Leitura dominical

Portugal é uma loucura, a crónica de Alberto Gonçalves no DN.

O Dr. Costa lembrou que foi através do “investimento” público que os EUA chegaram à lua. O PS já lá vive há imenso tempo. Descontadas ocasionais incursões pela realidade, o princípio das recentes sugestões para a economia é o de sempre: se o dinheiro é escasso, gasta-se mais. Dito assim, parece absurdo. Na prática, é mesmo absurdo, não só que alguém se lembre de elevar tamanho disparate a um programa político como, sobretudo, que alguém leve o disparate a sério.

Nisto, o PS não está sozinho – embora o pormenor de se autointitular o “partido do rigor” o torne um caso particularmente grave. Os restantes partidos também não. O ar que se respira no país é propício a alucinações, e o nonsense é língua franca. Há dias, vi na televisão um artista de variedades (que não vale a pena nomear: o discurso em voga varia pouco) atacar a Sra. Merkel sob o pretexto de que Portugal tem “uma história de séculos” e o português é falado nos “quatro cantos do mundo”. Aliás, a prova de que as coisas não andam bem é que o filho do tal artista de variedades (“um músico talentosíssimo”, na apreciação do pai) não arranja contratos com as autarquias. Um escândalo, de facto. No dia seguinte, um conhecido académico pedia que seguíssemos o exemplo da Grécia, cuja população sufragou a recusa de cedências à Alemanha e à “Europa”. Pelo meio, PCP e BE arrastaram 17 infelizes para protestar contra um acordo de comércio entre os EUA e a UE.

Em suma, a austeridade é um tique evitável. O progresso e a felicidade exigem que o Estado semeie verbas avultadas em seu redor. O fornecimento das verbas é uma obrigação dos contribuintes alemães. Se os alemães rezingam, damos-lhes com o Viriato e Aljubarrota na cabeça. Se continuam a implicar com ninharias, recorremos a citações de Camões e de Pessoa, repletas de referências à saudade e ao mar salgado. Se, incrivelmente, nem isto resultar, desatamos a apelar aos formalismos: nós, que somos soberanos, exigimos viver à custa de estrangeiros hostis, que têm é de calar-se e patrocinar-nos o orgulho. Negócios, apenas com os estrangeiros amigos e falidos, tipo Venezuela.

Enormidades do género produzem-se a todas horas de todos os dias. E quase ninguém estranha nada, quase ninguém contraria a demência que se instalou por cá. Provavelmente, porque até os que armazenam um vestígio de bom senso percebem que quando se chega a este ponto é escusado esperar melhoras. Na falta de remédio, Portugal resiste graças a paliativos. Os paliativos não eliminam lunáticos.

Foi uma festa bonita pá

25A 75. Por Gabriel Silva.

Apesar da imposição do totalitário Pacto MFA-Partidos que negava as liberdades e condicionava enormemente a escolha livre do povo, apesar das prisões arbitrárias, apesar dos presos políticos, apesar da proibição de vários partidos, apesar de muitos dos militares que conquistaram o poder considerarem, tal como Salazar, que o povo não estava preparado para a liberdade e para o voto, ainda assim, 91,5% dos eleitores registados foram votar livremente no dia 25 de Abril de 1975. E com esse acto, com essa festa da liberdade, derrotaram todos quantos se opunham à liberdade prometida um ano antes.

Foi uma festa bonita pá.

Michael Seufert: “Para a minha geração, mais dívida é menos liberdade”

História política não é o forte dos socialistas…

Serviço público de Helena Matos: A AR não dá umas aulas aos deputados sobre a vida parlamentar em Portugal?

A questão do voto das mulheres é um daqueles assuntos em que a realidade não se compadece com a ficção socialisto-maçónica: O reconhecimento do direito de voto às mulheres surge em 1931 através do Decreto com força de lei n.º 19694 (5 de Maio de 1931).

