O muro a que temos direito!, um quarto de século depois

A pretexto da passagem de 25 anos sobre a chamada «queda do muro de Berlim» está a ser levada a cabo uma campanha anticomunista de intoxicação da opinião pública.

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De regresso à normalidade lunática

FatahHamasparty

Hamas e a Fatah que fazem parte de um governo de unidade nacional continuam a percorrer o caminho da História da Palestina, atacando-se. É suposto que seja com estas partes esquizofrénicas que Israel deve fazer a paz.

Em Junho, Fatah e Hamas, pela enésima vez, esqueceram as inimizades que os unem e acordam em formar um novo governo de unidade nacional, num prazo de cinco semanas. O anúncio não foi conjunto e esteve a cargo do responável pelo grupo terrorista do Hamas, Halil al Haya, segundo o qual, ambas as partes decidiram formar um governo palestiniano unificado. O encontro das cúpulas dirigentes, teve lugar na residência do Primeiro-Ministro do Hamas, Ismail Haniyeh que qualificou como positivo o acordo que coloca em prática os acordos de reconciliação alcançados na cidade do Cairo em 2011 e no Qatar, um ano depois. O novo executivo teve a duração de seis semanas e ficou encarregado de preparar as eleições gerais, previstas para Janeiro de 2015. Recorde-se que a maior fractura entre Fatah e Hamas, aconteceu quando o Hamas assumiu o controlo da Faixa de Gaza, após três meses de guerra com as forças leais ao Presidente palestiniano Mahmoud Abbas.
Parece evidente que para alcançarem a paz vitoriosa, as partes não terão apenas que aperfeiçoar a política de acção comum e de comunicação. Em inglês e destinada ao mundo ocidental sempre foi um – mais politico, quase apaziguador -, para os palestinianos e a rua árabe em geral, a mensagem será aquela que sempre foi: o que interessa é destruir Israel, através das armas e do terrorismo suicida, que não conhece limites que não seja o alcance do paraíso.

Como se sabe a justiça quer-se cega, rápida e eficaz. Em Agosto, o grupo terrorista do Hamas tornou eficaz a sua aplicação no território que domina. A organização que governa Gaza afirma ter executado 18 pessoas, suspeitas de colaborarem com Israel. As execuções aconteceram 48 horas após um ataque aéreo israelita ter resultado na morte de três líderes operacionais do Hamas. Os três homens eram altos dirigentes das brigadas Azedim al Kasam, o braço armado do movimento islamista Hamas. Sabe-se que algumas ds execuções foram públicas e que pelo menos 11 das vitimas foram baleadas numa esquadra no centro de Gaza, após terem sido julgadas em tribunais revolucionários. Os outros supostos colaborocionistas foram mortos em público por homens encapuçados e que envergavam o uniforme das brigadas Azedim al Kasam, em frente da mesquita de  Al Omari, também localizada em Gaza. A “resistência” reforçou uma vez mais a luta no terreno contra quem colabora com Israel.

O delito está contemplado na lei palestiniana com a pena de morte. No entanto, a aprovação final da sentença pertence ao Presidente Mahmud Abas, cuja autoridade política e instituicional não é reconhecida pelos terroristas do Hamas. O episódio de hoje é apenas mais um capítulo e uma amostra do que será a salutar disputa das eleições  palestinianas.

Piropo: problema de gente sem problemas

O meu texto desta semana no Observador:

‘Além da morte e dos impostos há mais uma coisa certa na nossa vida: podemos contar com a esquerda para nos entreter de tempos a tempos com a sua alienação dos problemas dos portugueses, inventando supostos dramas que os ingratos cidadãos teimam em não sofrer.

Como a inquietação sobre o sexo dos anjos já é banal, o PS nas últimas semanas tem procurado responder às mais viscerais preocupações do indivíduo lusitano. Deixo uma: corrigir a enorme injustiça de Sócrates, depois de ter assinado o memorando com a troika para o qual trabalhou afincadamente seis anos, não ter sido condecorado pelo Presidente da República. Eu estou com o PS. Tenho notado em todos os meus amigos e conhecidos um incansável desgosto por esta injustiça. Eu, arredada dos problemas dos meus concidadãos, pensava até agora que era fúria pela carga fiscal que o despesismo alucinado de Sócrates e a falência que inevitavelmente se lhe seguiu nos impuseram. Ou angústia pela incerteza do futuro dos empregos ou desilusão por não mais se conseguir dar aos filhos o que antes era possível. Mas não: afinal é tudo solidariedade com a não condecoração de Sócrates.

