Desemprego cai 13% face ao ano passado

Número de desempregados inscritos cai mais de 13% em novembro

O número de desempregados inscritos nos centros de emprego do continente e das regiões atingiu as 598.083 pessoas no final de novembro deste ano, menos 13,6% face ao período homólogo, segundo dados oficiais dados a conhecer esta sexta-feira.

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A requisição civil na TAP e o interesse público

O meu artigo de hoje no Observador: Contra a requisição civil na TAP.

O interesse público correctamente entendido não passa por aplicar a requisição civil aos trabalhadores da TAP, mas sim pela completa desestatização do sector e pelo aumento, por via do mercado, das alternativas à disposição do público.

Proteger o interesse público implica garantir que os portugueses não continuarão no futuro – como tem lamentavelmente sucedido até agora – a ser forçados a sustentar a TAP. A única questão em aberto face à gravíssima situação a que chegou a empresa é se o interesse público será melhor servido por uma imediata privatização ou pela liquidação da empresa.

O artigo completo pode ser lido aqui.

Entrevista para o podcast do Instituto Mises Brasil

Foi com muito gosto que dei mais uma entrevista (salvo erro a terceira) ao Bruno Garschagen para o podcast do Instituto Mises Brasil, desta vez tendo como tema o artigo “Hayek’s Slippery Slope, the Stability of the Mixed Economy and the Dynamics of Rent Seeking”, recentemente publicado na Political Studies, a principal revista científica da Political Studies Association.

PODCAST 150 – ANDRÉ AZEVEDO ALVES

Para fechar o ano com chave de ouro depois de um 2014 muito produtivo na divulgação das ideias da Escola Austríaca no Brasil, incluindo o lançamento realizado no início desta semana do terceiro número da revista MISES, o Podcast do Instituto Mises Brasil foi conversar com André Azevedo Alves, professor e doutor em Ciência Política pela London School of Economics, sobre um artigo acadêmico escrito em parceria com o professor John Meadowcroft, do King’s College London, e publicado na edição mais recente da revista Political Studies.

Subjacente ao artigo (com primeira versão concluída em 2012) está uma série de ideias e uma linha de investigação que o John Meadowcroft e eu vimos tentando desenvolver já há alguns anos e relativamente à qual esperamos poder apresentar mais resultados nos próximos anos. Em 2014, por motivos de força maior, não foi possível avançar substancialmente nesta linha, mas espero que 2015 seja um ano mais produtivo a este respeito, com novos frutos a médio prazo.

No Fio da Navalha

O meu artigo de hoje no jornal ‘i’ é sobre o financiamento da política autárquica.

Descentralização

A junta de freguesia do bairro onde moro, Alvalade, promoveu aquilo a que chamou “Mercado de Natal em Alvalade”. A iniciativa consistiu num conjunto de barraquinhas, espaços com artesanato e animação de rua, com vista a atrair gente para o comércio local.

A ideia foi engraçada e é difícil encontrar razões contra. Difícil, mas possível. Por princípio, faz-me confusão que uma freguesia se imiscua em assuntos privados. Na verdade, a promoção do comércio tradicional não tem de ser feito pelo poder público, quando são interesses privados, os dos comerciantes e habitantes duma determinada zona, que estão em causa. A interferência do poder político acaba por beneficiar alguns à custa dos demais cidadãos, cuja opinião não é pedida nem achada.

Dir-me-ão que se trata de solidariedade. O que não é o caso, pois não falamos de necessidade, mas de interesse comercial. O que está em causa é ajudar os lojistas. Algo meritório, mas que os próprios poderão fazer sem que se onere os contribuintes e se retirem fundos de causas sociais, essas sim, de manifesta importância.

Uma política correcta é, pois, não interventiva, mas permissiva. Não coloca entraves nem taxa iniciativas privadas de promoção do comércio. Implica uma descentralização verdadeira, porque também fiscal: uma freguesia gasta apenas o que recebe dos munícipes. Mais despesa implica mais imposto. Só assim se controla o poder, não se tolhem direitos e se incentiva a liberdade comercial.

