Olha que coisa mais gira, mais cheia de graça

Campos doou 2,5 milhões um dia depois de morrer

 

O Comité Financeiro do Partido Socialista Brasileiro (PSB) informou o Tribunal Superior Eleitoral que recebeu uma doação de Eduardo Campos, o ex-candidato presidencial pelo partido que morreu num acidente de avião, conta a Carta Capital.

Há dois pontos a causar estranheza à imprensa brasileira. Primeiro, o timing: aconteceu apenas um dia depois do acidente aéreo (14 de agosto). E a quantia — cerca de 850 mil euros —, que será, segundo o jornal brasileiro, quase cinco vezes mais do que o património declarado pelo político.

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Mais uma conspiração sionista revelada

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Desta vez a sorte coube ao Krav Maga. É preciso estar atento à Angelina Jolie, ao Brad Pitt, aos ginásios, academias e federações por esse mundo fora.

(…) Mashregh warns that Israel is now undertaking “mysterious activities” involved in spreading Krav Maga worldwide. The news site concludes that it cannot yet give an answer as to what is behind Israel’s plot to spread the martial art, but notes that the dangerous trend should be observed.  Mashregh’s comments come amid reports that Hollywood celebrities, particularly Brad Pitt and Angelina Jolie, are taking lessons in Krav Maga.  Mashregh regularly features articles accusing Israel and Hollywood of various covert plans for world domination. In 2012, the news site wrote that Israel and Hollywood were working together to promote homosexuality as part of a global plot to subjugate humankind in a plot based in Tel Aviv, which Mashregh described as the “gay capital of the world.”

Preconceito em pelota

A Carla Quevedo no i sobre as fotografias de nudez roubadas e os disparates abundantes (que os disparates são assim, vêm sempre abundantemente) que sobre o roubo se disse. E na conclusão (muito acertada) da Carla sobre o assunto, eu ainda acrescentaria que uma mulher de bem só tiraria fotos nua a contragosto e para fazer a vontade ao marido. Tudo o que esteja fora disso, é expor as tentadoras. Quiçá criar-se uma página daquelas que agora surgem no facebook, ‘base de dados de mulheres solteiras que tiram fotos nuas’.

‘Comecemos pelo princípio. Um hacker entrou sem autorização nas contas iCloud de várias celebridades de Hollywood, como Jennifer Lawrence, a cantora Rihanna ou a modelo Kate Upton, e espalhou pela rede imagens das protagonistas, nuas, que estavam na chamada “nuvem”, a qual julgavam segura. Além de “hackar” as contas para roubar o que não era dele, partilhou o saque publicamente. Os crimes são tantos que quase não tenho espaço para os enumerar. No entanto, adivinhem quem foram apontadas como as maiores culpadas do roubo? As vítimas, claro. E porquê? Porque estavam nuas.’

Leitura recomendada

Não, não iremos morrer a Donetsk, de José Manuel Fernandes.

(…) Foi publicada a semana passada em Espanha uma sondagem onde se ficava a saber que só 16% dos espanhóis estavam dispostos a participar voluntariamente na defesa do seu país. Não na defesa da União Europeia, ou do Ocidente, ou da liberdade, ou do direito dos povos à autodeterminação: na defesa do seu país. Não conheço estudos noutros países, mas suspeito que mesmo em Estados unitários, sem o problema das várias nacionalidades que existem em Espanha, os resultados não seriam muito diferentes.

Este é o maior abismo que existe entre a Europa de hoje e aquela que, há cem anos, marchou entusiasticamente para as trincheiras. A hipótese de ter de defender o nosso país não se coloca, a de combater algures no mundo em nome de valores partilhados ainda menos. Sociedades que gastam um quinto da sua riqueza a pagar pensões de velhice – e onde grande parte da população depende desse pagamento para sobreviver – não precisam de gostar muito de McDonalds para não estarem preparadas para defender o tipo de valores que está em causa no conflito ucraniano. Isso não acontece por falta de vontade política dos líderes – isso acontece porque foi assim que preferimos viver – e ainda bem.

