Compreender o putinismo XXV

VP

A oposição ao Deus-no-Céu-Putin-no-Kremlin faz mal à saúde.

The wife of a prominent Russian opposition activist who mysteriously fell ill in Moscow this week is seeking his evacuation to Europe or Israel for toxicology tests, saying his condition has not improved.

Vladimir Kara-Murza Jr., a former political ally of slain Russian opposition leader Boris Nemtsov, lost consciousness in Moscow on May 26 and was hospitalized with what his wife calls “symptoms of poisoning.”

“His condition has not improved since; he has not regained consciousness,” his wife, Yevgenia, said in an e-mail to RFE/RL and other media outlets.

She said the hemodialysis he underwent to treat kidney failure “has not had any effect” and asked that he be evacuated by plane from Russia “to a medical center in Europe or Israel where full toxicology testing and treatment can be done.”

Adenda: Os reptilianos querem minar Blatter.

Russian President Vladimir Putin has said the US could be selfishly motivated for its own gain, as was the case with Edward Snowden and Julian Assange.

“Unfortunately our American partners are using these methods in order to achieve their own selfish gains and it is illegal to persecute people. I would not rule out that in regards to FIFA, the same thing could be happening, though I do not know how it will end,” he said.

“However, the fact that this is happening right on the eve of the FIFA presidential elections, gives one this exact impression.”

Putin added this is an obvious attempt to expand Washington’s jurisdiction in other countries.

“This is yet one more attempt to try and impose their law against other states. I am absolutely sure that this is an attempt to try and stop Blatter from being re-elected as FIFA president, which is a grave breach of the principles of a functioning international organization.”

 

Diagnosticaram-me ideologia

O meu texto de ontem no Observador.

‘Ideologia’ foi uma doença muito avistada depois de PSD e CDS ganharem as eleições de 2011. Todas as pessoas decentes do país se queixaram, nos primeiros seis meses do governo, que a malvada coligação queria implementar um ‘programa ideológico’. Acabar com as golden shares foi ‘ideológico’, as alterações da legislação laboral tresandaram a’ ideologia’, o corte dos subsídios aos funcionários públicos esteve carregadinho do pecado ‘ideológico’, os cortes na despesa nos vários setores (de resto menores do que os negociados pelo PS no memorando de entendimento) foram o cúmulo da ‘ideologia’.

Com a proximidade das eleições, os diagnósticos de ‘ideologia’ têm explodido outra vez nos lados dos técnicos de saúde política afetos ao PS. Eu nos últimos tempos já fui objeto de vários diagnósticos de ‘ideologia aguda’ no twitter, na sua forma declarada e incurável. Às vezes pondero se não seria melhor (para bem da saúde pública) acoplar uma campainha à minha carteira para avisar quem se cruza comigo desta debilitante condição liberal em que me encontro.

Claro que quem se queixa de ‘ideologia’ tem muita razão. Os partidos – todos – apresentam uma ideologia aos eleitores através das suas propostas políticas nos programas eleitorais; e os eleitores decidem para que combinação ideológica estão mais virados em cada momento eleitoral. Na verdade, os partidos menos ideológicos que por cá temos são PSD (cuja grande ambição da maioria dos seus militantes é ser de esquerda) e CDS (que ainda não se arrumou o socialismo beato).

Nem só os jovens costistas das redes sociais e do comentário político se preocupam com este surto infeccioso. António Costa também parece estar baralhado com o vírus ideológico. Por exemplo, em março, Costa ‘criticou o Governo por ter abdicado de uma abordagem pragmática na resolução dos problemas do país “por puro preconceito ideológico”’ (Expresso, 17/3/2015). Em abril, Cassete Costa afirmou: ‘Este Governo nunca olhou para os problemas de uma forma pragmática, olha sempre para os problemas com preconceito ideológico’ (RR, 12/4/2015).

O resto está aqui.