Uma triste campanha

(Artigo publicado no Diário Económico de hoje)

Há dias, o Governo anunciou que não voltará a prolongar a redução de 50% do pagamento do trabalho em feriados e horas extra. A organização corporativa que defende os interesses dos donos de algumas empresas e a organização corporativa ligada ao PCP que zela pelos interesses dos trabalhadores nela inscritos dividiram-se quanto aos méritos da decisão. Mas méritos ou deméritos desta ou outra medida serão algo que ficará ausente do debate partidário, pois nenhuma será discutida pelas agremiações concorrentes em função de outra coisa que não a sua coreografia para a longa e triste campanha eleitoral que nos atormentará.

Já se percebeu que os meses que nos separam das eleições legislativas serão tudo menos edificantes. Falando de “caravelas”, “mexilhão” ou “donos disto”, Governo e oposição degladiam-se ferozmente, esforçando-se por se suplantarem no que à falta de seriedade diz respeito. E a tendência é para a coisa piorar: PSD e CDS precisam de dar uns rebuçados a um eleitorado cansado de austeridade e simultaneamente convencê-lo de que o “despesismo” do “punho erguido” será uma desgraça. O PS argumentará que “uma desgraça” foi o estado em que o Governo deixou Portugal, procurando que esse refrão não convença os eleitores de que a situação do país impedirá o PS de melhorar as suas vidas. Por outras palavras, PSD e CDS terão de mostrar que governaram bem, mas não “demasiado bem” ao ponto de tudo estar resolvido e ser seguro devolver S. Bento ao PS, e o PS precisa de mostrar que a crise continua, mas é possível voltar a viver como se ela nunca tivesse ocorrido. Ninguém de bom senso acreditará em qualquer um deles, claro, e o resultado será o “parlamento pendurado” que por aí se antecipa. Quanto aos problemas que realmente afectam os portugueses, nada será dito ou feito. Nada, também, que nos deva surpreender.

Rússia em modo vintage

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Crise, qual crise? Está proibida, a crise.

Authorities in the Central Russia’s Kaluga Region have banned the use of the word ‘crisis’ in public and the measure is already helping to attract investors, according to the local governor.

It is possible that the crisis exists, but we forbid the use of this word,” the Russian News Service (RSN) radio quoted Anatoly Artamonov as saying on Tuesday.

The governor added that the Kaluga Region authorities were not planning a policy response to the current “inconvenient moment,” but instead chose to hold a major internal audit of the investment policy and legislation in order to create a better business environment.

Da bestialidade e irracionalidade do terror

Foto de Mohammad Sajjad/AP

Foto de Mohammad Sajjad/AP

Taliban Attack on School in Pakistan Kills More Than 100.

Leitura complementar: O Público continua a chamar aos assassinos, “combatentes dos taliban paquistaneses “. Os tais bravos combatentes queimaram vivo um professor e decapitaram várias crianças.  Não são separatistas, são assassinos III.

Querida progressividade

O meu texto de dia 10 de dezembro, no Diário Económico, sobre a reforma do IRS e os desastres do PS com o coeficiente conjugal.

‘O Governo provavelmente fez bem em recuar na cláusula de salvaguarda, amedrontado, entre outras razões, com as dificuldades informáticas que adviriam se a mantivesse. O Governo não tem tido uma relação fácil com as fórmulas de cálculo. E se está disposto a arriscar atrasar o já lento tempo da justiça, deixar inúmeros alunos durante quase um trimestre inteiro sem aulas e desorganizar a vida de milhares de professores e das suas famílias, evidentemente que no que toca à recolha de impostos (a verdadeira função do estado para este Governo), venham todas as cautelas.