Acontece que outros não têm os mesmos valores, não alimentam as mesmas ambições e estão dispostos a utilizar outros métodos. É talvez por isso, por estas nossas sociedades serem tão diferentes, que me parece sempre um pouco vácua a discussão sobre se estamos a repetir os erros dos líderes pré-I Guerra – os “sonâmbulos” que caminharam para o desastre sem ver o que aí vinha – ou os erros dos líderes pré-II Guerra – os “apaziguadores” que cediam em tudo para evitarem um conflito.

O líderes de hoje enfrentam uma realidade bem diferente e difícil de mudar: a convicção generalizada, a vontade enraizada de que não, não iremos morrer por Donetz. (…)

 

Terror: conferência de doadores

O apoio dificilmente podia ser mais evidente. Claro que continua a haver espaço para trazer à discussão as Grandes Guerras, o império norte-americano e a existência de Israel.

Standing at the front of a conference hall in Doha, the visiting sheikh told his audience of wealthy Qataris that to help the battered residents of Syria, they should not bother with donations to humanitarian programs or the Western-backed Free Syrian Army.

“Give your money to the ones who will spend it on jihad, not aid,” implored the sheikh, Hajaj al-Ajmi, recently identified by the United States government as a fund-raiser for Al Qaeda’s Syrian affiliate.

O aviso de George W. Bush sobre o Iraque, em 2007

President Bush Warns What Would Happen if the U.S. Withdrew from Iraq Too Early

Flashback: President George W. Bush Warned of What Would Happen If the U.S. Withdrew From Iraq Too Early

Facing criticism from opponents of the Iraq War after ordering a troop surge in 2007, President George W. Bush issued a warning of what would happen in the future should the United States withdraw armed forces from Iraq. Now, seven years later, the president’s admonition mimics what’s happening in Iraq today.

Leitura dominical

As flores do Mal, a crónica de Alberto Gonçalves no DN.

Posso ser um bocadinho optimista? Muito obrigado. É verdade que o desfecho do caso Face Oculta se fez tipicamente esperar. É verdade que ainda estará sujeito aos recursos da praxe (e, talvez, aos beneplácitos da praxe). É verdade que a decisão do tribunal não apaga o papel de altos magistrados na sabotagem do processo. É verdade que a figura maior desta história passou entre os pingos da chuva. E é verdade que castigar a trapaça do sucateiro socialista não castiga outras trapaças que envolvem outros partidos ou “personalidades”.

Mesmo assim, o que aconteceu em Aveiro, da sentença aos rostos perplexos dos condenados, é um sinal de que nem tudo é permitido nem a impunidade é inevitável. Por uma vez, se calhar sem exemplo ou repetição, ganhei confiança na justiça. Enquanto não voltar a perdê-la, permitam-me festejar durante uns dias o célebre Estado de direito. E quem diz uns dias diz uns minutos, ou o tempo em que Portugal se assemelhou à civilização.

Fica-lhe bem

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Sócrates deixa palavras de amizade a Armando Vara e José Penedos

José Sócrates aproveitou o comentário, que esta semana fez excecionalmente ao sábado no telejornal da RTP, para enviar uma “mensagem de amizade pública” aos “camaradas” Armando Vara e José Penedos, ambos condenados no âmbito do processo Face Oculta.

Sobre a condenação de Vara e Penedos, José Sócrates não teceu comentários, adiantando que se tratava de um assunto que entrava na “dimensão pessoal” da sua vida e que não tinha espaço para um comentário de ordem política.

Face Oculta e José Sócrates

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O segundo mais empenhado blogue do socratismo quebrou o incómodo silêncio sobre as condenações no processo Face Oculta.

O tema do post ?
José Sócrates. Eles lá saberão porquê…

Leitura complementar: Face Oculta: penas de prisão para Armando Vara, José Penedos, Paulo Penedos e Manuel Godinho.

Juan Ramón Rallo e a TVE

Na TV estatal só há lugar para socialistas: Polémica por la salida del economista Juan Ramón Rallo del programa de Mariló Montero

TVE ha cancelado el contrato de colaboración que tenía el programa de Mariló Montero con el economista Juan Ramón Rallo, quien atribuye el conflicto a sus declaraciones sobre el cierre de las televisiones públicas. «La cosa ha tardado poco: TVE cancela mi colaboración con @LaMananaTVE», ha anunciado Rallo en su cuenta de Twitter. «Ya sabemos quién manda en la televisión de todos».