On Debt and Taxes

No Portuguese Insurgent: On Debt and Taxes.

The stated objective of The Economist’s piece is to make the case for eliminating incentives to excessive leverage that undermine the financial system. This ignores the simple fact that the system’s instability stems from its design rather than from the amount of credit it grants. Over the last hundred years, the total leverage of the financial system – particularly banking – has increased constantly as required reserves progressively decreased; to the point where at the beginning of the ongoing crisis many of the world’s largest banks, especially in America, had reserve ratios close to 2%.

Haja fé no Marinho e Pinto

marinho

O Partido Democrático Republicano  (partido unipessoal do ex-jornalista e ex-bastonário da ordem dos advogados) vive momentos animados. Espero que num futuro próximo surjam vários movimentos antagónicos que defenderão a necessidade da existência e da unidade verdadeiramente diferenciadora do partido de Marinho e Pinto.

Confusão na assembleia de filiados do PDR. Marinho Pinto impugna votações

Leitura dominical

Uma tragédia evitável, a crónica de Alberto Gonçalves no DN.

Apesar de lamentar a balbúrdia cometida por adeptos da bola no centro de Lisboa, António Costa lembrou, a título de consolo, que actividades semelhantes também acontecem “noutros locais”. Para mim, que moro a centenas de quilómetros do Marquês de Pombal, chega. Para os lisboetas, sobra. Para todos os portugueses, eis uma amostra da liderança serena que o Dr. Costa se prepara para aplicar ao país em peso, logo que as sondagens comecem a traduzir a real vontade do eleitorado e retirem o PS de fundilhos antes justificáveis pela brandura de António José Seguro: qualquer maçada, problema ou cataclismo devem ser relativizados sob o imbatível argumento de que, algures, já houve igual ou pior.

Se, por exemplo, um dia funesto Condeixa–a-Nova for bombardeada pelo inimigo, o Dr. Costa recordará Dresden e Pearl Harbor. Se três quartos do Alto Minho desaparecerem graças a um vírus maligno, o Dr. Costa não demorará a evocar a sida em África e a gripe espanhola. Se um surto de canibalismo irromper no Barlavento algarvio, o Dr. Costa acalmará as hostes mediante comparações com o Donner Party e a fome soviética de 1932. É para isto que serve um líder.

Quanto a um candidato a líder, serve para apresentar um “projecto de programa eleitoral”. Dividido em quatro capítulos, 21 pontos e incontáveis alíneas, o projecto de programa é um sítio tão bom quanto outro qualquer para o PS semear palavras que acha cativantes (flexibilidade, proximidade, agilidade, qualidade, sustentabilidade, valências, alavancagem, dicotomia, etc.). Ao longo de 134 páginas que se lêem com o prazer com que se arranca um dente, oscila-se sem surpresas entre os grandes conceitos (a liberdade, a democracia, o sol, o vento e a água) e o detalhe maníaco (melhorar a “qualidade das emissões da RTP Internacional”). Ou entre promessas lindas (a “eficiência do Estado”) e a sua contradição imediata (a criação da essencial “Unidade de missão para a valorização do Interior”). Ou entre promessas esquisitas (os direitos de “reserva da intimidade da vida privada e do bom nome”) e a sua contradição imediata (a “conciliação dos mecanismos da vigilância electrónica com os de teleassistência no apoio a vítimas de violência doméstica”). Ou entre o ocultismo (“construção de equipamento e navios de suporte para O&G e Mining Offshore”) e, literalmente, a arte de encher chouriços (há um “programa integrado de certificação e promoção de produtos regionais”). Ou entre a comédia farta (um “Programa subtemático para o setor [sic] do leite”) e a retórica vazia (“Um mundo que nos devolva o lugar da comunidade, valorizando a vida quotidiana”). Ou entre os sintomas de amnésia (a “consolidação das contas públicas”) e o orgulho no currículo (as garantias de apoios a tudo o que mexa – e principalmente não mexa – são infinitas). Por pudor, não desenvolvo “o equilíbrio de género no patamar dos 33% nos cargos de direção para as empresas cotadas em bolsa”. Por estupefacção, não comento a abolição da austeridade através de decreto.

