Manias da comunidade feminina insurgente*

pg wodehouseComo dizia o Lord Goring, a única coisa sensata a fazer com um bom conselho é passá-lo a outra pessoa. Ora qualquer conselho meu seria inevitavelmente bom, pelo evito dá-los, sabe-se lá onde vão parar. Mas abro aqui uma exceção, que se tratam de coisas importantes. Vale a pena irem ler o que a Graça tem escrito no Rua Direita. Aqui têm uns mimos sobre o P. G. Wodehouse – e é condição necessária para entrar na sociedade secreta insurgente uma leve obsessão pelos livros de P.G. Wodehouse, somos obrigados a revelar quais os títulos preferidos de cada um (os meus são Aunts Aren´t Gentlemen e The Mating Season), está em avaliação a criação entre os insurgentes de um banco de segredos semelhante ao do sindicato dos mordomos, e já enviámos para os vários grupos parlamentares uma proposta de lei de criminalização das traduções de P.G. Wodehouse e para o internamento compulsivo de qualquer pessoa que leia o autor noutra língua que não a original. E já que estou em maré de dar conselhos, recomendo vivamente que se adquiram as novas edições da Everyman, que são lindas (está um exemplo ali em cima) e têm os livros todos, Wooster & Jeeves, Blandings Castle, Psmith e muitos etc.

Para manter o nível depois do P.G. Wodehouse, de que poderia a Graça escrever de seguida? Acertaram: sobre o Colin Firth. De resto, sobre o primeiro avistamento de Colin Firth da minha vida, no Valmont, de Milos Forman (que claro que já teve direito a post meu noutros lados). E a maior evidência que alguma vez poderei apresentar de que os adolescentes são parvos é a minha preferência, nesses anos felizmente já ultrapassados, pelo Vicomte de Valmont de John Malkovich em vez do de Colin Firth. Quanto à cena do lago que a Graça refere: caros leitores (ou, pelo menos, leitoras) dirijam-se a este post aqui da sociedade secreta.

*(que estou certa que a Daniela e a Elisabete estão inteiramente de acordo com a Graça e comigo).

About these ads

Porquê Hemingway?

A minha educação literária foi e é muito influenciada por Hemingway. Porquê? One word: “Fiesta” (ou “The sun also rises”, com uma fabulosa adaptação para o cinema, de 1957, com a Ava Gardner a representar uma estonteante Lady Brett Ashley).  A capacidade de Hemingway para compor uma história e omitir menções directas ao problema central  (a impotência sexual de Jake em “Fiesta”)  foi o que me conquistou. Mas, agora que leio o “Jardim do paraíso” (confesso que por mim, o filme de Jonh Irvin seria censurado por violar a memória de Hemingway com base no nível de foleirice intrínseca), percebo que não foi apenas isso mas, também, a facilidade com que este suicidazinho me manipula quando, no fim de uma página descritiva e quase – sublinhe-se o “quase” – boring, prestes a virar a página, leio a seguinte frase “no café pegou no jornal e pediu um fine à l’eau porque se sentia vazio e deprimido por ter feito amor”. Caramba.

(Ah, claro, depois vi o Clive Owen – suspiro prolongado – a representar um sensualíssimo e brutal Hemingway e percebi que adorava “Papa” porque me apresentou a Martha Gellhorn, uma mulher que “amava a Humanidade mas detestava pessoas”.)

Feminismo caviar

emmaAs pessoas são negligentes com a necessidade de ler Jane Austen e apercebem-se tarde de certas realidades. Já no Emma (aqui ao lado na minha encadernação preferida) Jane Austen punha a protagonista, Emma Woodhouse, informando a amiga Harriet que não pretendia casar porque não precisava, que teria uma boa herança e preferia ficar de fora, fazendo de casamenteira para os amigos sem comprometer a possibilidade de ficar para o resto da vida sem ter de dar satisfações a ninguém. E mais, garantia Emma: ficar solteira só tornava uma mulher ridícula, e a colocava em dificuldades, se além da falta de marido tivesse também falta de dinheiro. Como a definitivamente ridícula Miss Bates – que é, mais tarde na narrativa, objeto de uma monumental descompustura de Mr Knightley a Emma. Mas isso já nos faz sair do propósito do texto. Que é: as maluquices feministas anticasamenteiras – não confundir com o feminismo sensato, que sim, até se atura e apoia de vez em quando – vão bem acompanhadas de um little black dress e um par de Jimmy Choos. (Se bem que um LBD e um par de Jimmy Choos fiquem bem a acompanhar qualquer coisa, não se lhes leve a mal).

«Taking a stand against patriarchy is much easier if you’re well-educated, have a stable income, and live in a community where you could theoretically find an educated, employed man to marry. For poor, uneducated women, especially those who have kids, the question of whether to get married looks a lot different: It’s the choice between raising children on one or two incomes, between having someone to help with household chores and child-rearing alone while working multiple jobs.