Rallo ha contado en esRadio, emisora en la que colabora, su versión de cómo le ha comunicado el despido la propia Mariló, «diciéndome que no compartía la decisión». «La verdad es que no me han comunicado los motivos, me han dicho que ha sido una decisión de arriba y muy probablemente el comunicado de UGT haya tenido su peso y su influencia», añadió.

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Rand Paul, o novo falcão II

A opinião de Rand Paul, escrita pela próprio candidato presidencial. Prevê-se o rasgar de vestes na caixa de comentários.

Rand Paul: ‘I Am Not an Isolationist’.

If I had been in President Obama’s shoes, I would have acted more decisively and strongly against ISIS

Some pundits are surprised that I support destroying the Islamic State in Iraq and Greater Syria (ISIS) militarily. They shouldn’t be. I’ve said since I began public life that I am not an isolationist, nor am I an interventionist. I look at the world, and consider war, realistically and constitutionally.  I still see war as the last resort. But I agree with Reagan’s idea that no country should mistake U.S. reluctance for war for a lack of resolve.

As Commander-in-Chief, I would not allow our enemies to kill our citizens or our ambassadors. “Peace through Strength” only works if you have and show strength. (…)

Leitura complementar: Rand Paul, o novo falcão.

“A Cultura apoia António Costa” (2)

PS. Personalidades da cultura inscrevem-se como simpatizantes para apoiar Costa

Numa ação que decorreu no Chiado, em Lisboa, várias personalidades ligadas à cultura, como os realizadores de cinema António-Pedro Vasconcelos e Ruben Alves, o maestro António Vitorino D´Almeida, os estilistas Nuno Gama e Eduarda Abbondanza, a empresária Catarina Portas e o escritor e fundador das produções Fictícias Nuno Artur Silva, formalizaram as inscrições de simpatizantes.

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Godinho de Matos, o BES e uma cultura de impunidade

Como já aqui salientou o Miguel Noronha, as declarações do ex-administrador do BES Godinho de Matos (“Eu sabia tanto de bancos como de calceteiro”) são simplesmente espantosas. Mas, mais do que isso, são indiciadoras de uma cultura de irresponsabilidade, promiscuidade e impunidade.

Sobre o caso, recomendo também este texto de José Manuel Fernandes: Eu também quero ser verbo de encher.

Perguntarão: quem é Nuno Godinho de Matos? Pois é um advogado de Lisboa que era, até ao mês passado, administrador não executivo do Banco Espírito Santo. Uma busca na internet rapidamente nos indica que, além disso, foi fundador do Partido Socialista, trabalha há décadas com Daniel Proença de Carvalho, é actualmente vice-presidente da Ordem dos Advogados e foi durante muitos anos membro da Comissão Nacional de Eleições, lugar a que renunciou por ter representado nas últimas eleições autárquicas Moita Flores. Alguém de múltiplos talentos que, quero crer, falará com conhecimento de causa.

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Martírios populares

Há um grande serviço à humanidade feito pelo Observador – além, obviamente, de dar guarida aos textos da yours truly e de demais insurgentes – que tem pasado despercebido: traz-nos, todas as semanas, um texto do Paulo Tunhas. O desta semana é hilariante (posso confessar que lágrimas de riso ocorreram enquanto escrevi estas linhas). Eu li-o ao fim da tarde no cabeleireiro (ainda por cima um rapaz que eu nunca havia visto, que as duas senhoras que se revezam para me aparar os caracóis estavam de férias e de folga, o que significa que a minha reputação junto desta pessoa ficou arruinada ainda mais cedo do que é costume) e entre rir-me imenso, contorcer-me para parar de rir imenso, maior vontade de rir à conta do olhar perplexo do rapaz (que desde logo estranhou eu estar a ver coisas só co letras em vez de com fotos ‘de famosos’), fiz uma figura que me obrigou a ser mais generosa do que devia com a gorjeta. E fui transportada para os tempos em que morei numa zona de Lisboa circundante aos bairros onde se comemora o Santo António. Apesar de a minha experiência não ter sido tão traumática, também posso partilhar a alegria de ter no início de uma pequena travessa em frente às minha janelas de então (era um 1º andar) de um lado da casa – o outro tinha uma vista catita sobre a encosta – os ensaios da marcha do bairro (que era coisa para se iniciarem três meses antes dos dançarinos se exibirem na Av. da Liberdade e, portanto, animarem as noites de uma boa porção do nosso ano). Ou de como se nos abriam duas opções para viver o Sto. António: ou nos encerrávamos em casa entre, o mais tardar, a hora de almoço do dia 12 e o dia 14, acautelados contra qualquer necessidade de sair de casa como se de um inverno nuclear se tratasse; ou fugíamos de Lisboa entre essas datas.