Em suma, pacotes, iniciativas, medidas, apostas, comissões, siglas e delírios, muitos delírios, as coordenadas exactas do embuste. Pura política? Sem dúvida, e sobretudo puro PS. Corre por aí que o Dr. Costa contratou especialistas de marketing para perceber o que vai na cabeça dos portugueses. A vantagem dos portugueses é saberem de antemão o que vai na cabeça do Dr. Costa, um seguidor confesso do interessante Syriza. Se depois elegerem o PS pode sempre dizer-se que, de Mário Soares a José Sócrates, já houve desastres iguais. Duvido que tenham sido piores: a luz ao fundo do túnel é o TGV.

Há gravações mas não há dinheiro…

Mentiras e vídeo. Yanis Varoufakis confirma que gravou reunião de Riga
“Não há dinheiro” para pagar ao FMI em junho, diz ministro do Interior

Leitura complementar: O cenário do PS: entre Centeno e Varoufakis; Da espiral recessiva aos cantos do Syriza; Razões para ter esperança no Syriza; O socialismo europeu e o Syriza; A Grécia e o erro de Merkel.

José Alberto Carvalho e a apologia do terrorismo progressista na TVI (2)

TV Buíça: Apologia do regicídio em prime time. Por João Vacas.

Leitura complementar: Observador: um ano de serviço público.

Além da “verdade a que temos direito”…

O meu artigo de hoje no Observador: Observador: um ano de serviço público.

Leitura complementar: José Alberto Carvalho e a apologia do terrorismo progressista na TVI; Diário de imprensa no dia a seguir a uma vitória da direita num dos mais importantes países europeus.

Alberto João Jardim na RTP

Caro Rui, ressentir é sentir duas vezes e o bom entretenimento faz-se com muito sentimento: a brigada do ressentimento.

A quase todos une um passado comum de desilusões político-partidárias, que eles tomaram como desconsiderações pessoais, e com as quais quase sempre fazem pautar a «isenção» dos seus comentários. É, por isso, com naturalidade e sem surpresa, que vemos o Dr. Jardim a engrossar este já muito vasto pelotão do ressentimento. Seja, pois então, muito bem-vindo à brigada.

Estranho é que ninguém convide António José Seguro para um espaço de comentário próprio e regular. Por que será?

José Alberto Carvalho e a apologia do terrorismo progressista na TVI

De televisão da igreja católica a televisão da carbonária. Por Helena Matos.

Via Corta fitas cheguei a este video do telejornal da TVI apresentado do Museu dos Coches. A finalizar o dito bloco informativo José Alberto Carvalho mostrou o landau onde viajava D. Carlos no dia do regícidio. Aí começa uma singular peça jornalística de apologia do assassínio em nome da República.

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Google, Twitter e Facebook em russo

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É do interesse universal que parem de violar a censura as leis russas. A santa mãe Rússia deu-se ao trabalho de os avisar, antes do envio dos “homens verdes”.

Adenda: Pavel Durov explica o processo de “nacionalização” da sua empresa.

No Fio da Navalha

O meu artigo de hoje no jornal ‘i’.

A doença europeia

Depois da sua vitória eleitoral, David Cameron pretende cumprir o prometido e permitir que os britânicos referendem a continuidade do Reino Unido na União Europeia. Os alarmes soaram em Bruxelas, já a braços com a possível saída da Grécia da zona euro, ao mesmo tempo que se deseja que o referendo britânico, com uma vitória do “não”, ponha um ponto final na indecisão e insatisfação britânica.