And that’s the big difference: For a poor woman, deciding whether to get married or not will be a big part of shaping her economic future. For a wealthier woman, deciding whether to get married is a choice about independence, lifestyle, and, at times, “fighting the patriarchy.” [...]

Wanting a certain lifestyle, or even wanting to fight against societal pressures to marry, are both questions of privilege.

This is not to say that all low-income women should marry, that it’s their fault if they’re not married, or that marriage is the silver-bullet solution to solving income inequality, as Fleischer and his supporters might argue. But it is important for the resistance against “patriarchy” to be mixed with a recognition of statistical reality: Marriage is good for women economically.»

O resto na The Atlantic.

No Fio da Navalha

O meu artigo de hoje no i.

Os sonâmbulos da Europa

O último livro do historiador australiano Christopher Clark (The Sleepwalkers), sobre as causas da guerra de 1914-18, está a causar polémica entre os especialistas na matéria. Clark, que teve acesso aos arquivos das potências europeias, contraria o hábito, que vem de Versalhes, de culpar essencialmente a Alemanha pelo sucedido. Para ele, a causa principal que levou ao conflito armado, foi o estado de sonambulismo que afectou os líderes europeus e os levou a jogar o futuro da Europa num jogo de roleta russa.

O assunto é complexo e não vem aqui directamente ao caso. O importante é que a obra de Clark está a ter um enorme sucesso na Alemanha, pois permite aos alemães tirarem de cima dos ombros a culpa que lhes foi inculcada. Quase 100 anos passados sobre o início da primeira grande guerra, e quando as tensões na Europa se viram novamente contra o país mais populoso e que ocupa o centro do continente, o esforço intelectual deste historiador, que não é alemão, é da máxima importância.

Não há Europa sem Alemanha. Ora, esta verdade que, devido à irritação irracional para com Sra. Merkel, estamos a esquecer, não foi tida em conta pelos britânicos, franceses e russos do início do século XX. Também na altura ninguém esperava o pior; também na época poucos se deram ao trabalho de ir além do preconceito imediato e ninguém foi capaz de pôr termo ao sonambulismo que afectou a Europa. Espero que em 2014 nos  recordemos disto para que 1914 não tenha sido em vão.

E agora as coisas importantes do dia: parabéns Tintin

bule tintinEu sou assim ligeiramente fanática por all things Tintin. Os quartos dos miúdos têm quadros do Tintin, candeeiros com Tintins em madeira e outras variadas formas de serem condicionados ao gosto da mãe. Quando casei, as mesas da festarola tinham nomes e imagens das personagens do Tintin. O único livro em francês que me dei ao trabalho de ler foi o das entrevistas do Numa Sadoul ao Hergé. E, claro, de tempos a tempos tenho de regressar aos livros para saborear as piadas com o talho Sanzot, as confusões acústicas de Girassol, os disfarces dos Dupondt, as diabruras de Abdallah, a maldade (crescente) de Rastapopoulos, a invasão japonesa da China, os vilões, os terroristas do Irgun (que, em edição posterior, foram renomeados), a passagem da Bordúria de um estado parecido com a Alemanha nazi a outro semelhante à URSS estalinista. E as quedas e desgraças sortidas e palavrões de Haddock, a sua tentativa de se tornar um gentleman farmer depois da descoberta do tesouro de Rackham e da recuperação de Moulinsart, as fugas da Castafiore, as fúrias com o mundo inteiro. Haddock – esse bêbado recuperado pela amizade de Tintin, que não hesitava em manipulá-lo, quando necessário, com uma módica dose de álcool. E, para mim, os livros de Tintin são sobretudo isso, livros sobre a amizade – o melhor livro sobre amizade que já li foi o Tibete, o livro psicanalítico que Hergé escreveu para expiar a culpa que sentia pelo seu divórcio – tanto melhores por não serem amizades perfeitas, mas amizades com zangas, incompreensões, fúrias, manipulações, necessidades de distância, segredos, teimosias.

Enfim, comparado com a tintinologia, só mesmo o meu vício do chá. Pelo que aqui vai a foto de um bule igual ao meu bule do Tintin, um dos meus objetos mais adorados – a dimensão é ideal (dá para umas sete ou oito chávenas de chá, todas para mim, claro), o bico é perfeito – e que necessitará de luto prolongado caso alguma vez se parta.

Umas palavras de conforto para José Sócrates

trauma questionAnda por aqui gente maldosa a elaborar teorias sobre uma coisa normalíssima como esta de inventar memórias, que sucede a qualquer pessoa de bem, pelo que me vejo na obrigação de vir defender a honra desse ex-pm que sempre nos habituou a ter nas suas afirmações a verdade mais cristalina. Como estou precisamente a estudar as questões da memória, concretamente a memória de trauma, posso garantir que há valentes discussões sobre a validade da memória, especialmente quando se trata de memórias recuperadas (nos casos de abuso sexual em criança). Mas também, e devido aos processos de fixação da memória, quando a memória não é exatamente correspondente aos factos (que se podem comprovar, pelo menos). Terá valor esta memória? E, para além do valor legal, qual o valor cultural desta memória? Vale a memória para além dos factos?

