Leituras recomendadas

Foto de Julian Andrews/Telgraph

Foto de Julian Andrews/Telegraph

Politicamente correcto ao serviço do abuso de crianças.  Aconselho vivamente a leitura no Telegraph do depoimento de Sarah Wilson. A tragédia vivida por Sarah Wilson não foi caso único. Repetiu-se. No período compreendido entre 1997 e 2013, pelo menos, 1400 crianças foram violadas e exploradas por gangs de origem paquistanesa em Rotherham.

Artigos complementares: Crimes políticos; Vergonha em tons multiculturais;  Vergonha em tons multiculturais IIVergonha em tons multiculturais III e Rotherham, socialismo e multiculturalismo

Diálogos explicados

Mais de 50 mortos no Sinai, Egipto.

Islamic militants on Wednesday unleashed a wave of simultaneous attacks, including suicide car bombings, on Egyptian army checkpoints in the restive northern Sinai Peninsula, killing at least 50 soldiers, security and military officials said.

Fifty killed in North Sinai attacks claimed by Islamic State Reuters The coordinated morning assaults in Sinai came a day after Egypt’s president pledged to step up the battle against Islamic militants and two days after the country’s state prosecutor was assassinated in the capital, Cairo.

No Reino Unido as universidades oferecem inovadores estágios curriculares em terrorismo com vista à integração na morte vida activa. Duvido que haja lugar a algum tipo de surpresa pelo ecletismo da Academia, quer pelo destaque merecidamente ganho pela instituição Queen Mary, em East London.

 

 

 

Logo à noite, no Prós e Contras

Logo à noite, no Prós e Contras, o insurgente Mário Amorim Lopes estará a debater o futuro de Portugal juntamente com Francisco Mendes da Silva, Ricardo Paes Mamede e Margarida Vieira da Silva.

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Leitura complementar: A vida difícil de António Costa.

Leitura dominical

O dinheiro e os palhaços, a crónica de Alberto Gonçalves no DN.

 

(…) Já é azar. Cheiinho de boas intenções, o camarada X criou um partido, perdão, uma “candidatura cidadã” cujo chefe seria eleito por escolha directa do povo e para o povo. Em teoria, o Sr. Lopes, barbeiro de Moscavide, ou a dona Adélia, assalariada fabril do Ave, poderiam ser líderes. Não foram: decerto por ignorância, o povo escolheu justamente o camarada X para o pastorear.

Depois o partido, desculpem, a “candidatura cidadã” abriu as listas das eleições ao Parlamento Europeu a toda a gente, significando isto que tanto o Sr. Teixeira, desempregado de Gondomar, como a dona Inês, cabeleireira do Cacém, se habilitavam a um lugar elegível. Não aconteceu: decerto por boçalidade, o povo reservou o lugar ao camarada X.

Agora, no momento de preparar as “legislativas”, o sujeito X encetou uma última e desesperada tentativa de escancarar as portas do partido, perdão, da “candidatura cidadã” ao povo. Era desta que o Sr. Fábio, vulgo “O Couves”, biscateiro de Cortegaça, subiria a deputado? Nada feito: decerto por estupidez congénita, o povo pendurou o camarada X do costume no topo da lista por Lisboa, para cúmulo acima da camarada Z – que as más-línguas garantem ter sido mais votada. Mas isso é uma tentativa patética de emendar o povo. O povo não tem emenda. E quem diz povo diz as duas mil alminhas que, por ócio ou vício, se envolveram no assunto.

Câmara Municipal de Lisboa a inovar

mulher

Na forma como gastar o inesgotável dinheiro dos contribuíntes.

A Câmara de Lisboa apresentou queixa à Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género contra uma barbearia lisboeta que proíbe a entrada a mulheres, apesar de o responsável do estabelecimento negar fazer essa restrição.

O vereador dos Direitos Sociais, João Afonso, disse à Lusa que a apresentação da queixa surgiu na sequência do “descontentamento de muitas pessoas” em relação ao anúncio de impedimento à entrada das mulheres na barbearia lisboeta e foi manifestado durante a 16ª Marcha do Orgulho LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transgénero).