E o Bloco de Esquerda, essa bênção dos céus para nos alegrar na chegada do outono, lá voltou à carga com a criminalização do piropo de rua, que considera ser uma forma de assédio sexual.’

O resto está aqui.

Rédea curta para a RTP

No blog dos assessores de José Sócrates António Costa, um dos escribas queixa-se da falta de pompa e circunstância no anúncio da chegada de José Sócrates ao programa de Cristina Esteves aos Domingos à noite. O assessor até justifica a falta de audiência, não com as convulsões digestivas que a voz de Sócrates causa à maioria dos portugueses, mas com os convites do apresentador a mudar para a RTP Informação. Isto acontece, segundo o assessor, porque o antigo director de informação que José Sócrates tentou despedir tem “rédea solta” na estação.

Isto é um prelúdio do que aí vem. Mais uns meses e, como antes, a RTP voltará à rédea curta.

Bravo, Nico!

queimaNa sequência da polémica sobre Merkel e os “licenciados a mais” em Portugal, o deputado socialista Bravo Nico fechou a questão com chave de ouro: Afirmou o deputado que «Portugal não tem licenciados a mais, mas sim a menos. (…) [O] maior deficit estrutural português é o das qualificações e essa é que é a variável mais crítica para o desenvolvimento do país». Disse ainda que as declarações de Merkel são «no mínimo incompreensíveis», pois a Alemanha é dos países que «mais tem beneficiado com a emigração maciça dos licenciados portugueses».

Pensaria o leitor que a emigração maciça de licenciados seria sinal de que haveria excesso dos mesmos. Que o desenvolvimento do país se faria com os licenciados a trabalhar dentro dele. Puro equívoco caro leitor! Deixe-se de economicismos! Portugal vai desenvolver-se num Novo Paradigma, uma Nova Agenda para a Década, assente num Cluster Estratégico Educativo que visa explorar sinergias europeias, valorizando os nossos recursos da Lusofonia em empregos no estrangeiro, ao mesmo tempo que procuramos a sustentabilidade demográfica. Agora só falta arranjar um modelo de negócio para o país ser remunerado pela exportação de licenciados.

O ISIS e a escravatura

English translation of clip showing ISIS fighters discussing “buying and selling Yezidi slaves

(via Helena Matos: Aos adeptos do multiculturalismo e da teoria da igualdade entre culturas)

Isis fighters barter over Yazidi girls on ‘slave market day’ – the shocking video
Shocking video shows ISIS fighters bartering for young women at ‘slave girl market’
Isis justify capture and sexual enslavement of thousands of Yazidi women and girls

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Leitura dominical

A união das esquerdas, a crónica de Alberto Gonçalves no DN.

Enquanto os partidos do governo discutem o futuro da coligação, António Costa procura uma coligação só dele. Até ver, diversos indícios sugerem que a dita acontecerá com o Livre, potentado com o qual o PS se reúne frequentemente. Trata-se de uma aliança peculiar, tendo em conta que as recentes sondagens colocam os socialistas no limiar da maioria absoluta e o Livre no limiar da inexistência. É verdade que Rui Tavares, fundador, rosto e grande líder desta simpática agremiação, garante que o Livre representa “uma nova geração de votantes e um novo segmento do eleitorado”. Mas também é verdade que o comum dos mortais necessita de microscópio para detectar essa geração e esse segmento. Ou isso ou uma ida ao Lux.

Cabe aos politólogos explicar porque é que o namoro entre as duas forças (no caso do Livre, a força é apenas de expressão) será contraproducente para ambas. Um acordo pré-eleitoral com aqueles que, no fundo, não passam de comunistas sem lugar no PCP, roubaria muito mais votos ao PS “moderado” do que os acrescentados pelo Livre. Além de que, na perspectiva do Livre, a cedência ao “sistema” representado pelo PS alienaria parte dos frequentadores do Lux. Quanto a um acordo pós-eleitoral, convinha respeitar o conceito e anunciá-lo depois das eleições, para evitar os sarilhos referidos e só na improvável hipótese de o grupo parlamentar do Livre (controlem as gargalhadas, s.f.f.) for decisivo no controlo da AR pelo PS. Como o tipo de análises acima me aborrece, não sou politólogo, benesse que agradeço diariamente a diversas entidades divinas.