Assim, e caso sócrates se sinta algo confuso com este seu pequeno erro – não que isso suceda, claro está, que sócrates faz parte da estirpe de pessoas que tem como lema nunca reconhecer erros, mesmo os mais evidentes, e ainda há pouco tempo afirmava que reconhecer erros é errar duas vezes – aconselho a leitura do livro acima, que refere estas interessantes questões sobre a memória e a sua validade. Ou, se os neurónios socráticos estiverem demasiado esgotados com tanta leitura de Kant, pelo menos a leitura deste texto da The Atlantic. Para não se sentir desacompanhado nisto de inventar memórias. Não que o querido líder necessite de companhia, que ele é uma pessoa com mais valor que os demais. Sobretudo da companhia daqueles inúteis descerebrados incapazes de ver a genialidade socrática.

Em todo o caso este episódio permite-nos ficarmos seguros de algo: as memórias de sócrates sobre eventos importantes – ocorre-me, sabe-se lá porquê, o caminho governamental até ao pedido de resgate pela troika, a eficácia do PEC4 e anteriores PEC e por aí – são tão fidedignas como a memória de sócrates sobre Eusébio. E talvez fosse mais avisado sócrates tomar decisões de carreira para áreas onde se valorize a capacidade de inventar – pode-se tornar um autor célebre no campo da autoficção (conceito abordado no livro acima), por exemplo – e se esquive de áreas onde maior fidelidade à verdade se aconselhe. Sei lá, ocorre-me a política.

‘Contagem Descrente’

Amanhã será o lançamento do livro de John Wolf. Desta vez não conheço pessoalmente o autor – só da bloga e do facebook – mas conheço a Antonieta Lopes da Costa, que apresenta o livro, do tempo do Descubra as Diferenças na Rádio Europa, e o Gonçalo Martins, da Chiado Editora, que tive o prazer de conhecer noutras bandas. E, os dois, são recomendação mais do que suficiente. Além de, obviamente, os escritos do autor.

Foi no Ramalhete…

gustave_dore_dante_the_styx_phlegyas

Foi no Ramalhete, entre os périplos que conduziam Carlos a Maria, entre o intrincado manto de detalhes e de retalhos que tão bem caracteriza Eça. Entre a descrição das paredes, dos corredores, dos aparatos e dos criados, todos eles, os mudos e os demudos, que testemunharam, como eu, o que os aproximava. Foi no Ramalhete que li e vivi um romance que transformava relatos em vivências. Foi nessa casa que compreendi o alcance das palavras que tornam eternas as memórias e histórias que ficam com eles e comigo. Foi nesse mesmo Ramalhete que enquanto Carlos se declarava a Maria, eu me apaixonava incondicionalmente. Foi com Eça, no Ramalhete, que me entreguei à literatura.

E foi entre Eça e Pessoa, da casa à mensagem, porque estava na hora, acreditava eu declamando e não dizendo, orgulhosamente, que se desfizesse o fado e se cumprisse, como n’O Infante estava escrito, Portugal. Foi na força imensa do mar português que senti o que não pode ser dito, apenas lido.

Foi mérito de Eça e Pessoa ter dado o benefício da dúvida e arriscar pegar n’A Metamorfose — que sabemos nós com 15 anos? aliás, que sabemos nós? — para, com imensa estranheza mas profunda admiração, comentar Kafka. Foi mérito de Eça e Pessoa ter levado Cervantes debaixo do braço enquanto viajava durante um ano e acompanhava, como se fossem minhas, as aventuras de D. Quixote. Foi mérito deles, honra minha, querer ler A Divina Comédia enquanto vivia por escrito, tão próximo quanto as palavras permitem e a imaginação alcança. Foi honra minha, mérito deles, deixar-me absorver pelos Três Mosqueteiros de Dumas.

É, portanto, com uma profunda tristeza que leio que a Associação de Professores de Português considera um retrocesso voltar à leitura de Eça, Camões e, bárbaros!, Pessoa, Padre António Vieira ou Alexandre Herculano. Considerará, por extensão, um retrocesso ler também Dante, Cervantes, Dumas ou Shakespeare, escritores que, aproprio-me com desfaçatez das palavras de José Mendonça da Cruz, são enormes. E, afirmo-o eu, não existem prémios Nobel que algum dia comprem ou ofusquem aquilo que estes, e poucos mais, um dia fizeram.

Mas porque neste mundo pautado pela mediocridade dos comissariados e dos pareceres o fora-da-lei é aquele que está certo, porque A é A, o sincero, que muitos, ouso sonhar demasiados, continuem a mostrar àqueles que, como eu, agradecem ter um dia lido Eça e Pessoa. Porque se isto é progresso, prefiro o retrocesso. Porque o mérito é deles e a honra é minha. Porque, Senhor, não é com aquela gente, mas com esta, que só assim se poderá um dia fazer cumprir Portugal.

