A malta da Junta: todos camaradas, todos iguais

Excerto da circular assinada pelo presidente da Junta de Fernão Ferro, Carlos Reis, em que se define como o devem tratar os funcionários

Atenção: há camaradas mais senhores presidentes que os outros.

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Aprendizagem crítica comunista

RitaBernardino

Afinal existem gulags na Coreia do Norte. Está criada a oportunidade para que a Rita Rato, com o inestimável apoio do camarada Bernardino possa estudar e ler algo sobre a matéria, de acordo com a cartilha oficial do PCP.

Leituras complementares: É melhor consultar primeiro o camarada BernardinoPor cá a Rita Rato disse o mesmo sobre o Gulag.

Seja patriota: faça amigos e fuja do sal

O meu texto de hoje no Observador.

‘Há dias li um texto de Anna Almendrala no Huffington Post sobre amizades. Dizia lá que, além das reconhecidas vantagens de ter amigos (companhia, diversão, cumplicidade, fuga da solidão, apoio em tempos problemáticos e mais trezentas e quarenta e sete vantagens), se comprova que ter amigos faz bem à saúde. A certa altura o artigo cita mesmo um estudo que equipara o risco de mortalidade de quem não tem uma rede social forte ao de quem fuma quinze cigarros por dia ou bebe diariamente seis bebidas alcoólicas.

Enquanto lia o texto pensei enviá-lo às minhas amigas mais chegadas, quiçá escrever um post sobre amizade, referindo como as minhas amizades de adolescência ainda são tão centrais na minha vida (tanto que vinte anos depois ainda contacto com frequência com a maioria, e jantamos e fofocamos e até engravidamos ao mesmo tempo), como incentivo os meus filhos a serem amigos dos filhos dos meus amigos, como nos últimos anos a blogosfera e o facebook permitiram que me tornasse amiga de pessoas que nunca conheceria (e que ninguém vilipendie estas novas redes ao pé de mim). Poderia até elabor

ar sobre as amizades femininas – as amizades entre mulheres são das relações humanas mais curiosas (e recompensadoras e cúmplices) que se podem estabelecer, e são tantas vezes desconsideradas por homens (os que não concebem não ser o centro de todas as relações femininas) e por mulheres (as sem arte para constituir estas deliciosas amizades). Com algum tempero de questões de género, desde logo como provocação amigável a quem se amofina com estes temperos.

Pensava eu o exposto acima, mas continuei a ler o texto e tive os inícios de um pequeno ataque de nervos. É que às tantas se passa de elencar os benefícios para as pessoas das suas amizades para passar a ponderar os benefícios para a saúde pública da existência das amizades. Chega mesmo a lamentar-se a necessidade de maior pesquisa neste campo antes de se fazerem ‘campanhas de saúde pública sobre relações’.’

O resto está aqui.

No Fio da Navalha

O meu artigo de hoje no ‘i’.

Diferentes tipos de solidariedade

A Noruega tem um fundo de 800 mil milhões de dólares criado com as receitas do petróleo. A sua dimensão é de tal ordem que, caso fosse utilizado no momento presente, tornaria milionários todos os noruegueses. No entanto, e apesar disso, foi decidido guardá-lo e aumentá-lo todos os anos.

A Noruega é caso único entre os países produtores do ouro negro, também porque o custo da extracção é elevado, obrigando a um forte investimento tecnológico. No entanto, apesar do elevado investimento, apenas uma pequena parcela da poupança é nele utilizada. Na verdade, a maior parte está a ser guardada para o futuro, de forma a precaver imprevistos.

A ideia subjacente é não onerar as gerações futuras com os encargos presentes. Dessa forma, não há gastos supérfluos. Os noruegueses não se permitem esse luxo, vivendo de forma contida. É interessante como o igualitarismo social na Noruega levou à poupança enquanto o socialismo em Portugal (e restante Europa e EUA) conduziu à despesa, pondo em risco a sustentabilidade do próprio Estado.