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Macacos não vêem noticiários

Um grupo americano de defesa de animais apresentou um requerimento nos tribunais para macacos em cativeiro serem tratados segundo as leis disponíveis aos humanos (i.e. habeas corpus).  Na compreensão das leis acho que estes animais ainda não chegaram ao patamar do Planeta dos Macacos. Mas à apreciação de dados estatísticos eles já vão à frente de muitos humanos :)

Lei Medeiros-Amorim-Correia não passa no visto prévio

Parece que a peculiar iniciativa legislativa hoje tornada pública não vai avante. Ainda bem.

Passos Coelho: Propostas socialistas são um “caminho arriscado e perigoso”
Paulo Portas diz que preza “muito a liberdade de imprensa”
Visto prévio: António Costa soube hoje e trava deputada socialista
Constitucionalistas do PS e PSD: visto prévio “é uma ideia altamente perigosa”

Vou explicar devagarinho, a ver se os senhores deputados entendem

Depois de travada a lei, importará tentar garantir, na medida do possível, que os deputados Carlos Abreu Amorim (PSD), Telmo Correia (CDS) e Inês de Medeiros (PS) não reincidam.

Compreender o putinismo XXIII

ss

O mais importante papel de Vladimir Putin. No entanto, desconfio que a criatura do Kremlin desconhece o poder que o Steven Seagal tem nos canais televisivos nacionais.

Sem comentários

Chapendra @flickr.com

Chapendra @flickr.com

O projecto de lei elaborado pelos partidos PSD, CDS e PS sobre as novas regras para a cobertura jornalística das campanhas eleitorais contempla grave limitação da liberdade de expressão (meu destaque):

No artigo destinado às “publicações de caráter jornalístico”, o projeto de lei é muito detalhado, diferenciando as publicações noticiosas das publicações de opinião e dizendo que a opinião não pode ter mais espaço do que a notícia.

Portanto, se um político diz “sem comentários” a qualquer assunto, os órgãos de comunicação social estariam proibidos de convidar alguém para comentar o silêncio da criatura…

No Fio da Navalha

O meu artigo no ‘i’.

A TAP

O governo está a tentar novamente vender a TAP. Como seria de esperar são muitos os problemas num processo que dura há anos. Se por um lado estão os trabalhadores, entre eles os pilotos, que querem deter entre 10 % a 20% da companhia, por outro deparamo-nos com os potenciais compradores que, quando se detêm sobre o que se passa na empresa, repensam a sua estratégia e mostram-se reticentes na sua aquisição.

Há dias foi anunciado o fecho das contas de 2014 que se saldaram num prejuízo de mais de 80 milhões de euros. No seu todo o Grupo TAP tem uma dívida de mais de mil milhões de euros. Ora, estes resultados surgem num momento em que o preço do petróleo está baixo e já não explica prejuízos anteriores, como os de 2008 em que o preço do crude atingiu valores recorde.

Quando se compra uma empresa, se herda um bem, ou se recebe o quer que seja, importa ter em conta não só o activo mas também o passivo. E o que se passa com a TAP é que o passivo, que não é apenas a dívida da empresa, mas também as obrigações e limitações a que o interesse político a sujeitou, supera muito o seu activo.

O problema da TAP já não é a mera perda de valor, mas o não valer quase nada. Pode ser chocante para muitos, mas uma empresa não se avalia pela emoção, menos ainda quando aqueles que com ela se comovem não gastariam nela um euro que fosse. É, aliás, por isso que são contra a sua privatização. Querem uma empresa, mas o povo que pague por ela.

Espremer direitos

O meu texto de hoje no Observador.

‘A indignação das boas almas sensíveis deste fim de semana veio a propósito de notícias (dadas – não fossem as boas almas sensíveis estarem distraídas – em tom de denúncia de grave atentado aos direitos humanos) do pedido a duas enfermeiras do Porto para fazerem prova de amamentação. Notícias que usavam termos mais próprios para a ordenha (havia que sugerir imagens repudiantes) do que para a amamentação: ‘espremer mamas’ e ‘esguichar leite’. Usar o neutro (e correto) ‘tirar leite’ seria demasiado delicado e poético para a intenção das notícias, presume-se.

Aproveito para informar já que as manchetes do próximo fim de semana dos jornais que com tanto enlevo protegeram a amamentação (e tenho um ataque de tosse enquanto escrevo isto) serão do calibre de ‘malévolos polícias impedem assalto a supermercado por pobres orfãos adolescentes desadaptados’.