Desçamos ao mundo real. Corrido de Estrasburgo, o Dr. Tavares, à semelhança de tantos jovens portugueses, procura emprego – e a invenção do Livre disfarça o embaraço do exercício. Já no que toca ao Dr. Costa, a motivação não é tão óbvia. Talvez julgue convictamente vir a precisar de apoios folclóricos. Talvez julgue que o convívio com o extremismo “jovem” compensa o mofo do renovado PS. Ou talvez se julgue capaz de anular os radicais à sua esquerda, do Livre ao Manifesto 3D, da Renovação Comunista ao BE, do Movimento Alternativa Socialista a um sujeito que costuma gritar sozinho perto do Rossio. Admito, aliás, que o Dr. Costa seja competentíssimo na anulação de rematadas nulidades. Nalguma coisa haveria de ser.

Baptista Bastos sobre a RDA

Dado que n’O Insurgente se valoriza o pluralismo e a diversidade de perspectivas, aqui fica uma bem informada visão alternativa a esta sobre Berlim e a RDA, pela sempre acutilante pena de Baptista Bastos, que continua ainda hoje – como não poderia deixar de ser – com presença regular na comunicação social portuguesa, sempre aberta e generosa com os genuínos defensores do Povo e do socialismo real:

Baptista_Bastos_RDA
(agradeço ao leitor Alexandre Carvalho da Silveira o clipping)

Recordar o comunismo real

muro_berlimBerlim, 25 anos depois: Roteiro da Östalgie. Por António Araújo.

A vida real ultrapassa a reconstituição cinematográfica: Ulrich Mühe, o actor principal, que desempenha o papel de agente da Stasi, morreria cerca de um ano depois do lançamento do filme; diz-se que após a reunificação descobrira no seu dossier na polícia política que, além de quatro colegas da sua companhia teatral de Berlim-Leste, a própria mulher informava a Stasi de todos os seus passos. Ao contrário do que se possa pensar, o local onde esta dimensão negra da RDA se apresenta de forma mais marcada não é no Museu da Stasi, no nº 103 da Ruchestrabe, mas na Prisão de Hohenschönhausen, um pouco afastada dos circuitos habituais.

(…)

Conta-se a história de um governante português que, após o 25 de Abril, sendo recebido em Berlim e levado ao cimo da Fernsehturm quis dizer umas palavras simpáticas aos seus anfitriões, observando que, no meio da escuridão, existia ao longe uma parte da cidade muito iluminada e animada. Os alemães de Leste responderam, meio embaraçados, que se tratava de Berlim-Oeste…

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A importância de ouvir Augusto Santos Silva

Concordo inteiramente com esta opinião de Helena Matos. Vale mesmo a pena ver e ouvir com atenção a entrevista de Augusto Santos Silva a Maria João Avillez.

Ao contrário de outros casos, o que é dito por Augusto Santos Silva deve ser levado a sério.

Parabéns ao Observador

Mais uma distinção a juntar-se à mais importante – o reconhecimento dos leitores – para um projecto que, nestes poucos meses de existência, tem conseguido provar que é possível fazer algo diferente para melhor no panorama mediático português: Observador ganha prémio de “Lançamento do Ano”

Liberdade e as encruzilhadas da Europa

O meu artigo quinzenal no Diário Económico. Este é inspirado em Václav Klaus, o ex-presidente e ex-primeiro-ministro da República Checa.

Liberdade

Em Setembro deste ano, a revista “The Spectator” publicou uma pequena entrevista a Václav Klaus. Ex-presidente e ex-primeiro-ministro da República Checa, Klaus é um liberal clássico que, por diversas vezes, reconheceu a influência intelectual que Friedrich Hayek teve na sua vida política e na sua resistência ao comunismo.

Klaus foi também um dos principais opositores à adesão da República Checa à moeda única. Devido a ele, o debate sobre o euro centrou-se, não no saudosismo da moeda nacional, como sucedeu em Portugal, mas nos riscos económicos que uma moeda forte, e abrangendo economias tão diversas, acarreteria para os checos. Václav Klaus chamou a atenção que uma moeda única implicaria uma mesma política monetária, as mesmas taxas de juros e uma só taxa de câmbio para os países aderentes. Referiu ainda que, pelo contrário, no mercado de dívida, as taxas de juro não podiam ser únicas, mas variariam de acordo com os países emissores.