Numa entrevista esta semana ao “Guardian”, Graeme MacDonald, chefe-executivo da JCB, uma multinacional britânica que é a terceira maior fabricante mundial de equipamentos para construção, defendeu a saída do Reino Unido da União Europeia, se Cameron falhar a negociação para reduzir a burocracia europeia que prejudica as empresas britânicas.

Admitindo ser, por vezes, mais fácil vender para a América do Norte do que dentro da própria Europa, MacDonald bate num ponto essencial: a União Europeia foi criada para derrubar barreiras, não para as erguer. E o que se passa é que o projecto europeu, tendo sido mais político que económico, tem ido ao desencontro do seu objectivo inicial, que é a criação de um mercado comum, logo aberto.

Claro que os riscos são imensos. Mas estes não advêm apenas de uma possível saída do Reino Unido, mas da dificuldade que é reformar a União. A teia burocrática é de tal forma gigantesca e contorcida que uma diferença natural entre os povos facilmente se torna uma disparidade crónica entre os Estados.

Adolescentes à deriva

O meu texto de hoje no Observador.

‘Dentro dos temas de que fujo está a conversa ‘a juventude de hoje está perdida’ e todas as variações de ‘antes o mundo era maravilhoso e agora está um descalabro’.

Ora bem: antes o mundo não era maravilhoso e agora não está um descalabro. Ou, se está um descalabro, pelo menos está menos do que costumava estar. Como o meu objetivo não é provar este ponto (e estou com pressa de chegar aos adolescentes), deixo-vos os argumentos de outros, um de 2012, um de 2013 e outro de 2014. Até britânica e conservadora The Spectator e a americana e esquerdista Slate concordam que o mundo não está condenado. Por isso, caro leitor pessimista, lamento informá-lo, mas não, a humanidade não caminha para o apocalipse. Habitue-se.

É bom recordar os progressos nestes dias em que se tornou mantra nacional declarar que a sociedade está doente, ou, pelo menos, os jovens estão doentes, estamos a criar monstros, levemos as mãos à cabeça que famílias e escolas estão a falhar e o futuro que aguarda os menores é uma distopia que nem Orwell previu.

É certo que a realidade espicaçou. Primeiro o bullying de um adolescente por várias raparigas. Houve os que gozaram com o bullying e acham que deve ser à antiga, um rapaz enrijece se levar pancada e quem dá relevância a estes incidentes só incentiva a mariquice nacional. E os que prometeram violências ainda mais atrozes às agressoras – enquanto viam e partilhavam furiosamente o vídeo, expondo as identidades de agredido e agressoras, tornando-se assim participantes e agravando a agressão que tanto repudiavam.’

O resto está aqui.

George Galloway à fartazana

Galloway numa animada actividade da organização de caridade Viva Palestina

Galloway numa animada actividade da organização de caridade Viva Palestina

George Galloway referred to police by MP expenses watchdog after complaint by former PA

George Galloway’s use of parliamentary funds has been referred to the police by an expenses watchdog following a complaint by his former assistant.

The Independent Parliamentary Standards Authority (Ipsa), which oversees MPs’ business costs and their use of public money, has investigated claims made by Aisha Ali-Khan.

She had lodged an official complaint alleging that while she worked for Mr Galloway, she spent a large amount of time on non-parliamentary duties including underwear shopping, making preparations for his wedding and helping the Viva Palestina charity.

Não correu como o esperado

Arrested for reporting on Qatar’s World Cup labourers

O esforço de relações públicas das autoridades do Qatar. Também nesta área, não existem soluções mágicas e se existem, são de desconfiar.

O jornalista da BBC Mark Lobel foi convidado a vistar o país do Médio Oriente que organizará o Campeonato do Mundo de futebol de 2022 e que tem tido alguns problemas de imagem provocados pelas más condições de trabalho dos imigrantes envolvidos na preparação do evento.  Mark Lobel (e o resto da equipa) acabou por ser preso por se ter aventurado em fazer o  trabalho por sua conta e risco, fora do controlo das autoridades.