Não sendo eu socialista, sirvo-me do caso da Noruega para ver confirmada a suspeita de que os defensores do aumento da despesa não são necessariamente os defensores da solidariedade social. É que esta acarreta responsabilidade, exigência e boa governação. Acima de tudo, contenção. E também respeito. É que quem não respeita não pode exigir.

O problema da não esquerda em Portugal

Os donos da História e das palavras. Por Helena Matos.

O problema da não esquerda em Portugal é que não tem nome, não tem discurso, não marca a agenda e lá no fundo, no dia em que as contas o permitirem, gostava mesmo era de ser socialista.

The Daily Beast está muito atento ao que se escreve aqui no blog

Mais achas para a discussão da existência histórica ou não de Jesus (enquanto homem, não enquanto Deus, que isso são outros quinhentos).

Antes de vos deixar com a prosa escorreita e bem humorada dos autores do texto, aproveito para dar um exemplo de uma boa dose de gente que (segundo os positivistas para quem só sucedeu aquilo que há prova – e de testemunhas idóneas e neutras, que não se admitem relatos com parcialidade) não tinha existido até ter passado a ter existido. Trata-se de gente pertencente a uma seita judaica, com vida monacal, composta por homens, mulheres e (inevitavelmente) crianças, e com algumas semelhanças (e muitas diferenças) com os rituais dos cristãos (o batismo pela água, por exemplo). Foram contemporâneos de Jesus e nada se sabia sobre eles – supõe-se que sejam os misteriosos essénios – até se descobrirem num imensamente feliz acaso em 1946 os Manuscristos do Mar Morto em Qumran.

«Michael Paulkovich, author of No Meek Messiah, has proclaimed that Jesus never existed. In his book, the author details his shocking discovery of “one-hundred-twenty-six authors from the time of Jesus who should have, but did not record anything about the Christian godman.”

Paulkovich’s case rests on three main pillars. First, the discovery that no ancient writers from the first few centuries CE mention Jesus. Second, the assumption that most writers should have mentioned Jesus, since he was the Son of God and all that. Third, the keen observation that Jesus never wrote anything himself. Although an undeniably compelling trinity of argumentation, it is not without its logical problems.

Let’s get one thing straight: There is nigh universal consensus among biblical scholars—the authentic ones, anyway—that Jesus was, in fact, a real guy. They argue over the details, of course, as scholars are wont to do, but they’re pretty much all on the same page that Jesus walked the earth (if not the Sea of Galilee) in the 1st century CE.

So that brings us to Paulkovich’s list: 126 ancient writers, 0 references to Jesus. The list has a few issues. Although everyone on it is indeed ancient, some are a little too ancient—as in, lived-a-hundred-years-before-Jesus too ancient (Asclepiades of Prusa, for example).

A great many of the writers are philosophers, some quite famous (Epictetus). Philosophers aren’t really known, now or then, for their interest in current events. Some writers are mathematicians, rhetoricians, satirists, poets, or epigrammatists (Martial). Unless we’re looking for an ancient limerick about Jesus, these are probably the wrong authors to be reading.

Fully fourteen of the 126 are doctors, including a dermatologist, an ophthalmologist, and a gynecologist (Soranus). We can first point out that Jesus was supposed to have a gift for healing, so he probably didn’t take his annual checkup seriously. Also, even if Jesus did visit a doctor or fourteen, and even if they kept records of the savior’s health, we could never have access to those records because, you know, HIPAA.

There are some authentic historians on the list, though we can probably assume that someone writing a biography of Alexander the Great (Curtius Rufus) might not find an appropriate place to slot Jesus into that story. The vast majority of the authors listed, however, have none of their writings preserved for us, or mere fragments at most. It’s hard to say that a writer didn’t mention Jesus when all we have of that writer are a few lines quoted in someone else’s work.