“No exercício diário da sua atividade o referido estabelecimento, conhecido como Figaro’s Barbershop, proíbe exclusivamente a entrada de pessoas do sexo feminino”, lê-se na queixa apresentada na terça-feira pela Câmara de Lisboa à Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género, a que a Lusa teve acesso.

“Existe à porta, segundo tivemos conhecimento, um sinal que anuncia que é permitida a entrada a homens e a cães, mas não a mulheres, equiparando estas últimas a animais”, acrescenta.

O responsável pela Figaro’s Barbershop, Fábio Marquês, garantiu à Lusa que “a barbearia não proíbe a entrada a mulheres”, explicando que “o que acontece é que não existem serviços para senhoras”.

Diálogos

Pelo menos 27 pessoas foram assassinadas num resort tunisino situado em Sousse.

Um terrorista fez-se explodir, causando a morte de 16 pessoas que estavam a orar na mesquita xiita de  Al-Imam Al-Sadiq, no Kuwait.

Em França, um decapitado e dois feridos é o resultado de outro ataque terrorista a uma fábrica de gás, perto da cidade de Lyon.

 

 

Marinando

kafkaEu, hoje no Diário Económico sobre a redução do número de pessoas a receber subsídios de desemprego.

Havendo com certeza alguma relação com o aumento do emprego, essa relação não é proporcional. Isto significa que haverá mais gente a frequentar cursos do IEFP e a fazer o eufemístico “trabalho socialmente necessário” bem como muita gente que, sem trabalho, não dispõe de qualquer apoio público.

O resto pode ser lido aqui

Uma nota: fomos convidadas quatro pessoas ( duas ditas de esquerda, duas ditas de direita) para escrever para o DE sobre este assunto. Fico muito satisfeito com o que escrevi, não porque esteja bem particularmente escrito ou seja uma perspectiva original do assunto. Não está nem é uma coisa nem outra. Estou satisfeito porque dos quatro convidados, dois atacam o Governo, um defende o Governo e o quarto, eu, nem uma coisa nem outra. Estou fartinho de comissários dos Partidos e de politiquice. Sabiam que há ideias, práticas e Mundo além da vossa paroquiazinha Governo/Oposição?

Respeitinho superior

O líder a conferir as perguntas. Imagem Wikipedia.

O líder a conferir as perguntas. Imagem Wikipedia.

Por decreto divino a junta militar que governa a Tailândia vai formar jornalistas. O objectivo da formação é dotar os escribas de capacidade para colocarem questões inofensivas ao deus na terra, o general Prayuth Chan Ocha. A entidade formadora, tem demasiado tempo livre.

La junta militar de Tailandia ‘enseñará’ a los periodistas a no hacer preguntas ofensivas  La junta militar que gobierna Tailandia desde el golpe de estado de mayo de 2014 se reunirá con un grupo de 200 periodistas para enseñarles cómo hacer preguntas que no ofendan al general Prayuth Chan Ocha, la máxima autoridad del país.

Winthai Suvaree, portavoz del autoproclamado Consejo Nacional para la Paz y el Orden, ha afirmado que la reunión tendrá lugar la próxima semana con un grupo de 200 periodistas locales y extranjeros para generar “entendimiento” con ellos y enseñarles cómo hacer preguntas que no incomoden al general, que hace varios meses llegó a amenazar con “ejecutar” a los reporteros que no digan la verdad.