Adeus Maxmen, foi bom…

Aparte

Campaigners meet with MPs to push for Tescos lads’ mags ban:

Feminist campaigners are meeting with MPs today, in a bid to force supermarket chains to stop stocking copies of lads’ mags featuring images of bikini-clad women.The parliamentary meeting will be led by Green MP Caroline Lucas, alongside rights groups UK Feminista and Object.Campaigners are using legal and political pressure to push supermarkets into banning the magazines, which they say breach equality legislation.It comes as a survey by ITV’s Daybreak revealed 45% of people believe the magazines encourage sexism.

I think that women in the 21st century can aspire to more than being sex objects for the titivation of men”.

Alice Munro, nobel da literatura: yeah!

O meu primeiro livro de Alice Munro foi-me oferecido pela Ana Margarida Craveiro (não te importas pela denúncia, pois não, Ana?), A Vista de Castle Rock. É um livro de contos – Munro escreve sobretudo contos – e, como prefiro as longas empreitadas dos romances, não sei se o teria lido se não tivesse tanta confiança no literary taste da Ana, que nos leva a ter gostos comuns (como, um exemplo, a Kate Atkinson). Mas li, fiquei viciada e já li mais uns tantos livros de contos de Munro. Curiosamente nunca li o único romance que escreveu e, coisa rara para os autores que escrevem em inglês, li sempre as traduções da Relógio D´Água. Se tivesse mesmo de escolher, diria que o meu conjunto de contos preferido é o Fugas.

Alice Munro não escreve thrillers, nem tratados filosóficos, nem O grande romance. Escreve sobre situações quotidianas e pessoas comuns. E é aqui que reside a genialidade – e é mesmo genialidade – de Munro: na forma como nos revela as motivações, as emoções, as intensidades submersas presentes nos comportamentos mais triviais das pessoas mais normais, aqui ou ali salpicado de algum drama também ele quase corriqueiro. Agora que têm surgido estudos que apontam para a capacidade da ficção nos tornar mais empáticos, pode-se dizer sem grande exagero que os contos de Alice Munro são as melhores lições de empatia.

(Começo a preocupar-me: depois de Mo Yan no ano passado e com Alice Munro este ano, já são dois anos seguidos em que acho que se nobelizou dois grandes escritores e que foram escolhidos, de facto, pela qualidade literária e não por posições políticas. Como deve suceder com o Nobel da Literatura, que não é, nem deve ser – mas já foi, é só pensar em Saramago – um Nobel do Ativismo Político).

No Fio da Navalha

O meu artigo de ontem no jornal i.

Erros passados, desafios futuros

Em 1980, Larry Collins e Dominique Lapierre escreveram “O Quinto Cavaleiro”, no qual estes dois autores (“Oh Jerusalém” e “Esta Noite a Liberdade”) imaginaram um atentado terrorista árabe que destruiria a cidade de Nova Iorque. Em 1980, ainda na administração Carter, o terrorismo fazia das suas, temendo-se a sua escalada para um nível de destruição total. A leitura deste livro, com a descrição da preparação do atentado, levado a cabo por quem já estava na cidade, causa arrepios agora que sabemos do 11 de Setembro: a ficção vira realidade vezes de mais.

Neste ano de 2013, o jornalista e especialista de política internacional francês Éric Laurent escreveu “La Conspiration de Wao Yen” (Flammarion). Aí prevê um golpe mortal da China na hegemonia norte-americana: convencendo a Arábia Saudita a pôr termo à sua aliança com os EUA e a assinar um acordo de fornecimento exclusivo do petróleo à China, Pequim expõe a fraqueza dos EUA, viciados em dívida e totalmente dependentes de terceiros que exploram e não respeitam. O enredo passa-se em Março de 2014 e a impotência da administração Obama para enfrentar este desafio é confrangedora.

Do livro de Éric Laurent não se espera, até porque julgo ainda só existir a edição francesa, a mesma projecção que a das conhecidas obras de Collins e Lapierre. No entanto, a fraqueza dos EUA, deixando de ser o local onde se vivia do trabalho e não do consumo, está a deixar marcas no mundo que se irão agravar.

O verdadeiro Karl Marx

Apesar de alguns grayismos, John Gray escreveu uma recensão muito interessante do livro Karl Marx: A Nineteenth-Century Life, de Jonathan Sperber: The Real Karl Marx.