We do have the writings of Sextus Julius Frontinus—but what he wrote was a treatise on aqueducts. Jesus may have been the fountain of life, but it was the Romans who had the decent delivery system.»

O resto está aqui.

Leitura dominical

Cabeças perdidas, a opinião de Alberto Gonçalves no DN.

Devia proibir-se a chegada de Outubro enquanto não se confirmassem as previsões de Mário Soares, que na sua vasta sapiência garantiu a queda do Governo em Setembro. Infelizmente, a nossa falta de respeito pelos idosos – que situa Portugal na cauda do recente Global Age Watch Index – não se fica por aqui. Também Ângelo Correia se queixa, em entrevista ao jornal i, do desprezo a que foi votado pelo jovem primeiro-ministro, que ele mimou e criou como se fosse seu filho.

“Pedro Passos Coelho fez comigo o que todos os partidos fazem com os mais velhos: afastou-me”, confessa com evidente amargura o actual presidente da Câmara de Comércio e Indústria Árabe Portuguesa. E acrescenta que a repulsa das “novas elites” pela terceira idade se nota “no tratamento das pensões”. Não é difícil imaginar a pensão de miséria que o antigo presidente da Associação de Amizade Portugal-Iraque se esforçará por esticar até ao fim do mês.

Por sorte, os dias em que rapazolas ascendem socialmente à custa de velhinhos para de seguida os descartar parecem estar próximos do fim. E, como em quase tudo o que era mau e agora passará a ser bom, graças a António Costa. Desde logo, o emergente chefe do PS já exibe 53 primaveras, o que o situa a uma mera dúzia de anos dos descontos nos transportes públicos e regalias afins. Depois, o dr. Costa prepara um PS futuro igualzinho ao do passado, numa vénia à tradição que hoje vai sendo rara. Após ser apoiado por diversas relíquias socialistas, passou a distribuir cargos pelas relíquias com o possível intento de fundar um centro de dia, etário e ideológico.

Hoje, o líder parlamentar dá pelo nome de Ferro Rodrigues. Amanhã, o candidato do dr. Costa à JS atenderá pelo nome de Manuel Alegre. Almeida Santos daria um excelente conselheiro das Novíssimas Oportunidades. E, com jeito e alguma flexibilidade (atenção às articulações), Ângelo Correia arranjará algures por aqui a reforma que lhe falta.

Uma admissão de fracasso

F is for FailureQuestionado acerca da possibilidade do Orçamento do Estado para 2015 apresentar cortes de impostos, o Primeiro-Ministro Passos Coelho afirmou que tem “dúvidas” de que o Governo tenha “espaço para fazer coisas dessas”. Sendo o jornalismo português o que é, logo toda a comunicação social pegou nestas declarações para falar do latente conflito entre o PSD “austeritário” e o CDS da “moderação fiscal” (mas que faz parte do mesmo governo). Ignorou assim o que de mais significativo teve o desabafo de Passos Coelho: foi uma admissão do fracasso da governação dos últimos três anos.

Não há ninguém com juízo em Portugal que deixe de reconhecer que a carga fiscal em vigor no país é excessiva e prejudicial para a saúde da economia e da sociedade. O Primeiro-Ministro certamente se conta entre os muitos que entendem a necessidade de baixar impostos e assim sobrecarregar menos os portugueses menos do que até aqui. Se não o fizer não será certamente por razões eleitoralistas, mas por ter consciência que uma descida de impostos minimamente significativa implicaria uma imediata subida do défice orçamental português, algo que poderia pôr em risco a credibilidade do país junto dos seus parceiros europeus e dos mercados internacionais de títulos de dívida pública. Ora, uma descida de impostos na medida em que seria útil adoptar só causaria um brutal aumento do nível do nosso défice porque a despesa pública continua a ser excessivamente elevada. E se assim é, é por o Governo ter sido incapaz (ou não ter tido vontade) de a cortar na medida necessária. Se as “dúvidas” de Passos Coelho se confirmarem, e não houver “espaço” para “fazer coisas dessas”, é porque o Governo não fez as outras “coisas” que era preciso “fazer” para que “coisas dessas” fossem possíveis.