E as boas almas que logo rasgaram as vestes nas redes sociais (o que permitiu diversão no twitter, que estas indignações tontas têm consequências boas) vão de seguida organizar uma petição para banir dos consultórios dos médicos de família a obrigação de se abrir a boca, estender a língua e dizer ‘aaaah’ para que o médico nos examine a garganta, que isto é figura muito triste que fazem os doentes e não pode ser. E vão também – em defesa da perigada honra feminina – juntar-se às reclamações dos muçulmanos residentes na Europa que exigem que as suas recatadas mulheres sejam examinadas por médicas e enfermeiras nos hospitais públicos. Onde já se viu uma senhora decente ter de mostrar as mamas a um homem que não o marido? – é a pergunta comum dos indignados progressistas portugueses e dos muçulmanos radicais.’

O resto está aqui.

Do sectarismo

A crispação faz parte da luta política. Se as pessoas não concordam entre si, vão também dizer coisas pouco agradáveis umas às outras. Faz parte. Evidentemente, há limites ao que é razoável; sendo que a definição do que é razoável variará com tanta latitude quanto as ideias políticas. Tipicamente, uma pessoa tenderá a ser mais exigente nos limites quando é ela o alvo de crítica e será mais tolerante quando é ela a criticar. Quando esses limites são ultrapassados, fala-se em sectarismo, que por definição implica (não exaustivamente) ódio, a atribuição de intenções maliciosas e o julgamento pessoal em função de características de pertença a um grupo.

Vem isto a propósito das declarações de Passos Coelho sobre o falecimento de Mariano Gago e das indignações subsequentes; a mais saliente das quais, o artigo de Nuno Saraiva no DN. É irónico que Saraiva comece o artigo referindo a hipocrisia habitual nas declarações sobre a morte de figuras públicas e depois se lance sobre Passos Coelho por este não ter demonstrado a hipocrisia habitual. Ou pelo menos não na magnitude habitual. É também irónico que Saraiva acuse Passos de “sectarismo”, atribuindo-lhe mesmo um “ódio político inexplicável e intolerável”, ao mesmo tempo que classifica as suas acções políticas como “malfeitorias”. Exemplos mais óbvios de double standard serão poucos.

Independentemente dos defeitos da governação de Passos Coelho (e estou certo que os defeitos que eu vejo são muito diferentes dos vistos por Nuno Saraiva), fazer o juízo de que ele segue as políticas que segue com a intenção de deliberadamente praticar o mal é que é o exemplo paradigmático de “sectarismo”. É ir ainda mais longe do que os idióticos cartazes do PS que afirmam a vontade de Costa dar mais dignidade aos portugueses, presumivelmente em comparação com Passos que quererá dar menos.

Do mesmo modo a (modesta) reserva de Passos Coelho, relativamente aos elogios que fez a Mariano Gago, é justificável. É inegável que Gago foi ministro no governo responsável pela falência da República Portuguesa e pela necessidade de intervenção exterior (também é certo que dadas as suas funções, terá sido provavelmente dos ministros com menor responsabilidade nesse facto). Mencioná-lo, apesar de verdade, seria insensível nas circunstâncias. Chamar a atenção para o facto óbvio de que foi um adversário político não é nada. Quem quiser ver sectarismo a sério, que olhe para o que ocorreu quando morreu Margaret Thatcher.

Notícias da democracia popular na Coreia do Norte

Kim Jong-un subiu à montanha mais alta de botas e sobretudo?

A sorrir e sem o menor sinal de cansaço. Kim Jong-un, o líder da Coreia do Norte, “escalou” de botas e sobretudo o Monte Paekdu, a montanha mais alta do país com cerca de 2.744 metros de altura.

Com feitos deste calibre, além de certamente impressionar ainda mais os seus admiradores por todo o mundo (incluindo em Portugal), o actual líder supremo da Coreia do Norte mostra estar à altura do legado do pai.