Claro que a cláusula de salvaguarda só era necessária porque aumenta o IRS de algumas famílias. Mas ao fim de tantos aumentos de impostos – deste governo e anteriores – já estamos anestesiados em demasia para continuarmos a protestar. Esta reforma do IRS não se recomenda. Não há significativa simplificação e continua a ver a classe média como se composta por nababos. Mas por causa de uma das poucas medidas boas que o Governo propôs – o coeficiente familiar – o PS lá entendeu rasgar as vestes. E mostrar o extremismo que por estes dias o assola. O coeficiente conjugal existente permite dividir por dois o rendimento de um casal.

Se um dos casados não trabalhar – mesmo sendo saudável e podendo – o Estado atende ao facto de o único gerador de rendimentos do casal ganhar para duas pessoas em vez de apenas para si. Mas o mesmo Estado que dá benefícios fiscais a um adulto casado que até pode não trabalhar por opção, deve arrancar os cabelos – como o PS por estes dias – se para cálculo de IRS atender ao facto dos um ou dois geradores de rendimento familiar o gerarem também para os filhos. Isto diz-nos muito sobre a política fiscal que o PS seguirá. Não terminarão a sobretaxa do IRS para todos os escalões, visto que, pela nova argumentação do PS, abandonar uma sobretaxa igual para todos implica regressividade fiscal. Acaso queiram reduzir IRS, não tirarão, por exemplo, 1% à taxa de cada escalão – para o PS isso é regressivo. Donde: se reduzirem o IRS, irão aumentar a progressividade do imposto – e tratar a classe média ainda mais como nababos, agora ao quadrado.
Estamos avisados.’

O Novo Regime Contributivo da Segurança Social

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Na semana passada surgiram notícias sobre os descontos para a Segurança Social nos recibos verdes que assustaram a maioria dos trabalhadores independentes e criaram uma enorme confusão. A meu pedido, este texto foi-me enviado por uma Técnica Oficial de Contas e é uma tentativa de ajuda aos ditos trabalhadores, na esperança de que os que nos lêem ainda vão a tempo de resolver os eventuais problemas que lhes tenham sido criados.

Um pequeno texto a propósito desta matéria, ainda muito confusa, quer para os contribuintes, quer para os próprios serviços da segurança social que, muitas vezes, não possuem conhecimentos adequados à correcta informação dos contribuintes.

Assim, em jeito de resenha, importa referir que o sistema contributivo especifico dos trabalhadores independentes sofreu enormes alterações nos últimos anos, nomeadamente desde 2010.

Até então, a base de incidência contributiva, isto é, valor sobre o qual eram pagas as contribuições, era “escolhido” pelo próprio trabalhador independente, não cabendo aos serviços da segurança social qualquer responsabilidade na definição daquele valor, estando definido por escalões, e que poderiam sofrer alterações, a pedido do próprio trabalhador independente, 2 vezes no ano.

Por outro lado, havia também 2 regimes, e consequentemente 2 taxas contributivas – o regime obrigatório e o regime alargado – sendo a grande diferença o direito a baixa médica de que beneficiava o trabalhador independente que optasse pelas contribuições no regime alargado.

Com a aprovação do Novo Regime Contributivo da Segurança Social, o principio da igualdade levou a legislador a condicionar a base de incidência contributiva aos rendimentos efectivamente auferidos pelo trabalhador independente, aproximando este do regime habitual do trabalhador por conta d’outrém.

Isto significa que, na pratica, anualmente, durante o mês de Novembro, a Segurança Social fixa oficiosamente o escalão sobre o qual o trabalhador independente deverá contribuir nos 12 meses seguintes.

E hoje em dia, como é efectuado esse posicionamento? Com base no IRS do ano anterior!