É sabido que Portugal se encontra numa encruzilhada, para a qual há poucas soluções: ou saímos ou continuamos no euro; continuando na moeda única, ou se reestrutura o estado, com um forte corte na despesa, ou se mantém a política de austeridade com impostos altos e cortes continuados nos salários e nas pensões, além de cortes graduais nas prestações sociais. Nenhuma é fácil e todas são dolorosas.

A entrevista referida em cima é importante, não só porque Klaus acertou onde outros falharam, ou não quiseram saber, mas também porque nos dá pistas para o futuro. E a ideia-chave de Klaus é que a Europa está em guerra com a liberdade. Uma União Europeia, burocrática, politicamente centralizada, não escrutinada democraticamente e que procura evitar a todo o custo que o mercado se exprima sobre as decisões políticas. O mercado, que mais não são que as escolhas dos consumidores; das pessoas. As nossas decisões.

É nessa medida que sugere para a Europa o modelo de uma organização de comércio livre sem que tenha em vista uma integração política. É a tal separação entre a política e a economia, para que não haja confusões entre as duas e as correcções do mercado sejam imediatas e não esmagadoras.

O modelo apresentado, não só abre portas para o crescimento económico que tantos políticos querem forçar, e precisamente por isso não acontece, como, e aqui está uma parte muito interessante do seu raciocínio, pressupõe o fortalecimento do próprio estado. Klaus opõe-se à ideia de um governo global ou transnacional, porque não democrático. Vê no estado, principalmente no estado-nação, o garante último da democracia liberal, a partir do qual se faz a integração económica que o projecto europeu inicialmente visava. A revista Britânica conclui que a Europa precisa de políticos assim, claros e que apresentem alternativas. Portugal também.

Tanto rasgar de vestes

GB

Não se aguenta.

A Syrian army helicopter dropped two barrel bombs on a displaced persons camp in the northern province of Idlib, camp residents said on Wednesday, and video footage appeared to show charred and dismembered bodies.

Footage posted on YouTube showed corpses of women, children and burning tents while people scrambled to save the wounded. “It’s a massacre of refugees,” a voice off camera said.

“Let the whole world see this, they are displaced people. Look at them, they are civilians, displaced civilians. They fled the bombardment,” the man’s voice said.

A man in another video of the Abedin camp, which houses people who had escaped fighting in neighboring Hama province, said as many as 75 people had died.

 

Mesmo.

Egyptian authorities on Tuesday ordered residents living along the country’s eastern border with the Gaza Strip to evacuate so they can demolish their homes and set up a buffer zone to stop weapons and militant trafficking between Egypt and the Palestinian territory, officials said.

The measure comes four days after Islamist fighters attacked an army post, killing at least 31 soldiers in the restive area in the northeastern corner of the Sinai Peninsula. After the attack, Egypt declared a state of emergency and dawn-to-dusk curfew there. Authorities also indefinitely closed the Gaza crossing, the only non-Israeli passage for the crowded strip with the world.

The buffer zone, which will include water-filled trenches to thwart tunnel diggers, will be 500 meters (yards) wide and extended along the 13 kilometer (9 mile) border.

 

 

 

O Governo que disse “Não” aos banqueiros

Banqueiros pediram a Maria Luís que injetasse dinheiro da troika no BES. Ministra disse que não

Na última semana de julho, cinco banqueiros pediram à ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque, para injetar dinheiro da linha da troika no BES, segundo a SIC. O “não” da ministra obrigou o Banco de Portugal a optar pela medida de resolução que, a 3 de agosto, dividiu o antigo BES em dois: Novo banco e bad bank.

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Turistas em Lisboa: somos pobres mas esquisitos

‘O turista insistente devia perceber que está muito bem visitar países que participaram na conferência de Bandung (a de 1955) e que precisam de se sujeitar a estas tormentas. Ou cidades como Paris e Roma, cuja reconhecida penúria as faz aceitar milhões de turistas anuais. Porque ter tantos turistas é um atentado à dignidade lusitana. Gente nova e diferente na cidade? Pfff. E o turismo como setor estratégico? Queremos ser um país de camareiros e empregados de mesa? Era o que faltava, que nós estamos todos destinados a trabalhar em empresas de tecnologia de ponta (que as qualificações da maioria da população não se adequem, é um pormenor; não sejamos picuinhas).’