O deus na terra Prayuth Chan-ocha, protagonizou a 22 de Maio de 2014 um golpe de estado que congelou os protestos anti-governamentais. Prometeu reformar o sistema político antes da celebração de novas eleições. A Tailândia vivia desde 2006 uma grave crise política causada pelo antigo Primeiro-Ministro Thaksin Shinawatra, que vive no exílio por forma a evitar cumpir a pena de prisão de dois anos a que foi condenado por crimes de corrupção. Os seus opositores acusaram-no também de dirigir o governo (chefiado pela sua irmã). Naquele período, os sucessivos governos eleitos apostaram na divisão profunda do país e apesar de terem vencido as eleições, sempre contaram com a oposição de parte da população, da elite monárquica e militar.
Pouco depois de tomar o poder político, numa operação de relações públicas, a Junta Militar explicou os motivos do golpe de estado. O destinatário da explicação foi a União Europeia (UE). O Conselho Nacional para a Paz e a Ordem – o nome oficial da Junta Militar – aproveitou uma reunião dos ministros dos Negócios Estrangeiros da UE, na qual foi abordada a situação tailandesa, para justificar a necessidade da sua acção como a única forma de colocar um fim na espiral de violência e de reformar o sistema político da Tailândia e de caminho as perguntas dos jornalistas.

 

Socialismo e rigor orçamental

Será o socialismo compatível com o rigor orçamental a que o euro obriga? Os meus comentários ontem na Edição das 12 do Económico TV.

O tempo passa num instante II

Devidamente explicado no site da UNESCO. E que o NYT não terá ligado.

Inhabited for more than 2,500 years, the city was given official status in the second century BC when it was an outpost of the Yemenite kingdoms. By the first century AD it emerged as a centre of the inland trade route. The site of the cathedral and the martyrium constructed during the period of Abyssinian domination (525-75) bear witness to Christian influence whose apogee coincided with the reign of Justinian. The remains of the pre-Islamic period were largely destroyed as a result of profound changes in the city from the 7th century onwards when Sana’a became a major centre for the spread of the Islamic faith as demonstrated by the archaeological remains within the Great Mosque, said to have been constructed while the Prophet was still living. Successive reconstructions of Sana’a under Ottoman domination beginning in the 16th century respected the organization of space characteristic of the early centuries of Islam while changing the appearance of the city and expanding it with a second city to the west. The houses in the old city are of relatively recent construction and have a traditional structure.

Leitura complementar: O tempo passa num instante.

A essência do comunismo

Old habits die hard.

Não obstante as várias formas de folclore da extrema-esquerda, importa de vez em quando recordar que a essência das práticas comunistas é, em última instância, isto: silenciar por todos os meios – incluindo ameaças, exercícios de difamação, saneamentos ou o uso directo da volência, dependendo das circunstâncias – todas as perspectivas dissonantes e críticas relativamente ao avanço do socialismo.

Leitura complementar: Em Sesimbra, as águas andam agitadas.

O PS, a linha do Syriza e o próximo Governo de Portugal

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O meu artigo de hoje no Observador: A atracção fatal do PS pelo Syriza.

Desde Janeiro, muito mudou. Os amanhãs cantados para a Grécia sob governação da esquerda radical tardam em concretizar-se, as tropelias da dupla Tsipras-Varoufakis sucedem-se e o Syriza tem vindo, em consequência, gradualmente a perder credibilidade entre muitos que, na esquerda europeia, inicialmente olharam com simpatia para aos resultados eleitorais gregos. (…) Os tradicionais partidos socialistas europeus enfrentam, em geral, uma escolha inevitável e inadiável: ou estão com o radicalismo do Syriza e a ruptura institucional ou se apresentam como alternativa política dentro do quadro estabelecido. Mas essa escolha afigura-se especialmente difícil para o PS, dados os notórios e persistentes sinais de atracção pela via do Syriza. É também por isso importante seguir com atenção o que se passa na Grécia e levar a sério o que sugeriu ainda há poucos meses o candidato a primeiro-ministro António Costa: a linha do Syriza pode muito bem ser o modelo para o próximo Governo de Portugal.

O artigo pode ser lido na íntegra aqui.

O que quer a esquerda?

O meu artigo no Diário Económico de hoje.

O que quer a esquerda?

Ouvir alguém de esquerda a discutir a crise do euro e as políticas a serem implementadas é kafkiano. Vejamos: à falta de verbas que sustentem a Segurança Social, a esquerda responde com mais emprego. Emprego que se cria com investimento. Como é que se investe? Com dinheiro do Estado. Como é que o Estado recebe dinheiro?Aqui a resposta já é mais vaga porque não interessa reconhecer que com mais impostos e mais dívida, o que equivale a ainda mais impostos no futuro.