Ora, considerando os valores declarados no anexo B da modelo 3 do ano de 2013, o trabalhador independente, poderá saber desde logo, qual será o escalão sobre o qual irá ser “obrigado” a contribuir a partir de Novembro de 2014. Para tal, basta aplicar os seguintes coeficientes:

- 70% do valor da prestação de serviços anual;

- 20% do valor das vendas de mercadorias anual;

- 20% do valor da prestação de serviços do sector de restauração e bebidas e similares;

Assim, chegados ao valor do rendimento relevante anual, facilmente encontramos o duodécimo mensal que caberá num dos seguintes escalões, com a correspondente contribuição mensal:

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O que vimos acontecer recentemente e que tanta azáfama jornalística causou, não foi mais, do que os serviços a cumprirem, ainda que tardiamente, a sua função: fixação da base de incidência, com base no rendimento relevante apurado através dos rendimentos declarados no IRS de 2013 de cada um dos trabalhadores independentes. Nada de novo. Continuar a ler

Procuras

Recomendadíssimo – para todos os que andam à procura daquela centelha que teima em estar em falta (e para os que não andam) – este vídeo do jesuíta Nuno Tovar de Lemos, entrevistado pela Laurinda Alves. Que centelha? O amor de Deus, evidentemente. Quem nunca teve a experiência do amor de Deus, absoluto e avassalador está em grande perda e não sabe. Que o amor de Deus não é sovina nem distante nem oferecido a contragosto. Não se confunde com aqueles (des)afetos que maltratam (através das circunstâncias da vida, das outras pessoas e até do estado e suas repartições, que eu no ponto atual considero um digno servidor de Satã) e nos deixam à espera interminavelmente, abadonados mesmo quando dizemos repetidamente que precisamos de companhia e que o abandono é uma tortura, sem saber se seremos alguma vez resgatados (quiçá para Deus nos moldar p caráter, testar a nossa fé ou dar-nos a lição de como somos insignificantes); e que quando estamos moídos, magoados e ressentidos nos atira uma migalhinha muito difusa e pouco concreta, esperando que, como afinal se trata de Deus, caiamos de joelhos agradecendo tão clemente graça e tamanha bondade. Pelo contrário. Faz-nos saber-nos acompanhados, queridos, valorizados, amados em todos os momentos. Um chuveiro de amor e mimos – mesmo quando as circunstâncias da vida, os outros (e o estado) não páram de nos infernizar a vida.

Está de parabéns o pequeno Napoleão do Kremlin

Google Pulls Out Of Russia

Google is going to close its engineering office in Russia, the Financial Times says.

Russian authorities have been cracking down on internet activity throughout 2014.

In Russia, a new law forces tech companies to keep all data about Russians inside the country’s borders.

 

Os cartoons prejudicam a saúde

cartoon

 

Indonesian police accused the top editor of a leading English-language newspaper of blasphemy after the paper published a cartoon depicting the flag of the Islamic State of Iraq and Al-Sham that allegedly insulted Islam.

As trapalhadas de Costa não pagam taxa

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Contra o bota-abaixismo, a Taxa turística avança em Lisboa apesar das trapalhadas.

Leitura complementar: A longa marcha da Taxa Costa.

No Fio da Navalha

O meu artigo no ‘i’ que, a partir desta semana, sai à quinta-feira.

O confronto que se segue

Milhares de pequenos empresários franceses manifestaram-se, no dia 1 de Dezembro, nas ruas de Paris e Toulouse, contra as políticas do governo que estão a estagnar a economia francesa. Há um mês, Karine Charbonnier-Beck, uma pequena empresária francesa, dona de um negócio familiar, confrontou em directo na TF1 o presidente Hollande. Em causa, a elevada carga fiscal e a excessiva burocracia que tiram competitividade às empresas e são responsáveis pelo desemprego, que se mantém acima dos 10.

A ânsia socialista de fiscalizar todo o movimento empresarial através, entre outras, da lei Hamon para o desenvolvimento da economia social e solidária (quanto maior o nome, maior a atrocidade), está a entravar as empresas com requerimentos, formulários e pedidos de autorizações que atrofiam, não só a economia, mas a própria capacidade de funcionamento de uma empresa e a motivação de quem trabalha.