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Governar

Por iniciativa do PS, e para grande entusiasmo das nossas classes falatórias, uma senhora italiana, de seu nome Mariana Mazzucato, visita hoje o nosso país, com o propósito de ilustrar os nativos. Mazzucato é uma economista que, segundo o que li por aí, escreveu um livro há uns anos sobre “O Estado empreendedor” (sendo assim provavelmente a convenientemente não citada inspiração do João Galamba para o seu texto no Expresso) que aparentemente “desmonta o mito do investimento privado”. Como seria de esperar,  o argumento da senhora, que como todos os argumentos, seja qual for o assunto em causa e o sentido da tese avançada, é controverso, no sentido de ser, por naturezaquestionável, foi tomado pela “inteligência” pátria como uma prova inquestionável da perversidade do “mercado” e da burrice de quem acha que o “capitalismo” (um termo marxista do qual ninguém parece querer livrar-se) é apenas e só tão mau quanto a natureza humana, e que não há nada que consiga ser melhor.

Um caso exemplar da excitação provocada pela visita de Mazzucato foi o editorial do Diário de Notícias do passado sábado, pela pena (ou, de uma forma mais de acordo com a nossa modernidade, pelas teclas) de André Macedo. Macedo começa por dizer que “empreendedorismo público parece uma contradição nos termos”, e prossegue considerando que “Passos Coelho bebeu a vulgata liberal até ao último cálice” e por isso “foi eleito demonizando os excessos do Estado”. Começa mal, portanto: na sua compreensível ânsia de criticar o Governo, Macedo nem consegue perceber que tudo aquilo que Passos tenha eventualmente “bebido” da “vulgata liberal” foi rapidamente expelido do seu corpo pelas habituais e insalubres vias, o que fez com que os “excessos do Estado”, por muito “demonizados” que tenham sido pela retórica, continuem aí bem vivos e canonizados na prática. E se começou mal, continua pior, argumentando que “num país sem capital”, como o nosso, “só há dois caminhos para o dinheiro abundante”: são eles “os bancos”, que para Macedo “é caro e exige garantias”, e os “cofres públicos”. Macedo não explica onde, nesse país sem capital, se vai buscar o dinheiro para encher esses cofres públicos, mas o seu propósito também não é ser esclarecedor. É fazer propaganda.

E é com esse fim que de imediato se socorre de Mazzucato e do seu livro que “agitou as águas”: “e se afinal o Estado for o mais importante empreendedor?”, pergunta Macedo ao modo Socrático, tanto o de Atenas como o de Évora; “E se por trás de grande parte da tecnologia do iPhone – e não só – estiveram não as míticas garagens de Sillicon Valley, mas respeitáveis investimentos públicos feitos muitos anos antes?”. Depois de nos deixar em vibrante suspense perante a interrogação, Macedo descansa-nos: “a pesquisa de Mazzucato demonstra” (presumo que sem margem para qualquer dúvida, como se impõe) “que sem o dinheiro do Estado americano a Apple não teria chegado tão longe tão depressa – os privados não estariam dispostos a assumir os mesmos riscos”.

Não tendo lido o livro (por ignorância minha, não o conhecia sequer antes deste fim-de-semana), e perante esta pouco esclarecedora explicação da tese de Mazzucato, fiquei na dúvida sobre o que pensar. Por sorte, um amigo meu enviou-me um artigo que a senhora publicara há tempos na The Economist: nele, argumenta que “todas as tecnologias que fazem do iPhone um smartphone” foram resultado de projectos governamentais, nomeadamente na área da Defesa. O que é apenas e só uma evidência: coisas como a internet ou os sistemas de GPS resultam de milhões e milhões de “investimento público” em projectos de investigação e desenvolvimento tecnológico patrocinados, por exemplo, pelo Departamento de Defesa americano, ou pela NASA. De reconhecer algo inquestionável a argumentar com igual certeza que só com investimento público Portugal poderá tornar-se um país mais desenvolvido vai uma grande distância.