Quando falta dinheiro nos cofres do Estado, a esquerda defende a necessidade do investimento e a criação de emprego. No entanto, quando se passa ao caso concreto a conversa já é outra. Veja-se a privatização da TAP: não só se trata de investimento estrangeiro, com a vantagem natural de entrar dinheiro no país, como qualquer alternativa à seguida seria pior para o Estado e para os contribuintes. Na verdade, a recapitalização da empresa, além de difícil devido às limitações impostas por Bruxelas, obrigaria a um aumento dos impostos ou a um corte de outras despesas, como seja na saúde e outras prestações sociais.

Mas há mais. Temos também o turismo. Este sector bateu todos os recordes de receitas e de números de visitantes. No entanto, o que por aí se ouve é que há turistas a mais, que estes sujam as ruas, fazem barulho e determinam o tipo de comércio. Como se este fosse algo mais que o local de trabalho que cada comerciante cria para si. A situação é de tal forma caricata que até o Município de Lisboa, além de criar novas taxas para incentivar o turismo que está em alta sem a sua ajuda, pune comerciantes na Baixa cujas lojas têm sucesso com os turistas.

É aqui que sou forçado a concluir que a esquerda não pode ser assim tão kafkiana. Tem de haver algo mais. A impunidade ideológica de que tem beneficiado não lhe permite tamanho desaforo. E esse algo mais que a esquerda tem é uma visão de sociedade e de Portugal que raramente é discutida: um país onde as pessoas trabalham para o Estado; não apenas como funcionários públicos, mas no sentido de que trabalham com vista a angariar receitas para o Estado. Os cidadãos como formigas que amealham, não para si, mas para um poder público que zela por todos.

É isto que explica as taxas, os impostos, a desvalorização do equilíbrio das contas públicas, o desprezo pelo sucesso, a irritação perante o lucro. Na verdade, como pode alguém ousar ter um ganho que vá além do interesse nacional? Interesse este que mais não será que determinado por quem zela por todos; por um poder dirigente que não se harmoniza com a liberdade de agir. Isto é o que a esquerda quer. A direita, explicando que deseja precisamente o contrário, facilmente vencerá as eleições.

No Fio da Navalha

O meu artigo de hoje no Jornal ‘i’ é um intervalo.

Olhar para cima

Quem por estes dias olhe o céu para noroeste à hora em que o Sol se põe verá muito facilmente Júpiter e Vénus. Este um ponto mais brilhante que aquele apenas devido à menor distância a que se encontra de nós. O fenómeno, que se estende noite dentro, sucede desde meados de Maio e em Lisboa, cujas luzes pouco mais deixam ver, ganha um contorno especial: dois pontos luminosos espetados no céu negro, mostram-nos que há mais do que existe neste planeta.

A visão é tão espantosa que, para quem olhe para os planetas quando o Sol se põe, consegue ter uma belíssima ideia de como a imagem seria se a visse longe de nós, ou seja, do espaço: uma enorme bola de fogo a dominar a cena, Vénus ligeiramente à esquerda, com a Terra muito azul um pouco mais atrás e, lá muito ao longe, Júpiter. A Lua seria sem dúvida aquela bola branca perto da Terra.

Atarefados com a natural rotina da vida, embrulhados nas questiúnculas políticas que inundam os jornais e as televisões, nos tomam por tolos e nos falam de assuntos desenxabidos e maçadores, é bom, de vez em quando, quando o céu limpo nos permite, olhar para cima e, mesmo que não vejamos estrelas, depararmos a olho nu com planetas que nunca imaginaríamos encontrar juntos.

Há muitas formas de fugirmos, não digo da rotina, que acaba por ser indispensável, mas da uniformização da maneira de pensar o que se passa no país. À vezes sabe bem espairecer. Como por estes dias tenho olhado para cima, decidi aproveitar criando um pequeno intervalo na maçada da política.