O dr. Portas, esse, não confessa fracassos nem exibe “dúvidas”, apenas a hipocrisia que o caracteriza: correu para os telejornais para afirmar o compromisso do CDS com a tal “moderação fiscal”. Pensa talvez que se Passos vier a admitir descidas de impostos, o CDS receberá o crédito, e se o contrário se verificar, se poderá apresentar junto do eleitorado como alguém que se opôs a essa opção. Mas depois da saga da demissão “irrevogável”, os únicos que se deixam convencer por estas acrobacias são os que à partida já estão convencidos dos méritos do homem, tão excelsos aos seus olhos como invisíveis aos dos restantes.

Se só o destino de Portas estivesse em jogo, não haveria grandes motivos para preocupação. Infelizmente, a pouco invejável posição em que o Governo se colocou garante apenas que entregará o poder de bandeja ao PS, que, igualmente desprovido de uma política que implique uma descida da despesa pública que permita a muito necessária descida de impostos, alegremente pastoreará o país sem o desviar do rumo de apodrecimento que em tempos nos lançou. É por isso que este fracasso do Governo é tão grave: significa não só que, nestes últimos anos, se mantiveram os problemas do país, como também que se diminuíram drasticamente as condições de os resolver por muitos dos anos que hão-de vir.

BES, submarinos, Tecnoforma e sinais vários

Passos Coelho disse ter dúvidas que haja “grande espaço” para baixar o IRS em 2015
PS quer encontrar o “6º homem” na comissão de inquérito ao BES
PSD conclui que não há “qualquer prova ou indício” de ilegalidades nas compras militares
Passos Coelho vai dar mais respostas sobre Tecnoforma ao Parlamento

Os bustos de que a extrema-esquerda não gosta

O mistério dos bustos aparecidos. Por Michael Seufert.

Sobre o branqueamento da história, convenhamos que os reclamantes têm mais experiência que nós. Estaline inaugurara a arte de esconder compagnons de route caídos em desgraça das fotos do regime soviético. Quem ia para o Gulag não aparecia ao lado do camarada Zé. Fácil e eficaz que os soviéticos podiam não saber dar de comer ao povo, mas tinham jeito com o pincel. Não se devia portanto fazer o mesmo com os presidentes que estiveram com os maus?

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Um PS anti-Europa?

O meu artigo no Diário Económico desta sexta-feira.

Um PS anti-Europa?

Esta semana ficou marcada pela euforia no PS. Ora, e tendo em conta o passado ainda não muito distante, qualquer pessoa sensata, qualquer pessoa que não recolha benefícios directos e imediatos do que possa advir dessa euforia socialista, deveria estar apreensivo, e atento.

António Costa venceu as primárias no PS e vai liderar aquele partido nas próximas legislativas. Algo até aqui normal e trivial, não fosse Costa nada ter dito sobre como tenciona governar, até como forma de agregar debaixo do seu guarda-chuva, o maior número possível das esquerdas que este país tem. Pior: ter dito e repetido à exaustão, quando inquirido sobre como iria equilibrar as contas públicas, que a sua estratégia seria de longo prazo. Uma frase feita, que geralmente significa governar sem constrangimentos que, a longo prazo, ou seja, noutra legislatura que não a sua, alguém pagará as consequências.

O novo líder do PS não gosta da austeridade. E quem é que a aprecia? É que, não gostar não basta para fazer diferente. Não chega para mudar a realidade. E o facto é que, a partir do momento em que surgiu o euro, o projecto de construção europeia é baseado nele. Concorde-se ou não com a opção seguida há algumas décadas, o projecto europeu depende da continuação da moeda única que implica, porque economias diferentes com a mesma moeda assim o exigem, défices públicos muito reduzidos, necessidade traduzida, aliás, no Pacto Orçamental Europeu.