Parece não ocorrer a André Macedo, e a todos os que por estes dias deliraram com as ideias de Mazzucato na exacta medida em que até há uns dias ignoravam por completo a sua existência, que governar não é pôr em prática as teorias desenvolvimentistas deste ou daquele livro, independentemente dos méritos dessa mesma teoria; governar, quer seja Passos quer seja António Costa a fazê-lo, é tomar decisões políticas: ou seja, perante os constrangimentos postos pela escassez de recursos que afecta qualquer Estado (uns mais, outros menos), fazer uma escolha acerca de onde e como gastar aqueles que o Estado tiver à sua disposição, depois de os retirar à sociedade civil, através da cobrança de impostos. Para infortúnio da espécie humana e desespero das boas almas, governar é forçosamente uma actividade cuja prática varia consoante o  Estado, porque os constrangimentos variam de Estado para Estado. Sendo Portugal o país relativamente pobre e atrasado que é, pequeno e em grande medida desprovido de recursos (um “país sem capital”, como Macedo o caracterizou), nem Passos Coelho nem António Costa poderão, mesmo que queiram, promover investimentos públicos em desenvolvimento de tecnologias de uma forma similar aos programas que Mazzucato diz terem permitido o sucesso dos investidores privados de Sillicon Valley. Portugal, tendo em conta a pobreza do país e a carga fiscal já tão elevada que coloca sérias dificuldades à vida quotidiana das pessoas, não terá os meios necessários para desenvolver grandes programas de inovação de tecnologia militar, muito menos um programa espacial. Nesse campo, Portugal pode apenas fazer aquilo que Mazzucato acusa esses investidores privados de Sillicon Valley de terem feito: andar às cavalitas do prévio investimento (e risco) público dos EUA, fazer o melhor uso possível das tecnologias que daí resultaram, como a internet, os GPS e os smartphones, e gastar os seus parcos recursos de uma forma mais apropriada à sua escassez. E como o Estado português não tem, nem terá, meios para promover investimentos ao nível do que a NASA ou o Pentágono podem promover, o tipo de “investimento público” que está ao nosso alcance é também ele bastante menos potencialmente proveitoso. E continuar a desviar recursos das pessoas para a realização de investimentos promovidos, não pelas escolhas delas, mas pela escolha política, continuará a resultar, não em “iPhones à portuguesa”, mas nos muito nossos “iPhoda-se”: os vários “Magalhães” e “Aeroportos de Beja” que por aí andam, e que nós pagamos e continuaremos a pagar por muitos e maus anos.

para os maluquinhos lactantes

breast pump(é uma bomba de tirar leite)

Uma bomba de tirar leite (aqui em cima está uma igual à que eu tive aquando da amamentação da criança mais nova) é um instrumento inócuo, indolor e não, não é um atentado à dignidade da pessoa humana, mulheres incluídas. Não, uma bomba de tirar leite não se confunde com uma cadeira de pregos medieval. E apesar de compreender a excitação com isso da notícia de ‘espremer mamas’, lamento informar a quem tivesse mais entusiasmo com a imagética da coisa, mas a uma mulher que esteja a amamentar basta pressionar levemente (mais uma vez, não dói nem incomoda nada) o mamilo que saem logo umas gotas de leite (muito pouco sexy – eu bem pedi desculpa por estragar imagens).

tortura medieval(não é uma bomba de tirar leite)

“Não somos cidadãos. Somos contribuintes.”

Mais uma excelente entrevista conduzida por Helena Matos: Tiago Caiado Guerreiro: “O Estado faz maciçamente ilegalidades todos os dias”

O IRS americano iniciou 1500 processos-crime em 2012. Portugal o ano passado abriu 18 mil. Este foi um dos sinais de que algo está mal que Tiago Caiado Guerreiro denunciou em entrevista ao Observador.

Quando “basta a administração fiscal informar-nos que nós temos um imposto em falta para termos de garantir o pagamento desse imposto mais 25 por cento, independentemente de ter qualquer tipo de fundamento”, quais são afinal os nossos direitos? Poucos, pelo menos a avaliar pelo retrato traçado por Tiago Caiado Guerreiro para quem “passámos de um sistema fiscal garantístico, em que éramos considerados basicamente inocentes até o Estado comprovar efectivamente que nós éramos responsáveis, para um sistema em que temos várias inversões do ónus da prova. Isto é, em que nós temos de provar que somos inocentes.”