Melhor que um cartaz

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“A justiça portuguesa vai transformar Sócrates num herói”

“A justiça portuguesa vai transformar Sócrates num herói”, é nisso que acredita Marinho e Pinto, antigo bastonário da Ordem dos Advogados.

“José Sócrates, Sempre!” – cartaz em Lisboa

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Cartazes de apoio a Sócrates afixados em Lisboa

O movimento de apoio a José Sócrates afixou dois novos cartazes, desta vez em Lisboa, contra a prisão do antigo primeiro-ministro e contra a direita portuguesa. O porta-voz do movimento, José António Pinho, acusa a direita de ter programado a prisão de Sócrates.

Num contexto de sondagens pouco entusiasmantes para o PS e de crescente desconforto interno no partido com a sua liderança, este tipo de iniciativas são provavelmente a última coisa que António Costa desejaria politicamente neste momento. Definitivamente, não está nada fácil a vida para o sucessor de António José Seguro na liderança do PS…

Leitura complementar: Um fantasma paira sobre o PS.

A Magna Carta e nós

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O Miguel Noronha já aqui simpaticamente linkou o texto, mas não quero deixar de assinalar os 800 anos da Magna Carta com referência ao meu atigo desta semana no Observador, onde regresso ao tema: E se a liberdade depender de preconceitos?

É, assumidamente, uma equação difícil e imperfeita para quem se revê, em sentido amplo, num enquadramento liberal, mas talvez seja ainda assim a que mais garantias oferece. A título de ilustração, sugiro uma reflexão sobre alguns dos momentos mais negros da história contemporânea portuguesa: tanto no terrorismo de Estado que caracterizou boa parte da 1ª República como no caos e excessos revolucionários do PREC, a preservação da liberdade em Portugal só foi possível pelo enraizamento profundo em boa parte da população de valores, crenças e preconceitos – a favor da propriedade privada ou da fé católica, por exemplo – que a levaram a resistir firmemente ao progressismo utópico das elites revolucionárias.

Nesta linha, devemos provavelmente mais à tradição simbolizada pela Magna Carta do que habitualmente reconhecemos.

Hergé e Jane Austen, dois autores a banir

Tintin Castafiore EmeraldAs alminhas(inhas) Tiago Ivo Cruz e Ana Bravo – que argumentam o racismo e a misoginia de Hergé – foram grandes perdas para o analfabetismo. E agora – pegando nesta infalível tese sobre a ausência de mulheres nos livros de Hergé, que não é mais do que um apagão ao mulherio – decidi-me a deixar de ler a Jane Austen. Como se sabe, ou TODAS as realidades do mundo estão contidas dentro de uma obra literária ou essa obra é negacionista disto e daquilo. Quer escrever um romance passado em 2015? Pois não pense descrever só êxtases sexuais, traições, lágrimas e por aí. Ou bem que inclui a descrição detalhada do período de ajustamento acordado com a toika, os números do desemprego (preferencialmente com gráficos mostrando os dados da Pordata) e uma ou outra notícia contestatária da austeridade ou nenhuma editora o publica, porque está a apagar a crise que se vive agora. E faz favor de incluir uma ou duas violações e uma mulher morta pelo ex-marido, que ainda é acusado de negacionismo da violência sexual e doméstica sobre as mulheres.

Mas regressando a Jane Austen, afinal aquilo tudo se passa ao mesmo tempo que as guerras napoleónicas e nem vislumbre delas nos livros (há uns militares a distraírem as irmãs Bennet em Pride and Prejudice e as meninas casadoiras – outro conceito que agora devia ser proibido de aparecer na literatura de todos os tempos, que como se sabe hoje uma mulher não tem de ter a ambição de casar – em Persuasion, mas nem uma batalha, nem a descrição da estratégia de Waterloo, népias). E com tanto romance, não há vestígio de sexo nos livros – eventualmente apenas a sugestão de que Charlotte preferia manter o marido, Mr Collins, clérigo e o maior lambe-botas da literatura, à distância. É certo que os desejos andam à solta (e as adaptações para televisão facilmente os evidenciam), mas de the real thing, nada. Proscreva-se Jane Austen das bibliotecas e das livrarias. JÁ.