Aqui.

Faz-se sentir o pulsar do novo PS

É claramente um partido que apoia as verdadeiras causas que importam. Num só fôlego, o partido liderado por António Costa quer criar o dia/noite contra a homofobia e a transfobia e defende de forma intransigente a segurança dos cidadãos portugueses que combatem ao lado do Estado Islâmico.

Compreender o putinismo X

putin

Outros tempos, outras vontades.

VLADIMIR PUTIN: The first question regarding the possibility of Ukraine joining the European Union does not concern us directly, although we do, of course, have our views on this matter. We always took a negative view of NATO expansion because we do not believe that this expansion can help neutralise the modern threats we face. As for enlargement of the EU, we have always seen this as a positive process. Certainly, enlargement gives rise to various issues that have to be resolved, and sometimes they are easy to resolve, sometimes not, but both sides have always shown a desire to find mutually acceptable solutions and we do find them. If Ukraine wants to join the EU and if the EU accepts Ukraine as a member, Russia, I think, would welcome this because we have a special relationship with Ukraine. Our economies are closely linked, including in specific areas of the manufacturing sector where we have a very high level of cooperation, and having this part of indeed our economy become essentially part of the EU would, I hope, have a positive impact on Russia’s economy. Since we were aware of the European Union’s position that Ukraine’s accession would be unlikely any time over the next decade, we began taking steps in two directions, On the one hand, we are creating the Common Economic Space in a large part of the former Soviet Union, including Russia, Ukraine, Belarus and Kazakhstan. On the other hand, we are building a common economic space with the European Union, and we believe this is in the interests of both Russia and the European Union countries and will harmonise our economic ties with Europe. But these projects are not in contradiction with the possibility of any country joining the European Union, including Ukraine. On the contrary, the possibility of new members joining the EU makes our projects only more realistic. But I repeat that other countries’ plans to join the EU are not our direct affair.

Que são explicáveis pelo Professor Alexander Dugin.

Troika, troika e mais troika

Como habitualmente estive esta terça-feira na Edição das 12 do Económico TV a comentar o tema de sempre: dívida, dívida e mais dívida.

No Fio da Navalha

O meu artigo no ‘i’ desta terça-feira.

A normalidade

Em três meses, dois gigantes usados por Sócrates, sabe-se lá para quê, caíram. No entanto, BES e PT não são vítimas. Foram empresas que cresceram na sombra do Estado, ao serviço do Estado, que favoreceram (e foram favorecidas) por governos. Agora, sinal dos tempos, descambaram.

Sejamos precisos nesta matéria: a queda destas empresas não é positiva por si só. O que é de louvar é o fim da sua utilização num esquema que não só não as favorecia, como prejudicava o país. As empresas, quaisquer que elas sejam, estejam em que mercado estiverem, existem para serem livres. Independentes do poder político. Se isso não suceder, prejudicam-se.

Claro que é tentador gerir uma grande empresa com o beneplácito do poder político. Este garante não só o acesso privilegiado ao mercado nacional, mas também a accionistas com boas ligações ao poder que estão prontos a colaborar num projecto comum. A droga é demasiado boa para não ser viciante. Os bons resultados surgirão facilmente, sumindo-se apenas quando, algo em que os homens de poder nunca acreditam ser possível, o mercado, apesar de viciado pelos governos, repõe a normalidade.

E a normalidade pressupõe que os negócios se afastem da política. Fora disto, ou temos ideologia (que os políticos de agora já não têm) ou mera necessidade de lugares empresariais para distribuir a amigos, pagando favores no meio de uma degradação que se quer privada, mas feita com contactos públicos e o dinheiro dos cidadãos.

Destruição de valor

O meu artigo de sexta-feira passada no DE.

«O caminho seguido pela PT foi reduzindo o leque de opções estratégicas que esta tinha, numa demonstração clara dos perigos da intromissão política na gestão de empresas, até que a sua falta de liquidez (e dos seus acionistas) ditou a inevitabilidade da sua entrega a novos donos. Um negócio trágico, que na melhor das hipóteses foi um erro de cálculo monumental; e na pior, um conto do vigário de proporções épicas.»