(…)

E deixa também um aviso: “Para o nível de desenvolvimento que nós temos o Estado devia pesar 35 por cento na economia e pesa 50. O nível de desejo do Estado e sofreguidão por impostos não resulta duma necessidade. Resulta duma consciência que os políticos têm de quanto mais dinheiro tiverem mais poder têm sobre os cidadãos, sobre a compra dos votos e sobre o controle da economia do país.”

Leitura complementar: Da ditadura fiscal à miséria moral.

O problema constitucional português (2)

Ainda que sempre com a ressalva que popularidade está longe de ser sinónimo de qualidade, estou satisfeito (e um pouco overwhelmed) com o feedback relativo ao meu artigo desta semana no Observador (Portugal precisa de uma Constituição não socialista). No momento em que escrevo este post, o artigo tem contabilizadas mais de 1.100 partilhas nas redes sociais, mais de 50 comentários no site do Observador e mais de 80 comentários no post relativo ao artigo na página de Facebook do Observador.

Como seria de esperar, as opiniões variam, mas uma coisa é certa: o tema suscita amplo interesse.

Não me será, obviamente, possível responder a todas as questões levantadas, muitas delas interessantes, mas talvez volte ao tema em breve para abordar algumas delas.

Numa nota menos positiva, constato que algumas das reacções continuam a alinhar por padrões que pouco contribuem para o debate de ideias. Felizmente, no entanto, verifico mais uma vez que há muita gente interessada numa discussão séria e construtiva.

Relativamente aos casos menos positivos, deixo de seguida um exemplo meramente ilustrativo:

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O PSD e a RTP: de mal a pior

Nova guerra na RTP: PSD exige baixa de salários da administração e explicação do CGI

Esta é uma discussão interessante. Por um lado, 10.000 euros é pouco para as responsabilidades de gestão associadas. Por outro, não se percebe por que deverá o novo presidente da RTP receber mais do que o seu antecessor Alberto da Ponte. Ou por que deverá o presidente do conselho de administração da RTP ter um salário superior ao do primeiro-ministro de Portugal.

Mas mais interessante do que a discussão salarial, é reflectir sobre um Governo que começou com a intenção de privatizar (ainda que parcialmente) e/ou concessionar a RTP e acaba por manter tudo mais ou menos na mesma, com os contribuintes, claro, a pagarem a conta. Com a cereja no topo do bolo de passar a ter como responsável pelos conteúdos da RTP alguém com o perfil profissional, empresarial, político e político-empresarial de Nuno Artur Silva.

Marco António Costa e o PSD fariam melhor em concentrar as suas atenções no essencial.

Leitura dominical

Os nossos homens (e mulheres) em Belém, a opinião de Alberto Gonçalves no DN.

Para início de conversa, tenho a agradecer aos pilotos da TAP a consideração que me dedicaram. Com duas viagens marcadas na companhia, gostei de ver o início da próxima greve aprazado para logo depois da primeira e o fim para o dia anterior à segunda. Muito, muito obrigado.

Egoísmo? Sorte? Não é nada disso. Se fosse, Portugal em peso não estaria comigo na defesa da TAP e dos seus funcionários contra os ventos da privatização. A TAP, já se sabe, é bandeira, caravela nas nuvens, baluarte da soberania, símbolo nacional em suma. A TAP é perfeita, donde não admira que toda a gente goste dela. Toda a gente, excepto, somente, os próprios pilotos, que criticam os maus resultados financeiros da empresa. E a administração, que diz que assim a empresa não vai longe, no sentido contabilístico além do literal. E os agentes turísticos, que prevêem um prejuízo desmesurado em função da “paralisação”. E os 300 mil passageiros que ficarão em terra entre os dias 1 e 10 de Maio. E os milhões de contribuintes, que temem a factura destes e doutros folguedos. E o governo, que se quer livrar daquilo quanto antes. E os investidores, que fogem da TAP como um talibã do deboche.