Como referiu a sra. Charbonnier-Beck, a divisão já não se faz entre patrões e trabalhadores, mas entre quem trabalha, sejam empresários ou assalariados, e o Estado. É que, perante a estagnação económica, a classe política apostou em sobrecarregar o trabalho, como se um castigo fosse, em troco de popularidade eleitoral.

A doença continua, mas os anos passam e as carreiras políticas vão-se desenrolando pacificamente. E quando, por uma ou outra vez, os problemas vêm ao de cima, nada mais fácil que apertar o cerco em prol, é tão fácil dizê-lo, do bem comum, que mais não é que uma mão-cheia de nada.

Amamentar em público, ou os púdicos pré-renascentistas

O meu texto de hoje no Observador.

‘Estão familiarizados com a polémica da última semana no Reino Unido? Eu conto.

Uma senhora amamentava a sua filha de três meses enquanto almoçava no restaurante do hotel de luxo Claridge´s. Um empregado veio pedir-lhe para se cobrir, e à bebé, com um pano, explicando ser essa a política do hotel para a amamentação. A mãe queixou-se no twitter, as redes sociais ficaram malucas (ou mais malucas do que o costume), o líder do UKIP declarou que as mães não deviam entregar-se à ‘amamentação ostensiva’, o primeiro-ministro Cameron veio discordar (bem como a secretária de Estado com pelouro da igualdade) e lembrar que a amamentação é um processo natural e que as mulheres o devem poder fazer em público. Os teclados já produziram inúmeras notícias e colunas de opinião e no último capítulo (até agora) dezenas de mães amamentaram em frente ao Claridge´s em protesto.’

O resto está aqui.

Por favor não me ajudem, pensará ele

socratesO primeiro autor de um pedido de habeas corpus foi um jurista conhecido por ameaçar imolar-se num sofa regado com gasolina em protesto contra a sua universidade. O segundo apresentou o pedido em fotocópias de jornal. O terceiro é um sucateiro condenado por violência doméstica e envolvido em leilões manhosos com o badalado Manuel Godinho.

Mistérios estatísticos

No Jornal de Negócios, é notícia que de acordo com a OCDE, «Portugal terá sido o país resgatado que menos empobreceu até 2012», e que «a crise e a subsequente política de austeridade retirou mais a quem mais tinha: a perda anual média de rendimento real disponível dos 10% mais ricos foi de 3,7%, ao passo que os 10% mais pobres perderam 1,9%». No entanto, o mesmo artigo refere que de acordo com o INE, «os dados (…) sugerem que o coeficiente de Gini (…) desceu ligeiramente de 34,5% em 2011 para 34,2% em 2012», mas que «o fosso de rendimento entre os 10% mais ricos e os 10% mais pobres, subiu, passando de 10 em 2011 (…) para 10,7 em 2012.»

Alguma observações:

  • Quando existe tão gritante contradição entre duas fontes, é importante tentar averiguar as razões da diferença. Dizer no mesmo artigo que a desigualdade diminuiu e o fosso entre ricos e pobres aumentou é algo esquizofrénico.
  • Pode-se começar por verificar que o intervalo de comparação é diferente. Nomeadamente que a OCDE analisou dados entre 2007 e 2012 enquanto os dados do INE são entre 2011 e 2012. Um subconjunto dos primeiros, portanto.
  • Quando nos referimos aos dados propriamente ditos, eles não “sugerem” os seus próprio valores. Podemos dizer que os dados apresentados “sugerem” uma diminuição da desigualdade. Não podemos dizer que os dados “sugerem” uma diminuição do índice de Gini, quando essa diminuição é objectivamente apresentada.