Antes de continuarmos, é importante não esquecer que os défices e as dívidas públicas devem ser controlados, não porque o Pacto Orçamental Europeu assim o dispõe, mas este o diz porque, caso os estados europeus não reduzam o endividamento público, as diferenças entre as economias da zona euro não permitirão a continuação desta moeda. Dizendo de outra forma: sem disciplina não há euro, sem euro não há Europa.

É perante esta realidade que Costa se defende afirmando que há que ser inteligente e, falando de igual para igual com os parceiros europeus, negociar uma interpretação simpática do referido Pacto. Não será original. Hollande tentou o mesmo e deu no que deu. É legítimo, pois, perguntar: o que é que Costa tem mais que Hollande? Ou antes: o que é que Portugal tem mais que a França para convencer Angela Merkel? Pois é: nada.

Ou seja, Costa quer negociar o tratado orçamental mas não tem um plano ‘B’ para depois de ouvir o “não” europeu às suas políticas eleitoralistas. Restar-lhe-ão duas opções: ou governa como o PSD/CDS fazem desde 2011, ou se vira contra a Europa. François Hollande cedeu, segurou-se em Manuel Valls e partiu o PS francês. Qual será a escolha de Costa? O silêncio dele não nos diz muito. Uma coisa é certa: o futuro do país e do PS não será risonho.

O paraíso precisa de mais oração

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No início de Setembro, os participantes de um encontro do Partido Socialista Unido da Venezuela lançaram a “Oração”, uma versão chavista do “Pai Nosso”. Reza assim a letra:  “Chávez nosso que estás no céu, na terra, no mar e em nós (delegados e delegadas), santificado seja o teu nome, venha a nós o teu legado para o levarmos aos povos. Dá-nos hoje a tua luz para que nos gue todos os dias, não nos deixes cair em tentação do capitalismo e livrai-nos da maldade da oligarquía, do crime do contrabando porque nossa é a pátria, a paz e a vida. Amén. Viva Chávez.”

Para além da prece lida pela delegada Maria Uribe, do evento político  fizeram parte cantores e poetas que dedicaram as suas obras ao Presidente Hugo Chávez e à revolução bolivariana. Presente no encontro, Nicolás Maduro afirmou que a “revolução se encontra numa fase que exige cada vez mais formação nos valores de Chávez no combate diário nas ruas, criando, construindo e fazendo a revolução.” Como é do conhecimento geral, o progresso revolucionário alcança sempre novas e fundamentais etapas no desenvolvimento dos povos. Nesse sentido, o jornal ABC revela as consequências do sucesso socialista.

Nada como a clareza: as pessoas humanas, incluindo Nicolás Maduro, têm o direito à dignidade, na fé depositada no deus Chávez.

Hong Kong e os aliens imperialistas

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Moscovo revela ao mundo que os EUA estão na base dos protestos que acontecem em Hong-Kong. No entanto, pouco tempo depois o serviço de propaganda ao serviço de Vladimir Putin, faz um update informativo para a audiência de 120 milhões de pessoas no qual dá conta que uma força extra-terrestre é a culpada pelo levantamento popular no antigo território sob administração britânica. A dúvida que permanece por esclarecer é se os protestos de Hong-Kong não resultam de uma acção concertada entre os habituais imperialistas e os et’s.