Sperber’s subtly revisionist view extends to what have been commonly held to be Marx’s definitive ideological commitments. Today as throughout the twentieth century Marx is inseparable from the idea of communism, but he was not always wedded to it. Writing in the Rhineland News in 1842 in his very first piece after taking over as editor, Marx launched a sharp polemic against Germany’s leading newspaper, the Augsburg General News, for publishing articles advocating communism. He did not base his assault on any arguments about communism’s impracticality: it was the very idea that he attacked. Lamenting that “our once blossoming commercial cities are no longer flourishing,” he declared that the spread of Communist ideas would “defeat our intelligence, conquer our sentiments,” an insidious process with no obvious remedy. In contrast, any attempt to realize communism could easily be cut short by force of arms: “practical attempts [to introduce communism], even attempts en masse, can be answered with cannons.” As Sperber writes, “The man who would write the Communist Manifesto just five years later was advocating the use of the army to suppress a communist workers’ uprising!”

Continuar a ler

Mal Educados

Ao indivíduo que repete constantemente uma mentira no anseio de que esta se transforme em verdade podemos chamar de demagogo ou de mentiroso mas não, necessariamente, de burro. Muito pelo contrário. A lenga-lenga da destruíção da Escola Pública, repetida em governos que vão do socialismo ao centro-direita – como aponta e bem o Henrique Monteiro – tem convencido dentro e fora da escola. E se é certo que muitos os há que contestaram o timing desta greve, poucos serão os que não estão convencidos da agenda fascista deste ministro, que certamente quer retornar os padrões de ensino à Idade das Trevas.

Eu bem sei que tudo isto é chato. É chato que esta greve tenha provado a eficiência do ensino privado sobre o público. Não admira que a FENPROF esnobe constantemente o ensino privado. Pode dar-se o caso de que alguém repare que a coisa funciona e os ponha realmente a trabalhar. E isso é capaz de ser chato. É chato que os professores, esses pilares da sabedoria, se vejam numa situação que não lembra a um trabalhar de um país civilizado: a possibilidade de serem despedidos.

Mas sobretudo, o mais chato é o povo, com a sua humildade intelectual, que não tendo sido alertado atempadamente para as virtudes da via revolucionária, se viu a votar neste conjunto de reformas tão contestadas. A democracia, essa coisa chata, parece não gostar dos professores.

Continuar a ler

O que se vê e o que não se vê

Segundo a RTP (a mostrar como está sempre pronta a fazer propaganda), um estudo do Observatório do QREN chegou à conclusão de que empresas que recebem apoios públicos criam em média mais dois postos de trabalho, e que nos últimos três anos, cerca de 8000 postos foram criados por empresas beneficiadas por estes “incentivos”. O tom da coisa era grandioso, como se com um singelo minuto e meio de reportagem o estatismo tivesse sido redimido e provado verdadeiro, em toda a sua glória.

Se fosse vivo, um certo senhor francês (imagine-se) faria a gentileza de lhes explicar como o dito estudo fala apenas do positivo efeito “que se vê”, mas ignora olimpicamente o negativo custo “que não se vê”. Satisfeitos por verem os “incentivos” públicos permitirem às empresas que os receberam criar empregos, tendemos a esquecer que o dinheiro para pagar os ditos “incentivos” teve que vir de qualquer lado – tendo em conta que o “negócio” do Estado é obter receita dos cidadãos, todo e qualquer “apoio” que este dê é proveniente do dinheiro dos indivíduos e empresas que, com os seus impostos, financiam a “generosidade” pública. Esse dinheiro que tanto jeito deu aos que dele beneficiaram terá certamente feito alguma falta aos que dele tiveram de abdicar. Infelizmente, o estudo não diz quantos empregos se perderam por um restaurante ter perdido dinheiro com a subida do IVA, ou por uma empresa não poder suportar os descontos para a Segurança Social de um dos seus empregados.

O estudo ignora também um outro aspecto pernicioso desta aparentemente positiva criação de postos de trabalho: ela resulta apenas e só da decisão política de atribuir a esta ou àquela empresa o “apoio”, em detrimento de outra. Enquanto que numa “normal” situação de “mercado”, uma empresa é “premiada” através da preferência individual de cada um dos “clientes” que a ela recorrem, sempre que o Estado escolhe dar o seu “apoio” a uma e não a outra, está a fazê-lo independentemente dessas livres preferências das pessoas. A obtenção do “apoio” depende assim, não da satisfação dos interesses dos potenciais clientes, mas (na melhor das hipóteses) da navegação eficaz no mar burocrático que o Estado português traz para tudo o que faz, ou (na pior das hipóteses) na satisfação dos agentes do “mercado” de “influências”, que pelos vistos nunca está em crise no nosso país. Aqueles 8000 postos de trabalho são, é verdade, 8000 pessoas que estão empregadas e têm a sua vida melhorada em resultado disso. Mas as incontáveis que viram o seu rendimento diminuir ou o seu emprego desaparecer também. E não é por não darem jeito à propaganda que têm menos importância.