Um excerto das experiências de Paulo Tunhas no S. João:

‘Mas, sexta-feira de tarde, o mundo mudou mais do que alguém, mesmo alguém advertidíssimo da incerteza da existência, poderia esperar. Vinda do centro da Rotunda, uma voz gritava, amplificada por um potentíssimo aparelho sonoro: “Are you ready?”, “Arriba! Arriba!”, “Tudo nice?”, “Es-pe-cta-cu-lar!”, “Uau!”, e coisas assim. Com um entusiasmo e uma regularidade aterrorificantes.

É claro que me assustei. A atmosfera não era em nada balsâmica. E assustei-me cada vez mais à medida que as horas passavam e a coisa não parava. À noite, com as persianas fechadas e os vidros a tremer, era impossível ouvir música, ver um filme ou ler um livro. Acrescentei mais três portas fechadas dentro de casa e, como um animal acossado, enfiei-me, inerme, no quarto, o mais longe possível do horror. A voz continuava a berrar (“Arriba! Arriba!”) e um baixo persistente atacava, percutante, a noite. Adormeci por exaustão por volta da uma e meia da manhã, quando a gritaria parou, como alguém que, de repente, se vê livre de uma dor aguda e inteiramente absorvente.

Sábado foi a mesma coisa, salvo que naturalmente pior, porque estas desventuras deixam marcas na nossa “organização nervosa”, para falar como Júlio Dinis. Impossível fazer o que quer que seja, a não ser remoer o ódio. Domingo, fui almoçar a casa da minha mãe e cravei-lhe dois lorenins, para aquela noite e para a noite de S. João propriamente dita. Passou essa noite – o mesmo – e a noite de S. João. Terça-feira, feriado, e apesar da “organização nervosa” estar ainda mais debilitada, vi a manhã como uma manhã de Natal da infância. O pesadelo tinha acabado e o mundo ia renascer belo e puro. Ia finalmente poder ler, trabalhar, ouvir música.

O doce engano durou até cerca das quatro da tarde, altura em que os “Uaus!” e os “Arribas!” retornaram com inusitado vigor (ainda os ouço em imaginação).’

O resto da experiência está aqui.

Rand Paul, o novo falcão

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A intenção de Rand Paul que o deve colocar fora da lista de favoritos dos amantes da paz: “If I were president, I would call a joint session of Congress,” Paul told the AP. “I would lay out the reasoning of why ISIS is a threat to our national security and seek congressional authorization to destroy ISIS militarily.”

E o contexto explicado das declarações do candidato presidencial.

Richard Burt, one of Rand Paul’s foreign-policy advisers, says that the senator’s call to destroy the Islamic State is not merely a matter of political opportunity, but reflects the senator’s broader views about America’s role in the world. When I spoke with Burt, who served as ambassador to West Germany during Ronald Reagan’s second term, he was working with Paul’s team on an op-ed on the Islamic State threat.  Paul, Burt says, “understands that the United States is a global power and that there are occasions where the United States has to use military force.”  “I think this is all based on an approach to foreign policy that thinks in terms of American interests,” he says. “The thing that makes ISIS a particularly serious challenge is that we do have interests” in the Middle East, Burt says — in a thriving Kurdish minority and a stable, successful Iraqi government that integrates the country’s Sunni minority.