No início de Julho a polícia de Hong Kong deu ordem de prisão a mais de meio milhar de pessoas que participavam num protesto nocturno pacífico que exigia a aplicação de reformas democráticas. As autoridades chinesas afirmaram em comunicado que os manifestantes foram detidos por reunião ilegal. Dezenas de milhares de manifestantes marcharam pelas ruas de Hong Kong para exigir uma maior participação na eleição do próximo líder da cidade. Tal como agora, os manifestantes ameaçaram ocupar edifícios e o coração financeiro da cidade se os seus protestos não forem escutados.
Há muito que os cidadãos de Hong Kong reclamam por maiores liberdades no território chinês e ex-colónia britânica. Este tipo de marchas têm lugar todos os anos mas a deste ano foi especialmente concorrida em função do referendo não oficial que teve lugar e no qual 97 por cento dos 800 mil votantes manifestaram o desejo de poder decidir quem se candidatará ao cargo de chefe executivo da cidade cuja eleição está prevista para 2017. A China indicara em 1997 que iria permitir que as autoridades do território posssam ser eleitas por sufráugio universal mas reserva-se no direito de escolher os candidatos.
Pelas comemorações do 17º aniversário do regresso da ex-colónia britânica à soberania chinesa, cerca de 500 mil pessoas segundo dados da organização manifestaram-se em Hong Kong para exigir a total liberdade democrática para o território e a redução da intervenção do governo da China nos assuntos locais.  Para já, este conjunto de iniciativas que exigem uma melhor democracia, teve como condão centrar os olhos do mundo no pequeno território chinês que goza de alguma autonomia, causando controvérsia entre os sectores políticos, financeiros e comerciais pelos receios das consequências imprevisíveis que podem acontecer num dos principais centros financeiros e económicos da Ásia.
Também Macau organizou a sua própria consulta popular. A iniciativa que teve lugar entre os dias 24 e 30 de Agosto, pode ser vista como um raro protesto em Macau na qual os promotores, sem o suicesso de Hong Kong, esperaram que milhares de pessoas participassem na consulta. As críticas do governo de Pequim não se fizeram esperar à iniciativa que pretendia através da realização de um referendo não oficial decidir sobre a eleição directa dos seus futuros líderes em 2019. À semelhança do que aconteceu em Hong Kong, a consulta procurava auscultar a opinião dos macaenses sobre se querem eleger o chefe executivo local através de sufráugio directo e universal. De igual modo, as autoridades chinesas no território que fora administrado por Portugal fizeram saber que os responsáveis pela campanha não têm o direito de convocar um referendo.

Os activistas macaenses para fazerem vingar o seu objectivo apontam o caso do actual governo autónomo chefiado por Fernando Chui Sai-on que foi eleito, tal como os seus sucessores, por um comité eleitoral composto por 400 pessoas e que é controlado por grupos de pressão dos sectores económico e político macaenses. Uma iniciativa semelhante realizada em 2012 defraudou as expectativas dos promotores pela participação de apenas 2600 pessoas. Independentemente da aceitação e adesão popular da consulta popular parece claro que China, Macau e Hong Kong, apesar de formarem um único um país e em teoria existirem dois sistemas, em nenhum deles cabe o sentido mais anoréctico e estrito da democracia liberal.

O dinheiro dos políticos sem dinheiro

‘Há aqueles políticos que entram na vida política profissional com pouco mais do que a roupa que têm no corpo – para começarmos o texto com imagética pitoresca – e que lá para os cinquenta e picos anos se retiram da política profissional possuidores de casas na Quinta da Marinha e/ou na Quinta do Lago, gordas carteiras de investimentos, enfim, com o ar próspero de quem teve rendimentos mais generosos do que os relativamente modestos ordenados dos políticos. E há também – e igualmente curiosos – os políticos que saem (geralmente obrigados por derrotas) da política ou que por lá continuam sem que constituam magras poupanças ao alcance da classe média. Há quem os elogie; no entanto a mim deixam-me inquieta.