Um bom “furo”

Se um jornal conseguisse provar que os membros do governo tinham votado a decisão relativa à resolução do BES em benefício próprio, isso seria um “furo” jornalístico. Diria mesmo uma notícia bombástica. Parece, no entanto, que os factos não vão de encontro a essa ideia. Nada que tenha impedido o Público de tentar passar essa ideia através de insinuações rasteiras indignas de um jornal supostamente sério: Uma notícia cheia de disparates e um editorial deliberadamente obscuro que tenta retirar uma lição de moral de factos supostos.

Em primeiro lugar, dizer «Membros do Governo tinham mais de um milhão de euros no GES quando decidiram o seu futuro» é uma frase manhosa. Lendo a notícia, percebe-se que o «mais de um milhão» é o total de investimentos no GES de 16 membros do governo. Uma média de pouco mais de 62 mil euros cada um. Nada de espantoso, portanto. Aparentemente o grosso deste milhão pertencerá a apenas três membros do governo. Poderiam este três ter beneficiado da resolução do governo? Como veremos adiante, não.

Em segundo lugar, a listagem de bens detidos pelos membros do governo no GES sugere que se estes foram afectados pela a decisão do governo, isso foi mais no sentido negativo e não positivo. Investimentos em obrigações do Espírito Santo Financial Group ou do Espírito Santo Banque Privée perderam com a falência dessas entidades. No limite, a passagem do BES a Novo Banco poderá ter diminuido ainda mais as possibilidades de recuperação dos investimentos, uma vez que o banco era o principal activo do grupo. Aparentemente, metade de toda a exposição dos membros do governo ao GES eram investimentos deste género. Isto para não dizer nada das acções do próprio banco, que passaram a valer (muito) perto de zero.

Em terceiro lugar, ter investimentos num banco e ter depósitos num banco não é a mesma coisa. Depósitos são passíveis de ser perdidos em caso de falência do banco. Outros investimentos podem ser recuperados ou não dependendo da sua natureza. Acções, fundos de investimento e outros títulos de entidades terceiras estão no banco apenas para ser guardadas. Todos estes títulos são dos seus donos não do banco. Se este entrar em insolvência, os títulos continuam lá. Já os depósitos são usados para conceder crédito a outros clientes, pelo que no caso de prejuízos – e se as reservas do banco forem insuficientes – podem ser perdidos.

Quando a notícia do Público liga a questão dos depósitos acima de 100 mil euros com os membros do governo que tinham mais de 100 mil euros no banco, está deliberadamente a confundir as coisas: Não eram mais de 100 mil em depósitos. Eram mais de 100 mil na carteira completa, incluindo títulos diversos que não têm nada a ver com a questão dos depósitos. «Deliberadamente» porque a associação feita é negada pelos próprios factos relatados na notícia.

Por fim, o que ocorreu no Chipre foi bastante diferente do caso BES/GES. Os dois maiores bancos do Chipre tinham activos totais que eram 400% do PIB do país. E tiveram prejuízos que em termos relativos foram o dobro dos prejuízos do BES. No Chipre não houve outro remédio que não o “bail-in”. O Banco de Portugal e o governo não impuseram um “bail-in” no BES porque quiseram evitar esse estigma. Não por ser do interesse particular deste ou daquele membro do governo. Até podemos questionar se esse caminho não teria sido melhor, tanto para os bancos do Fundo de Resolução como para os contribuintes, via CGD, mas não neste contexto desonesto de tentar mostrar algo que parece ser o contrário da realidade.

O enviesamento de esquerda dos jornalistas

Os jornalistas são preguiçosos ou serão todos de esquerda? Por Helena Matos.

O que temos como elemento redutor e distorcivo de boa parte das notícias é uma outra coisa. Uma outra coisa que faz com que o problema não esteja no que escrevem sobre Passos, mas sim no que não escreveram sobre Sócrates. Ou que em algumas redacções tal só tenha acontecido por absoluta impossibilidade de evitar o assunto. Tal como o problema não é o que escrevem sobre os cortes nos salários, mas sim que em quarenta anos de democracia se contem pelos dedos das mãos as reportagens dignas desse nome sobre os sindicatos – de que vivem; quantos trabalhadores representam ou como são realmente escolhidos os seus dirigentes – ou sobre o mundo paralelo das empresas públicas.