Guerra dos sexos digital

O meu texto de hoje no Observador.

‘Todas as mulheres já devem ter passado por momentos em que se repara que o cérebro do homem com quem se conversa (socialmente, em trabalho, estes momentos não se fazem esquisitos) deixa de funcionar. Fica demasiado distraído a olhar para o decote (especialmente se tiver algum indício de cleavage – e os wonderbra são instrumentos letais para a exibição da inteligência ou eloquência masculinas) ou para as pernas (sobretudo se estiverem pouco cobertas e assentes nuns saltos altos) e esquece-se de manter o fio condutor do raciocínio. Ou o objetivo passa de mostrar a lógica dos argumentos para tocar amigavelmente, no meio do gesticular, na mulher com quem fala. Há casos em que estes comportamentos são ofensivos – o toque pressupõe intimidade que é inexistente ou o senhor faz questão de exibir a opinião de que a mulher com quem interage é só o decote ou as pernas – mas na grande maioria das vezes são inofensivos, divertidos e, até, elogiosos. (De resto, às mulheres também acontece).

Claro que é mais estimulante (e enternecedor) quando a resposta masculina à admiração pelo feminino é a tentativa de nos impressionarem (pela sapiência, beleza, proeza física, status, fortuna – aquilo em que o homem se sentir mais dotado). E no topo há aquela classe de homens – a que eu chamo os grandes elogiadores – que têm uma verdadeira mestria a elogiar mulheres. (Um dos dons mais subvalorizados da história da humanidade.) Elogiam abundantemente, sempre com gosto e doses certas de admiração e atrevimento. Neste caso, o elogio é mesmo uma questão de respeito. Não o respeito puritano, mas aquele que sentimos por alguém que tem uma qualidade que muito valorizamos.

No reverso insultuoso e exasperante das relações entre os sexos temos sermos ignoradas – ou não se dão ao trabalho de reagir (por uma mulher? porquê?), ou desvalorizam o que dizemos e produzimos, ou lembram-nos que somos subalternas de uma hierarquia superior masculina (afinal, a ordem natural das coisas, não é?). E, pior, na estratosfera ofensiva há as ameaças de morte e violação, eventos agradáveis que por estes dias ocorrem frequentemente na net envolvendo sobretudo mulheres opinativas (as mulheres a terem e proferirem opiniões, onde é que isto vai parar?). Algo que se pode com propriedade caracterizar como um curto-circuito cerebral masculino. Mas em ainda mais perigoso.’

O resto está aqui.

No Fio da Navalha

O meu artigo de hoje no ‘i’.

Socialismo à francesa

Logo após ter apresentado a demissão, o primeiro-ministro francês, Manuel Valls, recebeu instruções de François Hollande para formar novo governo. De fora, e precisamente para isso foi esta manobra política, ficará Arnaud Montebourg, um dos dirigentes do PS francês que mais se opõem à política de austeridade que Hollande tanto criticou e agora parece ter abraçado.

O presidente francês não é a figura política com a linha de raciocínio mais consistente. No entanto, as suas promessas, em período eleitoral, de confrontar Merkel, o seu primeiro governo liderando pelo titubeante Ayrault e a concessão de agora ao realismo económico de Valls, que visa libertar França da solidariedade hipócrita e egoísta que está a liquidar o seu Estado social, devem a levar-nos a pensar.

Por que razão Hollande não se juntou à esquerda do seu partido? Se o discurso proteccionista e de aumento da despesa pública (que é no que se traduz o fim da austeridade) de Montebourg é uma saída possível, por que motivo Hollande não a seguiu conforme prometeu ao eleitorado?

A resposta é simples. Porque o fim da austeridade, que em Portugal tem seguidores no PS (e também no PSD/CDS), conduziria a um aumento exponencial da dívida, que estoiraria com o que resta desta Europa. Produziria especulação e uma nova bolha cuja explosão seria pior que a de 2008. A situação é muito mais grave do que lemos na imprensa e, infelizmente, Hollande só o percebeu quando chegou ao Eliseu.