Vejamos o caso de Marcelo Rebelo de Sousa, saltitante entre a política e a sua atividade profissional fora da política, que, como bem nos lembraram quando MRS foi presidente do PSD, lhe trazia largos rendimentos que perdeu com estas funções. Estes largos rendimentos – vindos dos pareceres caros, da universidade, dos comentários… – levar-nos-iam a pensar que MRS acumulou já um simpático património. Ora há uns anos, no Conversas Improváveis com Marcelo Rebelo de Sousa e Ricardo Araújo Pereira, afirmou o político/celebridade mediática que antes da presente crise económica gastava o que ganhava, já havia avisado os filhos que não teriam herança e que apenas com a crise percebera a necessidade de mudar os hábitos.’

O resto aqui.

António Costa, o “Gandhi de Lisboa”

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A comparação que faltava: Jornal indiano chama “Gandhi de Lisboa” a António Costa

O Hindustan Times, um dos jornais em inglês com maior circulação naquele país, encontrou uma designação curiosa para descrever o também candidato socialista a primeiro-ministro, a quem chama “Gandhi de Lisboa”, devido à sua vida espartana.

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No Fio da Navalha

Esta semana no ‘i’ meto-me com o Nuno Ramos de Almeida.

Mudar o mundo

Nuno Ramos de Almeida, que assina a coluna aqui do lado, escreveu na edição da passada terça-feira deste jornal sobre a não aceitação do mundo tal como ele se nos apresenta. Um esforço meritório da sua parte, que merece um comentário meu muito breve.

É que, ao contrário do que refere o Nuno, a não aceitação do mundo não pressupõe a sua transformação, mas a não conformação individual com este. Dito da forma o mais simples possível: se o Nuno Ramos de Almeida não gosta da realidade em que vive, deve procurar resistir-lhe, nos pontos em que tal lhe diga directamente respeito e nunca na medida em que afecte terceiros, satisfeitos que possam estar com essa mesma realidade.

Esta diferença, que pode parecer ténue – na verdade trata-se de formas de não aceitar a imposição que a maioria faz das regras do jogo -, não é tão pequena assim. Ela separa um revolucionário de um liberal clássico. Distingue alguém que quer construir tudo de cima a baixo, de outrem que, mesmo não apreciando a realidade tal qual esta se mostra, a compreende e respeita.

Não deve ser por acaso que o texto do Nuno está quase todo escrito na primeira pessoa do plural. O que não deixa de ser engraçado pois está assinado por ele e mais ninguém. Melhor ainda: não me inclui a mim, que, tal como o Nuno, não me costumo rever na maioria. É curioso como a não aceitação do mundo começa por não aceitar generalizações.

Podia-lhe ter dado para a solidariedade

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Alá falou-lhe ao neurónio e ele foi obrigado a decapitar uma colega de trabalho. Incidente que as autoridades logo se prontificaram a confirmar que não tinha nada a ver com o Islão.

O PS e António Costa depois das primárias

O debate sobre as primárias no PS em que participei hoje de manhã na Antena 1 pode ser ouvido integralmente aqui.

No dia seguinte às eleições primárias no PS cujo vencedor foi António Costa, o jornalista Nuno Rodrigues modera um debate com a participação do professor de Ciência Política da Universidade Católica André Azevedo Alves, com o comentador de assuntos políticos da Antena 1 Raúl Vaz e com a editora de Política da Antena 1 Maria Flor Pedroso.

Leitura dominical

A higiene da casa, a opinião de Alberto Gonçalves no DN.

Pelo menos o Bloco de Esquerda, que voltou a tentar criminalizar o piropo, ainda faz rir. O PS nem isso. Parece que esta semana houve novo debate entre António José Seguro e António Costa. Parece que o debate foi fértil em insultos. Parece que não saiu daquelas cabecinhas a sombra de uma noção acerca do País. Parece que um dos Antónios ganhará o partido. Fascinante.