Tirando estas irrelevâncias, a TAP é querida pela generalidade das pessoas, leia-se o povo, que na sua sabedoria sabe valer mais uma empresa no Estado do que alguns aviões privados a voar.

Carvalho da Silva: o sociólogo sobre o sindicalista

Se o sociólogo Carvalho da Silva analisar a actuação da CGTP em tempos liderada por Carvalho da Silva sindicalista talvez fique a perceber as razões destes números. Por Helena Matos.

Um toque de humanidade

Pela borda fora. O motivo não podia estar mais nobremente justificado.

Muslims who were among migrants trying to get from Libya to Italy in a boat this week threw 12 fellow passengers overboard — killing them — because the 12 were Christians, Italian police said Thursday.

Italian authorities have arrested 15 people on suspicion of murdering the Christians at sea, police in Palermo, Sicily, said. The original group of 105 people left Libya on Tuesday in a rubber boat. Sometime during the trip north across the Mediterranean Sea, the alleged assailants — Muslims from the Ivory Coast, Mali and Senegal — threw the 12 overboard, police said.

Other people on the voyage told police that they themselves were spared “because they strongly opposed the drowning attempt and formed a human chain,” Palermo police said. The boat was intercepted by an Italian navy vessel, which transferred the passengers to a Panamanian-flagged ship. That ship docked in Palermo on Wednesday, after which the arrests were made, police said.  The 12 who died were from Nigeria and Ghana, police said.

Vingança pornográfica, de facto

O meu texto de ontem no Observador.

‘Uma boa história de vingança dá sempre suculento material literário. A personagem mais requintadamente vingativa de sempre é, sem discussão, o conde de Monte Cristo de Dumas (que, não há vergonha em confessar estas coisas, foi uma das grandes paixões da minha adolescência, afinal nenhuma adolescente saudável de doze anos resiste ao torturado prisioneiro inocente do Castelo de If). Logo a seguir candidata-se Heathcliff, em O Monte dos Vendavais. E, claro, a vingança é um filão interminável para a literatura policial – género que não dispenso. Na versão lusa, tivemos há poucos anos O Mar em Casablanca, de Francisco José Viegas, oferecendo-nos uma sangrenta vingança por causa de uns ainda mais sanguinários eventos em Angola trinta anos antes, em contextos inspirados naqueles em que Sita Valles foi torturada, violada e executada por comunistas da fação contrária.

À conta de tantos livres – e filmes – corremos o risco (ou, pelo menos, eu, que sou literariamente impressionável, corro) de ficarmos parciais com as mentes vingativas. Mas no caso das vinganças, como em tantos outros, a tecnologia destrui-nos o romantismo.

É que tem havido um grande número de pessoas encantadoras – cujo ressentimento e falta de escrúpulos é certamente apenas um pormenor – que partilha na internet fotografias ou vídeos de conteúdo sexual quando uma relação amorosa (ou qualquer coisa vagamente relacionada) termina. Do ex, claro.’

O resto está aqui.

Franco Atirador 7

Estive em mais um Franco Atirador, um programa semanal de debate sobre a actualidade política e social portuguesa, moderado por Joana Amaral Dias e Nuno Ramos Almeida.

Sampaio da Nóvoa: o “nosso” Zizek?

Hoje, para o jornal i:

O mui intelectual e catedrático Sampaio da Nóvoa foi tocado por um sentido de dever para com os outros. Ouvir um discurso de Sampaio da Nóvoa é arriscar encontrar resposta para a pergunta de Platão, apresentada pela boca de Sócrates, “o que é uma comunidade justa?”. Sampaio da Nóvoa dá-lhe corpo, o seu corpo, literalmente: é aquela onde os melhores governam com sabedoria. Sampaio da Nóvoa é o melhor. O critério é qualitativo: governam os melhores, os que prescindindo dos seus interesses particulares e egoístas (quem?) contribuem para a colectividade social depois de uma catedrática e virtuosa educação que os coloca – a esses pedagogos e intelectuais do interesse público – naquele patamar de superioridade moral que lhes permite olhar a Nação, de cima para baixo, como Colectividade. Tanta correcção, tanta bondade, confesso, dá-me uma irrefreável vontade de me tornar uma marginal e ir pecar sem dó nem piedade.