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Leitura dominical

Portugal e o futuro, a opinião de Alberto Gonçalves no DN.

Numa nação habituada a desprezar os seus melhores em vida para consagrá-los na morte, consola assistir ao exemplo dado pela Câmara Municipal da Covilhã, responsável por atribuir ao Eng. Sócrates a chave da cidade e uma medalha.

Aos distraídos ou incrédulos, convém informar que, ao contrário do que poderia parecer, o Eng. Sócrates está vivo, tão vivo que aproveitou a deixa para brindar a humanidade em geral e os covilhanenses em particular com diversas pérolas de sabedoria: “O interesse individual existe, é certo, mas existe também o interesse colectivo.”

É triste que semelhante portento intelectual receba apenas uma chave e uma medalha municipais, em vez de ter as serralharias e os gravadores de Portugal inteiro a fabricar-lhe resmas de penduricalhos. Se pensarmos bem, o que é que o Eng. Sócrates legou à Covilhã? Que eu saiba, nada, além da honra para a autarquia em contar com ele como técnico enquanto assinava projectos belíssimos na vizinha Guarda. Em troca, a Guarda ofertou-lhe o quê?

O mesmo desprezo que o país, que nem faz o favor de seguir a eucaristia dominical do homem na RTP (aliás abaixo das audiências da própria Eucaristia Dominical, na TVI). E a injustiça dói mais se recordarmos que o homem fez à arquitectura da Guarda o mesmo que fez à economia do país. Desgraçadamente, muitos portugueses teimam em colocar o seu interesse individual à frente do interesse colectivo do Eng. Sócrates: a presidência de todos nós. Ou isso ou uma estátua.

Rand Paul, o novo falcão IV

Uma vez mais, o discurso do próprio, repleto de pós de realismo.

Rand Paul: The Case for Conservative Realism.

Leituras complementares: Rand Paul, o novo falcão III;

Rand Paul and ISIL;

Rand Paul, o novo falcão II;

Rand Paul, o novo falcão.

 

 

 

O Dogma da Infalibilidade Fiscal

O meu artigo de hoje no Diário Económico.

Ou seja, elevando-se o limite de recurso de 1.250 para 5.000 euros, condenam-se os pequenos contribuintes a derimirem as suas questões com instâncias administrativas – e o Fisco tende a ser parcial. Esta alteração, na prática, levará a que milhares de pequenos contribuintes, de parcos recursos e sem grande voz, fiquem limitados a “cale-se e pague!”.

(…)

O que se está aqui a instalar aos poucos é um dogma: o Dogma da Infalibilidade Fiscal. E este é um precedente perigoso para a democracia portuguesa.

Leitura complementar: Justiça “desconhecia o limite ao recurso aos tribunais”.

O Papa Francisco e os irmãos mais velhos do filho pródigo

O meu texto de hoje no Observador.

‘Comecemos já por lamentar que Jesus – esse lamechas, coração de manteiga, incapaz de compreender o bem supremo de cumprir a estrita lei mosaica, ‘glutão e beberrão, amigo de publicanos e pecadores’ (Mt 11,19) e que muito claramente não sabia o que era bom para si próprio – não tenha tido os bons conselhos dos atuais católicos tradicionalistas, os que impediram que se chegasse a uma maioria de dois terços (apesar de perto) para que a Igreja, finalmente, reconhecesse a sua obrigação (sim, obrigação) de acolher os católicos recasados e os homossexuais.

Se Jesus tivesse tido os bons préstimos dos atuais católicos conservadores, os Evangelhos estariam limpos daquelas histórias mal avisadas que Jesus congeminou. Vejam por exemplo o disparate da parábola dos trabalhadores da vinha. Onde já se viu o dono da vinha (i.e., Deus) recompensar da mesma forma os conscienciosos e esforçados que trabalharam todo o dia e os mandriões que só trabalharam uma hora? Onde já se viu um Deus que dispensa o mesmo amor e a mesma misericórdia aos que cumprem escrupulosamente e aos que apenas aparecem para dar um ar de sua graça? E mais uma: o que é isso do Deus-dono-da-vinha sair ele próprio para angariar trabalhadores? Um Deus que vai à procura incansavelmente dos que acedem vir para a sua vinha trabalhar em vez de ficar confortavelmente sentado esperando que lhe venham implorar por trabalho, fazendo entrevistas difíceis (Em que vinhas já trabalhou e por quanto tempo? Quantos cestos de uva apanha por hora? E etc.) e regateando o salário? Que ideia mais desaparafusada.