Dan Brown’s Inferno

Don’t make fun of renowned Dan Brown

The critics said his writing was clumsy, ungrammatical, repetitive and repetitive. They said it was full of unnecessary tautology. They said his prose was swamped in a sea of mixed metaphors. For some reason they found something funny in sentences such as “His eyes went white, like a shark about to attack.” They even say my books are packed with banal and superfluous description, thought the 5ft 9in man. He particularly hated it when they said his imagery was nonsensical. It made his insect eyes flash like a rocket.

Continuar a ler

Um duque que sobreviveu e um país que não mudou

500_9789722045056_memorias_do_duque_de_palmela-1

Portugal achava-se então num estado de tranquilidade completa. Pode considerar-se como feliz entre todos os países da Europa. Muito mais feliz ainda houvera sido, se os que o governavam soubessem aproveitar aquela era de prosperidade para fundar a fortuna pública sobre as bases sólidas de uma boa administração, da reforma dos abusos, sobretudo do melhoramento dos estudos e em geral da educação de todas as classes, de que muito se carecia. O Governo, porém, assim como a Nação, tinham adormecido no regaço da ventura. Quando chegou a época da adversidade, escassearam os recursos, assim como faltou a energia para lutar contra ela à medida que se exauriram as fontes donde, sem trabalho e com pouca indústria, provinha a riqueza nacional.

Memórias do duque de Palmela, p. 79.

As memórias do duque de Palmela, escritas em 1848, e apresentadas agora por Maria de Fátima Bonifácio, retratam na primeira pessoa a vida de um homem que marcou a política portuguesa da primeira metade do século XIX. D. Pedro de Sousa Holstein, nasceu em Turim e veio a primeira vez para Portugal já com 14 anos. Sabia várias línguas e foi um diplomata excelente. Talvez devido as esses dois factores, a sua carreira política ficou aquém do que se poderia esperar. O país que encontrou em 1795, quando chegou a Lisboa, esperava suspenso o abismo que chegaria anos mais tarde. O trecho do texto em cima refere precisamente isso. Palmela acabou por sobreviver a tudo. Tal como o país. As invasões francesas, a instabilidade política, a independência do Brasil, o regresso do rei, a guerra civil, os vintistas, os setembristas, os cartistas e por aí em diante. O país sobreviveu, mas não mudou. Como se pode ler do que Palmela nos lega, a felicidade que poderíamos ter tido, acaso os governos tivessem aproveitado os dinheiros vindos da Europa e reformado o estado de modo a não se ter endividado ao ponto de, refém de interesses diversos, se ver forçado a manter serviços e a distribuir benesses do agrado de alguns, continua uma miragem.

1795 não foi o único ano em que o país esteve suspenso. À espera. Já tinha acontecido e já voltou a suceder. Como agora. Como acontecerá daqui a uns anos. Tal como antes, sobreviveremos com os nossos filhos e netos prontos para contar a história. Infelizmente, essa, tal como a que Palmela nos descreve, não será bonita, nem vai ser fácil. Sobreviveremos, mas o país não mudará.

Amores e desamores reais: um filme e um livro

royal affairNão vi o filme Um Caso Real que João Quaresma recomenda – se não há filme infantil que passe sem peregrinação familiar ao cinema, já para os filmes de gente mais crescida, enfim, o cenário não é o mesmo – mas fiquei com a pulga atrás da orelha. Foi em A Royal Affair: George III and his Troublesome Siblings de Stella Tillyard que conheci a história do casamento da princesa britânica (bem, mais alemã que britânica) Caroline Matilda com Cristiano VII da Dinamarca e do seu affair extra-conjugal com o médico Struensee – romance ilícito que termina calamitosamente, qual tragédia grega ou livro dos escritores oitocentistas ditos realistas (que sucumbem sempre à tentação de matar as adúlteras das suas histórias), para todos os envolvidos, com mortes, torturas, exílios, separação forçada dos filhos da sua mãe e outros desgostos afins. Ao ler o livro de Tillyard – que tem tanto talento para contar histórias reais quanto lhe falha quando se aventura na ficção - recordo-me de pensar que os amores e desamores de Caroline Matilda eram excelente material para filme. Ainda bem que alguém concordou.

Os preconceitos da esquerda sobre a direita são sempre muito divertidos

Através do Estado Sentido fico a saber a opinião (enfim, sejamos caritativos e chamemos-lhe assim) de Sérgio Sousa Pinto sobre as pessoas que hoje vão esperar na sua chegada à RTP a criatura que faliu o país para a entrevista que este e a RTP, com o dinheiro dos contribuintes que pagam a falência, vão usar para tentar branquear os desgovernos da criatura. Diz Sérgio Sousa Pinto que «Sócrates vai enfrentar uma horda de queques parvos, que vagueiam órfãos, de causa em causa, desde o fim do clube T [...]. Aposto que vão arrancar os berloques dos mocassins e atirar ao ex-primeiro-ministro. A seguir quem será alvo desta ira bcbg?»

