover, and the store owners pulling it say they didn’t want to run afoul of a government directive mandating the removal of fascist symbols from the city ahead of the May 9 Victory Day celebrations, which commemorate the defeat of Nazi Germany.