Mas adiante. O mais interessante não é o artigo mas antes o próprio estudo da OCDE. Nele podemos ver que o crescimento médio anual do rendimento real líquido dos 10% mais pobres em Portugal entre os anos 80 e 2008 foi de 3,6%, enquanto para os 10% mais ricos esse crescimento foi de 1,1%. A evolução destes indicadores deve ser vista a longo prazo e não de ano para ano, em que algum factor específico e conjuntural pode ser responsável pela variação. O estudo da OCDE vem confirmar a variação de outros indicadores a longo prazo, como o de Gini, que desceu de 37% para 34,2% entre 1994 e 2012; ou o S80/S20, que desceu de 7,4 para 6,0 no mesmo periodo. Sob qualquer prisma, a desigualdade parece ter diminuido em Portugal nas últimas décadas. Ao contrário do que “sugerem” as notícias sensacionalistas, que surgem oportunisticamente cada vez que um indicador tem uma variação para cima de uma ano para outro.

Note-se que a diminuição da desigualdade não é um valor em abstracto. A desigualdade é mais baixa em Cuba e na Coreia do Norte e isso não faz esses países ter um melhor nível de vida que o nosso. Possivelmente, se tivessemos o crescimento que tanta falta nos faz para suportar o nosso anafado estado, num contexto de maior desigualdade, isso seria preferível.

Para o IRS, um filho não é uma pessoa

O meu artigo de hoje no Observador, sendo que devo a ideia do último parágrafo ao meu colega do IEP-UCP Hugo Chelo, que me recordou a questão numa conversa sobre o tema do artigo: Para o IRS, um filho não é uma pessoa.

No final do Séc. XVIII, nos EUA, o infame “Three-Fifths Compromise”, proposto por James Madison durante a Convenção Constitucional, estabeleceu que cada escravo passasse a contar como 0,6 de uma pessoa para efeitos de representação e tributação dos Estados. Em pleno Séc. XXI, em Portugal, o Governo propõe que um filho passe a contar como 0,3 de uma pessoa para efeitos do quociente aplicado no cálculo do IRS das famílias e a oposição reage de forma indignada condenando veementemente a intenção de passar de zero para 0,3.

O resto do texto pode ser lido aqui.

Entretanto, na Rússia

Grozny

A imagem não é uma recordação de nenhuma das duas guerras da Chechénia, retata o ataque de hoje à “Casa da Imprensa”, local onde se encontravam os media locais.

Chechen gunmen under siege in school after several killed in clashes with police.

 

 

 

Soares continua fixe

soares

O pior tem sido os oceanos, que se expandiram, tanto no Atlântico como no Pacífico, e no seu furor estão a matar as faunas e a destruir as praias.

 

Perante a indiferença familiar e face ao impedimento do detido 44, proponho um programa de opinião do doutor Mário Soares, na RTP, no intervalo dos jogos da Liga dos Campeões.

BE: à meia dúzia é melhor e mais barato

be

De acordo com a sua constituição presumidamente revolucionária, o Bloco de Esquerda (BE) “é um movimento de cidadãs e cidadãos” que assume entre outras coisas fundamentais para a modernidade progressista a “forma legal de partido político” mas que também concebe  ser reconhecido como “movimento” que inspira e é inspirado por “contribuição convergentes de cidadãos, forças e movimentos” que se “comprometem com a defesa intransigente da liberdade e com a busca de alternativas ao capitalismo”. Para além dessa tarefa hercúlea de procura e dissimulação envergonhada do comunismo, o BE “pronuncia-se por um mundo ecologicamente  sustentável ” e sonha com a “transformação social, e a perspectiva do socialismo como expressão da luta emancipatória da Humanidade contra a exploração e a opressão”. Honra seja feita ao BE, será  difícil a todas as forças, grupos e ajuntamentos de esquerda inovar tanto nos mesmos desejos, chamando-lhes outros nomes mais ou menos convergentes e com idênticos objectivos. Para a humanidade permanecer a par das novidades, o Observador trata de dar a conhecer O Bando dos seis: quem é quem na nova direção do Bloco de Esquerda.

O Governo e a RTP

É cada vez mais difícil apurar responsabilidades no que diz respeito às trapalhadas em torno da RTP mas uma coisa é cada vez certa: não obstante a ruptura financeira do Estado e as dificuldades econímicas do país, a legislatura vai terminar sem que o Governo tenha tido a coragem de privatizar – mesmo que apenas parcialmente – a RTP e os contribuintes continuarão a pagar muitos milhões de euros pelo respectivo “serviço público”, agora ainda acrescido de um “Conselho Geral Independente”.