E o que dizer então da parábola do filho pródigo? Há um livro muito curioso que o padre Henri Nouwen escreveu a partir de meditações sobre o quadro O Regresso do Filho Pródigo de Rembrandt (o livro tem o mesmo nome). Evidentemente a parábola não é sobre o filho, é sobre o Pai que acorre a acolhê-lo mal o vislumbra ao longe, festeja o seu regresso e nem quer ouvir desculpas ou promessas e nem lhe exige garantias de bom comportamento futuro; basta-lhe saber que o filho quer estar com ele. (Tal qual a Igreja atualmente com quem tem família não reconhecida num casamento católico ou é homossexual, não é?)’

O resto está aqui.

Socialismos dos partidos dos taxistas

Fotografia do Público

Fotografia do Público

Depois dos dilúvios que afectam a cidade de Lisboa sempre que chove, situações de desastre que apenas acontecem porque os serviços camarários não são avisados, o CDS de Lisboa decide que importa regulamentar a actividade dos tuk tuk na capital.

O CDS quer que a actividade dos tuk tuk em Lisboa passe a estar limitada a um conjunto de circuitos pré-definidos e se restrinja ao período diurno, “por forma a compatibilizar os interesses e necessidades” de quem vive na cidade, de quem a visita e “de quem dela depende para desenvolver os seus negócios”.

Nesse sentido, o vereador do CDS na Câmara de Lisboa vai apresentar esta quarta-feira uma moção, na qual recomenda ao município que avance com a regulamentação da actividade destes triciclos motorizados. Em declarações ao PÚBLICO, João Gonçalves Pereira sublinha que essa regulação deve ser vista por todos os agentes como “algo positivo, não negativo”, assente na ideia de que “qualquer país e cidade deve proteger aqueles que neles investiram”.

Na sua moção, há essencialmente três aspectos relativamente aos quais o autarca centrista defende que a câmara deve definir regras, depois de ouvir os empresários do sector: a tomada e largada de passageiros, os circuitos e os horários.

Em sentido contrário ao das várias propostas de regulamentação da actividade turística, apraz-me recordar as palavras de Adolfo Mesquita Nunes,

“A liberalização da economia resulta. Quando o Estado dá espaço às empresas, as empresas respondem, e respondem com criação de emprego e crescimento.” Redução de taxas, liberdade de acesso e redução de custos para as empresas foram os três pontos de viragem. “Costumo dizer que há que desamparar a loja. Ninguém cria uma empresa, de animação turística ou outra qualquer, se tiver de percorrer um calvário de licenciamentos e pagar um amontoado de taxas. (…) Sendo constituída por micro e pequenas empresas, muitas delas resultado de empreendedorismo, a animação turística é um dos sinais e exemplos do relevo do turismo na criação de emprego. “

Como moral da história, aos interessados, aconselho a leitura do certeiro artigo do Alexandre Homem Cristo no Observador, Tuk-tuks: mudança ou ameaça?

(..) A história em si não tem nada de surpreendente. A incapacidade de adaptação aos tempos, a inveja pelo sucesso dos outros, a obsessão pelo proteccionismo, a exigência que o Estado esteja sempre lá para decidir, regulamentar e, sobretudo, preservar a rentabilidade de sectores empresariais que deixaram de ser rentáveis. Tudo isso é Portugal. E é, aliás, por essa razão que este caso é tão interessante – porque ultrapassa a luta específica de um sector e representa, na verdade, o confronto entre a concretização da mudança e o país que somos. Um país que pede essa mudança mas que não gosta quando ela acontece. Um país que se orgulha de ser um destino turístico de excelência, mas que vê o sucesso das empresas do sector como uma ameaça. Um país que quer ser mais livre e próspero mas que não consegue ultrapassar a sua dependência do Estado.

No fundo, é isto: um país que não aprende com os seus erros e onde os bons exemplos de sucesso e de governação parecem nunca ser suficientes para impor a mudança. Um país onde o socialismo parece vencer sempre.