O tempo passa num instante

NYT revela dois milénios e meio da cultura islâmica.

A protected 2,500-year-old cultural heritage site in Yemen’s capital, Sana, was obliterated in an explosion early Friday, and witnesses and news reports said the cause was a missile or bomb from a Saudi warplane. The Saudi military denied responsibility.

Semana do absurdo

O meu texto de ontem no Observador.

‘Da próxima vez que voltar a afirmar que quarenta e um anos depois do 25 de abril ainda temos uma democracia disfuncional, posso exibir esta semana como prova. E ilustro com dois casos.

O primeiro absurdo da semana passou-se na segunda feira à noite, na Barca do Inferno, e não foi pelo abandono em direto de Manuela Moura Guedes. Vi o programa poucas vezes e geralmente só as intervenções de Sofia Vala Rocha, de quem sou amiga (fica a declaração de interesses). E não via porque o nível de opiniões políticas das senhoras à esquerda está como o de Soares na sua fase os-mercados-provocam-terramotos, a acompanhar o que parece ter geração espontânea em muitas pessoas da esquerda (de ambos os sexos): sofrerem de uma certa confusão entre regras do debate político e os métodos da invasão da China por Kublai Khan.

Só até à saída de Manuela Moura Guedes, na última Barca, tivemos Isabel Moreira (uma criação política socrática) dizendo que Sofia V. Rocha não era séria a debater, ao contrário de si própria, garantidamente ‘séria quando falo’ – ao mesmo tempo que proferia a falsidade de que o PS não pretende (como Sofia afirmava) cortar nas pensões futuras. O que, recorde-se, foi assumido aquando da apresentação do cenário macro do PS: a partir de 2027 as pensões terão já o corte máximo resultante da baixa da TSU que o PS promete. É simples: agora paga-se menos e depois recebe-se menos. E quando Moura Guedes estava de saída, a magnânima Moreira não resistiu a desferir um último ataque a quem já estava em retirada.

Já Raquel Varela, a mais afamada académica e autora mundial em tudo e mais um par de botas, declarou-se humildemente uma ‘especialista em Segurança Social na Universidade Nova de Lisboa’. Apesar de ser historiadora (e eventualmente até poder conhecer a História da Segurança Social), de erradicar a demografia como risco para a sustentabilidade da SS e não entender que as pensões recebidas não têm nada a ver com ‘poupança’ dos valores descontados, e de a SS ser um assunto predominantemente económico, Varela é especialista. A mesma Varela que aparenta dificuldade com conceitos económicos básicos e que retira deles conclusões delirantes que apresenta – outra vez com modéstia e usando um jargão pseudo-económico – como geniais.’

O resto está aqui.

Luxos socialistas (ou, a verdadeira importância da TAP) II

Luxo, versão lunática socialista.

PS suspende privatização se vencer eleições

Partido já reagiu ao anúncio do Governo e garante que vai suspender o negócio se ganhar as próximas eleições. Socialistas entregaram pedido para ouvir Pires de Lima no Parlamento com urgência.

Palhaços, balões e apitos

kafkaEu, hoje no Diário Económico

O programa eleitoral proposto por António Costa parece ter sido aceite tanto pela ala centrista como pela ala lunática do PS. É natural.

 

 

Manuela Moura Guedes abandona a Barca do Inferno em directo

Manuela Moura Guedes abandona programa em direto

Confesso que, excepção feita a pequenos excertos no You Tube, nunca assisti ao programa em causa em versão integral, mas para além da discussão que poderia – uma vez mais – ser suscitada sobre o serviço público proporcionado pela RTP (e pago pelos contribuintes portugueses), sinto-me tentado a atribuir os problemas do programa ao fortíssimo desequilíbrio de género que o mesmo patenteia: Manuela Moura Guedes no Barca do Inferno: “Neste preciso momento abandono o programa”.