Ora eu declaro já que me devo andar a dar com gente assaz estranha (isto é, não bcbg) porque fiz um esforço e não me lembro de ter visto berloques nos mocassins de ninguém para aí no último ano. Nem mesmo nos almoços do Instituto Adelino Amaro da Costa, onde costuma estar uma direita conservadora com cuidado no vestir, vislumbrei os tais berloques. Mas, enfim, como Sérgio Sousa Pinto é um jotinha com pior CV ainda do que PPC, não se destingue pelo brilhantismo nos exames nem pela intensidade do trabalho enquanto membro do parlamento europeu (os mentideros contam que nem se dava ao trabalho de ir buscar à caixa de correio dos MEP os documentos que lhe eram enviados), pode ser que tenha de se agarrar aos seus preconceitos para dar algum sentido à sua vida, pelo que é caridoso não o desapontar.

noblesse oblige 2Assim, já sabem: façam lá o favor de ir desenterrar alguns mocassins com berloques (e é mesmo conveniente que sejam velhotes, para que arranquem sem excessivo peso na consciência os berloques para atirar a sócrates, que a direita é poupada, tem a mania de tratar bem todos os objectos para os deixar aos filhos e aos netos e não gosta de estragar sapatos em boas condições), não tenham outro assunto de conversa que não a última ida à neve, dêem só um beijinho e um ar alourado e bronzeado será um plus (ainda que este ar alourado e bronzeado seja mais prevalecente num grupo que geralmente escolhe fazer outras coisas do que ir atirar berloques a um ex-pm, pelo que ninguém necessita de ir descolorar o cabelo nem enfiar-se num solário). Para os (pouquíssimos) socialmente menos seguros, e visto que já não têm tempo de ler o Snobs de Julian Fellowes, é fundamental que leiam pelo menos um ou dois capítulos do Noblesse Oblige da Nancy Mitford. Dar um ar de que são as massas da classe média que vão protestar com sócrates é que, claro, não pode ser.

A história que vou usar quando um dia tiver de explicar aos meus filhos o ano de 2013

Em The American de Henry James (já não me lembro do nome das personagens e não estou em casa para ir espreitar o livro) há uma família aristocrática francesa que vive tempos de decadência – moral e pecuniária – que tudo faz para evitar o casamento da filha da família com um self made man americano (bom, ingénuo, generoso, como costumam ser os americanos da fase europeia de Henry James) que por ela se apaixonou. Apesar de reconhecer os benefícios pecuniários que poderiam advir do casamento da filha com o milionário americano, a família prefere continuar com o seu calvário financeiro, e até correr o risco de ver o americano mostrar ao mundo as provas do assassínio do pai da sua pretendida pela sua pretendida sogra, do que permitir que a filha e irmã da casa forme uma aliança com o plebeu e vulgar americano.

Isto vem a propósito de quê? Bem, é desta história que eu me tenho lembrado desde que li as notícias sobre um provável chumbo do TC a algumas medidas de redução da despesa constantes no OE2013. O tribunal constitucional, qual aristocrata arruinado, não se importa que o país tenha inadiável necessidade de reduzir a despesa pública, desinteressa-se pelo facto de a troika já ter dito que acabou o tempo de equilibrar as contas com aumentos das receitas fiscais, ignora os sacrifícios acrescidos que recairão sobre gente mais vulnerável do que os pensionistas premium que um chumbo do TC protegerá; enfim, o TC não quer saber se o estado vai ou não falir à conta das suas incursões pela política. O TC simplesmente impõe um imobilismo fundamentalista na esperança de congelar o país num mundo que já não existe.

Inverno Chinês

Mao_unknown_story

O livro que Francisco José Viegas aqui publicita – a tradução, publicada pela Quetzal, de Mao: The Unknown Story, cuja compra e leitura recomendo já – deu azo a um episódio da divertida novela das batalhas académicas que se têm travado sobre a história do maoísmo.