No meio de tudo isto, Miguel Poiares Maduro – e por arrastamento todo o Governo – ficam muito mal na fotografia no que diz respeito à RTP. A ideia que fica é que a partir de certa altura a prioridade absoluta passou a ser manter e defender a qualquer custo o status quo.

Direitos da Champions: Governo criticou o que Governo tinha aprovado no Contrato de Concessão da RTP
Conselho Geral Independente ‘chumba’ plano estratégico da RTP
RTP vai pagar cerca de 15 milhões pelos direitos dos jogos da Champions
Governo discorda de compra de jogos de futebol pela RTP. Administração da empresa defende-se com despacho do Executivo

Chernobyl e Pripyat

Chernobyl deixou de ser segredo (imagens de drone)

Um vídeo de Danny Cooke, que esteve na região para filmar uma reportagem para o “60 Minutos”, permite conhecer a cidade fantasma de Pripyat, perto de onde se deu o desastre nuclear em 1986.

João Galamba e o PS

Não obstante as muitas e profundas diferenças que nos separam, não quero deixar de assinalar aqui o justo reconhecimento do trabalho partidário de João Galamba – de quem fui durante algum tempo colega de doutoramento na LSE – com a sua inclusão no secretariado nacional do PS.

Considerando a conhecida ligação próxima entre Galamba e Sócrates, a escolha de António Costa torna-se ainda mais significativa e indicia claramente que João Galamba é hoje, por mérito próprio, a mais influente autoridade do PS em matérias de economia e finanças públicas.

Pelas profundas divergências que comecei por referir, não creio – antes pelo contrário – que as ideias e políticas preconizadas pelo João sejam boas para o país mas, tendo vindo a acompanhar com interesse o seu trajecto intelectual e político já desde há alguns anos, não quis deixar de assinalar aqui a subida de mais este degrau.

Leitura complementar: Um fantasma paira sobre o PS.

Sócrates e o Congresso do PS

Sócrates, Aquele-Cujo-Nome-Não-Pode-Ser-Pronunciado

Ausente, mas presente. Nos corredores e no palco do congresso socialista, José Sócrates esteve presente, mas inominável. Entre os militantes que falaram no assunto, nenhum ousou pronunciar o nome.

Leitura complementar: Um fantasma paira sobre o PS.

Peço desculpa, mas foi a queda de um ‘oportunista’ COM ‘ideologia’

Anda por todo o lado esta capa do Liberation, but I beg to differ. sócrates podia ser um oportunista, mas tinha ideologia e estava inteiramente dentro do socialismo. De resto estou cada vez mais convencida que certos tipos de personalidade não só se adequam mais como florescem se dentro de regimes socialistas ou socializantes. A sede de controlo de tudo de sócrates – todos os cantos recônditos do estado, a comunicação social, a investigação judicial, as grandes empresas, os bancos, e um muito tentacular etc. – é muito semelhante à que encontramos nos mais variados ditadores comunistas. E não é necessário dizer que o papel central e condicionador e (sempre que o semi-déspota do momento entender) controlador do estado numa economia e numa sociedade não pode estar mais dentro da cartilha ideológica socialista, pois não? Também o comportamento narcísico, ressentido e vingativo de sócrates faz lembrar (em estado ainda não sublimado pelo poder absoluto) o dos complacentes Mao e Stalin.

Sobre Sócrates vale a pena ler o Paulo Tunhas no Observador e Vasco Pulido Valente no Público. Porque para mim o mais irritante disto na criatura – além, claro, das consequências monetárias que as suas políticas tiveram na minha vida – é termos de andar a perder tempo com alguém como sócrates. E diz tudo da pequenez do país – e dos jornalistas – que tantos continuem a admirar o estilo ostensivo e postiço do ex-pm.