Constança

Hoje, para o jornal i, a propósito do vídeo “viral” da semana passada (esta semana já corre outro vírus por aí), onde aparece uma rapariga chamada Constança a bater num rapaz, avanço com um tema que tem que ver com a identidade pessoal, a possibilidade de nos modificarmos, de sermos diferentes dos outros mas também de nós próprios, ao longo da nossa vida, e os efeitos da “memória digital” nesse processo de desenvolvimento pessoal:

“Passaram cinco anos, Constança entra na universidade. Tem hoje 20 anos e prepara-se para uma entrevista que a ajudará a pagar o curso. Sonha ser professora. Detesta “filmes de acção”, corre durante a alvorada três vezes por semana, organiza com etiquetas os tupperwares e duas vezes por semana troca as flores do beiral da janela. Vota à direita e diz frequentemente que um dia, quando tiver uma filha, quer chamar-lhe Luísa, em homenagem à mãe.   

Chega o momento da entrevista, entra nervosa, mas a sorrir para o mundo. A gerente de recursos humanos do hipermercado olha para aquele rosto fresco e recorda-se do vídeo “viral” que correu Portugal em 2015 e que também ela partilhou no Facebook. “Foi você?” Atira a entrevistadora de unha vermelha e rabo-de-cavalo loiro. Com a testa franzida e a boca entreaberta, Constança responde que sim. Seguem-se umas perguntas de circunstância e Constança é avisada de que voltarão a contactá-la. Com os olhos ardendo e um aperto no peito, vai-se embora.

Noutro tempo, a cena a que assistimos naquele vídeo “viral” ficaria guardada nalguma gaveta da memória de meia dúzia de pessoas e com o tempo desvanecia-se, como feliz ou infelizmente tudo desvanece. Desde o início dos tempos, para nós seres humanos, esquecer tem sido a norma e recordar a excepção.  Tudo mudou com as possibilidades da memória digital que eterniza uma Constança que já não existe, cuja identidade foi construindo e evoluindo ao longo dos tempos. Constança será hoje diferente de si mesma há cinco anos. E isso, caro leitor, deve ser respeitado por todos nós.”

6000 no Facebook

A página d’O Insurgente no Facebook agrega já mais de 6.000 pessoas. No que diz respeito a outros canais de divulgação, para além das muitas pessoas que seguem O Insurgente através dos mais variados readers e por email, o blogue conta também com cerca de 1.800 seguidores via Twitter.

Adicionalmente, 2015 continua a ser ano de máximos históricos de audiências n’O Insurgente com uma média mensal de visitas registadas no site superior a 250.000.

Obrigado a todos os leitores pela preferência.

Outros mares de imigrantes II

38 Cuban migrants intercepted last month as they tried to reach America are STILL stranded on Coast Guard cutter as Cuba refuses their re-entry.

 

Leitura dominical

A banalização da palermice, a crónica de Albero Gonçalves no DN.

(…) Aconteceu durante o jogo de futebol entre o Real Madrid e a Juventus. O “melhor do mundo”, como é constitucionalmente obrigatório dizer, recebeu a bola perto da baliza e, em vez de chutar, fez um passe disparatado para um adversário. Perante isto, o locutor (da TVI, salvo o erro) não se conteve e saltou excitadíssimo da hipotética cadeira: “Que generosidade de Cristiano Ronaldo!”

Em matéria de patriotismo, julgo que não se pode ir mais longe. Mas deve imitar-se o exemplo e estendê-lo ao resto. De agora em diante, a política fiscal do governo será referida enquanto um modelo de altruísmo, concebido para relativizar o baixo poder de compra dos búlgaros. As propostas económicas da oposição são um paradigma do desprendimento, dado que prometem arrasar o que resta do país apenas para que os gregos não se sintam tão isolados. Os esforços sindicais para promover falências constituem um esforço de solidariedade para com os já desempregados. E o nacionalismo amalucado e oco do locutor em causa é, também, a consagração da benevolência, visto impedir que Marinho e Pinto, Sampaio da Nóvoa e Paulo Morais digam asneiras sozinhos. Até na pequenez Portugal é enorme.