Em versão rápida: Mao, The Unknown Story (de Jung Chang, autora de Cisnes Selvagens, e do seu marido, o historiador Jon Halliday) apresenta novos materiais sobre Mao Zedong, baseando-se sobretudo em testemunhos pessoais obtidos pelos autores em entrevistas a este mundo e o outro; o livro pinta Mao das piores cores que os autores conseguem e é evidente que é essa a intenção. Mas como a produção da História do maoísmo ainda tem o seu quê de batalha campal (o que é muito apropriado, dado o objecto), vários académicos, todos eles ausentes da bibliografia do livro de Chang, reuniram as suas recensões (de mais ou menos negativas – de Lowell Dittmer ou Jonathan Spence, ele próprio biógrafo, em minha opinião nada bem sucedido, de Mao – a muito negativas – de Mobo Gao, que chamou ao livro ‘escândalo intelectual’) e publicaram Was Mao Really a Monster?: The Academic Response to Chang and Halliday’s “Mao: The Unknown Story”, acusando Chang e Halliday de ignorarem investigação anterior (a destes autores) e apresentarem informação selectivamente . Inevitavelmente terminam apontando o dedo acusatório à parte da juventude de Chang como Guarda Vermelho durante a Revolução Cultural. O que também já é um clássico nos autores mais benevolentes com o maoísmo, que, incomodados com a existência crescente e o sucesso editorial de relatos autobiográficos das desventuras pessoais ou familiares durante o maoísmo, sobretudo da Revolução Cultural, não deixam sempre que possível de apontar a cumplicidade (efectiva, que estamos em terrenos ambíguos) dos autores desses relatos no sofrimento provocado a terceiros, indo desde as memórias do comum adolescente guarda vermelho que participa em actos de violência contra os ‘inimigos da revolução’ antes de ser enviado ele próprio para trabalhar numa aldeia remota e viver no limiar da sobrevivência, até às memórias da filha de Deng Xiaoping sobre as atribulações do seu pai durante a Revolução Cultural onde não consta o apoio inicial de Deng à RC antes de ter percebido que ele e os restantes quadros mais antigos do PCC eram os principais alvos da grande revolução cultural proletária.

Reincidindo, Mobo Gao, num livro apropriadamente intitulado The Battle For China’s Past: Mao and the Cultural Revolution, responde de uma assentada a Chang e Halliday, a Li Zhisui (médico de Mao que uma vez fora da China publicou as suas memórias sobre a sua vida com o famoso paciente) e a todos os memorialistas que têm andado a ofender a herança maoísta com as suas sortidas histórias de perseguições. Curiosamente Gao usa a mesma subjectividade de que acusa Chang (até a personalidade ‘fria’ de Lui Shaoqi parece ser justificação para a perseguição e morte de Liu) e assegura que as vítimas do Grande Salto em Frente terão sido, no máximo, 30 milhões de chineses (poucos, portanto), contra os 38 milhões aventados por Chang (Frank Dikotter coloca-as em, pelo menos, 45 milhões).

O mais interessante disto? É espelhar a batalha pelo futuro, e não pelo passado, da China que por lá se passa actualmente entre os que pretendem dar continuidade às reformas económicas e se assumem como herdeiros da Teoria de Deng Xiaoping e os que desejam um regresso aos tempos maoístas e vão buscar ao Pensamento de Mao Zedong legitimidade política – e que teve no ano passado com a prisão do maoísta Bo Xilai e a ascensão de um Xi Jinping, que decidiu ter como um dos primeiros actos de presidente uma viagem a Shenzhen que emulou uma outra famosa viagem de Deng, um deveras dramático (i.e., à chinesa) desenvolvimento.

Choose Life – De Trainspotting a Porno

Um novo Trainspotting, 20 anos depois

Vinte anos depois, a cidade em que o realizador do oscarizado Quem Quer Ser Bilionário trilhou o seu caminho do culto para o mainstream deve voltar a ser filmada, em formato sequela. Danny Boyle está a planear voltar a Trainspotting em 2016, quando o filme baseado no romance homónimo de Welsh cumpre o seu 20.º aniversário.

Trainspotting [DVD]

Trainspotting [paperback]

Porno [paperback]

Continuar a ler

Portugal na hora da verdade

É uma pena que quem fez estas sugestões nunca tenha chegado a ser ministro: Impressões. Por José Pedro Lopes Nunes.

Citação do dia – 1
“Publicação na internet de todos os salários dos funcionários públicos, e dos trabalhadores em todas as entidades e organismos públicos e empresas do Estado” (*). Ora aqui está uma boa proposta, de preferência substituindo “salários” por “vencimentos anuais” (incluindo horas extra, bónus, etc.).

Continuar a ler

Pelo direito das mulheres à futilidade

anita loos

Como a lamechice a que se chega no dia internacional da mulher não se atura – e assim, e felizmente, assuntos sérios como a pobreza atingir mais mulheres que homens em todo o mundo, a privação de direitos humanos às mulheres em tantos países (com os países muçulmanos à cabeça), o perigo mortal que ainda é engravidar e passar por um parto em muitas zonas do globo e um etc. destes assuntos assaz levezinhos (passando, de caminho, pela tolerância europeia face aos maus-tratos às mulheres dentro das comunidades muçulmanas residentes na Europa) ficam para (espera-se que todos) os restantes dias do ano – cabe-me vir aqui contrariar a lamenchice e recomendar uma leitura hilariante: Gentlemen Prefer Blondes, dessa percursora da chick lit que foi a Anita Loos. Garanto: mais vale ler Anita Loos do que a Betty Friedan ou a Mary Wollestonecraft, umas gargalhadas ajudam sempre e previnem rugas – e como se vê pelo livro aconselhado uma mulher atraente que saiba usar o que a torna atraente é sempre uma mulher inteligente.

(A imagem é de uma edição em francês porque era a mais gira, mas claro que o livro é para ler em inglês: a piada do dialecto de Lorelei não é traduzível).