Mas ouvir um discurso ou entrevista de Sampaio da Nóvoa como a de 2011 a António J. Teixeira nos poucos minutos do seu dia em que não está a ler Lacan ou Derrida recorda-me a primorosa encenação da persona do filósofo Slavoj Zizek, o Élvis da “Cultural Theory”, não só no estilo “discurso logo existo” ou no desígnio heróico. De facto, é muito comum o filósofo competente e letrado sofrer de alguma incontinência verbal, perdendo-se no seu vocabulário abstracto mas triunfal, pejado de proclamações assertivas mas abandonando o compromisso com a dureza dos factos. Ninguém é perfeito, muito menos o intelectual das esquerdas. Mas, se há um apelo a fazer a Sampaio da Nóvoa, ele é simples: deixe as grandes Teorias, em forma de proclamação poética, na sala de aula, porque o mundo fora da universidade não é dos filósofos, é dos realistas, e um pouco de realismo nunca matou ninguém.

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Assim vai a liderança de António Costa…

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Coligação PSD/CDS empata com o PS

Segundo uma sondagem CM/Aximage, realizada nos 4 a 8 deste mês, o PS recolhe 36,9% das intenções de voto, mais 0,8 pontos percentuais do que no mês passado (36,1%). Contudo, o PSD cresceu mais do que os socialistas, passando de 28,9% em março para 30,5% agora em abril (mais 1,6 pontos percentuais). A distância entre os dois principais partidos é agora 6,4 pontos percentuais favoráveis ao PS. O CDS manteve-se na casa dos 6% (6,1% em março, contra 6% em abril). Juntos, os social-democratas e os democratas-cristãos somam 36,5% das intenções de voto, contra os 36,9 dos socialistas. Ou seja, um empate a seis meses de eleições. Valores que favorecem a continuidade da coligação governamental e afastam cada vez mais o PS da maioria absoluta.

Na confiança para primeiro-ministro, António Costa continua à frente de Passos Coelho: 42,7% contra 35,7%, sendo agora a diferença de 7 pontos percentuais. Em Outubro do ano passado, quando António Costa foi eleito líder do PS, a sua confiança para primeiro-ministro era de 56,2% e a de Passos Coelho 31,1%. Ou seja, em sete meses Costa perdeu 13,5 pontos percentuais, e Passos ganhou 4,6 pontos percentuais. [destaque meu]

Sobre as manifestações no Brasil

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O mistério brasileiro: vale a pena prestar atenção. Por João Carlos Espada.

No passado dia 15 de Março, as multidões que desceram à rua eram pacíficas e ordeiras. Em vez de confrontarem as forças da polícia, aplaudiam-nas. Vestiam as cores da bandeira do Brasil e cantavam o hino nacional. Entre as principais palavras de ordem, contavam-se “Contra a corrupção” e “Contra o aparelhamento do Estado” (o que basicamente significa contra a captura do Estado por partidos políticos particulares, neste caso sobretudo o PT, mas não só). Não é possível determinar com exactidão o programa político de um movimento descentralizado e tão vasto como este. Mas é possível identificar algumas características mais marcantes que o distinguem e tornam inovador. (…) Algumas das vozes que se fazem ouvir na imprensa e nas redes sociais são, além de bastante jovens, surpreendentemente articuladas e informadas. Uma dessas vozes é a do famoso Rodrigo Constantino, autor de um blogue da revista Veja. O seu livro Esquerda Caviar acaba de ser publicado no Brasil e em Portugal (Aletheia), com prefácio do português João Pereira Coutinho — célebre cronista das terças-feiras na Folha de S. Paulo e, entre nós, do Correio da Manhã. (Ambos estarão no Estoril Political Forum, a 22-24 de Junho próximo, discutindo esse livro com Bruno Garschagen, outro jovem destacado porta-voz destas correntes nas redes sociais).

A confiança do PS em Sampaio da Nóvoa (2)

António Costa nega ter garantido apoio do PS a Sampaio da Nóvoa.

Leitura complementar: O PS vai desistir das presidenciais?.

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