Silly adviser em alta

bulut

Erdoğan appoints aide who denounced ‘murder attempts by telekinesis’ as economic adviser

Newly inaugurated Turkish president Recep Tayyip Erdoğan has appointed his close aide Yiğit Bulut to be his chief economics adviser, his office said on Aug. 30, a move likely to alarm investors already concerned over the management of the country’s finances.

Bulut, an influential but divisive figure, was a key voice in the ear of Erdoğan when the latter was still prime minister, hitting international headlines during last summer’s Gezi Park protests when he claimed that foreign powers were trying to kill Erdoğan through telekinesis.

He is a vocal champion of the idea that a shadowy international “interest rate lobby” is working to sabotage Turkey’s economy through higher rates, and declared his devotion to his patron by saying he was “ready to die for Erdoğan if necessary.” His heroic announcement prompted a number of his critics to start referring to him by the English translation of his name, “Brave Cloud.”

Bulut also made headlines earlier this year when he said that in the future Turkey would no longer need to maintain ties with Europe.

Boaventura de Sousa Santos em versão rap

Boaventura de Sousa Santos vira rapper em ensaio de hip-hop baseado em sua obra

Jesus caminha/ caminha com alguém/ que pode ser ninguém/ Allah caminha/ nas ramblas de granada/ e não acontece nada

Uma opinião de Boaventura Sousa Santos. Por Paulo Tunhas.

É sempre bom as pessoas saberem que há pessoas como Boaventura Sousa Santos que se acham incumbidas da missão de representar os “cidadãos do mundo”. Para se precaverem, é claro. Não vá alguém lembrar-se de as extinguir em nome do mundo.

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Temos herdeiro para a CDU

‘Having achieved virtually none of the objectives it said it fought for, at a cost of 2,000 dead and 500,000 displaced, Hamas tries to make the case it won the war.

Exhausted, battered and traumatized from 50 days of fighting and incessant Israeli bombardment, Gazans are now pouring through the streets lined with the rubble of former buildings and breathing a collective sigh of relief. Whether flocking to reopened cafés or pulling cinder blocks out of their blown-out living rooms, as the ceasefire takes effect people are feeling they have withstood the worst and survived. It’s a sentiment Hamas is seizing on to try and claim “victory” in a war that has yet to end the seven-year siege of Gaza – which was supposed to have been its purpose when Hamas was launching rockets at Israel.

Rather than focusing on an agreement that doesn’t seems to get Palestinians anything more than they got at the end of the 2012 war, Hamas changed from its wartime claims that it was fighting a battle to end the blockade to new rhetoric about victory in survival and repelling the Israeli ground invasion.’

O resto em The Daily Beast.

Senhor jihadista, posso ter a Grã-Bretanha de volta? Obrigada.

O meu texto de hoje no Observador.

‘Sou anglófila até à medula. Contado depressa: adoro all things british. O folclore da finest hour, a forma como valorizam a excentricidade, o Yes, Minister e o Fawlty Towers, as livrarias e os autores curiosos que descubro nas livrarias (de fugida, nomeio a Charlotte Mendelson e o autor sino-americano de policiais Qiu Xiaolong), a Tate Modern, as latas de chá da Fortnum & Mason (e estou eternamente grata à East India Company por ter surripiado os arbustos do chá à China para os cultivar no norte da Índia e no Ceilão), as capas para ipad da Smythson, o Colin Firth.

Bom, tudo, tudo, não. Na verdade a Grã-Bretanha tem algo dentro de si verdadeiramente funesto. Algo cuja mais recente manifestação ocorreu algures pelo Iraque quando um londrino decapitou um inocente americano em frente a uma câmara de filmar. E que gerou ondas de choque, ai Jesus, como é possível que na Europa rica, democrática, tolerante, das Luzes germinem jihadistas? Cameron interrompeu até por uns dias as suas férias na Cornualha (região que também adoro e admito até uma leve paixoneta por St Ives, que seria o meu local de veraneio de eleição não achasse eu uma anedota fazer férias ditas de praia em locais como Moledo ou S. Martinho do Porto que, afinal, são vários graus de latitude a sul de St Ives) para, presume-se, curar a arritmia dos membros do governo por tão inesperada notícia de que há malucos extremistas in the making em Londres.’

O resto está aqui.