Regresso ao passado em Portugal

O meu artigo de hoje no Observador: O guião do regresso ao passado.

Se a tendência dos últimos tempos se mantiver, o filme que se perspectiva para depois das legislativas é uma sequela em tons cinzentos do que conduziu ao pedido de resgate em 2011. Tal como acontece na maioria das sequelas, o filme arrisca-se a ser de ainda pior qualidade do que o original, mas num aspecto não devem restar dúvidas: o final será muito semelhante. Caso venha a ser colocado em prática, o guião do regresso ao passado será uma receita para o desastre depois das próximas legislativas.

O artigo pode ser lido na íntegra aqui.

O Fórum de Políticas Públicas do ISCTE

Infelizmente, regra geral o Governo não tem estado à altura das acusações dos seus críticos mais radicais: Um escândalo: o governo de “direita aplicou políticas de direita”. Por João Marques de Almeida.

O Fórum de Políticas Públicas, realizado esta semana no ISCTE, acusou o governo de “aplicar políticas de direita”. Segundo as notícias, discutiu-se sobretudo a execução do “memorando”. É sem qualquer dúvida um ponto importante, mas não é o que me interessa aqui. O ponto relevante tem a ver com a cultura democrática de muitos dos participantes no Fórum, e o modo como avaliam a legitimidade da “direita” em Portugal.

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Sobre a situação na TAP

Mais logo, estarei no Jornal das 20h do Porto Canal, com Júlio Magalhães, a comentar a situação da TAP.

Leitura complementar: TAP: privatização ou falência?

Outros mares de imigrantes

Emigrantes de Rohingya. Foto: Christophe Archambault/Agence France-Presse — Getty Images

Emigrantes Rohingya. Foto: Christophe Archambault/Agence France-Presse — Getty Images

A avaliar pelas reportagens a Malásia e a Indonésia estarão a planear uma resposta, um sistema de quotas para acolher os imigrantes.

Entradas no dicionário

O meu texto de ontem no Observador.

‘Há duas tiras de quadradinhos em que a Mafalda, de Quino, introduz uma explicação para as desavenças no mundo: o facto de metade do mundo estar a almoçar quando a outra metade está a dormir. E termina ditando ao Filipe uma carta ao secretário-geral da ONU sugerindo que o que divide o mundo afinal não é a política mas o sono.

Às vezes tenho uma desconfiança prima desta quanto à esquerda e à direita: que o que as divide não é tanto os valores ou os caminhos políticos; é o dicionário. É que não se aventa outra explicação para usos tão exóticos de certas palavras.

Um exemplo: sucesso. António Costa há poucos dias afirmou, num evento sobre educação, que ‘este governo não foi capaz de conviver com nenhuma das marcas de sucesso da governação socialista’. Uau. O país inteiro vive encadeado com tanto sucesso socialista, efeito de resto agudo por estes dias quando se preenche a declaração para o IRS.’

O resto está aqui.

Sobre o desmancho ortográfico

Nada melhor do que a opinião de Vasco Graça Moura.