Como se nota, troquei a contemplação do debate pela leitura da imprensa no dia seguinte, tarefa apesar de tudo mais rápida e suportável. Há limites para os sacrifícios a que um comentador profissional se deve submeter. Em quase todas as profissões existem direitos adquiridos que isentam os trabalhadores de esforços sobre-humanos ou prejudiciais à saúde. Ninguém espera que um técnico laboratorial deguste as mistelas habitualmente testadas em hamsters, ou que um maquinista da CP conduza trinta seguidas (nos tempos que correm, começa a perder-se a esperança de que os maquinistas conduzam trinta minutos). Mas considera-se normalíssimo que um colunista político seja sujeito a repetidas sessões com a parelha de Antónios, independentemente dos malefícios emocionais e até físicos associados a semelhante empreitada. Em quatro décadas de democracia, os colunistas não adquiriram direito nenhum, incluindo o de veto.

O veto é da maior importância. Se um empregado de restaurante pode recusar-se a servir alcoólicos, o colunista deveria poder vetar a emergência de nulidades extremas na política. Para comentar alguém, é preciso que esse alguém mereça comentários. Não é questão de simpatia ideológica: para o bem ou para o mal, Sá Carneiro, Soares e Cunhal eram altamente “comentáveis”. Cavaco, Guterres, Louçã ou Jerónimo sempre providenciavam assunto. Com Sampaio, Santana, Sócrates ou Passos Coelho, a coisa já se tolerava com dificuldade. Os Antónios não se toleram. E nós, colunistas que se prezam, não os toleramos a eles. Falta-nos um sindicato, uma greve, uma manifestação na avenida.

 

Um mau prenúncio… (2)

Um homem, aparentando ter mais de 50 anos de idade, foi transportado por uma ambulância do INEM para o Hospital de Braga, queixando-se de dores no peito e apresentando ferimentos, na sequência de uma rixa que opôs apoiantes de António Costa e de António José Seguro, na Escola Básica 2+3 André Soares, uma das maiores secções de voto nas primárias do PS do país. (…) O JN testemunhou o início do desacato, pelo que pode confirmar ter sido causado por disputas eleitorais. Apesar disso, agentes do Partido Socialista local insistiram em negar que a origem da cena de pancadaria fosse partidária.

Festa é festa

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Na Venezuela a escassez de alimentos, as dificuldades económicas e a perseguição política teimam em persistir. No entanto, nem tudo é péssimo no paraíso terreno: Caracas vai dançar ao som de cinco orquestras cubanas.

Servos das já-não-tão-belas artes

O meu texto de ontem no Observador, ainda sobre a cópia privada.

‘Na sexta feira a lei da cópia privada foi aprovada na generalidade por PSD e CDS. Isso, ao contrário do que algumas pessoas malévolas – e, evidentemente a soldo dos mais obscuros interesses que corroem subterraneamente a sociedade portuguesa e sabe-se lá se não mesmo financiadores do ISIS – afirmam, será ótimo para o país. Explico porquê.

Em primeiro lugar, o óbvio: vamos ter um novo imposto, mais 15 a 20 milhões de euros a passar dos privados para o estado e deste para várias organizações burocráticas que representam os artistas (todos – menos aqueles que não representam). Mais uma maravilha deste governo viciado em impostos.

Em segundo, inauguramos o tempo do Estado inventar impostos, assim como na embaixada de D. João V a Roma se lançavam moedas, de cada vez que um negócio se torna obsoleto. Como um bom senhor disse no programa Prós e Contras de 15 de setembro, as vendas de música em cd têm decrescido. É certo que não se entende o que estas estatísticas têm a ver com a cópia privada – que pretende regular a cópia daquilo que anteriormente se adquiriu – porque qualquer criança entende que se não se adquire nada, então também não se tem a possibilidade de copiar. Mas deixemos essas lógicas elaboradas para outras áreas da governação menos importantes, como a Educação ou a Justiça.’

O resto está aqui.

O título é um tanto injusto para as Belas Artes, que se eu fosse multimilionária seria com certeza colecionadora de pintura, mas é para dar o efeito que os artistas rentistas têm no azedar do que é bom.