O Acordo Ortográfico significa a perversão intolerável da língua portuguesa.(…)

Mas o que ninguém pode é passar em claro que o AO leva ao agravamento da divergência e à desmultiplicação das confusões entre as grafias e faz tábua rasa da própria noção de ortografia, ao admitir o caos das chamadas facultatividades. Sobre tudo isso existe, de há muito, abundante material crítico, com destaque para os estudos essenciais, demolidores e, note-se, não contrariados, de António Emiliano. (…)

Esse vocabulário comum nunca existiu. Não há notícia de que esteja em vias de ser elaborado, nem de encontros de instituições ou órgãos competentes dos oito países de língua portuguesa para tal efeito. (…)

O AO não está nem pode estar em vigor. A vigência de uma convenção internacional na nossa ordem interna depende, antes de mais, da sua entrada em vigor na ordem internacional. Terá o AO começado a vigorar no ordenamento internacional quando há Estados subscritores que ainda não o ratificaram, decorridos mais de 20 anos sobre a sua celebração? E esse mesmo facto não inviabilizará o próprio AO, por impossibilidade manifesta do fim que ele se propunha e que era o de alcançar uma “unidade” ortográfica aplicável a todos aqueles Estados?

Por outro lado, e quanto ao chamado segundo protocolo modificativo, que não foi também ratificado por todos os Estados que o subscreveram, poderá a ratificação por três desses Estados sobrepor-se aos ordenamentos constitucionais dos restantes e vinculá-los a todos, levando-os a acatar, por esse expediente trapalhão, algo que eles como Estados soberanos também não ratificaram? Significará isto uma vigência do protocolo na ordem externa, de modo a que ele possa vigorar em Portugal ou aplicam-se ao caso os mesmos princípios que acima referi?

Uma outra ordem de questões prende-se com um pressuposto essencial. O art.º 2.º do AO exige que, antes da sua entrada em vigor, os Estados signatários tomem, através das instituições e órgãos competentes, as providências necessárias com vista à elaboração “de um vocabulário ortográfico comum da língua portuguesa, tão completo quanto desejável e tão normalizador quanto possível, no que se refere às terminologias científicas e técnicas”.

Esse vocabulário comum nunca existiu. Não há notícia de que esteja em vias de ser elaborado, nem de encontros de instituições ou órgãos competentes dos oito países de língua portuguesa para tal efeito.

Sendo assim, como é que se pode sustentar a vigência e aplicabilidade do AO?

Por último, está mais do que demonstrado o risco de a língua portuguesa, tal como a falam os mais de 50 milhões de pessoas que não seguem a norma brasileira, vir a ser muito desfigurada, na relação entre grafia e oralidade, em especial no tocante à pronúncia.

 

O vanguardismo politicamente correcto e a vitória Conservadora no Reino Unido

Eleições britânicas: vanguardismo surpreendido pelas pessoas comuns. Por João Carlos Espada.

(…) os eleitores premiaram no recato das cabines de voto um programa conservador que, em público, era alvo das acusações “indignadas” do vanguardismo politicamente correcto.

Quais são as lições deste fenómeno? O presidente de uma das empresas de sondagens britânicas disse sabiamente que os políticos não deviam seguir as sondagens; deviam apenas dizer abertamente aquilo que defendem. É um bom princípio. Depois de Winston Churchill, os últimos estadistas que seguiram esse princípio foram Ronald Reagan e Margaret Thatcher.

Talvez David Cameron possa vir a juntar-se a esse clube ilustre — cem por cento politicamente incorrecto, hostilizado pelo vanguardismo “bem pensante”, mas profundamente sintonizado com as pessoas comuns.

Leitura complementar: “Labour as we know it will never rule again”.

Por tanto olharem para as estrelas, passam a vida a cair no chão

Ao longo dos próximos meses, comentadores e colunistas portugueses que até há uma ou duas semanas nunca tinham ouvido falar de Chuka Umunna, ao ponto de ainda terem de verificar a ortografia do seu nome no Google antes de o escrever, vão incensá-lo como o futuro de uma “esquerda” “de futuro, “capaz de ganhar eleições”. Mostrarão assim como “ganhar eleições” é para eles (como para os seus congéneres da “direita”, diga-se passagem) a única virtude política, e como facilmente se deixam seduzir (novamente como os aderentes ao outro lado) por toda e qualquer nova “estrela” só por esta lhes ter sido apresentada como tal por um qualquer jornal “estrangeiro”.